sábado, junho 20, 2015

Eu apoio

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Adiar o debate em torno das presidências como se as duas eleições por serem sequências obrigassem a ignorar a que se realiza mais tarde é mais um erro a acrescentar a muitos que já foram cometidos pela esquerda e cujas consequências só os teimosos e autistas da política insistem em não aceitar. As eleições não podem ser confundidas com a fila de espera de um cabeleireiro, como se os candidatos fossem tratar da sua imagem em função da data do casamento.
  
Depois do erro de apostar em candidatos que só o seriam se por causa de um qualquer terramoto ficassem sem melhor fonte de rendimentos e de boa vida do que o proporcionado pelo cargo presidencial, erro que levou a que a esquerda desse as presidenciais como ganhas por um fugidio Guterres, comete-se o erro de adiar para a véspera das presidências o lançamento de uma candidatura que ficará condicionada aos resultados ds legislativas e quase sem tempo para mobilizar os eleitores.
  
A direita tem vários candidatos, todos eles trabalhando activamente para melhorar a sua imagem junto dos eleitores, vários têm mesmo programas televisivos da sua candidatura e no caso do Pedro Santana Lopes até conta com a preciosa ajuda do António Vitorino para branquear a sua imagem. À esquerda parece que os candidatos têm de andar escondidos porque agora é a hora do culto da personalidade das personagens com protagonismo das legislativas.
  
Acontece que não só a direita está em plena campanha eleitoral, com dois ou três candidatos associados e apoiando a direita nas legislativas e usando poderosos recursos da comunicação social para achincalhar e diminuir quase diariamente a única candidatura à esquerda. Além disso é o próprio Cavaco Silva que já arregaçou as mangas e até parece que recuou aos anos 80, quando era candidato a primeiro-ministro.
  
É impossível dissociar as legislativas das presidenciais porque muito provavelmente o futuro governo terá de contar com a confiança do Presidente da República, num cenário em que o PS ou a direita não alcancem uma maioria absoluta. Além disso, uma boa parte das ambições governativas da direita passa por medias que ultrapassam os limites da Constituição o que significa que o seu programa de governo é em simultâneo um programa presidencial, já que só é viável com um presidente que obedeça a Passos Coelho de uma forma tão servil como aquilo que temos assistido.
  
Não concordo com os que um ano antes das eleições legislativas avançaram com candidaturas presidências que se revelaram meras ilusões criadas por quem vê no país uma segunda escolha e agora dizem que a questão presidencial só se coloca depois de Setembro. Não preciso de esperar por saber qual é o futuro deste ou daquele candidato a deputado para me preocupar com um cargo mais importante do que o cabeça de lista ao  parlamento pelo círculo de Lisboa ou de Bragança, sei quem não quer ver em Belém e quem me  dá garantias de respeito pela Constituição e é capaz de ser o presidente de todos os portugueses que o outro não foi.
  
Não preciso de esperar por Setembro para ser o que quero e por isso declaro aqui e agora que apoio a candidatura presidencial do professor Sampaio da Nóvoa.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Janela de Serpa
  
 Jumento do dia
    
Eurico Figueiredo, fundador do PDR do marinho 

Este senhor já tem idade e experiências suficientes para não alinahr em aventuras, ajudou a criar o PDR e a promover Marinho Pinto, agora parece eastar ofendido. Esperemos que o PS não o receba como um herói.

«Uma cisão violenta na véspera da reunião que elegerá o Conselho Nacional do Partido Democrático Republicano (PDR). Eurico Figueiredo, ex-deputado do PS e apoiante desde a primeira hora de António Marinho e Pinto, o líder do novo partido, ameaça abandonar o projeto enviando uma carta dura, em que acusa Marinho de “falso profeta” e de estar a transformar o PDR de “partido caudilhista em partido fascista”, e pede que convoque as eleições noutros termos.

“Conhecendo a sua falta de bom senso, espero, contudo que o Espírito Santo (do céu, e não da terra) o inspire.
Sem o menor respeito pela democracia dentro PDR, o sr. presidente está a transformar-se num “falso profeta”, a proporcionar a saída do PDR dos democratas que acreditaram em si, e a avançar inexoravelmente, de um partido que já é caudilhista, para um partido fascista”, escreveu por email a Marinho, tornando pública a mensagem no Facebook. “Não o farei com gosto: mas com convicção. Repita as eleições em condições de respeito pelas diferentes listas. Acredite que virei a ser completamente diferente de si, se não dá a mão à palmatória. E que em breve compreenderá a diferença: fascismo nunca mais!”.

Ao Observador, Marinho e Pinto declarou que tudo o que Figueiredo diz “é uma acusação tresloucada como tresloucadas têm sido todos os atos praticados por ele na última semana”.» [Observador]

 A falta de dignidade da UE

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É inaceitável que os ministros do Euro tenham permitido que a diretora do FMI se tivesse referido de forma pouco digna a um dos países da UE. Quando a senhora Lagarde disse que «temos que recomeçar o diálogo, mas com adultos" ou os ministros da UE tomavam posição lembrando as regras da diplomacia e da não ingerência em relação a uma organização exterior à UE e de que a Grécia é um membro em igualdade com todos os outros, ou teria merecido que alguém lhe perguntasse se não preferiria ter os adultos na cama.

Pelas primeiras fotografias de carinhos com o Varoufakis era mesmo o que apetecia perguntar. Ou estou muito enganado ou aquele cachecol da Burberry não resistia a mais uma "ronda negocial".

 Interrogações que me atormentam

Depois de Cavaco Silva ter dito com ares de velho castigador que as regras são para cumprir ando às voltas na tentativa de tentar perceber a que regras se referia, acredito que um Presidente da República na posse de todas as suas capacidades intelectuais só faz uma afirmação destas no pressuposto de que alguma regra foi violada. Ora, aquilo que tenho visto não é uma Grécia a não cumprir as regras, é antes uma Grécia que depois de cumprir regras que falharam quer negociar com os credores para ter novas regas e tem feito tudo isto segundo as regras do tratado da UE.

A que regras se refere Cavaco Silva?

