sábado, março 05, 2016

Foi falta de unhas

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Cem dias sem passos

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Paulo Portas partiu, Cavaco está quase a partir e se não fosse a pantomina do primeiro-ministro no exílio que está sendo ensaiada por esse devoto do falecido Borges respirar-se-ia melhor neste país e poderíamos estar a celebrar cem dias sem eles. António Costa tem razão ao dizer que o país está acordado de um pesadelo imposto por uma seita de doentes mentais que não têm a mais pequena consideração pelo cidadão comum.

Durante quatro anos os portugueses viveram sob permanente chantagem com um governo de canalhas que a coberto de um memorando acharam que Portugal poderia ser um híbrido concebido a partir do modelo económico de Singapura, das políticas de choque e Pinochet e do pensamento político dos Trumps e outras trampas do Tea Party americano que por cá teve a forma de Fundação Francisco Manuel dos Santos.
 Agora sabemos em que dias vai ser feriado no próximo ano, quanto vamos receber de ordenado daqui a dois meses, se podemos assinar acordos de reformas antecipadas, se os contratos de trabalho são para respeitar, se vamos pagar os impostos aprovados no OE. Acabou o tempo em que um anormalão descobria um desvio colossal e usava o FMI para fazer chantagem sobre os portugueses para ir ainda mais longe na experiência mengeliana de política económica.

Foram cem dias sem um primeiro-ministro não confiável, com um ministro das Finanças que não é um sonsinho, sem o sorriso cínico do Portas, as sacanices estatísticas do lambretas, os desse codes da Assunção Cristas, foram cem dias de normalidade, em que os portugueses voltaram, a ter as suas instituições na sua plenitude, sem um governo que recorra a truques para desrespeitar a Constituição.
  
Mais uns dias e estaremos livres de um presidente que esqueceu do seu compromisso principal com o país, de uma personagem que só quando a sua pensão foi cortada é que reparou que haviam abusos. Se não fosse a pantomina de um doido que em cem dias de pantomina já fez mais inaugurações do que as que Cavaco fez em dez anos e dir-se-ia que este país voltou á normalidade. Tem gente normal no governo e voltará a ter também na presidência, há regras, há princípios. Esperemos que uma qualquer financeira descubra os dotes intelectuais de Passos Coelho e fechar-se-á um ciclo miserável que foi imposto a Portugal.
 
Por agora temos de assistir à pantomina do exilado e nestes cem dias o primeiro-ministro no exílio já fez mais inaugurações do que Cavaco fez em dez anos, um dia destes ainda vamos ver Passos a ir a despacho à residência de Duarte e não me surpreenderia que no próximo ano o herdeiro da Casa de Bragança promulgue um OE só para que Passos se sinta confortável fazendo de conta que o pin da bandeira nacional faz dele um primeiro-ministro de verdade.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Maria Luís, miss swap

Maria Luís andou a estudar umas coisitas no ISEG sobre derivados e mal chegou à administração de uma empresa desatou a comprar swaps. Mas quando chegou ao governo esqueceu-se do seu triste passado swapiano e deu ordens às empresas públicas para não cumprirem os contratos que tinham feito com os bancos. Agora que uma financeira inglesa decidiu comprar o lixo tóxico do governo de Passos Coelho eis que Maria Luís enfrenta mais um fantasma do seu passado. A senhora está rodeada de fantasmas, os do passado e os do futuro.

«Um tribunal londrino deu razão ao Santander Totta, contra o Estado português, noticia o Diário de Noticias. O Metropolitano de Lisboa, a Carris, o Metro do Porto e a STCP foram condenados pelo Commercial Court de Londres a reconhecer a validade de contratos swap no valor de 1,8 mil milhões de euros celebrados com o Santander Totta.

A ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, tinha dado ordem às empresas para contestarem os contratos swap (gestão de risco financeiro) celebrados com o Santander Totta por considerar que as condições impostas eram lesivas para as empresas públicas, obrigando-as a pagar juros elevados. O tema foi objeto de uma comissão parlamentar de inquérito.


Em comunicado, o Santander Totta refere que a sentença do Tribunal de Londres dá razão ao banco, sem no entanto, avançar com valores relativos ao que esta decisão poderá custar ao Estado. Em causa estão, numa primeira linha, todos os juros cujo pagamento foi suspenso em setembro de 2013 por estas empresas. Até meados do ano passado, o valor em dívida ascendia a 233 milhões de euros. As perdas potenciais para as empresas públicas, ao valor de mercado registado no primeiro semestre do ano passado ascendiam 1,2 mil milhões de euros.» [Observador]

 Que emprego para Maria Luís

Não faz sentido a preocupação que por aí vai com as possíveis saídas profissionais de Maria Luís, a senhora é funcionária pública, até se orgulhava de o dizer nos lanches de Natal quando tentava justificar as sacanices que fazia aos colegas. Haverá algum mal em que alguém que desempenhe funções governamentais regressar ao seu local de origem? Que se saiba a senhora não adquiriu novas habilitações nem tem necessidades financeiras que dantes não tinha e o que há mais por esse mundo fora, principalmente nos países ditos mais civilizados, é governantes voltarem aos seus locais de trabalho. Ou será que um cargo governamental em vez de um serviço público é uma espécie de estágio?

      
 A ética não existe   

«Pedro Passos Coelho vai defender Maria Luís Albuquerque - o líder do PSD deverá aproveitar uma saída que tem prevista esta sexta-feira à tarde para comentar o assunto - mas um dos seus vice-presidentes veio sinalizar o apoio à ex-ministra com base num argumento central: a nova opção profissional de Maria Luís “é legal”.

