sábado, julho 02, 2016

Barroxit

Se Jacques Delors tivesse sido o presidente da Comissão Europeia nos últimos dez anos a Europa seria a merdaxit em que se tornou? A resposta só pode ser não e isso significa que o pântano económico, político e social em que a Europa se afundou tem muito a ver com o desempenho de Durão Barroso, um político que foi escolhido para o cargo mais pelos seus defeitos do que pelas suas qualidades.
  
Era preciso um presidente da Comissão sem grandes escrúpulos, disposto a aceitar ordens, disponível para transformar a Comissão num saco de paus mandados e essa pessoa foi Durão Barroso, um político que chega ao cargo de uma forma manhosa e pouco elegante, rasteirando um candidato que dizia apoiar, lançando a sua candidatura em segredo e abandonando o país com o argumento humilhante de que ia ser o nosso padrinho em Bruxelas. Foi o padrinho que se viu e terminou o seu mandato de forma muito típica, metendo o filho no Banco de Portugal pela porta do cavalo.
  
Hoje a Comissão Europeia já não é a garantia da defesa dos valores da Europa, é o braço armado de interesses representados no Partido Popular Europeu, está ao serviço dos grandes e faz o que lhes mandam. A extrema direita está crescendo na Europa graças à corrupção moral e material que sustenta o processo político europeu, com partidos nacionais corrompidos, gente sem grande valor a liderá-los e líderes fracos.
  
Podemos criticar a senhora Merkel, mas a verdade é que na Europa de hoje não somos capaz de distinguir um político de que siga benza-te Deus e Barroso é o grande símbolo europeu dessa classe política, gente sem ideias, sem projectos, que apenas se movem pelas suas ambições pessoais, ambições medidas em dias de férias em ilhas de amigos, em passeios de cruzeiro pagas e em mordomias conseguidas de forma fácil.


Umas no cravo e ourtras na ferradura


   
 Jumento do dia
    
Klaus Regling
É uma pena que este senhor desconheça que as reversões ou são de montante quase irrisório, como o custo das 35 horas, ou trata-se da aplicação de acórdãos do Tribunal Constitucional. Atribuir a estas medidas uma crise financeira revela que este senhor é pouco sério. Aliás, o impacto das suas declarações irresponsáveis e canalhas é bem maior do que o das medidas que critica, o que este senhor pretende mesmo é criar um ambiente que conduza a uma crise, não passa da voz do dono e o dono é o minsitro das Finanças alemão.

«O presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), Klaus Regling, diz que “o único país que preocupa é Portugal, independentemente do Brexit“. O chefe do fundo de resgates europeu diz que, com ou sem saída do Reino Unido da União Europeia, Portugal é um país que preocupa porque o governo “está a reverter as reformas”.

A declaração do presidente do MEE foi proferida durante uma conferência e foi registada pelo Twitter oficial do MEE, conhecido pela sigla anglo-saxónica ESM. » [Observador]

 A candidatura de Eric Cantona a seleccionador da Inglaterra


  

sexta-feira, julho 01, 2016

Brexitmania

Um dos aspectos mais curiosos do debate em torno do Brexit é a quantidade de gente que conhece melhor a City do que o parque Eduardo VII, que fala de Londres como se fossem vizinhos da Ti Isabel e que dominam todas as matérias, desde os problemas de segurança ao mercado comum.
  
Já não me refiro aos conhecidos comentadores de relações internacionais que a TVI ou a SIC poem a falar sempre que ocorre o mais pequeno incidente em qualquer parte do mundo, conhecem os nomes ou a geografia, conhecem de cor todos os dados estatísticos e os dados históricos estão na ponta da língua. É uma pena que não tenhamos todos esses dons pois nem as enciclopédias, nem o Google seriam de grande utilidade.
  
Se há um maremoto no Japão somos todos especialistas em maremotos, sabemos à brava sobre o DAESH e agora somos todos especialistas em Reino Unido e mercado comum, enfim, até parece que mio país televisivo foi colega de Miguel Relvas no curso de relações internacionais na Lusófona.

