sábado, setembro 19, 2015

Os sondageiros

EM Portugal gostamos muito de classificar pessoas, grupos sociais, grupos étnicos ou grupos profissionais em honestos ou desonestos, trabalhadores ou gandulos, em simpáticos ou antipáticos. Os ciganos são trapaceiros, os políticos são corruptos, os banqueiros são forretas, os judeus são manhosos, os juízes estão acima de qualquer suspeita, os magistrados são polícias bons, os polícias fogem das situações complicadas.
  
Esta forma cartesiana de analisarmos o país misturada com a adoração católica por santos, beatos e demais seres humanos a meio caminho entre o céu e a terra, leva-nos a tratar determinados grupos profissionais como santos, gente acima de qualquer suspeita. É por isso que o coitado do sargento-mor que todos os meses roubava uns trocos na messe foi notícia de primeira página. O pessoal do Cavaco Silva roubou milhares de milhões no BPN, no BPP e, mais recentemente, no BES e com mais uns anos ainda vão ter direito a um lugar no céu.
  
Passa pela cabeça de alguém que um juiz gay condene a dobrar um homofóbico, que um juiz benfiquista dê pela medida grosa ao réu portista, que um magistrado ressabiado por ter perdido dois meses de férias tudo faça para levar um governante ao tribunal ou que um qualquer magistrado acuse ou condene sabendo que está acusando ou condenado um arguido inocente? Tais coisas nem nos passa pela cabeça, os magistrados são seres superiores, estudaram onde todos estudaram, formaram-se em magistrados numa escola conventual onde turmas inteiras foram apanhadas no copianço, mas todos consideramos que os nossos magistrados foram inoculados pela justiça e devem estar acima de qualquer suspeita, não erram, não são injustos, são todos boas almas.
  
Mais recentemente foi criado na sociedade portuguesa mais um grupo profissional que foram inoculados pela verdade, pele busca da verdade e pela maior das independências, independência em relação a tudo e a todos, incluindo em relação a Deus e ao patrão. As notícias que os nossos jornalistas produzem são a verdade e só a verdade, podem militar num partido mas na hora de escrever esquecem a sua condição de militantes. Não temem a perda de receitas em publicidade, não recebem nada em troca de um elogio a um modelo de automóvel, não vão a Las Vegas ver o Rock in Rio à conta da EDP. Podemos e devemos confiar nos jornalistas e até devemos votar nos partidos que eles nos sugerem porque para analisar partidos não há ninguém mais honesto do que eles.
  
Ultimamente tem vindo a surgir mais um grupo profissional acima da carne seca, desta vez foram inoculados pelo dom a exactidão matemáticas, são umas personagens que nem sabemos quem são, mas sabemos que existem pois aparecem sempre que os eleitores vão ser chamados a decidir alguma coisa, são os sondageiros. Gente que com dez entrevistas telefónicas sabem quais são os deputados do distrito de Vila Real que vão ser eleitos nas legislativas. Els não falham e um dia destes teremos que suspeitar de fraude eleitoral quando os resultados das eleições divergirem das sondagens. São tão honestos e certeiros que, em nome da situação de excepção da crise financeira, da mesma forma que se desrespeita a Constituição dever-se-ia poupar o trabalho e o dinheiro que se gasta em eleições inúteis. De que servem as eleições se o sondageiros da Católica, com o dom da exactidão e protegidos pelo divino, já sabem quem vai ganhar e os representantes da Europa nas sondagens já sabem a distribuição dos deputados na Ilha do Corvo com base numa chamada telefónica?
 
 

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Grafitti, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Marcelo rebelo de Sousa

A direita tem a sua sondagem e conclui que mesmo perdendo tem mais deputados. O putativo deputado presidencial em vez de esperar pelos resultados eleitorais apressa-se a teorizar sobre uma mera hipótese, ignorando que nesta matéria é um Conselheiro de Estado. Enfim, o cata-vento parece ter mais olhos do que barriga.

