sábado, março 12, 2016

O professor Marcelo comentando o Presidente MArcelo

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Marcelo Rebelo de Sousa tem uma vantagem que os outros presidentes não tiveram, vai presidir sem ter o Marcelo rebelo de Sousa comentando-o nas televisões, todos os domingos à noite, nem mesmo Cavaco de que ele era conselheiro se livrou destes momentos de crítica venenosa. Bem, não é de excluir que mais uma vez Marcelo ignore o protocole e comece a deslocar-se à TVI para comentar a sua actuação na semana que passou. O que diria Marcelo do próprio Marcelo amanhã à noite?

Diria que num país em crise este ambiente de sempre em festa, com uma posse carnavalesca com direito a três corsos e a muitas exibições, houve excesso. Na TVI o professor Marcelo seria mais poupado do que o Marcelo Presidente, diria que foi passada uma mensagem de fartura e de despesismo.

É bem provável que o professor Marcelo afirmaria os seus valores religiosos e diria que num Estado laico as posses não se confirmam em missas ecuménicas, uma coisa é afirmar a liberdade religiosa, outra é celebrar a posse com uma missa, onde não faltou o padre Vítor Milícias, o tuto espiritual do regime.

Criticaria a escolha do presidente Moçambicano em detrimento de muitos outros e é bem provável que criticasse o Presidente Marcelo por ter uma visão familiar do Estado,. Sugerindo que a presença moçambicana seria uma homenagem póstuma ao governador da colónia de Moçambique que foi o seu pai.

O professor Marcelo perguntaria ao Presidente Marcelo se a viagem ao Vaticano era para receber da bênção papal como se fosse um reino por vontade de Deus. O Vaticano é um Estado e tanto quanto se sabe nem o papa usa sapatos portugueses, nem o vinho usado nas missas é português. A visita ao Vaticano significa que a política externa é marcada pelas convicções religiosas do Presidente Marcelo.

* Foto do visitante e amigo T. Selemane (Maputo)

Umas no cravo e outras na ferradura


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 Jumento do dia
    
Caldeira Cabral, ministro da Economia

A chantagem do abastecimento em Espanha já é antiga e de pouco servem os apelos nacionalistas do ministro, desde sempre que o comércio fronteiriço dá lugar a trocas de beneficiam das diferenças de preços, nuns sectores ganha-se, nos outros perde-se.

É óbvio que os comerciantes andam estupidamente a incentivar os consumidores a irem a Espanha ao serem eles a dizer que vale a pena. Mas de certeza que alguém vai de Faro a Ayamonte encher o depósito da gasolina. A política fiscal e a política económica não poidem depender das estratégias de associações manhosas.

«“Muitos portugueses estão a pagar impostos em Espanha e é algo que temos que em primeiro lugar pedir aos portugueses que não façam”, apelou o Ministro da Economia esta quinta-feira, solicitando assim aos portugueses que não vão abastecer os seus carros a Espanha.

“Temos que trabalhar com as associações do setor e ouvir quais são as propostas que têm para apresentar, e mostramos desde já toda a abertura para ouvir e tentar encontrar soluções, mas estamos num quadro orçamental que é o que é e é também nesse quadro orçamental que vamos ter de trabalhar em todo o país”, declarou Manuel Caldeira Cabral à RTP.


“É um problema que nos preocupa, obviamente, principalmente ao nível da fronteira, porque tem condições fiscais diferentes em Espanha, e que temos que olhar com preocupação porque corresponde também a impostos que em vez de serem pagos em Portugal estão a ser pagos em Espanha”.» [Observador]

 Pergunta ao Presidente Marcelo

Não seria bom prolongar os festejos da posse e dar mais um dia por cada capital de distrito, acabando com uma cerimónia nas Ilhas Selvagens como manifestação da soberania nacional sobre aquele território de cagarras e focas?

      
 Uma monarquia em crise
   
«O sms que Letizia enviou e é agora notícia data de outubro de 2014, pois só esta semana é que o jornal espanhol eldiario.es publicou as mensagens que os reis de Espanha enviaram ao empresário Javier López Madrid, quando este foi envolvido no escândalo da fraude com cartões de crédito da Caja Madrid e Bankia. A rainha de Espanha, que fazia ioga com a mulher de Javier, ficou indignada com uma notícia do El Mundo que falava sobre o envolvimento do amigo no desfalque financeiro, e decidiu manifestar o seu apoio através da aplicação Whatsapp: "Escrevi-te quando saiu aquele artigo dos cartões na merda da LOC [La Otra Crónica, o suplemento cor-de-rosa do jornal] e sabes o que penso, Javier. Sabemos quem és, sabes quem somos. Conhecemos-te, queremos-te, respeitamos-te. O resto, merda. Um beijo compi yogui (tenho saudades tuas)." No mesmo dia em que a mensagem chegou aos jornais, Iñaki Gil, diretor adjunto do El Mundo, publicou uma crónica online com o título: "Sou o chefe "da merda da LOC" e espero, majestade, que nos continue a ler."

Na coluna de opinião, o jornalista anuncia uma longa "carta aberta a Sua Majestade a Rainha de Espanha, do diretor adjunto do El Mundo, Iñaki Gil" e começa logo por lembrar Letizia da sua função na Casa Real. "Permita-me que me dirija a si com o tratamento que a rainha de Espanha merece. Além do mais, não tenho a sorte de pertencer ao seu círculo de amizades para chamá-la simplesmente de Letizia e ainda menos de Ltzia [aludindo à forma como o nome da rainha estava escrito nos contactos do telemóvel de Javier López Madrid]. Também não ousaria dirigir-me a si como "compi yogui". Porque não faço ioga. E porque não sou seu companheiro. Nem seu colega", escreve o diretor adjunto El Mundo, num registo irónico.