Não me vou armar em especialista, nem mesmo em especialista de estupidez alheia, mas pensando nas matérias sobre as quais tenho a obrigação de saber alguma coisa pressinto que anda por aí muita gente a falar do que não sabe. Mas não faz mal, a selecção não nos serve o seu ópio todos os dias e para os crentes as missas são ao sábado, por isso o melhor mesmo é continuarmos a ser especialistas em Brexit e a alimentar a brexitmania que, afinal, está na moda.


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Miguel Relvas, despromovido a sôr Relvas

O que passará pela cabeça de um político para recorrer a um expediente ridículo para se auto promover a sotôr? Miguel Relvas é tudo menos burro e só um grande complexo de inferioridade o terá levado a "doutorar-se" tão depressa e de forma tão ridícula, expondo-se à humilhação de ter de se demitir de um governo e de agora ser despromovido de sotôr para sôr.
 
Não teria sido mais inteligente ter trabalhado um pouco mais inscrevendo-se na Lusíada, aprendendo umas coisitas com a Maria Luís, como fez o seu amigo Passos Coelho?

«A licenciatura tirada na Universidade Lusófona por Miguel Relvas, ex-ministro dos Assuntos Parlamentares de Pedro Passos Coelho entre 2011 e 2013, foi considerada “nula” pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, avança a TSF.

A sentença, com data de quarta-feira, 29 de junho, refere que foi anulado o despacho de dezembro de 2012, emitido pelo reitor da universidade, Mário Moutinho, que validava a avaliação de Relvas a uma cadeira com uma alteração retroativa feita nesse mês.

Por outro lado, ainda de acordo com a TSF, o tribunal entendeu que a aprovação académica da Universidade Lusófona estava ferida de ilegalidade por Miguel Relvas ter sido aprovado a duas cadeiras que, no momento em que o ex-dirigente do PSD se inscreveu no curso de Ciência Política e Relações Internacionais (no ano letivo de 2006/2007), já não existiam no respetivo plano de estudos. Estão aqui em causa as cadeiras Teorias Políticas Contemporâneas I e II.» [Observador]
      
 Um problema de memória
   
«É o mea culpa de Gabriela Canavilhas. A 19 de junho, na sequência de uma reportagem do jornal Público sobre a manifestação organizada em defesa da escola pública, a deputada socialista usou o Twitter para perguntar por que razão a jornalista autora do artigo “ainda não [tinha sido] despedida por escrever factos falsos”. Então, desafiada pelo Observador, a ex-ministra da Cultura desvalorizou e disse que o tweet era apenas um “desabafo”. Depois, ao Expresso, garantiu que, se soubesse a repercussão que iam ter as suas palavras, “teria colocado os emojis“. Agora, Canavilhas veio admitir que está “arrependida de ter escrito o Tweet sobre o Público” numa entrevista à Sábado.

“Esqueci-me que era deputada. E nesse sentido evidentemente que errei. Claro que hoje, vendo bem a comoção geral que isso gerou, só posso estar arrependida de ter escrito o tweet (…) Eu sou pouco hábil nestas coisas das redes sociais. Não tenho Facebook, tenho Twitter há muito pouco tempo, nem sei muito bem como é que aquilo funciona. Cometo muitos erros a manusear o Twitter”, admite Gabriela Canavilhas, em entrevista à revista Sábado.» [Observador]
   
Parecer:

Digamos que se não pensa ou fica sem memória quando usa redes sociais o melhor é comprar um teklefone dos antigos e desligar tudo o resto pois dá menos trabalho a destruir votos do que a consegui-los e aprece que há políticos e deputados com um saldo muito negativo neste capítulo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Reparação histórica
   
«O Presidente da República atribuiu, a título póstumo, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique a Salgueiro Maia, num gesto de “reconhecimento da pátria portuguesa”, dizendo que nunca é tarde para a “reparação histórica”.

