sábado, janeiro 16, 2016

Vamos "gramar" com outro presidente da direita?

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Se Marcelo chegar a Presidente da República não o deve à direita, nem às televisões, deve-o ao PS e a toda a esquerda, da mesma forma que o país teve de “gramar” com Cavaco Silva porque a vaidade de um senhor do PS impediu que surgisse qualquer candidatura. É fácil ser dirigente, deputado ou autarca de um grande partido, o emprego é certo, as mordomias são muitas, o ambiente é agradável e o trabalho não faz grandes calos. O difícil é apanhar com cortes de vencimentos e aumentos brutais de impostos, aturar um presidente que se marimba na Constituição ser alvo de todas as injustiças porque aqueles que deviam lutar pela justiça anda em lutas de gangues motivadas pela vaidade ou por interesses de grupos.
  
Poder-se-ia dizer que dentro do PS há grandes divisões ideológicas, que há uma ala direita e uma da esquerda, mas o percurso de Manuel Alegre mostra o contrário, mostra que para muitos as vaidades e os laços de compadrio estão acima de questões ideológicas. Durante anos Alegre andou a unir a esquerda mais radical contra o PS, agora junta-se à ala direita e apoia uma Maria de Belém que parece ser do CDS. Para muito boa gente a vaidade pessoal e os pequenos ódios são mais importantes do que tudo o mais. A própria Maria de Belém não se candidatou para ser presidente, fê-lo para dividir o seu partido e personalidades como Assis estão mais empenhadas em que ela fique à frente de Sampaio da Nóvoa do que preocupadas com mais dez anos de direita na presidência.
  
Ramalho Eanes beneficiou da divisão do PS e foi essa divisão que acabou por levar Cavaco Silva ao poder, o mesmo Cavaco que depois de ter perdido a corrida presidencial contra Jorge Sampaio acabou por ser o pior presidente da nossa história depois de lá ter chegado com a ajuda preciosa de Manuel Alegre. Agora, mais uma vez, o país pode ter um presidente de direita com a ajuda de um partido dividido pelas por lutas intestinas, enquanto a liderança chega ao ridículo de apoiar dois candidatos antagónicos como se as eleições presidenciais fossem para brincar às primárias.
  
Quem se vai amolar com isto não é essa nova classe da burguesia política que se formou nas grandes cidades em torno dos grandes partidos, quem vai pagar não é nem António Costa, nem o vozeirão poético e muito menos a defensora da economia social e porta-voz da doutrina social da Igreja, tudo isto irá ser pago com língua de palmo por aqueles que deixam de ter quem defenda os seus direitos constitucionais, por aqueles que em nome da competitividade são cada vez mais escravos. Depois, admirem-se de um dia destes o eleitorado da esquerda votar numa qualquer Marie Le Pen ou, quem sabe, numa qualquer Cristas inspirada em Jesus Cristo.

Uns não se candidatam a primeiro-ministro porque as mulheres não deixam, outro não querem ser treinadores porque os tachos do privado ou das organizações internacionais são mais cómodos, outros passam a vida em manifestações de vaidade e quem se lixa é o povo.

Se mais uma vez a direita conquistar a presidência à custa do PS e da hipocrisia da esquerda os eleitores de esquerda, o tal povo de esquerda de que muitos senhores falam, tem fortes motivos para reflectir sobre a sua triste sina, sobre a maldição a que estão sujeitos por causa dos políticos da esquerda e em especial do PS.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Assis, organizador de jantarinhos de leitão assado

É lógico que Francisco Assis venha apoiar a sdua candidata presidencial, afinal ele chegou ao conforto de Estrasburgo no tempo de Seguro e Maria de Belém. Mas Assis fez mais do que apoiar Maria de Belém e atacou Sampaio da Nóvoa, o que também se compreende, para o pessoal dos leitões não está em causa uma eleição presidencial, o que ele pretendem é vingar-se de António Costa e foi para isso que nasceu a candidatura de Maria de Belém.