      
 Crianças pirómanas
   
«Diálogo mas com adultos na sala", exigiu ontem, no fim de mais uma reunião do Eurogrupo sem acordo, a diretora-geral do FMI. O grau de maturidade de alguém costuma ser aferido em função da capacidade de não fazer birras, não tomar decisões irracionais e assumir os erros. Mas pedir desculpa não basta: é preciso tentar corrigir o mal e não voltar ao mesmo.

Vejamos pois quem, nesta história, está a fazer birra, quem cometeu erros, quem pediu ou não pediu desculpa e procurou emendar-se. Por exemplo: que fizeram os gregos de errado? Elegeram um governo anti-austeridade, certo - que, ao contrário do eleito em 2011 em Portugal, leva a sério as promessas feitas aos eleitores. Mas antes deste braço de ferro com a troika, que sucedeu, nos cinco anos desde o primeiro resgate, em maio de 2010?

A Grécia não cumpriu os programas que lhe foram impostos? Não cortou salários e pensões (lá, ao contrário daqui, não houve a "força de bloqueio" Tribunal Constitucional) e gastos sociais, não aumentou impostos e transportes públicos, não chegou até a fechar a TV pública (que só reabriu agora)? Não aplicou a receita austeritária que lhe foi imposta, como aos outros países resgatados - sempre a mesma? Se aplicou: ontem no DN um texto do comentador-chefe do Financial Times Martin Wolf descrevia o efeito bombástico do "ajustamento" grego - "O PIB real agregado caiu 27% (...), a taxa de desemprego chegou aos 28% em 2013, enquanto o emprego público caiu 30% entre 2009 e 2014". Leiam-se os documentos do próprio FMI sobre o cumprimento do programa grego: todos assumem que os efeitos das brutais exigências foram muito diferentes dos estimados. Do já célebre "erro dos multiplicadores" - o efeito do corte de cada euro foi calculado pela troika muito abaixo da realidade por ter usado uma fórmula errada - à ideia de que "as reformas estruturais" (termo fétiche dos troikos que estamos para perceber, ao fim destes cinco anos, que raio quer dizer, já que aquilo que assim apelidam é invariavelmente corte de qualquer coisa) iam levar a "um aumento da produtividade e a uma melhoria no investimento", passando por não terem tido em conta a "quebra da confiança" (que qualquer bebé previria), foi um não acabar de asneiras. Mas que se pode ler num estudo de 2013 de técnicos do FMI, que assume todos estes erros? Que "de qualquer maneira uma profunda recessão era inevitável" e se a Grécia tivesse entrado em default, diz o paper, "o mais certo é que a contração fosse ainda maior". A sério, isto está escrito assim: se a troika não tivesse acudido à Grécia, era capaz de ser pior. E o melhor é que, tendo "acudido", quer, cinco anos depois, continuar a mesma brincadeira - ou deitar fogo ao brinquedo, sem cuidar de saber se com isso incendeia a casa. Está na altura de um bom par de estalos -- mas na Europa, pelos vistos, não sobra ninguém para pôr ordem na criançada.» [DN]



 A "justiça" entra em modo de campanha eleitoral
   
«O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) acredita que, além das contas da Suíça e dos 2,8 milhões de euros que serviram para comprar o apartamento de luxo em Paris a Sócrates, também outras pessoas foram 'sustentadas' pelo empresário Santos Silva.

Em causa está o número dois no Governo de Sócrates. O ex-ministro da Presidência Pedro Silva Pereira, segundo apurou o semanário SOL.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Há quem queira viciar as eleições, parece que há quem queira fazer justiça eleitoral.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se por pior.»
        
 Nuvem de pombos-correios sobre Portugal
   
«A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) alertou os pilotos para a necessidade de voarem, no sábado, dia 20 de junho, “com cuidado especial” devido à largada de 70.000 pombos-correio de columbófilos portugueses, de Valência, Espanha, com destino a Portugal.

“Os operadores de aeronaves (pilotos) são aconselhados a usar de cuidado especial quando voarem abaixo dos 2.000 pés (cerca de 610 metros) devido a possível atividade anormal de pombos (bandos de 5 a 20) sobre Portugal Continental”, refere a ANAC, numa informação escrita enviada à agência Lusa.

A decisão de emitir este Notam (documento utilizado para a divulgação de informação aeronáutica) surge após o regulador tomar conhecimento da notícia da realização desta prova e das questões levantadas quanto aos riscos que a mesma poderia acarretar para a aviação, e depois de a ANAC consultar a Federação Portuguesa de Columbofilia.» [Observador]
  
 Zangamse as comadres
   
«“A reforma da Justiça falhou”. É esta a sentença de António Ventinhas, presidente do Sindicato de Magistrados do Ministério Público. O responsável falava no âmbito de um seminário sobre corrupção, a decorrer na Figueira da Foz.

Em análise estava o atual momento político e o estado da Justiça. Ventinhas teceu várias críticas à ministra da Justiça, sublinhando que Paula Teixeira da Cruz impossibilitou o diálogo.”Não estamos a anunciar o corte de relações do sindicato com a senhora ministra, porque esse corte de relações já tinha existido há muito”, disse. O responsável considera que “não é possível completar a reforma judiciária neste momento” porque “não se conseguiram aprovar os estatutos”.

No princípio de junho, a ministra da Justiça adiantava em comissão parlamentar que o impasse na aprovação dos Estatutos das Magistraturas se devia às “exigências” salariais feitas pelos magistrados, desfasadas “face à realidade”. Paula Teixeira da Cruz afirmava que iria fazer tudo “para concluir o processo”, mas referia que as exigências não podiam continuar naqueles patamares. No diploma estavam previstos aumentos salariais de 3.000 para 4.224 euros e, noutras situações, de 7.000 para 8.274 e até de 8.000 para 10 mil euros, reconheceu na altura Paula Teixeira da Cruz, escrevia a Lusa.» [Observador]
   
Parecer:

Isto anda, anda e ainda libertam Sócrates.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se»

 "Enxurrada desgarrada de factos"
   
«O juiz do Tribunal da Relação de Lisboa que quis libertar o ex-primeiro-ministro José Sócrates, mas acabou por sair vencido, descreve o inquérito ao antigo governante como uma “enxurrada” de factos “desgarrada e difusa”, alguns dos quais diz serem de “muito duvidosa relevância criminal”.