A viúva do capitão de Abril, Natércia Salgueiro Maia, que recebeu das mãos de Marcelo Rebelo de Sousa esta condecoração, disse estar “reconfortada pela decisão do senhor Presidente” e agradeceu-lhe, emocionada.» [Observador]
   
Parecer:

Cavaco Siolva devia ter vergonha por aquilo que foram os seus mandatos governamentais e presidenciais. Imagino que agora tenha como companhia de praia o inspector da PIDE a quem deu a pensão que recusou ao capitão de Abril.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

 No melhor pano cai a nódoa
   
«A Polícia Judiciária (PJ) deteve, esta quinta-feira de manhã, o director do Museu da Presidência da República, Diogo Gaspar, na sua casa por alegadamente ter cometido vários crimes económicos. É suspeito dos crimes de tráfico de influência, falsificação de documento, peculato, peculato de uso, participação económica em negócio e abuso de poder, revela a Procuradoria-Geral da República (PGR) em comunicado. Diogo Gaspar será presente a um juiz de Instrução Criminal.

O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa e a Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ fizeram várias buscas na Secretaria-Geral e no Museu da Presidência, em Lisboa; no Palácio da Cidadela em Cascais (que também faz parte do património da Presidência), em várias residências particulares na área da Grande Lisboa e Portalegre.» [Público]
   
Parecer:

Começa a perceber-se a auditoria solicitada por Marcelo rebelo de Sousa. Presidente e autoridades policiais estão de parabéns, noutros tempos esta operação não se teria realizado .
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a Cavaco Silva.»

 Passos apanha boleia
   
«O presidente do PSD diz que não se importa de não ser visto como um optimista. Não é. E por isso olha para a realidade com lentes cada vez mais catastrofistas: o Governo não está “a aproveitar as oportunidades”, está a maximizar “os riscos”, e por isso não é de estranhar que discursos como o do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, apareçam.

“Ao nível político, começou a desenvolver-se nos parceiros europeus a percepção de que podemos estar num caminho de incumprimento. E volta e meia aparece isso em declarações públicas de forma directa ou indirecta. O Governo tem respondido, renovando o seu compromisso de cumprir. Mas a desconfiança instalou-se”, disse Passos Coelho perante uma plateia de empresários do International Club of Portugal.» [Público]
   
Parecer:

É mais doq ue óbvio que as baboseiras do traste de Berlim tinham por objectivo ajudar o traste de Massamá e se Passos fosse inteligente teria mantido o silêncio. aquela intervenção não passou de jogo sujo por parte do governo alemão.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  

quinta-feira, junho 30, 2016

O traste de Berlim

Seria ingenuidade pensar que o ministro das Finanças não sabe o que diz, Wolfgang Schäuble sabia muito bem o que queria dizer e nem a declaração inicial, nem a correcção foram discursos espontâneos, passou a mensagem que pretendia e depois fez a correcção da praxe. No ar ficou uma ameaça, a dúvida nos mercados e a ajuda à direita portuguesa por parte de um político que, como se sabe tem um ódio de morte a tudo o que cheire a esquerda.

É bom recordar que não é a primeira vez que esta estratégia é ensaiada, foi assim que a direita chegou ao poder e é assim que Wolfgang Schäuble tenta ajudar de novo a direita. Quanto mais subirem as taxas de juro maiores serão os custos da gestão da dívida e mais difícil será cumprir metas orçamentais. Wolfgang Schäuble não está preocupado com o défice, ates pelo contrário, quer que Portugal desrespeite os seus limites.

Esta é a direita europeia, uma direita que não está preocupada com atentados, com o Brexit ou com as vagas de refugiados, mais importante do que isso é devolver o traste de Massamá a São Bento.

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Wolfgang Schäuble, canalha alemão

Este senhor sabe muito bem o que diz quando abre a boca, sabe o que diz, o que pretende e as consequências do que diz e no dia ao Conselho Europeu que discutiu o Brexit o ministro das Finanças alemão é tudo menos um descuidado, A Alemanha quer responder ao Brexit com mais extremismo económico e com o saneamento do Euro e da UE, este senhor é um canalha e usa Portugal para fazeer pressão sobre um governo alemão de coligação e sobre a chanceler Merkel.

