sábado, abril 16, 2016

As novas estratégias da direita

Quando Passos Coelho iniciou a farsa da ilegitimidade do governo com mairoia parlamentar a direita anónima ainda chegou a convocar uma manifestação e havia quem defendesse que se recorresse à ocupação de uma praça. Tudo foi esquecido e a tentativa falhada de derrubar um parlamento eleito através de uma suposta maioria de rua falhou e mesmo assim Passos Coelho tardou quase seis meses para se convencer que se queria regressar ao poder teria que respeitar a mesma Constituição que não respeitou quando era primeiro-ministro.

Este incidente não foi isolado, inspirou-se noutras experiências que vão ocorrendo um pouco por todo o lado. Quando a direita sente que não ganha eleições procura a criação de incidentes para criar um clima de instabilidade que conduza a uma reviravolta eleitoral ou que promova um ambiente de rua hostil ao governo. Foi desta forma que nos últimos meses temos assistindo ao derrube de vários governos. Aquilo que o PSD e CDS tentaram fazer em Portugal a coberto de iniciativas anónimas não foi novidade.

Perante o falhanço da manifestação espontâneo a esperança estava nas "instituições europeias" e vimos Passos Coelho a mendigar em Madrid, nas reuniões do PPE e noutros fóruns para que lhe devolvessem o governo do protectorado. Perante o falhanço desta manobra começou a apostar numa crise financeira a curto prazo e tudo fizeram para que a agência canadiana baixasse o rating da dívida portuguesa. Esta estratégia não era novidade pois Passos chegou ao poder graças a uma crise financeira.
  
Como também não foi novidade o passeio automóvel organizado em Viana do Castelo para se abastecerem em Espanha. A maioria daqueles manifestantes sempre se abasteceram em Espanha e o aumento do ISP foi apenas um argumento. Há muito que a direita portuguesa se habituou a vestir o fato do cidadão anónimo, e desde o ISP ao encerramento de uma maternidade arcaica tudo serve para que se dispa o fato do militante e surja o cidadão espontâneo convocado pelas redes sociais. Localmente toada a gente os conhece, a comunicação social sabe do truque mas mesmo assim estas manifestações são apresentadas como uma revolta popular espontânea.

Agora a estratégia é a brasileira, procura-se denegrir ministro a ministro, secretário de estado a secretário de estado, ser amigo é um perigo, os governantes não podem ter assessores, t~em de ter muito cuidado quando telefonam, a direita tem olhos e ouvidos em todo o lado, o ambiente é de golpe.
  
Enfim, talvez um dia a direita desista e passe a fazer oposição a sério, apresentado alternativas e deixando de ter a esperança de vir a governar com agendas secretas e com o apoio da chanagem de troikas externas.

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Duarte Lima

Foi um príncipe do Cavaquismo, vice.-rei de Trás-os-Montes líder parlamentar do PSD, mas acabou por cair em desgraça quando se soube da sua vida luxuosa. Mais tarde regressou, curou-se de uma leucemia, tornou-se uma personalidade pública, exibia o seu lado de homem culto, liderou a causa dos doentes de leucemia. Volta agora a cair em desgraça, depois da acusação de homicídio, uma nova acusação, desta vez de "roubo". O fim triste deste cavaquista bem sucedido.

«O Ministério Público (MP) acusou Duarte Lima de abuso de confiança, por apropriação indevida de mais de cinco milhões de euros de Rosalina Ribeiro, de cuja morte é acusado no Brasil.

Em causa está, segundo o MP, a apropriação indevida por Duarte Lima de 5.240.868,05 euros que Rosalina Ribeiro lhe transferiu, a título provisório, em 2001, para uma conta na Suíça para que este guardasse a verba enquanto decorressem as ações judiciais interpostas pelos herdeiros do empresário português Lúcio Feteira contra Rosalina Ribeiro.

"Na posse de tal montante, Duarte Lima utilizou-o em proveito próprio, apropriando-se do mesmo, sem nunca o ter restituído a Rosalina Ribeiro", explica o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).» [Expresso]

      
 As paradas gay e as paradas de quartel
   
«Numa paródia dos Monty Python, o sargento (interpretado por Graham Chapman), com voz poderosa, manda oito soldados para a parada. Os soldados, em ordem unida, cadenciados, arrancam com passada harmoniosa, que passa a sê-lo até demais. Ancas meneando, mãozinha descaindo no pulso e gritinhos ("whoops!") no momento de volver à direita... "Esquisito!", diz o sargento sobre o exercício bichona de fardados. São só 40 segundos de marcha, onde a piada menor não é a ironia de Graham Chapman ser o único gay dos Monty Python, os grandes humoristas da história da televisão. Há ali, na voz grossa do sargento, uma vontade em não querer confundir o cu com as calças. Uma parada gay é um exercício feérico, um encantamento pela igualdade conquistada. Já as paradas de quartel são para criar um espírito de corpo onde os desejos do corpo abdicam em nome do dever. Aquela é festa; estas, esforço. O marechal Lyautey, o maior militar do império colonial francês, era homossexual. O general Montgomery, comandante britânico da II Guerra Mundial, era homossexual. Podemos gostar ou não das batalhas que eles ganharam mas o certo é que ambos as perderiam (porque sem autoridade) se tivessem confundido as paradas. Reparei que na recente discussão sobre o Colégio Militar nenhum jornal ousou fazer ligação para o vídeo dos Monty Python (está no YouTube), apesar de que ele podia ilustrar uma explicação. Whoops!, está tão mariquinhas a nossa opinião pública.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 MP é empresa de auditoria
   
«O novo secretário de Estado da Juventude e do Desporto foi constituído arguido por suspeitas da prática dos crimes de corrupção, administração danosa, infidelidade e abuso de poder entre 2013 e 28 de agosto de 2015 — altura em que os autos onde João Paulo Rebelo estava a ser investigado enquanto presidente do organismo público Movijovem, juntamente com mais dois ex-administradores (Helena Alves e Alexandra Alvarez), foram arquivados pelo Departamento Investigação e Ação Penal de Évora.

