sábado, outubro 22, 2016

Andam todos à procura do Mário Nogueira

Primeiro pediram ajuda ao Partido Popular Europeu, este fez o que pôde por eles mas não resultou, por cá o Passos anda a amargar no seu exílio de caca e em Espanha ainda não sabem o que fazer. Depois pediram ajuda aos comissários europeus, queriam que fosse exigido a Portugal um Plano B, isto é um pacote de austeridade que legitimasse a política económica de extrema-direita que impuseram ao país. Acabaram por desistir do Plano B e viraram-se para as sanções, mas as sanções deram o que tinha a dar,  foi quando nasceu a esperança de uma execução orçamental desastrosa em setembro. Um desastre orçamental seria o argumento para que a DBRS mandasse o país para um segundo resgate. Mas, mais uma vez, falharam, a execução orçamental não foi a que Passos esperava e perdeu-se a esperança de uma notação de lixo por parte da DBRS.

Terminado o ciclo político iniciado com a formação do governo da geringonça, durante o qual Passos Coelho andou a promover a sua imagem de primeiro-ministro do exílio enquanto esperava o desembarque dos mercenários dos credores para lhe devolverem o poder a troco de um segundo resgate, o PSD de Passos Coelho e Marco António regressa à normalidade e aos velhos truques da guerrilha. 

Como estava representando o papel de primeiro-ministro no exílio o líder do PSD não embarcou nas manifestações amarelinhas dos colégios privados, até porque cheiravam muito à Assunção Cristas. Mas agora que mudou de papel artístico, já vai fazer propostas orçamentais e pode regressar a líder guerrilheiro da oposição. Assumida a mudança de estilo, não tardaram a aparecer sinais do PSD guerrilheiro. Aqui e acolá vão nascendo manifestações espontâneas contra encerramento de serviços, contra a falta de uma funcionária da limpeza numa escola ou por qualquer outro motivo que leve os militantes do PSD a disfarçarem-se de populares espontaneamente zangados e a protestar contra os governos.

Encontramos outro sinal desta guerrilha na comunicação social e por estes dias tem a forma de apelo ao regresso de Mário Nogueira. A ideia foi lançada por Baldaia, depois o velho redator da Voz do Povo, o jornalista José Manuel Fernandes, juntou-se aos apelavam ao regresso do sindicalista, depressa veio João Miguel Tavares e, como era de esperar, Ana Sá Lopes junta-se à manifestação. Tudo jornalistas de primeira água que não receiam ser acusados de plágio, escrevendo artigos como se a ideia fosse sua.

Compreende-se o apelo a Mário Nogueira, foram as manifestações dos professores que serviram de trampolim a Passos Coelho para chegar ao poder. Nesse tempo não estavam preocupados com a NATO e muito menos com os compromissos europeus, a aliança entre a direita e a extrema-direita chique com muita gente do PCP e do BE foi evidente. O governo de Passos acabou mesmo por integrar muitos bloggers, um deles foi ministro da economia e o ativo Crato que prometia implodir o ministério da Educação recebeu autorização para o fazer.

A verdade é que a direita precisa de um qualquer Mário que os ajude e o apelo ao papel que Mário Nogueira teve no passado é o reconhecimento da inutilidade de Passos Coelho enquanto líder da oposição.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho

Passos Coelho boicotou o OE de 2016 como se fosse o OE de uma associação recreativa de Massamá, portou-se mais como um político arruaceiro do que como um líder da oposição que, aliás, nunca foi. EM relação ao OE de 2017 chegou a anunciar a mesma estratégia, mas acaba de recuar. Mudou de ideias a pensar no país ou com medo de continuar a descer nas sondagens, o que poderia levar a um levantamento de rancho no seu partido? É óbvio que Passos serve-se dos problemas do país para se salvar a si próprio na liderança do PSD.

Sempre é melhor ser líder e ganhar comno o primeiro-ministro e ter carro e motorista, do que sentar-se na fila de trás, ao lado da maioria Luís e ganhar como qualquer deputado.

