sábado, maio 21, 2016

Liberdade de escolha

Liberdade de escolha é quase todos os portugueses que já pagam as escolas dos seus filhos através dos impostos terem de contribuir também com impostos para ajudar a pagar as escolas daqueles que rejeitam as escolas do ensino público, para tentarem favorecer os seus filhos em escolas privadas, para que estes possam, quando concorrerem às universidades ficarem á frente dos que pagaram as escolas que não podiam usar.
  
Liberdade de escolha é beneficiar das condições vantajosas oferecidas por uma escola e pagas pelos impostos daqueles que não podem usar essas mesmas escolas, instaladas de forma manhosa por altos responsáveis do ministério que depois se transferem do Estado para a gestão de escolas privadas.
  
Liberdade de escolha é muitos pais com posses beneficiarem de escolas privadas mais baratas, quando muitos outros pais que optam pelo ensino privados em muitas regiões do país não beneficiam de qualquer vantagem e não é por isso que andam por aí armados em pintainhos a piar onde o Marcelo aparece.

Liberdade de escolha é as escolas do senhor cardeal altamente selectivas como sucede, por exemplo, com colégios como o Sãio João de Brito, onde as crianças são inscritas antes de nascer e estarão em vantagem se os pais pertencerem a uma conhecida congregação religiosa. Liberdade de escolha é a Igreja Católica só ter escolas onde há pais em condições para as pagar.

Liberdade de escolha é uns poderem escolher e outros serem obrigados a pagar o que não podem escolher mais o que os outros escolheram, enfim, os de amarelo escolhem, os outros pagam.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Carlos Pereira, deputado

Talvez não fosse má ideia este deputado passar a treinar os seus brilhantes discursos em frente a um espelho.

«O deputado do Partido Socialista, Carlos Pereira, enganou-se durante a sua intervenção esta manhã no Parlamento, sobre o desinvestimento no turismo, um lapso que era difícil passar despercebido, pois incluiu um palavrão.

"O turismo tem um impacto significativo e os senhores desinvestiram significativamente nessa merda... nessa matéria." Carlos Pereira, líder do PS Madeira, "recuperou" rapidamente do deslize e corrigiu o lapso. Mas se parece ter passado despercebido no parlamento - não houve comentários -, não passou aos telespectadores, com a conta "Vai ser Viral" a partilhar o vídeo no YouTube.» [DN]
  

sexta-feira, maio 20, 2016

Carta ao senhor cardeal

Caro bispo de Lisboa,


Vinho incomodá-lo a propósito de um valor que percebi que era um grande defensor, depois de o ouvir dirigir-se aos seus fiéis, em Fátima, o da liberdade de escolha. Disse o cardeal em conferência de imprensa que "O papa é claríssimo sobre o direito e a responsabilidade dos pais, inalienável, diz ele, na educação dos filhos e na escolha do tipo de ensino para os filhos. E que o Estado deve ser subsidiário desse direito dos pais. E este ponto, que o papa vinca tão fortemente, é que é o principal". Pois, acontece que independentemente da simpatia que possa ter pelo papa, tenho de o informar que o seu vínculo hierárquico ao chefe máximo da sua Igreja, neste caso o chefe de um Estado estrangeiro, não se sobrepõe à nossa Constituição, uma pobre Constituição que nos últimos tempos foi sistematicamente desrespeitada, sem que eu tenha ouvido qualquer manifestação de incómodo por parte do Bispo de Lisboa.

É sempre bom ouvir as palavras liberdade e escolha na boca de um clérigo com as suas responsabilidades, o senhor cardeal sabe muito bem que em muitos domínios da vida a opção da sua Igreja é oposta à liberdade de escolha. Pior ainda, não só quer vincular os seus crentes às determinações da hierarquia da sua Igrejas, como pretende transformá-las em direito penal aplicável a crentes e não crentes, a católicos e infiéis, com o se de uma sharia se tratasse. Mas não é esse o tema que aqui me traz e não o vou provocar, seria uma deselegância da minha parte fazer aquilo a que o povo designa "tratar o cão com o pêlo do próprio cão", ambos sabemos que a muitas liberdades de escolha tão legítimas como aquela que agora defende o senhor cardeal responde com um  "vade retro Santanas".

Também não o vou incomodar com os meus próprios incómodos de natureza mais política, faz-me confusão quero ouvi-lo tivesse tido a sensação de estar a ouvir um deputado do CDS no parlamento. Enfim, espero que um dia destes as suas homilias passem a ser lidas por Assunção Cristas no parlamento, enquanto a intervenções da líder parlamentar da líder do CDS passam a ser homilias nas suas missas na Igreja de Santa Maria Maior. Enfim, não é a primeira vez que a Igreja toma posição na política, ainda recentemente o senhor cardeal meteu-se no tema da formação do governo, dizendo o que considerava serem coligações mais naturais e menos naturais. Enfim, está no seu direito.
Mas a verdade é que discordo de muito pouco das opiniões do senhor cardeal, pelo menos enquanto essas opiniões são dirigidas a fieis que, por definição, estarão obrigados a um princípio de obediência em relação à Igreja. Também tenho de reconhecer que em muitos domínios da intervenção da Igreja assenta em preocupações que decorrem de valores de que eu partilho, já concordei com muitas intervenções públicas de numerosos clérigos. Recentemente concordei muitas vezes com intervenções do bispo Januário Torgal Ferreira e até senti muita pena que nessas ocasiões e ao contrário do que sucedeu quando da formação do último governo, o senhor cardeal tenha ficado sistematicamente em silêncio.