Apesar de ilibar os arguidos e de constatar a prescrição do crime de abuso de poder, o Ministério Público (MP) censurou-os por “imprudência na gestão” e por decisões “arriscadas ou erradamente ponderadas”. Além disso, como se lê no despacho de arquivamento a que o Observador teve acesso, o MP critica uma “falta de cuidado em desagrado das melhores regras de gestão, o que, noutra perspetiva, poderia ser relevante em termos de apreciação do mérito do seu desempenho profissional nos cargos”.» [Observador]
   
Parecer:

Reparo agora na comunicação social que o MP também faz auditoria e conclui sobre a gestão, imagino que o Centro de Estudos Judiciários terá criado uma especialidade de auditoria empresarial.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

sexta-feira, abril 15, 2016

Peço desculpa, não sou gay

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Nos meus tempos de Económicas andava por lá uma praga que a toda a hora invadia as aulas para distribuir papelada, eram os trotskistas. A raparigas tratavam cada pelinho que lhes crescia na pele como um símbolo precioso da sua fidelidade ideológica à classe operária e não só o declaravam como espécie protegida, como ainda o regavam na esperança se a sua firmeza combativa se tornar mais evidente. Elas até tinham aquele ar de cruzamento entre os neandertais e as meninas da Av. De Roma.

Nesse tempo os trotskistas eram os grupelhos no meio dos grupelhos, na moda estava a UDP, que se tinha destacado no meio da miríade de grupos marxistas, leninistas, estalinistas, grupos que odiavam tanto os trokistas como na nossa tradição os cães odeiam os gatos. Os trotskistas eram marginais, enquanto a UDP já era um grupo à séria, até conseguia fazer eleger um deputado, começou por ser o famoso Acácio Barreiros, mais tarde veio o Major Tomé, um herói da Polícia Militar.
  
A forma dos nossos trotskistas conseguirem mais mercado eleitoral foi apostando em causas ditas marginais, como o direitos dos homossexuais, hoje igualdade do género. Eram mais uma linha que dividia marxistas-leninistas de trotskistas, os primeiros consideravam a homossexualidade uma degenerescência resultante da perversão da burguesia e só começou a mudar de posição quando a LCI começou a emergir como força eleitoral, fazendo desaparecer os outros grupos adoradores do Leon, o velhinho simpático que os nossos amigos apresentam como uma espécie de o avô dos pudins Boca Doce quando comparado com Estaline, ocultam que o velhinho simpático foi o chefe do exército vermelho e no sue currículo tem a morte de muitos milhares de russos, com destaque para a chacina dos marinheiros da Revolta de Kronstadt, uma tentativa dos marinheiros que tinham apoiado a revolução de realização de eleições democráticas como Lenine tinha prometido.

Depois de todas estas trapalhadas eis que as meninas já estão à beira de se candidatarem a anjos da Victoria´s Secret e o atrasadinho sou eu. Defendi sempre o direito à igualdade de todos os que a sociedade tem marginalizado, independentemente disso resultar, de raças, culturas, religiões, etnias, géneros ou do que quer que seja. Mas eis que de um momento para o outro tenho de me envergonhar porque a palavra cidadão é símbolo de macho, a partir de agora tenho de pedir desculpa a todos sempre que invocar o meu estatuto de cidadão, porque estou a discriminar as mulheres e os homossexuais.
  
Isto começa a roçar o ridículo e ainda se vão lembrar de propor um acordo ortográfico para eliminar todas as palavras que possam ser entendidas como uma forma de discriminação. Enfim, até aqui estive sempre do lado dos direitos da com unidade gay, agora começo a sentir que também terei de pedir desculpa por ser de um género diferente do deles e ainda terei de ter cuidado não vá alguma comissão da igualdade queixar-se de mima ao Ministério público.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
António Galamba, deputado

Num acto de desespero Seguro tentou associar António Costa a negócios, apresentando-se como o líder do PS sem quaisquer ligações a empresas. AO lado de Seguro neste tipo de insinuações estiveram personalidades como Maria de Belém, Beleza e António Galamba, este último um dos mais acirrados acusadores. Parece que Galamba ainda não desistiu e agora descobriu que um perigosos amigo de António Costa tinha, no âmbito das suas funções de advogado, tido ligações a certas empresas.

Para Galamba quem quer que preste um seriço de advocacia com uma empresa é co-responsável pelos crimes eventualmente cometidos pelos dirigentes dessa empresa, pouco importando o tipo de relação profissional, as responsabilidades assumidas e o momento em que isso ocorreu. Quem teve relação com o BES é igual ao Salgado, quem engraxou os sapatos a Al Capone é homicida e quem se cruzou com a Sara Sampaio é tão bonito como ela.

Esta é uma forma de lançar insinuações digna do tempo das fogueiras, vinda de alguém de um partidos com os valores do PS é lamentável, tratando_se de um jurista que assumem como profissão ser consultor de empresas é caso para lhe perguntar porque razão no seu currículo parlamentar não consta o nome das empresas que serviu, já que anda tão empenhado em denunciar as relações profissionais dos outros.

«As presenças do advogado Diogo Lacerda Machado em negócios com o Estado são enumeradas por António Galamba, membro da comissão política nacional do PS e antigo membro da direção de António José Seguro. A intervenção do amigo pessoal de António Costa em processos com o Estado – que tem estado sob forte polémica nos últimos dias – é criticada pelo socialista que dá como exemplos de “confusão entre política e negócios” a intervenção do mesmo advogado no negócio de adjudicação do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) ou na compra dos helicópteros Kamov.

Num artigo de opinião publicado no jornal i (intitulado “Temos paquiderme na loja”), António Galamba avisa que “não há opacidade má de direita e opacidade boa de esquerda. Há falta de transparência, de rigor, na gestão da coisa pública, e a expectativa de que os portugueses possam ser tomados por parvo, pro bono ou por 2 mil euros brutos. Tudo o resto é como se tivéssemos uma manada de elefantes numa loja de porcelanas”, diz logo depois de falar nos dois negócios polémicos onde diz que Lacerda Machado interveio.» [Observador]

 Informalismos

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Critiquei aqui o informalismo do ministro da defesa enquanto fazia revista às tropas. Mas parece que a moda já vem detrás, e o seríssimo Aguiar Branco já se tinha apresentado na parada em "trajes menores".

