sábado, abril 09, 2016

Hipócritas q.b.

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Escravo angolano aguardando transporte para as roças de São Tomé e Príncipe (fonte)

Ainda não percebi se a hipocrisia que não raras vezes domina a sociedade portuguesa é uma característica que nos corre no sangue ou se é uma herança cultural do salazarismo, mas a verdade é que com grande frequência somos confrontados aquilo que somos e reagimos com grandes doses de hipocrisia. Veja-se o que aconteceu recentemente com um jornalista que se lembrou de escrever algumas coisas sobre o Alentejo, o livro foi apresentado sob fortes medidas de segurança, como se o Alentejo fosse só porco preto e cante.

O outro regime cultivava a cultura do pobres mas lavadinhos e até dava uma imagem de progresso proibindo o povo de andar descalço. Eramos o país onde as crianças iam à escola calçadas, um sinal de grande progresso, mas andavam quilómetros em caminhos de serra com os sapatos na mão, para não os gastar. Temos vergonha das nossas “vergonhas” e escondêmo-las, aliás, a palavra vergonha tem até um significado curioso, são as ditas partes que envergonham e por isso não devem estar à vista.
  
É por termos muitas vergonhas que até há pouco tempo as nossas sessões parlamentares eram interrompidas muitas vezes por dia, por deputados que pediam a palavra em defesa da honra. Somos um país de gente honesta, de empresários que não são competitivos por culpa dos trabalhadores, de banqueiros que só foram vigaristas porque os deixaram ser. 
  
Em Portugal não há nem nunca houve gente ao engate de meninos e adolescentes, daí a indignação com que reagimos ao Caso Casa Pia e decidimos pendurar os que estavam mais à mão. Em Portugal não há dezenas de mulheres mortas todos os anos e muitos milhares a viver um regime de terror diário. Em Portugal nunca houve pais que “tiraram os três” às filhas antes que fosse outro a ter tal privilégio.
  
Não, em Portugal somos todos lavadinhos muito honrados, empresários exemplares, tudo boa gente. Nunca fomos colonialistas tão maus como outros, fomos os grandes promotores do conceito de globalização mas não fomos nós que globalizamos o mercado dos escaravos, nem nunca fomos a “Arábia Saudita” desse ouro negro. Aliá,s os nomes dos nossos navios negreiros dizem muito sobre a nossa imensa bondade, “Amável Donzela”, “Boa Intenção”, “Brinquedo dos Meninos”, “Caridade”, “Feliz Destino”, “Feliz Dias a Pobrezinhos”. Só no “Feliz Destino” foram transportados 1139 escravos, desses 1035 foram desembarcados no Brasil e 104 tiveram como “feliz destino” a morte.

É por isso que neste país de gente pacífica e onde ninguém diz palavrões, nem onde ninguém foi maltratado pelas suas ideias ficamos escandalizados porque onde se dão tantas bofetadas de luva branca meio mundo ficou escandalizado porque o João Soares (político de quem não sou admirador) prometeu duas bofetadas. Curiosamente uma das vítimas assustadiças das perigosas bofetadas é alguém que anda à décadas a dizer mal de meio país e de quem uma ex-esposa escreveu bem pior em livro.

Somos um país onde o que se come em casa não se diz na rua, somos tesos mas exigimos como ricos, somos violentos mas andamos armados em pacificadores, matamos mulheres às dezenas e durante décadas isso quase era legítimo mas não nos cansamos de termos sido os primeiros a abolir a pena de morte, somos hipócritas q.b..

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
João Soares

João Soares decidiu armar-se em Bruno de Carvalho do governo, considerando que o Facebook é um espaço de alarvidades onde se diz o que nos vai na alma como se estivéssemos em finais do século XIX, quando o ofendido batia com a luva na cara do ofensor em sinal de desafio. João Soares ainda não percebeu o tempo em que vivemos, em que é inadmissível que um governante reaja a críticas com ameaças de bofetadas, independentemente de se saber qual a intensidade das bofetadas ou se as mesmas são em sentido figurado.

João Soares não é um jovem político inexperiente, tem idade para saber que de um ministro da Cultura seria de esperar outra forma de debater ideias, pelo que a sua demissão era inevitável, até porque este não é o +primeiro incidente com que penaliza a imagem do governo. É óbvio que a nomeação de João Soares veio a revelar-se um erro de casting, acabou por ser vítima do de um "tempo novo" de cuja chegada parece não se ter apercebido.
 
Nas directas do PS João Soares optou por apoiar Seguro ns presidenciais alinhou com Maria de Belém e ainda disse que se a mãe fosse viva apoiaria a sua candidata, mesmo assim António Costa convidou-o para o governo. O mínimo que se esperava era que João Soares se deixasse de atoardas típicas dos debates políticos do século XIX, dando à direita a oportunidade de denegrir o governo. Mas não, a vaidade de João Soares é superior a tudo isso e em pouco tempo tem sido a vedeta deste governo pela negativa, enquanto os seus colegas fazem o melhor possível João Soares passeia os seus disparates.

«Mais de 24 horas depois do polémico post no Facebook em que prometeu bofetadas aos colunistas Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente, o ministro da Cultura, João Soares, pediu a demissão. E o primeiro-ministro aceitou "naturalmente" a saída, disse António Costa aos jornalistas, no Porto.

"Torno público que apresentei esta manhã ao senhor primeiro-ministro, António Costa, a minha demissão do XXI Governo Constitucional. Faço-o por razões que têm a ver com a minha profunda solidariedade com o Governo e o primeiro-ministro, e o seu projecto político de esquerda", afirmou João Soares num comunicado enviado à agência Lusa.

Poucos minutos depois, António Costa anunciava que aceitou a demissão. "Naturalmente aceitei o seu pedido de demissão", disse o primeiro-ministro, afirmando que respeita a "avaliação" de João Soares e que a decisão de se demitir é "totalmente exclusiva" do agora ex-ministro.» [Público]

      
 Ah, se fosse comigo, João Soares...
   
