sexta-feira, julho 08, 2016

Tenhamos pena da Goldman Sachs

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Parece que o Reino Unido que nem está no Euro é que já sofreu a mais pesada das sanções, vai chegar a Londres o mais perigoso dos emigrantes, um tal Durão Barroso que deixa atras de si um rasto de guerras no Médio Oriente a um lamaçal europeu de que o seu próprio país foi uma das vítimas. 

O que vale ao Reino Unido e ao seu sistema financeiro é que o papel que cabe ao non-executive chairman (NEC), o novo cargo de Barroso numa das empresas daquilo a que genericamente se designa por Goldman Sachs. Por cá lemos que Durão Barroso vai ser presidente da Goldman Sachs [Expresso], o que é mentira, ou que vai ser presidente do conselho de administração do Goldman Sachs International [Observador] o que também é mentira.

A diferença ente o que os orgulhosos Expresso e Observador informam e o cargo que Barros vai mesmo assumir é mais ou menos a diferença entre as sanções pesadas que Passos Coelho desejava para Portugal quando pensava que as mesmas iriam ser relacionadas com as políticas do actual governo e as sanções que vão mesmo ser aplicadas, se é que o vão ser.
  
A City pode ficar tranquila, Durão Barroso não ser presidente de coisa nenhuma e muito menos da Goldman Sachs, é sabido que o banco fez umas malandrices na Grécia e até fez excelentes negócio em Portugal no tempo em que Durão Barroso era primeiro-ministro, mas convenhamos que nomear Barroso para presidir a Goldman Sachs era castigo em excessos, Deus livre a Goldman Sachs da desgraça em que Barroso deixou a Europa, para não recordas as promessas de negócios na reconstrução dom Iraque com que Barroso justificou a ida do agrupamento Alfa para Bassorá. Ele vai ser apenas o NEC [non-executive chairman] de um dos seus muitos bancos locais [Goldman Sachs].
  
Barroso vai ser só NEC, isto é vamos ter agora o NEC Barroso e se os nossos jornalistas não sabem distinguir entre NEC e presidente então que estudem um pouco em Harvard, que é coisa fina e só lhes enriquece o currículo:

«In these instances the NEC is likely to be a director of long tenure with experience and understanding of the company. The NEC would be likely to maintain an office at the company, and spend more time with the CEO than other board members. His/her primary function would be to insure robust communications between and amongst board committee chairs and as needed with individual directors. Under this board leadership model, the CEO is relieved of the tasks of managing the intra-board relationship and can focus more attention on the competitive and regulatory and risk challenges facing the company. Leading the full board meetings, the important executive sessions of independent directors, and involvement in board, committee and director evaluations are key elements of the NEC role.» [Harvard Law School]
Enfim, a esta direita foge o pé para a ignorância.

PS. EM matéria de tugas do PSD a escolha de Barroso não é novidade, o falecido António Borges já lá tinha andado e também era indevidamente apresentado como vice-presidente do banco e Luís Arnat também lá anda a "gorjetear" como consultor. 

quinta-feira, julho 07, 2016

A realidade segue dentro de momentos

No domingo ou ficaremos eufóricos ou cabisbaixos, mas até lá nem o jornal Observador vai estar interessado em saber se a agência de notação DBRS tem ou não a intenção de nos atirar definitivamente para o lixo, por agora o único caixote do lixo que queremos evitar é o do Europeu e lá já está o País de Gales, concretizando o Brexit na bola onde, como se sabe, não é preciso carregar no botão do artigo 50º.
  
Agora já falta a Maria Luí vir explicar a sua tese e demonstrar que se fosse ele Portugal também estaria na final, afinal, parece ter interpretado na política económica o plano de jogo do engenheiro Fernando, o que não admira, a senhora tem um conhecimento técnico tão profundo que lhe permite tratar o assunto ao pontapé. 