O ridículo de tudo isto é que Cavaco só não reconduz a direita no poder se não o conseguir e quaisquer que sejam os resultados eleitorais.

«Se as sondagens se confirmarem, a democracia portuguesa pode assistir pela primeira vez a algo inédito: o partido que tem mais votos não ser aquele que tem mais mandatos.

Assim sendo, segundo a Constituição, a decisão caberá ao Presidente da República, se dar posse a quem tem foi mais votado ou a quem tem mais eleitos para a Assembleia da República.

“O Presidente da República deve olhar primeiro para o número de mandatos”, indica Marcelo Rebelo de Sousa, citado pelo Observador.» [Notícias ao Minuto]

 Sondagens

Se as sondagens são duvidosas porque na maior parte das vezes não só erram como sugerem que os erros traduzem uma clara manipulação dos sentimentos dos eleitores, as sondagens que vão ao pormenor de indicar os deputados eleitos por cada distrito não passam de pura vigarice.

É uma pena que realizadas as eleições as empresas de sondagens não sejam condenadas em função dos desvios entre os resultados reais e os que inventaram a coberto de supostas amostras e fichas técnicas. Desconfio que nalgumas sondagens as empresas nem fazem um único telefonema e num sector sem qualquer controlo a vigarice deve ser a norma.

      
 Agora escolha
   
«Os holofotes, melhor, os ouvidos estavam desta vez todos virados para Passos Coelho. A semana tinha sido pouco menos do que desastrosa para o primeiro-ministro: o debate televisivo que tinha corrido muito mal, a ideia peregrina de lançar peditórios para os lesados do BES, o diálogo com um cidadão em que se mostrou preocupado com a sua própria futura pensão e a já célebre discussão em que assegurava a uma senhora que ela não estava a ganhar menos do que há quatro anos. Passos parecia estar a deitar fora todo o esforço, profissionalismo e eficácia que a máquina eleitoral do PSD tem mostrado. Pelo lado de António Costa, a grande dúvida era se conseguia manter o nível de mobilização do eleitorado que adquiriu no debate televisivo e continuava a demonstrar que conseguia recuperar não só dos disparates de campanha do PS mas também se mantinha a mensagem clara e não voltava a cair no registo das dez ideias por dia.

Apesar da gafe sobre segurança social, Costa não desiludiu os seus apaniguados e continua a acalentar a esperança de conquistar os indecisos que não aprovam a governação e os suscetíveis ao discurso do voto útil à esquerda - como consta de todos os estudos de opinião, a maioria dos eleitores não aprova o desempenho do governo, o que não quer dizer que vote na oposição ou sequer que vote.

Todos os debates são diálogos com potenciais eleitores de um dado setor político e, sobretudo, com os já persuadidos. Nessa perspetiva, Passos recuperou parte do seu capital com os que ainda poderão votar na coligação e ressuscitou o entusiasmo dos já convencidos. No fundo, a novidade deste debate foi Passos ter mostrado que, querendo, não é um ativo tóxico como foi na última semana e pode até ser o centro da campanha da PAF. E isso, nestas circunstâncias, é uma vitória. Não há dúvida de que o seu desempenho no debate das rádios pelo menos reequilibrou a batalha entre os candidatos a primeiro-ministro. Isso pode fazer a diferença no resto da campanha.
A partir de agora, a grande incógnita é se Costa consegue convencer os descontentes com a governação a votar nele e se Passos consegue fazer que os que não vão votar nele também não votem em António Costa.

De uma coisa não há dúvida: a partir de agora a campanha vai estar concentrada nos dois candidatos e as máquinas vão passar para segundo plano. Como deve ser, diga-se.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.

      
 S&P entra na campanha eleitoral?
   