“Esta contratação nada belisca a legislação portuguesa. Não há nenhuma incompatibilidade que pudesse obstar à aceitação do convite e ao exercício destas funções”, afirmou José Matos Correia numa comunicação aos jornalistas. O vice de Passos explicou que “se trata de uma contratação para o exercício de funções não executivas, de aconselhamento do ponto de vista do quadro macroeconómico e regulatório”.» [Expresso]
   
Parecer:

Para o PSD a ética não existe, apenas conta o Código Penal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

sexta-feira, março 04, 2016

Um nojo de gente

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Pode-se dizer muita coisa sobre o facto de a Dra. Maria Luís ir ganhar uns cobres à conta de uma financeira abutre inglesa, enfim, a pobre senhor ficou a amargar no parlamento e tem de pagar um crédito à habitação que, como diria Vítor Bento, está muito acima das suas possibilidades. Há por aí muitas entidades para avaliar a legalidade e transparência do primeiro emprego criado por esta senhora, por mim limito-me a sentir vergonha porque uma ministra de um governo do meu país aceitar um cargo de tão baixo nível.

Esta era a senhora que Passos Coelho só deixava ir para a Comissão Europeu se lhe fosse entregue um dossier digno da sua elevada craveira intelectual. Afinal, a senhora aceitou agora o triste dossier de um cargo não executivo que lhe pagará serviços que não se sabe muito bem quais são.

Explica a senhora que vai ser uma espécie de consultora no domínio da macroeconomia. É uma boa desculpa, uma licenciada em economia e ex-ministra é bem capaz de saber alguma coisa sobre o tema. O problema é que nas escolas sérias de economia o seu currículo académico seria considerado como estando entre o analfabetismo e a iliteracia. Uma modesta licenciatura mais um curso sobre mercados monetários, onde terá aprendido o negócio dos swaps, é pouco mais do que nada.

Sejamos honestos qualquer recém formado em economia numa boa universidade inglesa dá lições de macroeconomia à Maria Luís. A financeira inglesa só se ode ter interessado pro Maria Luís por causa dos seus belos olhos, pelos favores que possa ter feito ou pelos que possa vir a fazer. Quanto aos conhecimentos de política económica de Maria Luís, o argumento usado pela senhora, são treta e quanto ao conhecimento dos riscos vimos o que sucedeu com os swaps que a ex-ministra comprou.

A fragilidade dos conhecimento de Maria Luís ficaram evidentes na forma como ela explicou as suas funções, dando a entender que uma administradora executiva só lá está para receber gorjetas. Uma coisa é não ter uma pasta e exercer a tempo inteiro, outra é ser administradora e nada ter que ver com os negócios da empresa. Então para que servem as reuniões da administração em que ela estará presente? Esta é uma mentira que tem servido para desvalorizar a passagem de políticos pela banca, como foi o caso de Gilherme d'Oliveira Martins poelo Banco Efisa (BPN) ou de Manuela Ferreira Leite pelo Santander. Estar numa administração implica participar nas decisões e assumir as responsabilidades previstas na lei, que vão muito além de receber gorjetas.
  
Enquanto o povo foi empobrecido à força esta senhora anda a receber gorjetas de gente que faz negócios com a nossa miséria colectiva. É como se o ministro do Trabalho desse em proxeneta, é humilhante e um sinal de miséria vinda de gente que governou um país, é vergonhoso. Esta senhora, quando oferecia um lance natalício aos dirigentes do ministério das Finanças gostava muito de mostrar um ar pesaroso pelo que estava fazendo aos funcionários, dizia com sofrimento que ela própria é funcionária pública. É, mas parece querer fugir das consequências do que fez e viver de gorjetas.
  

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Maria Luís, uma rapariga com muito humor

Esta rapariga teve sempre muita graça! Será que o marido também vai para a financeira, com o gosto de dar porrada era uma excelente ajuda nas cobranças difíceis. Dizer que vai apoiar a financeira com os seus conhecimentos macroeconómicos só pode ser uma piada, a empresa deve ter umas dúzias de quadros capazes de dar lições de macroeconomia à senhora.

«Entretanto, Maria Luís Albuquerque emitiu um comunicado onde confirma ter sido contratada pela Arrow. "As funções que vou desempenhar são de natureza estritamente não executiva, isto é, sem participação nas decisões sobre negócios em concreto, em Portugal ou noutros países." Para a ex-ministra, o objectivo da sua contratação "é de aportar valor à empresa sobre matérias de enquadramento macroeconómico e regulatório ao nível europeu, sobretudo da Europa continental". "Nenhuma decisão tomada pela empresa no passado foi condicionada ou influenciada por qualquer tipo de decisão que eu tenha tomado." Quanto à sua permanência no Parlamento, ou à passagem para uma empresa com a qual o Estado indirectamente negociou quando tutelava as Finanças, Albuquerque não vê nenhuma incompatibilidade: "A função de administradora não executiva não tem nenhuma incompatibilidade ou impedimento legal pelo facto de ter sido Ministra de Estado e das Finanças e de ser deputada. Qualquer outra leitura que possa ser feita desta nomeação só pode ser entendida como mero aproveitamento político partidário."» [Público]

 Os bons princípios de Manuela Ferreira Leite
  
Gostei de ouvir os bons princípios de Manuela Ferreira Leite sobre a demissão de dirigentes do Estado, fiquei feliz por saber que a senhora defende que os dirigentes do Estado devem ser tratados com dignidade. As suas posições na TVI24 foram tomadas a propósito da substituição do gestor do CCB.
  
