sábado, maio 07, 2016

"Porque nunca estive em nenhuma obra de inauguração enquanto fui primeiro-ministro"

A ala dos namorados

Há por aí algumas agremiações que todas juntas poderiam ser conhecidas como a ala dos namorados da direita, não sendo de admirar a histeria do PSD (não se refere o líder deste partido porque, como é sabido, está em câmara ardente) e da Assunção Cristas sempre que os seus interesses estão em causa. Recordo-me de uma associação de empresas familiares, da associação das famílias numerosas ou da associação dos colégios privados.
  
Todas elas aparecem antes das eleições ou nos momentos da legislatura em que os partidos da direita precisam de ajuda. No caso da Associação dos colégios subsidiodependentes o apoio foi mais longe e envolveu grandes recursos financeiros, em plena campanha eleitoral os colégios recorreram a aviões para lançarem panfletos de apoio a um governo de direita. Não de admira que o governo de Passos Coelho lhes tenha pago a ajuda com juros.

Em plena austeridade houve um único sector que viveu com fartura de recursos financeiros do Estado, os colégios. Enquanto as escolhas públicas transformavam as turmas em rebanhos, os colégios podiam receber subsídios por turmas com 18 alunos, enquanto o governo despedia professores às dezenas de milhares, os colégios aumentavam os seus quadros. O ensino privado tornou-se um negócio e o mesmo Estado que condenava a qualidade na escola pública, financiava o sucesso dos colégios.
  
Não admira que uma Assunção cristas sem vergonha na cara fale agora na possibilidade de se escolher as escolas privados porque são melhores e mais baratas. Quanto á qualidade sabe-se como se consegue, quanto ao serem mais baratas já se deve ao facto de Assunção Cristas ter alguma dificuldade em distinguir a verdade da mentira, pelo menos quando lhe dá jeito.

Aquilo a que o país assistiu no protesto dos colégios privados foi a uma grande manifestação organizada por profissionais que usaram as crianças como tropa de choque dos seus interesses, ou por pais que querem ser beneficiados com o melhor dos dois mundos, isto é, com escolas privadas pagas com recursos públicos. Neste mundo onde se misturam negócios, igrejas, economia social e autarcas sem escrúpulos mostra um outro lado do OE, o da subsidiodependência em nome de bons valores.


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Durão Barroso

Durão Barroso despede-se da vida política da forma como sempre esteve nessa mesma vida política, sem grande classe. aproveita o momento para sugerir o apoio de Sampaio à famosa cimeira das Lajes, mas omite se Jorge Sampaio aprovou a realização de uma cimeira em território nacional ou se esteve ao lado do apoio do governo da direita às decisões dessa cimeira. Enfim, o nojo do costume.

«O antigo primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, afirma que o então Presidente Jorge Sampaio aprovou a realização da cimeira das Lajes, prévia à intervenção militar no Iraque em 2003.

“Na altura [tive] o apoio do Parlamento e do Presidente Jorge Sampaio que me disse expressamente que concordava, e que foi a única pessoa que consultei antes de tomar a decisão final”, diz Durão Barroso, em entrevista à SIC e ao semanário Expresso na sua edição deste sábado.

No excerto da entrevista divulgado esta sexta-feira, em nenhum momento o ex-primeiro-ministro refere a concordância de Sampaio com as decisões da cimeira, referindo-se, apenas, à celebração do encontro nas Lajes.

“Ouço as críticas, conheço as críticas, com a informação na altura disponível foi a posição adequada”, prossegue o antigo líder do PSD, referindo-se às informações então divulgadas de que o regime de Saddam Hussein dispunha de armas de destruição maciça, nomeadamente químicas. O que, depois da intervenção militar, não foi confirmado.  » [Público]

 É a austeridade, estúpidos!

Este é um recado para os empresários do ensino privado, depois de anos a apoiar a direita e a austeridade é bom provarem da receita que muitos comeram para que a direita fosse tão generosa com o seu exército privativo. Estes colégios têm uma solução muito óbvia para os seus males, apliquem as medidas de poupança que foram impostas pelas escolas públicas.

 Antes dançar do que subir a coqueiros!



      
 Isto, Putin,aplaudo de pé: "Encore!"
   
«O acontecimento é este: ontem, uma orquestra foi tocar, entre as colunas e o lajedo da arena do teatro romano de Palmyra, onde há menos dum ano 25 homens de joelhos esperaram o tiro na nuca dado por rapazes do Estado Islâmico (há vídeo). À volta, o templo de Bel, o templo de Baal Shamin e o leão de al-Lat, pedras religiosas de deuses antigos, culpadas de não serem do deus único e do profeta, foram reduzidas a pó (há vídeo, com martelo). Em março, os fanáticos foram corridos de Palmyra, daí o concerto de ontem. Como todos os acontecimentos, este tem vários ângulos, que aqui reduzo a dois, sendo um deles o meu. Ontem, a Rússia de Putin fez propaganda enviando a Palmyra os seus amigos Valery Gergiev, maestro, e Sergei Roldugin, violoncelista, mais a orquestra de Mariinsky, de São Petersburgo. Essa, uma versão, verdadeira. A minha, também verdadeira, é que ontem em Palmyra, património dos homens, dos assírios e dos romanos, otomana e síria, tocou uma orquestra que já foi imperial, que já foi soviética (e então chamou-se de Kirov) e que voltou a ser de Mariinsky, quando o comunismo ruiu, e que é um fio condutor da civilização de que ela própria é um exemplo por ter sido conduzida por Berlioz, Tchaikovsky e Mahler, de quem não conheço os amigos, e ontem foi conduzida por Gergiev, que é amigo de Putin. E eu, que não sou amigo deste, sou-lhe emocionado devedor por ter expulsado os bárbaros e levado Prokofiev e Bach a Palmyra.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Vai acabar a mama dos colégios privados
   
«O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, considerou nesta sexta-feira, no Parlamento, que a redução dos contratos de associação com os colégios privados é uma forma de “não duplicar a factura paga pelo contribuinte”. “O respeito pelo Orçamento de Estado exige-nos que o usemos no que é necessário e não no redundante”, frisou, para justificar a decisão do ministério em não autorizar que os colégios continuem a ser financiados em zonas onde existam escolas públicas.