«Vasco Pulido Valente disse, e bem: "Cá fico à espera das bofetadas." Porque as palavras são isso, palavras. Enquanto palavras, as bofetadas são palavras, não mais. As bofetadas não se prometem, dão-se e, até prova em contrário (serem dadas), são palavras. Mas podem ser erradas, como foram, neste caso, as de João Soares. Nesta edição temos a foto do último duelo em Portugal, 1925. O jornalista do DN escreveu: "Levávamos aquela boa disposição de sempre, a habitual dos espectadores de duelos, de antemão sabendo que ao fim havia de se dar um aperto de mão reconciliador. Um duelo! A costumada comédia..." Palavras... O azar é que, daquela vez (é o problema por vezes das palavras), um dos duelistas morreu de ataque cardíaco. Quer dizer, as palavras, apesar de palavras, podem ter consequências. Dito isto (e porque só estamos no domínio do dizer), o que mais impressiona no episódio das lamparinas prometidas é o palavrório que desencadeou. Demissão! - não se fez por menos. E culpa acrescida por vir de um ministro da Cultura! - supina estupidez. Exatamente por ser de um ministro da Cultura e para dois cronistas, "um par de bofetadas" ganha o estatuto de poder ser dito que não teria, por exemplo, um inspetor do SEF falando a um homem sem passaporte. Aquela conversa Soares-VPV-Seabra é, que diabo, entre iguais. Eu seria ainda mais breve que VPV e responderia ao ministro, assim: "Circunlóquio!" Ou talvez: "Perfunctório!" Palavras, enfim.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Só agora?
   
«Inspectores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária (PJ) estão a realizar esta sexta-feira buscas na sede da TAP, junto ao Aeroporto de Lisboa, confirmou ao PÚBLICO fonte daquela polícia. Os investigadores estarão a recolher documentos e até ao momento não terão sido efectuadas detenções. 

Em causa estarão suspeitas de crime relativas à compra da TAP Manutenção e Engenharia Brasil (antiga VEM). A TAP entrou no capital da empresa de manutenção de aviões em 2005, tendo ficado com 100% em 2007, quando comprou a posição da Geocapital, detida pelo empresário macaense Stanley Ho.

O presidente da TAP, Fernando Pinto, já foi ouvido pelo Ministério Público no final de 2014 no âmbito deste processo. E já então a inquirição - desconhece-se em que condição processual foi ouvido - aconteceu depois de terem sido realizadas, no contexto deste caso, as primeiras buscas nas instalações da companhia de aviação em meados de 2013 e de terem sido ouvidas pessoas com informações sobre a gestão da operadora de handling Groundforce, a compra da unidade de manutenção do Brasil e a tentativa fracassada de venda da empresa a Gérman Efromovich. Movimentos que surgiram depois de uma denúncia anónima ter chegado à PJ.» [Público]
   
Parecer:

Este negócio sempre cheirou muito mal e os mesmos gestores da TAP que fizeram campanha pela sua privatização são os que a arruinaram com um negócio muito duvidoso, até parecia que se queriam ver livres da tutela estatal o quanto antes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver»
  
 A voz do dono
   
«O treinador do FC Porto quer reagir à derrota com o Tondela com “caráter, humildade e profissionalismo” até ao final da época e não só em Paços de Ferreira, no domingo, na 29.ª jornada da I Liga de futebol.

“O que é exigível e o que a história e a grandeza do clube obrigam é que tenhamos todos esses atributos. É um dado que nós, como equipa, temos de realçar. Temos todos de dar esta resposta”, destacou José Peseiro, na abordagem do jogo em Paços de Ferreira.» [Observador]
   
Parecer:

Pinto da Costa deu o campeonato por terminado, disse que as jornadas que faltam eram para avaliar o carácter dos jogadores. Agora vem o treinador dizer que quer um jogo com carácter, intérprete ou a voz do dono?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Fraco direito à palavra
   
«"Torno público que apresentei esta manhã ao senhor primeiro-ministro, António Costa, a minha demissão do XXI Governo Constitucional. Faço-o por razões que têm a ver com a minha profunda solidariedade com o Governo e o primeiro-ministro, e o seu projeto político de esquerda", salienta João Soares no comunicado enviado à agência Lusa.

No mesmo comunicado, João Soares sublinha "o privilégio que representou" para ter integrado este Governo. "E ter trabalhado com o primeiro-ministro, a quem agradeço a confiança. Demito-me também por razões que têm a ver com o meu respeito pelos valores da liberdade. Não aceito prescindir do direito à expressão da opinião e palavra", acrescenta.» [DN]
   
Parecer:

Se o direito à liberdade de expressão é responder à crítica ameaçando com bofetadas vou ali e já volto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  

sexta-feira, abril 08, 2016

Um par de bofetadas


Sei muito bem que não me fica bem andar a prometer bofetadas sempre a quem for e muito menos dizer que me daria um imenso prazer dar umas bofetadas a alguns artistas da nossa praça, não foi assim que me educaram, antes pelo contrário, com quase uma pós graduação em educação católica aprendi que não só não devemos dar bofetadas, como devemos sentir um profundo desejo de dar a outra face se formos nós as vítimas das bofetadas alheias.
  
Mas nem imaginam o prazer que me daria dar um par de bofetadas ao Passos Coelho pelo que me tirou, pelas famílias que destruiu com os seus ódios ideológicos dignos de um cretino, pelos que foram forçados a emigrar em consequência do falhanço da sua desvalorização fiscal. Eu sei muito bem que um democrata espera pacientemente pelas eleições, que um bom cidadão deve confiar na justiça dos homens e que um cristão exemplar confia na justiça divina. Mesmo assim sentiria um grande prazer em dar-lhe um par de bofetadas e acreditem que não era em sentido privado. E o se o Zeca Mendonça andasse por perto, aproveitava para lhe dar um pontapé no traseiro como vingança pelo pontapé que deu ao jornalista.
  