Tal como o engenheiro Fernando tudo fez para ficar em terceiro classificado e, assim, apanhar o caminho das pedras até a final, também a Maria Luís jogou o pior possível em 2015 para acabar por ser vencedora das eleições e ir à final onde teria de enfrentar o seu velho amigo alemão. No Europeu pode suceder o mesmo e, com alguma sorte, podemos ter de enfrentar uma selecção alemã onde uma boa parte dos jogadores já poderiam usar uma cadeira igual à do seu ministro das finanças.

Mas até domingo não existirá realidade, ele seguirá dentro de momentos.

terça-feira, julho 05, 2016

Hipócritas

A Comissão Europeia sabe que algumas medidas que eram temporárias e a que agora designa reformas tinham sido anuladas pelo Tribunal Constitucional, tratava-se de medidas que nunca constam do memorando de entendimento com a troika e que nem sequer foram alguma vez exigidas pelo representante da Comissão Europeia na Troika.

A Comissão Europeia sabe que todos os partidos previam a reposição dos vencimentos dos funcionários públicos, que o próprio governo da Maria Luís usava a reposição de 25% desses cortes como argumento eleitoralista, qe todos os programas de governo previam o seu reembolso e que o próprio PSD chegou a admitir uma reposição mais acelerada. A Comissão Europeia sabe que o então primeiro-ministro Passos Coelho por árias vezes assegurou que esses cortes nem iriam para além do período de ajustamento.

A comissão Europeia sabe que a reposição do horário das 35 horas tem um custo que não pode ser considerado um desastre orçamental pois trata-se de um alor sem grande impacto nos custos orçamentais.
  
A Comissão Europeia sabe que as medidas que impôs a Portugal falharam, que em vez de progresso trouxeram um desastre económico e que os famosos investimentos chineses a troco da privatização da EDP não se chegaram a realizar. Aliás, o seu representante na Troika devia ter sido convidado a apresentar um pedido de aposentação antecipada.
  
A Comissão Europeia sabe que é formada por hipócritas.


Se eu fosse ministra não haviam sanções

Maria Luís Albuquerque não poderia ter sido tão clara, na sua opinião a eventual aplicação de sanções tem mais que ver com a cor política do governo português do que com a aplicação de normas de um Tratado Orçamental de que o governo anterior foi um dos mais empenhados apoiantes. Aliás, as declarações de Passos Coelho, dizendo que Portugal perdeu influência na Europa, vão nesse sentido.
  
Não se percebe bem ao que se refere Passos Coelho quando fala de influência, talvez esteja a sugerir que o comissário europeu que ele fez nomear está mais ao serviço do líder do PSD do que do país ou mesmo dos interesses europeus, como mandam os bons princípios. Mas, é mais provável que esteja a defender que nos tempos em que Portugal ladrava aos gregos por conta de outros, ou quando Gaspar ronronava junto ao ministro das finanças alemão éramos tratados com respeito e dignidade.

Uma coia é certa, as críticas feitas pelas instituições internacionais ao governo português no ano passado foram mais do que suficientes para esperar esta ameaça de sanções. A verdade é que quando Maria Luís foi ministra falharam todas as previsões orçamentais, as contas públicas foram marteladas para inventar falsos sucessos fiscais e promoveu-se o aumento das gorduras do Estado para compensar de forma disfarçada a tão defendida austeridade.

segunda-feira, julho 04, 2016

Sanções

Portugal aprovou o Tratado Orçamental nos termos do qual se um Estado-membro não cumprir determinados critérios orçamentais deve sofrer sanções. Na ocasião o debate não era sobre a necessidade ou não deste Tratado, sobre os seus critérios ou sobre as sanções nele previstas a maioria da direita e o PS, então liderado por um tal Tozé Seguro, a grande discussão era se as suas normas deveriam ou não constar no Constituição.

Se bem me recordo o nosso governo esteve ao lado dos mais fundamentalistas na tentativa de transformar os seus valores ideológicos em premissas constitucionais e na ocasião não propunha critérios subjectivos, avaliações morais ou quaisquer outros, ou se cumpriam os critérios e, designadamente, o limite do défice ou vinham aí as sanções. 