«A dois dias do arranque oficial da campanha eleitoral, a agência de notação financeira internacional Standard & Poor’s anunciou esta sexta-feira a subida do rating português de BB para BB+, colocando-o a um passo de sair do nível “lixo” em que entrou no decorrer da crise das dívidas soberanas do euro. A incerteza do resultado eleitoral não assustou a agência, já que esta acredita que o novo governo irá sempre avançar para mais consolidação orçamental.

A agência, uma das três mais importantes à escala mundial, tinha colocado o rating português com uma tendência positiva no passado mês de Março, uma espécie de pré-aviso de que poderia vir a elevar a classificação nos meses seguintes. Esta sexta-feira, na data agendada para uma eventual mudança no rating português, confirmou essa intenção.» [Público]
   
Parecer:

Miguel relvas chegou a dizer que o rating seria alterado logo a seguir a uma vitória eleitoral da direita.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Esta alteração há muito que devia ter ocorrido.»
  

   
   
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sexta-feira, setembro 18, 2015

Avaliar um governo

Escolher um novo governo implica avaliar o seu programa e as suas propostas, mas se esse programa e essas propostas correspondem no essencial às mesmas propostas e ao mesmo programa do governo anterior isso pressupõe que o debate deve começar pelo desempenho do governo anterior. Se o candidato a primeiro-ministro é o primeiro-ministro em exercício é igualmente inevitável avaliar o seu desempenho e o seu carácter.
  
Por aquilo que temos visto á quem queira pular de 2011 para 2016 com o argumento de que este governo terá executado um programa que não era o seu. Em parte é verdade que o governo saído das últimas legislativas estava condicionado por um memorando que não só adoptava medidas restritivas no plano orçamental como impunha um conjunto de reformas. 
  
Quando Passos Coelho se candidatou a primeiro-ministro sabia quais os compromissos que Portugal tinha assumido e o seu partido esteve envolvido na sua negociação. Isso significa que não foi apanhado de surpresa, o seu programa contemplava as medidas do programa e foi público não só o seu apoio adesão a essas medidas como a intenção de as estender, ainda que tal intenção tivesse sido escondida dos eleitores. 
  
Assim, o que está em causa não é saber quem assinou o memorando com  a troika ou quem teve culpas na crise das dívidas soe ranas europeias, mal ou bem isso foi avaliado nas últimas legislativas. O que está em causa é avaliação do desempenho do governo e a qualidade das medidas que vinham na linha do memorando e que o levaram a níveis que não foram assumidos aquando da sua assinatura. 
  
O governo falhou em três vertentes distintas, na execução do memorando de entendimento, na competência com que governou e nas medidas com que pretendeu dar mais amplitude ás medidas previstas no memorando.
  
O governo ficou aquém em muitos domínios previstos no memorando. Uma das grandes chagas da sociedade e da economia é a morosidade da nossa justiça, morosidade que afasta muitos investidores. Neste capítulo o governo foi um desastre, não resolveu um único problema, promoveu reformas assente no Guia Michelin e o espectáculo do Citius foi o que se viu. O mesmo sucedeu com a reestruturação do Estado onde tudo ficou na mesma, apenas a administração fiscal foi mexida, mal e de forma incompleta pois foram ignoradas as metas do memorando em relação à eliminação de serviços de necessidade questionável.
  
O governo foi incompetente e tê-lo-ia sido mesmo sem memorando, é isso que explica a total ausência dos ministros nesta campanha eleitoral. Dizem que criaram emprego mas o Mota Soares anda escondido, que o SNS melhorou mas o Paulo Macedo não se deixa ver, a ministra da Justiça deu uma imagem de louca, do Miguel Macedo não é tempo para falar e a sua sucessora chega a ser ridícula, o Aguiar-Branco só deu barracas, como a do famoso drone do Alfeite, o Rui Machete só disse baboseiras, o Crato foi um desastre. Como estamos avaliando o desempenho dos governantes convém recordar ainda Vítor Gaspar, Miguel Relvas e Álvaros Santos Pereira, três desastres escondidos no armário.
  