      
 Sócrates só pode ouvir as escutas na CMTV
   
«O Tribunal da Relação de Lisboa rejeitou um recurso do ex-primeiro-ministro José Sócrates contra a decisão do juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal Carlos Alexandre de lhe negar o acesso a escutas telefónicas da Operação Marquês.

Fonte da Relação de Lisboa adiantou à agência Lusa que os juízes desembargadores da 9.ª secção decidiram “manter a decisão” tomada pelo juiz.

Recentemente, José Sócrates viu retirada a medida de coação que o impedia de sair do país sem autorização judicial, conforme referiu à agência Lusa um dos advogados de defesa do antigo líder do PS.» [Observador]
   
Parecer:

Também não percebo porquê Sócrates quer ter acesso às escutas, basta ligar a CMTV. Aliás, estou mesmo convencido de que o próprio Mário Alexandre em vez de estudar os processos basta ver a televisão do Octávio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

quinta-feira, abril 14, 2016

Houve corrupção no BANIF?

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Uma coisa já é certa, no processo que conduziu à resolução do BANIF não houve transparência, em nome da segurança do sistema financeiro tudo foi feito na sombra e ao longo de meses árias instituições actuaram de forma que conduziu à transferência de mais um prejuízo da banca para os contribuintes, desta vez com custos agravados pela actuação dessas instituições.
  
O povo suporta milhares de milhões e agora é óbvio que todos escondem as suas responsabilidades, no caso do ex-governo até parece que não esteve cá, não escreveu, não alou, não decidiu, limitou-se a enterrar o dinheiro. O governador do BdP não mente mas omite, nada se sabe do que combinou com Frankfurt, tudo nas relações entre BdP e BCE é secreto, a verdade esconde-se atrás confidencialidades oportunas.

Em condições normais e estando em causa montantes tão elevados, negócios apressados e sinais mais do que óbvios de favorecimento no negócio, estaríamos a falar de fortes suspeitas de corrupção. Se alguém favorece uma empresa na ordem dos milhares de euros é suspeito de ser corrupto porque razão instituições que promovem a transferência de milhares de milhões de euros e favorecem um anco não deverão igualmente suspeitos de corrupção?

Pelos vistos os responsáveis do BCE e do BdP estão acima do comum dos cidadãos, parece terem levado uma vacina que lhes assegura um lugar no céu por serem modelos de boas virtudes. O normal não seria ser o parlamento a investigar, há já indícios de que as decisões neste processo resultaram na perda de uns e no favorecimento de outros e isso conduz necessariamente a suspeita de corrupção. Por muito menos já li comunicados da PGR a informar que estava a acompanhar processos.
  
A verdade é que há mais secretismos e protecção nestes esquemas pouco transparentes das resoluções bancárias do que nos negócios da Mossak Fonseca. Ao menos nos Panamá ainda á registos informáticos com décadas, no caso do BANIF não á papeis, não há registos informáticos, não há cópias de instruções ou decisões da Maria Luís, não há registo de milhares de intervenções e conversas do Banco de Portugal, e o pouco que há aparece com tinta preta a esconder a verdade.
  
Neste processo há mais opacidade do que nas off shores da Mossak Fonseca e a opacidade tem um único objectivo, esconder a verdade. Como a verdade foi um negócio duvidoso em que os portugueses perderam milhares de milhões e parece ter avido quem tenha ganho muitos milhões com a ajuda de instituições públicas e dos seus responsáveis isso em bom português significa uma única coisa, que nos estão a esconder a verdade.

Fica aqui a dúvida, pode o BCE decidir tirar milhares de milhões aos portugueses para os entregar a alguém em nome da estabilidade do sistema financeiro, fazendo-o no total secretismo e sem ter de prestar contas a ninguém? Quem pode investigar uma instituição europeia?

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Paulo Ralha, sindicalista ou uma espécie disso

A primeira reacção do sindicalista dos impostos foi um desastre, defendia o acesso quase livre e generalizado a toda a informação dos contribuintes e dava a entender que o caso se limitava a chefias, como se estas fossem ETs no fisco e escondendo que tal era mentira, nem o caso envolvia apenas chefias nem estas são entidades estranhas ao fisco.
 
A segunda reacção do sindicalista é ainda mais desastrosa, seguindo uma cultura miserável de muito boa gente associa os cortes salariais a corrupção. Faz lembrar os que associam a crise ao aumento do crime, como se os pobres fossem tendencialmente gatunos. Essa tese era mesmo partilhada por alguma direita que no governo anterior cortou em todos os orçamentos, menos no da Administração Interna.
 
Na prática o sindicalista sanciona a acção policial e admite os crimes ainda antes de qualquer julgamento, pior, ainda antes da apresentação dos arguidos ao um juiz, como se as suspeitas policiais fossem acórdãos de um tribunal.

«Paulo Ralha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), considera que os cortes salariais aos funcionários do Fisco, no período da ‘troika’, potenciaram o risco de corrupção na administração fiscal e situações como as que, ontem, foram tornadas públicas no âmbito da Operação ‘Tax Free’. A operação foi desenvolvida no seguimento de suspeitas de ‘luvas’ pagas por empresas para terem acesso a informação fiscal, bancária e patrimonial de terceiros e também por gabinetes de advogados e de contabilidade a troco de consultoria fiscal de funcionários do fisco.

”O grande risco para estas situações ocorrerem prende-se com os cortes salariais em determinadas profissões como na PJ, na AT e no próprio Ministério Público. É da natureza humana. Está mais do que provado na história humana que aumenta o risco de corrupção”, defendeu ao Económico Paulo Ralha. Nas contas do STI, efectuadas no final de 2013, cerca de 70% dos mais de 10.500 funcionários da AT ganhavam acima de 1.500 euros, por isso, em 2014, teriam uma redução de salário entre 8,6% e 12%.

