sábado, setembro 03, 2016

Estás dispensado

Passos Coelho que, como se sabe, é um homem cheio de boas ideias em matéria de orçamentos do Estado, fez mais uma das suas birras de primeiro-ministro no exílio e boicotou a geringonça, recusando-se a apresentar propostas na discussão do orçamento. Diz ele que os orçamentos são coisa do governo e por isso a geringonça que se amanhe e pela forma como fala até ficamos com a sensação de que sem as suas sugestões ficamso desgraçados, o esganiçado Rangel até vai dizer aos pirralhos de Castelo de Vide que vem aí o segundo resgate, só não sabemos se é um resgate financeiro ou um segundo episódio de "O resgate do soldado Ryan".

É uma pena, o país perde os contributos do brilhantismo intelectual da Maria Luís, como os deputados do PSD estão no parlamento só para roçar as suas belas bundas pelas cadeiras a ex-ministra das Finanças pode reservar as suas vastas capacidades para ajudar o patrão inglês a ter lucros. Há qualquer coisa de errado num parlamento onde há deputados que reservam as suas capacidades para as empresas onde trabalham, comportando-se no parlamento como deputados não executivos, que só lá vão  para receberem a gorjeta paga pelos contribuintes.
  
Mas, sejamos honestos, ainda bem que Passos Coelho não propõe nada, no pressuposto de que da cabeça daquela pobre alma sai alguma coisa além de frases feitas e discursos escritos por assessores, o mais provável é que as propostas do líder do PSD fossem mais adequadas para um governo chileno dos tempos do Pinochet do que para um país europeu. Desde que o falecido António Borges lhe de umas ideias que o homem só pensa em desvalorização fiscal e apesar de a economia ter batido no fundo com as suas ideias insiste na mesma estratégia.
  
Passos Coelho pode andar por aí inaugurando escolas e feiras do roteiro autárquico do PSD, dando ares de primeiro-ministro e usando a sua bandeirinha como se fosse o emérito presidente Passos. Todos sabemos quais seriam as suas propostas, seriam cortes na função pública para depois dizer que o sector privado teria de baixar salários e fazer o seu ajustamento, aumentar o IRS para financiar reduções no IRC, aumentar contribuições sobre o trabalho e cortar nas despesas sociais para baixar a TSU dos patrões.
  
Portando, ainda bem que o bruxo de Massamá não faz propostas, não só já sabemos que não tem ideias novas como as que tem ainda são aquelas que aprendeu com o falecido. Está dispensado.

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
António Filipe Pimentel, director do Museu Nacional de Arte Antiga

Haja seriedade, os problemas dos museus e do património cultural podem ser discutidos em qualquer local, mas quando alguém assume o papel de director de um importante museu nacional deve saber distinguir quais os fóruns em que faz peixeirada  para pressionar o governo ou para criar um conflito. Até parece que o senhor director antecipando algo lança críticas subliminar para poder assumir o papel de vítima. Em ualquer caso esperemos que o seu mandato termine depressa para se poder dedicar a debates juvenis, mais adequados à sua dimensão política.

«O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, avisou que “um destes dias há uma calamidade no museu” porque se anda a “brincar ao património”, afirmando que as tutelas dispõem de toda a informação cabal.

O alerta sobre as condições do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) foi deixado esta quinta-feira de manhã na Escola de Quadros do CDS-PP, que decorre até domingo em Peniche, num painel intitulado “Qual a importância económica da cultura?”, no qual participou o diretor juntamente com Pedro Mexia, consultor para a área cultural do Presidente da República.

“São 64 pessoas para 82 salas abertas ao público. De certeza absoluta que um destes dias há uma calamidade no museu. Só pode, porque andamos a brincar ao património. Mas a esta altura todas as tutelas dispõem de toda a informação cabal do que vai acontecer, mas quando acontecer, abre os telejornais”, avisou António Filipe Pimentel, sem concretizar exatamente a que problemas se refere.» [Observador]

      
 É uma questão de preço
   
«A defesa de Rúben Cavaco, o jovem agredido em Ponte de Sor pelos filhos do embaixador iraquiano em Lisboa, não exclui a hipótese de chegar a um acordo financeiro com a outra a parte assim que seja “conhecida a extensão dos danos sofridos” pelo jovem de 15 anos. No entanto, neste momento, é “precoce” falar nesse desfecho, salvaguarda o advogado da família, Santana-Maia Leonardo, em declarações ao Observador.

A notícia foi inicialmente avançada pelo jornal i. De acordo com aquela publicação, que citava fonte da família, a defesa de Rúben Cavaco preferia que o caso fosse resolvido com uma indemnização e não passasse pela prisão dos dois gémeos iraquianos. “De que nos serve que sejam presos?”, questionava essa mesma fonte. O jornal i acrescentava ainda que Santana-Maia estava disposto a encontrar uma hipótese mais favorável para os filhos do embaixador, evitando que o processo ficasse bloqueado na justiça portuguesa.» [Observador]
   
Parecer:

Ali para os lados de  Ponte de Sor já devem andar a comparar carrinhos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Passos Coelho passa (ou estará passado?)
   
«É uma espécie de baralhar e voltar a dar “zero”. O PSD prepara-se para seguir a linha que já adotou no início do ano – na votação do orçamento de 2016 – e colocar-se à margem da discussão do Orçamento do Estado para 2017.

Esta sexta-feira, Pedro Passos Coelho disse que a preparação do “Orçamento do Estado (OE) cabe ao governo e à maioria que o apoia, não ao PSD”. Mais: o presidente social-democrata deixa claro que “o PSD não é, na discussão do OE que vai ter lugar, uma parte negociadora”.

Já em fevereiro, nas vésperas da discussão do orçamento em vigor, o líder social-democrata anunciava que, perante um “mau orçamento”, “incoerente”, “irrealista”, “eleitoralista” e “arriscado” nos planos “técnico social e político”, o partido votaria contra e não estaria sequer disponível para entrar na discussão do documento na especialidade.» [Observador]
   
Parecer:

Compreende-se que Passos não apresente as suas ideias para o OE, todos as conhecemos, cortes de vencimentos, aumentos de impostos, desvalorização fiscal, despedimentos de funcionários, cortes de pensões, aumento do horário de trabalho sem compensação financeira, mais taxas e taxinhas, sem contar com multas e mais multas por atrasos de pagamento de impostos como fez com o IUC.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Assim é mais fácil ganhar títulos
   
«Quando o assunto é a contratação de jogadores, ninguém gasta mais do que José Mourinho. Ou então ninguém recebe jogadores mais caros. Na sua carreira de treinador, iniciada no Benfica em setembro de 2000 quando foi contratado por Vale e Azevedo para substituir o alemão Jupp Heynckes, o técnico português já dispôs de reforços que todos somados atingem os 1,27 mil milhões de euros, segundo os dados avançados pelo portal Transfermarkt, que tornam o atual técnico do Manchester United o mais gastador da história do futebol mundial.