Mas vamos esquecer essas divergências e vou pedir-lhe que peça às instituições religiosas com responsabilidades no ensino que pratiquem a defesa da liberdade de escolha nas suas escolas, que promova a construção de escolas em concelho onde não há classe média com recursos para promover melhores condições para os seus filhos acederem às universidades públicas. Era bom que os colégios caros da Igreja recebessem a mesma percentagem de crianças com deficiências que as escolas públicas recebem. Sugiro, por exemplo, que o Colégio São João de Brito receba alunos de bairros problemáticos e tenha com eles a mesma paciência cristã que tenham as escolas públicas.

Umas no cravo e outras na ferradura



   1940-05-20: entram os primeiros prisioneiros em Auschwitz


  
 Jumento do dia
    
Jerónimo de Sousa

A desculpa do PCP para o seu voto na questão das barrigas de aluguer não pega, parece que o PCP começa a ficar irritado com o protagonismo do BE e reagiu da pior forma.

«O PCP colocou esta quinta-feira na sua página online a declaração de voto relativa à regulamentação da gestação de substituição, mais conhecida como “barrigas de aluguer”.

Conscientes do melindre do tema e de que eventualmente o seu sentido de voto tenha provocado por um lado estranheza e por outro revolta em muitas mulheres, o grupo parlamentar do PCP veio agora explicar-se. E começa desde logo por afirmar que votou contra "não por insensibilidade perante o legítimo desejo de ser mãe, por parte do universo de mulheres a quem esta iniciativa legislativa se destina", mas por considerar que "o texto aprovado não reflete a necessidade de ponderação de todas essas implicações nem responde de forma adequada aos problemas identificados”.

Um dos problemas identificados tem que ver com a introdução de um critério que consideram subjetivo e que pode incentivar o negócio, isto é, a possibilidade de terem acesso à gestação não só as mulheres sem útero ou com lesão ou doença no útero, mas também as mulheres noutras “situações clínicas que o justifiquem”. É que, apesar de o texto proibir a existência de contratos com motivações económicas, "a verdade é que não é possível fiscalizar e assegurar que assim seja de facto”, dizem os comunistas.» [Expresso]

 Sugestão aos professores dos colégios privados desempregados

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Por ser um excelente e muito oportuno conselho aqui fica para os eventuais interessados, basta alterar "escolas privadas" por escolas públicas e o conselho continua tão útil quanto actual:

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sugere que os professores desempregados emigrem para países lusófonos, realçando as necessidades do Brasil.

Questionado sobre se aconselharia os “professores excedentários que temos” a “abandonarem a sua zona de conforto e a “procurarem emprego noutro sítio”, Passos Coelho respondeu: “Em Angola e não só. O Brasil tem também uma grande necessidade ao nível do ensino básico e secundário”, disse durante uma entrevista com o Correio da Manhã, que foi publicada hoje.

Pedro Passos Coelho deu esta resposta depois de ter referido as capacidades de Angola para absorver mão-de-obra portuguesa em sectores com “tudo o que tem a ver com tecnologias de informação e do conhecimento, e ainda em áreas muito relacionadas com a saúde, com a educação, com a área ambiental, com comunicações”.

“Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos”, disse ainda o primeiro-ministro.

“Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa”, explicou.» [Público de 18/12/2011]

 JJ: "era isto que eu queria"

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E quanto é que o SCP deu pelo "isto" ou, por outras palavras, quanto custou o novo despertador do leão?

 A direita tem uma nova vedeta

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 As vacas de Cavaco sorriem, as do Costa voam!


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Enfim, cá por mim que António Costa decidiu concorrer com O Jumento e deu Red Bull à sua vaquinha:


      
 Israel vai no "bom caminho"
   
«O primeiro-ministro israelita aceitou as condições exigidas pelo polémico líder de extrema-direita, Avigdor Lieberman, para entrar na sua coligação de Governo e prepara-se para o nomear ministro da Defesa já este fim-de-semana, alargando a sua frágil maioria parlamentar e assumindo uma postura mais agressiva em matérias de segurança e no confronto israelo-palestiniano.