O jornalista continua o "ataque" - às vezes subtil e outras nem tanto - a Letizia, e escreve que fica feliz por ela ser uma de "entre os seis milhões de pessoas que leem todos os meses La Otra Crónica". E continua: "É verdade que o seu desprezo constava de uma mensagem privada. Mesmo que o eldiario.es o tenha tornado público e que este tenha sido partilhado em muitas páginas web, não estou à espera de um pedido de desculpas. Talvez um esclarecimento. Pelo menos através de WhatsApp", escreveu ainda Iñaki Gil, que descreveu a mensagem de Letizia como "infeliz" e questionou-se sobre a amizade dos reis de Espanha com um empresário que está a ser investigado por ter usado cartões de crédito em benefício próprio, lesando um banco que foi resgatado com dinheiros públicos. Empresário este que Letizia garantia, no Whatsapp enviado, que conhecia bem.» [DN]
   
Parecer:

O mundo já não leva muito a sério estes reis e rainhas e muito menos uma monarquia parida pelo Caudillo. Coma espanha em crise política, com a mana do rei às voltas com a justiça a rainha enterra o pouco que resta da casa real no lodo do dinheiro fácil de Madrid.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Teremos de comer a carne de porco que ia para a Rússia
   
«Cerca de 250 camiões de transporte de animais e de cereais, oriundos de vários pontos do país, estão a rumar a Lisboa para participarem num protesto contra a crise no setor da suinicultura. Em declarações ao Público, Vítor Menino, presidente Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS) fala em “mais de 300 camiões”. 

Os veículos estão neste momento a dirigir-se para o Terreiro do Paço, onde vários suinicultores já estão reunidos em frente ao Ministério da Agricultura. O grupo de camiões já chegou à Eixo Norte-Sul e está neste momento a bloquear o trânsito nas principais artérias da cidade. A maioria traz bandeiras negras e cartazes com a frase “consuma porco português”, que incentivam à compra de carne de porco nacional.  » [Observador]
   
Parecer:

Parece e que vamos ter de comer febras ao almoço e entremeada ao jantar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se aos suinicultores que procurem as suas zonas de conforto pois quando a Europa entrou na aventura russa ficaram em silêncio, talvez a pedido da Cristas.»

 E a geringonça lá vai andando

« primeira sondagem (feita uns dias depois de António Costa tomar posse como primeiro-ministro) eram apenas 0,7 décimas. Agora, são já três pontos que separam PS do PSD.

Se as eleições fossem hoje, e de acordo com o barómetro de março da Eurosondagem para o Expresso e SIC, os socialistas até poderiam começar a sonhar com uma "geringonça" diferente da atual, dado que os votos somados de PS (35%) e BE (9,2%) já chegam aos 44,2%, uma confortável maioria (embora ainda dificilmente absoluta). PSD e CDS ficam-se pelos 40%.

A popularidade de Costa aumenta em proporção: o chefe do Executivo soma mais 1,7% de pontos positivos do que há um mês. Só Paulo Portas cresce (ligeiramente) mais do que o primeiro-ministro 1,8%, que lhe permitem sair de cena com uns confortáveis 15,5% de saldo positivo.

Ao contrário do líder do CDS (que hoje mesmo deixa de o ser), Cavaco Silva atinge novos mínimos históricos e deixa o palco com um saldo negativo de 14,1 – menos 0,9 décimas do que no mês passado.» [Expresso]
   
Parecer:

Nada mau para uma geringonça.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao rpimeiro-ministro no exílio, degredado em Massamá.»

 DDT e do MP?
   
«O cenário surpreendeu o juiz Carlos Alexandre: a 24 de julho, depois de o Ministério Público ter proposto as medidas de coação a Ricardo Salgado - duas proibições, de contactar pessoas envolvidas no caso e de se ausentar do país, assim como ao pagamento de 1,5 milhões de euros de caução -, o magistrado judicial estranhou que a defesa do ex-banqueiro apenas tenha gasto três minutos a responder ao procurador e a aceitar prontamente o pedido do MP. Com ironia, Carlos Alexandre começou por dizer que até conhece o sistema anglo-saxónico, em que acusação e defesa negoceiam, mas, afirmou: "Não passa pela mente do juiz que alguma vez o MP tenha sancionado tal procedimento."

A consequência deste desentendimento, como foi já noticiado, passou pela decisão do juiz em colocar o ex-presidente do Grupo Espírito Santo (GES), suspeito de burla qualificada, falsificação de documentos, falsificação informática, branqueamento, fraude fiscal qualificada e corrupção no setor privado em prisão domiciliária de julho a dezembro de 2015, altura em que o próprio Carlos Alexandre deu por terminada a medida.» [DN]
   
Parecer:

Se o homem é DDT não admira que também possa ser o DDMP. O problema agora é saber se uo super juiz decide em função das regras ou das suas desconfianças.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

sexta-feira, março 11, 2016

Cem dias, cem diferenças

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A direita e o primeiro-ministro degredado em Massamá tentam passar a opinião de que não há alternativa à austeridade e que mais tarde ou mais cedo o governo terá de ceder ao peso da realidade. Quando dá jeito justifica-se  o que se fez com o memorando, depois promove-se a imagem do Passos revolucionário. Umas vezes apresenta-se a austeridade como inevitabilidade, outras defende-se que esta é uma via revolucionária a pensar no futuro. Mas são muitas as diferenças entre este governo e o governo dos mafarricos.

Neste governo não há um ministro das Finanças salvador, inspirado numa avó Prazeres das Beiras, a lembrar um outro que por lá nasceu. Não há um ministro das Finanças de quem se diz ser o verdadeiro primeiro-ministro e que todos esperam que venha a assumir esse cargo na primeira oportunidade. Não há um ministro das Finanças de quem se diz ser o homem de mão de entidades estrangeiras ou que anda a usar o país para que académicos duvidosos testem as suas teses. 

Neste governo não há agendas ocultas, não há renegociações do memorando feitas em segredo e sem divulgação de novas medidas, não se dão golpes da TSU decididas num dia e sobretaxas do IRS adoptadas no outro. Neste governo há um programa económico discutido com base em propostas apresentadas muito antes da campanha eleitoral. Não se inventaram desvios colossais nem pressões externas.

 Neste governo moderniza-se o Estado sem falsos guiões encomendados aos estrangeiros, apela-se aos contributos dos funcionários, reúne-se com as empresas, envolvem-se todas as entidades públicas e privadas. A reforma do Estado não feita por uns contra outros, para favorecer uns e prejudicar outros, para dar cobertura a ódios ideológicos ou como instrumento de negociação com ministros ambiciosos que de demitem de forma irrevogável.

  
Neste governo não se resolvem problemas financeiros orientando o aumento da carga fiscal no sentido de reduzir os rendimentos dos mais pobres, não se aumenta o IVA sobre bens essenciais como a alimentação ou a electricidade. Não se fazem desvalorizações fiscais com aumentos do IRS sore os rendimentos dos que trabalham para financiar as empresas através de reduções do IRC, não se acusa um povo de excesso de consumo para aumentar os impostos e reduzir os rendimentos dos que menos têm para consumir e menos consomem.