O dirigente sindical garante nunca ter ouvido falar da existência deste tipo de situações que passam por tráfico de informação e diz mesmo não haver quaisquer processos disciplinares internos por esse tipo de práticas. “Os processos internos que existem prendem-se apenas com a consulta indevida de dados fiscais na sequência da polémica ‘Lista VIP’ em que o acesso aos dados fiscais de quatro ex-governantes (Paulo Núncio, Pedro Passos Coelho, Cavaco Silva e Paulo Portas) originava um alerta automático.» [DE]

 Erros de casting

Com tantos anos na política e depois de ter tido meses para escolher os membros do governo seria de esperar que não tivessem ocorrido erros de casting, mas assim não sucedeu, pela forma como se demitiram ou foram demitidos, primeiro o ministro da Cultura e agora um secretário de Estado da Juventude, percebe-se que foram escolhas que não resultara. É a prova de que nem sempre os apelidos são o melhor critério para a escolha de membros do governo.

 Um ministro muito informal

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Esperemos que na próxima formatura a tropa não apareça de xanatas e com fatos de treino da Adidas comprados na Feira do Relógio. Este ministro faz-me lembrar um autarca do Podemos que recebeu os comandantes de navios da NATO em jeans e camisa fora das calças. Gosto destes cotas com tiques de okupas.

      
 Fuga ao fisco e economia paralela
   
«A economia paralela em Portugal vale perto de 46 mil milhões de euros, mais de 26% do PIB. É o mesmo que dizer que quase cinco orçamentos destinados à Saúde circulam à margem do fisco.

Os dados mais recentes do Observatório de Economia e Gestão de Fraude (Obegef), da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, são relativos a 2013. Nessa altura, o Índice da Economia não Registada elaborado pelo observatório indicava que a economia paralela valia 26,81% do PIB, o equivalente a 45,9 mil milhões de euros. Entretanto, o observatório está a elaborar o índice com dados relativos a 2015, um estudo ainda não terminado, mas Óscar Afonso, do Obegef, diz ao DN/Dinheiro Vivo que "os primeiros resultados apontam para uma manutenção" desses valores.» [DN]
   
Parecer:

Se 25% do PIB é um exagero de economia registada, confundir fuga ao fisco com economia paralela só pode conduzir a conclusões erradas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Façam-se bem as contas.»
  
 Sorry
   
«A deputada do PSD Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças, exigiu hoje que o PCP seja "consequente", enviando o parecer parlamentar aprovado sobre a sua situação profissional para o Ministério Público, espera desculpas após o arquivamento do caso.

"Espero que o PCP seja consequente, que não faça como o BE - que remeteu para a comissão de inquérito [Banif] e quando eu lá estive não me perguntou nada. Espero que sejam consequentes e, quando o MP arquivar o processo, fico à espera de um pedido público de desculpas do PCP", afirmou a vice-presidente do Partido Social-Democrata, à saída de uma das comissões parlamentares.» [DN]
   
Parecer:

Não será melhor sugerir ao MP que lei o Diário da Assembleia da República?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 E não vai fugir?
   
«O ex-primeiro ministro José Sócrates viu retirada a medida de coação que o impedia de sair do país sem autorização judicial, disse nesta terça-feira à agência Lusa um dos seus advogados, João Araújo. “A proibição de sair do país foi levantada a semana passada”, afirmou João Araújo, contactado por telefone pela Lusa.

José Sócrates é um dos 12 arguidos da Operação Marquês, tendo sido detido a 21 de novembro de 2014, no aeroporto de Lisboa, indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito.» [Observador]
   
Parecer:

O que terá mudado para o super juiz deixar de recear que Sócrates fuja?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Ridículo
   
«Entretanto, o governador, Carlos Costa, apenas indicou que “em devido tempo” formalizará uma proposta ao Governo para os novos administradores, não esclarecendo se terá consigo na administração Elisa Ferreira. Os administradores são designados pelo Governo, sob proposta do governador, depois de serem ouvidos no Parlamento. “Sei que estão curiosos de saber quando serão nomeados os novos membros do conselho de administração. Como sabem, é um procedimento adoptado por lei e pela Assembleia da República”, afirmou aos jornalistas, ouvido pela Lusa no final de uma cerimónia em Lisboa. E apenas prometeu: “Em devido tempo vou formalizar uma proposta e não farei mais comentários para além desses. Obviamente é uma proposta que visa reforçar o conselho de administração”.

A notícia da escolha de Elisa Ferreira foi avançada pelo Expresso e o Jornal de Negócios. Questionado pelo PÚBLICO sobre as mudanças, o supervisor não respondeu até ao momento. A questão ganhou projecção quando, na terça-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou em Estrasburgo que um eurodeputado português poderia em breve vir a ser chamado a assumir outro tipo de funções.» [Público]
   
Parecer:

Marcelo anunciou, a comunicação social divulgou e agora vem o sr. Costa dizer que em devido tempo será ele a propor o nome. Enfim, o pobre senhor não tem a mais pequena noção do ridículo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Ter um comboio à mesa
   
«Tanto a Câmara de Évora como a população do concelho sempre pugnaram pela materialização do eixo ferroviário de mercadorias entre Sines e Badajoz, demonstrando, por diversas vezes, o seu apoio. Agora, a comunidade alentejana enfrenta uma situação que está a provocar mal-estar e revolta. “O comboio é importante para o país, mas não neste sítio”, observa a presidente da União de Freguesias do Bacelo e Senhora da Saúde, Gertrudes Pastor, sintetizando desta forma o estado de alma dos moradores que vivem nos bairros de Évora que irão ter o traçado da nova via férrea mesmo ao lado das suas casas.