Num debate requerido com urgência pelo PSD, o ministro reafirmou que esta decisão, que será aplicada a partir do próximo ano lectivo, não afectará os alunos que estão a meio dos seus estudos naqueles estabelecemos de ensino, mas apenas a abertura de novas turmas de início de ciclo ( 5.º, 7.º e 10.º ano). “Cumpriremos os contratos ainda que tenham sido assinados pelo anterior Governo em final do mandato, porque são contratos do Estado”, indicou, para acrescentar que no Orçamento de Estado de 2016 foi inscrita uma verba “significativa” para o efeito.

Estão disponíveis 222 milhões de euros para o financiamento do ensino privado, o que constitui um acréscimo de 19%por comparação a 2015. No ano passado, o anterior Governo autorizou a abertura de 650 turmas de início de ciclo em 81 colégios com contratos de associação, tendo estes sido pela primeira atribuídos por concurso público, por um prazo de três anos. Para a Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular (AEEP), tal significa que o Estado se comprometeu a continuar a financiar o mesmo número de novas turmas até 2018, acusando por isso o Governo de não estar a “honrar” os compromissos assumidos.» [Público]
   
Parecer:

Ao mesmo tempo que transformava as turmas das escolas públicas em verdadeiros rebanhos, podendo desta forma despedir professores aos milhares, o governo da direita transformou os colégios privados na sua tropa de choque, financiando turmas com menos de vinte alunos em localidades onde haviam escolas públicas.

É bom recordar que os colégios privados participara activamente na campanha eleitoral que levou a direita ao poder. Nessa ocasião usaram aviões para lançar publicidade, agora usam as crianças como tropa de choque.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Apoie-se uma gestão austera dos recursos públicos.»
  
 Os UBER vão ter fiormação como os taxistas
   
"Se houver uma nova tipologia de operadores de transporte eu acho que os requisitos de acesso ao mercado e à atividade devem ser homogéneos", disse hoje o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, no final de um encontro com associações do setor do táxi, em Lisboa.

"A haver alterações nessa matéria, com certeza que haverá aqui equidade nos tais requisitos de acesso à profissão, acesso à atividade e ao mercado, o que significa que não vai haver custos de contexto diferenciados", acrescentou.«» [DN]
   
Parecer:

É para aprenderem a ser educados, bem cheirosos e a saber usar a moca como os nossos delicados fogareiros. Os taxistas ainda não parece terem percebido que o pior inimigo do seu negócios são eles próprios e não a concorrência da UBER.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 E agora Abreu?
   
«O presidente do Parlamento Europeu deu razão a Vítor Constâncio no diferendo com o Parlamento português, garantindo que o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) não tem de responder aos deputados nas questões colocadas ao abrigo da comissão de inquérito ao Banif, mas sim ao Parlamento Europeu. As perguntas, diz ao Expresso, também podem ser colocadas lá.

O vice-governador do Banco Europeu enviou uma carta esta semana ao Parlamento a justificar a razão pela qual não iria à comissão de inquérito, afirmando que os membros do Banco Central Europeu apenas estão sujeitos ao escrutínio do Parlamento Europeu.

O PSD, que mais tem exigido a sua audição na comissão, apresentou de seguida um requerimento a exigir que Vítor Constâncio a sua ida à comissão, ameaçando fazer uma participação ao Ministério Público caso o responsável se recuse.

No entanto, Martin Schulz, o responsável máximo do Parlamento Europeu, dá cobertura aos argumentos de Vítor Constâncio. À conversa com a correspondente da SIC/Expresso em Roma, o presidente do Parlamento Europeu diz que entende o argumento e que, “do ponto de vista formal, Vítor Constâncio está correto”.» [Observador]
   
Parecer:

Talvez o Abreu devesse dizer o que pensa agora.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão.»

 Deus te pague!
   
«O Fisco já devolveu quase 250 milhões de euros relativos a 266,5 mil declarações de IRS das quase 3,7 milhões entregues até ao final de abril. O reembolso médio é, nesta altura, de 934 euros, diz o Ministério das Finanças, que admite alguns problemas, que garantes estarem a ser resolvidos rapidamente.

Só na primeira fase da entrega da declaração anual do imposto, o fisco recebeu quase 3,7 milhões declarações de IRS, com quase 88% a serem entregues pela Internet e apenas 4% dos contribuintes casados ou em união de facto a optarem pela tributação separada.

Nas contas das Finanças, que anunciaram as contas em comunicado enviado esta manhã às redações, o Fisco já processou 266.533 reembolsos, transferindo para os contribuintes 249,7 milhões de euros. Em média, os contribuintes estão a receber mais de 900 euros de reembolso.» [Observador]
   
Parecer:

Devemos estar eternamente gratos pela generosidade do secretário de Estado
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Deus lhe pague.»
  

sexta-feira, maio 06, 2016

A economia do dinheiro sujo

Nos últimos anos deixou de se fazer a distinção entre dinheiro e capital, para se ser mais preciso diria a diferença entre algum ou muito dinheiro e capital. Salvo se o dinheiro for de russos ou se suspeite ou possa dizer-se que pertence a políticos caídos em desgraça aos olhos de alguns sacerdotes, todo o dinheiro é bem-vindo.
  
A situação é tão ridícula que aqueles que se escandalizaram com uma aliança do PS com os partidos à sua esquerda e que alertaram para o perigo comunista não hesitam em oferecer-se para defensores do dinheiro vindo de Angola ou da China, até lhes dão vistos ditos de ouro para que possam viajar e estabelecer-se na tal Europa cuja sobrevivência foi posta em causa por António Costa.
  
Também tem o seu quê de ridículo ver os que promoveram uma eugenia nas empresas em nome dos famosos produtos transaccionáveis, levando à falência milhares de empresas de sectores de actividade considerados parasitários da economia, como a restauração ou a construção civil, são agora defensores de dinheiro que venha de paraísos ditatoriais para comprarem vivendas de luxo ou, muito simplesmente, ficar depositado nos bancos portugueses. 

Temos agora alguns opinion makers que num dia se desdobram em entrevistas para explicar que a colocação de uma boa parte dos recursos financeiros lá fora pode ser legal e faz parte do negócio, no dia seguinte defendem a vantagem de virem para Portugal meia dúzia de milões das corrupção chinesa ou angolana. Uns dias depois andam muito preocupados com o branqueamento do dinheiro russo na SAD de Leiria, com a forma como os amigos de Sócrates gastam o dinheiro ou com a crise no mercado das carnes vermelhas.
  
Mas o mais grave está no facto de se confundir dinheiro com capital, com o falso argumento de que ao entrar no circuito bancário o dinheiro sujo dos amigos é milagrosamente transformado em capital a investir, financiando o sistema financeiro e a economia. É por isso que devemos dar o rabo e cinco tostões a todo o general angolano ou corrupto chinês que nos traga umas malas de dinheiro.