É certo que nem todas as contratações partem por indicações dos treinadores, mas José Mourinho tem tido sempre uma forte palavra a dizer nos clubes por onde tem passado. Desde que rumou ao Chelsea, em 2004, quase todos os grandes pedidos do técnico têm sido correspondidos. Houve exceções, sendo a maior delas Steven Gerrard, muito cobiçado por Mourinho no Chelsea, mas que acabou por ficar no Liverpool. Outro foi Paul Pogba, já aquando da segunda passagem do técnico por Stamford Bridge. O treinador luso não conseguiu o desejado médio francês em Londres, mas agora já conta com ele em Manchester.» [DN]
   
Parecer:

Este é o outro lado do sucesso de Mourinho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Mourinho se não quer comprar o Jumento para MU.»

 Até os porcos nos leva
   
«Estima-se que existam em Portugal cerca de 50.000 porcos de montanheira, criados em regime extensivo, nos montados de azinho, onde se alimentam de bolota — o que é obrigatório para que sejam considerados produtos genuínos. Mas apesar do seu grande valor alimentar, a sua produção continua fortemente dependente da indústria de Espanha. Este país “compra 95% do porco português de montanheira para transformação em presunto (membros posteriores do porco) e paleta (membros anteriores do porco) e desta forma recebe o selo de origem espanhola”, diz Pedro Bento, secretário-geral da Associação Nacional dos Criadores de Porco Alentejano (ANCPA).

A crise económica veio provocar um decréscimo da produção em Portugal, devido não só à retracção do poder de compra dos consumidores, mas também por causa das “falhas na legislação sobre rotulagem” que não abrangia a denominação de “porco preto” e abriu as portas do mercado português a carne de porco vinda de Espanha com menos qualidade. Com efeito, as grandes superfícies comerciais, a restauração e a indústria de charcutaria foram “invadidas” com produto espanhol, com a indicação de que se tratava de “porco preto” mas não existia regulamentação que garantisse esta designação. Pedro Bento dia que, por isso, a carne de porco alentejano foi “praticamente arredada do mercado nacional”.» [Público]
   
Parecer:

Isto significa que os nossos industriais são preguiçosos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  

sexta-feira, setembro 02, 2016

Uma boa notícia

O JN  fez manchete com a notícia de que o PS está falido e, coisa incrível, anda a pedir dinheiro aos seus dirigentes para pagar as suas contas. Compreendo a preocupação jornalística dos rapazolas daqueles jornais, num tempo em que Durão Barroso anda todo lambuzado com o dinheiro da Goldman Sachs, quando os altos dirigentes do PSD metem as mãos no pote das financeiras londrinas que negoceiam as nossas dívidas, o natural seria o dinheiro escorrer do Largo do Rato até à Av. Da Liberdade.
 
Até acho que a senhor Procuradora-Geral devia mandar instaurar um inquérito pois tal situação é tão fora do normal que pode indiciar algo de estranho e como nos últimos tempos ninguém do PS pode fazer xixi fora do penico sem que seja logo investigado é uma boa oportunidade para fazer um rastreio ao PS e a todos os que se relacionem com este partido. Se no Caso Freeport a suspeita resultou da celeridade do processo, então uma falência de um partido no poder, ainda por cima o partido mal-amado por magistrados, é um motivo de suspeita.
 
Que o PCP fique com parte dos vencimentos dos deputados, que o BE faça rifas, tudo isso é normal, o que não é normal é que partidos como o CDS, o PSD e o PS andem a fazer peditórios, não há memória de tal vergonha. É um escândalo imaginar o António Costa telefonando a um deputado do PS dizendo-lhe “É pá, quando receberes o vencimento manda 100€ aqui para o Rato pois já estamos sem água e temos de mijar no jardim!”.

Compreende-se o desespero na redacção do JN e de muitos dos nossos jornais, sem escândalos e com a TVI e o CM a cegar primeiro a tudo quanto seja paulada, facada ou tiro só lhes resta vasculhar nos arquivos e encontrar algo que ajude a vender mais uns jornalecos, antes que a crise do PS também lhes bata à porta.

Mas se um partido que está no poder atravessa dificuldades financeiras e pede contributos aos seus militantes, começando pelos seus dirigentes, para acorrer às despesas isso é uma ao notícia. Uma má notícia seria saber que um dos bancos que costumam financiar as iniciativas sindicais também pagasse as despesas das deslocações e iniciativas do secretário-geral do PS, que por acaso é primeiro-ministro.

[Observador]

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral da República

Há aqui qualquer coisa de errado nas declarações da Procuradora-Geral, depois dos recursos que têm sido gastos com casos como o da Operação marquês ainda sobraram meios para investigar uma ida a Paris para ver um jogo de futebol e agora queixa-se da falta de recursos?

«A procuradora-geral da República (PGR) criticou a falta de meios que marca a atividade do Ministério Público e diz mesmo que a escassez de magistrados prejudica o combate contra a corrupção.

A procuradora-geral da República reclamou hoje, no seu discurso de abertura do ano judicial, mais meios para o Ministério Público lutar de forma mais eficaz contra este tipo de criminalidade. Joana Marques Vidal diz mesmo que a “escassez de magistrados prejudicou um combate mais eficaz à corrupção”.

A escassez de magistrados prejudicou igualmente, ainda de que certa forma, a possibilidade de ensaiar novos e distintos modelos organizacionais para responder com mais eficácia aos desafios do combate à criminalidade grave e complexa, à criminalidade económico-financeira e à corrupção”, afirmou a PGR.» [Observador]

 Temer Temer

Depois da forma como traiu Dilma e ficou com um cargo para que não foi eleito é melhor temer este Temer, apesar de ter ar de não dar uma para a caixa ainda é capaz destes golpes. Lamentável.