Quanto aos resultados das políticas adoptadas por Passos Coelho e inspiradas em personagens como o anedótico sôr Álvaro, o netinho da Dona Prazeres que fugiu espavorido para um tacho no FMI e o falecido António Borges, foi o que se viu, um falhanço. A maior prova desse falhanço está no facto de Passos Coelho tentar atribuir o desastre ao memorando com a troika.


Umas no cravo e outras na ferradura



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Uma consequência inesperada do degelo em resultado das alterações climáticas?
  
 Jumento do dia
    
Jerónimo de Sousa

As acusações de que o PCP está sendo alvo e que já chegaram a Espanha são demasiado graves, quer pela violência, quer porque o alvo são seguranças daquela partido na Festa do Avante, para que Jerónimo de Sousa se esconda atrás de comunicados. Ou Jerónimo sabe que aconteceu e deve pedir desculpa, ou sabe que não aconteceu e deve denunciar a mentira ou não sabe o que se passou e investiga ou manda investigar.

Designar o que se diz por "manobra provocatória" não passa de um truque que está em todos os manuais de instituições duvidosas. Jerónimo de Sousa que costuma chamar a si o papel de polícia dos bons costumes da esquerda não se pode ficar por comunicados com desculpas esfarrapadas. A ser verdadeiras as acusações são graves e não podem ser justificadas como castigo para comportamentos que o PCP considera impróprios. Não cabe aos seguranças do PCP definir e aplicar a sua lei no espaço da Festa do Avante.

«Manuel S., o espanhol de 34 anos expulso da Festa do “Avante!” foi examinado numa unidade dos serviços de saúde da Galiza, cerca de 48 horas depois das alegadas agressões de que terá sido alvo na noite de 6 de setembro na Quinta da Atalaia, Seixal. O relatório médico, a que o Expresso teve acesso, revela que existem “marcas de cordas na zona cervical posterior” (parte de trás do pescoço).

Na ficha médica de cinco páginas, os médicos galegos descrevem uma “contratura de musculatura paracervical” (zona de cima das costas) e ainda “marcas abrasivas na parte posterior das costas” da alegada vítima dos elementos da segurança da Festa. O diagnóstico é taxativo: “Várias contusões devidas a agressão.”

O ativista galego refere que foi abordado por três homens com uma farda escura quando beijava um rapaz numa zona isolada do recinto da Festa. “Saíram de uma carrinha e disseram para irmos embora dali porque o que estávamos a fazer era proibido”, conta. Manuel S. perguntou-lhes qual era a lei em Portugal que “impedia o amor” e terá ficado com a cabeça encostada ao chão da carrinha “a receber pontapés”. Foi expulso do recinto mas terá sido de novo agredido por estar a tirar fotos aos alegados agressores. “Voltaram a meter-me lá dentro da carrinha, vendando-me os olhos e apertando o pescoço com uma corda enquanto me chamavam maricas”, relata.» [Expresso]

 O debate

Depois de Passos Coelho tyer perdido o debate por 10 a o a direita exulta de alegria porque Passos Coelho ganhou este debate só porque o António Costa foi apanhado uma vez em fora de jogo. Fica claro que a direita não queria debater, o único objectivo de Passos era apanhar o António Costa nalguma falha.

      
 Aviso ao marqueteiro: calma, meu...
   