A decisão de Benjamin Netanyahu foi surpreendente. O primeiro-ministro israelita parecia muito próximo de uma aliança com o partido de centro-esquerda União Sionista, comandado por Isaac Herzog, que daria uma cara mais moderada ao Governo e poderia acalmar as críticas da comunidade internacional, que procura melhorar as relações entre o Executivo israelita e a Autoridade Palestiniana.» [Público]
   
Parecer:

Este Netanyahu é mesmo uma bosta.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  

quinta-feira, maio 19, 2016

A procissão dos mentirosos

Ouço os argumentos dos senhores dos colégios e fico a saber que vão fechar muitos colégios, que sem eles está em causa a qualidade do ensino, que serão despedidos 4.000 professores. Informo-me melhor e fisco a saber que representam pouco mais de 3% dos colégios privados, que os 4.000 professores são a totalidade dos professores destes colégios, isto é, o argumentário dos colégios subsidiodependentes está ceio de meias-verdades, neste caso o termo apropriado será meias-mentiras.

Até o cardeal achou que o tema merecia uma mobilização das massas em Fátima, fez uma interrupção na exibição dos estandartes religiosos para erguer as bandeiras ideológicas dos partidos da direita, algo que no cardeal não é novidade. Parece que quer liberdade de escolha, isto é, o mesmo cardeal que apoou a austeridade, que queria que o país fosse governado por um governo à margem do apoio parlamentar, acha que se deve pensar em liberdade de escolha em relação a todo o ensino. Provavelmente quer decretar a escravatura na Função Pública, para que os impostos pudessem financiar a duplicação de todo o sistema de ensino. Imagino que depois quereria duplicar o SNS, os postos da polícia e talvez propor a construção de estrada de iniciativa privada.

Vejo os debates em torno do BANIF e a ex-ministra das Finanças explica que o impacto do défice de 2015 resulta do colapso do BANIF, que ocorreu poucos dias depois da posse do novo governo. Portanto, uma ex-ministra da República informou os portugueses que antes da posse deste governo tudo estava a correr bem no BES e na receita fiscal, a desgraça só aconteceu nos últimos dois meses do ano. Se não fosse o novo governo o BANIF até estaria a dar lucro, os contribuintes estariam agora a receber o reembolso da sobretaxa e em vez de filas de desempregados nos centros de emprego haveriam filas de empregadores em busca de trabalhadores.

A Comissão Europeia não sabe muito bem como dar uma ajuda a Passos Coelho e depois de ter sido este, talvez inspirado pelo 13 de Maio, a pedir um milagre a Bruxelas decidiu não aplicar multas a Portugal pelo que fez o governo anterior, para estudar o assunto novamente. Prevê um défice abaixo dos 3%, mas se o governo português não regressar à taradice da austeridade ameaça aplicar multas por conta do défice de 2015, mas argumentando com a política para 2016 e ainda antes de apurado o défice deste ano.

Ex-governantes, comissários europeus e cardeais juntam-se em procissão para manipular os portugueses, para apoiar as soluções políticas que melhor serve os seus interesse e não hesitam em recorrer à mentira para conseguirem os seus objectivos.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Maria Luís, o traste de Massamá de saias

É preciso lata e não ter vergonha na cara para atirar para o actual governo as consequências do que sucedeu no BANIF, sugerindo que as coisas estavam bem. Esta senhora deve estar esqucida da manipulação criminosa das execuções orçamentais com recurso a retenções abusivas e oportunistas de reembolsos do IVA, com o objectivo de aldrabar as contas de 2015 e enganar os eleitores com a promessa do reembolso da sobretaxa.

«Maria Luís Albuquerque, deputada e ex-ministra das Finanças, considera que Portugal fez “um ajustamento imenso” e que teve medidas “absolutamente reais” e, por isso, quaisquer sanções por parte da Comissão Europeia seriam injustas. “Seria muito difícil explicar aos portugueses que afinal não chegaram”, defendeu a antiga ministra.

Em entrevista à Rádio Renascença, a social-democrata afirmou que caso Bruxelas imponha sanções a Portugal, isso será uma “injustiça”. “Acho que é uma injustiça que é cometida contra Portugal. Acho que é uma matéria em que a Comissão não deveria tomar essa decisão”, disse Maria Luís Albuquerque, justificando assim o envio de uma carta a Bruxelas, contestando possíveis sanções.

No entanto, a deputada, que gerou polémica ao aceitar trabalhar para a consultora Arrow, afirmou ainda que não sabe o que se passou no final do ano, altura em que o novo Governo tomou posse. “Esses dias fizeram a diferença, por exemplo, para a decisão do Banif, que faz aquela diferença de 1,4%. Sim, pode-se fazer uma contenção de determinados efeitos no final do ano ou a antecipação de determinados efeitos”, explicou a antiga ministra das Finanças.» [Observador]

 Lista de prioridades do Rui Vitória

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Há um site que informa cada um da sua posição na lista de prioridades do Rui Vitória. Quem não deve ter gostado nada é o Luís Filipe Vieira, presidente do SLB, ficou em 1854%, isto é, mais de 1700 lugares depois do homem das pipocas.