Não é condenável que uma facção de um partido se esqueçºa do que está em causa para usar as eleições presidenciais nas suas lutas internas, há muito que os portugueses estão habituados a ser governados por governos de direita por causa desta lógica de pequenos senhores da guerra do PS. Mas Assis poderia ter sido mais honesto ao atacar Sampaio da Nóvoa e ao referir outros militantes do seu partido.

Ao vir defender Maria de Belém por não ter pedido a inconstitucionalidade de medidas do governo de Passos Coelho compara o seu comportamento ao de alguns deputados apoiantes de António Costa. Assis não está a ser honesto, ele sabe muito bem que a direcção do PS, a que Maria de Belém pertencia, era contra aquele pedido e tudo fez para o impedir. Assis sabe muito bem que a liderança do PS tudo fez para ajudar Passos Coelho a acabar com os subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos. Para o caso de não se recordar, porque isto de comer muito leitão assado pode prejudicar a memória, aqui fica um extracto de uma nótícia publicada no jornal "i":

«A direcção do PS está a tentar evitar que o Orçamento do Estado para 2012 seja enviado para o Tribunal Constitucional (TC) pela mão dos socialistas, mas há um grupo na bancada que resiste. Trata-se de deputados que insistem que o corte dos subsídios de férias e de Natal é inconstitucional e que, perante a posição oficial socialista, argumentam que o pedido de fiscalização sucessiva ao TC é uma iniciativa individual dos deputados de que não querem abrir mão.

“Tenho a visão de que esta iniciativa se coloca como um dever àqueles que estejam convencidos da inconstitucionalidade dessas medidas”, diz ao i o ex-ministro da Justiça Alberto Costa, lembrando que “é uma prerrogativa individual dos deputados configurada na Constituição”. No mesmo sentido, Vitalino Canas diz ao i que já está mesmo a ser elaborado um texto e o passo seguinte é verificar se é possível ou não reunir as 23 assinaturas necessárias. O deputado socialista considera “compreensível” a posição da direcção da bancada, mas lembra que “os deputados sempre exerceram esse direito de forma livre”.

O assunto está a preocupar a direcção do grupo parlamentar, que ontem de manhã condenou publicamente a iniciativa destes deputados socialistas. “Discordamos dessa atitude”, diz ao i o vice-presidente da bancada parlamentar José Junqueiro, sustentando que “após a abstenção do PS no Orçamento isso não teria lógica nenhuma”. A direcção da bancada entende que levantar dúvidas sobre a constitucionalidade do Orçamento não é coerente com a posição que os socialistas assumiram na votação do documento. “Se tivéssemos dúvidas não poderíamos ter--nos abstido”, sustenta ainda o vice-presidente da bancada Basílio Horta.

Certo é que os deputados socialistas estão divididos e se joga nos bastidores um compromisso entre aqueles que defendem a inconstitucionalidade e a direcção do partido. O líder parlamentar, Carlos Zorrinho, reuniu-se ontem durante a manhã com Vitalino Canas, mas aparentemente só um fracasso na recolha de assinaturas pode demover estes deputados.»
  
Seria bom que o debate político fosse feito com um mínimo de austeridade, mas quando se debate desta forma dentro de um partido imagine-se quando for com adversários de outros partidos.

 Marcelo caracterizado para filme de terror?

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 Os pilotos e a 2.ª Circular

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Parece que os sindicalistas dos pilotos da aviação civil andam irritados com a CML porque não os ouviu a propósito das obras na 2.ª Circular e estão em pânico não vá algum avião cair e até recordam o caso do avião que amarou no rio Hudson depois de os seus reactores terem "engolido" algumas aves.

Mas os pilotos esqueceram-se de um pequeno pormenor, que as aves que levaram ao acidente nos EUA não foram propriamente os nossos fuinhas ou melros, foram gansos-do-Canadá, uma ave que pode chegar a ter uma envergadura de 1,75 m e 6,5 kg de peso. O voo 1549 com destino à Carolina do Norte engoliu um bando gansos-do-Canadá e como dizem os pilotos foi na descolagem, mas esquecem-se de dizer que o acidente ocorreu a 980 metros de altitude, isto é, se tivesse sucedido em Lisboa o avião já estaria algures para lá do Rio Tejo.