As razões da sua apreensão surgem depois de saberem que as composições de carga podem chegar aos 750 metros de comprimento e vão circular, em média, de 20 em 20 minutos a cerca de dez  metros de residências. “A população passa a ter comboios a circular junto à cabeceira da cama”, diz o presidente do município, Carlos Pinto de Sá (CDU), ao PÚBLICO, quando descreve o impacto do ramal ferroviário para os habitantes de vários bairros de Évora.» [Público]
   
Parecer:

Quem desenhou a linha devia ser obrigado a residir numa das casas que ficarão à beira da linha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»
  

quarta-feira, abril 13, 2016

Nós, os atrasadinhos


Os "atrasadinhos" do PS aplaudindo Tino de Rãs que gozava comas quotas de Guterres

Há em Portugal um verdadeiro complexo de inferioridade em relação ao norte da Europa, resultado de se associar o subdesenvolvimento ao sul, considerando-se que existe uma espécie de compatibilidade entre a cultura dos povos da Europa do Sul como os valores que levam ao desenvolvimento. Os do norte são rigorosos e nós uns bandalhos, os do norte estudam e nós baldamo-nos, os do norte são trabalhadores e nós uns gandulos.

Não admira que muitos governantes antes de decidirem questionem sempre o que fazem os evoluídos, como se o nosso baixo nível intelectual nos impedisse de adoptar as melhores soluções. Daí a considerar-se que tudo o que se faz lá fora é o bom e tudo o que fazemos por cá é a versão má da realidade. O que nos vales ainda são as descobertas, senão seria um país com um profundo complexo de inferioridade.

O mais grave é que este discurso miserável se transformou numa instituição e nos últimos anos houve mesmo um artista que chegou a primeiro-ministro que usou uma conversa com um finlandês idiota para humilhar o país, convencido de que essa humilação dava jeito para forçar os portugueses a concordaem com as suas ideias extremistas.
  
Nos últimos anos o país foi humilhado por uma senhora Merkel que nos considerava uns malandros e a falta de orgulho chegou ao ponto de o ministro das Finanças Alemão ter convidado o desconhecido Gaspar a pulicar no site do seu ministério um artigozeco que ninguém leu. Para receberem a Maria Luís ate promoveram um seminário encenado, para que as televisões mostrassem aos seus concidadãos atrasadinhos que ela até já falava em seminários na Alemanha.

Quando pensava que já tinha passado esta moda dos atrasadinhos eis que é António Guterres que para promover a sua imagem de político modernaço usou-nos como um povo de atrasadinhos. Preocupado porque há quem queira uma mulher no cargo de secretário-geral da ONU, António Guterres achou que devia fazer prova do seu empenho na igualdade. Poderia ter lembrado que criou um ministério da igualdade, onde colocou a sua amiga Maria de Belém como ministra.

Mas não, decidiu dar um ar da sai graça e lembrou que ele, o corajoso candidato a secretário-geral da ONU, quando era líder do PS tinha introduzido as quotas nas listas de candiodatos a deputados do seu partido. Como não podia deixar de ser, foi um grande feito seu pois tratava-se de “algo que na altura não era fácil na Europa do Sul”. Era o António Guterres contra os atrasadinhos do seu país, desta vez contra os atrasadinhos do seu partido.
  
Quem se deve estará a rir é o Tino de Rãs que ficou famoso quando em pleno congresso lembrou António Guterres que se esse tivesse sido o critério seguido na escolha do secretário-geral ele não estava ali. Não estava ali e agora não estaria em Nova Iorque à custa dos nossos impostos a chamar-nos atrasadinhos como se isso o transformasse num adiantadinho!


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Cecília Meireles, deputada do CDS

Pela forma como Cecília Meireles comenta as previsões económicas do FMI deve ter andado distraída nos últimos anos, não comparou as taxas de crescimento com as previstas no memorando, não deu pelo aumento brutal do desemprego, pela emigração de quadros qualificados, pelo aumento da dívida e pela recessão. Só agora é que fica preocupada com os radares".

«"Obviamente que isto nos preocupa e sem dúvida que não é uma boa notícia Portugal estar permanente sob alerta e no radar internacional das revisões em baixa quer do crescimento ou das revisões em alta do desemprego", afirmou a deputada do CDS-PP Cecília Meireles, num comentário às previsões económicas do Fundo Monetário Internacional (FMI) hoje conhecidas.

O FMI espera que o défice português seja de 2,9%, acima dos 2,7% previstos em outubro e também acima dos 2,2% antecipados pelo Governo socialista chefiado por António Costa. Em 2021, o último ano das projeções do FMI, Portugal deverá ter um défice de 2,8%.

Lamentando que todas as semanas uma instituição internacional reveja em baixa as previsões de crescimento, deixe alertas ou mostre preocupações em relação a Portugal, Cecília Meireles reconheceu que a revisão em baixa agora feita pelo FMI abrange a generalidade dos países.» [Notícias ao Minuto]

 É estranho

Passos Coelho era bem mais activo enquanto primeiro-ministro no exílio do que o é enquanto líder da oposição. Até parece que meteu férias e deixou o PSD entregue a figuras secundárias. Se isto é a oposição activa de que falava o pequeno Rangel vou ali e já volto.
 
Será que Passos tem condições emocionais para se manter como líder da oposição durante dois anos? É pouco provável que alguém que chegou ao poder com um golpe de "sorte" proporcionado por uma crise financeira, tenha agora paciência para conquistas o poder com o seu mérito de líder da oposição.
 
Este é o Passos Coelho na versão Marco António, uma espécie de sucedâneo de má qualidade do Passos Coelho na versão Miguel relvas.

      
 Mega operação da PJ
   
«A Polícia Judiciária (PJ) informou que deteve, esta terça-feira, 15 pessoas pela “presumível prática dos crimes de corrupção ativa e passiva para ato ilícito, recebimento indevido de vantagem e falsidade informática”. As detenções ocorreram no âmbito de uma megaoperação (Tax Free) levada a cabo, esta manhã, pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público que se traduziu em 120 buscas em repartições de finanças, empresas e escritórios de advogados, na zona da Grande Lisboa.

As buscas em Lisboa, Amadora e Almada já terão terminado, mas, segundo fonte da PJ, ainda há suspeitos que poderão vir a ser constituídos arguidos. Os 15 detidos — empresários, técnicos oficiais de contas e funcionários das finanças, bem como chefes de repartições — serão todos presentes no DIAP e no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa esta quarta-feira.