O Vítor Gaspar fez muito bem em fugir do país pois receio que se tentasse dar-lhe um par de bofetadas teria de pedir licença sem vencimento para ir para a fila esperar pela minha vez. Só de pensar na explicação que esse cretino deu do famoso desvio global nem imaginam a vontade que sinto de lhe dar um bom par de bofetadas. 
  
E quantos como eu não gostariam de dar um par de bofetadas ao Paulo Portas? Pior do que isso, dava-lhe uma bofetada por cada submarino, outro par pela famosa cena da fragata que foi mandada para a batalha naval contra a traineira do aborto, outro pelos passeios no famoso Jaguar, mais outro pelos seus negócios na Moderna. Enfim, também fez bem em dar o fora, deixando o Passos a exibir o pin.

O Cavaco talvez se escapasse, mas não porque me falte a vontade, pior do que isso, a vontade de molhar a sopa neste artista já tem mais de duas décadas e razões não me faltam. Ainda ele não tinha comprado o BX e já tinha levado um bom par de bofetadas por conta da revalorização do escudo, quando era ministro das Finanças de Sá Carneiro, decisão que levou o país ao FMI.
  
Mas a lista  dos candidatos aos meus pares de bofetadas não se fica por estes artolas, o Constâncio bem as merece pela vista grossa que fez das vigarices da banca, o António Guterres por ter inventado um pântano para se escapulir a tempo de abichar um lugar lá fora, o Durão pelo que fez aos portugueses e aos europeus ou João Soares quando decidiu descansar durante uma campanha eleitoral e deixou Santana Lopes ganhar a CM de Lisboa.
  
Enfim, lá se foi a minha imagem de democrata, resta-me a consolação de ser dos poucos democratas a ter vontade de andar por aí à bofetada.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
João Soares

João Soares já tem idade para saber que Portugal é um país de gente educada, de boas maneiras, onde não se podem dizer palavrões, todas as raparigas são virgens e todos os políticos são pessoas de extrema educação. Neste país ninguém se porta mal, ninguém mata a mulher à facada, ninguém mata o marido com veneno, os polícias são todos honestos e os magistrados respeitam a democracia.
 
João Soares sabe muito bem que as galhetas são como os palavrões, devem estar reservadas para o espaço da intimidade, do segredo, longe dos ouvidos alheios, senão há uma onde de indignação. É por isso que João Soares deve evitar andar a ameaçar de dar galhetas e muito menos quando está em causa um jornalista. Que as prometesse a um Presidente da República, ao cardeal, ao vizinho tudo bem, mas a um jornalista, esse símbolo nacional das virtudes públicas.

É óbvio que quando se entra para um governo deve cuidar-se da imagem desse governo, não se pode impor aos seus parceiros os seus modelos de comunicação social. João Soares não está acima de tudo e de todos e se quer continuar a ser ministro deve perceber que os seus tiques pessoais devem ficar para o domínio do pessoal.

«"Sou um homem pacífico, nunca bati em ninguém. Não reagi a opiniões, reagi a insultos. Peço desculpa se os assustei." Foi desta forma que o ministro da Cultura João Soares respondeu ao Expresso, por SMS, sobre a polémica que está a marcar o dia desta quinta-feira.

Um bate-boca que ele próprio desencadeou ao escrever na sua conta do Facebook que gostaria de encontrar Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente para lhes dar "as salutares bofetadas" que mereceriam pelos artigos de opinião que escreveram no jornal "Público".

João Soares insurge-se contra um texto publicado por Augusto M. Seabra na edição online do "Público", esta quarta-feira, e termina com uma espécie de desabafo: “Estou a ver que tenho de o procurar, a ele e já agora ao Vasco Pulido Valente”, para umas “salutares bofetadas”.» [Expresso]

 É curioso

Em Portugal nada se sabe do envolvimento de portugueses nas off shore do Fonseca, os nossos jornalistas não divulgam nada e limitam-se a alertar de forma sistemática para o facto de as operações poderem ser legais. Ainda se falou do dono da Altice, mas rapidamente se fez silêncio pois o orçamento publicitário da MEO dá de comer a muita gente.
 
Vale a pena comparar o brilhantismo deontológico revelado pelo jornalismo português neste caso com aquilo que temos visto nalguns casos judiciais. Aí condena-se na praça pública, agora escondem-se os nomes. Enfim, em Portugal a verdade também fica escondida numa off shore.
 
Se alguém está à espera de uma grande revelação ou de uma qualquer investigação que se desengane, isso só sucederá se for apanhado alguém que tenha caído em desgraça e que não possa prejudicar as receitas publicitárias da comunicação social.

 Passos mudou

Já não é o primeiro-ministro no exílio, agora é o primeiro-ministro regressado do exílio que está à espera do fim da legislatura para tentar chegar ao poder.

      
 Não recuar nas reformas
   
«O presidente do BCE disse aos conselheiros ter visto “esforços” de “todos os países” da zona euro, “no sentido de uma reforma das respetivas economias”, descrevendo como “notáveis e necessários” os “esforços de reforma desenvolvidos em Portugal”. E elencou como exemplos de contributos para a competitividade do país, as “reformas do mercado de trabalho”, “a melhoria das condições empresariais ou a redução dos custos de exploração dos portos”. Foi imediatamente a seguir a isto que o presidente do BCE deixou a frase: “Não se justifica anular reformas anteriores. Para além de preservar o que já foi alcançado, são necessárias mais reformas no conjunto da área do euro”.» [Observador]
   
Parecer:

É bom notar que Draghi não inclui naquilo que designa como reformas as medidas injustas, inaceitáveis e inconstitucionais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  

quinta-feira, abril 07, 2016

Preocupações

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A propósito das medidas para estimular as empresas estou tentado a dizer que já só falta recorrer às sugestões presentes nas insinuações feitas por Rui Moreira, presidente da CM do Porto, a propósito da criação de uma linha aérea entre Lisboa e Vigo. Aliás, a insinuação até tem algum fundamento e até teriam menos custos do que uma boa parte das medidas que têm sido adoptadas.

