sábado, setembro 05, 2015

Quem libertou José Sócrates?

Por aquilo que se tem sabido pelos processos dos recursos e pelas sucessivas violações do segredo de justiça, que tudo leva a crer têm origem na justiça e servem os interesses desta, as provas que eventualmente existem contra Sócrates nunca poderiam ter sido destruídas pelo arguido. Movimentos bancários, decisões do Conselho de Ministros e movimentos e declarações fiscais são, por definição, provas indestrutíveis. Não estando em causa informação guardada em computadores privados ou em documentos particulares ou mesmo testemunhos o argumento do perigo de destruição de provas é uma mentira e, como é sabido o risco de fuga nunca existiu. 

Sócrates esteve todo este tempo preso porque a dupla formada pelo procurador que acusa e o juiz de direito que serve de auxiliar da acusação assim o desejaram. Os motivos para tal decisão lá saberão, certamente terão muitos argumentos jurídicos, mas o cidadão comum alvo de doses industriais de violações do segredo de justiça também pode formular opiniões e aos eventuais fundamentos jurídicos e porque é chamado a opinar pode acrescentar outros, como o ódio dos intervenientes a Sócrates, a defesa de interesses corporativos ou, como sugeriu Rangel, a obediência a agendas partidárias.
  
Agora coloca-se a questão de saber o porquê de uma saída da prisão por iniciativa dos magistrados envolvidos na acusação e no apoio desta. Certamente não resultou de um gesto de generosidade e pelo que sabemos do processo ainda há muitos negócios em Portugal e arredores por analisar pelos investigadores. A transferência de Sócrates da prisão de Évora para a prisão doméstica é o resultado da fora como foi tratado Ricardo Salgado.
  
Enquanto Sócrates só podia vir para casa com pulseira electrónica Ricardo Salgado ficou “confinado à sua habitação e respectivos logradouros”, contando ainda com metade da esquadra da PSP de Cascais para lhe assegurar segurança e cumprimentar familiares e amigos que lhe tocam à porta. A comparação foi inevitável e os magistrados perceberam que tinha de deixar passar umas semanas para disfarçar e dar a um ex-primeiro-ministro odiado pelos magistrados o mesmo estatuto que foi dado ao banqueiro trafulha. Isto é, que na verdade libertou Sócrates não foi nem o Rosário, nem o Alexandre, foi Ricardo Salgado que libertou Sócrates.

Só foi pena que Ricardo Salgado não tivesse disponibilizado o seu Mercedes e o motorista para que Sócrates poupasse os serviços prisionais da boleia, proporcionando-se a Sócrates a mesma amabilidade com que o juiz Alexandre tratou o banqueiro conhecido pelo DDT. Quem assinou o despacho foi o juiz Alexandre, mas o verdadeiro autor moral desse despacho foi Ricardo Salgado, a "justiça" não libertou Sócrates em nome dos valores da justiça mas sim em nome da imagem dos seus autores que ficaria muito cagadinha com a comparação entre os tratamentos dados a Sócrates e a Ricardo Salgado.
 
Sócrates foi libertado em nome do bom nome dos intervenientes neste processo, começaram por ganhar fama com a sua prisão, agora protegem-se libertando-o.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva

Ainda bem que Cavaco é só presidente, senão até adiava o dia 1 de Outubro para dois anos depois.

«A Presidência da República anunciou esta sexta-feira que sentiu ser conveniente marcar a abertura solene do ano judicial para “uma data imediatamente subsequente” às eleições legislativas e garantiu que essa data será anunciada em breve.

O esclarecimento enviado à Lusa sublinha que a reforma do sistema judiciário determinou que o ano judicial tenha início a 01 de setembro e que “a cerimónia de abertura solene do ano judicial não tem uma data estabelecida por lei”.» [Observador]



 Vale tudo para chegar ao parlamento

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Esta extrema esquerda fina tem uma avidez doentia por salários parlamentares e cadeirinhas de comentador nas televisões dos patrões da direita. Enfim, para conseguir votos mostra o que for necessário e a gravidez até deixa de ser de risco, enfim, como diria o povo há quem dê o cu e cinco tostões por um tachito parlamentar. Por este andar o parlamento ainda vai ficar ceio de playmates da extrema-esquerda seduzidas pelas mordomias burguesas, um dia destes o Passos Coelho ainda se vai lembrar de privatizar o Palácio de São Bento, vendendo-o por ajuste directo ao Hugh Hefner.

