sábado, março 26, 2016

O país que somos

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O país visto a partir de Lisboa quase parece ser um país desenvolvido, é essa a imagem que passam as elites citadinas, desde os jornalistas aos políticos. Mas a verdade é que Portugal é um dos países mais pobres da União Europeia, não é o país rico onde um Pires de Lima não usava sapatos aí fabricados.

Mas, infelizmente, de vez em quando somos confrontados com a realidade, com o país que somos, com o Estado ineficaz que temos, com os empresários de expedientes que se multiplicam na economia. Foi o que sucedeu com o acidente em França, onde mataram doze emigrantes. Mas se não fosse a avidez da nossa comunicação por sangue. O assunto mal teria sido notícia, emigrantes que morrem numa estrada de Espanha não merecem muita atenção, todos os anos morrem muitos e quase ninguém dá por isso.
  
A nossa comunicação social é tão distraída que mostrava as imagens de uma furgoneta a que chamavam “mini bus”. Era mais que óbvio que naquele veículo dificilmente caberiam treze pessoas e que aquilo eras uma lata de sardinhas com duas janelas e um para-brisas. Foram as autoridades francesas que repararam no absurdo de uma carrinha de seis lugares transportar doze numa viagem de quase dois mil quilómetros. Foram as mesmas autoridades que repararam na idade do condutor, dezanove anos, um motorista inexperiente e sem idade legal para transportar passageiros.
  
O país ficou a saber que muitos dos nossos concidadãos viajam enlatados em veículos e transporte de mercadorias, conduzidos por motoristas com 19 anos, sem qualquer experiência e sem quaisquer controlos das horas de sono ou da velocidade. De certeza que temos legislação mais do que suficiente para impedir isto, mas as nossas autoridades andam mais entretidas na caça de multas fáceis, para encherem os cofres das polícias, receita necessária para carros novos e para financiar as passagens à reserva.

Doze mortos deveriam ser mais que suficientes para que tocasse um sinal de alarme, quantos emigrantes são transportados nestas condições, quantas falsas empresas de transportes se aproveitam de um negócio sem regras e sem impostos, quantos portugueses morrem neste negócio duvidoso?
  
Mas não, ninguém se incomodou, podem morrer portugueses nas estradas da emigração, uma dúzia de cada vez, mais importante do que isso foi o saco de plástico que alguém perdeu na estação de comboios de Entrecampos que levou a polícia a parar meia capital numa grande encenação de combate ao terrorismo.


Umas no cravo e outras na ferradura


      
 Uma boa notícia
   
«O secretário da Defesa norte-americano Ash Carter anunciou esta sexta-feira que as forças dos EUA mataram esta semana "alguns terroristas chave" do grupo Estado Islâmico, incluindo o "número dois" e responsável pelas Finanças, al-Qaduli, "um terrorista bem conhecido", que já trabalhou sob o comando de al-Zarqawi na Al-Qaeda no Iraque.

"Estamos a eliminar sistematicamente o gabinete (governo) do ISIS", disse Ash Carter, em conferência de imprensa no Pentágono.

"A remoção deste líder do ISIS vai prejudicar a capacidade do grupo de conduzir operações dentro e fora da Síria e do Iraque", disse Carter sobre a morte de Abd ar-Rahman Mustafa al-Qaduli, a quem se referiu pelo nome Haji Imam.» [DN]
   
Parecer:

É uma pena que os EUA se preocupem tanto com os chefes do ISIS, a verdade é que os terroristas que atacam a Europa e muitos dos que assassinam sírios são arraia miúda. Desagregar o ISIS eliminando a sua liderança é uma boa estratégia, mas tem o inconveniente de acabar por espalhar o mal. O ISIS tem de ser derrotado e eliminado na sua globalidade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Que a terra lhe seja leve.»
  
 O outro lado da emigração portuguesa
   
«Vinham da Suíça para passar a Páscoa em Portugal, mas a viagem acabou tragicamente em Allier, no centro de França. A carrinha em que viajavam chocou de frente com um camião e os doze passageiros, todos portugueses imigrados na região de Lausanne, morreram no local. O condutor era um jovem português de 19 anos, que sobreviveu, e foi levado para o hospital em estado de choque.

Entre as 12 vítimas está uma família de Cinfães do Douro - um casal e a filha de sete anos - e ainda um homem de 34 anos do mesmo concelho. Há ainda três vítimas de uma aldeia perto de Trancoso, chamada Palhais, revelou o presidente da câmara de Trancoso. Pelo menos duas eram de Fajões, em Oliveira de Azeméis.» [DN]
   
Parecer:

Um mini autocarro que mais não era do que uma furgoneta de seis lugares, conduzida por um motorista com 19 anos, há aqui qualquer coisa de muito errado que nos deve levar a reflectir. Como é possível que doze emigrante viajassem nestas condições entre a Suíça e Portugal?

Esperemos que a empresa portuguesa que explora este esquema de transportes seja investigada sob todas as vertentes, começando nas licenças para a exploração de transportes à forma como cumpre as suas obrigações fiscais. É importante acabar com estes esquemas de negócios oportunistas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamentem-se as mortes.»

 Marcelo e Costa
   
«A ideia é criar uma imagem de unidade nacional em torno das alterações ao Plano Nacional de Reformas e ao Plano de Estabilidade que terão de ser entregues em Bruxelas no final de Abril. Para isso, o Presidente da República e o primeiro-ministro estão coordenados e até contam com o apoio de Mário Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, que vem a Lisboa dia 7 de Abril, para participar no Conselho de Estado.

Vejamos o calendário. António Costa vai passar terça-feira, quarta e quinta a apresentar as linhas gerais do documento ao país, ao Parlamento e à Concertação Social. Marcelo Rebelo de Sousa elegeu o assunto, em conjunto com o Plano de Estabilidade, para ser o tema do primeiro Conselho de Estado a que preside e que terá como quebra de protocolo a presença de um líder de uma instituição europeia, Mário Draghi.» [Público]
   
Parecer:

A verdade é que a relação entre Marcelo e Costa é melhor, mais e mais saudável do que a aberração de relação entre Cavaco e Passos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

sexta-feira, março 25, 2016

E se?