      
 Os contratos de associação, o Presidente, o Cardeal e, já agora, o Papa
   
«Existem problemas bem mais graves que aquele que ocupa a actualidade política há quase um mês: porque o Governo decidiu (e bem) não continuar a financiar alunos de colégios privados que operem em zonas onde existam vagas em escolas públicas, criou-se um alarme social que já mereceu referências (particularmente significativas e nada inocentes) do Cardeal Patriarca e do Presidente da República.   

Toda a polémica respeita a 3% (79 escolas, para ser exacto) de toda a rede de ensino privado, composta por 2.628 escolas. Mas rápida e maliciosamente foi apresentada como um ataque a todo o ensino privado. Estas 79 escolas propalaram a probabilidade falsa de virem a ser despedidos cerca de quatro mil professores, quando esse número representa a totalidade do seu corpo docente e o Estado já garantiu, reiteradamente, que nenhum aluno, de nenhum ciclo de estudos em curso, deixará de ser financiado.

Sendo certo que os contratos de associação sempre foram instrumentos sujeitos à verificação da necessidade de recorrer a privados para assegurar o ensino obrigatório, é igualmente certo e óbvio que sempre foram marcados pela possibilidade de cessarem, logo que desaparecesse a necessidade. Porquê, então, tanta agitação, apesar do senso comum apoiar a decisão e a Constituição e a Lei de Bases do Sistema Educativo a protegerem? Porque o corte futuro de cada turma significa 80.500 euros a abater ao apetecível bolo anual de 139 milhões; porque, a curto prazo, ficarão inviáveis os colégios que vivem, em exclusivo, da renda do Estado e dos benefícios fiscais decorrentes do estatuto de utilidade pública; porque, dor maior, muitos desses colégios têm projectos educativos de índole confessional católica.

Com este cenário por fundo, não retomo argumentos que estão mais que expostos. Prefiro recordar intervenções de diferentes protagonistas e, com elas, afirmar que será politicamente curioso seguir os próximos desenvolvimentos.

1. Atribuindo aos autores da medida “interesses alheios aos da comunidade”, dir-se-ia que Passos Coelho se viu retroactivamente ao espelho: quando administrou a Tecnoforma; quando se esqueceu de pagar à Segurança Social; quando violou continuadamente a Constituição, carta magna da comunidade que agora o preocupa; quando, por uma vez, quiçá a única, desobedeceu à Troika, que mandou, logo em 2011, reduzir os contratos de associação; quando promoveu políticas desfavoráveis aos interesses da comunidade, mas altamente convenientes aos interesses de alguns empresários do ensino, a quem, sem escrúpulos, anulou os riscos e engordou os proventos.

2. Conhecendo a hiperactividade do Presidente da República, olhando para a influência que exerceu no caso do novo modelo de avaliação, só os que acreditam no Pai Natal pensarão que Marcelo Rebelo de Sousa se contenta com um inocente desejo de diálogo frutuoso nos próximos dias. Esperemos que tenha agora a contenção a que o cargo o obriga e que não teve quando comentava, com erro, na televisão. Esperemos que saiba agora que 25% de todos os alunos do privado são subsidiados pelo Estado e que a rede pública reduziu 47%, no mesmo período em que a privada cresceu quase 10%.

3. O padre Manuel Barbosa, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, mostrou-se preocupado com a revisão dos contratos de associação e apelou à luta contra a medida que, segundo ele (mal informado) poderá significar o despedimento de 4.000 docentes. Idêntica preocupação, pelo mesmo motivo, exprimiu o Cardeal Patriarca, D. Manuel Clemente. Estranho não ter ouvido (admito que tenha sido distracção minha) nem um nem outro pronunciarem-se quando medidas do anterior Governo atiraram para o desemprego 28.000 professores do ensino público. Mas estranho mais que D. Manuel Clemente tenha amputado a dimensão espiritual da solidariedade quando afirmou que “solidariedade sem subsidiariedade, não o é de facto” ou, como diria qualquer laico menos erudito, “honraria sem comedoria é gaita que não assobia”. Já tínhamos políticos defensores do liberalismo subsidiado. Temos agora um dignitário da Igreja defensor da solidariedade, desde que subsidiada. E porque Sua Reverência citou o Papa, dizendo que ele disse que o Estado deve ser subsidiário do direito e da responsabilidade dos pais, relativamente à educação dos filhos, considerando que esse ponto é que é principal, permito-me ver de modo diverso e considerar, reverentemente, que o principal é o que o Papa recomendou às escolas católicas, aquando do seu último Congresso Internacional, depois de se ter afirmado envergonhado perante uma educação elitista e selectiva: “Saiam para as periferias. Aproximai-vos dos pobres porque eles têm a experiência da sobrevivência, da crueldade, da fome e da injustiça… O desafio é andar pelas periferias …”» [Público]
   
Autor:

Santana Castilho.

      
 JJ já não ama o pai sportinguista?
   
«O treinador Jorge Jesus afirmou, esta quarta-feira, que deverá continuar no Sporting na próxima temporada e destacou a “época fantástica” que a formação ‘leonina’ realizou, apesar de ter falhado a conquista do campeonato português de futebol.

