sexta-feira, junho 17, 2016

Neo-realismo algarvio

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Albufeira (imagem de A. Moura, Faro)

quinta-feira, junho 16, 2016

CGD (2)

Ricardo Salgado tentou explicar a crise no BES com a crise financeira internacional e tinha  alguma razão, se não fosse a crise desencadeada a partir dos EUA a situação no BES ficaria oculta, pelo menos durante mais algum tempo. Mas o que sucedeu no BES foi o mesmo que assistimos noutros bancos, foi um caso de corrupção, de esquemas mafiosos, de negócios sujos. 

O BPN chegou a ser apresentado no jornal Expresso comop um caso de sucesso, Ricardo Salgado era um Deus na banca portuguesa e era bajulado por políticos e jornalistas, o BANIF era na Madeira o banco do regime, o BCP era apontado como um modelo de sucesso da b anca privada. Cavaco apontava a banca privada como um caso de sucesso.
  
A CGD era o patinho feio ao lado da gestão de excelência na banca privada, mas quando esta ruiu muitos portugueses transferiram as sua poupança para o banco do Estado, era o único porto seguro. A ideia que se tinha era a de que na CGD a gestão tinha em conta a defesa do interesse público, que os créditos eram concedidos com rigor, que os seus gestores defendiam o interesse público.

De repente percebe-se que a CGD perdeu a virgindade, que a ganância tinha atingido as suas chefias, de repente sabemos que há milhares de milhões de euros concedidos sem que tenham tido como contrapartidas garantias válidas. A CGD não foi vítima de qualquer bolha imobiliária, das desgraças de um grupo empresarial associado ao banco ou da crise financeira. A CGD parece ter sido vítima das decisões de concessão de crídito por parte dos seus responsáveis a todos os níveis.

A ideia que tinha era a de que na CGD era tudo mais rigoroso, as taxas de juro eram menos competitivas, os créditos eram concedidos com grandes exigências. Durante muito tempo fui cliente da CGD e nunca senti qualquer simpatia, a CGD não dava nada. Mas de repente sabemos que os administradores, directores de crédito e gestores das suas agências era gente muito generosa, gente que dava crédito primeiro e cuidava dos interesses do banco e do Estado depois, gente muito descuidada a exigir garantias.
  
E digo que são gente generosa porque não quero falar em ganância, em esquemas de prémios fáceis ou mesmo de corrupção. Fala-se muito de alguns administradores e de alguns negócios, mas a verdade é que o forrobodó na CGD pode ter tido uma extensão mais generalizada. Eu conheço um caso que envolve cerca de um milhão de euros e interrogo-me sobre quantos casos como este existirão em todo o país. Interrogo-me também sobre o que terá levado gestores do dinheiro de um banco público a serem tão generosos.
  
É um caso interessante que contarei num terceiro post que dedicarei à CDG, fica para a próxima segunda-feira.

quarta-feira, junho 15, 2016

CGD (1)

Há qualquer coisa de errado nisto do crédito malparado na CGD.

Se alguém rouba um papo-seco no supermercado tem o MP e uma catrefa de juízes e advogados à perna. Nem vale a pena falar da agora famosa carteirista Quina, de Ermesinde, que mal sai à rua é apanhada com as mãos na massa e condenada a prisão com pena suspensa.
  
Mas todos sabemos de alguns grandes credores da CGD, todos sabemos que há muitos outros beneficiários de créditos generosos do banco público e todos sabemos que uma boa parte desse dinheiro não será cobrado, a esta hora e por conta do bolso dos portugueses já o banco constituíu provisões, faz-se a recapitalização da Caixa, vendem-se os créditos à Arrows e o problema fica esquecido.

O dinheiro da Caixa é dinheiro dos contribuintes e o mesmo sucede com o dinheiro dos impostos, aliás, é com o dinheiro dos impostos que será financiada a Caixa para que os seus directores de credito possam voltar a financiar agentes económicos duvidosos. Se o dinheiro da Caixa e dos contribuintes porque motivo é cobrada de forma tão simpática.
  
A AT cobra cada tostão que um pobre contribuintes fique a dever, chegando quase ao ponto de lhe penhorar a alma. Não se compreende que em relação ao dinheiro dos credores que vigarizaram a CGD, muito provavelmente com a ajuda de gestores e funcionários do banco, haja tanta amabilidade. Pior ainda, são os gestores e funcionários generosos que deram os créditos em questão que estão incumbidos de proceder à cobrança. Quem nos garante que não vão ser tão generosos como o foram no momento em que fecharam os olhos à inexistências de garantias para os créditos que concederam?

Se a AT cobra desde as portagens às multas de quem é apanhado com um gato sem licença, porque não cobra as dívidas à CGD? Não haverá uma fora de atribuir a essas dívidas um estatuto equivalente a dívidas fiscais atribuindo à AT a responsabilidade pela sua cobrança?

Amanhã voltarei ao tema da CGD para vos dar a conhecer um caso que conheço e que mostra como não só os grandes tubarões que beneficiam da generosidade dos responsáveis da CGD. Há nos seus balcões gestores que são muito generosos a dar crédito sem garantias.

terça-feira, junho 14, 2016

Merdaxit

NãO entendo a indignação eu por aí vai com o Brexit, ao que parece mesmo depois da Europa os ter tentado comprar com cedências os britânicos dizem “não, obrigado”. Como de costume nestas situações nos poderes europeus reagem com as chantagens do costume e, pior ainda, com ameaças económicas sugerindo aos cidadãos britânicos que ou votam pela permanência ou estão tramados.