A notícia sobre esta megaoperação foi avançada pela SIC Notícias e ainda durante a manhã a Procuradoria Geral da República, em comunicado, confirmou que estavam a ser efetuadas buscas na região de Lisboa por causa de “alegadas ligações que terão sido estabelecidas entre alguns suspeitos, funcionários da Autoridade Tributária, e técnicos oficiais de contas, advogados, empresários, outros prestadores de serviços na área tributária e contribuintes que se mostrassem dispostos a pagar quantias monetárias ou outros proventos para que lhes fosse fornecida informação fiscal, bancária ou patrimonial de terceiros e consultadoria fiscal“.» [Observador]
   
Parecer:

No dia em que a notícia ia ser o destino a dar aos altos dirigentes da PJ que quase transformaram o país num narco-estado fomos surpreendidos por uma mega operação visando funcionários do fisco. Estranhamente não estava em causa um único grupo, a operação arrebanhava vários processos e fez-se tudo no mesmo dia, misturando-se processos e até crimes com infracções disciplinares.
 
Cheira-me que anda alguém a querer mostrar serviço.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Saída limpinha
   
«Entre 2014 e 2015, nenhum país da OCDE teve maior agravamento do peso fiscal sobre os ordenados mensais do que Portugal. Esta é uma das conclusões da versão deste ano do estudo 'Taxing Wages' da OCDE, uma análise detalhada às variações de impostos sobre salários nos países membros. 

Tendo em conta um contribuinte sem filhos, com salário dentro da média nacional, a carga fiscal aumentou 0,86 pontos percentuais no ano passado em Portugal. O aumento deveu-se exclusivamente ao agravamento do IRS, uma vez que a variação na TSU foi nula tanto para os trabalhadores como para os patrões. 

No total, os impostos passaram a levar 42,1% do rendimento de um português sem filhos, o 11º valor mais alto entre os países da OCDE. Para os contribuintes com filhos, a carga fiscal em Portugal é bem mais leve, sendo equivalente ao 13º nível mais alto do estudo.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

E dizem que foi uma saída limpa, até iam reembolsar parte da sobretaxa do IRS.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  

terça-feira, abril 12, 2016

O serviço de finanças do Terreiro do Paço

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Pelo que se vai ouvindo acerca dos Panamá Papers fica-se com a impressão de que há uns malandros que recorrem às off shores para pagarem menos impostos. Sejamos honestos, devemos dizer que recorrem às off shore para pagarem ainda menos impostos pois os mais ricos são os menos penalizados com a carga fiscal.

Também soa a falso a indignação de muitos políticos e comentadores, ainda que passada uma semana já se tenha percebido que o assunto está quase abafado. A verdade é que em plena crise financeira e com o país à beira da bancarrota toda essa gente defendeu que os ricos pagassem menos impostos e chegou-se ao absurdo de criar uma sobretaxa no IRS para financiar a redução no IRC.

Também é falso que os mais ricos precisem de recorrer àsd off shores para não pagarem impostos, desde o tempo dos famosos perdões fiscais de Oliveira e Costa que há muitas formas de não pagar impostos sem se ter de recorrer aos advogados do Panamá. Além disso, não é preciso ir tão longe para encontrar advogados especializados em constituir empresas off shore, por cá os escritórios de advogados estão cada vez mais internacionalizados e não faltam os especialistas em fga ao fsco.

Para os partidos da direita não se deve aplicar impostos ao dinheiro dos ricos porque eles podem ir-se embora, não se pode aplicar impostos ao património sob pena de perdas no imobiliário, não se pode aplicar IRC para promover o investimento, não se pode aplicar impostos sobre o consumo para as empresas venderem. Conclusão, em Portugal só se pode aplicar IRS aos trabalhadores por conta de outrem, mas como é preciso poupar os pobres a tal sacrifício, só a classe media, os ricaços dos dois mil euros e que podem pagar impostos.
  
A ideia de que os ricos precisam de recorrer às off shores para se escaparem aos impostos é falsa, começam por beneficiar da protecção fiscal proporcionada pela direita e pela "troika", se mesmo assim ainda tiverem de pagar impostos organizam-se nos mais diversos tipos de associações, desde as famílias altamente procriadoras às associações empresariais dos mais diversos tipos para conseguirem taxas mais baixas ou benefícios fiscais. Como ainda têm de pagar impostos recorrem a pareceres de advogados para conseguirem interpretações mais simpáticas. Depois ainda podem recorrer aos tribunais e, por fim, quando ainda têm de pagar impostos é que equacionam a possibilidade de recorrer às off shores.

Antes das off shores os nossos endinheirados beneficiam daquilo a que aqui se tem designado po serviço de finanças do Terreiro do Paço, os gabinetes governamentais que em muitos governos estão ao serviço dos que pagam menos impostos e dedicam-se a produzir leis e despachos a título excepcional para que estes paguem ainda menos. 
  
É por isso que o mais escandaloso não é os nossos ricos recorrerem as off shores mas sim o facto de precisarem delas depois de todos os esquemas de favor montados para os ajudar. Enfim, a não ser que as taxas e comissões cobradas por todos estes esquemas de favorecimento comecem a ter custos mais elevados do que os próprios impostos, e seja mais barato recorrer a uma off shore do que pagar um perdão fiscal do tipo daqueles que o Oliveira e Costa concedia.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho, modelo de transparência

O facto de Passos Coelho estar preocupado com a relação entre o Estado e Diogo Lacerda é um bom precedente, talvez opte por explicar que relações tinha com o falecido António Borges, com os negócios de Miguel Relvas, com o o ex-secretário de Estado dos Transportes que está a tentar vender o Novo Banco e com muitos escritórios de advogados.

Mas desiluda-se quem espera que Passos apareça, preferiu que uma segunda figura desse a cara enquanto ele deixou de ser primeiro-ministro no exílio para passar a ser o ex-primeiro ministro de férias.

«O PSD anunciou hoje que vai requerer o acesso ao contrato que o primeiro-ministro "assinou a contragosto" com Diogo Lacerda Machado para saber qual o papel que o "amigo pessoal" de António Costa tem representado em "negócios do Estado".