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O país vive num ambiente de normalidade constitucional como já não se via há vários anos, o presidente preside, o governo governa, os portugueses podem confiar que logo, mais à noite, não aparece um Gaspar a justificar mais uma medida de austeridade, um presidente a fazer uma comunicação dramática, um qualquer troikano a fazer mais uma ameaça. Os portugueses trabalham, descansam, cumprem os seus horários, gozam dos seus feriados sem terem de ser achincalhados por um governo que os quer exibir como gandulos. Até as agências de notação estão tranquilas, se não fossem alguns jiahdistas do Eurogrupo e do BCE até poderíamos esquecer o que nos fizeram.

Mas tudo poderia ter sido diferente, o Núncio teria inventado um reembolso da sobretaxa, afanosamente preparada durante meses por gente dedicada á causa, a Santinha da Ladeira inventava um milagre económico, a rigorosa e honesta Maria Luís teria reembolsado alguns milhões ao FMI e Passos teria achincalhado ainda mais o Marcelo. Hoje poderíamos ter Passos em Belém e Rui Rio em São Bento.

Agora teríamos um orçamento aprovado sob chantagem ou um país a ser governado com duodécimos, as agências de notação a afazer ameaças, o FMI a lançar alertas, Rui Rio a repetir o discurso cavaquista do consenso, tentando mais uma vez forçar o PS a assinar de cruz todas as sacanices decididas por um Passos que seguiria fielmente a cartilha do falecido Borges. Passos teria motivos para dar o prometido por não prometido e recuaria na reposição parcial dos vencimentos e da sobretaxa com o argumento dos riscos.
  
Passos estaria a conduzir o país para um segundo resgate pois ele não tem qualquer programa viável no quadro da democracia e da constituição, a a sua agenda é de excepção e não prevê qualquer limite constitucional. A esta hora Passos estaria a dizer que este país é inviável com a actual constituição, enquanto Rui Rio pressionaria o PS para aceitar uma revisão constitucional que faria aprovar o velho projecto constitucional que em tempos Passos apresentou.

O país estaria outra vez sob a chantagem permanente encomendada por Passos aos amigos da troika, ninguém saberia se no dia seguinte teria emprego ou o mesmo ordenado, os pensionistas não saberiam até quando teriam direito a pensão. Estaria mais uma vez em ambiente de guerra civil permanente, com o presidente da CIP a mandar na concertação social e a ditar uma boa parte das decisões do governo, cortando em direitos, salários. O país andaria a toque de caixa de gente sem princípios e focada apenas no lucro a qualquer preço.


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Cecília Meireles

Se o CDS é tão defensor da austeridade e vota contra tudo o que seja inverter essa política do governo anterior o que leva Cecília Meireles a querer que Portugal saia do procedimento de défices excessivos? Enquanto não sair será mais fácil ao CDS impor os seus extremismos.

«A deputada do CDS Cecília Meireles afirmou esta quinta-feira, ser essencial perceber se Portugal sairá ou não do procedimento por défice excessivo, sublinhando que os dados divulgados sobre o défice são provisórios.

"Para nós, o essencial é perceber se o facto de o défice aparentemente ter ficado nos 3% tem efeitos ao nível do procedimento por défice excessivo", afirmou a deputada, em declarações aos jornalistas, no parlamento.


O défice das administrações públicas, em contas nacionais, foi de 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, um desempenho que foi penalizado pelo impacto negativo da resolução do Banif que corresponde a 1,4% do PIB.» [DN]
  
 José Manuel Fernandes desonesto

Um dos argumentos usados por José Manuel Fernandes num programa de debate na RTP 3 para que se ignorem os direitos constitucionais dos funcionários públicos, reduzindo-os a semi-escravos foi o facto destes funcionários beneficiarem da ADSE, até deu um exemplo de uma consulta da especialidade, em que um utente da ADSE pode escolher o especialista e pagar menos do que uma taxa moderadora. Quem ouviu este pequeno canalha ficou a pensar que a ADSE é uma benesse.
  
JMF usou a saúde para denegrir os funcionários públios escondendo que a ADSE não é paga pelos impostos dos contribuintes, mas sim por descontos sobre os vencimentos dos funcionários e que o sistema até está a gerar excedentes, isto é as contribuições são maiores do que as despesas. É óbvio que o antigo redactor da Voz do Povo sabe muito bem disto mas de forma desonesta escondeu a verdade para poder difamar os funcionários públicos e defender as posições de Passos Coelho. 

 O ideólogo de xanatas

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Depois de Marx, Lenine e Mao e quando pensava que o mundo os ideólogos tinham dado lugar aos religiosos com a guerra fia a ceder o lugar a uma guerra religiosa eis que em Portugal aparece um novo ideólogo, o antigo falhado do canto (porque será que os grandes imbecis europeus começam sempre por tentar uma carreira nas artes?) assume-se como o grande ideólogo da nação.
  
Não importa a independência nacional, não vale a pena ver o que acontece na economia, a solução está nos bons princípios que ultraliberais que Passos leu algures e cuja aplicação rigorosa conduzirá o país ao progresso. A economia portuguesa é tão poderosa, os empresários portugueses são tão dinâmicos, o país tem tantos recursos naturais e mão-de-obra qualificada que é o Estado e a decisão política que está a mais.
  
Se a Constituição está em conflito com o que os búzios do mercado dizem ignorem-se as suas regras, se a tendência do mercado vai num sentido que os empresários e políticos receiam não ser o melhor ignorem-se esses velhos do Restelo, a optimização dos recursos o equilíbrio dos mercados, o livre curso da economia levará o país por bons caminhos, conduzirá Portugal ao sucesso.
  
O BES foi à falência? Não há crise, eu vou ali com a minhas xanatas dar um mergulho na Manta Rota e fiquem descansados que o mercado resolve o problema. Foi com mercado que se resolveu o problema do BPN, do BES e, mais recentemente, do BANIF.
  