 Procissão numa aldeia típica de Portugal

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(autor desconhecido, recebida por e-mail)

Enfim, com aquela camisola nem o Santo António o ajuda.

      
 Boa vontade?
   
«O cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, defendeu, esta quinta-feira, em Lisboa, a necessidade de o Estado português cumprir os acordos feitos com a Igreja Católica.

Questionado pelo jornalistas no final da cerimónia de abertura do ano judicial sobre a questão da retirada de isenção de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) à Igreja, o cardeal patriarca disse esperar que se cumpram os acordos que estão feitos. Manuel Clemente, manifestou ainda a convicção de que este assunto se resolverá “com boa vontade”.

Na terça-feira, a Igreja Católica tinha pedido para ser tratada pelo Estado português “em conformidade com a Lei e o Direito”, respeitando as normas da Concordata e rejeita “qualquer privilégio” em matéria fiscal.» [Observador]
   
Parecer:

Alguém devia explicar ao cardeal que os problemas fiscais se resolvem com a lei, lei que não se limita aos acordos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao cardeal que a sua igreja pague os impostos.»
  

quinta-feira, setembro 01, 2016

Vamos tentar perceber

Uma economia cresce quando se consomem mais bens nela produzida e isso sucede se aumentam as exportações, aumenta a procura devido a novos investimentos ou se os consumidores gastarem mais usando para isso os seus rendimentos, as suas poupanças ou o crédito.

Uma redução das exportações pode resultar de uma quebra na procura externa, alheia a quaisquer políticas internas. Se não ocorreu um aumento dos salários do qual resulte uma perda de competitividade e as exportações diminuíram isso sucede porque a procura externa diminuiu devido a factores exógenos. Se as exportações estagnaram isso pode resultar do esgotamento da capacidade de produzir o que significa que no passado não se investiu. Além disso, podem ocorrer circunstâncias especiais, como paragens de refinarias ou de fábricas de automóveis, coimo, aliás, sucedeu.

Uma redução da procura interna pode ser consequência de uma redução da procura do Estado ou dos consumidores. Se o défice é reduzido em relação ao do ano passado daí resulta uma diminuição da procura interna. Se, por outro lado, as exportações estagnaram ou diminuíram isso significa menos rendimentos e menos procura. Restava que ocorresse um crescimento motivado pelo investimento.

Como se sabe o governo anterior levou o investimento público a quase zero e isso significa que o crescimento da economia depende quase em exclusivo dom investimento privado e esse também se reduziu quase a zero. Por outro lado, o investimento depende do financiamento por parte do sistema financeiro e o último governo deixou o sistema financeiro descapitalizado com um banco, o BANIF, falido e outro a CGD, à beira da intervenção.

Seria interessante se a futura candidata à liderança do PSD Maria Luís viesse explicar se a situação de quase estagnação da economia resulta da política seguida desde Abril ou se em tão pouco tempo, com os constrangimentos orçamentais que ela própria exige e com uma situação externa adversa os magros resultados do crescimento devem ser imputados a este governo ou à sua própria acção enquanto ministra das Finanças.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Procuradora-Geral da República

O nosso MP já não investiga apenas crimes, agora faz rastreios em busca de indícios na esperança de abrir processos de investigação a possíveis crimes.

«A PGR esclarece ainda que o inquérito "não tem arguidos constituídos", encontrando-se em segredo de justiça.

A 04 de agosto, à Lusa, o Ministério Público avançou estar a "recolher elementos" sobre a viagem do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, ao Europeu de futebol de França, a convite da Galp, para apurar se havia "procedimentos a desencadear no âmbito das respetivas competências".

A PGR informou, na altura, que o Ministério Público se encontrava "a recolher elementos, tendo em vista apurar se há, ou não, procedimentos a desencadear no âmbito das respetivas competências".» [Notícias ao Minuto]

      
 Os ricos que mandam nisto tudo e não pagam impostos - parte II 
   
«A passagem pelo Parlamento de José Azevedo Pereira e Helena Borges, antigo e actual responsáveis máximos da máquina fiscal, trouxe-nos informação mais esclarecedora, mas nem por isso menos inquietante, sobre a forma como a carga fiscal se reparte em Portugal.
O dado tranquilizador das duas audiências é que, apesar de o grupo de trabalho constituído em 2012 para investigar os "super-ricos" ter sido dissolvido, como Azevedo Pereira tinha dito, a investigação não parou, garante a sua sucessora. Prosseguiu internamente noutros arranjos orgânicos, tendo entretanto sido abertas 44 inspecções, ainda sem retorno conhecido.


A intranquilidade é que as estatísticas apresentadas pela actual Directora-geral da Autoridade Tributária (AT) confirmam que há fundadas razões para se achar que há muitos ricos em Portugal que não pagam os impostos devidos - como, de resto, suspeitava o FMI, de quem partiu a iniciativa.  

Segundo a informação fornecida aos deputados, o grupo de 240 "super-ricos" que esteve sob análise (os tais "high net worth individuals" ou "contribuintes com elevada capacidade patrimonial") pagou uma taxa efectiva de IRS de 29,18% em 2012 e de 29,54% em 2014. 

Ou seja, ao contrário do que aconteceu à generalidade dos contribuintes, que neste período se viu confrontado com uma subida vertiginosa do IRS, para estes não houve antes nem depois de Vitor Gaspar. Passaram pelos pingos da austeridade sem se molhar, e continuaram a pagar uma taxa que corresponde, grosso modo, à que é suportada pela classe média confortável (e apenas 9 pontos acima da media nacional, já incluindo juros e dividendos). 

Há quem argumente que estes indicadores não querem dizer nada. Há pessoas com muito património que têm pouco rendimento, logo, pagam IRS mais baixo. Há famílias que podem ter muito rendimento mas que vivem só de rendas, juros e dividendos (que não são englobados e suportam apenas 28% de IRS). E há expatriados ou estrangeiros recém-chegados a Portugal que podem ganhar muito mas que só pagam IRS de 20%.

É tudo verdade. Que pode, pode, e o facto de poder acontecer torna necessários outros debates sobre a forma como os diversos rendimentos são discriminados, em função da sua natureza e da sua titularidade.