 Coisas que me incomodam

Ver uma historiadora confundir premeditadamente social-democracia com estado social, lembrando o cientista que depois de tirar as asas a uma mosca e de ter gritado para a assustar, concluiu que sem asas a mosca era surda:

« Desde o final da II Grande Guerra até hoje, o crescimento do Estado Social, ou seja, a expansão  da Social-Democracia, tem sido o que todos sabemos. Temos  um sem-número de direitos onerosos suportados pelo Estado, da Saúde à Educação e à Segurança Social. Hoje em dia, é verdade, a Social-Democracia está esgotada – pelo singelo motivo de que já venceu: o núcleo do seu programa está cumprido, converteu-se em aquisição civilizacional, como acontece nos países economicamente mais robustos, ou figura na agenda prioritária  dos menos desenvolvidos  como conjunto de objectivos  irresignáveis. Objectivos de valor universalmente reconhecido.» [Fátima Bonifácio]

Eu compreendo que a senhora odeia tudo o que cheire a social-democracia e que tente dar o seu contributo para uma vitória da sua ideologia. Mas seria muito feio dizer que a democracia cristã ou o liberalismo estão esgotados por causa Pinochet. A corrente social-democrata com origem no marxismo nada tem que ver com o estado social, nem este é obra exclusiva desta corrente ideológica.

Limitar o social a uma questão de custos económicos também é uma abordagem demasiado pobre para uma historiadora, como disse uma vez Sousa Franco ao referir-se a Jorge Coelho, diria que é argumentação de cavador ou de taberneiro.

A história não pode servir para ser reduzida produzir granadas a utilizar na luta partidária ou par justificar políticas financeiras.

 Faço hoje cinco anos



 Fernando Lima e o ódio a Sócrates

No livro de Fernando Lima Sócrates 196 vezes, socrático 22 vezes e socialista, termos muitas vezes associado a Sócrates, surge 299 vezes! Todo o livro espuma de ódio a Sócrates que ali é retratado como a reencarnação do mal, Sócrates é um híbrido que resulta do cruzamento de Kim Jong-un, com o Koringa das histórias aos quadradinhos do Batman, o Joker do filme "Quem tramou o Roger Rabit" e Nikolai Yezhov, o mais tenebroso chefe da polícia secreta de Estaline.

No Portugal do Fernando Lima havia um verdadeiro mundo de Berlim, dum lado a bondade, o amor ao país, a democracia e todas as virtudes, do outro está Sócrates, o símbolo do mal que tem Lisboa cheia de espiões só para vigiar Fernando Lima e perseguir Cavaco.

É uma visão que nos ajuda a perceber muito do que aconteceu e, muito provavelmente, do que está a acontecer em Portugal. Cavaco já está algures na Quinta da Coelha, Fernando Lima sofre se stress pós traumático depois de ter sido ferido por fogo amigo com a guerra já no seu fim, mas a luta entre herdeiros do Cavaquismo e Sócrates ainda tem os seus episódios.

Se entre PS e PSD, dois partidos que se dizem da mesma corrente ideológica, há divergências políticas, entre Cavaco e os socialistas parece haver algo mais profundo, algo que se assemelha a ódio. O livro apresenta esta luta como uma longa batalha entre o bem e o mal, entre a competência e a incompetência, entre a democracia e os totalitários. É um ódio que vem de longe, das disputas entre Soares e Cavaco ou entre a família Soares e a família Silva.

Um ódio que parece ter começado com inveja, com um Soares a desprezar os Silvas e estes a tudo fazerem para se afirmarem na sociedade, o que um conseguia com classe o outro conseguia com maiorias eleitorais, o que nuns era espontaneidade, nos outros eram invenções do próprio Fernando Lima. Este ódio que começa nos anos 80 atinge o seu auge com Sócrates. Se Soares tratava Cavaco com desprezo, Sócrates fazia pior, desprezava e nunca o escondia nas suas palavras.

É esse ódio dos que queriam ficar na história por boas razões e não ficam, dos que queriam acabar uma carreira aclamados e saíram ela porta das traseiras, dos que queriam deixar os seus no poder e puseram-nos na oposição, é esse ódio que escorre em cada uma das páginas de Fernando Lima.

      
 Vou ali  Portugal fumar um cigarrinho
   
«Um pedido para ir fumar foi o suficiente para conseguir passar pelo controlo da fronteira sem dificuldades, escapando ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. O argelino que a 27 de Setembro entrou ilegalmente em Portugal estava desde então detido no SEF. Foi autorizado por um funcionário a sair da zona de trânsito para ir fumar, conta o Diário de Notícias.