É bom recordar que em Lisboa não há gansos-do-Canadá, mas sobre o Tejo e a 980 metros já poderão ser encontradas aves de alguma dimensão como flamingos, patos ou garças, pelo que esperemos que não de lembrem de pedir a desertificação num raio de 20 km em redor do aeroporto.

Quando vemos um piloto lançar o pânico dizendo que num raio de 6 km está em causa a segurança aérea dá vontade de rir, mesmo colado ao aeroporto está a Quinta das Conchas, esperemos que não venham exigir que todas as árvores desse parque sejam abatidas,m tarefa que, aliás, tem vindo a ser feita mesmo sem preocupação com os aviões.

      
 Maria Luís prejudicou o país
   
«A Comissão Europeia propôs ao anterior Governo uma solução para o Banif, em Dezembro de 2014, que permitiria resolver rapidamente o problema do banco, com os activos “tóxicos” a serem colocados num veículo especial e o negócio saudável a ser vendido de forma gradual, revela uma carta a que o Económico teve acesso.

Segundo o documento da Comissão, a solução permitiria "recuperar totalmente a ajuda concedida pelo Estado ou pelo menos remunerá-la adequadamente", numa referência aos 825 milhões de euros que o Tesouro tinha injectado no Banif.» [DE]
   
Parecer:

Que grande incompetente.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

   
   
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sexta-feira, janeiro 15, 2016

Exames

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Anda por aí uma grande agitação por causa doas avaliações no nosso sistema de ensino e é bom que assim seja, depois de quatro anos durante os quais um defensor de implosões de ministérios fez o que bem entendeu nas escolas públicas sem que o tema tivesse merecido qualquer preocupação. É bonito vermos personalidades como Bagão Félix, Manuela Ferreira Leite, Paulo Rangel darem ao ensino a importância que ele merece.

Manuela Ferreira Leite fez muito bem ao colocar o ensino público em confronto com o privado alertando que o segundo nunca ignorará a necessidade de estimular a competitividade entre os jovens. Esperemos agora que a ex-ministra da educação discutam outras diferenças entre sectores públicos e privados em matéria de qualidade, de sucesso e de competitividade. Seria interessante, por exemplo, discutir à luz destes critérios a decisão do anterior governo de aumentar as turmas na escola pública para 28 alunos, ao mesmo tempo que nas escolas privadas subsidiava turmas com 18 alunos. 
  
Ainda bem que o debate dos exames é agora colocado no plano do sucesso do sistema educativo e os seus resultados sirvam para avaliar o sucesso dos alunos e das escolas. Eu sou do tempo em que era primeiro-ministro um tal Cavaco Silva e em tempo de eleições as escolas eram pressionadas pela Inspecção-Geral do Ensino para subirem as notas. Bastar procurar nos jornais da época e serão encontradas notícias abundantes sobre essa prática, quem se sabe se não terá ocorrido no tempo em que Ferreira Leite era ministra.
  
Por aquilo que vou ouvindo fico com a sensação de que na ausência de exames nacionais deixarão de haver avaliações e mesmo testes, por aquilo que ouvi de Manuela Ferreira Leite até fiquei com a ideia de que as escolas privadas continuariam a ter uma espécie de exame fina privado para que os seus alunos fossem melhores do que os outros. Enfim, a ex-ministra poderia ler os jornais, ficava a saber de escolas privadas que inflacionam as notas dos seus alunos para os favorecer no acesso à universidade.

Fico com a sensação de que pare estes pedagogos as turmas podem ter 50 alunos, as salas podem estar geladas, os professores podem andar de rastos porque o que vai garantir o sucesso das universidades e a competitividade da nossa economia são os exames da quarta classe. Acontece que Portugal tem hoje a sua melhor geração de diplomados e de cientistas, doutorados nas melhores universidades do mundo e uma boa parte deles não fez nenhuns dos exames que agora são a condição para o sucesso. 
  