Mas considerando que já sabemos que também por cá há malas de dinheiro a sair clandestinamente do País; que a cada amnistia fiscal, há milhares de milhões de euros a entrar (ao todo foram 6 mil milhões de euros em sete anos); que, se outra amnistia houvesse, mais milhões se legalizariam; e que há quem comece a ser julgado por alegado patrocínio activo de esquemas fraudulentos, convém não abusar das explicações benevolentes.

Não se trata de inveja social, nem de demagogia, nem tão pouco de populismo. Há estatísticas com fortes indícios daquilo que o senso comum vem pressentindo há vários anos: a factura fiscal em Portugal é paga de forma muito assimétrica. É um imperativo económico e ético que este debate se faça de forma aberta e transparente, e, de preferência, que se faça com todos os contribuintes, incluindo os mais ricos cumpridores, que pagam todos os seus impostos. Porque para esses também há uma dimensão da desigualdade instalada: suportam uma taxa efectiva média de 46%, bem acima da dos "super-ricos". E que poderia não atingir níveis quase confiscatórios se todos pagassem o que devem.» [Jornal de Negócios]
   
Autor:

Elisabete Miranda.

      
 Agarrem-me senão...
   
«Embora tenha dito que tenciona cumprir os dois anos e meio da direção da Misericórdia de Lisboa que ainda tem pela frente, Pedro Santana Lopes não fechou a porta a uma eventual candidatura à Câmara de Lisboa, na sua intervenção desta terça-feira à noite na SIC Notícias, referindo que a possibilidade de “circunstâncias excecionais que nunca podemos prever”.

Santana manifestou contudo estranheza pelas posições que têm surgido no seu partido a favor da sua candidatura, em especial a assumida por Marques Mendes, que não o apoiou em 2005: “Marques Mendes defende agora que (eu) seja candidato à Câmara de Lisboa (…) Agora, 10 anos depois, quando estou mais velho, quando sou um has been (…) faz-me confusão”.» [Expresso]
   
Parecer:

Este é o mesmo Santana Lopes que no passado dia 17 de Julho dizia que "Neste tempo, não posso aceitar convites para ser candidato a outros cargos” e até mandava a Santa Casa reproduzir a notícia no seu site. Parece que o tempo de Santana muda em muito pouco tempo, um sinal da forma como este rapazola entende os compromissos que assume. Ou será que está fazendo pressão sobre o governo, receando que o tacho não seja eterno?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se e sugira-se ao trapalhão que se demita do cargo na Santa Casa..»
  
 Haviam coisas estranhas em Belém
   
«Mesmo depois de deixar a assessoria de comunicação social, Lima afirma que continuou "a ser alvo", com "situações estranhas" que promete descrever no livro, e "só pararam quando o Governo de José Sócrates foi substituído".

No livro, Fernando Lima revisita dez anos no Palácio de Belém e alguns casos que marcaram as notícias, como o caso BPN, o negócio PT/TVI, o referendo do Tratado de Lisboa ou a polémica em torno do TGV.

O ex-assessor aborda também comportamentos do chefe do Estado que foram polémicos.» [DN]
   
Parecer:

Se calhar eram gambozinos!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Uma má notícia para a direita
   
«Portugal colocou mil milhões de euros através de duas emissões de Obrigações do Tesouro: uma de 450 milhões de euros com maturidade em Abril de 2021 a uma taxa de juro de 1,87% e outra com maturidade em Julho de 2026, no valor de 550 milhões, a uma taxa de 3,027%.

Neste último caso, segundo dados da agência Bloomberg, a taxa de juro baixou em relação à anterior emissão a 10 anos, realizada em Julho, altura em que o juro correspondera a 3,093%. Além disso, a taxa de 3,027% foi mesmo a mais baixa do ano, exceptuando uma emissão sindicada no princípio de 2016, quando se concretizou com a mais baixa de sempre: 2,979%.» [DE]
   
Parecer:

Não se ouviu um único comentário.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao vidente de Massamá qual a calamidade que adivinhou para Setembro.»

 Outra má notícia 
   
«O plano de recapitalização de 4,6 mil milhões de euros da Caixa Geral de Depósitos (CGD) aprovado pela Comissão Europeia na quarta-feira da semana passada (24 de Agosto) é considerado "positivo" pela Moody’s.

A agência de rating norte-americana sustenta que o acordo alcançado entre o Governo português e a Comissão não apenas cumpre as regras europeias como salvaguarda os detentores de instrumentos de dívida da instituição financeira de terem de assumir perdas.

No entender da Moody’s, a recapitalização aprovada – em linha com o montante pretendido pelo Executivo e pela nova administração – "vai reforçar" a capacidade da CGD para absorver eventuais perdas decorrentes dos elevados níveis de activos problemáticos e operações geradoras de prejuízos.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

O bruxo de Massamá anda mesmo com azar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao dito.»
  

quarta-feira, agosto 31, 2016

Vingança divina

Diz-nos o Expresso que se  "o Governo puser a Igreja a pagar mais IMI, o CDS apresenta no Parlamento uma proposta para também acabar com a isenção daquele imposto aos partidos e sindicatos". Isto é, se o governo ousar tributar o património sem fins religiosos da Igreja a Assunção cristas vinga-se nos partidos e nos sindicatos, isto é, onde a líder centrista acha que mais dói ao governo. Isto é, a cruzada Cristas chama a si o papel de cavaleira do Templo e antes que António Costa seja sujeito ao julgamento final pelos seus pecados terrenos, decide avançar com uma vingança histérica e divina.

Se um dia destes o governo aumentar o IVA sobre a farinha a Assunção Cristas vem em defesa da Santa Madre Igreja e propõe  a criação de uma sobretaxa do IVA aplicado na electricidade das sedes do SLB, para que este clube fique a saber o que custa ter o Centeno e o Costa entre os seus adeptos. Assunção Cristas ameaça os partidos políticos da democracia e as organizações sindicais dos trabalhadores se a Igreja não puder promover a evasão fiscal entre as suas organizações. É como se o PCP ameaçasse com um imposto especial sobre as associações empresariais se o governo decidisse aplicar multas aos trabalhadores que fugissem ao IRS.