Mas a senhora já deve estar com alguns problemas de memória e ter-se-á esquecido da forma como se comportou quando foi ministra, foi fez todas as barbaridades que agora critica em João Soares e ainda por cima mentiu. Quando questionada no parlamento sobre o que ia fazer para combater a evasão fiscal a agora cheia de princípios éticos Manuela Ferreira Leite respondeu "primeira medida de combate à fraude e evasão fiscais foi demitir o director-geral dos Impostos". Pois, combateu tanto a evasão fiscal que aumentou o IVA em 2% e não conseguiu mais um tostão de receita e quando o país estava em desespero vendeu as dívidas ao fisco ao desbarato.
  
Na ocasião o director-geral pediu um inquérito ao seu desempenho e declarou publicamente "Só assim a História me poderá salvaguardar e permitir-me manter de cabeça erguida, ou então (no que não acredito) condenar-me àquilo a que, sem julgamento, os meus detractores já me condenaram". O que fez a tão cheia de bons princípios Manuela Ferreira Leite?
  
A ex-ministra perdeu uma boa oportunidade de ficar calada pois sobre o tema de que falou o seu telhado tem telhas de vidro muito frágil.
  
Recorde-se que para o lugar Manuela Ferreira leite escolheu um senhor que se revelou um desastre, ficou famoso por ter emitido um despacho determinado que os dirigentes do Estado não estavam sujeitos a multas de estacionamento e dedicava-se a fazer um doutoramento enquanto a receita fiscal se afundava para desespero da ministra.
  
E em relação às críticas que Manuela Ferreira Leite fez a Maria Luís também tem um pequeno problema de credibilidade, em 2006, menos de dois anos depois de abandonar o lugar de ministra das Finanças, tomou posse como administradora do Banco Santander (Público). Enfim, nos ensina o velho provérbio "Bem o prega Frei Tomás; façamos o que ele diz e não o que ele faz".

Para se perceber melhor ler notícia da época no Público.



 Reciclagem financeira

Maria Luís é a pessoa que neste momento melhor conhece a situação dos activos financeiros que no BES ou no BANIF foram considerados tóxicos e remetidos para o banco mau. Agora vai aconselhar uma empresa especializada na compra deste tipo de activos sobre o risco de negócios em Portugal. A isto cama-se reciclagem política e financeira. Só não percebe quem não quer perceber. E nem precisa de tirar o rabinho do parlamento para ganhar mais uns trocos, que compensem o que perdeu por não ter ido para a Comissão, ficando a amargar em Portugal.

      
 Contratação estranha
   
«Maria Luís Albuquerque foi contratada para diretora não-executiva, para o Comité de Auditoria e Risco, de uma financeira britânica – a Arrow Global. A informação, avançada pelo Diário de Notícias, foi apresentada esta quinta-feira através de um comunicado da empresa.

“É com prazer que anuncio que Maria Luís Albuquerque irá juntar-se à administração como diretora não-executiva. Como deputada do Parlamento português, que já desempenhou cargos de topo no Ministério das Finanças e do Tesouro público português, Maria Luís irá contribuir com uma vasta experiência internacional e no campo da gestão da dívida”, afirmou Jonathan Bloomer, presidente do Conselho de Administração da Arrow.» [Observador]
   
Parecer:

Aqui há gato... Num país com tanto banco mau uma financeira especializada em comprar crédito malparado contrata uma deputada que foi ministra para um lugar não executivo ara aconselhar sobre risco? Isto é, uma ex-ministra com infomação preciosa sobre muito produto tóxico resultante das intervenções no sistema financeiro vai aconselhar uma empresa financeira sobre o risco de negócios?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 A ex-ministra irresponsável
   
«"Eu só me poderia sentir diretamente atingida e responsável se tivesse sido a criadora da causa da austeridade. Como não foi o anterior governo que criou o buraco em que estávamos metidos em 2011, o que eu posso lamentar é que se tenha chegado a esse ponto, que fosse necessário corrigir a trajetória com medidas que nenhum governo gosta de tomar", afirmou Assunção Cristas aos jornalistas, no final de uma visita à feira de turismo BTL.

A candidata à presidência dos centristas, que foi ministra da Agricultura do Governo PSD/CDS, reagia ao relatório anual da Cáritas hoje divulgado, segundo o qual as medidas de austeridade foram responsáveis por "novas formas de pobreza que afetam agora as antigas famílias de classe média e as famílias de classe baixa", e que emergem de situações de desemprego e cortes salariais, principalmente na função pública, de aumento de impostos, de trabalho com baixas remunerações, aumento do trabalho temporário e não coberto pelas redes normais de segurança social.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Para a senhora irresponsável o excesso de austeridade adoptado com o objectivo de reformatar uma sociedade não é responsável por nada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 Teodorices
   
«"Nós não dizemos em sítio nenhum que o défice ou saldo não seja cumprido. Chamamos é à atenção para os riscos e essa chamada de atenção para os riscos leva precisamente a dizer que a execução tem de ser muito atenta e cuidada, quer do lado das despesas, quer do lado das receitas", afirmou Teodora Cardoso, no parlamento.

As declarações da presidente do CFP surgiram em resposta o deputado do PS, Paulo Trigo Pereira, que criticou a análise da proposta de Orçamento do Estado para 2016 (OE2016) feita pela entidade liderada por Teodora Cardoso, conhecida na terça-feira.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Nos últimos anos Teodora Cardoso transformou as suas opiniões em matéria de politica económica em conclusões de uma ciência exacta, como se uma corrente da politica económica, aquela que ela apoiava, fosse a única. Durante quatro anos esta economista apoiou as politicas de Passos Coelho e apesar dos muitos desvios mais ou menos colossais nunca a vimos tão preocupada com os riscos orçamentais.