 Metam esta foto minha e digam que sou solidário com os sírios

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 Uma borla para os contribuintes, diz ela
   
«A PwC, a auditora do Novo Banco, deixou no relatório às contas semestrais várias reservas, sublinhando os riscos e contingências decorrentes das decisões tomadas pelo Banco de Portugal (BdP) no âmbito da resolução do antigo BES. A PwC sublinha que estes riscos “são impossíveis de quantificar”, e por isso o verdadeiro valor do banco é um enigma.

A PwC identifica três riscos distintos, que poderão ser materialmente relevantes. Um deles refere-se ao risco de litigância, por causa dos processos judiciais colocados por investidores que contestam a resolução do BES. Em causa estão processos em que são exigidos 1,5 mil milhões ao Novo Banco. As contas do banco foram elaboradas , por indicação, do Banco de Portugal,no pressuposto de que “não se esperam encargos” para a instituição decorrentes daquela litigância.

Uma outra advertêcia refere-se a emissões de dívida subordinada colocada pela subsidiária BES Finance, (499 milhões de euros). O Novo Banco defende que não é responsável pelo reembolso. Mas, vários fundos internacionais exigem que o Novo Banco assuma a dívida que ficou no BES "mau". A PwC adverte para o impacto negativo dessa possibilidade.

Finalmente, o relatório da PwC às contas semestrais considera demasisiado otimista a estimativa de ganho de 1,25 mil milhões de euros relativos a impostos diferidos ativos (DTA). A recuperação dependerá da futura obtenção de resultados positivos. A PwC considera que a estimativa incorpora é otimista “tendo em conta a conjuntura económica e o facto de se tratar de um banco de transição”.

Em resumo, a PwC conclui que o balanço consolidado do banco em 30 de Junho de 2015, encontra-se sobreavaliada “por um montante que não nos é possível quantificar com razoável grau de segurança”, tendo em conta o conjunto de fatores envolvidos.

As reservas da PwC evidenciam os problemas existentes no balanço que o Novo Banco herdou do BES e juntam-se o crsecimento de crédito em risco e necessidades de capital que deverão resultar dos testes de stress do BCE. O Novo Banco deverá precisar de um reforço de capital de mil milhões de euros. Caberá ao novo dono (ou ao Fundo de Resolução no caso de não ser vendido) assumir esse encargo. A leitura da auditora dá força ao ao cenário de adiamento da venda, o cenário que surge como derradeira solução se todas as outras falharem.» [Expresso]
   
Parecer:

É óbvio que estamos perante um embuste da iletrada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Jugira-se à senhora que em vez de dzer balelas aos pirralhos de Castelo de Vide ou de se refugiar em Setúbal, que dê a cara e discuta com economistas crescidos.»
  
 Bruno Carvalho leva guerra ao Benficar às marcas
   
«Todas as reservas feitas pelo Sporting na cadeia de hotéis Holiday Inn terão sido canceladas devido à exclusividade paga pelo Benfica. Segundo conta o Correio da Manhã na sua edição desta sexta-feira, o clube de Alvalade procedeu à marcação das reservas na cadeia, que é do agrado de Jorge Jesus há vários anos, para todas as suas deslocações ao norte do país (exceção a Braga e Guimarães) assim que foi conhecido o sorteio da Liga a 4 de Julho. Os leões foram agora surpreendidos com um email da diretora do hotel a anular todas as reservas, justificando com um “lapso de comunicação interna” e com “instruções superiores”.

De acordo com o mesmo jornal, esta situação é encarada em Alvalade como mais uma represália contra Jorge Jesus, e como mais uma tentativa de desestabilização da equipa. Assim, o Sporting já anunciou, através de um comunicado publicado na sua página oficial no Facebook, o corte de relações com a cadeia de hóteis Holiday Inn. Além de denunciar toda a história, os verde e brancos referem também os “contornos nebulosos” desta decisão.