O governo francês intervém na economia francesa, o inglês na economia inglesa, o alemão na alemã, o espanhol na espanhola e a Comissão em todos eles. Mas a economia portuguesa é a economia da aldeia gaulesa que a todos resiste e o seu mercado é tão forte que não se deixará influenciar por tantos poderes políticos, parta tal basta que os governos portugueses em vez de se dedicarem a intervir nos mercados optarem por passar o tempo a lixar os funcionários públicos e a destruir o estado social.

Fisco abismado como tantos portugueses votaram neste rapaz e anda por aí tanta gente dita inteligente que ainda o apoia, como é possível que Portugal tenha tido um primeiro-ministro que enquanto o maior banco privado se desmoronava ia tranquilo de xanatas na mão para a Praia da Manta Rota.
  

 Sem a Turquia o ISIS não existia

Sem os abastecimentos que recebe via Turquia, sem a fronteira turca por onde os seus jiahdistas e sem os compradores turcos para o petróleo, peças do património histórico e outros bens traficados pelos terroristas o ISIS seria derrotado. A Turquia é o grande apoiante e intermediário dos apoios que o ISIS recebe da Arábia Saudita e de outros "amigos" da Europa.

Os atentados do ISIS na Turquia não passam de encenações montadas para fazer de conta que são vítimas, não admira que as vítimas do último atentado tenham sido iranianos e israelitas, até parece que alguém disse ao bombista suicida "rebenta-te junto daqueles".

 "Johan" Cruyff (25-04-1947 — 24-03-2016)

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 Acabem com a lamechice das velas e "je suis..."
   
«O simbolismo fácil já não aborrece. Aquilo de marchar batendo tambores e a tocar gaita-de-foles, que serviu aos britânicos para se galvanizar e ganhar batalhas, já ninguém usa. Justamente, deixou de ser útil. O ato simbólico é como os iogurtes, tem prazo de validade. E aqui chego ao que venho: não ponham velinhas por mais um atentado. Às tantas já nem sabemos se é para saudar o atentado ou para o criticar. Não serve para nada. O "je suis..." foi outro derrotado. Dizer que se é "belge" até ofende metade deles, que o são, mas gostam que se diga em flamengo. A "foto símbolo", então, é de acabar de vez. Apanha as vítimas em situação de derrotadas - e isso é precisamente o que não se deve mostrar. Concluindo: atos simbólicos só os proativos, não os lamechas. E até podem ser a chorar, logo que combatentes. Quando dos atentados em Bruxelas, a chefe da diplomacia da União Europeia, a italiana Federica Mogherini, estava na Jordânia. Em público e recebida pelo ministro jordano dos Estrangeiros, chorou e encostou-se a dele. Ele hesitou (não queria ofender alguns beduínos), mas lá lhe ofereceu o ombro. Uma lição! No próximo atentado (que vai haver), espero que a Mogherini seja enviada a Riade e se mostre a chorar no ombro do rei saudita, Salman bin Abdulaziz. O general MacArthur só considerou que ganhou ao Japão quando obrigou o imperador Hirohito a ser fotografado ao seu lado. Os simbolismos só valem a pena quando são úteis.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Um padre com bom gosto
   
«O padre que preside a Casa do Gaiato, em Loures, foi constituído arguido por suspeitas de peculato na sequência de uma operação esta quarta-feira levada a cabo pela Polícia Judiciária. Os inspetores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção constituíram ainda um outro suspeito arguido, que trabalhava diretamente com aquele sacerdote.

A investigação, coordenada pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) desde 2014, levou os inspetores da PJ a passarem a pente fino as casas das cinco Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) por onde o padre Arsénio Isidoro passou entre Loures e a região Oeste. Foram feitas dez buscas — em locais pertencentes às instituições e a uma residência — e foi recolhido diverso material de prova. A polícia suspeita que o padre tenha desviado fundos destas instituições para proveito próprio.

Era uma coisa muito ostensiva. Comprava carros de luxo de alta gama, que depois vendeu porque terá sido avisado. Falamos de quantias muito avultadas, mas o valor certo só será determinado após a investigação”, disse fonte da PJ ao Observador.
Ainda assim, não foram reunidos os pressupostos para aplicação de uma medida preventiva da liberdade, por isso o padre foi constituído arguido e sujeito a Termo de Identidade e Residência.» [Observador]
   
Parecer:

Enfim, mais um pecador que com um par de rezas será perdoado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Marcelo dá mais uma lição a Cavaco
   
«O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, vai participar na primeira reunião do Conselho de Estado convocada pelo Presidente da República, a 7 de abril.

Segundo uma nota publicada no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa convidou Mario Draghi "para apresentar uma exposição ao Conselho de Estado sobre a situação económica e financeira europeia". O responsável europeu aceitou o convite.

Ainda segundo a mesma nota, neste ponto da agenda participa também como convidado o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

No segundo ponto da ordem de trabalhos, os conselheiros de Estado vão discutir o Programa Nacional de Reformas e Programa de Estabilidade que o governo terá de apresentar no final de abril, início de maio, mas também questões orçamentais.» [DN]
   
Parecer:

A diferença entre Marcelo e Cavaco é mais ou menos a mesma que há entre o inverno e a primavera.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Uma boa notícia vinda da Síria
   
«"As forças do regime (de Bashar al-Assad) entraram no bairro Hayy al-Gharf, no sudoeste de Palmira. Estão a avançar muito devagar por causa das minas colocadas pelo EI", disse o diretor da organização não-governamental (ONG) Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman.

"O regime também está avançar a partir da zona norte da cidade", acrescentou.

Uma fonte militar, que pediu o anonimato, confirmou o avanço à agência noticiosa France Presse (AFP).