Neste governo não há agendas ocultas, não á um projecto de reformação do modelo económico e social de um país sem qualquer debate público, com base nas ideias que um qualquer maluco ou de um primeiro-ministro iletrado. 

Neste governo as decisões são assumidas pelo governo, sem desculpas, sem desvios, sem o recurso à chantagem externa, não há planos escondidos, não há mentiras eleitorais. Os cidadãos não são tratados como parvos ou como forças de obstrução que devem ser removidas recorrendo à mentira e à manipulação.

Neste governo não se combina com entidades externas as chantagens que estas devem fazer para que um povo amedrontado aceite a violação sistemática da Constituição. Neste governo não se reduz um Presidente da República a um banana que serve para passear no meio das cagarras ou para fazer apreciações sobre o sorriso das vacas da Ilha da Graciosa. 

Neste governo há muitas diferenças de que a direita e, em particular, o primeiro-ministro no exílio não gostam de falar.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Pierre Moscovici, comissário europeu

è uma pena que o comissário europeu não tenha concorrido à liderança do PSD, dessa forma faria todo o sentido comportar-se como líder da oposição, marcando há muitas semanas a agenda política do maior partido da oposição. O problema é que Moscovici tem mais credibilidade internacional do que o degredado em Massamá e não é possível dissociar as suas intervenções do comportamento dos mercados em relação `*a dívida portuguesa.

«De visita a Portugal, Pierre Moscovici garantiu esta quinta-feira que não discutiu quaisquer medidas adicionais com o Governo, remetendo para maio uma decisão sobre esse assunto.


“Não discutimos quaisquer medidas por uma razão simples: primeiro a discussão do Orçamento do Estado para 2016 ainda está a decorrer - na especialidade - e depois porque o Governo ainda tem que entregar em abril o Programa nacional de reformas e de Estabilidade”, afirmou o comissário europeu dos Assuntos Económicos numa conferência de imprensa conjunta com o ministro das Finanças, Mário Centeno.» [Expresso]

 O Dia da Mulher em Portugal

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Em Portugal o Dia Internacional da Mulher parece ser uma iniciativa de uma revista feminina, é só glamour, jornalistas com boa perna e muito sucesso, ferozes defensoras dos bons valores que chegam a líderes partidários sem concorrentes, empresárias de sucesso, políticas levadas ao colo pela comunicação social. Em Portugal não á mulheres que ganham miseravelmente, mulheres a quem são retirados filhos porque não têm recursos para lhes proporcionar o que as senhoras da Segurança Social exigem para que se se possa ser mãe, mulheres assediadas por patrões, mulheres assassinadas quase todos os dias.

Dir-me-ão que se optou por esconder as misérias, um hábito muito nosso, em vez de mostrar as situações que no final do século XIX levou a que o dia fosse institucionalizado e que em Portugal ainda são muito comuns, opta-se por mostrar os exemplos bem cheirosos da nossa sociedade, como se fossem um guia para alcançar o sucesso, como se o que está em causa não fosse a defesa de direitos mas sim a preguiça de quem não luta por mais na vida.

A mensagem que se passou e que uma jovem nascida em Rabo de Peixe numa família sem recursos pode chegar a líder do CDS, a dar nas vistas no BE ou a ter um programa de televisão, para tal basta ter boas pernas, cabeça e ambição. O Dia Internacional da Mulher é o dia das Cristas, das Catarinas e da Dadinhas. Por aquilo que vimos não faz sentido a comemoração do Dia Internacional da Mulher, mas sim o Dia Nacional Das Mulheres Bem Sucedidas.

 Educação oblige

A  direita jornalística ficou muito indignada porque o PCP e o BE não aplaudiram o discurso do Marcelo, como se em democracia fosse de bom tom aplaudir ideias com que não se concorda. Mas ninguém se indignou porque um presidente do PSD em vez de ir à posse de outro presidente do PSD no cargo de Presidente da República, o candidato supostamente apoiado pelo partido, optou por ir dizer umas baboseiras a uns bifes promissores em vez de aceitar o convite ara o almoço qe lhe foi dirigido pelo Presidente da República.

Esta nossa direita do Observador é mesmo muito rigorosa e exigente com o protocolo.

 Um plano B para o OE ou um plano B para Passos Coelho

O plano A de Passos Coelho era o derrube do governo às boas, com eleições antecipadas, ou às más, com um segundo resgate. à medida que o temo passa parece qe o degredado de Massamá adopta um segundo plano, o plano BE que consiste em forçar o governo a adoptar medidas de austeridade adicionais não para que sejam aplicadas, mas para que Passos Coelho tenha como fazer oposição. Se a coisa não correr como espera é fácil de perceber que Passos vai pedir aos seus amigos do Eurogrupo e da Comissão que comecem a pedir um plano C.

Fica-se com a sensação de que este degredado de Massamá em um qualquer fetiche sexual.

      
 Quero lá saber do Benfica!
   
«O FC Porto foi a São Petersburgo ganhar ao Zenit e passar à fase seguinte da Champions. O treinador do Zenit é o português André Villas-Boas, facto que faz do Zenit o único clube russo em que os portugueses conhecem o treinador.

No fim do jogo, Villas-Boas, que é sobrinho-neto do 2º barão de Paçô Vieira e trineto do 1º barão de Paçô Vieira (o que faz, ao André, no campeonato da genealogia, estar quase a apanhar o sr. Silva, dono do meu café, que é Silva há cinco gerações), no fim do jogo, dizia eu, o treinador do Zenit disse uma coisa que me encanita.

Disse ele, quando lhe perguntaram o que poderia ser a carreira do FCP na Champions: "Não me preocupa muito, como devem calcular. Não sou portista. Apesar de ser português, não me interessa muito até onde o FCP pode chegar na Liga dos Campeões." E acrescentou: "Peço desculpa mas é a minha sinceridade."

Qualquer treinador de outro clube russo teria desejado boa sorte ao clube adversário que limpamente acabara de o derrotar. Mas, lá está, vai para cem anos que a Rússia acabou com condes e grão-duques e ela ficou sem a patine do que parece ser a sinceridade casca grossa, apanágio dos Paçô Vieira há séculos.