«A agência Bloomberg citou esta quarta-feira declarações de Wolfgang Schäuble que diziam que Portugal iria “pedir novo programa” e que iria tê-lo. Mas, minutos depois, o ministro alemão voltou atrás e esclareceu. Afinal, “Portugal não quer um novo programa e não vai precisar dele se cumprir as regras europeias que obrigam à consolidação orçamental e à redução do défice. Mas “Portugal tem de cumprir as regras ou corre o risco de entrar em dificuldades” e precisar de um novo programa de ajuda.

O ministro alemão estava a falar sobre receios em torno do Deutsche Bank e indicou que está mais preocupado com Portugal do que com o Deutsche Bank. Isto porque Portugal não tem “resiliência” suficiente nos mercados” e, por isso, “tem de fazer tudo para anular a incerteza nos mercados financeiros”.» [Observador]

      
 A queda de um anjo
   
«Em causa estão quatro crimes de prevaricação de titular de cargo público. Os crimes aconteceram na altura em que Macário foi autarca em Tavira (1998-2009). Foi condenado por ter autorizado o licenciamento de três vivendas e duas piscinas em zonas rurais de Tavira. Estas construções violaram o Plano Diretor Municipal do concelho e o Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve, por terem sido feitas numa zona de paisagem protegida, local considerado Reserva Ecológica Nacional.

O acórdão foi lido hoje no Tribunal de Faro, e dos cinco crimes de que era acusado, Macário Correia foi condenado por quatro.

Depois de sair da câmara de Tavira, Macário foi eleito presidente da Câmara de Faro. Em 2012, contudo, perdeu o mandato devido a este processo judicial.

A defesa de Macário Correia, conduzida pelo advogado Artur Cansado, pediu a absolvição do antigo autarca, e refutou a ideia de que as decisões de licenciamento dos projetos em causa, relativos a duas piscinas e habitações na serra de Tavira, tenham sido tomadas para “beneficiar alguém”.» [Observador]
   
Parecer:

Tenho dúvidas em relação ao que se passa na serra do Algarve, um dia destes aquilo é uma reserva para coelhos bravos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamentes-se.»
  

quarta-feira, junho 29, 2016

Quem quer sanções?

Se as sanções fossem aplicadas com o argumento de que resultavam do programa económico da geringonça alguém acredita que Passos Coelho protestaria indignado como o fez no encontro paralelo ao Conselho Europeu?

Quando a questão das sanções a direita não mostrou muito incómodo, a notícia da sua eventual aplicação coincidiu com a adopção de medidas económicas a que se designou por reversão das medidas extremistas de Passos Coelho e essa coincidência foi aproveitada para sugerir que as sanções resultaram das decisões do actual governo e não do anterior.

Aqueles que tentaram impor que as normas do Pacto de Estabilidade fossem inscrita na nossa Constituição parece terem-se esquecido delas, esqueceram-se de que nos tempos da dureza eram contra qualquer folga ou concessão, dava-lhes jeito prender o país ao seu extremismo. Não defenderam que o limite do défice poderia ser ultrapassado em 0,01% ou em 0,1%, o limite era 1%.

Só que na hora de garantir que ficariam no poder esqueceram-se do rigor orçamental e durante 2015 e sem recuar em nenhuma das suas sacanices económicas deixaram de controlar o défice e permitiram o aumento das gorduras do Estado. A reversão dos cortes de pensões e de vencimentos não eram  uma desgraça e até se apropriaram das consequências de acórdãos constitucionais, chamando a si a autoria política das medidas que foram obrigados a aplicar.

Contando com o apoio maioritário da direita na Comissão, incluindo o comissário português que está lá para servir o PSD, Passos Coelho estava convencido de que as sanções seriam atribuídas à política deste governo. Agora que percebeu que é o Pacto de Estabilidade que ele tanto apoiou que determina a aplicação de sanções em consequência do seu próprio falhanço eis que teve um ataque de histeria em Bruxelas.