O voto de vencido a que o PÚBLICO teve acesso é um documento de 49 páginas que transcreve o projecto de acórdão que o juiz José Reis tinha escrito como relator do recurso apresentado pela defesa do ex-primeiro--ministro. Por isso, trata-se de um texto peculiar que tem o formato de um acórdão, sem ter sido retirado o subtítulo “decisão” e a referência “acordam os juízes da 3.ª secção deste Tribunal da Relação” em “declarar extinta a medida de prisão preventiva imposta ao arguido/recorrente José Sócrates”. O documento está assinado por José Reis, estando vazio o local onde a juíza Laura Maurício deveria ter assinado.

Após a primeira folha, o juiz apresenta 36 páginas com a descrição dos factos imputados pelo Ministério Público a José Sócrates no primeiro interrogatório judicial, uma parte do documento a que o PÚBLICO não conseguiu aceder. Depois desta descrição, segue-se a fundamentação apresentada pelo juiz para explicar por que não concorda com a declaração de especial complexidade do caso, que permitiu alargar os prazos do inquérito, do segredo de justiça e da prisão preventiva de Sócrates.» [Público]
   
Parecer:

É possível uma associação corporativa de magistrados lixar alguém por vingança?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se essa hipótese.»

 Até na matemática há um milagre
   
«A 1ª fase dos exames nacionais do 9º ano está concluída e, tal como aconteceu com a prova de Português, realizada na 2ª feira, também a de Matemática, feita esta sexta-feira por 90 mil alunos, foi considerada "mais simples" do que a do ano passado. A "tendência já se tinha registado de 2013 para 2014", escreve a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) no seu parecer à prova. 

A SPM considera mesmo que o exame é "realizável, em cerca de dois terços da extensão, por um aluno do 8º ano", que "não incorpora qualquer questão que permita distinguir especificamente alunos de nível 5" e lamenta que o teste não tenha incluído em algumas questões "problemas desafiantes".» [Expresso]
   
Parecer:

Ninguém  escapa à bondade do governo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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sexta-feira, junho 19, 2015

Aliviados ou apanhados com as calças na mão?

Para usar a linguagem Cavaquista que é uma variante política do jesuês a situação da Grécia leva-nos a interrogar-nos sobre se devemos ficar aliviados por termos enchido os cofres com dinheiro emprestado ou se ao contrário do que diz Passos Coelho podemos vir a ser apanhados com as calças na mão e a meio do alívio.
  
Dizer que por se ter obtido créditos no mercado graças ao amparo do BCE podemos ficar tranquilos é confundir as consequências de uma possível crise financeira internacional com uma pequena borrasca passageira. A situação mais recente foi a crise desencadeada pelo Lehman  Brothers e por aquilo que se vai vendo as consequências ainda se fazem sentir, a Grécia está à beira do colapso, o crescimento económico europeu ainda sofre de raquitismo, a dívida soberana portuguesa ainda é considerada como lixo.
  
A ideia de que a Europa se livra da Grécia, que a Alemanha e o FMI ficam com os prejuízos resultantes do incumprimento grego e que a senhora Merkel além de suportar os prejuízos vem em nossa ajuda com o apoio militante de um Bundestag empenhado em ajudar ao amigos portugueses é uma quimera imbecil. A ocorrer uma saída da Grécia estaremos perante uma crise do Euro e uma desconfiança da economia mundial, com os mercados financeiros à frente, em relação à segurança oferecida pela moeda europeia.
  
Os EUA delimitaram muito rapidamente os prejuízos resultantes da falência do Lemon Brothers mas as ondas de choque desta crise propagaram-se pela economia mundial e atingiram a zona Euro como se fosse um tsunami vindo do outro lado do Atlântico. Há muito que a crise de 2008 foi ultrapassada nos EUA enquanto na Europa ainda nos debatemos com as suas consequências, ainda que muito imbecil deste país considere que a causa da crise está bem aferrolhada em Évora.
  
Esta visão de merceeiro segundo a qual podemos escapar de uma crise financeira internacional escondendo o dinheiro debaixo do colchão indo busca-los quando o sistema financeiro entrar em colapso ou impedir-nos de irmos financiar-nos é digna de uma cultura saloia. As crises financeiras não são más porque impedem os Estados de se financiarem duante uns tempos, são-nos porque destroem empresas, destroem riqueza, criam desemprego e agravam os desequilíbrios. A tese dos cofres cheios é propaganda oportunista.
  
Não é apenas o Estado que precisa de ir aos mercados, são as empresas que carecem do sistema financeiro para poderem financiar as suas operações comerciais domésticas e, principalmente, a s internacionais, são os cidadãos cuja procura é alimentada pelo crédito concedido por um sistema bancário que se financia nos mercados financeiros.~
  
Se os americanos receiam as consequências de uma crise, se as grandes economias serão penalizadas por uma crise financeira, imagine-se o que poderá suceder a economias que estão seguras por arames, com níveis de desemprego que inviabilizam os sistemas de segurança social e com restrições financeiras que bloqueiam o Estado.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Pombo, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva, boliqueimense

Todos os europeus esperam e desejam uma solução que passe pela continuação da Grécia e no Euro? Quase todos pois há um senhor nascido em Boliqueime que tema em manter um discurso agressivo contra aquele país. E esse senhor está preocupado com os gregos ou com os portugueses? Não, esse senhor nãoq uer que seja encontrado outro caminho económico que não seja aquele que ele apoiou de forma militante e ao ponto de ignorar a constituição e o seu estatuto de presidente de todos os portugueses.

Esperemos que a Grécia fique no Euro e que esse senhor desapareça da nossa vista o mais depressa possível, não passa de um presidente pobretanas armado em extremista finlandês.