A receção que a equipa teve em Alvalade depois do jogo de Braga mexeu muito comigo, até em relação a algumas ideias que podia ter. Essa receção foi importante para perceber que é com esta gente que tenho que caminhar”, afirmou o treinador português ao canal Sporting TV, dando a entender que se vai manter em Alvalade em 2016/17.
Após o último treino da época, Jesus destacou o crescimento da equipa e considerou que, apesar ter ficado no segundo lugar da I Liga, o emblema lisboeta terminou a temporada “noutro patamar”.

“Estes jogadores fizeram uma época fantástica. Só faltou serem campeões. Estivemos quase. Fomos à luta até ao fim. Foram 10, 11 meses em que a equipa cresceu muito. Sporting desta época deixou de ser o Sporting que chegava ao final do campeonato e não discutia nada. O Sporting está a afirmar-se”, frisou.» [Observador]
   
Parecer:

Pela suas declarações parece que o treinador do SCP está dizendo "agarrem-me, senão eu fujo", fica-se com a impressão de que tem vários convites feitos por clubes dispostos a pagar 10 milhões de indemnização, ou que só cumpre o contrato que o une ao clube que é seu patrão se assim o entender.

Não é a primeira vez que Jorge Jesus se comporta como se tivesse alternativa e o FCP de Pinto da Costa tem-no ajudado neste papel, mas a verdade é que não há conhecimento de um único clube que o tenha convidado.

Também é estranho que em vez das obrigações contratuais o treinador invoque a recepção em Braga, quando foi para o SCP era porque sempre foi SCP e porque isso fazia o seu pai feliz. Compreende-se que o amor aos adeptos já seja mais importante do que o amor paterno nas suas escolhas profissionais, por aquilo que se ia lendo nas redes sociais arriscava-se a começar a ouvir uns apupos na rua.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

quarta-feira, maio 18, 2016

Descomunicar

Graças ao desastre do Sporting a palavra na moda é comunicação, ao que consta, até o próprio Jorge Jesus que além de um grande treinador também se considera um grande comunicador, ter-se-á queixado da má comunicação do clube. A verdade é que a estratégia de comunicação do Sporting foi tão desastrosa que merece uma atenção séria, independentemente de paixões clubísticas.

O Sporting tentou por todos os meios influenciar o curso dos resultados a um ritmo semanal, quando não era o Facebook do presidente, eras as entrevistas do treinador, quando estes ficavam calados o serviço ficava entregue ao Octávio Machado. Pretendia-se pressionar tudo e todos, desestabilizar todos os que pudessem influenciar negativamente os adversários. Tentava-se promover a desconfiança em relação ao treinador, condicionar os árbitros e até fragilizar psicologicamente um jovem jogador. Valeu de tudo e o resultado foi desastroso, os adversários usaram a comunicação a seu favor com resultados brilhantes. O Sporting não perdeu o campeonato apenas nos relvados, perdeu-o no gabinete e nas redes sociais do presidente, nas salas de imprensa e na comunicação social.
  
Esta descomunicação desastrosa não se limita ao mundo do futebol, recordo-me, por exemplo, de quando o ex-secretário de Estado tentou assustar os comerciantes e anunciou, com pompa e circunstância, de que iriam ser feitos cruzamentos de dados entre a informação fiscal e os pagamentos feitos por multibanco. O resultado desta brilhante comunicação ficou expresso em muitas entradas de cafés e restaurantes, anunciava-se “não aceitamos multibanco”. 
  
A comunicação é um poderoso instrumento para influenciar os comportamentos quer de massas, quer quando se pretende atingir determinados alvos. Mas como qualquer arma importa saber utilizá-la, sob pena de ocorrerem resultados inesperados, que podem ser contrários. Veja-se o caso de Passos Coelho que tentou descredibilizar o governo  e andou meses a fazer de primeiro-ministro no exílio, em vez de describilizar descredibilizu-se. Depois fez de morto e durante cerca de um mês o país assistia a uma direita a fazer o velório de um líder em câmara ardente. Agora que tudo falho ou morte levantou-se de forma abrupta e está vivinho e até demais.
  
É incrível como gente que se esperava ser minimamente inteligente e, nalguns casos, gente muito experiente, em vez de comunicara descomunica.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Mentira Jumento: avião do patrocinador do SCP aterrou em Lisboa


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 Jumento do dia
    
Mário Centeno

GHá soluções que nem pela cabeça do diabo passa, voltar ao horário de 35 horas no Estado mas apenas para metade da Função Pública apenas serve para dar argumentos ao ódio promovido pela direita em relação à função Pública.

«O ministro das Finanças, Mário Centeno, deixou claro nesta terça-feira que os trabalhadores dos hospitais EPE com contrato individual de trabalho não serão abrangidos pela redução da semana de trabalho de 40 para 35 horas e que no restante sector da saúde será necessário um período de adaptação para que a medida não ponha em causa as finanças públicas e a prestação dos serviços aos cidadãos.