Esta Europa tão miserável em que se está tornando tem um único argumento para se manter unida, o dinheiro. Ou se fica ou se tem menos dinheiro, ou se faz oi que o Eurogrupo manda ou se fica sem dinheiro, ou se cumpre o défice ou se pagam multas em dinheiro. Esta Europa tem um único argumento para continuar a existir, ganhar dinheiro.
 
O problema é que são cada vez mais os que nada ganham com uma Europa onde a lei é a do mais forte, onde a competitividade se consegue com injustiça social e com a destruição dos calores que fizeram o que a Europa é hoje.

Os senhores do Eurgrupo inventaram o Grexit, a ideia era expulsar a Grécia, tudo foi feito para minimizar os custos de uma bancarrota grega e só o receio dos custos de uma saída controlada da Grécia aparou as unhas do Eurogrupo. A ideia era expulsar a Grécia e Portugal, dando-lhes o estatuto preferencial, talvez no quadro de um Mediterrâneo com Estados que já não o são.
 

Mas as coisas correram mal os comissários extremistas e em vez de um Grexit e talvez de um Tugaxit têm nas mãos um Brexit. Mas o mais grave é que sem o Reino Unido as saídas da União Europeia passam a designar-se genericamente por Merdaxit. 
  

segunda-feira, junho 13, 2016

Pobres amarelinhos, foram abandonados

Ques coisa tão estranha, os amarelinhos desapareceram! O cardeal esqueceu-se da sua evangelização da liberdade de escolha, a Cristas parece ter metido férias e os seus deputados jé nem se vestem de amarelo, até o traste de Massamá, que foi o primeiro a abandoná-los, anda a pular de causa em causa, a esperança de o país escorregar nalgum buraco.
  
O que é feito da preocupação pelos novos projectos educativos, com os professores que iam ficar desempregados, com o futuro das criancinhas, com os direitos contratuais? De um dia para o outro desapareceram, ainda apareceram disfarçados de branco armados em fascistas à porta de um congresso partidário, mas bastou uma sondagem da Aximage para que tivessem desaparecido.
  
Como a causa não rende votos os líderes da direita que andaram tão empertigados calaram-se, parece que o próprio cardeal deverá ter percebido que não ia ganhar almas para o seu rebanho e fez-se silêncio, o próprio Marcelo parece ter optado por não mostrar o seu optimismo irritante. A luta terá passado para os bastidores, já que a arruaça estava a dar maus resultados há que negociar e conseguir o que se pode.

Para a história ficou um bom exemplo de como se faz política em Portugal, de como as grandes causas podem não valer nada se não renderem votos, de como a coerência e os valores dão facilmente lugar ao puro oportunismo político. Se a sondagem da Aximage tivesse dado um apoio a causa por parte de 50% dos eleitores a Cristas não teria calado, o Passos tudo faria para chamar a si a lidernça desta gloriosa luta e o cadeal já teria dedicado a homilia da cerimónia do casamento das noivas de Santo António ao tema, ainda que na sua diocese a questão nem se coloque.

Mas como a causa não rendem nem almas nem votos os colégios ficaram a falar sozinhos, os papás que paguem os colégios, as ovelhas tresmnalhadas que procurem o rebanho porque os nossos líderes politicos e religiosos têm mais do que fazer. Até porque em em nome da austeridade o melhor é deixar cair os colégios pois não se pode exigir qe se mantenham os cortes dos professores do ensino público para que o governo pague os ordenados dos professores dos colégios.

Enfim, são assim as causas destas direita da treta que se apoderou do CDS e do PSD.


domingo, junho 12, 2016

Semanada

Esta semana ficou marcada por mais um 10 de Junho, desta vez sem a presença do pessoal da Quinta da Coelha a dar ou a receber medalhas, foi uma comemoração sem discursos feito por um Cavaco armado em pensador, deixando o país a resolver as adivinhas saloias. Se não fosse o Passos Coelho o país nem se teria lembrado do passado recente, mas na ausência de Cavaco coube ao líder do PSD a representação da pequenez. Aproveitou o 10 de Junho para dizer que com ele na oposição não havia nada a comemorar.
  
Se o país tinha dúvidas quanto ao desejo secreto de que a Europa se vingue do país em nome da direita isso ficou claro, Passos Coelho deseja que sejam aplicadas penalizações, por isso não se cansa de pedir à Europa que as aplique argumentando com as mudanças políticas decididas pelo governo de António Costa. Passos Coelho quer dizer “estão a ver, a Europa não aceita este governo e as suas decisões”.

Quem não parece ter a mesma abordagem de Passos Coelho é Marcelo Rebelo de Sousa, que não perde uma oportunidade para marcar a sua diferença em relação à liderança do partido de que ele próprio foi presidente. Marcelo sabe que a Europa não vai aplicar sanções e vai querer aparecer como Presidente que deu uma preciosa ajuda para que a Europa não as decidisse.

Quem desapareceu foi a Assunção Cristas, ao que aprece o pessoal dos colégios aproveitou os feriados e esqueceram-se de fazer manifestações. >Enquanto Passos cedo se demarcou do movimento a líder do CDS ficou “agarrada” a um movimento político que a maioria dos portugueses não aceita. Pobre senhora, chegou à liderança do CDS e este partido já está a cair.
  
Razão tinha Portas que decidiu mudar de vida, optou por não andar armado em exilado, como fez Passos Coelho, e deixou a desgraça entregue a uma ambiciosa Cristas que já está a cair aos olhos dos eleitores.