«"A Europa não pode ceder a chantagens, venham elas de dentro do seu espaço ou fora dele", argumentou o chefe do Estado, em Bucareste, numa conferência de imprensa de balanço das suas visitas de Estado à Bulgária e à Roménia, em que revelou não ter informações positivas sobre um eventual acordo entre os credores e as autoridades gregas.

No dia da reunião do eurogrupo, Cavaco Silva admitiu que a União Europeia entrou numa "área de resultados imprevisíveis" e que embora as instituições europeias estejam melhor preparadas para "um acidente (a eventual saída da Grécia da zona euro e da própria UE), alguns efeitos ocorrerão e não serão positivos".» [DN]

      
 O grau zero da política
   
«Ao longo dos últimos anos agravou-se perigosamente a degradação da ação política. O problema maior não reside na multiplicação de processos-crime a correr nos tribunais contra dirigentes políticos e altos quadros da administração, o que até pode ser interpretado como um sinal de independência e eficácia. Mais grave é a percepção difusa daquilo que escapa à justiça, seja pela demora dos procedimentos seja pela subsistência de suspeitas que as investigações não lograram esclarecer, desde o caso dos "submarinos" à colaboração do atual primeiro-ministro numa obscura ONG, desde o tráfico de vistos gold à detenção continuada de um antigo primeiro-ministro, à violação sistemática do segredo de justiça ou à proteção seletiva do segredo fiscal.

A justiça enfrenta, sem dúvidas, desafios novos e difíceis mas não são os juízes e procuradores quem determina os padrões éticos e cívicos que deviam reger a atuação dos titulares dos órgãos de soberania. Desde logo, o défice de autoridade do Presidente da República, sempre pronto a secundar este Governo, quer para alimentar falsas expectativas na solidez financeira de um banco que, depois, se descobriu ruinosa, quer para descrever um país imaginário, desprezando as famílias, os jovens, os idosos e os desempregados fustigados pela crise.

Sem contraponto nem moderação presidencial, este Governo ficou à vontade para cometer todos os embustes e prepotências. Para começar, violou todas as promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2011. Depois da bravata inócua de extinguir os governos civis, passou à extinção das fundações que ficarão para a história como um cínico monumento ao rigor das suas avaliações. Recordamo-nos bem de a Fundação Gulbenkian ter sido classificada nesse inesquecível ranking, abaixo da Fundação Social-Democrata da Madeira... Depois veio a avaliação, tão cega quanto a anterior, dos centros de investigação das universidades que foram condenados à extinção, segundo as quotas impostas pelo Governo. Mais de dois terços das unidades de investigação que floresceram nas universidades públicas sob a inspiração do saudoso Mariano Gago foram consideradas dispensáveis, independentemente de qualquer orientação estratégica, num processo obscuro e arbitrário. Em vez da prometida racionalização do Estado e da Administração, o Governo preferiu a tática da asfixia orçamental generalizada. Extinguiu alguns tribunais, agrupou algumas freguesias, atrasou mais de um mês o arranque do ano judicial e comprometeu a colocação dos professores que deixaram os alunos sem aulas por vários meses. Mas seja o que for - a lista VIP do Fisco, os computadores da justiça, os concursos de professores, a "resolução" do BES, delegada no governador do Banco de Portugal e "sem encargos para os contribuintes" conforme promessa da ministra, a demissão "irrevogável" de Portas ou o "negócio" da TAP - nunca se encontra, em algum momento, um governante que assuma as respetivas responsabilidades políticas.

Em nome de princípios morais simples e indiscutíveis - "temos de pagar o que devemos!" - tudo é negociado no segredo dos gabinetes sem sombra de debate nem a mínima transparência, como se o Governo fosse um mero executor de uma vontade alheia e, por isso, inimputável! A democracia, a Constituição, o Parlamento, a política, tudo se reduz a uma espécie de atividade compulsiva. Promovida "a impotência" ao governo do Estado, nada havendo para apreciar nem decidir, só resta aos cidadãos expiar os pecados do Mundo.

Esta perversa desqualificação da democracia, da responsabilidade política, da prestação de contas, da participação cívica, não resulta exclusivamente dos vícios do atual Governo. O arrastamento indefinido de uma crise económica e financeira que por ausência de claros desígnios políticos promove a disseminação da pobreza e penaliza os mais fracos, fez crescer o desespero e alimenta um ceticismo que obscurece os valores fundacionais da própria construção europeia. É premente a necessidade de inverter esta tendência. As próximas eleições legislativas oferecem a oportunidade inadiável para travar o descrédito a que foram votadas as instituições públicas e o Governo do país.» [JN]
   
Autor:

Pedro Bacelar de Vasconcelos.

 "Diziam-me: é preciso substituir a tralha do PS"
   
«Durou apenas cinco meses à frente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Este professor de robótica no departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra, de 48 anos,  dá um testemunho sobre o que foi resistir às pressões partidárias. "Ninguém quer que você pense em nada", denuncia. Foi do PSD. É vereador da oposição na câmara de Condeixa. Depois de tudo o que viu, desfiliou-se. Eis o depoimento de Norberto Pires na íntegra. Na primeira pessoa:

"O primeiro choque que tive ao chegar à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Centro (CCDR) foi quando percebi que ninguém quer que você pense nada, nem que organize equipas. Querem apenas alguém que mantenha o status quo e que distribua o dinheiro.

Antes de assumir as funções de presidente da CCDR, no início de 2012, eu era presidente do conselho de administração do Iparque de Coimbra, um parque de ciência e tecnologia que tem como objectivo instalar empresas e atrair investimento estrangeiro e nacional. No fundo, é um acelerador de empresas. Sou professor de robótica no departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra.

O convite para a CCDR apareceu de forma difusa. Houve uma intervenção do primeiro-ministro, pois eu conhecia vagamente Pedro Passos Coelho antes chegar ao Governo, como apoiante das suas candidaturas. Sondaram-me na sequência do meu trabalho no Iparque e quem me nomeou foi a ministra Assunção Cristas. Durou apenas cinco meses, de Fevereiro a Julho de 2012. Nunca tinha tido cargos políticos, apesar de ter feito parte da comissão política distrital do PSD em Coimbra, com as minhas opiniões muito próprias. Filiei-me no PSD um dia depois de José Sócrates ganhar as eleições em 2005. Saí do partido em Dezembro de 2014.