Em nome da competitividade das empresas já pouco resta a sugerir e a crer numa boa parte das medidas adoptadas pelo governo de Passos Coelho a solução passa pela reintrodução da escravatura. Se os cortes de ordenados, os feriados à borla, a eliminação dos direitos laborais não chegaram para que as nossas empresas sejam competitiva, não admiraria que alguém se lembrasse de uma solução mais drástica. Aliás, basta verificar as propostas de emprego no site do Instituto de Emprego e Formação Profissional para se perceber que a escravatura só não e solução porque ficaria mais dispendiosa aos patrões.

Mas agora que o líder da direita mais radical percebeu, finalmente, que esta mesmo na oposição, um sinal de estupidez onde muitos elogiaram a lucidez, estava à espera deste upgrade temporário de Passos Coelho, agora convertido aos valores da social-democracia, ceguei mesmo a imaginar que depois de se ter dito arrependido das maldades que poderá ter feito, viria manifestar preocupações sociais. Mas não, as suas preocupações continuam a ser as empresas.

E foi a pensar nas empresas que apresentou mais de trinta medidas muito criativas. Compreende-se a criatividade, depois de as empresas terem recebido todos os estímulos começa a ser necessário recorrer à imaginação para inventar soluções.
  
Há subsídios para tudo e mais alguma coisa, há programas vantajosos para empregar trabalhadores qualificados, há benefícios fiscais que quase eliminam as receitas fiscais pagas pelas empresas, há tribunais que não funcionam, há a possiblidade ilimitada de recorrer ao assédio laboral em total impunidade (como se tem assistido no caso Carrillo), há planos fiscais favoráveis, promovem-se feiras, enchem-se aviões de empresários nas visitas de Estado. Que mais falta?
  
Talvez não fosse má ideia se antes de se darem benesses se procedesse ao estudo das causas da competitividade. Porque se a causa da falta de competitividade e o desvio do capital para negócios nas off-shore, a má estão, os erros de decisão estratégica, a preguiça tecnológica, a sobrecarga das empresas comas despesas familiares dos donos e muitas outras situações que levam as nossas empresas à falência, a solução não passa por tirar aos que trabalham para dar às empresas, sem a olhar a quem se dá ou a quem vai usar bem os recursos adicionais que recebem. Dar sem critério e sem olhar a quem não é solução.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Pedro Passos Coelho

Passos Coelho é um pouco lerdo e por isso levou seis meses para perceber que perdeu mesmo as eleições e que a figura de primeiro-ministro no exílio não passa de uma figura de parvo. Não podendo continuar à espera que Marcelo lhe agradeça o apoio nas eleições presidenciais com uma dissolução do parlamento que poderia ser desastrosa para o PSD , optou por se armar em oposição.
 
Era de esperar que estivesse preocupado com os mais pobres, honrando o seu novo lema "social-democracia sempre", mas não, a sua preocupação são as empresas que por má gestão ou por desvio de dinheiro para paraísos fiscais ficaram descapitalizada. Enfim, sempre fez alguns progressos, desta vez não propôs dias de trabalho gratuito através da supressão de férias ou feriados, nem se lembrou de sugerir um corte de vencimentos, parece que deixou a escravatura para mais tarde e arranjou 35 medidas imaginativas.

«Pedro Passos Coelho quer deixar de ser uma sombra nas costas de António Costa. Após o estágio de três dias no congresso em Espinho, esta quarta-feira, às 15h, Passos volta ao jogar ao ataque: o PSD vai apresentar o seu "Programa Nacional de Reformas", que conta com 35 ideias para Portugal, noticia o "Público".

O documento de sete páginas, a que o "Público" teve acesso, será apresentado pelo líder parlamentar Luís Montenegro, na Assembleia da República, antes da reunião plenária subordinada ao tema do endividamento e da recapitalização das empresas. Com esta iniciativa, o PSD pretende apresentar “soluções concretas e um contributo de futuro, enquanto o Governo só trouxe generalidades, ideias vagas e folclore político com o esboço de Plano Nacional de Reformas”, diz Montenegro ao "Público".» [Expresso]

 Panamá Papers

Os Panamá Papers vai mexendo um pouco por toda a parte, excepto aqui na nossa aldeia gaulesa, onde os segredos estão muito bem guardados e só se vai sabendo alguma coisa pela comunicação social lá de fora. Parece que os nossos jornalistas estão com problemas de digestão.

Oxalá os nossos jornalistas fosse tão cuidados na divulgação de processos em segredo de justiça como estão sendo com as intimidades fiscais dos mais ricos.

      
 As contradições de Passos
   
«No passado fim de semana, Pedro Passos Coelho decretou o fim do luto a que se tinha votado após os acontecimentos que se seguiram ao 4 de outubro de 2015. Os últimos meses foram marcados pelo ressentimento e a amargura, pela revolta e a indignação, pela azia e a crispação. Se calhar faz parte e é natural, afinal de contas foi o presidente do PSD quem ganhou as eleições e, apesar disso, não é primeiro-ministro. Foi aliás no Parlamento que caiu e acabou "nomeado" líder da oposição. Ao reconhecer a legitimidade do atual governo minoritário do PS e a consistência da solução de suporte que foi encontrada pelos partidos à esquerda, Passos Coelho prestou, honra lhe seja, um bom serviço à democracia. Desde logo, liberta o PSD do discurso da usurpação e do golpe que tem sido o seu permitindo o regresso à política e a afirmação do partido na liderança da oposição. Ao mesmo tempo, concede mais tempo ao governo do PS e, por definição, alarga também o prazo de validade da sua liderança na medida em que o seu futuro político é indissociável do destino de António Costa. Isto é, se o tempo lhe der razão, como se convenceu, e a experiência governativa das esquerdas correr mal, Passos Coelho pode beneficiar de algum oxigénio para aplicar o programa da coligação PAF. Mas se, pelo contrário, António Costa for bem-sucedido, o líder do PSD está condenado. Na verdade, num caso ou noutro, o destino do ex-primeiro-ministro não é brilhante, porque correndo mal a vida a António Costa o país é arrastado para o abismo e Passos Coelho não se livra da imagem de ter apostado no quanto pior melhor para assim tentar garantir a sobrevivência política. Assumidamente na oposição e "sem pressa" de ir para eleições, espera-se agora que Pedro Passos Coelha cumpra o seu papel. Não que se reinvente ou que seja o que nunca foi. Isso seria exigir-lhe a incoerência. Mas foi ele quem caiu na contradição de se travestir de social-democrata. Quem ouviu os discursos feitos em Espinho, na verdade foi sempre o mesmo, e olhou com rigor para a renovação (?!) que foi promovida não pode deixar de constatar o embuste: a afirmação da social-democracia sempre não passa de um slogan vazio que não é compatível com a visão de que o Estado é um empecilho que é preciso demolir, de que o SNS e a escola pública são para pobres porque os outros terão o seu lugar nos privados, e outras opções que resultam de uma visão pouco universal do Estado social. E é a identidade ideológica o maior problema que o PSD e Passos Coelho enfrentam. É que ninguém pode ser aquilo que nunca foi.» [DN]
   