Sobre educação, é tudo. Mas o que me preocupa, e muito, é o erro a que pode chegar um emigrante apaparicado pela Nação. Acontece que a condição de português, não de adepto dum clube, deu e dá a André Villas-Boas um eco que lhe permite ser conhecido, por cá, como o treinador português que treina clubes estrangeiros, e, lá fora, como treinador que é de um país que dá bons treinadores.

O eco (jornais, televisões, conversas de café...) dessa condição de português, de alguma forma terá contribuído para alindar os contratos que AVB tem assinado, mundo fora. Muitos adeptos fanáticos de clube português gritam o seu desprezo por outros clubes portugueses, mesmo quando estes estão em competições internacionais. É o direito duma opinião livre. Eles podem tê-la porque não ganham nada do futebol português. Ora, AVB tem ganho.

AVB começou aprendendo num clube português, encostou-se na carreira internacional a um treinador português e quando começou a carreira sozinho veio para um clube português. Os jornais portugueses oferecem-lhe um destaque contínuo que ele não tem pelos países por anda anda. Não seria pedir-lhe muito que, no estrangeiro, ele não apoucasse um clube português, um dos dois únicos, com o Braga, que continuam em provas europeias.

No fundo, o AVB deveria aprender alguma coisa, por exemplo, com Alfredo Vieira Coelho Peixoto Pinto de Vilas-Boas (1860-1926), 2º barão de Paçô Vieira, seu tio-avô. Este nasceu no norte, em Braga. Mas não cuspiu em outras regiões do país, porque reconheceu nelas o todo em que ele fez a carreira: juiz em Portalegre, deputado pelos Açores, administrador da Companhia de Moçâmedes... Não lhe viria à cabeça, pelo amor especial a uma parte do norte, menosprezar, publicamente e no estrangeiro, o resto.

E o que Alfredo não podia fazer, André faz, porque é futebol? Dou de barato, talvez sim. No futebol pode ser-se tolo à vontade. A contar com isso, troquei nos primeiros parágrafos o FC Porto pelo Benfica (foi o Benfica que jogou na Rússia, e André Villas-Boas é portista, desprezou o Benfica e não o FC Porto). A troca foi para sublinhar que qualquer que fosse o clube (aliás, esses ou outros) a tolice seria a mesma.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 O PCP e as "esganiçadas"
   
«O PCP publicou esta quarta-feira no seu site oficial uma carta que enviou à direção de Informação da TVI onde reclama do tratamento dado pela estação ao Dia Internacional da Mulher.

O partido questiona a razão pela qual as suas iniciativas levadas a cabo no dia 8 “por todo o território nacional” - incluindo um “almoço organizado pela Célula dos trabalhadores comunistas na Câmara Municipal da Moita, com a presença do Secretário-Geral” - tiveram apenas direito a 8 segundos de tempo de antena no Jornal das 8 da estação, quando figuras de outros quadrantes políticos tiveram direitos a segmentos inteiros.

Destas personalidades, convidadas a falar da ‘liderança no feminino’ e ‘política no feminino’, é destacado: a peça de 2 minutos assignada à “iniciativa promovida pela candidata, ainda não-líder, à liderança do CDS” na Assembleia da República e “Catarina Martins e Mariana Mortágua para uma entrevista no Jornal das 8 de 12 minutos, seguindo-se mais 20 minutos na TVI 24 com Mariana Mortágua e Marisa Matias”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O PSD que não se preocupe, pode ser que quando o tema for enriquecimento a TVI convide Cavaco, dias Loureiro e Oliveira e Costa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Este Draghi anda a estragar os planos ao degredado
   
«Depois de várias semanas de subidas progressivas que fizeram renascer o medo de uma nova escalada rumo a taxas pré-resgate, os juros da dívida portuguesa estão a aproveitar a ajuda crucial do Banco Central Europeu para entrar em queda livre. O aumento do dinheiro disponível para comprar ativos na zona euro, incluindo dívida portuguesa, teve como consequência um regresso do otimismo e está a levar os investidores a esquecer o contexto político nacional.

Ao longo dos últimos dias, desde o Parlamento ao outro lado do mundo, têm-se multiplicado os receios de um regresso ao difícil contexto anterior ao resgate do BCE, FMI e Comissão Europeia, mas no espaço uma hora, tudo mudou. O discurso de Mario Draghi onde foi anunciado o corte das taxas de juro e o aumento do montante do programa de compra de dívida provocou um colapso nas taxas de juro, que desceram mais de 7% a dez anos e mais de 8% a cinco anos entre as 12h30 e as 13h30.

Com o passar dos minutos, a tendência equilibrou-se, mas ainda assim as quedas a cinco anos estão acima dos 5% em relação ao valor de abertura e a dez anos já ultrapassam os 4%, tendo em conta as trocas entre investidores.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Percebe-se a razão porque Passos era contra qualquer intervenção do BCE nos tempos em que queria ir muito além da austeridade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

quinta-feira, março 10, 2016

Gente fina é outra coisa

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Segundo a nota divulgada à imprensa, Pedro Passos Coelho vai participar numa iniciativa da sociedade privada Oxford Union na qual estarão presentes "os jovens políticos de amanhã". A Oxford Union organiza debates com líderes internacionais, como David Cameron e Dalai Lama.

Passos Coelho foi à posse, avisou que Marcelo não teria vida fácil e deixou o “catavento” entregue aos outros convidados porque ele tinha coisa mais fina onde estar, o futuro do país não passava entre duas garfadas cerimoniais e muito menos num canto da mesa entre a matrona de um general e uma qualquer prima o afastado do cata-vento. Além disso, se D. Duarte, o rei em trono, não tinha sido convidado, um primeiro-ministro condenado ao degredo de Massamá também não faria muita falta.

O futuro não estava na Ajuda e do meio de centenas de convidados que jogavam à roleta russa aa se saber quem seria condenado a sentar-se ao lado do degredado numa qualquer freguesia de Sintra a ajuda que poderia encontrar para que lhe fosse devolvida a residência de São Bento também não era muita. O futuro estava entre os jovens promissores, ainda por cima em Oxford, localidade que soa a inteligência, brilhantismo, superioridade intelectual, tudo qualidades que, como e sabido, abundam no jovem politico promissor.