Mohamed A.I caminhou pelo percurso normal de passageiros, passou pela zona de bagagens, pela Autoridade Tributária (AT) e saiu pela porta principal do aeroporto, detalha a informação oficial do comandante da Direcção de Segurança Aeroportuária da PSP, Dário Prates.» [Público]
   
Parecer:

Tanta ingenuidade amadora dá vontade de rir. A partir do momento em que entra na sala de bagagens e nem leva bagagem deixa de estar sujeito a qualquer controlo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «D>ê-se a merecida gargalhada.»
  
 Água impropria para consumo
   
«A rede de água do edifício onde estão instalados o Centro de Saúde e o Serviço de Urgência Básica (SUB) de Vila Real de Santo António está contaminada com Legionella, denunciou a Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

A presença da bactéria foi identificada no seguimento de uma investigação deste organismo sobre a alegada falta de condições para depositar e preservar cadáveres no Centro de Saúde de Vila Real de Santo António.

No local, "a equipa da ERS deparou-se com a existência de dois lavatórios (triagem e sala de tratamentos) com uma etiqueta em papel que dizia «Água imprópria para consumo»", lê-se na deliberação do regulador.» [DN]
   
Parecer:

E assim se combate a Legionella no Algarve.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Começou a guerrilha do PSD
   
«Sob o mote "20 carruagens paradas, 20 dias de luta", a Comissão de Utentes justifica o nome da campanha por a administração do Metro ter confirmado que estavam cerca de 20 carruagens paradas devido a avarias e falta de peças.

"Todos os dias, os utentes do Metro de Lisboa são confrontados com situações de verdadeiro caos, resultantes de políticas de desinvestimento continuado nas empresas públicas e que levaram à degradação da qualidade do sistema de transportes públicos", afirma a Comissão.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Onde esteve esta comissão nos últimos anos?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vão à bardamerda.»

sexta-feira, outubro 21, 2016

O país ineficaz

Temos s cidades entupidas em horas em que seria suposto que a maioria dos portugueses estarem nos locais de emprego, estamos a ver os Prós & os Contras ou a ouvir as baboseiras de treinadores de futebol, armados em Trump a horas a que  a maioria dos europeus já dormiu o primeiro sono, não somos pontuais, temos de ir a repartições públicas por tudo e por nada para perder horas, esburacamos a mesma rua de seis em seis meses par enterrar mais um tubo, cada organismo público exige das empresas a informação que lhe dá na gana sem saber para que a quer ou se já foi pedida por outro organismo, não somo pontuais em nada,  só sabemos fazer negócios `hora de almoço e acompanhados de tinto, fazem-se obras que empatam o transito sem qualquer esforço de minimização ou avaliação dos custos em horas nos engarrafamentos, todos os serviços do Estado que inspecionam empresas descobrem matéria para multas no pressuposto de que as empresas nadam em dinheiro e podem pagar a advogados, cada organismo inventa taxas e taxinhas para financiar as suas mordomias ocultas, há serviços públicos onde par se se ser atendido ao meio dia é necessário ir para a fila às seis da manhã, perdemos horas e paciência a atender os telefonemas de vendedores dezenas de empresas que nos querem impingir os seus produtos, temos de parar no meio do trânsito para receber lições de moral de agentes policias muito zelosos e educadores, descarregamos navios com dezenas de milhares de cereais para camiões que carregam quase n o centro da capital, construímos cais para navios de cruzeiros e esquecemo-nos de arranjar lugar onde centenas de turistas embarcam em autocarros, os buracos nos passeios transformam-se em fossas, perdemos milhões de dias de trabalho devido à falta de prevenção na saúde, perdem-se milhares de dias de trabalho só para obrigar trablhadores com gripe a espalhar o vírus nos empregos.

Somos o país da ineficiência, onde qualquer autarca, dirigente dos serviços Estado inspetor, ou mero agente policial tem poder para impor atrasos, para exigir documentos, para requerer a presença de cidadãos em balcões do Estado a meio do horário de trabalho. Perdemos milhões de horas de trabalho em filas de espera, em engarrafamentos, a produzir burocracia inútil. Obrigamos as empresas a gastar recursos volumosos para atender inspetores, produzir informação que o Estado não vi analisar, cumprir normas que o Estado ignora.