«Os mudslingers, como os americanos chamam aos lançadores de lama, são marqueteiros que não promovem os seus, estão lá para inventar podres nos adversários. Nas presidenciais de 1884, o candidato democrata Grover Cleveland levava sempre com este grito: "Ma, Ma, where"s my Pa?" Mãezinha, mãezinha, onde está o meu pai?... Dizia-se que Cleveland tinha tido um filho fora do casamento, e a internet da época andou a gritar nos comícios pela sua paternidade não assumida. Dessa vez, porém, os mudslingers erraram ao lançar a lama demasiado cedo e provou-se a mentira da história - Cleveland acabou eleito. Mas a América está cheia de vitórias dos mudslingers. Em 2004, John Kerry, com quatro medalhas por ferimento em combate, foi derrotado por uma campanha de dúvidas sobre a sua coragem no Vietname. Ganhou George W. Bush, sobre quem não havia essas dúvidas: esse não pôs os butes no Vietname. E, por cá, há lançadores de lama? Haverá, mas isto é um país de pegadores de cernelha. Assim, temos a especialidade de brandos costumes onde a lama se atira de ricochete. Há um fantasma, que não serve para ser atacado, mas para fazer de lama. Então, há que expô-lo, gritá-lo, levar-lhe pizas a casa. O mais recente episódio (e não será o último) foi inventar o fantasma num anúncio duma universidade brasileira. Qualquer marqueteiro saberia fazer o truque e com quem. Mas já roça o insulto pensar que aquilo, e agora, convence muitos portugueses.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Ao que isto chegou
   
«Um sargento-mor da GNR de Portalegre foi filmado por uma câmara a roubar dinheiro da caixa registadora do bar do comando territorial da Guarda. O militar foi apanhado pelos próprios superiores, que montaram a câmara oculta após meses de pequenos furtos de moedas da caixa, conta o Jornal de Notícias.

Segundo o jornal, a decisão de instalar a câmara foi tomada em junho, quando o prejuízo chegou aos 100 euros por mês. E foram precisos poucos dias até encontrar o culpado, um sargento-mor de 53 anos. O vídeo mostra o militar a debruçar-se sobre o balcão, quando fica sozinho, para retirar algumas moedas.
A GNR abriu um processo disciplinar interno e comunicou o caso ao Ministério Público. A Polícia Judiciária Militar já está a investigar o caso, avança o JN. No entanto, as imagens captadas não poderão ser usadas em tribunal, uma vez que foram gravadas sem ordem ou autorização judicial.» [DN]
   
Parecer:

Quando se roubam trocos...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento à ministra.»
  
 Ai aguentam, aguentam
   
«Entre 2008 e 2014, os contribuintes portugueses foram chamados a gastar o equivalente a 11,3% do produto interno bruto (PIB) para ajudar e salvar bancos, 19,5 mil milhões de euros, diz o Banco Central Europeu (BCE), num novo estudo sobre o "impacto orçamental do apoio ao setor financeiro durante a crise".

Não sendo das maiores proporções da zona euro - na Irlanda o custo financeiro para os contribuintes atingiu 31,1% do PIB, na Grécia chegou a 22,1% e na Irlanda foi de 18,8%, só para citar os casos mais impressionantes -, a verdade é que o BCE dá nota muito negativa a Portugal. Razão? Os governos falharam redondamente na recuperação dessas ajudas, muitas delas injeções de dinheiro (empréstimos) por conta de ativos bancários ilíquidos ou sem quase valor nenhum.» [DN]
   
Parecer:

Agora percebe-se a famosa expressão do Fernando Ulrich, os portugueses tiveram de aguentar muita coisa para salvar bancos mal geridos. Quando os banqueiros se juntaram para fazer chantagem sobre o governo de Sócrates apenas queriam ser salvos à custa dos portugueses.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Denuncie-se.»

   
   
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quinta-feira, setembro 17, 2015

O memorando, a overdose de troikismo e a experiência

Agora que tanto se fala de quem mandou vir a troika, ainda que ninguém se questione se Cavaco soube, se teve algum papel ou se fez exercer a sua magistratura de influência na diplomacia onde ele ter competências, é bom lembrar que com a entrada em funções deste governo esteve na moda a desvalorização fiscal que, vá-se lá saber porquê, já está esquecida. A ideia era substituir a desvalorização impossível de um escudo que já não existia por uma desvalorização fiscal do factor trabalho, para assegurar a competitividade externa das empresas.
  