Confunde-se dinheiro sujo com capital, da mesma forma que se designa por investimento toda e qualquer transferência de propriedade pública para capitais chineses. Um bom exemplo disso foi o que sucedeu com a venda da EDP, os comunistas chineses prometeram investir uns milhões e compraram à EDP que já era sua os investimentos estrangeiros em renováveis. 
  
A economia portuguesa está transformada numa economia de capitais oportunistas que não lhe trazem qualquer competitividade, que não se enquadram em qualquer modelo de desenvolvimento a médio e longo prazo. Basta ver quem vai dar entrevistas em Angola, quem se opõe à “judicialização das relações” com regimes corruptos e quem defendem estes novos investidores para se perceber que anda por aí muito burro alimentado a pão-de-ló. Depois das especiarias, do ouro do Brasil, do comércio de escravos, do ouro do Brasil, da industrialização forçada e apoiada na PIDE e dos fundos comunitários, as nossas elites descobriram uma forma de continuar a a encher a mula, comissões sobre dinheiro e negócios duvidosos.



Umas no cravo e outras na ferradura


    
 Jumento do dia
    
Assunção crista, líder do partido dos procriadores

Seguindo uma agenda política oportunista o CDS deixou de ser o partido da terceira idade ou dos contribuintes para ser o partido da natalidade e a sua líder vem agora que esta é uma matéria que deve ser consensual É uma pena que não tenha reparado nisso quando estava num governo que tinha como único parceiro a associação de direita das famílias numerosas, adoptando políticas que só poderiam levar a uma redução drástica da natalidade.

«A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, pediu hoje consensos em torno da promoção da natalidade, tema de "urgência nacional" e que não deve motivar "querelas partidárias", mas foi confrontada à esquerda com as "culpas" do passado.

"Se não nos entendermos nisto, não vejo como os portugueses nos podem entender", afirmou Assunção Cristas, deixando um forte apelo a todos os grupos parlamentares para que, em sede de comissão eventual, se possam "melhorar" os 25 projetos de lei e de resolução que o CDS-PP apresentou para promover a natalidade e conciliar o trabalho e a família.

Intervindo no plenário da Assembleia da República, a deputada considerou que o tema da baixa natalidade do país é uma "urgência nacional" e a sua resolução deve estar acima de qualquer "querela partidária".» [DN]

 Cambalhotas

O MPLA e a Frelimo eram movimentos de libertação e enquanto tal eram contra os colonialistas e tinham a esquerda portuguesa como aliada. Estes movimentos que deveriam ter-se extinguido com a libertação dando lugar a regimes democráticos, transformaram-se em partidos únicos e enquanto puderam assim se mantiveram. Com a mudança do mundo rapidamente se transformaram em partidos democráticos e durante mais ou menos tempo, de forma continua ou de tempos a tempos conduzem guerras civis contra "bandidos".

Agora dá-se um fenómeno curioso, os grandes amigos portugueses do regime angolano são personalidades como Miguel Relvas e Paulo Portas. Em Moçambique o filho do antigo governador do tempo colonial é agora recebido como filho pródigo do regime.

Há qualquer coisa de errado nisto tudo.

 Temos herói!

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Sem riscos e com a certeza de que alguém o vai premiar é fácil andar-se em herói da liberdade de expressão, até há quem provoque com esse objectivo,. Enfim, há gente com um invólucro demasiado pequeno para tanta vaidade.
  

quinta-feira, maio 05, 2016

Os Diabos Laranjas, a claque da austeridade

Durante anos a direita respondia aos comentários da esquerda relativos a indicadores económicos menos simpáticos sugerindo que se desejava mal ao país. Agora houve uma grande evolução, temos um candidato a primeiro-ministro sem estratégia e sem programa porque apenas quer ser poder num cenário de desgraça financeira. Junta-se o mau ao desagradável, Passos Coelho sabe que só volta ao poder com o argumento da desgraça, da mesma forma que sabe também que a sua política neo-salazarista só é viável numa situação de crise extrema.
  
A direita não quer nem menos austeridade, nem uma austeridade assente em medidas diferentes, quer a mesma austeridade que adoptou, isto é, concentrada em dois grupos, funcionários públicos, pensionistas e pores. O programa da esquerda difere muito pouco daquele que resultaria se o governo tivesse aceite um governo para preparar eleições antecipadas, uma boa parte das medidas adoptadas faziam parte das famosas 25 medidas facilitadores propostas pelo PSD ao PS para que este partido viabilizasse o governo da direita. Aliás, uma boa parte das medidas adoptadas estavam previstas nas promessas do PSD. Pior ainda, do ponto de vista das contas públicas 2015 teve muito provavelmente menos austeridade do que 2015, pelo menos no terceiro trimestres.
  
Abrimos a edição online do Observador e a notícia recorrente é quase sempre a mesma, a notação da agência de notação DBRS. Durante quatro anos ninguém ouviu falar desta agênia, mas agora que uma notação negativa poderia conduzir o país a um segundo resgate os jornalistas do Observador não deixam os quadros da agência descansados. 

Quando não e a DBRS é o Financial Times que publica um qualquer artigo e se nada se publica no jornal do pessoal dos papers de Bruxelas de Frankfurt, há sempre um economista-chefe de uma qualquer banco alemão a prever a desgraça para Portugal. Atrás dos ideólogos colunistas do Observador assistimos a uma verdadeira claque da austeridade, uma verdadeira claque dos Diabos laranja que berram em uníssono clamando por desgraça, na esperança de uma bancarrota que lhes devolva o poder.

Esta gente ainda não percebeu que o tempo mudou, o BCE já intervêm no mercado contra a vontade de gente como Passos Coelho, a senhora Merkel tem mais com que se preocupar, a Grécia tem problemas bem maiores do que o défice orçamental e em Portugal há um novo presidente. Nem Passos, nem os seus Diabos Laranjas aprecem ter percebido que mesmo com um regresso ao poder em circunstâncias excepcionais não terão as facilidades que tiveram com Cavaco Silva.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Carlos Abreu Amorim, uma espécie de deputado

Quando ouço o abastado Amorim falar de se fugir com o rabo à seringa não consigo deixar de fazer um sorriso imaginando que a vítima da seringa poderia ser a suam avantajada bunda. Mas, sorrisos à parte, é óbvio que o PSD tenta criar um falso incidente para poder ilibar o governo de Passos Coelho de toda e qualquer responsabilidade. Em vez de argumentos imecis o jurista devia estudar a questão a sério e questionar as instituições europeias sobre se os administradores do BCE podem ou não ser chamados a uma comissão de inquérito de um parlamento nacional para responder com questões que se prendem com as suas competências no banco.