Considerando a gravidade desta decisão da Holiday Inn, com todos os seus contornos “nebulosos”, o Sporting Clube de Portugal decidiu suspender imediatamente todas as relações comerciais com a referida cadeia hoteleira e informar os seus associados e adeptos da natureza deste incidente. Qualquer equipa desportiva ou colaborador do Clube jamais recorrerá a serviços dos hotéis Holiday Inn, manifestando o Sporting Clube de Portugal total desagrado pelo comportamento ético e institucional reprovável desta cadeia hoteleira do Intercontinental Hotels Group.”
No final do comunicado, o Sporting refere que os seus sócios e adeptos “saberão, em consciência, tomar as decisões que entenderem quando tiverem de recorrer a este tipo de serviços.” Os leões ficam, desta maneira, obrigados a escolher outro local para a deslocação a Vila do Conde no próximo dia 13.» [Observador]
   
Parecer:

Os empresários sportinguistas ou ligados ao SCP que se cuidem, se os adeptos benfiquistas reagirem numa lógica de olho por olho há que vá passar dificuldades.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Notícia incómoda
   
«O Governo espanhol quer começar a devolver parte dos pagamentos extraordinários feitos pelos funcionários públicos em 2012. Para isso o Conselho de Ministros espanhol solicitou, esta sexta-feira, à comissão permanente do  Conselho de Estado a aprovação imediata, antes de 11 de Setembro, dos créditos e suplementos de crédito necessários para reembolsar os funcionários públicos em 26,2% dos pagamentos de 2012.

Trata-se de um processo que se iniciará a partir das “próximas semanas”. Quem o diz é a Vice-Presidente do Governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, em declarações ao El Pais.

Este reembolso representa um montante de 252 milhões de euros a pagar pela Administração Geral do Estado. No entanto, Soraya Sáenz de Santamaría explica que a devolução de parte dos pagamentos só é possível porque a evolução do défice do Estado foi muito positiva, reduzindo-se em 16% até Julho.» [Observador]

   
Parecer:

Há notícias vindas de fora que mostram as diferenças entre governantes sérios e o primeiro-ministro deste país. Por cá disseram que os cortes dos vencimentos eram uma falsa acusação, depois inventaram um desvio colossal para os cortar, Passos começou por dizer que era um corte temporário, depois tentou torná-lo definitivo e agora só os imbecis acreditam na sua reposição integral e sem despedimentos em massa no Estado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao ainda primeiro-ministro.»

   
   
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sexta-feira, setembro 04, 2015

Quem matou Aylan Kurdi?

Enquanto muito boa gente chora lágrimas de crocodilo pela criança encontrada morta numa praia da Turquia é bom dizer que a culpa não foi das ondas que viraram o barco de refugiados em que a família de Aylan Kurdi tentava chegar à Europa. Antes dessa criança muitas outras morreram na Síria, na Líbia no Iraque e em muitas outras terras democratizadas por políticos sem escrúpulos e por serviços secretos geridos por doentes mentais.
  
Aylan foi morto por gente como George Bush, Toni Blair, Durão Barroso para referir os primeiros responsáveis pela cruzada contra os regimes árabes menos amigos. É bom recordar os argumentos usados por Bush para invadir o Iraque, recordar o chá oferecido por Durão Barroso e a alegria com que enviou os sub-agrupamento Alfa da GNR para o Iraque, com o argumento de que isso nos daria acesso aos milhões da reconstrução daquele país financiado pela exploração do seu petróleo. 
  
Aylan foi morto por aqueles que viam libertadores democratas nos extremistas islâmicos da Chechénia, gente que hoje está promovendo a mesma democracia na Síria e no Iraque, nas fileiras do Estado Islâmico, matando curdos como o Aylan, cristãos, xiitas e yazidis. Foi destes democratas chechenos e de outros que promoveram a Primavera Árabe que tinham a solidariedade condoída de muito europeu que o Aylan fugiu, são os mesmos democratas que destruíram Palmira.
  
Aylan foi morto pelos serviços secretos sem escrúpulos que com políticos fracos, oportunista ou sádicos, não têm o mais pequeno respeito pelos direitos humanos, nalguns casos nem mesmo dos seus concidadãos. Como sírio e como curso Aylan ainda era uma criança mas não lhe faltavam inimigos como os políticos ocidentais que elegeram os países governados por partidos Baas como alvos da sua detruição, Israel e a sua Mossad a quem interessa a destruição da Síria ou a desestabilização do Egipto, a começar pelo Sinai onde já está instalado o Estado Islâmico, a Turquia que depois do genocídio dos Arménios não se importaria de fazer desaparecer os curdos.
  