Não seria melhor que estes novos especialistas em educação fossem sujeitos a um exame nacional para aferir as suas aptidões na matéria antes de falarem, para não dizer antes de serem ministros da educação? Andam, andam e ainda sugerem aos pais que ofereçam uma caneta Parker para que as crianças a usem nos exames e um relógio no caso de passarem.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Felosa-comum, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Nuno Melo

Paulo portas foi-se embora e Nuno Melo promete cumprir o seu mandato europeu até ao fim, a Assunção Cristas que se aguente e aqueça o lugar até que cheire a poder e o ex-líder volte a dar o golpe que já deu a Manuel Monteiro. Só um doido largaria os vinte mil de Estrasburgo, não é Melo?

«Nuno Melo não será candidato à liderança do CDS. O anúncio foi feito na sede dos centristas no largo do Caldas depois de muita indecisão e de uma última conversa com Assunção Cristas, que decidiu apoiar com dois elogios. “Sendo uma mulher, marcará uma diferença em relação a Paulo Portas que eu nunca conseguiria. E o CDS precisa que essa diferença seja assinalada. Se a dra. Assunção Cristas tiver vontade, terá o meu apoio”, disse.

Foi uma “decisão difícil”, mas “tomada sem constrangimentos”. “Na vida por vezes há encruzilhadas e as decisões podem ser difíceis mas têm de ser tomadas”, disse um Nuno Melo com vontade de avançar mas contido nas suas aspirações, que se desdobrou em justificações para explicar o porquê de ter escolhido o caminho de Bruxelas em vez do caminho do largo do Caldas. É tudo uma questão de princípios – e de não dividir, não “balcanizar” e não “radicalizar” o partido com duas candidaturas.

"Tenho noção de que, não me candidatando, desiludo muita gente. Mas se esse for o custo que tiver de pagar para garantir que o CDS não se balcanizará, não se radicalizará em conflitos, então que seja. Se eu puder ser, como quero, fator de unidade e coesão para dar mais força ao CDS nos desafios futuros, assim será”, disse.» [Observador]

 Exames

Sem agenda da política, com os seus líderes em fuga ou armados em primeiro-ministro no exílio, sem propostas e sem argumentos para defender a manutenção de muitas medidas que adoptou escondendo-se atrás da troika, muitas das personalidades da direita centram todas as críticas em medidas como a dos exames.

Não vejo discutir questões de pedagogia, ninguém fala sobre o papel dos exames escritos no processo de formação e de avaliação, tudo assenta em valores ideológicos herdados do tempo do exame da quarta classe. O problema é que quando Crato adoptou muitas das medidas não houve qualquer debate das mesmas e nenhuma destas personalidades se pronunciou ou será que eu estava no estrangeiro e não dei por isso.

 O iletrado ajuda o professor

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 Reversão

Infelizmente só é possível reverter algumas medidas do anterior governo, bom, bom seria poder voltar quatro anos atrás e reverter todo o governo.
  
 je ne suis pas Charlie

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 Lá se ai a tranquilidade no CDS
   
«Nuno Melo já tem a decisão tomada e, ao que apurou o Expresso, Assunção Cristas também. Ambos devem anunciar ainda hoje a sua decisão em concorrer à liderança do CDS.

Sobre a antiga ministra da Agricultura, a decisão deverá ser transmitida através da sua página oficial do Facebook. No entanto, acrescenta o semanário, esta só será anunciada depois de Nuno Melo o fazer.

Recorde-se que a decisão de Nuno Melo em concorrer ou não à sucessão de Paulo Portas no CDS está prevista para hoje, por volta do meio-dia, e terá lugar na sede nacional do CDS. Tanto o eurodeputado como a antiga ministra estiveram ontem reunidos num encontro que terá ditado qual deles assumirá a liderança do partido.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Há mais de um ano que era óbvia a ambição de Assunção Cristas de ascender à liderança do CDS.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Que venha o diabo e escolha.»