«Em declarações aos jornalistas, no parlamento, o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim afirmou que o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constâncio, "usa e abusa de qualquer pretexto formal para se eximir ao escrutínio" do parlamento português.

Carlos Abreu Amorim frisou que "depoimento após depoimento, documento atrás de documento, está o doutor Vítor Constâncio no caso Banif a ganhar uma centralidade preocupante que levanta muitas dúvidas e inquietações".

"Não podemos ter uma comunicação da diretora do sistema de Concorrência Europeia a dizer que o doutor Vítor Constâncio lhe foi pedir para convencer a comissão a desbloquear a venda do Banif ao Santander e agora o doutor Vítor Constâncio dizer que não esteve envolvido em nenhuma decisão", afirmou.» [Notícias ao Minuto]

      
 Idiota
   
«Fonte do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa avançou hoje à Lusa que um jovem de 24 anos tentou subir ao local onde se encontrava a estátua (à porta da estação de comboios do Rossio) para tirar fotografias e que esta acabou por ser projetada para o chão, ficando totalmente destruída.

De acordo com a mesma fonte, dois agentes visualizaram o incidente, que ocorreu cerca das 23:50 de terça-feira, tendo identificado de imediato o jovem, que não sofreu qualquer ferimento.

O caso foi alvo de notificação, sendo agora dado conhecimento ao Ministério Público, uma vez que a estátua se encontra num edifício classificado como património nacional.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Esperemos que o idiota tente agora tirar uma selfie debaixo do cavalo da estátua equestre do D. José, pode ser que lhe caiam os tintins em cima e se deixe de vez de selfies idiotas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se tanta idiotice e condene-se o sujeito a pagr o valor da estátua.»
  
 Há sempre quem diga não
   
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«Uma manifestante sueca, de origem africana, colocou-se frente a uma marcha de 300 neo-Nazis fardados, na Suécia, numa imagem que está a correr mundo.

A fotografia de Tess Asplund, de 42 anos, com um punho fechado erguido, a bloquear caminho aos líderes do Movimento de Resistência Nórdico (NRM), este domingo, tornou-se viral na Suécia.

“Foi um impulso. Eu estava tão irritada… Tive de sair para a rua. Só pensava: ‘Nem pensar, eles não podem marchar aqui'”, contou Asplund, entrevistada pelo jornal britânico The Guardian. “Eu estava cheia de adrenalina. ‘Nenhum Nazi vai marchar aqui, não é correto'”, acrescentou ainda durante a entrevista.» [Observador]
  

quarta-feira, maio 04, 2016

O modelo económico suicida

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Durante quatro anos a direita fez tudo para promover a precarização dos vínculos laborais, estimulou a emigração dos jovens mais qualificados, chamou empregos a estágios pagos por verbas da segurança social, aumentou horários de trabalho, promoveu a desvalorização do trabalho em favor do capital, adotou medidas com vista à desvalorização fiscal do custo do trabalho. 

Agora a Assunção Cristas mais uma vez deve ter encontrado inspiração em Jesus Cristo e vem com muitas medidas a promover a natalidade, saca dos seus filhos para os exibir no congresso do CDS, abandona a procissão do Santo Cristo à pressa por ser Dia da Mãe e arama-se numa espécie de Joana D’Arc da procriação. Para compensar as medidas que visaram criar um modelo económico e social mais próximo da escravatura propõe umas quantas medidas da treta para promover a natalidade.

Imagine-se um jovem licenciado e procure emprego no site do IEFP. Suponha que é um jovem arquitecto, hoje é o seu dia de sorte, pode mudar-se para Alcobaça onde ganhará 700€ brutos menos do ganha uma empregada doméstica. Se for economista e não tiver mais habilitações do que o doutoramento pode ir um pouco mais longe, para Miranda do Corvo, onde podrá ganhar 889€ (quase 900!) euros brutos o que depois de pagos os impostos deve dar aí uns 600€ convertíveis em bifes ou, mais provavelmente, em entremeada de porco.
  
Não se sinta infeliz com estas ofertas de emprego, infeliz deverás sentir-se o advogado com pelo menos dois anos de experiência, com carta de ligeiros que trabalhando 5 horas diárias em Braga poderá levar para casa 471 € brutos! Isto é, descontadas as deslocações e a quota da Ordem dos Advogados talvez ainda ganhe para comprar uma gravata do Pingo Doce para se apresentar com ar de advogado.

Como é que se pode ter filhos em Portugal se com ordenados destes só é possível ir fazê-los para debaixo de uma ponte? Pensar que se aumenta a natalidade com o Dia dos Irmãos, um  imposto especial sobre preservativos, uma gorjeta no abono de família ou uns quantos dias de férias antes ou depois do nascimento do próximo escravo com nacionalidade portuguesa é brincar com os portugueses. 
  
Cortar 20 a 30% do rendimento, promover os idosos a parasitas, convidar os jovens a fugir de um país de sacanas e depois virem com brindes para quem fizer filhos é ridículo. Só falta criarem o e-filhos e sortearem semanalmente e em directo na RTP um carrinho de Bebés para as grávidas que mandaram a ecografia provando a gravidez para uma qualquer base de dados do Estado!


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Paulo Portas, político pró-Angola

O estatuto de vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa é um excelente disfarce para que Paulo Portas tente influenciar a política portuguesa, como o tem feito em favor de interesses privados. Não admire que tenha largado a liderança do CDS defendendo interesses angiolanos e reapareça para defender os mesmos interesses.

«“Não entendo porque é que em Portugal se diz sempre que a culpa é do Banco Central Europeu [BCE]. Tem a certeza de que não está a passar por cima das interpretações que faz o Banco de Portugal?“. A frase de Paulo Portas, em entrevista ao Diário Económico, coloca em causa a ideia de que foi o BCE a ditar a perda da equivalência da supervisão financeira que era atribuída ao banco central angolano. É essa decisão que está na base da indefinição em torno do BPI, entre os seus acionistas La Caixa e Isabel dos Santos.

Devido à perda da equivalência na supervisão, o BPI passou a estar em violação da regra dos grandes riscos e terá de reduzir a exposição relativa do banco a ativos angolanos, um país onde o BPI tem uma unidade detida a 50% em parceira com a Unitel de Isabel dos Santos — o Banco de Fomento Angola (BFA). Mas Paulo Portas mostra não acreditar que esta foi uma imposição do BCE e questiona qual terá sido a influência do Banco de Portugal nessa decisão.