Este não é o Passos Coelho que sorria perante a aplicação de sanções ou que o que boicotou um voto unânime do parlamento contra as sanções, este é o Passos Coelho que percebeu que vai ter de ser ele a assumir as responsabilidades e agora que é ele o prejudicado e não apenas o país é que se manifesta preocupado e indignado.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Ao ouvir Passos Coelho, em Bruxelas, pedindo batatinhas para o Reino Unido no divórcio entre este país e a UE veio-me à memória como este traste tinha voz grossa em relação ao governo grego, nesse tempo o homem estava prenhe de bons princípios e assumia-se como graxista das posições mais
duras da Europa.

Ao ouvir Passos Coelho berrar contra eventuais sanções vieram-me à memórioa as suas primeiras posições sobre essa hipótese, nesse tempo o traste de Massamá não se indignava tanto com a aplicação de sanções, justificava-as com a política do actual governo, esperava que a Comissão Europeia as fundamentasse no programa da geringonça e, nesse caso, as sanções eram bem-vindas. Agora que já toda a .gente estabelece uma relação entre as sanções e os resultados do seu Governo este traste já se indigna.
 
Ainda no passo mês de Maio o traste de Massamá associava as sanções ao actual governo perguntando “Por que é que, no meio de tanto enleio, se fala então de sanções contra Portugal”? Aliás, num gesto de puro cinismo Passos e Maria Luís apelaram à não aplicação de sanções apenas para as associar ao actual governo.
 
O cinismo de Maria Luís ia ao ponto de não se incomodar muito com as sanções, desde que a culpa não lhe pudesse ser atribuída e dizia que  “é extremamente importante clarificar o que poderia ser a base da discussão sobre se deve ou não aplicar sanções a Portugal ao abrigo do Procedimento de Défices Excessivos. Se o racional é o resultado de 2015, já expliquei porque não deveriam ser consideradas”. O problema não eram as sanções, era a identificação da culpa. Na mesma carta que escrevia ao comissário Valdis Dombrovskis o cinismo desta senhora ia ainda mais longe e acrescentava que “é a expectativa de que os desvios [meta do défice e PIB] não serão corrigidos de 2016 para a frente, como patente na previsão da Primavera da Comissão Europeia, então não me caberá apresentar qualquer argumento”. No fundo a senhora dizia "apliquem as sanções, mas digam que a culpa é da geringonça".


 O silêncio do Estado Islâmico

Catarina Martins deve ter ficado muito desiludida. até ao momento nem a senhor Le Pen nem o ISIS veio apoiar a sua ideia de um referendo do Tugaxit.

 Obama e a integração europeia

Quando Obama diz que o processo de integração europeia está interrompido mostra que desconhece que o Reino Unido foi sempre um obstáculo dentro da UE à própria integração europeia. Desde a primeira hora que para o Reino Unido a sua presença na UE foi avaliada em função dos lucros que obtinha. Daqui a cinco anos a UE já esqueceu o Reino Unido, enquanto este vai lembrar-se do Brexit durante muitos anos e a prova é que já o estão a adiar o mais possível.

      
 Governante a caminho da demissão
   
«O secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, admitiu, ontem ao DN, residir habitualmente em Cascais e não em Tavira, apesar de receber um subsídio de alojamento. O governante afirmou não pretender prescindir desta verba, que lhe foi concedido pelo primeiro-ministro, António Costa, até porque o valor líquido do mesmo, 360 euros, "corresponde ao valor aproximado" dos encargos que tem com o apartamento no Algarve, comprado semanas antes de ter tomado posse a 26 de novembro.

