quarta-feira, agosto 10, 2016

Deus nos livre da NS de Fátima!

A famosa saída limpa agitou tanto o país que a crer na senhora Silva até a Nossa Senhora de Fátima se envolveu no assunto dando resposta às suas rezas e ladaínhas, graças à intercepção divina deu-se o inesperado milagre que o país teve direito a uma saída limpa.

A diferença entre a saída limpa e a saída borrada residia numa maior independência do governo no domínio das políticas com impacto financeiro, independência que durante mais de um ano o governo dos pafiosos usou o mais possível. Durante mais de umn ano Passos afirmou a sua preocupação com os problemas sociais, deu estágios a tudo quanto era desempregado, devolveu uma pequena parte dos vencimentos e pensões que tinha cortado.

Durante mais de um ano o governo de Passos e do agora desparecido Portas gastou ao desbarato e fê-lo com tal parcimónia que ainda comprometeu uma fatia significativa das receitas fiscais de 2016. Remeteu centenas de milhões de euros de reembolosos do IVA para serem processados no ano corrente e abusou das retenções na fonte de IRS, de onde resultam reembolsos que comprometem a execução orçamental dos meses de Junho, Julho e Agosto deste ano..

Mas, afinal, os pafiosos não desejavam uma saída limpa, queriam apenas um ano de liberdade, mal perderam o poder por terem sido derrotados pelo parlamento eleito nas eleições começaram a apelar à intervenção externa, fizeram-no recorrendo ao Partido Popular Europeu e não esconderam o desejo de transformar a saída limpa numa borrada com a questão das sanções.

A esta hora a beata do CDS e uma boa parte dos pafiosos do PSD e CDS já estão a dizer que Deus nos livre da Senhora de Fátima,. foi dela a culpa pela saída limpa.


terça-feira, agosto 09, 2016

Uma pedra na engrenagem da máquina fiscal

Primeiro queriam um plano B que validasse a tese da austeridade, pediram aos seus amigos europeus que os ajudassem na luta pelo poder, tudo fizeram para que houvessem sanções desde que fundamentadas na política deste governo, o próprio Passos anunciou a desgraça, primeiro num conselho nacional e depois no meio das ponchas madeirenses. 

Desde há mais de uma década que a bandeira ideológica do PSD e do CDS se resume a uma tanga, estão viciados em conquistar o poder de forma fácil, à custa das desgraças que atingem o país. Desde Durão Barroso que o PSD deixou de ter programa, quando perdeu as eleições frente ao odiado José Sócrates ainda se falou de um novo programa, mas com a crise financeira tudo foi esquecido e o país passou a ter como politica as lições de economia dadas pelo falecido António Borges a Passos Coelho.

Passos Coelho queixava-se de governar com um programa que não era seu, agora exige que o governo de Sócrates continue a governar em conformidade como o memorando, como se troika ainda cá estivesse. Passos não sabe governar sem o recurso à chantagem e tem medo que se perceba que muito do que impôs ao país não passou de uma diatribe ideológica.

É ingenuidade pensar que a direita está preocupada com  a ida de um secretário de Estado a um jogo de futebol, nada disto teria sido notícia se estivesse em causa o secretário de Estado da cultura ou da uva mijona. Mas tratando-se do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais já cheira a crise.

O que move a direita é o desejo de desestabilizar a máquina fiscal, uma mudança de secretário de Estado dos Assuntos Fiscais ajudaria a alguma desorientação e inércia num sector fundamental para o sucesso deste governo, a arrecadação de receitas fiscais. A direita anda a fazer rezas à Nossa Senhora de Fátima para que o país enfrente uma nova crise financeira, a ida à bola do SEAF veio alimentar a esperança de meter uma pedra na engrenagem da máquina fiscal.

Para esta quase extrema-direita já não chega governar, quer fazê-lo num quadro de excepção que lhe permita reformatar o país sem responder perante a Constituição.

  

domingo, agosto 07, 2016

Putas velhas armadas em virgens puritanas

Corria o ano de 2003, era o primeiro-ministro essa figura tão querida do PSD de nome Durão e de alcunha “O Cherne”, quando foi notícia que tal criatura tinha passado oito dias de férias de luxo à conta de um amigo que tem uma ilha paradisíaca no Brasil. Lia-se na comunicação social que “Durão Barroso viajou para o Brasil no passado dia 26 com a mulher, Margarida Sousa Uva, e os seus três filhos, o Luís, de 19 anos, o Guilherme, de 15, e o Francisco, de 14, e um grupo de amigos, entre os quais, o seu primo João Luís Barroso, que tem uma casa em Angra dos Reis e que já foi membro do Governo Federal Brasileiro”. E nem sequer teve de se incomodar com a viagem, foi de avião particular mais os restantes membros da distinta família.

O mesmo cidadão exemplar da direita portuguesa, símbolo das suas virtudes, foi mais tarde notícia quando, já membro da Comissão Europeia, fez umas férias de luxo, um cruzeiro pago pelo banqueiro grego Spiro Latsis, desta vez na companhia da esposa. Não me recordo de alguma vez a direita ter pedido a demissão de tão viajada personagem. Da mesma forma que Marcelo disse que é bom ver "portugueses reconhecidos em lugar cimeiros", quando o Cherne foi para a Goldman, temos que admitir que ficamos todos cheios de orgulho de ver o dito em locais tão luxuosos.
  
A lista de penduras preencheria muitas páginas e no meio jornalístico são poucos os que não viajaram à conta de terceiros. Há algum tempo vários jornalistas foram ao Rock in Rio de Las Vegas por conta da EDP para dias depois saírem vários artigos muito elogiosos em relação 
àquela empresa em jornais muito puritanos como o Expresso. A verdade é que o turismo à conta de terceiros é uma prática nacional.

Agora, muito de repente toda a gente parece desconhecer o país em que vivemos e vemos na comunicação social as putas velhas armadas em virgens puritanas.