Os trabalhadores com contrato individual de trabalho requerem “um tipo de intervenção completamente distinto daquele que estamos a falar para os trabalhadores em funções públicas”, afirmou o ministro durante uma audição na comissão parlamentar de Trabalho e Segurança Social, que está a decorrer nesta terça-feira.» [Público]

      
 Uma sobretaxa de IRC para financiar a segurança social?
   
«À margem de um debate sobre o papel do Estado, dos privados e dos particulares nas reformas, promovido hoje em Lisboa, o ministro Vieira da Silva reafirmou a intenção do Governo de lançar "uma discussão organizada" na Concertação Social sobre o financiamento da Segurança Social.

"É possível discutir um alargamento, não no sentido do aumento da carga fiscal mas no sentido de o financiamento ser menos concentrado apenas no fator trabalho", afirmou o governante, reafirmando que a sua perspetiva não é o de reforçar essa dimensão contributiva, mas apenas de encontrar "outras formas de financiamento" que não estejam "apenas" dependentes do fator trabalho.

"Vejo como positivas, por exemplo, a existência de outras fontes contributivas - impostos sobre os lucros - a contribuírem para o financiamento da Segurança Social, não como um acréscimo mas como uma substituição potencial da taxa contributiva", afirmou Vieira da Silva.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Enfim, os lucros das empresas são ilimitados...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Chamem a polícia!
   
«Foi para o ar esta segunda-feira mais uma edição do programa ‘E Se Fosse Consigo?’, da SIC, que tem por objetivo testar a capacidade de reação dos portugueses perante situações de conflito ou preconceito.

Desta vez, dois jovens atores interpretaram, na via pública, uma situação de violência no namoro, que captou a atenção de Catarina Martins.

Ao presenciar a cena, a líder do Bloco de Esquerda não hesitou em intervir, elucidando o jovem agressor de que aquele era um crime público e chamando a polícia.

Na sua página no Facebook, a deputada assumiu-se como “uma das ‘apanhadas’ do programa” e frisou que, quando o tema é violência no namoro, “ficar indiferente não é uma opção”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Digamos que a atiz tem dificuldades em identificar actores.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

terça-feira, maio 17, 2016

Qual é a melhor escola?

Se eu pretender comparar duas empresas do mesmo ramo é possível que considere a melhor aquela que apresenta mais lucros. Se comparar duas equipas de futebol considero melhor a que ficar melhor classificada. Se comparar dois hospitais deverei considerar que o melhor é aquele que tem mais doentes curados? E se comparar duas escolas a melhor é a que apresenta melhores médias?
  
Para a líder do CDS as melhores escolas parece serem as que apresentam melhores médias, isto é, para a líder do CDS não importa que alunos entram, as condições de funcionamento das escolas, se as médias forem mais altas essas escolas são melhores. Imagino que para os hospitais o critério seja o mesmo, não importa se a doença era uma gripe ou um transplante de coração, o hospital de onde sair o doente em melhores condições é o melhor.

Auditar a qualidade de uma escola não se pode limitar a fazer uma média de notas finais e muito menos se essas notas envolverem avaliações feitas na própria escola ou, tratando-se de exames nacionais, se os mesmos forem corrigidos pelos professores dessa escola. Uma auditoria à qualidade de uma escola passa necessariamente por uma avaliação de todo o processos, começando pelos recursos materiais, passando pela capacidade do corpo docente e dos métodos de gestão, pela avaliação da qualidade pedagógica.
 
As condições ambientais que podem influenciar os resultados do processos educativos não podem ser considerados na avaliação de uma escola. Estão nestas condições o meio social em que a escola se insere ou o ambiente cultural desse meio.
 
Comparar os resultados com base em médias de avaliação, como defende a líder do CDS para efeitos de concessão de apoio ou mesmo do apoio aos colégios privados em prejuízo do ensino público é desonesto.É ignorar de forma velhaca que numa escola pública não pode haver selecção dos alunos, não se pode dizer a um encarregado de educação que não há condições para receber uma criança com problemas cognitivos, não se podem adoptar regulamentos internos de disciplina à margem da opinião pública, não se podem organizar turmas segundos critérios de competitividade e que o governo anterior exigia às escolas públicas turmas com muito mais alunos do que as que apoiava no sector privado.
 
Sujeitar a política de ensino de um país a estes critérios viciados é condicionar o seu futuro com o único propósito de favorecer empresários, no pressuposto de que os dinheiro dos contribuintes deve ser usado segundo critérios meramente ideológicos e para favorecer classes amigas ou instituições cujo poder costuma estar ao serviço da direita.
 
A melhor escola não é a que manipula os seus resultados em função dos critérios de um ranking, é sim a que se preocupa com todos os alunos, a que não escolhe alunos em função dos seus rendimentos, a que inclui crianças com problemas sociais, a que se integra nos objectivos de desenvolvimento da comunidade e não a que visa garantir a reprodução das estruturas sociais através de esquemas de favorecimento de alguns jovens no acesso à universidade.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   JJ subiu dez posições na consideração de Rui Vitória


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 Jumento do dia
    
Assunção Cristas

Assunção Cristas descobriu um novo critério para financiamento de escolas, na sua opinião se a escola privada for melhor do que a pública deve ser financiada, o critério de tão ingénuo até parece certo, mas nem está certo, nem é honesto, diria mesmo que é velhaco.