De acordo com a lei, os governantes têm direito a um subsídio de alojamento extra-ordenado, caso tenham residência permanente a mais de 150 quilómetros de Lisboa. Carlos Martins foi, segundo adiantou o semanário Expresso este fim de semana, um dos contemplados com subsídio de alojamento, num despacho de 1 de março de 2015 assinado pelo primeiro-ministro, António Costa.
Porém, o governante está, de facto, a residir na freguesia de Murches, em Cascais, e não em Tavira, morada que indicou para efeitos de atribuição do subsídio. Segundo dados recolhidos pelo semanário, trata-se de uma vivenda com 300 metros quadrados, no condomínio Vila Poente, em Murches, no concelho de Cascais.» [DN]
   
Parecer:

Viver numa vivenda de luxo e pedir aos contribuintes que lhe paguem mais 300 € por mês com base numa mentira é ridículo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se o governante por não ter a noção do ridículo.»
  
 Mas que "grande" ansiedade
   
«Ao longo de três anos, Sara Moreira, de 19 anos, natural de Recarei, Paredes, deu entrada 11 vezes nas urgências do Hospital Padre Américo, em Penafiel. Segundo o Jornal de Notícias, de todas as vezes o diagnóstico foi o mesmo: estado de ansiedade. No entanto, Sara viria a morrer dois dias depois da última passagem pelo hospital, em 2013, e a autópsia revelou que tinha alojado na cabeça um tumor com 1,670 quilogramas. Nunca, nas suas idas ao hospital, foi submetida a uma TAC (tomografia axial computorizada) ou uma ressonância magnética, que poderiam ter sido fundamentais para um diagnóstico correto.» [DN]
   
Parecer:

É incrível como tantos médicos de um serviço de urgência despacharam um doente sem fazer qualquer exame, isto quando se tratava de alguém com fortes dores de cabeça e situações de perda de consciência. Estaremos perante negligência, desprezo ou incompetência?
 
Mas não deveria ser apenas o hospital a ser investigado, analisar em 2016 uma morte ocorrida em 2013 significa que algumas entidades andaram três anos a arrastar os pés e essas entidades também deveriam ser responsabilizadas por este atraso inadmissível e revelador de um grande desprezo pelos cidadãos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»

 Mulheres simpáticas
   
«Entre cozinhar, passar a ferro e cuidar dos filhos, as mulheres portuguesas afectam todos os dias mais de 1h30m ao trabalho doméstico do que os homens. Isto, mesmo nos casais em que ambos trabalham fora de casa e partilham as despesas. As desigualdades na distribuição das tarefas tornam-se ainda mais vincadas quando consideramos as diferenças do tempo que homens e mulheres despendem no emprego pago: em média, eles trabalham apenas mais 27 minutos por dia.

“Enquanto as assimetrias ao nível do trabalho pago são cada vez menores, no trabalho não pago subsistem, mesmo entre os casais mais jovens, onde continuam a ser as mulheres a orquestrar a vida doméstica, enquanto eles ficam num papel de retaguarda”, aponta Heloísa Perista, coordenadora do estudo Os Usos do Tempo de Homens e de Mulheres em Portugal, desenvolvido, desde Outubro de 2014, pelo Centro de Estudos para a Intervenção Social, em parceria com a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, e que é apresentado nesta terça-feira, em Lisboa.

Feita a soma, e quando marido e mulher exercem uma actividade profissional fora de casa, as tarefas domésticas e com os filhos exigem em média às mulheres quatro horas e 17 minutos por dia, enquanto para os homens implicam apenas 2h37m. No grupo etário mais jovem (15-24 anos), a assimetria diminui ligeiramente, mas subsiste, com as jovens a registar mais 1h21m por dia do que os homens nas tarefas de casa e com os filhos.» [Público]
   
Parecer:

Enfim,. se assim o desejam...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

terça-feira, junho 28, 2016

Brexit, a saída pedagógica

As teorias das relações económicas internacionais ignoram o estudo das consequências económicas do abandono de uma união aduaneira, todos os estudos se centram nas consequências, vantagens e desvantagens da construção de zonas de comercio livre. A hipótese com que o mundo se confronta, o abandono de uma união aduaneira por parte de uma grande economia, é uma novidade, até para os pensadores criativos que integram aquilo a que alguém se lembrou de designar por especialistas em ciência política se dedicaram muito tempo a esta hipótese.
  