O próprio PSD explicou no comunicado de imprensa que o seu líder ia falar aos jovens políticos de amanhã, isto é, entre os cata-ventos ferrugentos da Linha da Cascais, os tais cata-ventos sulistas e liberais (isto e piada para o Menezes, que não deve andar a dormir bem nestes dias): O próprio comunicado fez questão de explicar aos pacóvios que Passos Coelho não era um primeiro-ministro exilado qualquer, ele foi convidado para estar entre nomes como o de David Cameron e Dalai Lama.

Passos é coisa fina e tinha de escolher estar entre os jovens promissores de Londres ou ter de fazer sorrisos ao catavento e, pior do que tudo, ao primeiro-ministro golpista que lhe tirou o lugar. Como se pode ver na imagem Passos preferiu estar entre os jovens promissores do que entre a tralha de um povo piegas de gente conservadora e com medo de ir buscar zonas de conforto nas escolas de Angola ou de Timor.

É para que saibam que o degredado de Massamá não é um merdas qualquer, pode ser um merdas mas é um merdas fino, não é um qualquer tuga que ascende ao estatuto de grande líder ao nível do Dalai Lama, ainda que neste caso a lama não seja apelido e costuma ser mais frequente na sola das botas do que nas conferências de Oxford. É caso para dizer que a Lusíada é a Oxford dos tugas, na semana passada a Maria Lís passou a frente dos doutorados da London School, agora foi outro licenciado da grande universidade portuguesa a ir a Oxford, um dia destes ainda vamos ver o marco António  a dar uma conferência sobre gestão autárquica para a Kate Middleton na Universidade de St. Andrews, onde ela conheceu o herdeiro. Depois doa pasteis de nata é a nata da direita que está na moda.


Umas no cravo e outras na ferradura


    
 Jumento do dia
    
Maria Luís Albuquerque

A Arrow fez um excelente negócio com a contratação desta funcionária da Direcção-geral do tesouro que não parece querer voltar a ser a funcionária pública de que, na hora  de justificar a austeridade brutal, tanto gostava de ser, é que com os benefícios fiscais que recebeu tem dinheiro para pagar à sua nova funcionária durante um bom par de anos.

«Os novos patrões da ex-ministra das Finanças tiveram benefícios fiscais entre 2012 e 2014, avança hoje o jornal Expresso, depois de ontem os deputados da subcomissão de Ética terem solicitado documentos ao Governo sobre a relação do Estado com a Arrow.

De acordo com o Expresso, as empresas Gesphone e Whitestar Asset Solutions S.A, adquiridas pela Arrow Global em 2015, tiveram benefícios fiscais num total de 381,7 mil euros entre 2012 e 2014, segundo informação disponibilizada pela Autoridade Tributária.


O jornal avança que a maioria do benefício foi para a Whitestar, num total de 362,5 mil euros, dos quais 198 mil foram para a criação de emprego e os restantes 163,7 para o crédito fiscal ao investimento. Para a Gesphone - Serviços de Tratamento e Aquisição de Dívidas SA o benefício foi de apenas 19,2 mil euros em 2013, a maioria resultante do crédito fiscal ao investimento.» [DN]

 Kim Jong Un, o surfista.

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Por este andar ainda vamos ver o Bernardino de Loures conseguir uma medalha de ouro no Jogos Olímpicos do Rio no salto à vara!

 Duas dúvidas sobre Marcelo

Quando Marcelo Rebelo de Sousa fala em pacificar e em recriar convergências acredita que isso é possível com um Passos Coelho que aposta num segundo resgate e que cada dia que passa tudo faz na esperança de uma subida das taxas de juro? Como será que Marcelo vai reagir às tentativas evidentes por parte do PSD para que a direita europeia leve a Comissão Europeia a impedir ao governo português a bisca de caminhos diferentes da brutakl desvalorização fiscal promovida por Passos Coelho?

      
 E só agora é que o Alberto reparou?
   
«O ex-presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, diz que ainda não foi notificado para ir falar a tribunal, na qualidade de arguido, no âmbito do processo Cuba Livre, no dia 20 de abril, como noticiou a Sábado.

“Eu não estou notificado para nada. Como é que essas coisas são sabidas primeiro pelos jornais e não pelas vias competentes?”, questionou Alberto João Jardim, em tom retórico. “O que mostra que há aqui qualquer coisa de político metido nisto. Estamos no plano de tentativa de instrumentalizar a justiça para fazer vinganças políticas”, rematou, em declarações à RTP.

“Tanto quanto eu sei sobre isso esse processo foi arquivado pelo Ministério Público”, acrescentou o ex-governante, dizendo não saber “que legitimidade” terão os assistentes que reabriram o processo.» [Observador]
   
Parecer:

Isto de não estar no poder é uma chatice, principalmente se esse poder era absoluto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria--se.»
  
 Outro...
   
«O ex-presidente da Câmara de Gaia e ex-conselheiro de Estado Luís Filipe Menezes considerou “abusiva” a associação do seu nome à investigação sobre a empresa municipal Gaianima e afirmou-se “disponível” para colaborar com a justiça.

“Há meses que não estou sujeito a qualquer tipo de imunidade. No entanto, não posso deixar de informar também que, até esta data, numa fui confrontado com a necessidade de dar qualquer tipo de esclarecimento sobre a minha gestão municipal de 16 anos”, destaca, em comunicado enviado à agência Lusa, o ex-autarca e ex-conselheiro de Estado, que garante não ser “arguido ou testemunha em qualquer processo”.

A Polícia Judiciária (PJ) realizou terça-feira 24 buscas à Câmara de Gaia, empresas e domicílios, no âmbito de uma investigação ligada à gestão da antiga empresa municipal Gaianima, extinta em 2015. Segundo a Procuradoria-Geral Distrital (PGD) do Porto, ainda não foram constituídos arguidos.» [Observador]

«Pedro Alves, proprietário da sociedade unipessoal Desporto Vivo, desmente que a empresa organizadora de eventos e de gestão de recintos desportivos esteja associada a Pedro Menezes, um dos alvos das buscas efetuadas esta terça-feira pela Polícia Judiciária à Câmara de Vila Nova de Gaia e ao domicílio de antigos ex-diretores da Gaianima e antigos prestadores de serviços à empresa municipal extinta em 2015.