Para a direita a austeridade não deveria ser um atributo do seu programa, devia ser uma imposição para outros governos, aliás, desde que a geringonça tomou posse que a direita pretende apenas provar que este governo também aprecia a austeridade, daí todas as suas posições acerca do famoso plano B.

A verdade é que as normas são que são e o governo português, o tal governo extremista da direita que liderava a exigência do Tratado Orçamental, que era contra qualquer intervenção monetária do BCE e defendia uma política pura e dura de austeridade falhou, não cumpriu as normas e ainda juntou à sua displicência orçamental de 2016 as asneiras d BANIF. Sem BANIF o défice passou os 3% e cm Banif passou os 4%.
  
A violação do Tratado Orçamental não resultou de qualquer reversão, de um contexto internacional adverso, da receita decorrente da necessidade de enfrentar uma situação adversa. A verdade e que em 2016 a dona Maria Luís andou a brincar com a despesa, fartou-se de exibir gordurinhas como sinal de abastança. Aldrabou as contas para inventar falos reembolsos, valeu de tudo para tentarem ganhar as eleições, e falharam.
  
Aplicar as sanções é tratar o cão com o pelo do próprio cão, os seus grandes defensores são as suas primeiras vítimas e aqueles que tanto elogiaram um governo extremistas esquecem-se agora dos elogios e de terem fechado os olhos e amaram-se em duros, já que não é uma França que está em causa. Seremos nós a suportá-las, mas a verdade é que estamos perante a aplicação de sanções à direita europeia e à estupidez de Passos Coelho que contava com cunhas para escapar às consequências das suas manobras eleitoralista.


domingo, julho 03, 2016

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Marcelo rebelo de Sousa, Presidente da República

Quando sabemos que Marcelo não quis andar num Mercedes de 130.000 euros que lhe tinha sido comprado por Cavaco Silva apetece-nos bater palmas ao Presidente, dizer cobras e lagartos de Cavaco Silva e dar umas assobiadelas a António Costa por ter aceitado andar com o caro carro. Fica a ideia de um ex-presidente de mãos largas, de um presidente poupado e exemplar e de um primeiro-ministro que não resiste à tentação do luxo.

Mas a verdade pode ter uma abordagem diferente, é tradição um presidente cessante comprar o carro para o seguinte, Portugal não é um Estado pindérico, Marcelo comprou um carro que era desnecessário, o carro que custou uma fortuna esteve a desvalorizar cinco meses sem ser usado e Costa utilizou um bem que já estava comprado e cuja revenda representaria um prejuízo.

Uma coisa é poupar e ser popular, outra é ser populista e neste caso Marcelo foi populista. Começa a ser tempo de Marcelo deixar de usar Cavaco como bombo da festa e de acalmar um pouco pois no domínio da psiquiatria ainda não há a especialidade para tratar adultos presidentes hiperactivos.

«O Presidente rompeu a tradição que consiste no chefe de Estado cessante, no caso Cavaco Silva, deixar um automóvel para o seu sucessor, sendo que a viatura em causa - com um preço de 129 mil euros - foi dispensada por Marcelo Rebelo de Sousa.

"A minha preferência ia e vai nesta conjuntura para outro tipo de carro, outra gama. Na conjuntura vivida é uma opção. Não é desprimor para ninguém", disse o chefe de Estado sobre este ponto.