Como as sondagens apontavam para a permanência do Reino Unido na EU ninguém se interrogou sore as consequências económicas de uma saída. Agora, andam todos a avaliar o impacto e é a própria EU que sugere ao Reino Unido que se despache pois esta fase em que “nem o pai morre, nem a gente almoça” só agrava as consequências que ainda hoje ninguém sabe quais serão. 

Mas estamos perante uma saída pedagógica, a teoria económica vai ter de prestar atenção a um fenómeno novo, o perfume do eurocepticismo pode azedar, as senhora Le Pen e Catarina Martins vão poder avaliar as consequências das suas teses, os povos poderão faze a contabilidade cínica do que poderão ganhar ou perder com uma saída da EU. Até a rainha dos ingleses, que mandou contar que era pela saída vai poder perceber se o seu reino encolhe ou se vai ter de fazer uma vénia ao funeral da grandeza da Grande Albion, como o fez no funeral da nora.

Uma coisa é certa, os economistas, os políticos e os monarcas ruralistas, e as senhoras da extrema-direita ou da extrema-esquerda vão ter muito a aprender e uma oportunidade rara de avaliarem as suas teses. O Brexixt é uma saída inesperadamente pedagógica.

Umas no cravo e outras na ferradura


      
 O mau professor quer lixar o bom aluno
   
«A Comissão Europeia está inclinada para recomendar ao Conselho da União Europeia a aplicação de sanções a Portugal e Espanha, de acordo com o jornal francês Le Monde. Uma decisão que será conhecida a 5 de julho (data que tem sido apontada) e que deve passar por uma multa aos dois países que pode ir até 0,2% do PIB, bem como pela suspensão temporária de fundos comunitários.

Até aqui falava-se numa multa que seria aplicada através do congelamento dos fundos comunitários (e não das duas de forma cumulativa, como adianta a publicação francesa). O Governo não comenta, para já, mas o sentimento interno é de “cautela”, de acordo com fonte do executivo contactada pelo Observador. A questão tem estado a ser debatida nas instituições europeias.

As sanções dizem respeito ao incumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento em 2015, o que no caso português significou um défice de 4,4% em vez dos 2,7% previstos junto da Comissão. Ainda não há confirmação oficial e a decisão só deve chegar no início de julho, mas o jornal francês escreve esta segunda-feira que a Comissão vai mesmo “respeitar a legislação europeia”.» [Observador]
   
Parecer:

Com esta direita trauliteira dificilmente a UE sobreviverá.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  

segunda-feira, junho 27, 2016

28-1=29

“A zona do euro são 19 países, eu espero que a Grécia não saia, mas se sair ficam 18 países. Quanto a isso eu não tenho dúvidas, mas é bom não especular” (Cavaco Silva)

Cavaco é uma personagem de um passado sombrio e muitos já se esqueceram do seu comentário a propósito de uma eventual saída da Grécia da zona Euro. Dizia essa pobre alma que se a Grécia saísse da zona euro esta deixaria de ter 19 membros para passar a ter 17.

Era assim a aritmética fria, calculista e provinciana de uma direita que transformou este país num país graxista que me envergonhou, um país que tentou beneficiar da desgraça alheia e que levou alguns dos nossos governantes a tudo fazerem para que a Grécia fosse tramada na negociações europeias.

Quis os destino que estes germanófilos em part-time estejam agora a ver sair o Reino Unido da União Europeia, conduzida por um partido pertencente à internacional europeia da direita. Agora já não fazem exercícios de aritmética e é pena pois com a muito provável independência da Escócia e uma eventual saída da Irlanda do Norte há uma grande probabilidade de termos um problema de aritmética para resolver, neste caso quem de 28 tira um fica com 29.


Imagino o professor Cavaco nas sua xanatas a caminho da Praia dos Tomates a meditar com a sua D. Maria que os tempos já não são outros e nem na aritmética podemos confiar.