"O exército entrou na cidade a partir de noroeste, depois de tomar o controlo de parte do Vale dos Túmulos", afirmou.» [Notícias ao Minuto]
  

quinta-feira, março 24, 2016

Reversão ideológica e da história

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Depois do fim da luta de classes, da promoção do ecumenismo e do anunciado fim das ideologias eis que o mundo parece regressar ao passado e até há quem n Brasil apele ao regresso dos golpes militares. Um mundo enfrenta uma guerra religiosa, as classes dominantes da América Latina regressaram aos tempos duros e na Europa há quem sonhe com mo regresso ao modelo social anterior aos tempos em que os nossos capitalistas se tornaram uns rapazes simpáticos com medo do comunismo.

Até os nossos liberais que em tempos tentaram aderir à Internacional Socialistas se transformaram em jiahdistas do liberalismo, tentando repor um modelo social em que o progresso se consegue através da eliminação de tudo o que o mercado rejeite. Palavras como progresso ou desenvolvimento desapareceram do léxico dos economistas, agora só se fala de mercados e de reformas e por reformas entende-se o regresso ao modelo laboral dos anos 40, mas sem partidos comunistas nem sindicatos, só com governos de direita, troikas e associações laborais.

Por cá até temos um primeiro-ministro no exílio que fala sobre os mais diversos temas como se tivesse algo parecido com o livrinho vermelho de Mao, com receitas primárias sobre como deve actuar um governo na economia. É fácil, os governos apenas intervêm na economia do lado do trabalho, para eliminar direitos e reduzir custos salariais, tudo o resto deve ficar ao sabor dos mercados.

Os que anunciaram o fim das ideologias querem agora promover uma reversão ideológica com mais de meio século, eliminando tudo aquilo em que se cedeu com receio do comunismo. Como já não se receiam os mísseis soviéticos esta na hora de reformatar a sociedade e regressar aos tempos anteriores ao medo do comunismo.

Convencidos de que já não há razões para recear revoluções acabam por estar a criar condições para que de uma forma ou de outra surjam conflitos e talvez não seja de estranhar que depois de alguns anos de tranquilidade o mundo volte a estar em ebulição. Na América Latina regressa-se aos tempos mais duros do passado, o Médio Oriente regressou em meia dúzia de anos à época medieval e na Europa voltou a instalar-se o medo.

Dirão que nada disto tem que ver com direita e esquerda ou com ideologias, mas a verdade é que os pais dos problemas com o islamismo é a família Bush e os seus paus mandados, como o nosso Durão Barroso. A gulodice de alguns esta a conduzir o mundo para um caminho perigosos, esta reversão ideológica poderá ter consequências que os oportunistas não esperam.
 
De repente vem-me à memória uma quadra do poeta da minha terra:

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu'rer um mundo novo a sério.

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Marisa Matias, uma rapariga generosa

Parece que a eurodeputada está a coleccionar troféus de Jumento do Dia, mas é impossível ficar indiferente perante a sa tamanha generosidade humana. Depois dos atentados muitos cidadãos comuns foram oferecer a sua dádiva de sangue, foi um gesto de generosidade de cidadãos comuns que entendem ser seu dever ser solidário nestas horas.

Marisa Matias não podia deixar de dar  se contributo, mas como é uma deputada também acha que o seu gesto não deve ficar anónimo como o de qualquer cidadão comum e para que conte a comunicação social dá conta dessa notícias de primeira mão que lhe foi proporcionada pela corajosa e solidária deputada. Mas agora temos um pequeno problema, Marisa Matias foi dar sangue por solidariedade com os feridos nos atentados ou ara ser notícia à custa desses mesmos feridos? Enfim, até apetece gritar "Ó Marisa, vai dar sangue!".

Parece que esta política muito na moda não sabe que há gestos que só têm grandeza se forem mantidos anónimos, se forem usados para obter ganhos pessoais acabam no enojar. A deputada pode invocar que com o seu gesto quer estimular outros a fazer o mesmo, mas ninguém acredita que a esta hora os seus colegas do parlamento portugueses já estejam a organizar uma excursão para irem dar sangue a Bruxelas! Se eu desse sangue nestas circunstâncias e depois fosse a correr dar a boa-nova a um jornalista sentiria muita vergonha de mim próprio. Ainda por cima a senhora nem sequer foi dar sangue, inscreveu-se para isso e a notícia nem dá pormenores, mas os gesto de grandeza da deputada serviu de título ara a notícia.

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 A sorte que o Cavaco teve!

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Os dois Passos Coelho,m o primeiro-ministo e o impichado

Reparei, a meio de um corte de cabelo, que os brasileiros tinham enriquecido a nossa língua, em especial a má-língua ou a chamada língua-viperina, com  um novo termo, daqueles que dizem tudo, ainda que o som não seja dois melhoires. Começaram por adoptar a palavra inglesa impeachement, adaptaram para português o que deu impichement e daí ao verbo impichar foi um pequeno passo. Agora dizem que querem impichar a Dilma.

E enquanto eles tentam impicha a Dilma ou forçá-la a sair antes que a impichem, dou comigo a pensar que o Cavaco foi um sortudo, quando inventou as falsas escutas a Belém bem que podia ter saído de Belém devidamente impichado. Aliás, quem anda com ares de que foi impichado é o Passos Coelho que dá ares de quem está convencido de que é ele o primeiro-ministro e ainda não percebeu porque é que o tiraram da residência de São Bento, porque é que o impicharam contra a sua vontade e, ao que diz, contra a vontade dos eleitores que lhe deram uma vitória para que não acabasse impichado.

No fim disto tudo temos um Passos Coelho que foi empossado primeiro-ministro para depois Cavaco o promover a primeiro-ministro emérito, de onde evoluiu para primeiro-ministro no exílio, queixa-se de ter sido ilegitimamente impichado por António Costa, daí o ar de impichado que põe nas suas aparições públicas.

 Estes é que deviam ter levado com as bombas de Bruxelas

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Encontro nas Lages (16 de Março de 2003)

      
 Um modelo de chefe
   
«Processos disciplinares, mudanças forçadas de funções e locais de trabalho e um clima de “assédio moral” e “bullying profissional” fizeram parte do dia-a-dia do centro distrital da Segurança Social de Braga nos últimos quatro anos. É esta a descrição feita por um grupo de funcionários daquele serviço, que, num relatório enviado ao Governo, aponta o dedo ao director Rui Barreira. A tutela já abriu um inquérito à actuação deste dirigente, que é militante do CDS. No final do mês passado, o ministro socialista Vieira da Silva pediu a Rui Barreira que se demitisse.  