Autor:

Nuno Saraiva.

      
 Polícia suíça já investiga
   
«A polícia federal suíça levou a cabo esta quarta-feira buscas na sede da UEFA em Nyon. As autoridades pediram para ver documentos assinados pelo atual presidente da FIFA Gianni Infantino, que em tempos foi alto dirigente da UEFA. A operação surge no seguimento da fuga de informação do Panama Papers.

“A UEFA pode confirmar que hoje [quarta-feira] recebeu uma visita da Polícia Federal suíça, com um mandado e pediu para ver os contratos entre a UEFA e a Cross Trading/Teleamazonas. Naturalmente, a UEFA disponibilizou todos os documentos relevantes em sua posse e vai cooperar totalmente”, lê-se no comunicado, citado pelo jornal britânico “The Guardian”.

Segundo a mesma publicação, Infantino assinou, em 2006, um contrato de cedência de direitos televisivos com dois empresários envolvidos em casos de corrupção no futebol, Hugo Jinkis e Mariano Jinkis. A Cross Trading, detida pelos Jinkins e que está registada num paraíso fiscal do Pacífico Sul, comprou os direitos de transmissão para a Liga dos Campeões, Taça UEFA e Super Taça por 111 mil dólares e, imediatamente, vendeu-os ao canal televisivo equatoriano, Teleamazonas, por pouco mais de 311 mil dólares.» [Expresso]
   
Parecer:

Por cá zelosos jornalistas estão vendo o que pode ser divulgado e o que deve ficar em segredo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Trocar informações com quem?
   
«O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, comprometeu-se a utilizar “todos os mecanismos legais” para tributar rendimentos que sejam devidos em Portugal e que tenham sido ocultados. No debate parlamentar de actualidade em torno do escândalo Panama Papers, as bancadas de esquerda sublinharam não ficar surpreendidas com as revelações da investigação jornalística, mas o PCP mostrou estar desconfiado sobre os “interesses” que visam estas revelações.

Depois de salientar a necessidade de cooperação internacional para combater irregularidades nos offshores, Fernando Rocha Andrade deu um sinal de que o Governo não está de braços cruzados.

"Não só tentaremos obter toda a informação relevante, como serão utilizados todos os mecanismos legais no sentido de serem tributados aqueles rendimentos e aqueles patrimónios que devam imposto em Portugal e cuja ocultação agora se detecte e que sejam levados as últimas consequências todas as omissões de deveres fiscais, nomeadamente deveres declarativos que sejam revelados através deste processo", afirmou Rocha Andrade. O governante comprometeu-se a apresentar “este ano” legislação para “identificar os beneficiários colectivos” que utilizam offshores a partir de Portugal e a colocar em funcionamento, “nas próximas semanas”, a troca de informações entre as autoridades tributárias.» [Público]
   
Parecer:

Será que o secretário de Estado vai trocar informações com o Panamá ou mesmo com o governo regional da Madeira?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

quarta-feira, abril 06, 2016

Injustiça fiscal

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Para os rendimentos do capital não faltam argumentos em defesa da redução dos impostos, em plena austeridade aumentou-se o IRS para financiar uma redução do IRC e ainda ninguém se deu ao trabalho se daí resultou algum investimento, talvez fosse interessante comparar o volume de investimento em consequência dessa medida com o “investimento” que o país fez em perda de receitas fiscais.

Para os mais poderosos há paraísos fiscais por tudo quanto é canto, desde o Panamá a Hong Kong, do Luxemburgo ao Reino Unido ou da Madeira ao Gibraltar. Não vale a pena dizer cobras e lagartos dos paraísos fiscais e das ilegalidades que nalguns acontecem, são os governos europeus que oferecem benefícios fiscais pro debaixo da mesa, como sucedeu com o governo do Luxemburgo quando presidido por Junkers. Há também governos generosos com o objectivo de levar opara lá empresários muito nacionalistas como o nosso José Manuel dos Santos.

Para os mais ricos há partidos poderosos a defender os seus interesses, há organizações internacionais que usam o poder para impor medidas de apoio ao enriquecimento dos mais ricos, há uma Comissão Europeia que confunde os interesses da Europa com os dos mais ricos, sejam pessoas ou países.

O rico pode mudar de residência fiscal para o estrangeiro, pode transferir os seus ganhos para longe do seu país, pode recorrer a todo um arsenal de truques contabilísticos, podem contratar consultores, contam com gabinetes fiscais dos bancos para os ajudar e quando são obrigados a pagar impostos podem recorrer aos tribunais.