Sempre recusei recrutar pessoas por causa da filiação partidária na CCDR, apesar de o partido o exigir. Queriam que eu demitisse Ana Abrunhosa, uma socialista que era vogal do Mais Centro, a entidade responsável pelo QREN [fundos europeus], que também dependia de mim. Quando entrei devem ter pensado: aquele tipo nomeado pelo PSD é um boy e faz o que o partido manda. Não foi assim.

Não conhecia isto na sua verdadeira extensão. Não é a corrupção. É uma certa influência que Lisboa tem sobre as pessoas e os cargos. O próprio Almeida Henriques, então secretário de Estado da Economia [seria depois eleito presidente da câmara de Viseu], exigia a demissão dela. Havia nomes sugeridos, soprados por terceiras figuras. Fui encontrá-la num gabinete asséptico. Já tinha arrumado tudo. Conversámos. Antes disso falei com o primeiro-ministro por SMS. Disse que não concordava com a demissão da senhora. Era absurdo. Ela era a responsável pelo QREN desde 2008, era a gestora principal do programa quadro. Se matássemos tudo o que lá estava, ficávamos sem histórico. O primeiro-ministro achou sensato. Mas a relação não correu bem. Ela acabou por me trair.

As pessoas têm de ser competentes, mas há uma regra: têm de ser leais. Das duas primeiras pessoas que nomeei, uma tinha estado ligada à Juventude Comunista e a outra era casada com um dos dirigentes do Bloco de Esquerda na região centro, o José Reis, que chegou a ser secretário de Estado do PS. Ela era a pessoa que mais trabalhava e que tinha ideias. Pu-la a coordenar o grupo de investimento do centro. Considerava aquilo fundamental. Foi um choque frontal com o status quo do partido. Quando entra um tipo conotado com uma área política, estão à espera que substitua toda a gente. Quando isso não acontece é anormal e as pessoas ficam desconfiadas. Nas instituições públicas os funcionários estão à espera da alternância nos lugares conforme o partido que está no poder.

As CCDR são encaradas como prateleiras. Encontrei pessoas com enormíssima competência ao nível estatístico ou na gestão do território, tudo emprateleirado. O que os partidos querem é tirar todas as direcções de serviços e meter novas, da sua cor. Não organizei nenhum concurso para as direcções de serviços e mantive as pessoas que já lá estavam. Ainda não havia lei-quadro [que define a estrutura das CCDR]. Quando a lei-quadro entrasse em vigor, caíam as direcções todas, mas, entretanto, enquanto estavam em funções, eu podia avaliá-las. No partido, achavam que era o momento de se fazerem as substituições porque depois quando fosse o concurso essas pessoas já tinham experiência para serem nomeadas. É uma forma de viciar os concursos. Diziam-me: "Só os outros é que são bons? Nos nossos não há ninguém que seja bom? É preciso substituir a tralha socialista..."

Havia lá os socialistas que foram nomeados politicamente e que saíram com as equipas de topo. Os que são funcionários das estruturas têm medo. Tive traições de pessoas que passavam informação. Quando desconfiava de alguém, passava-lhe informação e depois via quem era o responsável pela fuga. Mandei embora uma pessoa por causa disso. Passei a estar na mira da sede nacional do partido. Afinal quem é este gajo que não faz o que lhe mandam? Não aprovei certos projectos que cheiravam a esturro. Quando me pareciam estranhos, não os metia na agenda e empalhava. Chocou com enormes interesses, até de ministros…

A certa altura, quando o Governo estava a reduzir o número de Centros de Saúde e a refazer o mapa judiciário, o ministro-adjunto Miguel Relvas pediu um mapa das infraestruturas do Estado. A ideia de racionalização era boa, para haver uma partilha entre os concelhos. Eu decidi sugerir também a localização dos parques de ciência e tecnologia e dos parques industriais abandonados. Fomos apresentar o projecto no Conselho Regional do Centro [onde estão representadas as autarquias, empresas, universidades, etc.], que na época era presidido pelo Álvaro Amaro, então presidente da câmara de Gouveia.
Cinco minutos antes de começar, já eu estava sentado na mesa, recebo um telefonema do chefe de gabinete do secretário de Estado Afonso Paulo [do Ambiente] a dizer que estou proibido de apresentar o projecto Invest Centro. Mas porquê? Porque estas coisas tinham de ser coordenadas com o secretário de Estado. Eu digo que estou a cinco minutos da apresentação. E o chefe de gabinete diz: isto é uma ordem directa. O Almeida Henriques estava ao meu lado. Disse-lhe. E ele também mostrou desconforto.

Desobedeci. Achei que isto se enquadrava nas estritas competências das CCDR. Só não assinei os protocolos previstos com o AICEP porque tinha recebido uma ordem directa, mas apresentei o projecto. Não conhecia o poder dos chefes de gabinete. É um poder à parte. Comunicam todos uns com os outros.

Certa vez apareceu-me um presidente de câmara acompanhado por um empresário brasileiro que tencionava construir um hotel numa zona de reserva, o que implicava um estudo de impacto ambiental, com um campo de golfe com mais buracos do que o permitido. Foram pressionar-me para dar andamento ao processo, porque era um investimento que se ia perder. Eu disse que havia leis e regras a cumprir. O brasileiro explicou que precisava de um compromisso e eu respondi que não reduzia a qualidade nem a assertividade da avaliação. Reduzia os prazos ao mínimo legal de 60 dias, garantindo a assertividade máxima. O presidente da câmara contorcia-se. Não abriu a boca durante a conversa e estava constrangido. Aquilo era essencial para ele, um investimento que podia decidir eleições. Fez um papel um bocado triste. Para contornar o excesso de buracos no campo de golfe, o brasileiro argumentava: "Dividimos aquilo em quatro ou cinco campinhos e depois junta-se tudo". Eu disse-lhe: "O senhor é um artista". E ele respondeu: "Isto não tem nada de ilegal." Não queria acreditar: "Então o senhor não vê nada de ilegal nisto?" O projecto acabou por ter um estudo de impacto ambiental negativo.