A desvalorização fiscal surge em Portugal apoiada pelo falecido António Borges e por fugido Vítor Gaspar e foi a necessidade de justificar as suas medidas que levou o iletrado Passos Coelho a falar de ir mais além do que a troika ou a inventar o famoso “desvio colossal”. A desvalorização fiscal passava pela redução dos rendimentos dos trabalhadores, transferindo-os para os patrões, dai a tentativa de o fazer aumentando a TSU sobre o trabalho com a correspondente redução da TSU dos patrões. A par disso promovia-se um cocktail fiscal onde se aumentavam todos os impostos suportados pelos trabalhadores e se reduzia a carga fiscal para as empresas.
  
Como o país se revoltou contra o golpe da TSU o governo optou por um aumento brutal do IRS, enquanto promovia a redução do IRC, os mesmos que se revoltaram nas ruas contra a TSU deixaram-se ludibriar pelo golpe do IRS. Esta manipulação da opinião pública, para o que o governo contou com gente mole como o Seguro ou o Proença da UGT que foi incapaz de opor um modelo alternativo a esta desvalorização fiscal brutal.
  
Mas se o povo se revoltou contra a TSU uma boa parte dos portugueses aceitaram de bom grado as sucessivas medidas de empobrecimento e desvalorização económica e social dos funcionários públicos, só se apercebendo das consequências destas medidas quando morreram doentes abandonados nas urgências. Até aí ninguém reparou que os funcionários públicos tinham sido condenados a pagar as contas do Estado e que em cima disso ainda tiveram de suportar as famosas gorduras dos Estado.

A par disto deixavam-se cair sectores inteiros da economia por serem considerados desnecessários na medida em que viviam do consumo e não produziam os famosos bens transaccionáveis, estratégia que deixou de fora apenas o sector da distribuição pois aí estavam alguns patrões do governo, como o famoso merceeiro holandês. Passos Coelho cegou a considerar as falências saudáveis para a economia e nem ele, nem Vítor Gaspar estavam muito preocupados com as consequências sociais da eugenia económica que provocavam, problemas como o desemprego ou a emigração eram tidos como indicadores positivos pois mostravam a grandeza da revolução em curso. Passos estava tão convencido do seu sucesso que, apesar da fuga desordenada de Gaspar, ainda via Portugal transformado no país mais competitivo do mundo.
  
A estratégia era simples, os funcionários públicos pagavam os desequilíbrios das contas do Estado, os pensionistas suportavam os cortes que resultavam de uma reforma do sistema que visava o seu equilíbrio sem quaisquer outras medidas, os trabalhadores do sector privado contribuiriam com reduções salariais para a melhoria da competitividade das empresas. O trabalho financiava o reequilíbrio das empresas e do Estado, todo o país financiava o sistema financeiro, os pensionistas desenrascavam-se, os recursos das empresas desnecessária seriam transferidas para aquelas que eram tidas como competitivas.
  
A experiência falou com consequências graves para o país, mas o mais cínico de tudo isto está no facto de agora andarem a mostrar uns sinais de crescimento e de criação de emprego conseguido à custa de uma estratégia económica que condenaram e cuja concepção atribuem a Sócrates.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Flores do Jardim Gulbenkian, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Paula Teixeira da Cruz

Esta senhora vai manifestar a sua incompetência até ao seu último dia enquanto ministra da Justiça, depois de falhar no estatuto dos magistrados toma decisões á pressa quase na véspera de eleições.

«Em fim de mandato, Paula Teixeira da Cruz cede e passa para o Conselho da Magistratura a gestão de salários e a colocação de juízes.