Mas o mais grave é que o governo nada fez, a lei que está sendo aplicada é a mesma que estava em vigor quando a jihadista  templária do CDS deixou abandonou o governo libertado os funcionários do ministério da Agricultura do dress code com vista à poupança de electricidade. Mais grave ainda, toda a legislação que está em vigor neste capítulo resulta da reforma do IMI da responsabilidade de Manuela Ferreira Leite. Mais grave ainda, antes de ser publicada a legislação passou pelo crivo do conhecido fiscalista do CDS Lobo Xavier que, certamente, cuidou de defender os interesses dos seus e da sua igreja.

No dia em que os bispos se reuniram em Fátima a jihadistas templária decidiu levantar a voz e ameaçar o país e a sua democracia de que se vingariam se ousassem cobrar mais impostos. Assunção Cristas decidiu armar-se em imbecil. Imbecil porque os impostos que estão sendo cobrados não resultam de qualquer alteração da lei, mas sim da aplicação de uma lei adoptada pela direita.

Se a lei existe e não estava a ser aplicada isso significa que o governo anterior, que tinha outro templário como secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, a aplicava em função da convicções religiosas dos contribuintes. É isto que está em causa e se o actual governo não deu quaisquer instruções à AT para aplicar a lei e esta instituição decidiu fazê-lo agora, é porque com o governo anterior os dirigentes da administração fiscal ou foram impedidos ou receavam aplicar a lei. Pela forma como a líder do CDS faz ameaças há motivos para recear que alguns contribuintes  por serem protegidos de alguns partidos podem beneficiar de isenções fiscais para além do que a lei permite.

PS: ao mesmo tempo que a Igreja se socorre de tudo para impedir que lhe sejam cobrados impostos, o MP anda a fazer buscas na Galp o que supõe que a Procuradora-Geral desconfia que a troco de um jogo de futebol o SEAF tenha feito grandes favores à petrolífera, já que o MP serve para investigar crimes e neste caso só investiga porque considerou existirem indícios de crime. Até parece que há uma mão divida a conduzir a senhora Procuradora e é caso para dizer que quem se mete com a Igreja leva!
   

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Assunção Cristas

Não sei se hei-de criticar a ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues de ir falar aos que no assado a ofenderam e tentaram meter atrás das grades ou gozar com uma Assunção Cristas que de coerência política pouco sabe. A líder do CDS tenta dar uma imagem de pluralidade mas fá-lo da forma mais desastrada e assando a imagem de uma líder de um partido que por não a respeitar está em auto-gestão.

Talvez o problema seja mais profundo e esta pluralidade política parece ir no sentido dos interesses políticos e comerciais de Paulo Portas, da mesma forma que as declarações simpáticas de Hélder Amaral ara com José Eduardo dos Santos quase pareciam encomendadas pelo ex-líder do CDS. Enfim, não é o primeiro líder do CDS a dançar ao sabor dos interesses de Paulo Portas e que se mantém na liderança enquanto lhe interessa.

«O convite à ex-ministra da Educação do PS Maria de Lurdes Rodrigues para participar numa iniciativa do CDS-PP foi a última gota de água que irritou muitos centristas. Nas últimas semanas, outros casos - as declarações feitas por um deputado no congresso do MPLA, a exposição nas revistas cor-de-rosa e a posição assumida recentemente sobre uma possível candidatura a Lisboa – suscitaram muitas críticas internas a Assunção Cristas. O CDS tem marcada uma comissão política para a próxima semana, dia 8, que promete aquecer.

“Houve uma sucessão de maus acontecimentos, há uma gestão da imagem pública da presidente que tem mostrado uma frivolidade que não corresponde à substância que tem”, afirmou ao PÚBLICO Raul Almeida, ex-deputado e apoiante de uma lista alternativa ao conselho nacional da apresentada por Assunção Cristas, em Março.

Raul Almeida disse esperar que a líder do partido “entre no novo ano político a tomar as rédeas à agenda política.” E um dos temas que marcará os próximos meses serão as eleições autárquicas. Cristas admitiu, em entrevista à Sábado, há duas semanas, que pode ser candidata à Câmara de Lisboa “se houver uma decisão do CDS”. A posição desagradou a alguns centristas que entenderem ter havido uma menorização de uma eventual candidatura da presidente e que cabe à líder do partido assumir uma decisão se for essa a sua vontade. Na oposição, há no entanto quem apoie totalmente a ideia de Cristas avançar para a capital. “É uma candidatura extraordinária com possibilidades de muito sucesso”, disse ao PÚBLICO Filipe Lobo d’Ávila, deputado e líder da lista alternativa à de Assunção Cristas ao Conselho Nacional.» [Público]

 Que bomba queres ser?

Kim Jong Un, monarca da Coreia do Norte, foi a um congresso da juventude do regime (por cá estão reunidos em Castelo de Vide ouvindo as habituais baboseiras da Maria Luís) e apelou aos jovens para que fossem bombas nucleares. Que ti pode bombas quereriam os políticos portugueses que os nossos jovens fossem?

Cavaco Silva: bombas de naftalina.
Paulo Portas: bombas de mau cheiro.
Marcelo Rebelo de Sousa: bombas hilariantes.
Passos Coelho: bombinhas de Berlim.
Pedro Santana Lopes: bombas de Carnaval.
António Costa: bombas de gasolina.
Assunção Cristas: bombas de oxigénio.
Jerónimo de Sousa: bombas de travagem.
Catarina Martins: bombas de vácuo.


      
 Estão a ser mortas a bom ritmo
   
«Dois dias antes a GNR tinha ido à vivenda do casal e levara consigo duas armas de fogo, pertença do marido. Os guardas tinham indicação de que o seu portador “era muito agressivo” e também sabiam dos antecedentes de confronto entre o casal.

A diligência das autoridades não evitou, porém, mais uma vítima mortal de homicídio conjugal. Nesta segunda-feira ao final da manhã, o homem de 55 anos matou a mulher de 49 anos a tiro com uma caçadeira que a GNR não sabe onde foi arranjar e “suicidou-se logo de seguida”, descreve o porta-voz do Comando Territorial de Beja da GNR.

O caso apanhou de surpresa a pequena comunidade de Aldeia de Baixo, no concelho de Aljustrel, onde poucos saberiam o que se passava portas dentro. Vários habitantes asseguram mesmo que o casal vivia em “boa harmonia não havendo nada a dizer deles”. “Nunca a ouvi dizer mal do marido, ou que era violento”, garante uma antiga colega de trabalho da vítima, que com ela tinha dividido funções na copa de um restaurante em Aljustrel.