O que Cristas omite e que um colégio privado obedece a regras que uma escola pública não obedece, esta tem obrigações que os colégios privados não têm, sofrem de restrições financeiras que não são necessariamente as mesmas de um colégio privado, tem alunos que em média vêm de meios sociais com melhores recursos e educação e obedecem a critérios pedagógicos diferentes.

O que a líder do CDS pretende é comparar coisas diferentes e com base em resultados, dois critérios que têm mais de velhaco do que de honesto. A qualidade não se avalia no ranking, exigiria uma auditoria séria aos métodos para que essa avaliação fosse séria, não sendo influenciada pela dimensão das turmas, pela estabilidade do corpo docente, pela origem social dos alunos, pela percentagem de alunos com problemas de deficiência, pelos critérios de admissão de alunos.

Assunção Cristas começa a revelar-se uma política pouco séria, ela sabe que instituições como escolas ou hospitais não são empresas privadas, o número de doentes curados ou a posição no ranking não têm nada que ver com o lucros das empresas, não se pode estabelecer uma relação directa e proporcional entre estes resultados e a qualidade da gestão. De uma líder do CDS seria de esperar mais honestidade intelectual, isto no pressuposto de que Assunção Cristas sabe do que está falando.

«A líder do CDS sugere que o critério para financiamento das escolas não deve passar pelo proprietário das mesmas, mas pela escolha dos pais, custos, qualidade e resultados do estabelecimento.

"Se uma escola é melhor, se tem melhores resultados, se os pais a preferem e se não é mais caro que uma escola estatal, porque é que não há de ser essa turma nessa escola que deve prosseguir?", questiona Assunção Cristas, que falava esta segunda-feira aos jornalistas à margem de uma visita ao Colégio Apostólico da Imaculada Conceição (CAIC), em Coimbra.

Com "o problema da natalidade" a criar uma falta de crianças "para encher as escolas", será necessário perceber o que se quer: "Se queremos olhar para a escolha dos pais, para a preferência dos pais, para a qualidade do ensino, olhar para os custos, certamente, ou se queremos olhar simplesmente para o dono da escola", afirmou.» [Expresso]

 Estupidez

Portugal dá-se ao luxo de ter duas estruturas pesadas para fazerem o mesmo, cobrar impostos aos mesmos contribuintes. Só que uma diferença subtil justifica que os portugueses paguem duas estruturas diferentes, num caso cobram-se impostos, no outro cobram-se contribuições. No passado era a mesma coisa, mas alguém deve ter descoberto uma forma simples de criar mais umas dezenas de lugares de chefia e os impostos ficaram separados dos impostos.

Hoje temos duas realidades diferentes, uma máquina fiscal que se modernizou e combate de forma cada vez mais eficaz a evasão fiscal, uma máquina de cobrança das contribuições ineficaz, incapaz de cobrar as dívidas (como se viu no caso das dívidas de Passos Coelho) e cujo sistema informático é tão pouco fiável que nem consegue manter online a lista dos devedores.

O ministro veio agora, com pompa e circunstância, anunciar mais medidas, que medidas apresentou? A grande novidade é o acompanhamento dos grandes contribuintes, algo que nos impostos jám se faz há vários anos. Então porque razão os dirigentes da Segurança Social, que por serem administradores de institutos até são melhor remunerados, nada fizeram?

Quantos pensionistas, funcionários e contribuintes terão de continuar a pagar com cortes de pensões, cortes de vencimentos e aumento de impostos na incompetência na cobrança das contribuições para a segurança social? Como explicar que só se faça agora o que já se faz há anos nos impostos? Como explicar qe nos impostos se conheçam os devedores e nas contribuições a lista não está online? Porque razão há empresas que cumprem com o fisco e não o fazem com a Segurança Social? Como se explica que empresas que pagam as dívidas fiscais deixam relaxar as dívidas à segurança social?

Esta separação entre impostos e contribuições é ridícula e põe a nu uma das causas da crise que o país atravessa, a ineficácia de um Estado que se rege por critérios que nada têm que ver com a eficácia. O controlo de uma grande empresa implica processos complexos, que nalguns casos obriga a recorrer à assistência mutua internacional, correndo-se um sério risco de uma empresa que cumpre com o fisco não o faz com a Segurança Social.

Até quando o país vai ter de pagar o preço destas e de outras capelinhas, quando será que aparece um verdadeiro Simplex que acabe com estas situações absurdas?

 JJ

Confundiu a Liga com um concurso de beleza e acabou por ficar com o título de Miss Liga, enquanto Rui Vitória foi campeão nacional.