Poluímos, sujamos as ruas, fazemos a vida negra o vizinho, torturamos os cidadãos por puro prazer de chefes do Estado educados na cultura do salazarismo, pagamos taxas, custas, multas e tudo o mais por tudo e por nada, damos cabo d vida das empresas. Transformamos o país num campo minado, a BT monta armadilhas para a caça à multa de automobilistas que circulem sem perceber que estão em território do inimigo, os fiscais das obras sabem onde apanhar matéria para mais uma contraordenação, o inspetor do fisco não sai sem uma correção à coleta e os competentes juros de mora acrescidos de multa. Passamos a vida a pagar multas voluntariamente porque sabemos que a burocracia tem a mão pesada se recorrermos.

O crescimento não depende apenas de mais 0,1% ou menos 0,1% de investimento previsto no OE, a competitividade das empresas não depende de ou apenas de mais 10€ ou de menos 10€ no salário mínimo. Não são só as empresas que devem procurar ser competitivas, é o país no seu todo que tem de o ser. Deixo um pequeno exercício, quanto seria o impacto no crescimento económico se os nossos padrões de eficiência coletiva fossem como os de países como a Suíça ou a Bélgica? Por outras palavras, qual será o prejuízo par o páis em resultado da nossa bandalhice coletiva?



Umas no cravo e outras na ferradua



 Jumento do Dia

   Marques Guedes, deputado do PSD

O deputado Marques Guedes é um rapazola novo nestas coisas, nunca reparou que havia advogados no parlamento ou nos governos, está convencido de que todos os membros do governo são umas virgens profissionais, nunca trabalharam para ninguém, não têm familiares com interesses económicos. Certamente nunca sou que Passos Coelho trabalhou para as empresas de Ângelo Correia, não sabe que a Maria Luís trabalha para a Arrow.

Se o deputado Marques Guedes, que até já foi ministro da presidência, não sabe qe há membros dos governos impedidos de tomar decisões sobre assuntos que envolvem interesses em que estiveram envolvidos, é por que nos seus governos esse princípio ético nunca foi respeitado. passos decidia sobre dossiers do interesse de Ângelo Correia, Moedas decidia em questões de interesse para a Goldman e por aí adiante.

Marques Guedes é um rapazola ingénuo e não percebeu o alcance das palavras do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e deverá estar convencido que António Costa trabalhou para o BES como o Durão Barroso ou para alguma empresa de Ângelo Correia como Passos Coelho.

Em vez de andar a fazer estas figuras tristes o deputado Marques Guedes deveria dedicar-se a coisas mais sérias, poderia, por exemplo, ocupar o seu tempo a encontrar uma solução para a liderança do PSD pois já tempo de o país ter uma oposição séria, credível e competente, o que por este tipo de declarações é óbvio que não existe.


«O PSD exige uma "clarificação" do Governo sobre as declarações do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, numa entrevista ao DN/JN/TSF, em que o governante afirmou que "todos os membros do governo carregam consigo uma lista grande de entidades em relação às quais não devem tomar decisões".

Para o PSD, o Governo deve esclarecer "de quem fala" o secretário de Estado. "Está a falar do primeiro-ministro?", questionou o deputado, exigindo saber se António Costa está inibido de tomar decisões sobre alguma matéria. Se assim fosse, acusou, "seria um governo quase em part-time".» [DN]

 O Dia em que Fernando Lima descobriu quem era O Jumento


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Parece que Fernando Lima sentiu necessidade de saber quem escrevia O Jumento, a causa eram as críticas dirigidas às fontes anónimas de Belém, as tais fontes invocadas quase diariamente pela comunicação para dizer o que se pretendia que fosse dito. O post que parece ter levado Fernando Lima a querer conhecer o autor do Jumento foi aquele em que se escreveu que :

«O líder da oposição em Portugal é o ‘garganta funda de Belém’, a fonte anónima de Belém, que salta de redação em redação dando dicas sobre o que Cavaco Silva pensa, quer que se saiba, mas o respeito pela instituição Presidência da República o impede de assumir em público.»

Note-se que em momento algum foi referido o nome de um assessor de Cavaco e muito menos o de Fernando lima, aliás, só reparei na existência de tal personagem quando o nome apareceu associado às famosas escutas a Belém. No seu livro Fernando Lima assume ser a fonte anónima de Belém tantas vezes referida na comunicação social, ressalvando que por vezes a comunicação social invocava a tal fonte anónima por sua própria iniciativa.