O deputado social-democrata Luís Leite Ramos afirmou hoje, em Vila Real, que este fim de semana, através de uma entrevista dada por António Costa ao DN e à TSF, se ficou a saber que a "contragosto" o primeiro-ministro tinha assinado um contrato com Diogo Lacerda Machado, que tem representado o Estado "sem qualquer tipo de relação contratual" em vários negócios.» [DN ]

 Os guerrilheiros da gasosa

A manifestação automobilística realizada em Viana do Castelo, com alguns "automobilistas anónimos" a irem em fila abastecer-se a Espanha faz lembrar outras manifestações do passado, em particular as que eram contra o encerramento de serviços de saúde. Estas manifestações tresandam a guerrilha política e têm muito pouco de manifestações anónimas.

Quem vive ou viveu na fronteira sabe muito em que sempre houve comércio fronteiriço, os de cá vão lá comprar o que em Espanha é mais barato, os de lá visitam Portugal para adquirir o que por cá lhes fica mais em conta. Lá compramos produtos alimentares, perfumes ou combustíveis, por cá os espanhóis compra-nos têxteis, porcelanas e vinhos, enquanto aproveitam para visitar os nossos restaurantes.

Do lado de lá surgem bombas de gasolina ao lado de supermercados, deste lado multiplicam-se lojas e restaurantes nas imediações da fronteira. Fazer uma manifestação, sugerindo que só agora se vão abastecer de combustível a Espanha é uma mentira que serve apenas para promover a desestabilização política, porque em Portugal ainda há quem sugira que os cortes de vencimentos são reformas que deviam ser irreversíveis, como se o ódio de Passos Coelho a funcionários públicos e pensionistas devesse ser uma instituição nacional.

 Mandando lambada



      
 Marcelo desafia Passos
   
«O Presidente da República considerou que o acordo no BPI entre Caixa Bank e Santoro Finance não teria sido possível sem a intervenção de todos: privados, entidades reguladoras e poder político.

Em declarações aos jornalistas, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que “modestamente, o Presidente da República também tentou colaborar, mas foi sobretudo bom para o país”.

“Estou satisfeito pelo facto de ter sido fechado o acordo. Foi obra da intervenção dos privados, das entidades reguladoras e dos órgãos do poder político. Sem a intervenção de todos não teria sido possível chegar onde se chegou”, afirmou o chefe de Estado.» [Observador]
   
Parecer:

Marcelo assume claramente uma interferência no processo num claro desafio a Passos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A moda do Património Imaterial da Humanidade
   
«No próximo dia 15 de abril (sexta-feira), três associações portuguesas irão apresentar uma candidatura da Gastronomia e dos Produtos da Terra Ligados à Alimentação de Trás-os-Montes a Património Cultural Imaterial da Humanidade, da Unesco.

“Esta candidatura da nossa gastronomia a tão elevada distinção certamente unirá à volta deste desígnio todos os filhos destas terras, os que cá estão e toda a nossa diáspora”, pode ler-se no comunicado a que o Notícias ao Minuto teve acesso.

Desta forma, a candidatura pretende que seja dado o “primeiro passo em direção a um antigo objetivo antigo das gentes de Trás-os-Montes e Alto Douro”.

“Esta candidatura da nossa gastronomia a tão elevada distinção certamente unirá à volta deste desígnio todos os filhos destas terras, os que cá estão e toda a nossa diáspora”, explicam na mesma nota, acrescentando que este tipo de desafios valoriza a “forma de ser e de estar” desta população e promoverá “um futuro com mais oportunidades”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Depois da mania colectiva dos recordes do Guiness é a vez da corrida ao Património Imaterial da Humanidade e um dia destes a Feira do relógio vai candidatar a sandes de courato.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

segunda-feira, abril 11, 2016

As Panamá tretas



Até agora os Panamá Papers têm sido pouco mais do que as Panamá Tretas, como era de esperar o grupo Impresa está usando o privilegio de ter tido acesso aos documentos para melhor as suas audiências e vender mais jornais. Para que o pagode mantenha o interesse atiram-se uns nomes já queimados ou a arraia miúda da emigração aos cães, ao mesmo tempo que se estimula a curiosidade usando a imagem dos “ex-ministros”, usando a imagem da classe política corrupta, uma estratégia muito ao gosto dos nossos sacerdotes impolutos da comunicação social.
  
Como era de esperar o primeiro nome a saltar foi o de Ricardo Salgado, um velho inimigo do jornal Expresso desde os tempos em que ameaçou este semanário se insistisse em envolver o grupo BES no caso Mensalão. Na ocasião Pinto Balsemão fez mais uma das suas afirmações de independência, o certo é que o assunto não voltou às primeiras páginas do Expresso e o grupo Impresa voltou a contar com as receitas do orçamento publicitário do BES. Agora que Ricardo Salgado caiu em desgraça seria uma desilusão se nas pesquisas e varrimentos doa base de dados o nome do DDT não fosse o o primeiro a ser denunciado.

Não estarei muito longe da verdade se disser que os primeiros nomes a ser ‘rocurados, além do de Ricardo Salgado, foram os de José Sócrates e de todos os que lhe estão associados nas supostas investigações do caso Marquês, os de ex-ministros como Miguel Relvas, Miguel Macedo e outros. Duvido que ex-ministro comentadores da SIC ou gente próxima de Passos Coelho tenha sido alvo de curiosidade mórbida.
  
Aliás, um dos aspectos mais interessantes nas posições dos jornalistas envolvidos no vasculhamento do caso Fonseca é a preocupação em sugerir que os negócios podem se legais, aliás, depois de tanta sugestão de legalidade haverão muitos português que já começarão a pensar que os bandidos e corruptos optam pela Caixa Geral de Depósitos, em vez de recorrerem às off shores. Quem recorre s off shore são os financeiros com apetência para o desporto, para manterem o seu dinheiro em forma levam-no a fazer uma corrida até ao Panamá e dali para mais umas voltas pelas grandes pistas mundiais do atletismo financeiros.
  