“Ninguém estava à espera de uma coisa destas” corrobora um membro da família em que tudo aconteceu. “Ficou tudo de boca aberta”, acrescentou, frisando este era um homem que trabalhava em tudo o que lhe aparecesse: “Era agricultor, pedreiro e o que mais aparecesse, e tomava conta de uma herdade”. O casal deixa três filhos maiores de idade, um dos quais, uma mulher, estava na residência dos pais quando ouviu os disparos fatais, e ainda três netos.

É quase impossível este homicida tê-lo sabido, mas na véspera outro marido tinha posto fim à vida da mulher e depois também à sua. Este outro caso deu-se em Vilarelho da Raia, no concelho de Chaves, no domingo, mas só foi conhecido nesta segunda-feira também, depois de a vizinhança estranhar o desaparecimento do casal. Aqui, um homem de 71 anos terá assassinado a mulher, seis anos mais nova, suicidando-se de seguida. “Tudo aponta para que tenha matado a esposa recorrendo ao uso de gás”, explicou um porta-voz da GNR de Vila Real .» [Público]
   
Parecer:

Se quarenta mulheres portuguesas fossem mortas todos os anos num atentado do DAESH mereceria atenção, mas como os terroristas são modestos homens de família não é motivo de preocupação.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»
  
 O novo Bandeirante
   
«Ao desembarcar na Selvagem Grande, amanhã, Marcelo Rebelo de Sousa estará a marcar território, mas sem dar demasiada importância ao diferendo luso-espanhol em relação à classificação daquele sub-arquipélago madeirense. A sua frase foi simples: "Onde o Presidente da República vai, marca território", disse aos jornalistas à bordo da fragata NRP D. Francisco de Almeida, depois de uma curta visita - pouco mais de uma hora - às ilhas Desertas. 

Quando em Junho passado anunciou a viagem às Selvagens, Marcelo retirou qualquer peso diplomático da deslocação, mas agora juntou à "curiosidade natural" inicialmente apontada, a "curiosidade jurídico-política" como justificação para a visita de terça-feira, que encerra a deslocação à Madeira.

"Existem novos argumentos de Portugal sobre a extensão da plataforma continental e é importante conhecê-los", explicou, garantindo não estar preocupado com o entendimento que Madrid tem sobre aquele território. "Do lado espanhol, a partir de 2015, há sinais muito simpáticos sobre as pretensões portuguesas de extensão da plataforma continental", justificou, dizendo-se satisfeito por ter conhecido as Desertas.» [Público]
   
Parecer:

No passado os Bandeirantes delimitaram as fronteiras do Brasil enfrentando as diversidades de uma viagem perigosa. Agora Marcelo arma-ze em bandeirante, mete o boné de PSR da fragata Afonso de Albuquerque e vai confortavelmente dizer aos castelhanos que as desertas, as selvagens e o mar que as rodeia são nossas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Como diria o JJ "que ganda Marcelo"!»

 Adeus TTIP
   
«É definitivo. Depois de anos de negociações, o acordo de comércio entre a União Europeia e os Estados Unidos tem a sua morte anunciada, com a França a desferir o seu golpe mortal, retirando o seu apoio às negociações e pedindo o cancelamento, imediato e definitivo, das negociações.

O primeiro golpe foi dado no fim de semana, pela mão do vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel. Numa entrevista à rádio alemã ZDF, o também ministro da Economia da Alemanha disse que, na sua opinião, “as negociações com os Estados Unidos falharam, mesmo que ninguém o esteja a admitir”.» [Observador]
   
Parecer:

Os EUA queriam americanizar as regras do comércio com a Europa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

 Já só falta o cukini
   
«Serão poucos os que lhe atribuirão uma conotação religiosa como acontece com o burkini. Esta peça de indumentária, o facekini (palavra composta por “face” — “cara” em língua inglesa — e bikini), tornou-se popular na China por volta de 2012, como mostra um artigo publicado na primeira página do New York Times em agosto do mesmo ano: Essenciais Para a Praia na China: Chinelos, uma Toalha e uma Máscara de Ski.

Neste artigo do New York Times, o jornalista perguntou a uma mulher o porquê de estar a usar uma máscara que lhe tapa completamente a cara, excetuando a boca os olhos e, por vezes, o nariz. Yao Wenhua, de 58 anos, afirmou que estava com medo “de ficar escura”. “Uma mulher deve sempre ter uma pele clara, caso contrário pensam que ela é uma camponesa”, explicou Wenhua ao jornalista.» [Observador]
   
Parecer:

O mundo está roto
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à Ana Salazar que desenhe um cukini tuga que ponha fim ao fio dental do Cherne.»

 Santana Lopes continua a dar prejuízo
   
«O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou Portugal por violação da liberdade de expressão. A informação foi avançada esta terça-feira, em comunicado enviado ao Expresso, pelo Tribunal, que sublinha que a condenação da revista e do jornalista pelo Estado português viola o artigo 10 da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, relativa à liberdade de expressão.

"A decisão condena Portugal por uma violação da libertade de expressão e indica que o Estado português tem que pagar a Medipress-Sociedade Jornalística, Lda 38.919 euros", especifica ao Expresso o gabinete de comunicação do Conselho da Europa. Ou seja, 30 mil euros por danos materiais e 8.919 euros por custos e despesas .» [Expresso]
   
Parecer:

A dúvida permanece.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Santana Lopes se dava mesmo uns chutos da pesada.»

 Só?
   
«A Comissão Europeia condenou a Apple a pagar 13 mil milhões de euros em impostos, mais juros, à Irlanda. Para a Comissão, a Irlanda concedeu benefícios fiscais ilegais à empresa terá agora de recuperar milhões de euros por impostos não cobrados entre 2003 e 2014. A Irlanda não concorda e diz que vai recorrer.

"Este tratamento seletivo permitiu à Apple pagar uma taxa efetiva de imposto sobre as sociedades relativamente aos seus lucros europeus que baixou de 1% em 2003 para 0,005% em 2014", salientou ainda a comissária europeia para a Concorrência, Margrethe Vestager.