O Conselho Superior da Magistratura (CSM) vai passar a ser responsável pela abertura de concursos de juízes, processamento de salários e movimentação de magistrados de um tribunal para o outro, conforme os processos em atraso. Esta autonomia financeira vai permitir - espera o CSM - acelerar o andamento dos processos, já que os magistrados podem ser colocados, no imediato, nas comarcas que mais precisam.

Assim, o CSM passa a ter um orçamento próprio e deixa de depender financeiramente do Ministério da Justiça (MJ) no que respeita aos juízes de primeira instância. o valor estimado até aqui ronda os 90 milhões de euros anuais, relativos a salários, deslocações ou pagamento de horas extras de juízes, mas só no orçamento de estado ficará definido. Regras que serão hoje "oficializadas" com a assinatura do protocolo entre a Ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, o Conselho Superior da Magistratura (liderado pelo presidente do Supremo Tribunal, Henriques Gaspar) e ainda pelos tribunais da Relação.» [DN]
  
 Passos e o BES, as minhas dúvidas

Passos Coelho assume na carta a Sócrates em que defende o recurso à troika que conhecia a situação financeira do país graças a dados que lhe tinham sido fornecidos pelo governador do BdP, isso para não referir outras antenas, como era o caso da então funcionária da Junta de Crédito Público Maria Luís Albuquerque.

MAs na qualidade de primeiro-ministro, na posse de todos os dossiers e com  um amigo tão influente no BES como era Riciardi, um dos seus donos e responsáveis, não sabia de nada?

Passos Coelho não interveio atempadamente no BES porque é um liberal que não se mete nas empresas privadas ou porque gastou demasiado tempo a tentar ajudar o seu amigo Ricciardi a tentar derrubar Ricardo Salgado e a ficar no seu lugar? Se Ricciardi tivesse conseguido tomar o poder no BES este banco teria desaparecido ou o país vai ter de suportar muitos milhares de milhões de euros só porque Passos Coelho fez uma aposta errada nas lutas dentro da família Espírito Santo?

 O debate miserável

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Tendo perdido os debates a que não se conseguiu esquivar e depois de evitar os Gatos Fedorentos Passos Coelho mostra a sua capacidade intelectual e faz prova do seu brilhantismo intelectual com "populares". Já tinha tentado a estratégia manhosa com os lesados do BES, nem levou os tabefes em directo para as televisões que esperava levar, nem se saiu bem ao garantir que ia organizar uma recola de fundos, algo de que se esqueceu mal virou as costas.

Ao cruzar-se com uma reformada achou que tinha ali o adversário indicado para, finalmente, sair vencedor de um debate eleitoral (TVI24), era a pessoa indicada para provar estar certa a sua tese da culpas de Sócrates e paa demonstrar que não cortou nada aos pensionistas. Era a ovelha ideal para tosquear mas, mais uma vez, foi um azarado e saiu tosqueado.

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Agressões, noticiavam eles...

Passos não perde os debates apenas com os políticos do tamanho dele, perde-os também com os populares que escolhe para se armar em grande assim como se engana quando espera que vai levar uns tabefes em directo. A cena dos tabefes estava tão bem preparada e combinada com a comunicação social que as primeiras notícias chegaram a dar conta de agressões, que depois, comas imagens das televisões, se percebeu terem sido mentiras da máquina de contra-informação pafiosa. A ideia era mesmo provocar os lesados e ganhar as eleições a troco de uns tabefes, mas Passos e os seus jornalistas tiveram azar, os lesados do BES são gente mais honesta do que ele.

Esta abordagem do debate político é vergonhosa, Passos Coelho não convida cidadãos comuns para debater as suas ideias e propostas, quando encontra alguém com quem se sente seguro de que consegue esmagar com as suas ideias rodeia-se de jornalistas, escolhe um ar paternalista e desanca. Isto é um jogo sujo baixo demais para se entender ou aceitar como forma de fazer política.