Num memorando de 30 páginas, um grupo de trabalhadores de vários serviços da Segurança Social de Braga descreve a actuação de Rui Barreira à frente daquele serviço desde que, em 2011, foi nomeado director pelo anterior executivo como “autoritária”. O dirigente – que já tinha sido “vice” entre 2002 e 2005, também durante um Governo PSD-CDS – é acusado de ter uma “prática reiterada de retaliações a quem ousasse reagir” às suas decisões.

Dizem os trabalhadores que, nos últimos quatro anos, Barreira mudou de funções ou de local de trabalho os funcionários que “ousaram reclamar ou reivindicar”. Esta é uma prerrogativa que os directores podem usar para melhorar o funcionamento dos serviços, mas que terá passado a ser usada “como instrumento de humilhação vingança básica”. Além disso, o director regional enviava aos funcionários “mensagens electrónicas de caracter intimidatório”, lê-se também no memorando.» [Público]
   
Parecer:

Como diria a Assunção Cristas tem métodos de gestão de pessoal muito robustos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «
  
 António Costa 1 - 0 Pimeiro-ministro no exílio
   
«O Presidente da República aproveitou esta quarta-feira a receção ao Governo, que lhe foi prestar cumprimentos a Belém, para responder ao líder do PSD sobre o sistema financeiro. Passos Coelho pôs em causa a intervenção do primeiro-ministro, "e por maioria de razão do PR", nas movimentações em curso na banca. Marcelo responde: "justifica-se a intervenção" e "o desejável seria um consenso nacional nesta matéria".

Confirmando total alinhamento com António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que como chefe de Estado cumpre-lhe respeitar a Constituição. E foi em nome desse dever e da respetiva defesa do "interesse nacional" que considerou "natural" a intervenção do primeiro-ministro para garantir algum equilíbrio na origem dos capitais estrangeiros que entram na banca portuguesa.» [Expesso]
   
Parecer:

Sem Cavaco Silva este Passos não vai longe, não...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 O turco Edorgan
   
«O presidente turco Recep Tayyip Erdogan disse esta quarta-feira numa conferência de imprensa que um dos atacantes responsáveis pelos atentados em Bruxelas foi "apanhado na Turquia" em junho do ano passado.

Segundo a agência Reuters, Erdogan afirmou que o homem tinha sido deportado para a Holanda em julho de 2015 a seu pedido, e que a deportação tinha sido comunicada às autoridades holandesas. A Bélgica "ignorou" o aviso de que o homem era um combatente terrorista, afirma o presidente.» [DN]
   
Parecer:
O turco, aliado do ISIS desde a primeira hora e grande beneficiário dos negócios com o Califado escolheu o prior momento para chamar a si a liderança da luta contra os seus amigos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 Há dias assim
   
«O deputado do PCP Miguel Tiago defendeu ontem à noite, numa publicação na sua página de Facebook, que é preciso “acabar com a política de direita” para conseguir travar o terrorismo. “Tal como a pobreza, a fome, o desemprego, os baixos salários, a criminalidade, a guerra, a degradação cultural, artística, social e ambiental, também o terrorismo é resultado da ação dos nossos governos”, escreveu.

Mas esta quarta-feira, perante as reações, viria a justificar-se. Numa nova publicação na mesma página, o deputado usa da ironia para pedir “desculpa” àqueles que “presumiram que” não condenava os “atos terroristas e a barbárie ocorridos ontem em Bruxelas”.

“Para que não restem dúvidas: solidarizo-me com as vítimas e famílias e condeno todos os atos de terrorismo, independentemente do espaço em que ocorrem e da etnia ou credo dos que matam e morrem”, escreve, acrescentando que está a “tentar emendar” o “erro de ter tentado alertar para as causas e responsáveis do terrorismo sem deixar clara a condenação do ato”.» [Observador]
   
Parecer:

Isto de meter a cassete em vez de pensar tem destas consequências.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Estarão a gozar?
   
«No requerimento enviado ao ministro da Saúde através da Assembleia da República, os deputados social-democratas referem que "são consabidas as dificuldades muitas vezes existentes no recrutamento de recursos humanos especializados para as unidades prestadoras de cuidados saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS) localizadas no interior do país, de que a Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda não deixa de constituir um exemplo".

Os deputados apontam que entre 2013 e 2014 se verificou, em relação ao pessoal de enfermagem, "um recrutamento de mais 60 profissionais, o que correspondeu a uma variação positiva de 10,8%", mas referem que continuam a faltar enfermeiros naquela unidade de saúde, que abrange dois hospitais (Guarda e Seia) e 13 centros de saúde do distrito (exceto o de Aguiar da Beira).

"Sabemos continuar a verificar-se alguma escassez desses profissionais na ULS da Guarda, como ainda recentemente também o referiu o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que terá sustentado a necessidade de contratação de mais 65 profissionais para aquela unidade do SNS, a fim de melhorar a prestação de cuidados de saúde à população do distrito da Guarda", sustentam.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O país ia ficando sem enfermeiros com a política de Passos, agora preocupam-se com a falta de enfermeiros numa unidade de saúde.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se essa gente à bardamerda.»
  

quarta-feira, março 23, 2016

Europe, we have a problem

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Criança yazidi na fronteira entre a Síria e o Iraque

Deu jeito abrir as torneiras da emigração aos magrebinos, era um povo mais próximo e dócil do que os árabes e faziam as tarefas que nem os emigrantes de outros países europeus faziam. A primeira geração foi-se instalando em pequenos negócios, as comunidades foram ocupando os bairros que iam sendo abandonados por uma população enriquecida que se ia mudando para melhores casas, os jovens iam-se integrando ainda que de vez em quando se registassem incidentes nas discotecas e bares.