Como resultado, por exemplo, em 2011, ano em que a Apple declarou lucros de 16 mil milhões de euros, a empresa pagou menos de 10 milhões de euros em impostos na Irlanda.» [DN]
   
Parecer:

Lá vão subir os preços do iPhone 7.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

terça-feira, agosto 30, 2016

A reunião dos bispos

O normal quando um contribuinte discorda de uma decisão do fisco é recorrer a quem percebe da matéria e eventualmente recorrer do que considera ser uma decisão que viola a lei. É assim com os contribuintes, é assim com as empresas e deveria ser assim com as igrejas. Mas há uma Igreja que enquanto agente económico tem um estatuto especial e que beneficia de uma concordata que condiciona as leis do país.

Enquanto agente económico a Igreja Católica abandona o estatuto de igreja e apela à sua condição de católica, apostólica, romana, invocando os privilégios decorrentes do estado com sede na Cidade do Vaticano. Enquanto igreja fez uma primeira tentativa de influenciar a opinião pública, invadindo as televisões numa actuação conjugada que visava assustar o governo, a ideia era tentar travar o fisco.
  
Parece que a opinião pública não reagiu da forma mais favorável, o que era de esperar, depois da austeridade brutal a que o país foi sujeito nem os mais devotos sacristães iriam defender que a Igreja Católica devia ficar isenta dos impostos que por lei devem ser aplicados ao património , não se distinguindo uma igreja de um apartamento arrendado ou que serve de residência a eclesiásticos.

Face a esta reacção pouco simpática por parte do povo o clero opta por uma nova estratégia, evita a praça pública e reúne em segredo. Os argumentos que foram usados nas televisões dão lugar a posições privadas, falhada a estratégia religiosa os nossos bispos passam a actuar como uma empresa. A esta hora estarão a estudar o código do IMI, o texto da concordata e, muito provavelmente, a ler os pareceres que lhe terão sido enviados por devotos fiscalista.

Foi uma decisão lúcida dos nossos bispos, tardou mas perceberam que em matéria fiscal não são as homilias que contam, é a lei, sendo mais lógicos que raciocinem como empresários, porque também o são, do como párocos de aldeia. De um ponto de vista económico a Igreja Católica é uma empresa multinacional que é propriedade do Vaticano, uma espécie de EDP do Vaticano que em vez de alimentar os aparelhos eléctricos obtém lucros alimentando almas mais carentes de um lugar no Céu.

Resta agora esperar que os nossos bispos se deixem de manipulações e se comportem dignamente como representantes locais dos negócios do Vaticano e percebam que a lei fiscal é analisada nos tribunais e não nas sacristias.

Umas no cravo e outras na ferradura


   
 Jumento do dia
    
Marques Mendes, professor

Marques Mendes vai ser professor dos putos da JSD, como não olhes vai ensinar a fazer os habituais cartazes provocatórios daquela organização extremista ficamos sem perceber em que matéria dos seus múltiplos dotes vai ser professor, pode ensinar-lhes técnicas de garganta funda, gestão de empresas de oportunidade ou gestão de influências, tudo coisas indispensáveis a um J ambicioso.

«Luís Marques Mendes vai voltar a ser "professor" na Universidade de Verão do PSD, que hoje arranca em Castelo de Vide e dura até 4 de setembro. O ex-líder do PSD, que tem sido dos notáveis que mais critica publicamente o presidente Passos Coelho, não estava no programa inicial, mas a organização já tinha prometido surpresas e Mendes irá ser orador na quarta-feira à noite.

Na edição do ano passado, Mendes não foi convidado a estar presente, mas acabou por participar através de um sistema de perguntas e respostas que é habitual os formandos fazerem a figuras do partido e da sociedade civil. Em 2015, a organização tinha decidido não levar qualquer candidato presidencial para evitar que o tema fosse discutido antes das legislativas.» [DN]

      
 Aumento repentino da biodiversidade das Ilhas Desertas
   
«O Presidente da República e uma reduzida comitiva foram os únicos, esta segunda-feira, a desembarcar na ilha da Deserta Grande, Madeira, a bordo de uma lancha da Polícia Marítima sob más condições climatéricas, com o mar agitado e vento forte.

A restante comitiva que acompanha Marcelo Rebelo de Sousa na sua deslocação de três dias à Madeira e a comunicação social não puderam sair da fragata "D. Francisco de Almeida" para os botes que os levariam à ilha por razões de segurança invocadas pela Marinha e que se deveram ao estado do mar.

Com o Presidente da República desembarcaram na ilha a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, o secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello, o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, e o diretor da reserva natural das Desertas.» [DN]
   
Parecer:

Podiam ficar lá durante uns tempos para se multiplicarem...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Qual mercado?
   
«A Associação Lisbonense de Proprietários disse que o Governo vai "matar o mercado de arrendamento" se continuar a defender que os senhorios façam de "segurança social" e a não cobrar IMI ao património dos partidos políticos. A Associação Nacional de Proprietários, por seu lado, defendeu a criação de um subsídio de renda, que já se encontra previsto na legislação, em vez do estatuto de "senhorio de cariz social".

O plano de criar o estatuto de "senhorio de cariz social" foi revelado pelo secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, numa entrevista ao Público, numa ação dirigida a famílias de classe média e média baixa.» [DN]
   
Parecer:

Mercado não é uma meia dúzia de casas alugadas de forma especulativa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Promova-se um verdadeiro mercado de arrendamento.»
  

segunda-feira, agosto 29, 2016

O vidente de Massamá

Não deve ser fácil ser líder da oposição sem ter um projecto ou propostas, apostando apenas numa calamidade pública, nas divergências dentro da geringonça ou esperando por uma zanga entre Costa e Marcelo. Passos perdeu quase um ano a digerir a derrota, começou com a pantomina do primeiro-ministro no exílio, a que se seguiu um quase desaparecimento e regressa agora armado em vidente.
  
Passos está tão convencido que sem si no poder só acontecerão desgraças que se transformou numa espécie de Vidente de Massamá. Passos chegou ao poder graças a uma crise financeira, exerceu esse poder sem limites contando com a chantagem externa e parece apostado em que se repitam essas circunstâncias. O presidente da Comissão Europeia mudou, o BCE mudou de política, o líder do PS mudou, a residência da República mudou, mas Passos recusa-se a mudar, lembrando a senhora que descobriu que o seu rebento era o único com o passo certo na parada do juramento de bandeiras.

Passos não tem qualquer programa e mesmo sabendo que Marcelo nunca lhe permitira governar à margem da Constituição e que um PS liderado por António Costa não alinharia nas suas políticas como sucedeu com Seguro, insiste nas suas soluções extremistas.