Daí a Fernando Lima pedir investigações privadas e ilegais para identificar quem criticava Belém foi um pequeno passo, o próprio Fernando Lima assume que fez a encomenda de uma investigação de um cidadão, actividade proibida em Portugal onde a investigação é um exclusivo do MP:

«A pressão psicológica a que me queriam submeter, em consonância com a máxima de Lenine segundo a qual “acusa os teus adversários daquilo que fazes”, levou-me a procurar descobrir quem poderia estar por trás de um blogue que me visava permanentemente. Mão amiga fez-me chegar, entretanto, um relatório particular de uma investigação feita, a meu pedido, ao referido blogue, em Março de 2009. Da sua leitura pude constatar que um do seus autores anónimos que aparecia identificado era o controverso adjunto de José Sócrates, que integrara a comitiva do Presidente da República na visita à Madeira, em Abril de 2008”.

Como o post do Jumento referido como causa da encomenda de uma investigação privada ilegal foi um post de Janeiro temos de concluir que Fernando Lima não era um assessor muito lesto, esperou por Março para fazer a sua investigação. Graças à sua investigação fiquei a saber que fui à Madeira com o Cavaco, a esposa e mais o famoso mordomo. Mas a imaginação de Fernando Lima leva-o a promover-me a alguém importante no aparelho de Sócrates, a quem nunca vi a cor dos famosos sapatos Prada:

Conseguida essa informação preciosa e tendo presente o fora publicado até então sobre a «fonte de Belém», linguagem de código com que eu era referenciado, percebi que estava sob vigilância e, sobretudo, que no gabinete do primeiro-ministro era encarado como uma séria ameaça, quando me qualificavam de «líder da oposição em Portugal». 


Quem conhece como nasceu e tem sido produzido este blogue só pode rir à gargalhada e não são poucos os que conhecem a verdade, como várias personalidades de esquerda ou de dieita, bem como jornalistas, conhecem pessoalmente o autor do blogue. Quando leio os disparates do Fernando Lima chego a pensar que ou sou eu que estou maluco ou há muito que o assessor de Cavaco Silva perdeu a noção da realidade.

Imagino que depois de décadas a servir Cavaco como assessor de imprensa o recurso ao truque da "fonte anónima" se tenha tornado numa rotina e que Fernando Lima se sentisse massajado percebendo que a política portuguesa era dominada pela tal "fonte anónima de Belém". O país viu o seu debate político condicionado pelos truques de comunicação do assessor de Cavaco, pelo que é compreensível que quando se sentiu atingido não tivesse gostado.

Mas do cimo do seu egocentrismo quase doentio Fernando Lima não podia aceitar que quem o criticava fosse um modesto cidadão comum que decidiu por sua livre iniciativa começar a zurrar na blogosfera. Para engrandecimento pessoal O Jumento teria de ser um perigoso agente ao serviço secreto, um lobo mau na fábula onde Fernando Lima gosta de dizer que era o capuchinho vermelho, aliás, cor de laranja.

Pois é meu caro Fernando, a mão amiga que lhe disse quem fazia O Jumento foi um idiota, quem o criticou e o levou ao desespero não foi alguém que o possa engrandecer. Resta-lhe juntar-se ao Paulo Macedo e ao Paulo Pinto Mascarenhas no clube dos investigadores da autoria do Jumento. Um clube onde valeu tudo desde investigações ilegais a leitura de e-mails privados, de saneamento de funcionários DGCI com a falsa acusação de terem incomodado o senhor director-geral até tentativas de vingança de amigos de Dias Loureiro. 