O Correio da Manhã revela hoje que Marcelo "recusou usar o Mercedes-Benz S500 Longo comprado pela Presidência da Republica, no final do mandato de cavaco Silva, para o novo Chefe de Estado."» [DN]

      
 Uma imagem que vale mil palavras
   
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«Costuma dizer-se que uma imagem vale mil palavras e esta, seguramente, vale mais que mil pelo que nos diz sobre o actual curso do neo-PSD. Pode sempre dizer-se que em si não tem muita importância, – e não tem, – que pode ter sido um lapso ou uma desatenção, ou que não justifica que se perca muito tempo com ela. Mas merece, porque ela é tudo isso e mais do que isso. É “reveladora”, ilumina muita coisa que é dita e, acima de tudo, muita coisa que não é dita, na vida, nas ideias, no imaginário, visto que se trata de uma imagem de natureza religiosa, plena de referências muito antigas à imagética ocidental de carácter escatológico. Trata-se de uma imagem desprovida de conteúdo político explícito e especialmente de conteúdo político social-democrata, mas densa de ideologia e espiritualidade. A ideologia é má e a espiritualidade é banal e “new age”, mas é o que é. A imagem é um tratado sobre a mentalidade, sobre um certo autodidactismo que se sobrepõe à formação académica ou à falta dela e, principalmente, fala-nos sobre os mecanismos de representação do mundo, e do desejo de o atravessar com sucesso, da actual direcção do PSD. É também uma imagem que revela a “cultura” do consumidor da Internet, via Facebook e “redes sociais”. A imagem é, aliás, um compósito copiado de outras imagens de um site na Internet, mas a natureza desse compósito num documento político é que é relevante e original. Que tenha passado pela cabeça de responsáveis de uma instituição tão importante na vida de um partido como um Grupo Parlamentar, onde hoje se senta também Passos Coelho, é que é “revelador”.


Que imagem é esta de que de certeza o leitor nunca ouviu falar? Da capa da edição em papel de 222 Propostas Social-Democratas, um guião para um “verdadeiro programa nacional de reformas”, de autoria do Grupo Parlamentar do PSD. Uma espécie de programa do governo, apresentado sobre as cinzas do célebre guião de copy-paste de Portas e que se pretende contrapor ao Plano Nacional de Reformas do PS, o “falso programa de reformas”, a que alude o “verdadeiro”. O documento merece discussão em si, mas a capa merece-o muito mais. Porque a capa é original, mesmo se copiada, a única coisa original no plano simbólico que vi produzida pelo PSD nos últimos anos. Já vi muita coisa no PSD, a começar pelo canto do “menino guerreiro”, mas ainda devo continuar capaz de me surpreender.

A capa tem no centro, como motivo principal, uma imagem de carácter religioso: a célebre Escada da Divina Ascensão, subida por João Clímaco a caminho do Paraíso. João Clímaco era também conhecido como “João da Escada”. Há vários ícones orientais representando-a, exactamente da mesma forma que aqui o PSD a representa. Só que, aqui, é o Homem da Regisconta que a sobe com o seu fato de executivo e segurando a mesma pasta que é a sua marca inconfundível. A versão é a do Homem da Regisconta visto por trás, afastando-se de nós a caminho do Paraíso e, para saber o caminho, tem uma espécie de folha de rascunho, de apontamentos de uma reunião, um workshop empresarial, ou motivacional, que funciona como um blueprint para a salvação. Melhor: tem um “business plan”. Esse mapa para o divino lugar, implica o uso da informática, da “social media”, do marketing, do “business”, da estratégia e de uma panóplia de gráficos de barras e “pie charts” habituais em documentos empresariais e, de novo, nos cursos de gestão de baixa qualidade. Numa demonstração de grande originalidade, uma ideia nova é representada pela lâmpada da banda desenhada e está lá ao lado de um cifrão. Peço desculpa por usar muitas palavras em inglês, mas é em inglês que está escrita a folha negra com instruções para o caminho para o “sucesso” com ponto de exclamação: “success!!”.