Os pobres pagam e calam, não podem recorrer aos tribunais e perdem todos os recursos administrativos, são ameaçados todos os dias por uma máquina fiscal que lhe diz que se não pagar até ao último tostão fica com tudo penhorado, da ponta dos cabelos às unhas dos pés. Na maior parte dos casos os pobres nem sequer precisam de pagar impostos por sua iniciativa, na maior parte dos casos ou são retidos na fonte, ou fazem parte do preços dos bens que pagam. Por mais absurdo que pareça, os pobres ainda pagam a mais para depois serem reembolsados, um mês depois de entregarem a declaração de IRS. Isto é, começam em Janeiro a emprestar dinheiro o Estado para serem reembolsados sem juros em Maio do ano seguintes.

Os Panamá Papers, uma treta que daqui a uns tempos estará abafada como já o está a famosa Lista Lagarde, para não referir a quase esquecida Operação Furacão ou a Operação Monte Branco. Daqui a uns tempos saberemos que há mais uns pobres com tudo penhorado e uns ricos a beneficiar de mais um perdão fiscal. O caso Panama Papers é uma gota de água na imensa injustiça fiscal que os portugueses são obrigados a suportar.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
     
Carlos Costa, governador do BdP inimputável

O governador do Banco de Portugal não tem responsabilidades, a culpa é de tudo e de todos menos dele, o homem que foi reconduzido pela sua experiência diz agora que quem manda é o BCE, o mesmo BCE cujo poder invocou para que os funcionários do VdP tivessem beneficiado de um oásis quando os funcionários do Estado foram condenados a uma dose brutal de austeridade.

«As atas das reuniões que tomaram as decisões negativas para o Banif existem, mas são propriedade do eurosistema cujos participantes têm de autorizar a divulgação. Mas o Banco de Portugal também faz parte desse eurosistema e não precisa de receber uma notificação formal sobre essas decisões, volta a explicar Carlos Costa, a uma pergunta de Miguel Tiago.

O governador explica agora porque recomendou que não fosse acionado o mecanismo de conversão do capital em direitos de voto, perante o incumprimento do plano de recapitalização pelo Banif. Carlos Costa lembra que na altura decorria um aumento de capital privado (julho de 2013) e não era a melhor altura. Mas depois, o governo poderia tê-lo feito. E não cabe ao Banco de Portugal substituir-se ao Estado, conclui.» [Observador]

      
 Um governador que sabe o que quer
   
«Quando se sentar hoje na sala 6 do Parlamento, onde vai ser ouvido no âmbito da comissão de inquérito ao Banif, o governador do Banco de Portugal (BdP) estará ciente de que vai ter uma tarde intensa e uma mão-cheia de dúvidas por dissipar. Mas há uma, que surgiu nos últimos dias, que inquieta particularmente os deputados: como é que, numa semana, Carlos Costa deixou de defender uma segunda injeção de capitais públicos no banco para regressar à sua posição original, a de que a aplicação de uma medida de resolução seria a melhor alternativa?

A aparente contradição está documentada em cartas enviadas, a 4 e 12 de dezembro do ano passado, pelo supervisor ao ministro das Finanças, mas não deixa de ser uma incógnita para as diversas forças com assento parlamentar. "O BdP entende que a solução que melhor permite lidar com a situação de crise financeira grave que o Banif enfrenta (...) é a realização de uma operação de capitalização obrigatória com recurso ao investimento público", escrevia Costa a Mário Centeno, dando cinco dias ao governante para lhe transmitir qual era o entendimento das Finanças perante uma proposta que também já tinha formulado a Maria Luís Albuquerque. E afastava assim a solução que em 2013 considerava ser necessária para manter o banco fundado por Horácio Roque à tona, a resolução.» [DN]
   
Parecer:

OI homem não pede a demissão?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Em quem podemos confiar
   
«Um inspector-chefe da Polícia Judiciária (PJ) e um coordenador reformado também da PJ foram detidos esta terça-feira, juntamente com outros 13 homens, por suspeitas de corrupção activa e passiva, branqueamento de capitais, associação criminosa e tráfico de estupefacientes.

Ambos terão recebido, pelo menos nos dois últimos anos, milhares de euros de traficantes. Pelo alegado suborno, terão travado investigações, ignorado casos suspeitos de tráfico de droga que não averiguavam e passado informações a quem lhes pagava. Além de elevadas quantias monetárias, os dois polícias terão também recebido outro tipo de vantagens patrimoniais.

Para os traficantes, os dois investigadores tinham um lugar privilegiado na Polícia Judiciária, importante para os seus interesses. O inspector-chefe trabalha há já vários anos na Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da PJ, onde dirigia uma das três secções, ocupando um cargo que deveria estar entregue a um profissional de categoria superior, um coordenador de investigação criminal. Tal não sucedia, como acontece em muitas outras situações devido à enorme falta de chefias na PJ.» [Público]
   
Parecer:

Depois do caso dos vistos gold sabe-se deste, mais uma vez é a credibilidade de importantes instituição do Estado que está em causa. Para além dos seus contornos criminais este caso devia ser considerado um case study e ser analisado para se compreender como se explica a vulnerabilidade daqueles que eram líderes no combate ao tráfico.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente e elogie-se a capacidade da PS de investigar os seus.»
  

terça-feira, abril 05, 2016

As listas

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Parece que anda muita gente excitada com os Panama Papers, todos esperam que é desta vez que os ricos vão ser apanhados nas malhas do fisco e, com o já começa a ser habitual, a PGR até comunica que está a acompanhar o assunto. Se a PGR está a acompanhar o assunto isso significa que estamos perante um caso sério e que a justiça vai ser implacável.

Podemos estar descansados, certamente qe o fisco já está na posse dos nomes e do conhecimento da patranhas fiscais dos nossos poderosos ou, pelo menos daqueles que recorram aos serviços do Fonseca, no jornal Expresso ninguém dorme para que se apanhem os capitalistas abusadores, mesmo que ameacem deixar de fazer publicidade na comunicação social do grupo Impresa ninguém vai recuar e o caso Panama Papers vai ser investigado até às últimas consequências, tal como sucedeu com o caso do Mensalão.
  