Quem matou Aylan foram os promotores de primaveras da treta, as potências sem escrúpulos que não olham a meios e consequências para aceder a matérias-primas, os regimes fundamentalistas aliados do Ocidente. Quem matou Aylan foram os políticos imbecis e sem escrúpulos, desde o Durão Barroso ao Blair, desde a Mwerkel ao Hollande, desde o Paulo Portas ao seu amigo íntimo Donald Rumsfeld.
 
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Grafittis nos muros do Hospital Júlio de Matos, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Luís Marques Guedes

Convencido de que depois de varrer o passivo do BES para o banco mau a venda do Novo Banco iria gerar uma receita que compensasse o investimento feito pelo Estado no fundo de resolução, ficando o prejuízo escondido em processos judiciais, o governo prometeu ue a operação não teria custos para os contribuintes todo este tempo descansado quanto ao défice.

Agora que as coias estão a correr mal e o Novo banco vai ser vendido por metade do preço esperado o governo tenta iludir a sua incompetência e irresponsabilidade, só isso explica que um ministro manhoso se sinta com à vontade para acusar os seus adversários político de má fé.

«O Governo acusou hoje o PS de "má-fé" na questão da contabilização ou não para o défice do dinheiro que o Estado injetou no fundo de resolução do BES, voltando a reafirmar que não terá qualquer impacto no cumprimento das metas por parte de Portugal.

O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, afirmou hoje na habitual conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros, em Lisboa, que "tem havido má-fé da parte do Partido Socialista na abordagem da questão da contabilização ou não da capitalização que o fundo de resolução fez para o Novo Banco".» [DN]

   
   
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quinta-feira, setembro 03, 2015

O candidato ventoinha

A direita tem mais um talvez candidato às eleições presidenciais, primeiro foi Santana Lopes a hesitar entre o pássaro da Santa Casa que tinha na mão e o pássaro da presidência que estava em pleno voo, depois foi o conhecido comentador da TVI que acabou acusado de cata-vento e desprezado pela liderança do PSD, agora é a vez de um político que não é político, de um candidato que não é candidato e fica muito ofendido com os jornalistas que anunciam o seu anúncio.

Há anos que Rui Rio tem vindo a sua imagem e tem-no feito da pior forma, pondo em causa a classe política e a democracia. O que Rui Rio tem vindo a fazer é o mesmo que qualquer político populista faz, sugerir que os políticos e o sistema político são maus, mas fá-lo em debates supostamente sérios e com o objectivo de se afirmar como o político que não é político.
  
Há meses que Rui Rio tem vindo a preparar o seu futuro político e como é um político profissional desde há muitos anos, tal como todos os outros que ele denigre de forma subtil com os seus discursos contra o sistema, tem vindo a preparar os últimos anos da sua carreira política. Mas tem um problema, o seu governo é detestado por largos sectores da população, o que o leva a hesitar entre ficar como líder de um partido derrotado ou candidato presidencial apoiado por um governo minoritário detestado pela maioria dos eleitores.

Rui Rio esta num beco sem saída, o político dos novos métodos andou a negociar a sua candidatura nos bastidores com Marco António, o homem que afirmava o seu distanciamento em relação ao líder do PSD e muitas vezes se posicionou como uma alternativa só será candidato presidencial com o seu apoio, o proto-candidato presidencial só será candidato se tiver a certeza de que pode ganhar, o possível candidato presidencial só apresentará a sua candidatura depois de saber se pode ser líder do PSD, provavelmente com a esperança de chegar a tempo de ser governo numa solução cavaquista.
  
Enfim, com candidatos destes Marcelo e mesmo o único candidato da direita minimamente credível e se o comentador da TVI é um catarrento o que será Rui Rio, enfim, só se for uma ventoinha!
  