Nessa época, outro artista chamado Rogério Gomes, que tinha criado o Instituto do Território [e agora é presidente do Gabinete de Estudos do PSD] que é uma coisa privada, não é um instituto, andou a dar entrevistas a dizer que as CCDR eram um buraco negro, um bando de incompetentes. Uns dias depois, Pedro Santana Lopes daria uma entrevista mais ou menos a dizer o mesmo. Então, escrevi um artigo no Público a responder. Recebi um telefonema do chefe de gabinete da ministra [Assunção Cristas] a dizer que posso escrever artigos, mas antes precisam de validação superior. Quando dei outra entrevista ao Jornal de Notícias a falar dos objectivos para a região centro, também recebi um telefonema do chefe de gabinete da ministra a dizer a mesma coisa. As minhas entrevistas causavam desconforto e tinham de ser coordenadas. Tinha de pedir autorização para dar as entrevistas. Penso que a reacção nem era da ministra, mas de outros secretários de Estado incomodados com o meu protagonismo.

Entretanto, apareço no Prós-e-Contras e não comuniquei que ia. Fui de forma pessoal, para falar da experiência do Inovparq e de inovação. Não ia em funções de CCDR nem aparecia o cargo no ecrã. Deu um brado enorme e recebi vários avisos a dizer que tinha intervenções que desagradavam aos membros do Governo.

Entretanto, houve uma cerimónia de assinatura pública, em Évora, do primeiro contrato assinado com o Jessica Holding Fund, que financia projectos de reabilitação urbana e de actividades económicas em cidades. Quando ia no carro, ligou-me o chefe de gabinete do secretário de estado Almeida Henriques a perguntar se eu podia enviar ao secretário de Estado as notas do que ia dizer, para não lhe tirar os soundbites. Então mandei as notas que ainda estava a preparar por SMS. Mas ele voltou a telefonar e a dizer que o secretário de Estado falava primeiro e depois eu. Até me ofereci para não falar, não havia problema. Quem fecha os eventos são os membros do Governo. Ele disse-me aquilo que o secretário de Estado ia dizer. Tudo bem. Acordo total. Mas houve um percalço e eu e o meu motorista enganámo-nos no local. Atrasámo-nos uns 15 minutos. Quando chegámos, o secretário de Estado já estava a falar.

Acho que ele decidiu falar primeiro para dizer as coisas todas antes. Houve mais telefonemas sobre protocolo, se ele se sentava à direita ou à esquerda... Fico onde vocês quiserem, disse eu.

Só que quando entro na sala ele já está a falar. Olho para a mesa e não vejo nenhum cartão com o meu nome. Faço-me de idiota. Vou para a mesa e sento-me no lugar onde dizia "Almeida Henriques". O homem ficou a olhar para mim. Deram de imediato a cerimónia por encerrada, porque ele não tinha sítio onde se sentar…

O Governo tinha nessa época a troika e o emprego em queda livre. Criaram então um programa para o emprego jovem e não havia dinheiro. Onde havia verbas era no QREN e já estavam em grande parte comprometidas. Era necessário fazer uma operação de limpeza de projectos que não tinham viabilidade para libertar os fundos. Ganhei um conjunto de inimigos ao tirar projectos a docentes universitários que não me perdoam. Analisei os contratos todos. Os presidentes das câmaras começaram a ver as coisas mal paradas para as eleições. Alguém tinha de assumir isto politicamente. Então, o secretário de Estado Almeida Henriques veio reunir-se com os 101 presidentes de câmara da região centro. Os autarcas mostravam algum desconforto por estarem a perder projectos.

A decisão política tinha de ser apresentada aos presidentes de câmara por Almeida Henriques. O que que fiz foi acertar com o secretário de Estado, antes da reunião, o que ia ser dito, para não haver surpresas e para nos coordenarmos. Chegou muito atrasado. Mais de uma hora. Por sugestão do chefe de gabinete, começou-se antes.

Quando Almeida Henriques chegou, como já estávamos a trabalhar, pedi ao vice-presidente da CCDR para o ir buscar à porta. O homem ficou pior do que estragado e fez saber a toda a gente que eu não o tinha ido receber. Também havia de sair nos jornais que eu tinha desrespeitado um secretário de Estado em termos protocolares.

Todos os presidentes de câmara estavam a fazer críticas. Até que o Álvaro Amaro, de Gouveia, se vira para nós e diz: "Tudo bem, acredito que as coisas estão a ser feitas desta forma. Mas livrem-se, livrem-se de me estar a enganar, que eu dou-vos um tiro, a si e ao secretário de Estado". Foi em tom jocoso, não era a sério.

Depois de o secretário de Estado intervir, eu digo que gostava de falar. O chefe de gabinete tem pressa. Abro o computador e projecto uma imagem de um quadro com as contas, para mostrar quais eram as consequências para a região e para determinados projectos, com um pequeno resumo. As pessoas tinham de ter consciência das consequências. O discurso do secretário de Estado era que tudo seria muito pacífico e que eu ia depois fazer com eles o trabalho de filigrana. Eu disse que fazia o trabalho de filigrana, mas as consequências seriam aquelas. Elencava os projectos que caiam. O secretário de Estado tentou abreviar aquilo, foi uma atrapalhação para eu não mostrar. Saiu mais uma vez irritado comigo. A reunião terminou sem mais discussão.

Enviei esse relatório a muita gente, ao primeiro-ministro, ao ministro da Economia, ao ministro da Ciência, a uma série de secretários de Estado de várias áreas. É de alguma maneira uma forma de ultrapassar o superior hierárquico.
Cerca de uma semana depois, a ministra Assunção Cristas chama-me para uma reunião. Quando vou a caminho de Lisboa, tento falar com o primeiro-ministro. Envio então uma mensagem a dizer que que vai acontecer a demissão. Telefona-me o chefe de gabinete do primeiro-ministro a dizer que que ele quer falar comigo, mas está na reunião com o Presidente da República. Ia ligar-me mais tarde, mas não ligou.