Seria muito interessante rever as suas posições no passado recente comparando-as com os resultados, a verdade e que Teodora Cardoso foi uma das mais firmes apoiantes da experiência económica a que o país foi sujeito, apoiando medidas que se sabiam inconstitucionais, como se a sua verdade económica estivesse acima da lei e da vontade de um país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

quinta-feira, março 03, 2016

Passos e o Bloco Central

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Hoje o país conhece as consequências da estratégia do PSD no equilíbrio das forças politicas portuguesas, as políticas de Passos Coelho foram um rotundo falhanço e em poucas semanas o país estava como estava, mas com muito mais dívida, e o inimaginável sucedeu, o BE e o PCP só não só cresceram como fazem parte de uma maioria parlamentar que sustenta um governo onde, de acordo com a opinião de muitas personalidades da direita, deveriam estar presentes.

Não só os partidos com soluções mais radicais cresceram, como só cresceram a esquerda, relegando o CDS para uma posição menor no parlamento, onde deixou de ser o terceiro maior partido, um dos motivos de orgulho de Paulo portas e dos seus seguidores. O mesmo Passos Coelho que apostou na sua aventura extremista tentou dois sobreviver no governo, com uma solução de bloco central alargado, proposta que António Costa recusou.

Passos Coelho não só já desistiu das suas eleições antecipadas na hora, solução que morreu com a eleição de Marcelo para a Presidência da República, como parece ter percebido que se quiser esperar por eleições antecipadas terá de encontrar um assento confortável, que evite a formação de calos no seu precioso dito cujo.

Quis o destino que aquele que recusou qualquer entendimento ao centro para que o PCP e o BE não crescessem, diga agora que espera voltar ao governo se ocorrer uma crise e Marcelo desejar que assim aconteça, mesmo sem a realização de eleições antecipadas. Isto é, Passos conta chegar a primeiro-ministro, passando Costa a seu número dois.  

O mesmo CDS que num momento de grande generosidade e pela boca de Paulo Portas ofereceu a António Costa o lugar de número dois, berra agora pela voz de uma Cristas, 1qu costuma inspirar-se em Jesus, que com Costa nem pensar, para ela o líder do PS está excomungado. Isto é, sabendo Passos desta inspiração de Cristas num Jesus que aprece ser o de Alvalade, ao propor-se para primeiro-ministro de um loco central já não é o do alargado, isto é, Cristas ficaria de fora, que é para não levantar muito a crista sem lhe perguntar nada.

Temos, portanto, uma personagem com uma palavra de configuração variável, a lembrar aquele que em tempos passou uma tarde reunido com Sócrates a discutir o PEC IV e depois veio dizer que foi apanhado de surpresa. O problema de Passos Coelho é que depois do famoso incidente do PEC IV e de uma moção a um congresso onde Marcelo ficou com a alcunha de Cata-vento tem uma palavra que nada vale em política.
 
Passos nem é confiável enquanto pessoa nem é do centro e muito menos social-democrata, o único bloco viável com ele é um bloco de direita, ou, talvez com algum líder fraco do PS, nunca com alguém tão detestado por Passos e Cristas como é o caso de António Costa. O problema é que quando contavam com um Seguro dispunham de uma maioria absoluta e optaram por gozar com ele. Como diria agora Cavaco, ele bem tentou esse entendimento antes de irem a eleiões.

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho, primeiro-ministro no exílio

Depois  de perceber que nem com muitas rezas e terços da Assunção Cristas se realizarão eleições antecipadas passos Coelho começa a mudar de estratégia, começou por prometer votar não a tudo no OE e agora já fala em acordos na Segurança Social. O traste de massamá não mudou de ideias por estar preocupado com o país, mas sim por estar preocupado consigo próprio, apesar dos seus parcos recursos intelectuais percebeu que o seu niet estava a dar maus resultados e apesar das suas manobras ficou a falar sozinho mais a dona Teodora.

Cada vez mais isolado, sem poder e com um PSD descente nas suas possibilidades o traste político de Massamá luta pela sobrevivência, ainda que continue a representar a sua pantomina do primeiro-ministro exilado no seu próprio país.

«No dia em que apresentou a moção estratégica com que volta a candidatar-se à liderança do PSD, Pedro Passos Coelho dá a primeira grande entrevista à SIC. Fala sobre o Orçamento do Estado, as fragilidades da banca e a atuação do Governador do Banco de Portugal. Comenta um eventual cenário de reestruturação da dívida e mostra-se disponível para discutir com o Governo matérias centrais, como a sustentabilidade da segurança social. Passos Coelho não acredita que a estratégia orçamental de António Costa resulte, mas diz que, se por milagre isso acontecer, será o primeiro a apelar ao voto na esquerda» [Expresso]

      
 O extremismo ambiental no seu melhor
   
«Três montanhistas salvaram dois homens e um rapaz que se perderam na zona das Minas dos Carris, na Serra do Gerês. Esta foi a notícia a 9 de janeiro. Agora, avança o Jornal de Notícias, os seis receberam notificações para pagar multa.

Em causa está o facto de todos eles terem sido detetados a passar por uma zona de proteção total sem autorização, escreve o JN.