A entrevista ao Diário Económico foi feita “na qualidade de vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa”, e não na qualidade de ex-presidente do CDS-PP, sublinhou Paulo Portas. O ex-ministro recusou fazer quaisquer comentários “de natureza política” mas defendeu que deve haver em Portugal um “sistema financeiro equilibrado” e que “não é delito, é lucidez” pedir esse equilíbrio.» [Observador]

      
 Não era a inspirada em Cristo que usava todas as ajudas?
   
«A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, que está a ser ouvida na comissão parlamentar de Agricultura e Mar, queixou-se da fraca execução do programa na altura em que chegou ao Governo, apontando para uma taxa de 76%, e estimou que a execução final fique próxima dos 98%.

O pacote de fundos comunitários, direcionado para o setor das pescas e do mar, vigorou entre 2007 e 2013 (o período em que recebeu candidaturas), mas podia ser executado até ao final de 2015, sendo este o prazo limite para a conclusão dos projetos de investimento.» [DN]
   
Parecer:

Assunção cristas costumava gabar-se de ter usado todas as ajudas à agricultura. Parece que se esqueceu das pescas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Português antes de ou depois de?
   
«"A ministra da Justiça decidiu pela admissibilidade do pedido de extradição do cidadão luso-brasileiro Raul Schmidt, detido pelos factos anteriores à data em que obteve a nacionalidade portuguesa", informou hoje o Ministério da Justiça em resposta enviada à agência Lusa.

A decisão de Francisca Van Dunem de aceitar o pedido de extradição de Raul Schmidt prende-se com o facto de os alegados crimes praticados pelo suspeito da Operação Lava Jato serem anteriores à aquisição de nacionalidade portuguesa.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Não percebo nada de direito mas a ideia de que alguém pode ser extraditado porque antes de uma determinada data ainda não ser português não deixa de ser divertida.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

terça-feira, maio 03, 2016

Carne de porco e papelada jornalística

Até há pouco tempo era pouco aconselhável o consumo de carne de porco e a constituição de empresas offshores suscitava muita dúvidas, mas graças aos nossos jornalistas, gastrónomos, advogados e outros manipuladores da opinião pública tudo mudou, quem não come carne de porco não é nem bom chefe de família (se é que a falta desse consumo não lhe prejudica a  capacidade de se reproduzir) e português que não tem uma offshore é porque não precisa de ser honesto.
  
A imagem do português digno implica estar numa ilha paradisíaca com as despesas honestamente pagas, comendo torresmos ao pequeno almoço, febras de porco preto ao almoço, sandes de courato ao lanche e entremeada ao jantar. E se exigir que a iguaria seja de origem nacional melhor, por aquilo que dizem os suinicultores os porcos empregam 200.000 portugueses, um sinal dos novos tempos, são quase um quinto daqueles a que no tempo de Salazar era o vinho que dava de comer. 
  
Quem deve estar sentindo uma pontinha de inveja são os fabricantes de cigarros que assistem aos suinicultores e aos advogados das fundações a usarem com resultado os mesmos argumentos que em tempos eram usados pela industria tabaqueira para dizer que os malefícios do tabaco era uma pura coincidência cuja relação não estava cientificamente provada.
  
A verdade é que se dantes eram o vinho que dava de comer aos portugueses, agora são advogados, jornalistas e especialistas a soldo que lhes turvam a vista e em pouco tempo a Organização Mundial de Saúde passou a ser tratada como uma organização incompetente e as offshores são tratadas como empresas fundamentais para o crescimento económico do país. E como era de esperar os Panamá Papers já devem ter desaparecido num qualquer WC público.
  
A montanha pariu um rato, os Panamá Papers serviram apenas parar vender mais uns quantos exemplares do semanário do Pinto Balsemão, para o inspector do fisco ter mais uma pista para escavar na busca de provas contra Sócrates e para atribuir mais umas malandrices ao Ricardo Salgado, que se transformou num saco de boxe de políticos e jornalistas às voltas com a sua consciência corrupta.
 

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Carlos Abreu Amorim, invenção de Passos Coelho

O Paul Krugman que se cuide, depois deste comentário feito pelo buldozer (ou será buldog?) do PSD corre um sério risco de ter de devolver o Prémio Nobel...

«"Cada vez sinto maior desconsideração por este senhor”. É assim que Carlos Abreu Amorim começa o seu comentário no seu facebook, sobre as recentes declarações de Paul Krugman, vencedor do Nobel da Economia em 2008.

Num artigo intitulado ‘A Economia diabética’, Krugman afirmou ser necessária uma mudança radical para apagar vários anos de austeridade e asseverou que “as coisas em Portugal estão terríveis. Mas não tanto como há um par de anos.”

Depois de dada a sua opinião, chegou a vez de o deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim dar a sua opinião. “Esteve quatro anos a dizer que não íamos conseguir cumprir o Memorando que a Troika negociou com o governo socialista em 2011, atacou de todas as formas e feitios as políticas que éramos obrigados a aplicar (…) e, agora, após tantos equívocos e enganos, limita-se a repetir que Portugal está muito mal mas menos mal do que já esteve."» [Notícias ao Minuto]

      
 Mais uma desilusão para Passos
   
«Questionado pelos jornalistas em Roma sobre possíveis sanções da Comissão Europeia a Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que atualmente na ordem do dia está o encerramento das contas de 2015 e que sobre essa matéria está "tranquilo".

"Depois haverá daqui as uns dias uma apreciação da perspetiva a quatro anos. Vamos esperar por isso, não vamos fazer o desporto, que é o desporto nacional que depois de em cada esquina ter havido um constitucionalista, agora em cada esquina há um constitucionalista/economista", afirmou no final de uma visita em Roma.» [DN]
   
Parecer:

Depois de se ter dado mal ao dizer que Marcelo andava radiante Passos deve ter ficado à beira de uma crise de nervos ao ver Marcelo ir em defesa das contas do Estado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

segunda-feira, maio 02, 2016

Fingimentos

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Agora que ninguém nos ouve deixem-me dizer-lhes que ia desatando a rir à gargalhada quando vi António Costa na procissão do Santo Cristo dos Milagres, apreciei especialmente aquele olhar com um ângulo de 45 graus, como quem tenta ver o senhor um pouco acima da cabeça de quem vai à sua frente, o ar de reflexão e o corpo firme e erecto como se tivesse engolido um taco de bilhar. E por aqui ficam as minhas considerações laicas pela presença de altos dignitários nas cerimónias religiosas. Marcelo foi à Procissão Senhor dos Passos (provavelmente para brincar com o Passos Coelho), António Costa aproximou-se do senhor na procissão do Santo Cristo dos Milagres, enfim, a coabitação é tão perfeita que ainda os vou ver, no próximo ano, carregando um andor numa qualquer procissão da Semana Santa.