   
 Roman Lobanov
   
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quinta-feira, janeiro 14, 2016

Uma campanha pobre

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Estando em causa mais uma personalidade em cujos valores e comportamentos o país espera confiar nas eleições presidenciais somo mais exigentes para com os candidatos. Exigimos muito mais a um Presidente da República do que o fazemos com um deputado ou com um autarca, é esta a cultura da República onde o Presidente é o seu mais alto magistrado. Não se trata de uma eleição qualquer, trata-se de uma eleição onde esperamos que um cidadão como todos nós esteja à altura do cargo, por oposição à figura do Rei.
  
Mas se avaliarmos estas eleições com esta grelha temos de concluir que não têm sido grande coisa, aliás, desde as primeiras eleições ganhas por Cavaco Silva que esta tendência tem sido evidente. E desta vez as coisas desceram muito, com o argumento da igualdade temos de fazer de conta que o Tino de Rãs merece tanto a nossa atenção como o Marcelo, ou que temos que ouvir Henrique Neto com o mesmo cuidado com que ouvimos Sampaio da Nóvoa. Andamos todos a brincar às presidenciais fazendo de conta que todos os candidatos são iguais quando temos de tudo um pouco, desde uma trintona que acha que entre presidenciais e concursos de beleza não há grande diferença, um artista de realitys shows à espera de vigr a ganhar uns trocos com presenças em bares de alterne, um empresário que se dedicou à fraude fiscal e um acusador público da corrupção que na hora de provar o que acusa nada prova.
  
Mas se os aspectos negativos destas presidências se ficassem pelos disparates do Tino, pela seca do Henrique Neto ou pelas gracinhas da Marisa da uma por todos já não era mau, não sendo candidatos a sério têm direito ao disparate, há pior por esse mundo fora. O mais grave é que entre os candidatos supostamente sérios a palhaçada dá lugar a outras manifestações questionáveis.
  
Convenhamos que não é muito digno vermos alguém que sempre foi da direita andar agora a saltitar da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, como se a escolha de um Presidente da República fosse a mesma coisa que comprar um sabonete, os técnicos perguntam aos potenciais compradores qual o perfume que preferem e já está, escolhe-se a fragrância, dá-se a cor mais suave e o pessoal compra o sabonete. Com Marcelo não temos um presidente, temos vários, temos um presidente que vai à Festa do Avante na Segunda-feira, um que vai jantar com o Ricardo Salgado na Terça, outro que é da direita na Quarta, da esquerda na Quinta, do centro na Sexta, que é republicano e laico no sábado e monárquico e católico na missa dominical. Incoerente? Não, ao menos sabemos quem é Marcelo, é aquela coisa.
  
E se Marcelo anda a vender peixe à esquerda e foge dos seus como se tivessem lepra, Maria de Belém não se cansa de dizer que é de esquerda ao mesmo tempo que faz uma campanha que não seria muito diferente de uma campanha de Paulo Portas. De manhã vai a hospitais, à tarde vai à Santa Casa, de manhã diz que o seu programa é a Constituição, à tarde o programa é a doutrina social da Igreja.

Se a relação de Marcelo com alguns dos seus apoiantes é um problema do foro psiquiátrico, do outro lado encontramos situações que aconselharia a que a CNE criasse um gabinete de psiquiatria. Veja-se o caso dessa santidade da cidadania que durante anos tentou unir em vários movimentos de apoio à sua imensa vaidade gente de todos os movimentos da esquerda, por oposição a um PS de direita, e agora esqueceu aqueles que juntava em celebrações rituais na Reitoria da Universidade de Lisboa para abraçar a candidata da doutrina social da Igreja e das santas casas.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Pormenor de chafariz do Rossio, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Mourinho Félix, secretário de Estado do Tesouro

O secretário de Estado não deve conhecer o ditado que diz que o que se come em casa não se diz na rua e foi meter a boca no trombone contando as trocas de opinião privadas entre o governo e o BdP. ainda por cima, vai contar a investidores estrangeiros e em privado aquilo que omitiu dos portugueses. Há quem chame a isto falta de sentido de Estado.