Tanto os montanhistas resgatados como aqueles que os salvaram são convidados a pagar uma coima mínima de 200 euros e os custos do processo, no valor de 51 euros. Caso não efetuem o pagamento, escreve o jornal, o processo prossegue e o valor a pagar pode chegar aos dois mil euros.» [DN]
   
Parecer:

Sem comentários a não ser que da próxima ficam a morrer até que um qualquer senhor burocrata do ambiente autorize o salvamento.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Pablo Iglesias y Xavier Doménech se dan el ‘piquito’ del cambio
   

«A sessão desta quarta-feira do Congresso dos Deputados, em Espanha, a primeira em que o líder do Podemos subiu à tribuna, ficou marcada por um beijo: Pablo Iglesias aplaudiu de pé a intervenção do porta-voz do En Comù Podem, Xabier Domènech, e no final desceu as escadas para um abraço que acabou num beijo na boca.» [DN]
   
Parecer:

Vamos ter muita beijoca nos parlamentos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Temos novo encontro do leitão
   
«António José Seguro vai fazer a sua reaparição pública na próxima semana, 18 meses depois de ter descido as escadas da sede do PS, no Rato, derrotado nas “diretas” por António Costa. O ex-líder volta a juntar socialistas à sua volta para apresentar a edição em livro da sua tese de mestrado. A dissertação é em si própria uma peça singular de intervenção política, porque faz o balanço da principal reforma do parlamento, da autoria do próprio Seguro, então deputado. A dissertação sobre o controlo político do governo feito pelo parlamento mereceu 18 valores.

O ex-secretário-geral conta ter muitos dos seus apoiantes no PS na cerimónia, socialistas que estiveram do seu lado nas diretas. Confirmada está a presença de Francisco Assis, a principal voz dissonante do atual PS, na sessão de 10 de março na Universidade Autónoma de Lisboa, onde Seguro dá agora aulas de Ciência Política.» [i]
   
Parecer:

parece que temos um novo académico na academia de Lisboa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Cá se dizem,....
   
«Os taxistas do aeroporto “são pouco sérios” e “pouco educados”. “Para quem oferece um serviço tão desqualificado como o dos taxistas da praça aeroportuária da capital, a ANTRAL devia moderar as suas ameaças”. A Uber é “um estrondoso caso de sucesso”. As frases foram escritas num artigo de opinião publicado no Jornal de Notícias, a 21 de dezembro de 2014. Sabe por quem? Por José Mendes, que na altura era vice-reitor na Universidade do Minho. Acontece que agora é secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, tutela a pasta dos transportes e está, por isso, envolvido diretamente na polémica.

Sem generalizar, [os taxistas do aeroporto] são pouco sérios na escolha dos percursos, são pouco educados, ignoram os passageiros na hora de ouvir o relato da bola, apresentam-se mal e não evitam aquele olhar de macho quando a cliente tem a saia mais curta. Quem nos protege destes?”
Um dia depois de o ministro do Ambiente ter afirmado, no Parlamento, que era “evidente que a Uber era ilegal” – referindo-se à decisão do tribunal de abril de 2015 – e de garantir que vai fazer esforços para que haja maior fiscalização aos serviços, o Observador recupera a opinião do secretário de Estado sobre a polémica Uber.» [Observador]
   
Parecer:

Digamos que teve azar na escolha do tema.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  

quarta-feira, março 02, 2016

A merda de hoje fertilizará o amanhã

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Nos dias de hoje não é frequente vermos um político que foi primeiro-ministro regressar ao estatuto de líder ou de candidato à liderança de um partido na oposição, em tempos de inversão de decisões é como se em vez de vermos a metamorfose de uma lagarta dando lugar a uma borboleta, estivéssemos perante um novo fenómeno da natureza, uma metamorfose inversa onde uma bela borboleta dá lugar a uma lagarta.
  
Um primeiro-ministro anda sempre com uma corte de graxistas que sorriem por tudo  e por nada, tudo o que diz é notícia, os jornalistas de serviços têm as notícias previamente com outros jornalistas que foram contratados para assessores. Os discursos são cuidadosamente preparados, bem estruturados, gramaticalmente perfeitos, escorreitos, articulados, com as piadas certas nos momentos menos esperados. Tudo é estudado ao pormenor, estantes cheias de sondagens e de estudos de opinião asseguram o sucesso do “produto”.

Estar no governo traz vantagens que não se ficam pelos tempos de intervenção nos debates parlamentares, contratam-se rebanhos de assessores, fazem suas todas as boas ideias produzidas por centenas de serviços públicos, apropriam-se das ideias de numerosos funcionários altamente qualificados, transformam-se projectos há muito em cursos em grandes ideias de quem governa.

Passos já não anda com grandes comitivas de gente que fica extasiada a ouvi-lo, agora são figuras secundárias que o ajudam a representar a pantomina do primeiro-ministro no exílio, o discurso deixou de escorreito, os momentos de espontaneidade deixaram de ter a qualidade de outros tempos, é um homem banal, sem grandes recursos intelectuais que tenta a todo o custo manter a chama das confiança nos que o ainda apoiam, luta desesperadamente pela sobrevivência na esperança de uma crise financeira lhe devolver o poder sem limites.
  
É uma boa oportunidade para analistas, cientistas políticos e até psicólogos, podemos comparar um politico manhoso, em ascensão inventados e apoiados pelos Relvas, depois um primeiro-ministro usando os recursos do Estado em proveito da sua imagem, e, por fim, um politico abandonado por quase todos, apoiando pelo incondicional Zeca Mendonça, rodeado por apoiantes de circunstâncias que se sentem mordomos do Forte de Santo Amaro, cuidando de um primeiro-ministro que bateu com a cabeça e ficou a imaginar-se primeiro-ministro até à eternidade. Não é difícil imaginar um Zeca Mendonça a retirar-lhe o pin da bandeirinha todos os dias, para lhe dar lustro à noite.

Tivemos um Passos Coelho na versão primavera, no poder como se fosse verão, agora assistimos à decadência da queda da folha, esperemos os que brevemente chegue o seu inverno para que o estrume permita ao PSD dar lugar a uma nova geração de plantas, ainda que haja algum risco de virem a nascer outra vez urtigas. Enfim, como diz o graffiti da Baixa de Lisboa “a merda de hoje fertilizará o amanhã”.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
João Miguel Tavares

João Tavares não ficou boquiaberto com as suspeitas de um caso de corrupção grave no Ministério Público, não ficou boquiaberto pela suspeita de um dos nossos bons e bem geridos bancos ter usado o estatuto de empregado ara poder ter dado contrapartidas a um procurador, também não ficou boquiaberto por perceber que a corrupção atingiu o mais alto nível do Estado e do sistema bancário. Ficou boquiaberto por causa de existirem licenças sem vencimento.