Quem também não se esqueceu da procissão açoriana foi a Assunção Cristas, uma politica que como o próprio nome sugere se inspira em Jesus Cristo e talvez por isso foi ministra de uma pasta onde as rezas por boas colheitas terão sido a sua principal obra. Ao que parece a líder d CDS foi aos Açores em missão religiosa, cumprindo uma promessa, também em missão religiosa regressou a Lisboa onde comemorava o Dia da Mãe.
  
EM matéria de fingimentos o único que disse o que lhe ia na alma foi o Passos, o de Massamá e não o da procissão do Marcelo. O líder do PSD que tem estado em câmara ardente desde o último congresso do PSD foi discursar no congresso dos pirralhos para lhes dizer que aquela coisa do “social-democracia sempre” não passou de uma treta para enganar os portugueses que, como é saído, são uma data de parvos. O que ele defende mesmo é que todo o legado europeu em matéria de Estado-social é para jogar fora e que essa coisa da social-democracia considerar que o Estado é importante para a equidade e a justiça social não passa de tiques ultraconservadores. Ser social-democrata nos tempos de hoje é combinar o salazarismo com os Chicago Boys, parindo um modernaço de Massamá.

Por cá não deixou de ser divertido ver o diálogo entre os partidos e o líder da CGTP numa conversa mais ou menos encenada para as televisões verem. Tem a sua graça ver o líder da CGTP e a Catarina Martins extasiados porque agora vive-se muito melhor do que no tempo de Passos Coelho, mas esquecem-se do chumbo do PEC IV decidido para levar esse mesmo Passos ao poder.  O país está muito pior do que alguma vez teve, mas quando se tem fome qualquer papo-seco do dia anterior sabe a pão-de-ló!
  
Os monárquicos escondem-se no CDS e passam por republicanos, os neo-salazaristas dizem-se social-democratas para a eternidade, o primeiro-ministro procura a eternidade na ala dos governantes numa procissão açoriana, enfim, tudo isto começa a fica confuso, ainda vou ver um monárquico da extrema-esquerda a lidera o CDS, afirmando-se socialista, laico e republicano, ao mesmo tempo que carrega um andor na procissão do Senhor dos Passos ao lado de um presidente da ponta esquerda da direita.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Helena Matos, militante da direita

Quando a OMS denunciou os riscos do consumo das chamadas carnes vermelhas o lóbi empresaria destes produtos reagiu em uníssono e quem defendia a redução do consumo destes produtos era ridicularizado, como se viu num programa de televisão. às evidências científicas contrapunham-se as dúvidas sobre os estudos, seguindo a linha há muito defendida pelos produtores de tabaco. às vantagens de uma alimentação sã contrapõem-se as tradições gastronómicas.

Com as offshore sucedeu o mesmo, advogadops, jornalistas e demais profissionais cujos rendimentos dependem dos meios empresariais que são dados a estas coisas de offshores uniram-se para defender a honestidade dos que recorrem ás offshore. Mas a Helena Matos vai mais longe, invoca um historial de questões da treta para se atirar contra os que duvidam da bondade das offshores e dos que as usam.

É de ir ao vómito mas vae a pena ler, diz muito sobre a mentalidade da nossa direita mais extremista, a tal direita que é defensora de mais impostos e de mais austeridades, mas só para alguns.

«Apesar do consenso a exploração do homem pelo homem não só não terminou como foi esquecida. Hoje ninguém se preocupa com a exploração porque agora o que conta é que o explorador pague impostos. A fuga ao fisco (ou a simples expressão do desejo de pagar menos impostos) tornou-se a fonte de todos os problemas, não apenas do país, não apenas da Europa, não apenas do hemisférios norte mas sim de todo o mundo. Até o facto de haver pessoas que procuram legalmente pagar menos impostos se tornou um crime. E assim, neste Abril de 2016, partimos para mais um combate. A saber o da luta contra os offshores. Outros se seguirão. Tanto mais que cada vez teremos de ir buscar o dinheiro mais longe: ironias de Abril, há quarenta e dois anos, em 1974, nem empresários nem políticos tinham dinheiro fora de Portugal. Hoje os portugueses confiam no regime que têm mas as suas elites não acreditam no país q.b. para lhe entregar o seu dinheiro. E a avaliar pelos dados revelados pelo Ministério das Finanças neste final de Abril é bem provável que mais dinheiro esteja já a sair: de 2010 a 2014, mais de 10.200 milhões de euros saíram de Portugal para serem aplicados em sociedades offshore. Mas esse dinheiro não saiu regularmente: o maior volume de transferências aconteceu em 2011, com mais de 4.600 milhões de euros. E o mais baixo volume de transferência aconteceu em 2014, ano em que apenas cerca de 373 milhões de euros foram transferidos para offshores. Percebido?

Moral da História: o dinheiro a sair dos países é o primeiro sinal da crise que está a vir. Não admira portanto que se tenha falado de offshores na estrambólica conferência de imprensa dada por Mário Centeno após esse dia surreal em que o parlamento aprovou o Programa de Estabilidade. E ainda menos admira que precisemos de um inimigo para nos distrair da realidade. Mais do que fugir dos impostos em Portugal o dinheiro foge das crises. E Mário Centeno sabe-o.» [Observador]

 A propósito de offshores

Num tempo em que tanto se fala de offshores vale a pena reproduzir um velho artigo da revista Visão de que muitos já se esqueceram, tinha por título "A Aldeia do Cavaquistão". Ainda bem que nesse tempos ainda não se falava de offshores e estas eram coisa tão fina que até o assessor de confiança de Cavaco Silva tinha uma, hoje talvez o títuolo do artigo fosse "Q Adeira do dinheiro sujo":
 
«O COMEÇO: 'OFFSHORES' DE GIBRALTAR

Por agora, convém afastarmo-nos da casa Gaivota Azul e percorrer as três ruas da urbanização.