 
 

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Flores do Jardim Gulbenkian, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Rui Rio

Ainda há poucas semanas Rui Rio mostrava-se muito ofendido e indignada porque a comunicação social dava conta da sua intenção de se candidatar. É óbvio que alguém próximo de Rui Rioi deu a dica, para que este pudesse chamar a si o estatuto de vítima.

Rui Rio é um político que gere a sua imagem e desde há muito tempo que tenta passara a imagem do político que não foi produzido pelo sistema. Só que de entre os vários candidatos presidenciais este tem sido o mais calculista e o que mais se tem identificado com os métodos do sistema, representando o pior que ele tem. Enquanto se indignava porque a comunicação social anuncia a sua candidadatura ou vai ao clube dos pensadores denegrir a política reúne-se em segredo com Marco António para que este seu mentor presidencial acerte os pormenores do lançamento da sua candidatura.

É cada vez mais do que óbvio que este político tem vindo a preparar a sua candidatura com a liderança do PSD e apenas não dá a cara porque ainda não tem certezas quanto aos resultados. Ri Rio não concorrerá se perceber que vai sair derrotado e que não terá hipóteses de vencer e isso depende, antes de mais, do resultado das legislativas. Rui Rio é o mais calculista dos políticos que se apresentam como pré-candidatos às eleições presidenciais. E ele pudesse adiava a apresentação da sua candidatura até à segunda volta das eleições. Até lá vai lançando a candidaturas sem a assumir, para que possa desistir sem ter de assumir os custos do seu calculismo oportunista.

«Só depois das eleições legislativas é que os portugueses têm disponibilidade para pensarem nas presidenciais. É assim que Rui Rio justifica, num artigo publicado esta quarta-feira no Jornal de Notícias (JN), a decisão de adiar para depois das eleições legislativas para anunciar a sua decisão sobre se vai ser ou não candidato presidencial. Sem dizer com todas a letras que vai avançar para Belém, Rio admite que o regresso à vida política pode estar para breve.

No artigo intitulado “Presidenciais: Ponderação em nome da responsabilidade”, o ex-presidente da Câmara Municipal do Porto diz que o timing escolhido pretende evitar uma escolha “tática” – admite que teria vantagens e que ponderou ser candidato ainda antes das legislativas, sobretudo para “montagem da logística” e do financiamento da campanha. Mas logo explica que essa antecipação traria problemas: “Aqueles que desejam a derrota da coligação [nas legislativas] não deixariam de procurar intoxicar a opinião pública”, dizendo que, tal como Maria de Belém dividiu o PS, também o meu anúncio teria provocado uma enorme fratura numa coligação que estava vencedora e que, por esse facto, poderia deixar de o ser”.» [Oservador]

 Funeral eleitoral

Compreende-se a consternação provocada por um  triplo homicídio, causa repulsa e merece ser investigado para se perceber todos os contornos porque há algo de errado quando alguém com 70 anos e sem antecedentes criminais comete um acto de loucura extremo como aquele a que assistiu a Quinta do Conde.

Compreende-se também que um agente morto em serviço tenha um funeral com honras militares como homenagem póstuma a quem perdeu a vida ao serviço da sociedade. Já no caso da morte de um agente de uma força de segurança que não estava em serviço e em consequência de disputas entre vizinhos é questionável que seja montado o aparato oficial a que se assistiu e que compareçam a título oficial a ministra da Administração Interna e o primeiro-ministro. Se assim for é caso para perguntar se o mesmo sucede com todos os servidores públicos, desde os bombeiros a muitos outros cidadãos que exercendo tal tipo de funções falecem em consequência  de causas que nada tenham que ver com o exercício da sua profissão.

Depois de vermos Passos Coelho a exibir a doença da esposa para obter votos é a vez do recurso a funerais para dar ares de um homem sofre com a desgraça alheia. Desesperado por cada voto que possa conseguir Passos Coelho aposta tudo nos agentes da PSP, começou por lhe dar um estatuto que quase contempla uma praia da PSP na Messejana, agora oferece funerais de Estado a um agente da PSP só por ter sido seu motorista.

 Mais uma personagem da banda desenhada?

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 O relatório da UTAO

Houve um tempo em que sem forma de criticar os cenários macroeconómicos dos economias convidados pelo PS os espertalhões sugeriram que os mesmos fossem apreciados pela UTAO. Entretanto, a UTAO tem vindo a publicar relatórios sobre o desempenho orçamental do governo e os tais espertalhões ficam caladinhos como ratazanas cobardes.