Este é o maravilhoso país da Alice, o país onde os ricos correm riscos se não cumprirem a lei, onde há igualdade no tratamento dado pela máquina fiscal e pelas suas leis fiscais, um país onde há prolemas financeiros só por causa da falta de competitividade e dos salários altos, onde todos cumprem com as suas obrigações fiscais.
  
Mas há um outro Portugal bem diferente do país da Alice, é o país onde vivem a maioria dos portugeses é o país onde os perdões fiscais do Oliveira e Costa tornaram muitos empresários ainda mais competitivos, onde durante muitos mandatos governamentais o gabinete do secretário de Estado dos Assuntos fiscais foram serviços de finanças para ricos, onde as recetas fiscais do IRC desaparecem com a multiplicação dos benefícios fiscais dados às empresas em prol da sua competividade.
  
Nesse país há milhares de milhões de euros de impostos por cobrar e esquecidos em tribunais fiscais intencionalmente ineficazes, há perdões fiscais para que o dinheiro que está ao cuidado dos Fonsecas regresse devidamente branqueado onde se organizam perdões fiscais e de multas para os que não cumpriram com as suas obrigações fiscais mas foram apanhados.
  
É por isso que os Panama Papers é mais uma lista, uma lista que terá o mesmo destino que tiveram outras, quem não se lembra da lista Lagarde, da lista dos trafulhas da Operação Monte Branco ou da Operação Furacão. É neste país que alguém que foi apanhado por fraude fiscal na Operação Furacão aparece depois como candidato presidencial a dar lições ao país e tendo por mandatário nacional um ex-ministro das Finanças. Enfim, talvez seja melhor começarem a fazer listas de palhaços.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Maria Luís, putativa sucessora do traste

Maria Luís diz que a Europa deve ser mais acutilante em relação à evasão fiscal e tem razão, acho que deveria sugerir aos seus parceiros que façam nos seus países o que ela fez no nosso, promoveu vário perdões fiscais ao mesmo tempo que perseguia os menos poderosos e levantava a fasquia a partir da qual se pode recorrer aos tribunais contra as decisões da máquina fiscal.

Enfim, como diria São Tomé...

«A antiga ministra do governo de Passos Coelho lembrou que este "é um tema que se debate há muito tempo", mas concorda que a Europa deveria ser mais "acutilante" na sua abordagem.

"A Europa deveria ser acutilante numa série de questões que são muito relevantes [e] as questões fiscais são muito relevantes, na medida em que criam uma perceção de grande injustiça nos cidadãos", disse.

Maria Luís criticou ainda "as questões relacionadas com a concorrência desleal, por diferenciais fiscais demasiado acentuados, que acaba por resultar na deslocalização de empresas, ou as empresas pagarem impostos em sítios onde não produzem".» [DN]
  
 O futebol tem destas coisas
  
O Tondela ganhou na casa do Porto e empatou na do Sporting e está em último lugar. Em contrapartida, o Benfica perdeu na sua casa com o Sporting e como Porto e está em primeiro lugar.

 E o que é feito da Lista Lagarde (SwissLeaks)?
  

  
Agora que anda meio mundo numa grande excitação por causa dos Panama Papers seria interessante apurar o que é feito da famosa Lista Lagarde. Paulo Núncio, que hoje está num grande escritório de negócios, garantia no final de Fevereiro de 2015 que já estava na posse dos elementos da famosa lista. Até hoje não se voltou a falar no assunto. Digamos que era tudo boa gente e que não havia nada de reprovável. [DE]

 Dúvidas

O Expresso entrou no esquema dos Panama Papers para divulgar a verdade ou para a agerir em favor das suas audiência e para queimar os empresários menos amigos da Impresa ao mesmo tempo que poupa os amigos da família?

Quando o Expresso conclui que está tudo bem com um determinado negócio podemos confiar de que é mesmo verdade ou podemos recear que o Expresso filtra essa informação segundo critérios menos jornalísticos?

 Zidane e a pastilha elástica


 Seis meses

Foi o tempo necessário para Passos Coelho perceber que estava na oposição, agora que Marcelo já poderia dissolver o parlamento Passos Coelho deixa cair o desejo de ir a votos.

      
 Que coisa estranha...
   
«O Ministério Público português está a acompanhar o caso Panama Papers que envolve um número ainda indefinido de figuras da política, das empresas, do desporto e das artes, no contexto de um escândalo internacional de lavagem de dinheiro através do envio de capitais para offshores daquele país da América Central.

“O Ministério Público está a acompanhar a situação, recolhendo elementos e procedendo à respectiva análise”, disse a Procuradoria-Geral da República (PGR) dando conta de que só será formalmente aberto um inquérito caso sejam recolhidos indícios de eventuais crimes. “Se desses elementos resultarem factos susceptíveis de integrarem a prática de crimes, o Ministério Público, como sempre, não deixará de agir em conformidade.”

Pelo menos um português surge citado, para já, nos 11,5 milhões de documentos revelados domingo pelo Süddeutsche Zeitung e o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. Trata-se de Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, um empresário de Vouzela dono de um conglomerado de nome Lusitania Group, composto por 14 empresas sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, entre 2003 e 2011.» [Público]
   
Parecer:

É inacreditável, o trio formado pelo Alexandre, pelo Teixeira e pelo inspector de Braga ainda não encontraram indícios entre o Fonseca e o Sócrates. De certeza que o Fonseca não tem um qualquer primo em décimo grau ali para os lados da Covilhã?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Pobre PSD
   
«O Ministério Público português está a acompanhar o caso Panama Papers que envolve um número ainda indefinido de figuras da política, das empresas, do desporto e das artes, no contexto de um escândalo internacional de lavagem de dinheiro através do envio de capitais para offshores daquele país da América Central.

“O Ministério Público está a acompanhar a situação, recolhendo elementos e procedendo à respectiva análise”, disse a Procuradoria-Geral da República (PGR) dando conta de que só será formalmente aberto um inquérito caso sejam recolhidos indícios de eventuais crimes. “Se desses elementos resultarem factos susceptíveis de integrarem a prática de crimes, o Ministério Público, como sempre, não deixará de agir em conformidade.”