Ali, a dois passos, fica o lote 15, a casa de Fernando Fantasia, administrador de empresas do universo da Sociedade Lusa de Negócios, como a Pluriholidays e a Opi 92. O lote 14 é do próprio Teófilo Carapeto Dias. O 12, em frente, pertence à Refi, uma empresa de António Cardoso Alves, advogado, sócio de Carapeto. O lote 8, já na rua perpendicular, está registado em nome de Maria Yolanda Oliveira Costa, a ex-mulher do criador do BPN.

Convém, agora, explicar esta coincidência de tantos conhecidos em duas ruas de um aldeamento em Albufeira.

Em 1993, enquanto ainda trabalhava como assessor administrativo no gabinete de Cavaco, em São Bento, Carapeto Dias adquiriu, com outros sócios, duas sociedades offshore que controlavam a Galvana Investimentos Imobiliários e Turísticos, Lda, empresa que promovia a Urbanização da Coelha. Os offshores chamavam-se Griffin Enterprises Limited e Longin Limited e tinham sede no paraíso fiscal de Gibraltar, Reino Unido.

O loteamento já estava em curso, promovido por dois cidadãos dinamarqueses, que trabalhavam para uma empresa de Copenhaga que viria a abrir falência, a Handelsselskabet Danmark. Eram eles Ejler Schmidt (entretanto falecido) e Jens Peter Jepsen (paradeiro desconhecido). Mas o investimento dos dinamarqueses estava num beco sem saída, com dívidas várias e uma ameaça de penhora das Finanças. Aí surgiu uma sociedade, o Grupo Fonseca, de portugueses, que resolveu o imbróglio.

Como? Ficando com os terrenos (alguns já em fase adiantada de construção) em troca da salvaguarda de consequências criminais para Schmidt e Jepsen.

O Grupo Fonseca não era uma sociedade registada, com escritura, sendo antes aquilo a que um advogado chama de "sociedade irregular". Entre os seus membros estava Carapeto Dias. Cardoso Alves, mandatado pelo grupo, foi à Dinamarca negociar com os credores da empresa falida, o banco Baltica, russo.

Voltou com a posse das offshores que controlavam a Galvana.

Em Portugal, os dinamarqueses (que tinham subtraído dois lotes para si) assinaram uma procuração irrevogável, dando plenos poderes a António Olímpio Albuquerque, do Grupo Fonseca, para agir em seu nome.

Albuquerque, mandatado, negociou a venda dos lotes 14 e 12 a Teófilo Carapeto Dias e à Refi, de Cardoso Alves, por 20 mil contos (100 mil euros), em 1993. Foram estes os primeiros compradores, ainda que, simultaneamente, donos das offshores que controlavam todos os lotes.

Os dois dinamarqueses não gostaram.

Processaram o seu procurador por burla e abuso de confiança. Os processos 151/95 e 135/95 do 1.° e 2.° Juízo, respetivamente, do Tribunal de Loulé, detalham esta história.

De recurso em recurso, os dinamarqueses perderam todas as ações até ao Supremo Tribunal de Justiça. Não havia dúvidas, para a justiça portuguesa, de que estes tinham assinado uma procuração que tornara legal a venda dos dois lotes.» [Visão]
  

domingo, maio 01, 2016

Semanada

Passos Coelho interrompeu a câmara ardente a que se remeteu desde o congresso do PSD para informar que já não tem pressa para que se realizem eleições, tal como sucedeu depois de ter percebido que sem maioria parlamentar não podia ser governo e tentou de forma ridícula que fosse feita uma revisão constitucional à pressa só para ir de novo a votos. Pelo que disse vai regressar para câmara ardente enquanto a Maria Luís se vai preparando para liderar o PSD.
  
A direita portuguesa teve mais uma desilusão, a agência de notação DBRS não desceu a notação da dívida portuguesa, o que significa que durante uns meses não haverá assunto. Resta a Assunção Cristas erguer a bandeira da natalidade e da família, agora pede apoios à família, resta saber se exige que se tratem de famílias numerosas ou de casais casados pela santa madre igreja.
  
O país ficou a saber que o famoso caso Swissleaks deu em águas de bacalhau, mais ou menos o mesmo que vai suceder com os Panamá Papers. Aliás, no caso das offshores a situação ainda é mais ridícula pois os portugueses com empresas offshore começam a ser tratados como cidadãos exemplares que poderão estar a fazer negócios absolutamente legais.

Eduardo Catroga, o septuagenário do PSD que preside à EDP teve uma brilhante ideia para promover as vendas de eletricidade, em vez de sugerir uma descida do preço da energia achou que com a sua grande influência política poderia conseguir uma redução dos impostos. Nada mau para este extremista da austeridade.

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho, líder do PSD em câmara ardente

Passos Coelho interrompeu por breves instantes a sua estadia na câmara ardente em que tem estado desde o congresso da "social-democracia sempre" para dizer que não há consensos nesta fase que ele designa por "fase da miopia". Passos Coelho tem todas a razão não vaio haver qualquer consenso nem nesta fase nem em qualquer outra enquanto o líder do PSD for alguém que todos os dias reza para que o país se afunde, de forma a que ele possa reaparecer como o salvador.

«O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, admitiu, em entrevista ao semanário Sol, ser muito difícil concretizar consensos com o PS, enquanto existir a "fase da miopia" e a "negação da realidade".

"Enquanto não ultrapassarmos esta fase da miopia, enquanto existir do lado da maioria uma negação da realidade, é muito difícil concretizar consensos sobre as principais reformas que o país precisa fazer", afirmou Pedro Passos Coelho na entrevista.

Segundo Pedro Passos Coelho, existe um "problema sério no sistema providencial de pensões" e o "Governo faz de conta" que a situação não existe e "vai empurrando esta realidade lá para a frente", o que agravará o défice e a dívida e vai pôr ainda "mais em causa o pagamento das pensões".» [DN]

 As offshores e as carnes vermelhas

Quando a Organização Mundial de Saúde divulgou um relatório que associava o consumo de algumas carnes à maior incidência de determinados cancros formou-se uma verdadeira vaga em defesa do bom presunto nacional, do nosso chouricinho fumado e das muitas iguarias que dão lucro aos sectores das carnes de suíno e de bovino. Em poucos dias os defensores das carnes vermelhas eram os portugueses defensores da nossa boa alimentação mediterrânica enquanto os que se preocupam com a saúde eram os fundamentalistas.