Ao Expresso, Pedro Alves escusou-se a confirmar se a Desporto Vivo, com sede no Porto, foi alvo de buscas, recusando ainda adiantar o tipo de contratos de ajuste direto celebrados com a Gaianima nos mandatos de Luís Filipe Menezes, pai de Pedro Menezes, enquanto autarca da cidade. “Não vou revelar informações confidenciais da empresa”, referiu o dono da empresa que em 2009 e 2010 assinou dois contratos de ajuste direto, no valor total de quase 125 mil euros.» [Expresso]
   
Parecer:

O senhor era presidente da câmara e agora não quer que se lembrem do seu nome. Ainda por cima o filho está a ser investigado...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  

quarta-feira, março 09, 2016

A segunda primavera marcelista

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A história em destas coisas, Marcelo Caetano foi anunciado como a primavera marcelista, quase meio século depois o seu homónimo e quase afilhado chega a Belém a poucos dias do início da primavera e volta a sentir o fim do cheiro a bafio, do bafo malcheiroso bafo cavaquista, com uma mudança política, desta vez na Presidência da República. Temos uma segunda primavera marcelista e esperamos que não volte a ser uma desilusão, como sucedeu da outra vez.
  
Mas as coincidências não se ficam por aqui, Marcelo substituiu Salazar depois de o ditador ter caído de uma cadeira de lona no forte de Santo António do Estoril, tendo batido com a cabeça no chão de pedra, até ao seu fim esteve convencido de que era presidente do Conselho. Por coincidência Passos Coelho caiu da cadeira nas últimas eleições, ainda não se percebeu muito bem se o malogrado primeiro-ministro bateu com a cabeça nalgum lado, o certo é que anda por aí de bandeirinha, convencido de que ainda é primeiro-ministro. Os seus ministros continuaram a falar com Salazar como se ainda fosse presidente do Conselho, agora são so autarcas do PSD que convidam Passos para escolas que funcionam há dois anos e o primeiro-ministro no exílio faz as inaugurações como se ainda cheirasse a cimento.

O Benfica lidera o campeonato, Passos Coelho está no exílio e inaugura escolas no seu roteiro dos autarcas do PSD, Cavaco assistiu sem desmaiar ao seu enterro político e Marcelo tomou posse acompanhado dos ministros do governo de António Costa, alguns deles perigosos elementos de um bando criminoso que foi acusado de fazer escutas a Belém. Os adeptos do SCP e do FCP que me perdoem, mas é um dia quase perfeito, melhor só se fosse o primeiro dias da primavera e feriado.
  
Chega de Cavaco, chega daquela imagem do Nunes Liberato a acompanhar as visitas à sala de trabalho, chega dos Catrogas e da seita da Quinta da Coelho a ser convidada a ir opinar a Belém só para vomitarem paras as televisões, chega da dona Maria, chega de carapaus alimados, chega de declarações sobre a honorabilidade de amigos como os Dias Loureiro, chega.
  
Marcelo é um homem com defeitos, até pode ser um divertido catavento, mas em relação ao que o país aturou nos últimos quatro anos é uma lufada de ar fresco, até poderá fazer intriga mas fá-lo-á com a classe que Cavaco e o seu braço direto Fernando Lima não têm. Até poderá dizer umas mentiristas,  mas se as compararmos com as mentiras de Passos Coelho teremos de concluir que para que para Passos ser menos mentiroso teria de nascer três vezes, o equivalente a ser metido três vezes por lixívia.
  
Macelo pode ser o pior ou o melhor dos presidentes, tendo nascido num berço de ouro do outro regime está bem menos à direita do que o actual PSD. Talvez nos surpreenda na Presidência e dê uma ajuda preciosa para que o país saia do marasmo. 

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva, pensionista

Cavaco nunca viu o povo português como um povo, nunca aceitou as diferenças, nunca teve respeito pelos que com ele não concordavam ou pelos que com ele não rezavam, Cavaco sempre foi um homem de pouca grandeza, mesquinho e, pelo que se viu no caso das escutas a Belém, um político sem escrúpulos e sem o mais pequeno respeito pelas regras da democracia. Não admira que na hora de despedida não seja capaz de referir apenas "povo português", para eles há duas dois povos, o povo português que é o dele e o "povo português sem excepção" que é o povo dele e aqueles a que se referia sempre por outros.

Hoje é o primeiro dia do fim do cavaquismo ainda que seja certo que ele vá aparecer de vez em quando dizer que bem disse, que bem avisou, que bem escreveu.

«É uma mensagem de agradecimento com apenas cinco parágrafos, dirigida “a todos os portugueses”, “sem excepção”. No último dia no cargo, o Presidente da República cessante diz ter sido “uma honra” servir o país na Presidência e “um privilégio contactar directamente com milhares de portugueses e percorrer o país nas jornadas” que realizou nestes dez anos em Belém.

“Sinto, pois, o dever de transmitir um agradecimento muito especial a todos os portugueses. Aos que em mim votaram e aos que não me apoiaram. A todos, sem excepção, estou profundamente grato. De todos guardo boas recordações, por todos tenho um sentimento de profunda gratidão. Foi um privilégio poder servir os portugueses”, escreve Cavaco Silva, menos de 24 horas de deixar o cargo.

Tal como já dissera na segunda-feira, ao ser homenageado pela Câmara de Cascais, o Chefe de Estado sublinha que agiu sempre se acordo com o interesse nacional. “Durante dez anos, procurei corresponder à confiança que em mim depositaram, agindo com sentido de responsabilidade e independência, trabalhando com rigor, seriedade e determinação na defesa do superior interesse nacional”.» [Público]

 O presidente pequenino

É normal recordarmos os líderes que marcaram a nossa história pela positiva, não foram muitos e alguns deles nem estavam muito preocupados com a nação, mas a memória colectiva ajuda-nos a recordar o que de bom se fez. Talvez por isso passemos o tempo a homenagear o Viriato, que não era assim tão tuga quanto isso, o D. Afonso Henriques que deu uma coça na mãe, os descobridores e o Marquês de Pombal.

Convenhamos que para mais de mil anos não é grande coisa, mesmo que acrescentemos personalidades como o Egas Moniz, a Padeira de Aljubarrota ou o Carlos Lopes. Mesmo assim são os suficientes para esquecermos aqueles que durante uma boa parte do tempo geriram as longas brancas da nossa memória colectiva.