O modelo social funcionava, qualquer subsídio de desemprego ou apoio social era melhor do que muitos ordenados mínimos nos países do sul ou do leste, a segunda geração ia arranjando empregos temporários, eles iam ganhando para se divertirem no fim-de-semana, as empresas beneficiavam de gente disponível para empregos precários.

As comunidades foram-se organizando, construíram os seus templos religiosos e uma Europa cheia de liberdade religiosa e de “todos iguais, todos diferentes”, as cidades começaram a ter os seus bairros étnicos onde os europeus não são bem-vindos a não ser que respeitem as suas regras religiosas. Em nome da igualdade, do ecumenismo e de outros bons valores tudo foi permitido.

Durante quatro anos milhares e milhares de jovens europeus viajaram para a Síria onde se divertiram a matar cristãos, curdos aleuitas, chiitas e tudo que pudesse ser identificado com o Damasco. Ninguém se preocupava, os cristãos atingidos nem eram católicos ou protestantes, matar chiitas é um desporto mundial, dos curdos ninguém queria saber, o que importava era destruir regimes incómodos e detestados por Israel, Arábia Saudita e pelos países ocidentais.

Quando a Líbia foi destruída pelos bombardeamentos americanos e franceses ninguém se incomodou muito com o facto do ISIS ter arrebanhado uma boa parte das armas dos arsenais de Kadafi, se era para matarem soldados de damasco, cristãos não católicos ou protestantes, curdos ou chiitas essas armas estavam em boas mãos, quem mata os nossos inimigos são nossos amigos.

A Turquia lá ia deixando passar milhares e milhares de extremistas durante anos, iam nos dois sentidos e pelo meio ainda se faziam negócios chorudos com crude, antiguidades e tudo o que pudesse ser roubado na Síria. Os jovens bandidos da Europa instalavam-se mais as suas namoradas em luxuosas vivendas dos sírios que assassinaram e mandavam fotografias dos seus pequenos luxos ara o Expresso publicitar o sucesso destes novos emigrantes.
  
Ninguém reparou no que estava sucedendo aos sírios a não ser depois do atentado de Paris e quando a Turquia decidiu usar os refugiados Sírios para ganhar milhares de milhões, forçar a entrada na EU e receber carta branca para promover o genocídio dos turcos. Agora alguém reparou e nos disse “Europe, we have a problem”, afinal há mito mais Europa para além das décimas dos défices e das paranóias do ministro das Finanças da senhora Merkel.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Marisa Matias

De certeza que a Marisa está falando do atentado do DAESH em Bruxelas? parece que para o BE nada de bem se faz em todo o mundo e eles sabem como resolver todo e qualquer problema.

«De Bruxelas chega mais uma reação aos atentados de hoje em Bruxelas. Entrevistada via Skype pela TVI, Marisa Matias disse que na altura dos atentados “estava precisamente a caminho do Parlamento Europeu”, mas que acabou por voltar a casa e seguir as instruções das autoridades para ali ficar.

A eurodeputada descreve que a cidade “está cheia de ambulâncias e forças de segurança” e que é visível “um cenário de guerra”. Apesar das medidas de segurança mais restritivas que têm sido implementadas nos últimos meses, desde os ataques de Paris, Marisa Matias lamenta: “infelizmente, não têm estado a dar nenhum resultado”.

A representante do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu reiterou que “um problema maior" continua a persistir, sendo ele “confundir o terrorismo com a imigração”, e que por isso “os países europeus têm muita responsabilidade nesta matéria”, pelo que “deviam assumir que estes ataques se têm propagado por toda a Europa e outros países”.» [Notícias ao Minuto]

 Responder ao terrorismo

A resposta com os "je ne suis..." não resolvem nada, estes terroristas são letais  e estão matando gente em países como a Síria ou a Líbia, passando a tudo quanto é idiota de Londres, Bruxelas ou Paris uma imagem idílica do bandido agora promovido a combatente, imagem que tem sido passada por jornais europeus, como já sucedeu no nosso Expresso.
 
Estamos perante bandidos perigosos e é preciso acabar com eles onde estiverem, antes que eles acabem connosco e isso implica denunciar todos os seus aliados, a começar por uma Turquia que tem o usado o DAESH em função dos seus interesses. Ou alguém acredita que bandidecos com passaporte francês ou belga entrem ou saiam da Turquia para as zona controladas pelo DAESH na Síria e vice-versa sem o conhecimento da polícia turca?

Enquanto o inimigo principal do Ocidente na Síria for a Rússia e os bons forem os turcos ou tudo quanto é extremista islâmico apoiado pela Arábia Saudita iremos assistir a atentados como os de PAris ou de Bruxelas.

 Apoiar os extremista de dia e projectar a bandeira belga à noite




      
 Oportunismo turco
   
«"Condenamos os ataques que ocorreram esta manhã em Bruxelas. Prestamos as nossas condolências ao povo belga. Convido toda a humanidade para reagir em uníssono perante todo o tipo de terrorismo", disse Davutoglu em declarações no parlamento, divulgados pela página digital do diário Hurriyet.

O primeiro-ministro também aproveitou para censurar "os académicos" da Turquia que "não disseram uma palavra crítica sobre o PKK", numa referência e uma petição contra a guerra civil no sudeste do país, e assinada por cerca de mil professores universitários turcos.

No domingo, as autoridades turcas convocaram o embaixador belga em Ancara para protestarem pela presença de simpatizantes do PKK com uma faixa junto do edifício em Bruxelas onde decorreu a cimeira UE-Turquia sobre refugiados, e na presença de Davutoglu.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Esta Turquia mete nojo, apoia o DAESH e insiste em que a Europa a apoie a fazer aos curdos o mesmo que fizeram aos arménios.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Teodora critica OE
   
«O Conselho das Finanças Públicas espera que o défice orçamental este ano atinja os 2,5%, mais três décimas que o esperado pelo Governo, precisamente por não contar nas suas projeções com o anúncio do Governo relativamente às poupanças setoriais e ao congelamento dos gastos com consumos intermédios, que têm vindo a alertar que não estão suficientemente detalhadas. A organização vê ainda o défice a aumentar no próximo ano, e a economia a crescer menos de 2017 em diante.