O que preocupa o conhecido articulista não é a possibilidade de existir corrupção ao mais alto nível na magistratura e muito menos que os administradores dos maiores bancos, os tais que foram ajudados com o dinheiro dos contribuintes, possam estar envolvidos em casos de corrupção da maior gravidade, casos que podem minar as relações entre países, motivado por um ódiozinho ideológico aos funcionários públicos o que o preocupa é a possibilidade de os funcionários públicos poderem pedir uma licença sem vencimento. É um verdadeiro escândalo, que apenas sucede na Administração Pública portuguesa .


«O caso em si é fascinante, mas o alegado envolvimento de Manuel Vicente e as perigosas relações Portugal-Angola são apenas uma parte do fascínio, e não necessariamente a maior. Mais do que com a investigação propriamente dita, fiquei boquiaberto com a notícia de que Orlando Figueira pediu em 2012 um licença sem vencimento para ir trabalhar para o sector privado, e que ela lhe foi atribuída por unanimidade (!) pelo Conselho Superior de Magistratura, sem sequer querer saber para onde ele ia. A gente esfrega os olhos, lê outra vez e não acredita. Um procurador com casos de milhões recebe do Estado um livre-trânsito para ir trabalhar para quem lhe apetecer, pelo tempo que desejar e mantendo o seu lugar nos quadros do Ministério Público (cereja em cima do bolo: o tempo da licença sem vencimento conta para efeitos de antiguidade).

Depois disto, confesso que fiquei mortinho por saber duas coisas. Primeira: quantos funcionários mantém o Estado no seu quadro com licenças sem vencimento, enquanto trabalham para o sector privado? Segunda: quantas dessas transferências configuram casos de vergonhosa incompatibilidade, como é obviamente este caso? Corruptos e corruptores sempre existirão, como é óbvio. Agora, ser o próprio Estado a pôr-se a jeito desta forma é impensável – e um escândalo sem nome.» [Público]


 A grande novidade do dia

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Ainda bem que há quem nos avise. Mas não se preocupem, essa carga fiscal incide quase em exclusivo sobre os ricaços dos 2000 euros.

 Uma pergunta a Teodora Cardoso

Tem conhecimento de algum OE do passado que não tivesse "riscos importantes"?
      
 No Parlamento: "Houston, temos um problema..."
   
«A discussão era sobre o Orçamento mas a AR, ontem, mais parecia o antigo cinema Quarteto. "Show me the money", lançou a deputada Ana Rita Bessa (CDS) ao ministro da Educação. E não é que Tiago Brandão parecia o nosso crítico João Lopes? Respondeu-lhe: "Jerry Maguire?", e acrescentou que ela deveria era pensar no filme de Kubrick Dr. Estranho Amor: neste, o sábio louco queria explodir o mundo como o anterior ministro Nuno Crato queria implodir o Ministério da Educação. Talvez o espetáculo de ontem fosse só a febre dos Óscares de segunda-feira de madugada, mas é pena. O balcão do Parlamento podia tornar-se o Chiado-Terrasse se mantivesse no cartaz o ciclo das melhores frases do cinema. Ainda ontem, Ferro Rodrigues, depois de contar os deputados da oposição, deveria mandar calar a deputada: "O mundo divide-se em duas categorias, os que têm a pistola carregada e os que cavam. Tu cavas..." (O Bom, o Mau e o Vilão). Ah, que dias de cineparlamento! Catarina para Jerónimo: "Acho que este é o começo de uma bela amizade" (Casablanca). Centeno sobre a TAP: "A mamã dizia sempre: a vida é como uma caixa de chocolates, nunca se sabe o que se vai encontrar" (Forrest Gump). Depois de Jerónimo confessar que continua comunista, Costa: "Ora, ninguém é perfeito..." (Quanto mais Quente melhor). Carlos César para o deputado do PAN: "Sempre acreditei na bondade dos desconhecidos" (Um Elétrico Chamado Desejo). Costa a pedir à oposição uma moção de censura: "Make my day, faz-me feliz!" (Dirty Harry). E Passos a responder-lhe: "Carpe Diem, aproveita o momento" (O Clube dos Poetas Mortos). Entretanto, num cinema longe, em Belém, foi desprogramada para o dia 9, uma frase: "I"ll be back." Já ninguém quer ver o Exterminador Implacável.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Conselho de Finanças Públicas tem dúvidas
   
«As contas do Orçamento do Estado de 2016 estão a preocupar o Conselho de Finanças Públicas. Esta é a conclusão mais relevante do parecer divulgado hoje pelo órgão consultivo, após análise aprofundada da proposta desenhada pelo Governo de António Costa a ser entregue na Assembleia da República.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Pela posições defendidas nos últimos anos por Teodora Cardoso que quase esteve e à beira de propor que fosse retirado o escalpe a funcionários e pensionistas, é caso arfa dizer que há um grande progresso, seria de esperar que em vez de dúvidas a Teodora tivesse certezas. A verdade e que o extremismo de Teodora Cardoso tirou a credibilidade ao Conselho de Finanças Públicas, tantos foram os fretes feitos a Passos Coelho e à sua tentativa de transformar Portugal num tigre da Europa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 E não se reúne com o exilado
   
«O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, desloca-se a Lisboa a 9 de março para participar na cerimónia de tomada de posse do Presidente da República eleito, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou hoje o porta-voz do executivo comunitário.