E se durante longos períodos pouco restou para a nossa memória colectiva também são muitos que passaram pelo poder e de quem ninguém se lembra ou, como será o caso de Cavaco Silva, ninguém se irá lembrar. Como  povo costuma dizer, dos parvos não reza a história. No caso de Cavaco Silva o termo parvo até é muito simpático, basta recordar o episódio das escutas a Belém para percebermos que qualquer adjectivo apropriado para este senhor implica fazer ofensas ao Presidente da Pública, delito que o Código Penal pune com uma pena que pode ir até três anos de prisão.

Cavaco foi um homem pequenino, um político que marca as últimas décadas da nossa história pela falta de grandeza, pela mesquinhez, pelo novo riquismo, pelo oportunismo, pelo golpe baixo. Cavaco está associado ao que de muito mau aconteceu neste país, não admira que tenha deixado o cargo de primeiro-ministro com os cofres vazios e a pagar aos funcionários com títulos do Tesouro e deixe a Presidência com o país mergulhado numa profunda crise política, económica e social.

Cavaco vai ser um presidente de má memória e é merecedor da forma pouco digna como acaba o mandato, acaba dez anos de presidência de uma forma quase miserável, depois de semanas a distribuir medalhas faz o seu último discurso numa cerimónia montada por um acólito de Cascais, um discurso sem dimensão, sem conteúdo, sem qualidade, um discurso à imagem do político que sempre foi.

A Primavera começa no próximo dia 20, mas hoje é o último dia do inverno cavaquista, amanhã ninguém  se irá lembrar deste homem pequenino que em má hora marcou a vida política portuguesa. Foi o homem pequenino que numa declaração à PIDE orgulhava-se de não se relacionar com a sogra porque essa “criminosa” se tinha divorciado, que protagonizou o episódio das escutas a Belém, que um dia disse querer ajudar Mário Soares a terminar o mandato presidencial com dignidade, que recusou uma pensão a Salgueiro Maia para da dar ao inspector da PIDE.
Em Coimbra temos o Portugal dos Pequeninos, em Oeiras temos o Parque dos Poetas, na teremos o Portugal dos Mesquinhos.

 Proxenetismo internacional

É aquilo que se está passando na relação entre a Turquia e os refugiados, o governo Turco tem gerido o problema dos refugiados sírios para atacar a Grécia com uma vaga de problemas adicionais, para fazer chantagem sobre a Europa, para que fechem os olhos ao que faz aos curdos e para forçar a entrada na UE.

      
 Eles (justiça) andam por aí
   
«A Polícia Judiciária do Porto está realizar nesta terça-feira buscas na Câmara de Gaia, no âmbito de uma investigação ligada à gestão da antiga empresa municipal Gaianima, extinta em meados de 2015, confirmou ao PÚBLICO fonte policial.

Em causa estão vários crimes, entre eles o de administração danosa, que terão ocorrido durante os mandatos de Luís Filipe Menezes na presidência da autarquia, tendo fonte da PJ confirmado que a operação está relacionada com um inquérito que não visa directamente o antigo presidente da câmara. Menezes, que está a ser investigado no âmbito de outros processos, goza de imunidade por fazer parte do Conselho de Estado, o órgão consultivo do Presidente da República. Porém, com a tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa esta quarta-feira, todos os membros do Conselho de Estado de Cavaco Silva perdem o estatuto e a imunidade, passando a existir um novo órgão.

A operação, que inclui nove buscas, algumas delas domiciliárias, terá começado manhã cedo, pelas 7h. Além das instalações camarárias, a PJ visitou casas de alguns ex-administradores daquela empresa municipal. A meio da tarde desta terça-feira, inspectores da Polícia Judiciária ainda estavam na empresa municipal Gaiurb para recolher documentação informática que estava na posse do antigo director financeiro da Gaianima, que agora trabalha nesta segunda empresa.» [Público]
   
Parecer:

Veremos se alguém do PSD vem dizer que acabou o tempo da impunidade ou a elogiar a maralha de "Mação".
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelos comentários.»
  
 Ena, tanta inspecção fiscal a Sócrates
   
«Alguns dos processos disciplinares a funcionários da Autoridade Tributária estão relacionados com a consulta de informações fiscais do ex-primeiro-ministro, José Sócrates, escreve o Diário de Notícias, acrescentando que não estão diretamente relacionados com a Operação Marquês. O jornal não precisa porém quantos processos estão diretamente relacionados com o ex-governante.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, Paulo Ralha, já, na segunda-feira, tinha vindo dizer que havia neste momento 29 processos disciplinares a funcionários da Autoridade Tributária, 15 dos quais deram entrada já no presente ano. Desde setembro de 2014, o sindicato contabilizou 150 processos, dos quais cerca de uma centena deram origem a uma pena suspensa com repreensão escrita.

Paulo Ralha afirmou que o número de processos disciplinares não aumentou, mas que muitos dizem respeito a pessoas de renome “ligadas ao setor financeiro, políticos, empresários”. Disse mesmo que a Lista VIP de contribuintes foi alargada.

“O que se está a passar, hoje em dia, é que a Lista VIP tal como existia anteriormente, formalmente construída em torno de quatro nomes, deixou de existir, mas criaram-se uma série de filtros que já não protegem apenas quatro pessoas, mas protegem um número indeterminado de figuras mediáticas do campo político, dos negócios ou das finanças”, garantiu Paulo Ralha.» [Observador]
   
Parecer:

Segundo um conhecido sindicalista deve haver liberdade de vasculhar, apenas se proíbe a divulgação.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Que mal terão os professores?
   
«A candidata à liderança do CDS-PP, Assunção Cristas, recusa comentar o caso da contratação de Maria Luís Albuquerque, mas alerta que apertar as incompatibilidades pode levar à profissionalização da política ou um parlamento composto apenas por professores.

"Não comentarei casos particulares, não o farei, ainda, para mais com a Maria Luís Albuquerque, fomos colegas de Governo, que eu admiro, e creio que fez um trabalho que o país deve agradecer. Esse debate sobre incompatibilidades não deve ser feito por políticos. Os políticos são parte interessada", afirmou Assunção Cristas.» [DN]
   
Parecer:

Até parece que a futura líder do CDS acha que ser professor é menos digno do que ser advogada ou funcionária da direcção-geral do tesouro. Antes um parlamento de professores do de fundamentalistas católicas, de advogados corruptos e de políticos sem ética! Esta senhora é um robusto hipopótamo numa loja de porcelana.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  

terça-feira, março 08, 2016

Mais uma branca na nossa história

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Em 2016 o primeiro dia da Primavera ocorre no próximo dia 20, mas a verdade é que se formos ao campo os sinais da primavera surgem por todos os lados. O mesmo se vai sentindo um pouco pelo país e o dia de hoje poderia muito bem ser considerado o último de um longo inverno cavaquista.