«O governo mostrou preocupação ao Banco de Portugal pela decisão do supervisor de impor perdas aos investidores em dívida sénior do Novo Banco, avança a agência Bloomberg que conclui que o executivo socialista foi contra a medida.

Duas fontes citadas pela Bloomberg adiantam que o secretário de Estado do Tesouro, Ricardo Mourinho Félix, expressou “preocupação ao banco central” sobre a transferência de obrigações para o banco mau (o BES), numa reunião com investidores internacionais. O governante explica que não interferiu nesta transferência por causa da independência do banco central. Esta decisão foi conhecida a 29 de dezembro, muito pouco tempo depois de outra intervenção polémica, a do Banif.

Entre os participantes neste encontro, que se terá realizado em Londres, estavam representantes da Pacific Investment Management e da BlackRock, dos dois maiores investidores internacionais nestes títulos de dívida e que não serão reembolsados com a sua passagem para o BES (Banco Espírito Santo).» [Observador]

 O horário de trabalho no Estado

É hoje cada vez mais evidente que o governo velhaco da direita aumentou o horário de trabalho no Estado para suprir a falta de recursos humanos nalguns ministérios, isto é, a mesma direita que anda fazia passar a ideia de que havia funcionários a mais recorria a este expediente para resolver os seus problemas nuns ministérios e promover a criação de excedentes.

Aumentando o horário de trabalho em 5 horas semanais isso equivalia a uma redução do custo por hora de trabalho e a um aumento dos recursos humanos na ordem dos 14,3%. Depois dos cortes de vencimentos, da eliminação dos subsídios, do aumento dos descontos, da redução das férias os velhacos do governo de Passos Coelho ainda descobriram mais uma forma de roubar os funcionários públicos, obrigá-los a trabalhar mais.

Em ministérios como a Saúde esta medida matava dois coelhos com uma cajadada, aumentavam os médicos e enfermeiros em mais de 14% sem fazer um único concurso e sem aumentar a despesa, ao mesmo tempo que se resolvia o problema dos turnos pois com oito horas diárias o dia ficaria preenchido com três turnos. O Paulo Macedo foi um dos grandes beneficiários desta velhacaria e depois apareceu a dizer que tinha salvo o SNS graças à sua magia enquanto gestor. Enfim, talvez um gestor negreiro.

Mas a intenção de Passos Coelho não era apenas resolver o problema da falta de pessoal auxiliar nas escolas ou de médicos e enfermeiros, nos outros ministérios esta medida permitia aos ministros considerar que um aumento de 14,3% nos recursos humanos poderia dar lugar a excedentes da mesma ordem, isto é, o aumento do horário de trabalho visava promover um despedimento colectivo sem custos para o funcionamento dos serviços.

Não admira que Passos diga agora qe quer acabar o que deixou a meio e que os sindicatos considerem os horários de trabalho uma linha vermelha.


 Há gente que me enoja

Sérgio Figueiredo é um deles:

«E a semana da função pública, que deve voltar às 35 horas, medida que aumenta a produtividade mas não tem impacto no emprego. Para isso, há que decretar: novos funcionários só manetas. Ou trabalham com um braço atrás das costas, porque assim o que até hoje era feito por um passa amanhã a dar emprego a dois.» [DN]

 Passos quer o Cavaco do Estoril no lugar do de Boliqueime

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 A Constituição como programa

Maria de Belém já tinha dito no debate com Sampaio da Nóvoa que a Constituição é o seu programa, aliás, foi mais longe e minutos depois o seu programa era também a doutrina social da Igreja, para nossa sorte não andam por cá muitos candidatos muçulmanos pois mais uns minutos e teríamos uma defensora de uma sharia suave e de esquerda.

Agora a talvez para disputar a Constituição é Sampaio da Nóvoa que diz que a Constituição é o seu programa, isto é, tem o mesmo programa da Maria de Belém, descontada a doutrina social da Igreja. O problema não está em terem o mesmo programa mas sim no facto de não perceberem que se a Constituição é o seu programa estes candidatos podem ser acusados de estarem na campnha errada. Quem em Portugal tem por programa a Constituição são os juízes do tribunal Constitucional.