No quadro da deslocação a Lisboa, Juncker tem também previsto um encontro bilateral com o primeiro-ministro, António Costa, acrescentou Margaritis Schinas, na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia.

“A 09 de março, o presidente Juncker viaja para Portugal, para Lisboa, a convite do Presidente eleito, Marcelo Rebelo de Sousa, para participar na cerimónia de tomada de posse, em Lisboa. No contexto desta visita, o presidente irá também encontrar-se bilateralmente com o primeiro-ministro António Costa”, anunciou.» [Observador]
   
Parecer:

Não acredito que o primeiro-ministro no exílio deixe escapar esta oportunidade de uma encenação para a sua pantomina.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aposte-se que o traste de Massamá vai tentar encontrar-se com o presidente da Comissão só para aparecer na teleisão mais a sua bandeirinha na lapela.»

 Estará doido?
   
«Também na própria moção de estratégia Passos admite voltar ao poder antes do final da legislatura. No documento fica claro que "o PSD não deixará de estar sempre preparado para reassumir responsabilidades de governo, se a isso vier a conduzir o esgotamento da solução de governo protagonizada pelo PS".

Na moção, Marcelo Rebelo de Sousa (e até os partidos que hoje apoiam o PS) são apresentados como meios para derrubar o governo de Costa perante esse eventual esgotamento, destacando que "existem mecanismos no quadro constitucional que permitirão aos partidos políticos com responsabilidades parlamentares e ao Presidente da República avaliarem as melhores soluções a adotar em face das circunstâncias concretas."» [DN]
   
Parecer:

O traste de Massamá começa a dar sinais de loucura, agora imagina um novo PEC IV?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

terça-feira, março 01, 2016

A oposição

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A versão tuga de "Dante no exílio", pintura de autor desconhecido

Como de costume em Portugal não á oposição, se nem mesmo perante os excessos e mentiras de Passos Coelho o líder do PS de então optou por transformar o papel de líder da oposição de uma senhora que de quando em vez ia beber um chazinho a São Bento, intercalado por umas partidas de crapô com Cavaco Silva ou com Carlos Costa, não era agora que o país vive um momento de descontracção que o tempo favorece a oposição.

Aliás, o habitual é ser o próprio partido que está no governo a fazer oposição a si próprio e se com Passos a oposição foi liderada por personalidades como Pacheco Pereira ou Manuela Ferreira Leite, com António Costa a solução encontrada é mais sofisticada, o BE faz oposição de manhã, o PCP faz da parte da tarde. O partido dos cães e gato ladra cá fora e ronrona no parlamento. O PS ainda não se manifesta do outro lado, mas é só uma questão de tempo, as personalidades irrequietas que no tempo de Sócrates apareceram a defender maternidades medievais para que não se parissem espanhóis feitos por tugas e outras personagens que irrequietas que ficaram de fora do governo mais tarde ou mais cedo aparecer.
  
Quanto ao traste politico de Massamá continua a desempenhar o seu papel de primeiro-ministro no exílio e lá anda por esse país, de bandeirinha na lapela e como o seu peão de brega Zeca Mendonça abrindo caminho entre uma turba de jornalistas ansiosos por o ouvirem. A encenação é tão perfeita que o homem já nem faz oposição, nem apresenta alternativas, quem ganhou eleições e foi vítimas de um golpe de Estado limita-se a dizer que está preparado para ser primeiro-ministro.
  
Passos não defende o que fez, apenas diz que falta fazer mais metade, só não explica de que metade se trata, dando a entender que faria o que a esquerda está fazendo mas mais devagarinho, a diferença entre a revolução liberal e a esquerda conservadora e retrógrada não está nas medidas, está na caixa de velocidades.
  
Passos não tem programa, não sente necessidade de dizer quais são as alternativas e nem lhe passa pela cabeça voltar a pedir desculpa aos portugueses por apoiar medidas de austeridade. A postura de Passos é bem diferente daquela que assumiu no tempo em que era oposição, como qualquer vítima de um gole de Estado espera que a Merkel convença o Obama a deixar de se preocupar com o Assad para bombardear os pavões de São Bento, devolvendo-lhe a residência oficial a que tem direito.
  
E enquanto os americanos não mandem os aviões, talvez tenha de esperar pelo Trump lá vamos ouvindo a Trampa do costume, agora vai sugerindo aos portugueses que quando tiverem saudades de uns cortes nas pensões, de menos alguns feriados e uns dias de férias, quando quiserem transformar as urgências médicas em desportos radicais, quando acharem que consomem em excesso e sentem falta de uma dieta nos vencimentos e no IRS que avisem, porque ele está pronto para voltar.
 

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Carlos Moedas, comissário que passou a perna à Maria Luís

No plano europeu um membro da Comissão Europeia deve defender os interesses comuns das Europa independentemente do país que o designou ou das suas ideias. No plano nacional espera-se que o português designado para a Comissão Europeia não seja um representante do seu partido e que defenda os interesses nacionais. A entrevista de Carlos Moedas revela que nem no plano europeu, nem no plano nacional ele está à altura do cargo para que foi escolhido por Passos Coelho, para desgosto da Maria Luís que agora amarga no parlamento, onde o modesto vencimento não dá para pagar o crédito à habitação.

Se não faz sentido o governo português lançar o debate da reestruturação da dívida, muito menos faz que seja um comissário português a fazer comentários da treta sobre o mesmo tema.

«O comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, garantiu que a “Comissão Europeia não olha” para os partidos, quer sejam mais ou menos extremistas, que apoiam o Governo. Numa entrevista ao jornal Público, considerou que o primeiro-ministro é um “europeísta convicto” e que “é muito bem recebido, porque já conhece todas as pessoas há muito tempo, é um homem que toda a gente aprecia.”