As democracias não são perfeitas e Cavaco é a prova disso, um dia vamos interrogar-nos como é que uma personalidade como Cavaco Silva conseguiu ganhar eleições legislativas, com duas maiorias absolutas e depois de todo o que se soube sobre os seus amigos e após uma derrota, ainda conseguiu marcar o país com dois mandatos presidenciais.

Como é que alguém que escolheu em manteve Dias Loureiro como membro do Conselho de Estado ganhou eleições? Como é que alguém que permitiu que o seus gabinete lançasse as falsas acusações de escutas telefónicas sobrevive no cargo? As perguntas poderiam ser muitas, as suficientes para que estejamos perante um case study da vida política.
 
Nunca saberemos tudo sobre Cavaco Silva, nunca saberemos se era o dinamizador de projectos ou o viciado em sondagens de opinião, se as suas prateleiras estavam cheias de planos para novos empreendimentos ou os resultados dos estudos de opinião. Nunca conheceremos as suas relações com o poder ou com a justiça, nunca nos será dito porque motivo em três mandatos de primeiro-ministro a justiça foi tão inoperante perante tanta evidência de corrupção.

Talvez o melhor seja esquecer Cavaco, ignorá-lo, transformar a sua passagem pelo poder em mais uma das muitas brancas da nossa história, as brancas que nos permitem ignorar os muitos que marcaram este país pela negativa e que não queremos recordar.

Umas no cravo e outras na ferradura


   
 Jumento do dia
    
António Saraiva, presidente da CIP

A lógica defendida pelo presidente da CIP para justificar o trabalho precário é a pior, é a da chantagem. Também poderia dizer que é melhor ser escravo e ter refeições do que morrer de fome.  Há sempre situações bem piores do que aquelas de que nos queixamos, mas isso não pode ser usado para justificar tudo.

«O presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal afirma que é preferível “ter um contrato a termo, com regras e respeito pelo ser humano, do que ter mais um desempregado”. Sobre um terceiro mandato à frente da confederação dos patrões, António Saraiva diz que ainda tem “força e ideias” para os próximos anos na concertação social.


Em entrevista ao Diário Económico, o líder dos patrões em Portugal assegura que a redução selectiva da TSU seria importante para maior competitividade. “Continuaremos a lutar por esse objetivo, quer o Governo e outros parceiros sociais queiram ou não”, afirmou António Saraiva. A precariedade foi outro tema abordado por presidente da CIP. “Mais vale ter trabalho precário do que desemprego. Numa situação como aquela em que está a economia, prefiro ter um contrato a termo, com regras e respeito pelo ser humano, do que ter mais um desempregado”, afirmou Saraiva.» [Observador]

      
 Turquia ganha com "negócio" dos refugiados
   
«A União Europeia está disponível para duplicar o pacote financeiro de três mil milhões de euros atribuído à Turquia para o acolhimento no país de refugiados sírios, se em contrapartida Ancara se comprometer a reforçar as suas acções na fronteira para travar o fluxo migratório com destino ao território europeu.

Segundo um novo documento de trabalho que está a circular entre os 28 chefes de Estado e de governo da União Europeia, reunidos numa cimeira extraordinária com a Turquia para discutir a crise de refugiados, Bruxelas poderá duplicar a sua anterior oferta (três mil milhões de euros), fechada no Verão, e transferir mais três mil milhões de euros até ao fim de 2018, se Ancara assumir a responsabilidade pela população que está actualmente retida na Grécia - refugiados sírios, mas também migrantes vindos do Iraque, do Afeganistão ou do Norte de África, num total que pode ascender a mais de 40 mil pessoas.» [Público]
   
Parecer:

A Turquia está usando os refugiados enquanto apoia o ISIS.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Pobre Cavaco
   
«Enquanto foi Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva diz ter procurado agir “sempre, em consciência, de acordo com o superior interesse nacional, no cumprimento da Constituição da República e sem olhar a outro critério que não o da procura de um futuro melhor para as novas gerações de portugueses”.

Numa cerimónia em Cascais, onde recebeu a chave da cidade, naquela que foi muito provavelmente a sua última intervenção pública enquanto Presidente da República antes de deixar o cargo na próxima quarta-feira, Cavaco Silva afirmou que “muito para além dos ciclos políticos e da conjuntura”, é “testemunha de que há um país que não desiste e de que há um povo que honra as vitórias, as conquistas e as Descobertas que ilustram a nossa História”.

Num pequeno discurso de cinco minutos e meio, o Presidente salientou que durante os seus mandatos procurou “mostrar muito do melhor que temos no país, ir ao encontro dos casos de sucesso empresarial, dos bons exemplos de intervenção social e cultural, das realizações que traduzem o espírito lutador que verdadeiramente nos define como povo”.» [Público]
   
Parecer:

Acaba o mandato numa pequena cerimónia oferecida por uma autarquia de um incondicional de Passos Coelho...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Outra vez a Lista VIP
   
«"O controlo de sigilo fiscal funciona apenas sob pessoas mediáticas e a 'lista VIP' inicial está neste momento alargada", disse Paulo Ralha à Lusa, defendendo que esta lista não honra a democracia e provoca "constrangimentos graves", no combate à fraude e evasão fiscal, porque leva à "autocensura" dos próprios funcionários da Autoridade Tributária (AT).

A existência da designada 'lista VIP' na AT foi conhecida em finais de setembro de 2014 e terá começado por causa de um filtro criado para quatro contribuintes (Presidente da República, Cavaco Silva, ex-primeiro-ministro Passos Coelho, ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas e ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Paulo Núncio) que, de cada vez que eram pesquisados, davam origem à emissão de um alerta no sistema, por muitos considerado um procedimento discriminatório de proteção do sigilo fiscal de alguns contribuintes, mais mediáticos.» [DN]
   
Parecer:

O que terá a democracia que ver com o voyeurismo fiscal? Parece que sempre que este sindicalista quer tramar um director-geral volta à lista VIP.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «lamente-se o espectáculo.»