      
 Santander distribui gorjetas
   
«O ex-eurodeputado socialista António Vitorino e o ex-ministro das Finanças Luís Campos e Cunha vão integrar, como independentes, o conselho de administração do Santander Totta, segundo uma proposta a votar no dia 31 na assembleia-geral anual do banco.

Nos termos da proposta de eleição dos órgãos sociais para o triénio 2016/2018 enviada esta segunda-feira pelo Santander Totta à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o conselho de administração (CA) do banco passa a integrar três mulheres, já que Inês Oom de Sousa e Remedios Ruiz Macia juntam-se a Isabel Mota, que já era membro (independente) daquele órgão.

António Basagoiti mantém-se como presidente do CA, continuando também na vice-presidência António Vieira Monteiro (que permanece ainda como presidente da Comissão Executiva) e Enrique Candelas (não executivo).» [Expresso]
   
Parecer:

O mais curioso é que aos administradores gorgeteiros designam por "independentes".
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Bruno de Carvalho igual a si próprio
   
«Quanto ao Benfica, “agora é tempo de deixar os cães de fila falar”, diz. “Espero que aproveitem bem estes dias pois a próxima época está quase a começar. ”» [Expresso]
   
Parecer:

É muita azia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se uma caixa de Alka-Seltzer ao (ainda) presidente do SCP.»

segunda-feira, maio 16, 2016

A oportunidade perdida

Como se poderá explicar que uma equipa que ganhou aos adversários mais difíceis e que chegou a ter 7 pontos de diferença em relação ao SLB tenha perdido o campeonato para este clube? Paixões à parte, num mundo em que a gestão desportiva começa a ser um assunto sério a forma como o SCP viu o título ir parar ao SLB é quase um case study.
  
O SCP começa a época motivado, com uma equipa técnica experiente, um modelo de jogo testado e jovens valores que cresceram com a ajuda de dois bons treinadores. Beneficiou da desorientação inicial do seu rival, a equipa técnica, ao contrário do que tinha sucedido com Marco Silva, não foi questionada por não utilizar os mini Messis contratados pelo presidente do clube, concentrou-se numa única competição e utilizou as restantes competições ara testar soluções e descansar jogadores.

Tudo correu bem, o SCP cedo chegou à liderança, no FCP a contestação ao treinador cedo anunciou a desgraça, Jesus teve carta branca para renovar quase meia equipa a meio da época, ao contrário do que sucedeu com o rival não teve de enfrentar muitas lesões. Mesmo com a perda de Carrillo e dos os incidentes associados à renegociação do contrato deste jogador o SCP chegou a meio da época com o título quase ganho.
  
Não faltaram jogadores e ainda se vendeu um bom ponta de lança, o guarda-redes não sofreu frangos durante toda a época, algo raro na sua carreira, a equipa chegou ao fim em boa forma física e sem jogadores lesionados, os erros de arbitragem não tiveram grande peso. Algo teve de suceder para que que o SCP viesse a perder o título em meia dúzia de jogos e durante a segunda volta.
  
O SCP ganhou quase todos os jogos com os três principais rivais, nos jogos com o SLB ficou em vantagem por ter marcado mais golos, raramente perdeu pontos em jogos fora de casa, nos jogos em casa raramente se ouviram assobios e nunca foram exibidos os quase habituais lenços brancos. Seria fácil dizer que a culpa foi de uma qualquer arbitragem ou dos erros de Bryan Ruiz.
  
Talvez a explicação tenha sido dada pela derradeira provocação de Jesus, na entrevista que se seguiu ao jogo em Braga. Disse o treinador do SCP “eu crio e os outros copiam, é por isso que eu ganho!”. Pois, mas a verdade é que não ganhou, falou muito e não ganhou quase nada. Tentou provar que era ele que ganhava títulos e não os clubes e o resultado foi o que se viu, o SLB continua campeão, o SCP ganhou a supertaça que Jesus disputou porque o seu antecessor tinha ganho a Taça de Portugal.
  
Há quem diga que o SCP conseguiu ficar em segundo, o primeiro dos últimos. A verdade é que perdeu a oportunidade de ganhar um dos títulos mais fáceis da sua história e não o conseguiu, Mas Jesus está a melhorar, há uns anos ficou com o Kevin atravessado na garganta, agora ficou só com uma amêndoa, sempre é mais fácil de enfolir.


Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Marquês de Pombal - Benfica Campeão
  
 Jumento do dia
    
Jorge Jesus

Jorge Jesus perdeu o campeonato que julgou estar ganho e que não podia perder, mas perdeu-o depois de estar 7 pontos à frente do SLB. Certo da vitória o seu ego extravasou e optou por uma linguagem pouco digna, fazendo declarações gratuitas que agora terá de engolir, apesar de sentir uma amêndoa atravessada na garganta.
 
NUnca um treinador assumiu a liderança de um clube com as dimensões do SCP, transformando o seu presidente em moço de recados no Facebook. Agora terá de conviver com a frustração e decidir se arrisca mais uma época ou se desiste do SCP e vai para o FCP para desgosto do seu pai Virgolino.