Respeitar o Código da Estrada não quer dizer que na ora de se ter o furo ir-se lá à busca das ferramentas. 

      
 Marcelo é igual a Cavaco, diz quem sabe
   
«O antigo governante explica as razões que o levaram a recomendar aos sociais-democratas o voto em Marcelo: é que apesar de terem personalidades muito diferentes, Marcelo tem “da função presidencial uma noção institucional que não difere, na sua natureza, daquela que tem sido a interpretação do professor Cavaco Silva”.» [Expresso]
   
Parecer:

Se Passos Coelho o garante... é porque está de acordo comigo, Marcelo é o Cavaco da Linha de Cascais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Edgar Silva, o libertador
   

«Neste jantar comício Edgar Silva escolheu para tema forte a "soberania e a independência nacionais", uma "marca distintiva e que diferencia", no seu entender, a sua candidatura das demais. E chegou a invocar a "luta do povo português contra o domínio dos Filipes de Espanha", que culminou com a restauração nacional em 1640. "Voltou a ser urgente reafirmar direito do povo português a autodeterminação, de a ser senhor e sujeito da sua historia, sobretudo por termos tido nos recentes anos uma história que está a ser escrita base vergonhoso tratado servidão voluntária", assinalou. Pa a o candidato comunista "é preciso ter uma voz portuguesa na Presidência da República. Não alguém que fale apenas português, mas que seja a voz portuguesa". Depois veio a história, memórias que orgulhariam qualquer monárquico. "Houve um tempo na nossa história que a grande fidalguia mercantil não hesitou em soçobrar ao jugo espanhol e em ceder parcelas da soberania nacional e foi o povo português que lutou e recuperou a sua independência. Também foi assim no 25 de abril de 1974 que a luta dos portugueses deu azo à libertação nacional. Também agora está em jogo garantir as condições para defender Portugal soberano e independente, não subserviente. Esta também é a hora da nossa libertação", destacou.» [DN]
   
Parecer:

Edgar Silva fala de independência nacional e evoca a Restauração e o 25 de Abril para que o país recupere a soberania. Independentemente deste discurso lembrar um pouco Paulo portas e o seu protectorado mais o relógio da independência apetece dizer ao candidato que eu também gostaria de comprar casa e carro com crédito bancário e no dia seguinte declarar a minha independência em relação ao banqueiro para no dia seguinte apresentar-me noutro banco para pedir crédito para uma casa junto à praia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Cofres meios vazios
   
«A reserva de liquidez do Estado terá caído no final do ano passado em dois mil milhões, para os 6,6 mil milhões de euros, face ao que estava previsto em setembro. São menos 40% do que estava previsto no início do ano, no Orçamento do Estado para 2015, escreve a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

Os “cofres cheios” do anterior Governo esvaziaram significativamente no final do ano passado. A influenciar este valor poderão ter estado alguns dos reembolsos antecipados que o Portugal fez ao FMI, que ainda assim foram reduzidos significativamente após a incapacidade de vender o Novo Banco e recuperar o empréstimo feito ao Fundo de Resolução. Também a resolução do Banif terá pesado na tesouraria do Estado, apesar de o Governo não ter explicado onde foi buscar o dinheiro para essa operação.

Os técnicos da UTAO, usando os dados publicados pelo IGCP (Agência de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública), dão conta de uma queda no valor dos depósitos entre o previsto pelo IGCP numa apresentação aos investidores em setembro e a apresentação mais recente, divulgada nos últimos dias. Só entre estas duas apresentações, o valor que o Estado estimava ter em depósitos cai dois mil milhões de euros. Previa-se em setembro que a reserva de liquidez do Estado no final do ano fosse de 8,6 mil milhões de euros, e terá terminado apenas nos 6,6 mil milhões.» [Observador]
   
Parecer:

Afinal, em vez de cheios os cofres estão meio vazios.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se a deputada maria Luís.»

   
   
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