Na análise hoje publicada sobre a situação e condicionantes das Finanças Públicas entre 2016 e 2020, a instituição liderada por Teodora Cardoso aponta um cenário mais negro para a economia e para as finanças públicas portuguesas.

A avaliação, realizado com base num cenário de políticas invariantes – apenas com as medidas já aprovadas ou suficientemente detalhadas -, aponta para que o défice orçamental atinja os 2,5% este ano, contra os 2,2% esperados pelo Governo. Não contando com as medidas que o Plano Nacional de Reformas e o Programa de Estabilidade possam vir a ter, o CFP espera que o défice cresça no próximo ano para os 2,8%, e desça apenas para 2,5% em 2018. Ajustado de medidas temporárias, o défice será ainda maior: 2,7% este ano.

O cenário para o défice estrutural é ainda mais negro. Mesmo depois das negociações entre Bruxelas e o Governo português, o CFP não acredita que o saldo estrutural seja reduzido este ano, antes pelo contrário, espera um aumento de 2% para 2,1% e que volte a aumentar em 2017. Apesar da obrigação das regras europeias de reduzir o défice em pelo menos 0,5 pontos percentuais todos os anos até atingir os 0,5% do PIB potencial, nas contas do CFP este défice não desce. Em 2020, o último ano da projeção, estaria nos 2,6%, se nada mais for feito.


“Face às projeções num cenário de políticas invariantes, isso obrigará a um ajustamento adicional em todos os anos do horizonte de projeção”, alerta o conselho.» [Observador]
   
Parecer:

Teodora Cardoso tem sido muito mais do que presidente do Conselho de Finanças Públicas, foi uma apoiante da experiência falhada da desvalorização fiscal, nunca hesitou em apoiar o excesso de austeridade, nem alertou para os seus riscos. Mais do que uma analistas Teodora Cardoso assumiu um papel de militante em apoio de uma determinada política, o que leva a que a sua credibilidade ande muito por baixo, pelo que  a sua discussão de décimas não ajuda muito a um debate sério. O problema de Teodora Cardoso não está nas décimas, está na sua defesa de uma política económica à margem da democracia e da Constituição, foi isso que ela apoiou durante quatro anos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»

 O que esconde Carlos Costa
   
«O Banco de Portugal (BdP) já enviou à comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao caso Banif centenas e centenas de documentos - todos eles classificados com o selo de "confidencial" -, mas nesse vasto lote continua a faltar um relatório a que alguns deputados dão grande importância, o que a Boston Consulting Group (BCG) fez avaliando a atuação do supervisor bancário no caso BES.

Esse relatório, pedido pelo Bloco de Esquerda, foi elaborado a pedido do próprio BdP. Os bloquistas afirmaram no pedido que a BCG terá assinalado uma "falta grave" do BdP na supervisão e isso, confirmando-se, daria pretexto ao governo para poder afastar Carlos Costa do cargo de governador do Banco de Portugal.» [DN]
   
Parecer:

Parece ter receio de que se saiba da sua incompetência.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

terça-feira, março 22, 2016

Bruxelas, 22/03



Enquanto as Twin Towers de Nova Yorque era atacadas os Bush promoviam uma apresentação da Carlyle, em Washington, onde estavam presentes vários familiares de Bin Laden. O documentário "Fahrenheit 9/1", do realizador americano Michael Moore, denunciou esta situação. A Carlyele era uma empresa que por cá tentou comprar a GALP com dinheiro emprestado pela CGD, negócio apoiado pelo então primeiro-ministro Durão Barroso, e denunciado por Francisco Louçã. O presidente para a Europa da Carlyle era Major, um ex-primeiro-ministro britânico, o representante em Portugal era um tal Martins da Cruz, compadre de Durão Barroso, que o escolheu para ministro dos Negócios Estrangeiros, foi o inventor da “diplomacia económica” e imortalizou-se com a famosa entrada da filha Diana para o curso de medicina através de um esquema de cunhas.

Este é o mundo cão onde a mistura dos negócios com políticos sem escrúpulos transforma qualquer terrorista em democrata libertador do Afeganistão, da Síria, da Líbia, do Egipto, da Ucrânia. A Europa hipócrita aliada aos EUA libertaram o Iraque, a Líbia e agora estão libertando a Síria, onde existiam ditadores estão pondo democratas, onde mandavam os terroristas fizeram eleger cidadãs exemplares.  

O problema é que alguns desses cidadãos exemplares saem do controlo dos agentes secretos e dos governantes sem escrúpulos e acabam por atacar onde não era suposto fazê-lo. É então que os jornais descobrem a Al Qaeda ou o ISIS. Se um militante do ISIS matar um soldado sírio e um democrata, só é um terrorista se matar um cidadão francês, inglês ou americano.

Quem não se lembra de quando os tetchenos eram recebidos na Europa Ocidental como libertadores democratas? A verdade é que para o ocidente os extremistas do ISIS que matem sírios, os tetchenos que matem russos, os turcos que matem curdos, os libaneses que matem chiitas ou os sírios que  matem alauitas são por definição, democratas exemplares. Só são considerados terroristas se matarem ocidentais, se se fizerem explodir em Paris, Madrid, Londres ou Bruxelas.
  
O mundo esta pagando uma fatura demasiado cara por causa de governantes que transformaram em religião política e económica a mistura do liberalismo extremo com o oportunismo económico e político. Esta combinação da alta finança de Washington com o salafismo saudita, da anca com os senhores do crude, das secretas com os mais variados ISIS está transformando o mundo num barril de pólvora. No Médio oriente destroem-se países, no sul da Europa destroem-se economias, na Europa ninguém se entende, a Turquia exporta refugiados e dá tratamento vip a terroristas que venham para Paris, o Reino Unido faz chantagem sobre a EU. 