O Relatório da UTAO hoje divulgado diz o seguinte:
I
1 - O défice do Estado entre janeiro e julho de 2015 é de 5.311 Milhões de euros;
2  - O Orçamento de Estado (OE) para 2015 prevê para o conjunto do ano (de janeiro a dezembro) um défice de 4.906 Milhões de euros;
3  – Ainda vamos a pouco mais de meio do ano e o governo já ultrapassou o valor de todo o défice que ele próprio havia previsto para todo o ano. Significa isto que das duas uma:
3.1    – Ou entre agosto e dezembro o governo consegue obter receitas superiores às despesas, invertendo radicalmente a tendência verificada até julho, o que nunca aconteceu em anos anteriores;
3.2    - Ou então Portugal vai incumprir mais uma vez a meta do défice, frustrando-se a garantia que o governo havia assumido como prioritária de sair do procedimento de défice excessivo.

II
1 -  A receita fiscal cresceu até julho em 2,9%. A taxa de crescimento prevista no OE para 2015 é de 4,3%. O crescimento está abaixo do orçamentado;
2 - O governo prevê devolver aos contribuintes 25% da sobretaxa do IRS, porque apesar de as receitas fiscais estarem abaixo do previsto, as do IRS e do IVA estão acima da previsão (para efeitos da devolução da sobretaxa só contam as receitas do IVA e do IRS, que cresceram 4,4%, acima do previsto no OE, que é de 3,7%);
3 - O crescimento das receitas do IVA e do IRS está empolado artificialmente, porque está em atraso o reembolso de 262 milhões de euros (esta manipulação era de 260 milhões até junho e de 191 milhões até maio, pelo que a manipulação se tem vindo a agravar);
4 - O valor da sobretaxa que o governo prevê devolver é de cerca de 200 milhões. Se esses reembolsos fossem pagos a tempo e horas não haveria qualquer devolução da sobretaxa.

III
Conclusões:
1 - A devolução da sobretaxa é uma ilusão de campanha que existe apenas por força de um conjunto de artificialismos e que desaparecerá como que por magia depois das eleições;
2 - Para haver devolução da sobretaxa o governo teria que adiar ilegalmente para 2016 o pagamento de reembolsos que deveriam ser pagos ainda em 2015, resultando daí que:
2.1.       Se estaria a prejudicar a execução orçamental de 2016, e portanto o desempenho do próximo governo, transportando-se para esse ano despesa fiscal de 2015;
2.2.       Esse prejuízo seria agravado pelo próprio pagamento da sobretaxa, que ocorreria também em 2016;
2.3.        Assim, o governo iniciaria o exercício de 2016, logo com um défice de cerca de 460 milhões de euros (260 milhões do pagamento de reembolsos do IVA que deveriam ter sido pagos em 2015, mais os 200 milhões de devolução de 25% da sobretaxa);
2.4.       Tudo isto agravado com a violação do objectivo do défice para 2015 e o correspondente crescimento da dívida pública.
3.       As contas do Estado estão convertidas numa brincadeira de crianças.

      
 Somos poucos atrevidos nos pés, diz a santinha da Horta Seca
   
«Na Ambitious, uma empresa de Guimarães que fatura 10 milhões de euros está a crescer 25% este ano e exporta 99,9% do que faz para 38 países, da Europa ao Japão, EUA ou Colômbia. Pires de Lima quis saber porque é que o empresário Paulo Martins não vendia no mercado nacional. Soube então que as coleções não seriam muito adequadas ao gosto do consumidor tradicional português porque tinham uma dose “de atrevimento” e, de imediato, conclui que “somos pouco atrevidos nos pés”.» [Expresso]
   
Parecer:

Pois, às vezes somos mais atrevidos noutras partes do corpo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a alguém que siga o exemplo do ministro seja atrevido nos pés ao ponto de le dar um pontapé no seu rico traseiro.»
  
 Gente irresponsável
   
«Governo afasta-se e pressiona Banco de Portugal a vender antes de arrancar a campanha eleitoral. Não fechar negócio com a Fosun - ou, numa segunda fase, a Apollo - levará o défice aos 7%.