No entanto há um tema que começou, nas últimas semanas, a ganhar destaque na política lusa, e sobre o qual o comissário europeu nem quer ouvir falar: a renegociação da dívida. Segundo Carlos Moedas, a expressão “reestruturação da dívida” já se tornou numa “palavra política e não numa palavra técnica, como deveria ser desde o princípio, pois todos os países estão constantemente a mudar de taxa de juro, a mudar os pagamentos para reembolsar as dívidas e tudo isso, tecnicamente, são pequenas renegociações”. Por isso, o antigo secretário de Estado adjunto de Passos Coelho pensa que o tema não é “uma questão neste momento”.

Já no seio da Comissão Europeia existe “todo o tipo de discussão”, os comissários são os primeiros “a ter todo o tipo de estudos”, mas uma decisão sobre uma eventual renegociação pertence “ao Conselho [europeu], é uma decisão dos países”. No entanto o português questiona: “Será que [em relação] a esses temas específicos sobre eurobonds, renegociação da dívida, podemos pensar que a curto prazo vai haver consenso? Penso que não”.» [Observador]

 Diário de um primeiro-ministro no exílio

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Leonardo de Caprio ganhou o Oscar para o melhor actor, teve sorte, ainda não passou para filme a saga do primeiro-ministro que se convenceu que tinha ganho eleições sem conseguir maioria parlamentar e desde então se recusa a usar o pin, distintivo por si criado para identificar os membros do seu governo.

E enquanto o traste de Massamá vai exibindo a sua pantomina e se prepara para ir a votos como candidato único, em Aveiro os seus amigos lutam por uma distrital que já tem mais militantes do que a de Lisboa, tantas são as adesões ao PSD. EM pleno Verão, em Ovar, ocorreu uma verdeira corrida à adesão ao partido do exilado e só na Rua dos Pescadores residem 80 novos militantes. [DN]

Quanto ao malogrado primeiro-ministro agora exilado parece ter adoptado a limnguagem do seu amigo Paulo Portas, agora diz que se não estivesse no exílio forçado pelos golpistas da esquerda estaria a bombar, enfim, evoluiu muito, antes bombardeava o emprego, agora estaria a bombar para criar empego. Provavelmente estaria a bombar para levar a mais uma enxurrada de emigração de jovens.

 Reestruturar a dívida

A pior forma de conseguir uma reestruturação da dívida recorrer ao espalhafato para que este processo possa ser apresentado por uma grande vitória da Catarina ou do Jerónimo sobre a Merkel. A ideia de que a dívida é uma questão de usura e que o seu não pagamento é uma vitória politica só terá como consequência adiar o processo.

      
 Relvas é ou não sotôr?
   
«O processo administrativo que envolve a Universidade Lusófona e eventuais “ilegalidades” na licenciatura de Miguel Relvas arrasta-se há dois anos nas mãos da juíza Isabel Portela Costa, sem que exista ainda data para uma decisão. A investigação do Ministério Público fechou a 21 de Fevereiro de 2014 e chegou às mãos da magistrada do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa seis dias depois. Mas o Ministério Público “não foi, até ao momento, notificado de qualquer decisão final”, sobre este processo, confirmou fonte oficial ao Económico. Miguel Relvas disse ao Económico “não tenho conhecimento de qualquer decisão da juíza”. O mesmo acontece com o administrador da Universidade Lusófona, Manuel Damásio, disse não ter sido notificado de qualquer decisão da juíza. 

Ao abrigo das novas regras do Código de Processo Civil (CPC), a juíza teria três meses para proferir uma decisão, tendo de justificar ao Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) eventuais atrasos. Em Novembro de 2014, o Económico perguntou a este conselho se a magistrada tinha dado alguma justificação para o atraso. Na altura, o órgão que fiscaliza os tribunais administrativos não esclareceu se a juíza justificou o atraso, mas argumentou que a mesma magistrada tem “um elevado número de processos, muitos deles mais antigos” do que o de Miguel Relvas e não adiantou uma data para a tomada de uma decisão.» [DE]
   
Parecer:

Quando a justiça se decidir já Miguel Relvas chegou a catedrático jubilado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Tire-se o chapéu à senhora Merkel
   
«A chanceler alemã, Angela Merkel, veio mais uma vez a público tomar posição acerca da crise dos refugiados que tem assolado as fronteiras europeias nos últimos meses. Sobre a questão grega, em concreto, que tem dividido muitos Estados-membros e que tem ameaçado a manutenção do espaço Schengen, Merkel deixou claro que a Europa não pode deixar a Grécia cair no “caos”.

Continuando a defender a a abertura das fronteiras germânicas para os refugiados, apesar da consequente perda de popularidade, Angela Merkel questionou, em declarações à televisão alemã ARD, e citada pela BBC:

Acreditam seriamente que todos os Estados europeus que, no último ano, lutaram para manter a Grécia na zona euro, e nós fomos os mais rigorosos, podem um ano depois permitir que a Grécia, de certa forma, mergulhe no caos?”
As fronteiras helénicas têm sido a entrada preferencial de milhões de refugiados que entraram na Europa durante o último ano, obrigando a União Europeia a instar ao Governo grego que controle o fluxo migratório ficando o país sujeito à saída da zona Schengen caso o objetivo não seja cumprido.» [Observador]
   
Parecer:

Infelizmente muitos dos que no passado defenderam a Grécia contra a senhora Merkel agora preferem ficar calados, deixando a chanceler alemã defender sozinha a Grécia. O que é feito dos amigos da Grécia agora que a Grécia precisa do apoio internacional?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se a senhora.»