De repente, muito de repente e depois de centenas de milhares de mortos na Síria, Iraque e Líbia, três países destruídos pela hipocrisia dos governos europeus, eis que a Europa descobre que há terroristas. Mas que grande novidade!

Umas no cravo e outra na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Ribeiro e Castro

Se a moda pega vamos ter o dia nacional dos primos, dos sobrinhos dos avós e de tudo o que cheire a procriação.

«Mais de quatro mil pessoas assinaram esta petição pública, que propõe a instituição de um dia comemorativo dedicado aos irmãos e à relação entre irmãos, que foi promovida pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas e secundada pela Confederação Europeia das Famílias Numerosas.

Segundo informação avançada à agência Lusa pelo ex-deputado do CDS-PP Ribeiro e Castro, um dos elementos que integra a comitiva, a mesma vai ser recebida pelo vice-presidente da Assembleia da República José Manuel Pureza.


"O calendário assinala datas, efemérides, memórias. Por isso se destacam dias especiais, para celebrar o que é mais importante. Os irmãos são os nossos mais próximos. Crescemos com eles, na família, numa teia de cumplicidades e vivências comuns. O que vivemos entre irmãos é único, irrepetível, molda a nossa vida para sempre", pode ler-se no texto da petição.» [Notícias ao Minuto]

 TVI24 reconhece o primeiro-ministro exilado em Massamá

Segunda-feira, oito da manhã, a TVI noticia a vitória por maioria absoluta do MpD nas eleições legislativas de Cabo Verde. Na imagem vemos uma delegação do MpD a entrar na Sã Caetano à Lapa e de seguida sentados no sofá, falando com um Passos Coelho devidamente equipado de bandeirinha, uma imagem muito próxima daquela que costumamos ver em Belém. Por momentos cheguei a pensar que Passos tinha recuperado o poder que perdeu naquilo a que Manuela Ferreira Leite designou por golpe de estado. Mas não, e com o 1 de Abril ainda está longe a TVI não estava a brincar, estava a passar a imagem que gostaria de confundir com  a realidade, não era mentira, era imaginação do director de informação da TVI.

 Boavista 0 - 1 SLB

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Parece que o Jorge Jesus acabou por não dar a receita do Compensan ao Selimani, depois de o SLB ter marcado depois dos 90 optou por ser ele a tomá-lo. Isto de ser campeão a 80% e aos sábados e ver o rival desenrascar-se nos últimos segundo já não vai lá nem com pastilhas Rennie, nem com Alka-Seltzer.

      
 O erro de Passos
   
«Nas perguntas que Pedro Passos Coelho fez no sábado ao primeiro-ministro há uma palavra a mais, aliás, um nome: José Sócrates. É legítimo que o líder da oposição se preocupe com aquilo que suspeita ser intervencionismo público excessivo em negócios privados. A bandeira portuguesa já serviu para muitos negócios ruinosos. A famosa tese dos campeões nacionais já deu lucros inconcebíveis a empresários que depressa meteram o hino na gaveta para liquidar as suas posições à primeira oportunidade. Tudo isso é verdade, tudo isso faz parte da nossa história contemporânea. Seria por isso absurdo rejeitar as dúvidas que Passos Coelho ontem voltou a reafirmar. A discussão é, além disso, interessante e pode ser frutuosa: quais os limites da intervenção pública, de que forma e com que transparência ou reserva devem ser conduzidas algumas operações, qual o papel de um governo no meio de um sistema financeiro que tantas vezes dita as próprias regras e depois passa a fatura aos contribuintes? O líder da oposição fez bem em mostrar-se preocupado com o assunto, mas a referência a José Sócrates inquina o debate por causa das circunstâncias em que o antigo primeiro-ministro se encontra - suspeito de crimes graves - e reduz à partida as possibilidades de haver uma discussão razoável sobre o que está sobre a mesa. Era desnecessário falar de Sócrates, atira o debate para o campo da demagogia, das claques partidárias e da especulação. Passos Coelho cometeu mais dois erros. Por um lado esqueceu-se de que, apesar do laissez-faire, laissez passer que de facto definiu os seus anos de poder - com consequências boas e más -, também ele a certa altura sentiu a necessidade de dizer a Angola que os investimentos eram bem-vindos, apesar da relutância do Banco de Portugal. Na altura, esses contactos políticos fizeram sentido e ajudaram Portugal, permitindo que a Sonangol evitasse o deslaçar do BCP num período de extrema dificuldade para os empresários portugueses. Ou seja, Passos revela memória curta, o que o enfraquece politicamente. Acresce que, além de ter atacado António Costa, o líder da oposição também pôs em causa o Presidente da República, o que o deixa ainda mais isolado, talvez até dentro do próprio PSD, o que o obrigará a futuros esclarecimentos. Dito isto, a questão central: faz bem António Costa em envolver-se no redesenho do sistema financeiro, em vez de despejar as responsabilidades todas para o Banco de Portugal, como se tornara costume? A resposta, por enquanto, só pode ser afirmativa: fez bem. O governo não deve em caso algum ocupar o lugar dos acionistas privados. Não deve, como aconteceu no passado, demitir ou nomear administrações por controlo remoto, usando para isso os habituais gestores do regime. Mas uma coisa é interferir, outra é deixar claro que o governo pretende uma solução inclusiva, isto é, que envolva capital espanhol, angolano e português - ou de outro país, sem exclusividade. Não se trata de inventar soluções mirabolantes com testas de ferro que depois cobram a triplicar ao Estado, mas apenas de sublinhar que os tempos convidam a alguma prudência nas escolhas. Não se trata de nacionalismo económico, embora ele exista; só uma visão romântica ou desgarrada da realidade pode negar que se trata de uma corrente em alta no mundo inteiro por causa da incerteza geral. Trata-se, sim, de olhar para os problemas como moderação e inteligência. António Costa não assobiou para o lado, é isso que se espera de um líder do governo, apesar dos riscos que isso comporta.» [DN]
   
Autor:

André Macedo.