Passei duas horas à espera na antecâmara do gabinete da ministra. Não fiz mais nenhum contacto. Quando ela me recebeu, teve um lapsus liguae: tinha falado com o ministro-adjunto [Miguel Relvas], aliás, com o primeiro-ministro. Disse que as coisas são como são e que chegaram à conclusão de que eu não era a pessoa certa e que esta relação tinha chegado ao fim. Respondi que naquele dia não havia nada que me aborrecesse. Só tinha recebido dois telefonemas: um do chefe de gabinete do PM e outro da minha mulher a dizer que estava grávida…

Combinei que enviaria o pedido de demissão mal chegasse a Coimbra. Foi o que fiz. Entretanto seria nomeado para presidente da CCDR Centro o Pedro Saraiva [que será o deputado relator da comissão de inquérito do BES], que se demitiu quando foi decidido que estes lugares iam ser avaliados pela CRESAP e ele era contra. Achava que devia ser por nomeação e voltou ao Parlamento. Eu decidi concorrer ao lugar, porque queria demonstrar que era assim que se deviam nomear as pessoas. Os três seleccionados foram Ana Abrunhosa, António Queiroz… e eu. Mas foi nomeada a Ana Abrunhosa, que acabou por ser defendida pelas mesmas pessoas que antes exigiam a demissão dela.

Um ex-presidente de uma CCDR perguntou-me porque é que concorri e disse que entre os três era fácil escolher. "Tu saíste em choque. O outro [António Queiroz] tinha um problema [com a insolvência de empresas]. A única hipótese era ela". Ainda me disse que eu, ao concorrer, tinha tirado a possibilidade de um boy do PSD estar entre os três finalistas e ser escolhido. Uma das pessoas que eles queriam colocar terá ficado em quarto ou quinto lugar.

Hoje não recomendo a ninguém ser militante de um partido. São sítios de maus costumes. O que se aprende é que tendem a gerir as coisas de forma condenável. Nada tem a ver com ética nem a nada se pode aplicar a palavra ética."» [Sábado]
   
Autor:

Norberto Pires.

      
 Vem aí mais uma redução do desemprego
   
«O Governo vai avançar finalmente com o cheque-formação e propõe-se dar um apoio máximo de 500 euros aos desempregados e de 87,5 euros aos trabalhadores no activo para frequentarem acções de formação à sua escolha e dentro das prioridades definidas anualmente pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Os pormenores constam de um projecto de portaria enviado nesta quarta-feira aos parceiros sociais pelo Ministério do Emprego e da Segurança Social.

No caso dos desempregados, podem candidatar-se os que estejam inscritos nos centros de emprego e que, passados 90 dias, não tenham quaisquer propostas de formação ou de trabalho. Serão abrangidos os que tenham pelo menos o ensino secundário por dupla certificação ou licenciatura (níveis 4 a 6 do Catálogo Nacional de Qualificações) e que frequentem acções com uma duração máxima de 150 horas, desde que elas correspondam às necessidades identificadas nos seus planos pessoais. O valor do cheque vai até aos 500 euros, a que acrescem a bolsa de formação, o subsídio de refeição e as despesas de transporte.» [Público]
   
Parecer:

Este Lambretas é um mestre do ilusionismo estatístico.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A turma dos ressabiados
   
«"Foi operário, gestor e empresário. Faz a síntese perfeita. Doutorou-se na escola da vida", explica o ex-militante do PSD, em declarações ao jornal i.

O ex-ministro da Indústria não poupou críticas ao outro candidato a Belém, Sampaio da Nóvoa, que considera não ter "experiência nenhuma de vida". No entender de Mira Amaral, a decisão dos socialistas em apoiá-lo é "um erro crasso" e a sua eleição só servirá para "complicar a vida" a qualquer governo. » [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Estão bem um para o outro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  

   
   
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quinta-feira, junho 18, 2015

O emplastro

A tese da oposição de que Cavaco Silva está ajudando a coligação da direita tem um pequeno senão, Cavaco não tem prestígio suficiente para que as suas intervenções levem os portugueses a votar neste governo. Antes pelo contrário, Cavaco Silva é um presidente sem qualquer prestígio e mesmo muitos dos que votaram nele para primeiro-ministro ou para Presidente da República percebem que o seu papel na política portuguesa foi demasiado nefasto para o país.

Cavaco sabe muito bem que os seus  discursos laudatórios em nada ajudam o governo, ele sabe que quem ainda o ouve já vota na direita e quem não o ouve e ainda vota na direita perde a vontade de o fazer sempre que ele abre a boca. Ainda por cima, Cavaco nada diz que alguém do PSD ou do CDS ainda não tenha dito, nos seus comentários Cavaco tende a imitar o humor imbecil de Paulo Portas, o político que ele mais odiou a seguir a José Sócrates. A única virtude das intervenções de Cavaco é o de desviar o debate dos problemas.

Os discursos de Cavaco deixaram de ser cerimónias oficias de Estado, é um circo itinerante de um espectáculo de ventriloquismo em que alguém do PSD ou do CDS fala sem mover os lábios e todos pensamos que é Cavaco a falar. O problema é que os espectadores que mais detestam este espectáculo nem são os da esquerda, são os da direita que não se gostam de ver retratados em discursos com tanta pobreza de espírito, cheios de ódios e de ressentimentos e com argumentação de qualidade questionável como são as sensações de alívio de Sua Excelência.

Mas o pobre senhor sofre porque ao longo de toda uma vida conseguiu tudo menos aquilo que seria de esperar de alguém que como o próprio se gaba ganhou de ter ganho quatro eleições com mais de 50% dos votos. É um Presidente da República que larga Belém sem a admiração dos portugueses, quando abandonar Belém não vai para o lado onde estão Eanes, Soares e Sampaio, vai para o outro lado, onde ficará ao lado de Carmona e de Américo Tomás.