Cada degrau é um passo a caminho do Paraíso, que, no Tratado de João Clímaco, se inicia pelo ascetismo e termina pela plena perfeição das virtudes: Aqui, também o Homem da Regisconta sobe uma mesma escada no cumprimento do “business plan” escrito nas paredes, onde o negro predomina para nos ofuscarmos com a luz sagrada da ascese. Como acontece com muitas das imagens deste tipo, inscritas mesmo que inconscientemente no nosso imaginário, há uma mescla de caverna de Platão, da escatologia cristã oriental, posteriormente revista por uma imagética de natureza maçónica. Sim, porque a imagem é igualmente uma metáfora maçónica, o que não é de admirar no neo-PSD onde predomina a obediência a várias maçonarias, algumas bem pouco recomendáveis. O caminho para a “luz”, que espreita detrás de um buraco de fechadura, igualmente copiadas de um site na Internet, repete uma imagética maçónica que associa os “mistérios” a um buraco de fechadura, cuja abertura representa essa iniciação na plena sabedoria. Resumindo e concluindo: o homem dos dias de hoje, um jovem executivo, ou um profissional de marketing, ou um diligente “jota”, tem nesta imagem sagrada a sua forma de aceder ao divino, ou seja, ao sucesso.

O que é que isto tem a ver com o Estado? Nada. Com reformas políticas? Nada. Com o povo e a melhoria das suas condições de vida? Nada de nada. Com uma mensagem política subliminar? Sim. É uma mensagem para o indivíduo, porque é do sucesso individual que se trata no mundo do “empreendedorismo”, não para um país, ou uma comunidade, uma classe ou uma nação. É uma mensagem esforçada e antiquada, com décadas de atraso, para o “homem da Regisconta” do início da informática e da entrada das máquinas de calcular e da moderna gestão no mundo empresarial. Nem sequer é para o yuppie da bolsa, nem o criativo das dot.com, nem para as start-up. Na verdade há muita incompetência e muita ignorância nestas incongruências, mas pouco importa.

É pelo “negócio” que se chega à salvação. É pela vulgata da linguagem dos “business plan” que se encontra o caminho para a “luz” ou seja, para o “sucesso”. O neo-PSD dos nossos dias pensa assim, ou seja, não pensa, tem uma fé. Na prática, quase tudo o que faz é de outra natureza, muito mais antiquada, a gestão de cunhas e acordos, de controlos e influências, mas precisa de “espírito”, de uma espécie de religião barata e que não dê muito trabalho e vai procurá-lo aqui. Não é uma religião verdadeira, é mais uma seita, uma confraria, uma irmandade, uma loja.

O que é que isto tem a ver com o PSD no seu conjunto e, acima de tudo, na sua história e identidade? Nada. É uma ideologia neófita de parte do aparelho que hoje controla o partido. Faço justiça a muitos dedicados militantes, por exemplo, nas autarquias, que não querem saber disto para nada. Aprenderam com a sua acção a ser muito mais terra-a-terra e a não ter ilusões com esta maravilhosa escada para a “luz”. Sabem muito bem, com um saber de experiência feito, como é a usura da política quotidiana. São católicos, apostólicos romanos, muitos não são praticantes, muitos são até naturalmente pouco ou nada religiosos e não querem saber deste mambo jambo maçónico para nada. Já cá estavam antes e vão continuar a cá estar depois. Mas este caminho hoje seguido pelos neo-PSDs faz imensos estragos naquele que é o maior partido político português e, por essa via, a Portugal. Quem deve estar a rabiar naquele título e por baixo dos pés do Homem da Regisconta é a palavra “social-democrata”, essa sim que não caminha para o buraco da fechadura iniciática mas para servir de capacho ao “Homem da Regisconta” que lhe volta as costas. É aliás esse o lugar que tem na capa. De facto as imagens falam com muito mais que mil palavras.» [Público]
   
Autor:

Pacheco Pereira.

      
 Há mesmo uma vacina só para magistrados
   
«A defesa do procurador Orlando Figueira, a cargo do advogado Paulo Sá e Cunha, conseguiu uma importante vitória no dia 22 de junho ao conseguir convencer o Tribunal da Relação de Lisboa a substituir a medida de coação de prisão preventiva por prisão domiciliária com pulseira eletrónica no processo em que o magistrado do Ministério Público é suspeito de ter sido alegadamente corrompido por Manuel Vicente, vice-Presidente da República de Angola. Mas os fundamentos da decisão são potencialmente polémicos.