A suster a respiração. Estarão neste momento o primeiro-ministro e a ministra das Finanças. O fracasso, na primeira fase das negociações para a venda do Novo Banco, pode ser a primeira grande pedra no calcanhar do Governo, em plena pré-campanha. Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque só vão poder inspirar de novo, tranquilamente, o ar, caso a venda seja um sucesso e possa ser apresentado como trunfo político. Porém, poucos acreditam que, tendo falhado com o candidato que oferecia mais capital, que agora, com o Estado numa posição mais fragilizada, venha a correr melhor.

Ontem, depois de se saber que o Banco de Portugal (BdP) tinha excluído os chineses da Anbang, as declarações políticas oficiais, quer do Governo quer do maior partido da oposição, foram cautelosas. Maria Luís Albuquerque entregou ao BdP todo o ónus de responsabilidade: "O Banco de Portugal é que é a autoridade da resolução nos termos da lei e a quem está atribuída a competência da venda. A mim cabe-me apenas acompanhar e desejar que as negociações corram pelo melhor", disse, à margem de uma visita ao porto de Setúbal.» [DN]
   
Parecer:

Negociar um banco com um interessado que sabe pela comunicação social que o governo pressiona no sentido de uma venda à pressa é o equivalente a vender a preço de saldo. O governo não se cansou de acusar o PS de desvalorizar a posição do Estado na venda da TAP, agora quer vender o Novo Banco a qualquer custo, não se importando que o país venha a perder muitos milhões só para que a direita não perca mais votos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Denuncie-se.»

   
   
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quarta-feira, setembro 02, 2015

Quem vai pagar o desaire do Novo Banco?

Com aquele ar angelical a que nos habituou a ministra das Finanças insiste em afirmar que a intervenção no BES não terá custos para os contribuintes. Mesmo admitindo que os bancos privados não venham a recorrer aos tribunais para não terem de suportar os prejuízos provocados pelo processo de resolução do BES, como ameaçou no programa da SIC Notícias Quadratura do Círculo, é óbvio que a declaração da ministra é uma mentira.
  
De que custos fala a ministra? É óbvio que o OE para 2016 não vai contempla um imposto adicional para suportar os prejuízos resultantes da intervenção no BES, até porque as afirmações angelicais da ministra constituem um truque de linguagem. A ministra refere-se apenas ao eventual prejuízo decorrente da venda do Novo Banco e a promessa foi feita num tempo em que nem o Ulrich esperava um prejuízo da ordem dos dois mil milhões de euros.
  
É muito estranho que a ministra diga que o governo nada tem que ver com o negócio, mas apareça tantas vezes a intervir. Quando o governo se decidiu pela resolução do banco e informou os portugueses que não teriam de suportar tal decisão sabia muito bem o que estava fazendo. Depois disso o governador do BdP tudo fez para transferir muitos milhões de prejuízos para o banco mau, de quem ninguém fala. Só com este make up Carlos Costa escondeu quase dois mil milhões de prejuízo,  correspondentes aos que investiram no GES através do BES e que foram condenados à miséria em nome das ambições de Passos Coelho e o empréstimo da Goldman Sacs.
  
Isto é, aos dois mil milhões de prejuízos resultantes das perdas do fundo de resolução com a venda apressada do Novo Banco teremos de acrescentar os dois mil milhões da Goldman Sachs e dos pequenos investidores e muitos mais milhões que estão ocultados no banco mau e que mais tarde ou mais cedo darão lugar a processos judiciais. Isto significa que poderão estar em causa mais de quatro mil milhões e destes só metade serão assumidos pelo fundo de resolução, isso se os bancos privados não recorrerem aos tribunais, como ameaçou Fernando Ulrich. 

Dizer que as consequências da intervenção no BES não terá custos para os contribuintes é gozar com a inteligência dos portugueses, não passa de uma mentira contabilística. Todos os prejuízos resultantes desta intervenção, sejam os assumidos pelo Estado, sejam aqueles que os tribunais venham a atribuir ao Estado, sejam os transferidos para as contas da CGD, sejam os assumidos pela banca privada, todos eles serão mais cedo ou mais tarde transferidos para os contribuintes. 
  