Cavaco sabe muito bem disso, sempre o  receou e usou uma boa parte da sua acção na Presidência da República para limpar a imagem que tinha deixado aquando da sua passagem por São Bento. Daí as homenagens a Salgueiro Maia e os seus roteiros opor onde nunca tinha passado enquanto primeiro-ministro. Mas Cavaco teve azar, diria mesmo que teve aquilo que designamos por um “azar do caraças”, saiu-lhe em sortes um primeiro-ministro que não o ajudou nesta tarefa. Fiel a si próprio fez o que fez e desde então nunca mais se endireitou, e os portugueses ainda ficaram a saber dos seus sucessos mobiliários e imobiliários.

Cavaco não está tentando ajudar o governo, antes pelo contrário, Cavaco tenta agarrar-se que nem um emplastro ao governo na esperança de um resultado eleitoral que não seja uma humilhação. Cavaco está convencido de que com uma vitória do governo nas eleições ou com uma situação de ingovernabilidade é ele o vencedor e por isso cobra agora ao PSD e ao CDS os favores que lhes fez ao longo de dois mandatos, forçando-os a carregar com ele colado às suas costas.


Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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 Jumento do dia
    
Jorge Alves, "chefe" das prisões

Em que diploma está escrito que cabe ao chefe do sindicato dos guardas prisionais pronunciar-se, tomar posição ou velar pela aplicação dos regulamentos nas prisões? Este senhor do sindicato dos guardas prisionais deve estar convencido de que Portugal é uma república esquecida da ex-URSS e que por inerência da liderança do sindicato dos trabalhadores das prisões é uma espécie de comissário político das prisões.

«A Inspecção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) arquivou há mais de um mês o processo aberto em Janeiro passado com o intuito de investigar o alegado tratamento de favor do ex-primeiro-ministro José Sócrates na cadeia de Évora, onde se encontra em prisão preventiva desde finais de Novembro do ano passado. O inquérito foi aberto após uma denúncia do Sindicato Nacional do Corpo Nacional da Guarda Prisional, que estranha não ter sido notificado dessa decisão.

O inspector-geral dos Serviços de Justiça, Manuel Santa, adiantou ao PÚBLICO que pediu ao Serviço de Auditoria e Inspecção da própria Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), dirigido por um procurador, para fazer o inquérito. “Quando o mesmo foi concluído recebemos um relatório final e com base nele arquivámos o nosso processo”, explicou Manuel Santa. O inspector-geral não adianta o conteúdo do documento, referindo apenas que “a queixa do sindicato não tinha fundamento” e que todas as situações analisadas estavam “devidamente fundamentadas”.

O presidente do sindicato, Jorge Alves, estranha estas conclusões, que diz desconhecer. “Lamento o arquivamento e lamento que o sindicato, cuja denúncia deu origem ao inquérito, nem sequer tenha sido informado dessa decisão. Vou pedir que pedir informação oficial. Não tenho dúvidas sobre as irregularidades que ocorreram efectivamente”, reage Jorge Alves. Prova disso, sustenta o sindicalista, é que “a questão do telefone parou de imediato mal saíram as primeiras notícias". No que diz respeito às visitas, Jorge Alves realça que ainda há quem seja autorizado a entrar sem credenciação “de vez em quando e os botins,  proibidos pelo regulamento, ainda não foram confiscados”. O dirigente considera que o arquivamento é uma forma de “abafar o caso e as irregularidades que realmente sucederam” e critica o facto de os “directores das cadeias emitirem ordens que violam as leis”.» [Público]

 Sugestão doce: Brigadoce

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Uma iniciativa empresarial que merece uma lambedela!

 Os pafiosos e o pedregulho

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Parece que a direita anda a ler muitos livros do Asterix, depois do PAF! inspirado nas porradas aos romanos, vem agora Passos Coelho dizer que em relação a uma possível crise financeira internacional Portugal ficará imune como se fosse a aldeia gaulesa enquanto a Maria Luís fala-nos de pedregulhos. Enfim, por este andar ainda nos aparece por aí o Cavaco Silva armado em Abraracourcix  e a querer que carreguemos com ele até à Quinta da Coelho para que finalmente nos possamos sentir aliviados.

      
 Gregos não solidários com os gregos
   
«O pedido foi inicialmente feito em abril através de um decreto administrativo, sem força de lei, assinado pelo ministro das Finanças, Yanis Varoufakis. As autoridades locais da Grécia, isto é, as câmaras municipais, teriam de entregar as suas reservas de caixa ao Governo para ajudar a pagar aos credores e evitar o default. Até hoje, contudo, poucos foram os que cumpriram, com os autarcas a voltarem a rejeitar esta terça-feira mais uma iniciativa do Governo de recolha de fundos municipais, noticia esta quarta-feira o Financial Times.

Segundo o presidente da União Central de Municípios da Grécia (KEDA), George Patoulis, os autarcas estão unidos e vão resistir tanto quanto for possível à transferência de dinheiro. “Se o Governo central quer o nosso dinheiro, então tem de fazer leis para isso”, disse ontem George Patoulis, autarca ligado ao centro-direita, que representa mais de 400 autoridades municipais, citado pelo FT. O poder local, segundo o mesmo jornal, detém perto de mil milhões das reservas gregas.» [Observador]
   
Parecer:

A Grécia solidária.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 A Maria Luís não era candidata a presidir ao Eurogrupo ?
   
«O ainda presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, que é candidato à sua própria sucessão e disputará o cargo com o espanhol Luis de Guindos, anunciou hoje na sua conta oficial de Twitter que iria propor aos ministros das Finanças da zona euro o adiamento da eleição, já que “a Grécia requer toda a atenção”.

Um alto responsável do Eurogrupo indicou que a eleição de presidente já foi retirada da agenda do encontro do Luxemburgo – que será dominado pelo impasse em torno do programa de assistência à Grécia -, e reagendada para a reunião do Eurogrupo prevista para 13 de julho.» [Observador]
   
Parecer:

Houve um jornal que sugeriu que a Maria Luís poderia vir a presidir ao Eurogrupo. Uma bela anedota!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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