Pelo menos um português surge citado, para já, nos 11,5 milhões de documentos revelados domingo pelo Süddeutsche Zeitung e o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. Trata-se de Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, um empresário de Vouzela dono de um conglomerado de nome Lusitania Group, composto por 14 empresas sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, entre 2003 e 2011.» [Público]
   
Parecer:

Passos endoidou de um todo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  

segunda-feira, abril 04, 2016

A fonsequização da economia e da política

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Durante décadas os nossos capitalistas foram sempre os mesmos, um misto de protegidos do regime e empreendedores empresários como os Melos ou Champalimaud foram crescendo e criaram os seus impérios ao longo de décadas. Hoje tudo e mais rápido, o dinheiro fácil multiplica-se como cogumelos, já não e necessária uma ditadura para reprimir trabalhadores.

Hoje os dedos não chegam e de um dia para o outro vão surgindo novas fortunas, modestos advogados que se dedicam à política e reaparecem como poderosos banqueiros, jovem políticos sem grandes habilitações que passados uns anos são importantes consultores de negócios internacionais. O dinheiro de alguns cresce de forma exponencial, todos os dias aparecem ricos que ninguém conhecia. E quando alguém tem sucesso na vida, porque saiu o euromilhões ou porque se foi para administrador da Arrows há logo quem nos chame invejosos.

Aquilo que assistimos ao nível nacional sucede ao nível mundial, de um dia para o outro aparecem cara novas nos primeiros lugares da lista da Forbes, por todo o lado surgem negócios de milhares de milhões. Surgem novos capitalistas por todo o lado, desde filhas de guerrilheiros que se transformam em banqueiras a estudantes de Harvard que de um dia para o outro juntam fortunas de milhares de milhões graças ao sucesso das suas startups. 
  
O problema é que ao mesmo tempo que o capital exibe toda esta vitalidade alguns povos sofrem cada vez mais, políticos e jornalistas económicos exigem um retrocesso nos direitos laorais e o corte dos rendimentos dos trabalhadores em nome da competitividade. Países inteiros afundam-se em guerras civis, deixando de existi enquanto estados, a miséria espalha-se por continentes como sucede em África.
  
O mundo devia ter tremido com o escândalo dos Panama papers mas a verdade é que não há nada de novo, toda a gente sabe que os ricos não só se escapam a uma ao parte dos impostos como ainda têm governantes que aumentam o IRS com uma sobretaxa para poderem baixar o IRC. Todos sabemos para onde vão as receitas resultantes dos recursos n aturais de muitos países, da mesma forma que sabemos que por cá á quem prefira pagar impostos na Holanda ou esconder os seus lucros com a ajuda do Fonseca.
  
A verdade é que estamos a assistir à fonsequização da economia e com políticos como Durão Barroso, Passos Coelho e muitos outros, assistimos também a uma fonsequização da democracia.

Umas no cravo e outrs na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Passos Coelho mudou, mudou tanto que agora é um grande defensor da Constituição, a mesma Constituição que desrespeitou sistematicamente e que tentou rever por duas vezes, uma primeira vez com um projecto de revisão diametralmente oposto ao texto actua, uma segunda evz quando tentou que se realizassem tantas eleições antecipadas quanto as necessárias para a direita ter uma maioria absoluta. Mas Passos encontrou uma desculpa, ele não violou a Constituição, violou princípios que não estão lá escritos.

 Assunção Cristas aderiu ao PSD?

Bateu mais palmas no discurso de encerramento de Passos Coelho do que alguns dos delegados ao congresso, por momento achei que estava na cadeira errada, tanto empenho justificava um lugar ao lado da Maria Luís.

      
 Gastar acima das possibilidades
   
«Num montante de crédito concedido que ascendia a €7,3 mil milhões, olhar para uma pequena verba de dois milhões pode parecer um pormenor. Mas não é se este valor disser respeito a financiamento de partidos. No final do primeiro semestre do ano passado, de acordo com os dados da lista a que o Expresso teve acesso, havia empréstimos a partidos políticos num total de €1,8 milhões, dos quais a grande maioria (€1,6 milhões) para o Partido Social Democrata. Eram três empréstimos de, respetivamente, €964 mil, €382 mil e €213 mil concedidos entre 2014 e 2015.

O PSD apresenta outros números. O partido indicou ao Expresso que a comissão política regional da Madeira tinha em junho de 2015 dois créditos com o Banif, um de €2,3 milhões e outro de €0,9 milhões.» [Expresso]
   
Parecer:

Parece que as críticas de Passos ao recurso ao crédito são apenas para os trabalhadores.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O FMI não fez nada contra Portugal?
   
«Alexis Tsipras acusa dois altos quadros do Fundo Monetário Internacional (FMI) de utilizarem “táticas perigosas” nas negociações em torno do primeiro 'exame' ao andamento do terceiro resgate grego que ameaçam a unidade europeia e que poderão causar “uma desestabilização geopolítica mais ampla” na Europa.

Este domingo o jornal “Ethnos tis Kyriakis” ("Nação" dominical) revela que o primeiro-ministro helénico reagiu, com dureza, ao conteúdo de uma transcrição de uma teleconferência entre Poul Thomsen, chefe do Departamento Europeu do FMI, e Delia Velculescu, chefe de Missão do FMI em Atenas, revelada no WikiLeaks. Os dois altos quadros do Fundo alegadamente discutiram a 16 de março a possibilidade de esperar por um “evento” para se pressionar o governo grego a aceitar medidas de austeridade mais duras e os credores oficiais europeus, nomeadamente a chanceler alemã Ângela Merkel, a darem luz verde a uma segunda reestruturação da dívida helénica.» [Expresso]
   
Parecer:

É óbvio que não andaram a fazer coisa boa na companhia de gente como Passos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»