Serão os contribuintes a suportar as consequências das responsabilidades assumidas pelo Estado ou atribuídas ao Estado pelos tribunais, a compensar com receitas ficais os lucros da CGD que deixarão de ser transferidos para o OE ou os impostos que a banca deixará de pagar em consequência das perdas que venha a assumir. Todos os custos serão mais tarde ou mais cedo assumidos pelos contribuintes.
  
 

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Flor do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Carlos Costa, governador do BdP

Carlos Costa, o governador dos fretes, acaba de fazer mais um frete ao governo adiando mais uma vez a venda do Novo Banco para esconder dos portugueses a dimensão do prejuízo que os contribuintes terão de suportar.

«As negociações para vender o Novo Banco ao grupo chinês Anbang, o único dos três finalistas que melhorou a oferta, fracassaram. O prazo para concluir um acordo com o Banco de Portugal terminou na segunda-feira sem fumo branco.

A confirmação chegou na manhã desta terça-feira. Em comunicado, o supervisor fez saber que, “por não ter sido alcançado um acordo, o Banco de Portugal decidiu hoje terminar aquelas negociações” e convidar a empresa que ficou em segundo lugar na fase da apresentação das propostas vinculativas.

De fora ficam os chineses do Anbang, o que significa que as discussões deverão agora prosseguir com os norte-americanos do fundo Apollo, os segundos classificados.» [Público]

 Aborto

O papa Francisco promoveu saldos no perdão do pecado do aborto.

      
 Passos Coelho não falha funerais
   
«Pedro Passos Coelho foi aos velórios dos agentes abatidos no domingo na Quinta do Conde, em Sesimbra. O primeiro-ministro começou pela igreja da Boa Água, onde estava a ser velado o agente da PSP, António José Pereira, 52 anos, e o filho, Diogo Pereira, de 23 anos. Depois, passou pela igreja onde decorria o velório de Nuno Anes, militar da GNR de 25 anos, também morto no domingo.» [Observador]
   
Parecer:

Deve ser influência das eleições.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se a ausa ausência em funerais fora do período eleitoral.»
  
 Auschwitz: ideia infeliz
   
«Câmaras de gás. É este o primeiro pensamento que têm os turistas ao observar os chuveiros colocados à entrada do museu do campo de concentração de Auschwitz, na Polónia. Os duches instalados pelo museu do campo têm o objetivo de refrescar os visitantes, mas estão a causar polémica por fazerem alusão às camaras de gás nazis que outrora existiram neste e noutros campos de concentração durante o holocausto. Foram dizimados cerca de seis milhões de judeus durante este período.

“Assim que desci do autocarro deparei-me com os chuveiros”, contou Meyer Bolka ao canal de televisão israelita Channel 2, segundo o Telegraph. “Fiquei em choque. Foi um murro no estômago. Caminhei até à receção e perguntei à trabalhadora que se encontrava lá para que é que eram os chuveiros, ela disse que estava um dia quente”, contou. “Eu disse-lhe: ‘Com todo o respeito, faz-me lembrar câmaras de gás’. Ela pediu desculpa.”» [Observador]

 Défice em 4,9%
   
«Na sua nota sobre a execução orçamental até julho, a que a Lusa teve hoje acesso, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) estima que, em contabilidade nacional (a que conta para Bruxelas), "o défice das administrações públicas se tenha situado entre os 4,4% e os 5,4% do PIB [Produto Interno Bruto] no primeiro semestre de 2015", ascendendo o valor central da estimativa a um défice de 4,9% do PIB.

Para os técnicos independentes que apoiam o parlamento, esta evolução do défice orçamental "evidencia riscos para o cumprimento do objetivo definido para o conjunto do ano (2,7% do PIB ou 2,8% em termos ajustados)".

A UTAO refere que "a informação disponível aponta para que o valor central do défice tenha ascendido a 4,9% do PIB" na primeira metade do ano, um resultado que "inclui três operações de natureza extraordinária realizadas no primeiro trimestre", que contribuíram para agravar o défice acumulado até junho em 0,2 pontos percentuais do PIB.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Um défice destes significa que o governo está falhando.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Derrube-se este governo incompetente e de incompetentes.»
  

   
   
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