 Recordar uma mentira famosa de Passos Coelho

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Agora que tanto se fala da vinda da troika e das responsabilidades de cada um é bom recordar que a vinda da troika foi antecedida pelo chumbo do famoso PEC IV. Nesse tempo o PSD não estava preocupado com as pensões, com os funcionários públicos ricos ou com a competitividade, estava contra tanta austeridade, ainda por cima decidida sem lhe pedirem a opinião.

Perante a insistência de Sócrates de que Passos conhecia as medidas do PEC IV o líder do PSD lá admitiu que tinha recebido um telefonema, o Povo Livre esclaarecia que o telefonema tinha sido muito breve. Depois veio-se a saber que Passos Coelho tinha estado reunido com Sócrates durante mais de quatro horas.

 No tempo em que ainda havia respeitinho pela Troika

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Ou a desvantagem de ter um primeiro-ministro que sofre de bicos-de-papagaio? Em qualquer caso fica bem a um primeiro-ministro que quer condenar um país a uma mistura de experiências pessoais e de austeridade imposta mostrar-se com ar obediente e bajulador. Esta imagem não dignifica nada o agora corajoso Passos Coelho, pior do que isso, talvez seja pior para um país passar por dificuldades do que ter um líder fraco, graxista e obedientemente oportunista.

Aliás, em matéria de cumprimentos esta direita é mesmo ridícula, um curva-se todo num gesto de subserviência, o outro chupa a mão da princesa mais parecendo um chupa-vacas a esvaziar o sangue da pobre senhora:

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 Ela tem razão, descredibiliza o Passos Coelho

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O engraçado é esta senhora achar que vindo a público dizer isto limpa a imagem de Passos Coelho. Depois do Rangel é a vez de Paula Teixeira Pinto tentar ajudar Passos Coelho. É por causa de ajudas como estas que a generalidade dos ministros deste governo anda escondida, vá-se lá saber porquê, são todos uns espanta votos.

      
 Volta Vítor Bento
   
«O Banco de Portugal (BdP) decidiu esta terça-feira interromper o processo de venda do Novo Banco, poucos dias depois de se marcar um ano da demissão da equipa liderada por Vítor Bento. O economista – que foi o último presidente do BES e o primeiro da nova instituição – saiu do Novo Banco defendendo um “plano de médio prazo” para a instituição, lamentando a “rápida venda“. O fracasso da venda, que o Banco de Portugal justificou com “importantes fatores de incerteza”, significa que Bento tinha razão em querer mais tempo?

Logo no anúncio do pedido de demissão, o economista disse que não saía “em conflito com ninguém, mas apenas porque as circunstâncias alteraram profundamente a natureza do desafio com base no qual [tinha aceitado] esta missão em meados de julho [de 2014]”. Ficou claro que nos planos de Vítor Bento, José Honório e João Moreira Rato que se pretendia tomar as “ações necessárias para a normalização e melhoria do funcionamento” da instituição, o que implicaria a “elaboração de um plano de médio prazo“.» [Observador]
   
Parecer:

A tese da venda rápida surgiu de um dia para o outro sem ninguém ter assumido a responsabilidade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita o incompetente governador do Banco de Portugal.»
  
 Há quem defenda um Estado Católico
   
«Os católicos não se devem “escandalizar” com a “balbúrdia” de opiniões de quem não professa a sua religião, defende João César das Neves. Até porque “críticas, ataques e manipulações fazem parte da vida da Igreja, em todos os temas, épocas e regiões. Tendo crucificado o Mestre, é normal que ataquem e censurem os discípulos”.

Num artigo de opinião hoje publicado no Diário de Notícias, o antigo assessor económico de Cavaco Silva salienta que “muitas das posições, bem ou mal-intencionadas, pretendem mudar a Igreja para a adaptar ao mundo. Ora isso é precisamente o inverso do que deviam, pois o propósito fundamental da Igreja é mudar o mundo”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Há muitas formas de ser um extremista religioso.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Deixem o senhor pregar.»

   
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