Passos parece estar a perder a noção da realidade e o seu discurso começa a assemelhar-.se ao de alguém que bateu com a cabeça nalgum lado. Num dia diz que os investidores só voltarão a Portugal com ele no poder, no outro arma-se em analista de execuções orçamentais e só vê desgraças e até já lhe deu ara fazer adivinhações com dois meses de antecedência.

Em vez de ideias Passos prefere mostrar o estado da sua cabeça e começa a ser óbvio que este ano que passou não lhe fez muito bem, começa a evidenciar sinais de loucura, a perder consciência da realidade. Esta nova versão de Passos, a do Vidente de Massamá não promete nada de bom e até parece que o líder do PSD adivinhou a sua própria desgraça.
 

Umas no cravo e outras na ferradura


   
 Jumento do dia
    
Passos Coelho
O líder do PSD já experimentou de tudo desde que foi retirado do poder, começou por andar armado em primeiro-ministro no exílio, durante meses desapareceu, agora anda num verdadeiro frenesim, aproveitando-se do facto de uma boa parte do mundo político estar de férias para centrar a comunicação social na sua imagem.

Mas as coisas não lhe estão a correr bem, em finais de Julho anunciou a desgraça para Setembro e ainda não se percebe o que ele adivinhou, a execução orçamental não correu mal ao governo e o dossier CGD acabou por se resolver.

À falta de argumentos vem com a lenga lenga do funcionamento da geringonça. Pobre Passos, estava convencido de que uma crise o levaria ao poder e agora arrasta-se na liderança do PSD sem convição e apenas porque o ordenado que o partido lhe paga dá jeito.

Mas o grau zero de Passos Coelho surge quando o líder do PSD pergunta quem é que mete dinheiro num país dirigido pelo PCP e pelo BE. Passos está sendo desonesto e faria melhor se explicasse porque motivo ninguém investiu em Portugal enquanto foi primeiro-ministro, havendo mesmo a registar o caso da Nissan que recuou num investimento que estava programado para Portugal.

«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, disse hoje ser "obrigação moral" da esquerda dar estabilidade ao país, aprovando o Orçamento do Estado para 2017.

"Existe uma obrigação moral. Os partidos que suportam este Governo comprometeram-se a conferir estabilidade política ao país", afirmou o ex-primeiro ministro. Falando aos jornalistas à margem da visita que hoje realizou à Feira Agrícola do Vale do Sousa, em Penafiel, Passos disse ser ao PCP, BE e PS "que cabe a responsabilidade de ter o entendimento que suporte o Governo e o seu principal instrumento de ação política que é o seu orçamento". Para o líder da oposição, "a política que o Governo vem executando é uma política como o PCP e o BE têm vindo a reclamar". Portanto, concluiu Passos, "não há nenhuma razão para estar a antecipar problemas com o orçamento".

Questionado sobre a postura do PCP face ao orçamento de 2017 e o facto de aquele partido admitir que a Europa pode influenciar a preparação do documento, Passos respondeu: "Isso é o que o Partido Comunista diz agora, porque pretende ganhar algum espaço de influência e negociação junto do PS e do Governo". O presidente do PSD previu depois que "o PCP, o BE e o PS entender-se-ão bem para fazer o Orçamento para o próximo ano".» [DN]

«residente do PSD, Pedro Passos Coelho, defendeu este domingo que Portugal precisa de atrair investimento para poder gerar emprego e rendimento, mas questionou "quem é põe dinheiro" num país dirigido por comunistas e bloquistas.

"Mas quem é que põe dinheiro num país dirigido por comunistas e bloquistas? Quem é o investidor que acredita que o futuro estará seguro naqueles que têm senha, que não gostam, pelo contrário, que atacam aquilo que eles designam o capital, os capitalistas, os homens que no fundo investem o seu dinheiro, as suas poupanças, nas empresas, que criam emprego e rendimento para futuro", afirmou o líder social-democrata.»
  

domingo, agosto 28, 2016

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Hélder Amaral, um deputado simpático

O deputado não estava a dizer o que pensa nem a transmitir a posição oficial do seu partido, estava apenas a ser simpático para com José Eduardo dos Santos. É uma pena que o deputado e os sesu colegas de partido não sejam igualmente simpáticos quando são convidados a estar presentes no encerramento dos congressos dos partidos portugueses, ultrapassando muitas vezes o limite da boa educação.

«O deputado Hélder Amaral não retira “nada do que disse” há semana e meia em Angola, onde afirmou que CDS e MPLA — a cujo congresso assistia como convidado — tinham “muitos pontos em comum”. O vice-presidente da bancada democrata-cristã tenta justificar nesta entrevista as palavras que geraram a polémica e assume que “quis ser obviamente simpático” para José Eduardo dos Santos. O vice-presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Angola, que também tem nacionalidade angolana, confessa que lamentou a Assunção Cristas ter feito as declarações que lançaram a confusão.

Hélder Amaral, no entanto, ressalva que não fez como os representantes dos maiores partidos portugueses: “O PS e o PSD agradeceram o grande favor que Angola fez a Portugal” nos discursos perante o congresso do MPLA. E detalha que Marco António, vice-presidente do PSD, disse: “Repito, muito obrigado!” Sobre o caso Luaty Beirão, o deputado diz que não sabe “se os ativistas foram presos por lerem um livro”, ou por razões políticas: “Não sei se estão presos por delito de opinião.” Promete que vai aprender a dançar kizomba para não ser ultrapassado por algum “branquela”.» [Observador]

      
 O DAESH em Tabuaço
   
«Os militares da GNR do Núcleo de Investigação Criminal de Moimenta da Beira, distrito de Viseu, detiveram na sexta-feira em Tabuaço um homem de 52 anos por posse de armas ilegais e de material explosivo, foi hoje divulgado.

Num comunicado hoje divulgado, o Comando Territorial de Viseu da GNR esclareceu que a detenção, decorrente de uma investigação no âmbito de um processo de violência doméstica, levada a cabo nas localidades de Tabuaço e Vagos, culminou na realização de uma busca domiciliária.» [Observador]
   
Parecer:

a verdade é que há um DAESH dentro de muitas casas portuguesas, como centenas de pessoas a viver num ambiente de terror permanente e com maus de três dezenas de vítimas mortais todos os anos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»