Os Panamá Papers depressa se vão transformar nas Panamá Tretas, depois de termos andado a comprar o jornal Expresso em dose dupla o processo vai acabar abafado como já sucedeu com muitos outros. Em Portugal só políticos caídos em desgraça ou odiados pela direita, banqueiros falidos, patos-bravos e empresas sem orçamento publicitário é que são vítimas da comunicação social. Basta ver o que se passou com muitas outras listas, como a recente lista Lagarde, para se perceber que neste país quem tem orçamento publicitário ou capacidade financeira para levar jornalistas e outros ao Gambrinos é que se lixa.
  
PS; se no fim deste espectáculo mediático estiver enganado prometo pedir desculpa ao Balsemão e ao director de informação da TVI.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Killer drone




      
 Quem parte e reparte...
   
«A PSP tem 320 oficiais, desde o diretor nacional aos comandantes de Divisão, com direito a carro de serviço. Ao que o CM apurou, estes oficiais têm a primazia na entrega dos carros novos descaracterizados que a PSP recebe. As viaturas usadas por estes oficiais seguem, depois, para a investigação criminal. 

Estas 320 viaturas fazem parte do parque de 4808 veículos (números oficiais relativos ao final de 2015) cuja gestão está entregue à direção nacional. Na semana passada, a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, entregou mais 13 viaturas descaracterizadas à PSP de Lisboa. As cúpulas da Polícia garantiram, na altura, que os carros seguirão para a estrutura de investigação criminal. No entanto, fontes policiais dizem ao CM que a necessidade de renovação do parque de automóveis destinados aos oficiais é constante. 

O despacho interno, datado de 2000, e que ainda rege a atribuição de carros de serviço, determina que além do diretor-nacional e de quatro adjuntos, devem receber viaturas, entre outros, 44 comandantes e segundos-comandantes dos comandos, os 10 comandantes e segundos-comandantes da Unidade Especial da PSP, os quatro responsáveis das escolas e ainda 53 comandantes de Divisão, 26 oficiais de Investigação Criminal e alguns responsáveis de secção. A PSP considera que "todos os veículos são de uso funcional, face à especificidade das funções, disponibilidade e tipologia do serviço ao qual são adstritas, sendo utilizadas pelos dirigentes e por outro pessoal".» [CM]
   
Parecer:

As notícias sobre viaturas da PSP pardas por falta de gasolina ou porque não há dinheiro para reparações são recorrentes. Ainda há pouco tempo vimos os sindicalistas nas televisões a dizer que o dinheiro do OE não chegava para a gasolina. Agora sabe-se que os 320 oficiais têm primazia na utilização das viaturas descaracterizadas e que estas só são usadas na investigação quando já estão usadas, muito provavelmente quando os seus detentores têm carro novo. Isto é uma vergonha e os sindicalistas da PSP deveriam explicar porque têm mantido segredo.

Na Administração pública só os directores-gerais têm viatura de serviço, na PSP parece que tudo quanto é gato pingado tem esse direito. Compreende-se agora o porquê de tanto empenho da PSP na caça à multa, é para que os seus oficiais possam justificar os seus confortos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 No melhor pano
   
«A Cofina Media, que entre outras publicações detém o "Correio da Manhã" e o "Record", está penhorada ao Estado por dívidas ao Fisco e à Segurança Social no valor de cerca de 12,5 milhões de euros, tendo em 2015 constituído provisões de 1,1 milhões para fazer face às divergências com o Estado.

Segundo o relatório e contas de 2015 da Cofina SGPS, a empresa deu como garantia da dívida ao Estado a totalidade das ações da Cofina Media, também dona da revista "Sábado" e do "Jornal de Negócios".

"Em 31 de dezembro de 2015, o Grupo Cofina tinha constituído garantias cujo detalhe é como segue: a) Penhor de 112 268 150 ações da Cofina Media, S.A., a favor da Autoridade Tributária e Aduaneira dadas como garantia de processos de execução fiscal", refere o documento.» [Jornal de Notícias]
   
Parecer:

As dívidas dos jornais colocam em questão as relações entre a comunicação social e os governos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Observe-se com atenção.»
  

domingo, abril 10, 2016

Semanada

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Em Portugal os Panamá Papers foram transformados em Panamá Tretas, quem teve acesso aos ficheiros usa-os de forma a transformar a informação num reality show gerido em função das audiências da TVI e do Expresso. Com o argumento de que as actividades em off shores podem ser legais os jornalistas da TVI e do Expresso vão decidindo quem na opinião deles deve ser queimado na praça pública. Tanto quanto se sabe nada do que foi dito sobre a off shore constituída pelo presidente da BIAL constitui qualquer indício de prática de crimes e mesmo o que se divulgou em relação a Ricardo Salgado pouco mais foi o que tretas. 
  
També foi por causa de uma treta, neste caso de uma ameaça da treta publicada no Facebook que o herdeiro da família Soares se espetou poucos meses depois de ter tomado posse como ministro da Cultura. Parece que João Soares aprecia a linguagem do debate político dos velhos tempos e decidiu desafiar os que o criticam para um duelo de bofetadas. João Soares não percebeu que um governo não pode ser queimado na praça pública com tretas do Facebook e chamar a este tipo de pequenas alarvidades liberdade de expressão é mais uma treta.

E por falar em tretas o que Mario Draghi foi dizer aos membros do Conselho de Estado, essa espécie de armário da colecção das bonecas de porcelana, foi pouco mais de tretas. Designar por reforma o que o governo anterior fez é uma treta, o presidente do BCE sabe muito bem que as grandes reformas que a direita deseja são aquelas que não teve a coragem de enumerar. Foi penoso ouvir conselhos do presidente do BCE sobre regras constitucionais ou reformas, convenhamos que o país já evoluiu um bocadinho desde o tempo do homem do Neandertal. Há quem na Europa avalie a inteligência dos povos pela dívida soberana.

Foi necessário que Marcelo voltasse a ter poderes para dissolver o parlamento para que Passos acabasse com a pantomina do primeiro-ministro no exílio que exigia eleições antecipadas. Depois de ter ganho um congresso que por mais ninguém o ter querido ganhar não passou de um congresso da treta, Passos Coelho também deu o seu contributo para esta semana de tretas e foi para o parlamento apresentar 35 medidas da treta como alternativa ao plano de reformas do governo. Passados vários dias já ninguém se lembra das 35 tretas que propôs.