Comk as offshores sucedeu o mesmo, são tantos os que têm aparecido a defender a legalidade de muitas operações em offshores que os que t~em o dinheiro depositado nos bancos nacionais

      
 Para a nossa direita radical o Papa é do MRPP
   
«Peço desculpa ao Papa por usar o seu Santo nome em vão. Peço desculpa ao MRPP ao chamá-lo para estas coisas entre a santidade e asneira. Mas é muito interessante ver aquilo que são os bas-fonds da nossa direita radical, entre comentários, blogues e twitter. Não, não estou a falar do PNR, estou a falar de apoiantes do PSD e do CDS, do extinto PAF, muitos “jotas”, mas também gente adulta que enfileirou nos últimos cinco anos do “ajustamento”, vindas de alguns think tanks e amadores da manipulação comunicacional que se formaram nestes anos. São também alguns colunistas no Observador, no Sol, no extinto Diário Económico e nos sites que estes jornais patrocinam com colaboração gratuita para formar uma rede de opinião que funciona para pressionar os órgãos de comunicação que, muitas vezes, de forma muito irresponsável, a ampliam em “informação” como oriunda das “redes sociais”. Não são um grupo muito numeroso, mas escrevem todos os dias e em quantidade, parecem estar de patrulha nas caixas de comentários e no twitter e são muito agressivos. Não se coíbem em usar citações falsas ou manipuladas, boatos, calúnias e insultos (Costa é o “monhé” e o “chamuça”, por exemplo). É na vida política portuguesa um fenómeno novo e não adianta dizer que o mesmo existe à esquerda, porque não é verdade.

Não estou a falar de um obscuro subproduto das proclamações mais comedidas de partidos como o PSD (embora raras) ou do CDS, mas de uma realidade mais profunda e espelhar visto que o tom e o mote são dados por colunistas e “pensadores” de direita mais elaborados. Para eles, Portugal é socialista desde o 25 de Abril, com excepção dos anos do governo Passos-Portas, e é governado por uma “oligarquia” de políticos e sindicatos ao serviço do tamanho do estado, como garantia dos seus proventos. Este conceito de oligarquia é interessante porque inclui os funcionários públicos, o aparelho sindical, todos os que fazem greve em empresas públicas, e todos os políticos que são apresentados como o braço armado dessa oligarquia. A oligarquia muito curiosamente não inclui os grandes empresários, os homens da finança, os lóbis junto do poder político, como os escritórios de advogados de negócios, e os donos dos offshores. Bagão Félix faz parte da oligarquia, junto com Carvalho da Silva, Boaventura Sousa Santos, e Ana Avoila, mas Eduardo Catroga, Carrapatoso, Ferraz da Costa, Bruno Bobone e Paulo Portas não.

O PCP é o Diabo, e o seu anticomunismo é o da Guerra Fria em versão salazarista, embora sejam muito amáveis com Putin (como Trump, aliás), com os chineses e com subprodutos do comunismo de partido único como o MPLA. Gastam do Partido Comunista Chinês, dono da EDP e da REN e de muito mais coisas, e não gostam do PCP. O BE, para eles, é hoje quem governa Portugal junto com os comunistas e são uma “raparigada” esganiçada. O PS tornou-se um partido da esquerda radical e tudo o que não alinhe com o “ajustamento” e a sua ideologia, são perigosos esquerdistas e socialistas. Depois de mim, e de Manuela Ferreira Leite, soma-se agora, no PSD, José Eduardo Martins que, como todos sabem, é um perigoso esquerdista. São todos também “socratistas”. A julgar por aquilo que eles consideram esquerdista, radical, comunista, o nosso bom Papa Francisco é do MRPP. Pior ainda, está muito à esquerda do MRPP.

Por que razão os nomes dos que usam ou fazem offshores em Portugal não me surpreende…

… Nada. Quando surgiram as notícias dos “papéis do Panamá” eu fiz uma lista mental, que aliás enunciei a alguns amigos. Até agora está lá quase tudo, mas ainda faltam alguns. Não é preciso ter qualquer dote especial de adivinhação, basta saber que tipo de pessoas com dinheiro em Portugal “estão sempre em todas”. E a barragem de gente, advogados em particular, que encheu os ecrãs de televisão para nos explicar que os offshores e ter dinheiro em offshores é legal, o que faz, e sabem o que fazem, é protege-los. Mas não estão sozinhos, a comunicação social que adoptou o “economês” como linguagem (aquilo a que Teodora Cardoso chama “racionalidade económica”), que é capaz de se exaltar com mil e uma coisas pequenas, acaba por mostrar uma especial “neutralidade” no tratamento dos offshores. À quinta notícia, separada cirurgicamente de uma semana, o efeito é o da mirtridificação, ou seja, o veneno já não faz efeito, porque já estamos habituados. Nenhum dos grandes dos offshores, aqueles que não se lembram de os ter feito, como se fosse uma coisa trivial, vai perder um tostão daquilo que perderiam se tivessem que pagar impostos devidos. E todos os que gravitam no mundo empresarial-comunicacional-político, e são vários, vão continuar a ter todas as tribunas que tinham como se nada acontecesse, sem sequer haver quem lhes pergunte, com as perguntas tipo HardTalk da BBC, sobre o que fizeram. É por isso, que nada vai ser feito sobre os offshores e é por isso que há muita injustiça inscrita em sociedades como a nossa.» [Público]
   
Autor:

Pacheco Pereira.

      
 Há sempre quem queira ganhar dinheiro fácil
   
«Ana Mafalda Prazeres, de 57 anos e consultora do Banco Best, é suspeita de ter montado um esquema em pirâmide que passava por angariar clientes para aplicações financeiras que dizia serem seguras e com a promessa de juros elevados — chegava a prometer juros de 10% ao mês —, mas que eram pagos com o dinheiro de outros clientes. O esquema terá vingado durante anos, mas colapsou nos últimos meses quando vários clientes quiseram resgatar o dinheiro investido e não conseguiram fazê-lo.

A ex-bancária estava desaparecida desde o início deste mês e era procurada desde essa altura pela PJ de Lisboa, a quem chegaram várias queixas de clientes lesados. Para já, há pelo menos 20 vítimas identificadas.

Ana Mafalda Prazeres, que será presente ainda neste sábado ao juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, é suspeita dos crimes de abuso de confiança, burla qualificada e falsificação de documentos. O Correio da Manhã avançou nas últimas semanas que entre os lesados há grandes empresários da construção e da hotelaria e pequenos clientes, que terão perdido tudo.» [Público]
   
Parecer:

Os que receberam 10% de juros por mês terão mesmo sido enganados? Depois de tudo o que já sucedeu em Portugal tenho muitas dúvidas de que empresários possam dizer que foram enganados, jogaram sabendo que ia haver perdedores e acabaram por perder, foram vítimas do seu próprio oportunismo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»