A notícia da alteração da medida de coação foi dada pela agência Lusa no próprio dia da decisão, mas desconhecia-se até agora a fundamentação da decisão tomada pela 9.ª Secção da Relação de Lisboa.» [Observador]
   
Parecer:

É uma pena que a vacina da honestidade não tenha evitado a necessidade da investigação. Ou será que os magistrados têm direito a desconto, como se fosse o desconto na luz dos empregados da EDP?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Até no Vaticano
   
«Um livro que promete trazer muitas revelações sobre o curto pontificado de Bento XVI. No livro de memórias “As Últimas Conversas”, Joseph Ratzinger revela, entre outras coisas, que enfrentou e anulou um lóbi gay no interior do Vaticano que procurava controlar as suas decisões.

A informação é avançada pelo jornal italiano Corriere della Sera, que detém os direitos para divulgar trechos do livro em Itália, e merece o destaque da Reuters. De acordo com aquela agência de notícias, Bento XVI revela na obra que tomou conhecimento da existência de um grupo de quatro ou cinco pessoas que procurava influenciar as decisões do Vaticano em nome do lóbi gay. Bento XVI interveio e terá conseguido “desfazer esse grupo poderoso”.

Como lembra a Reuters, o antecessor de Jorge Mario Bergoglio abdicou do cargo depois de um caso que tem tanto de polémico como de misterioso. Em 2012, Paolo Gabriele, mordomo pessoal do Papa desde 2006, foi acusado de ter feito chegar à comunicação social italiana uma série de cartas e documentos confidenciais que alimentaram denúncias de corrupção, abuso de poder e falta de transparência financeira do Vaticano. Depois de ter sido detido e condenado, Paolo Gabriele acabou por receber um indulto papal. Bento XVI deixaria o cargo em 2013 — era a primeira vez que acontecia em seis séculos.» [Observador]
   
Parecer:

Já não bastava no Museu da Presidência...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 As sanções são aplicadas a Passos
   
«Foi assim que Marcelo Rebelo de Sousa respondeu quando foi questionado pelos jornalistas sobre as declarações de Valdis Dombrovskis em entrevista ao Der Spiegel, publicada hoje.

O Presidente da República enalteceu a "unanimidade" em Portugal face a eventuais sanções de Bruxelas por défice excessivo e, neste ponto, defendeu os executivos de Passos Coelho e António Costa.

"O bom senso imporia que não se aplicasse sanção nenhuma ao Governo de Passos Coelho, que não merece, e não aplicar sanção nenhuma ao Governo de António Costa que, na pior das hipóteses, ainda não merece, e na melhor das hipóteses nunca merecerá", vincou o chefe de Estado.» [DN]
   
Parecer:

Marcelo na sua generosidade política não podia ser mais claro a serem aplicadas sanções estas são dirigidas a Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Com amigos destes...»

 Uma senhora muito poderosa
   
«A vice-presidente do PSD Maria Luís Albuquerque responsabiliza a política do actual Governo, mesmo a que está a ser levada a cabo em 2016, pela eventualidade de aplicação de sanções a Portugal em resultado do procedimento por défice excessivo de 2015. A social-democrata está, por isso, convencida de que não se falaria de penalizações se Passos Coelho governasse: “Se eu fosse ministra das Finanças a questão das sanções não se colocava”.

Depois da declaração aos jornalistas, Maria Luís Albuquerque foi questionada sobre a sua convicção de que, enquanto titular da pasta das Finanças, conseguiria evitar as sanções. “Porque a questão que se coloca verdadeiramente é o que está a ser feito nestes meses de governação, são as dúvidas fundadas sobre as metas macro-económicas e as reformas estruturais. Foi com elas que conseguimos merecer a confiança dos nossos parceiros europeus. Se tivéssemos continuado no Governo essa credibilidade não se perdia”, justificou.» [Público]
   
Parecer:

Vá bugiar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»