Quatro esclarecimentos:
  1. Só fui uma única vez à Madeira e a comitiva era formada por mim e pelo meu amigo António.
  2. Nunca falei pessoalmente com José Sócrates, a única vez que entrei na residência oficial de São Bento foi para falar com um assessor de Cavaco Silva, então primeiro-ministro, a única vez que estive perto de um primeiro-ministro foi num almoço na Trindade onde esteve Sócrates e na boda de um casamento de uma filha de um grande amigo de Cavaco Silva.
  3. Nunca tinha ouvido falar de Fernando Lima antes do famoso caso das escutas a Belém.
  4. Garanto que estou bem da cabeça.
 Os socialistas segundo Fernando Lima

Um dos aspectos mais preocupantes do livro de Fernando Lima e que diz muito sobre a cabeça do então Presidente da República é a forma como ele se refere aos "socialistas". Fá-lo sistematicamente de forma pejorativo, com frases impregnadas de ódio, como se desde sempre os perigosos socialistas fossem o grande inimigo da nação. Cavaco nunca teve uma relação fácil com o PS desde os tempos de Mário Soares, se a sua relação com o CDS era de desprezo, no PS Cavaco vi a causa de todos os seus males, Soares era o líder que ele gostaria de ter sido e a inveja dos Silvas em relação aos Soares foi uma marca permanente das relações entre Cavaco e o PS.

Mas todo esta aversão, todo este ressentimento, todo este ódio está presente no livro de Fernando Lima, está entranhado desde a primeira à última páginas, sempre que Fernando Lima se refere "aos socialistas" é para lhes atribuir as piores maldades. Para melhor percebermos a obsessão anti socialista do cavaquista Fernando Lima podemos contar as palavras no seu livro: palavra "socialista" surge no livro 299 vezes, a palavra "comunista" tem 4 referências, a palavra "centrista" tem 3 resultados, a palavra "social-democrata" aparece escrita 33 vezes, Sócrates tem direito a 196 referências, Passos Coelho é quase ignorado com apenas 34 referências, "crise financeira" é referida 4 vezes, mas se for "internacional" é ignorada. Outra obsessão de Lima são as escutas, nõ sendo de admirar que a palavra "escuta" seja escrita "129" vezes,

      
 Um bom orçamento
   
«Quando o Orçamento de 2016 foi aprovado, a oposição disse que era impossível de executar, porque devolver rendimentos à generalidade dos portugueses era incompatível com o cumprimento das metas orçamentais. O ano de 2016 mostrou que não era assim: o rendimento aumentou, os impostos baixaram e o défice deverá ficar nos 2.4%, o que garante a saída do procedimento por défices excessivos. Perante o fracasso das suas previsões, a oposição não adoptou um plano b e, em 2017, não só repete o discurso falhado de 2016, como até o radicaliza.

Ouvindo a oposição, ficamos a pensar que é o segundo ano seguido com brutais aumentos de impostos. Quando olhamos para a realidade, vemos que, depois dos aumentos da carga fiscal dos últimos anos, 2016 e 2017 serão anos de desagravamento fiscal. Enorme aumento de impostos ocorreu em 2012 e 2013, anos em que as medidas fiscais totalizaram cerca de 3350 milhões e 3700 milhões, respectivamente. Em 2017, esse valor é negativo: - 140 milhões. Mais importante do que a carga fiscal baixar, é o facto de esta ser mais justa. A criação de um novo imposto sobre património imobiliário de elevado valor, que não é propriamente pago pela classe média ou por quem vive dos rendimentos do seu  trabalho, é exemplo disso mesmo. O “assalto” à Coca-Cola e às balas também não é o mesmo que aumentar o IRS ou o IVA. No cômputo geral, a carga fiscal desce e é mais justa, desagravando os impostos de quem trabalha.

Para além de baixar impostos, o Orçamento para 2017 garante a actualização de todas as pensões de acordo com a fórmula que PSD e CDS mantiveram congelada durante quatro anos e que previam manter congelada até 2019, garante um aumento extraordinário de 10 euros a pensões abaixo de 628. Estamos a falar de pensões baixas de 1.5 milhões de pensionistas que não tiveram qualquer aumento nos últimos anos e que correspondem a carreiras contributivas mais longas do que aquelas que PSD e CDS escolheram aumentar e que financiaram com cortes no CSI, a prestação que apoia os pensionistas comprovadamente pobres. Para além das pensões, há um alargamento até três anos do Abono que era pago nos primeiros 12 meses de vida. É o segundo ano seguido em que há aumentos no Abono de Família e reforço de rendimento (adicional) do rendimento das famílias com filhos. A isto acresce a actualização do Indexante de Apoios Sociais (IAS) e a prestação única para pessoas com deficiência.

Se olharmos para os impostos e para o reforço das prestações sociais, e se acrescentarmos medidas como a gratuitidade dos manuais escolares em todo o primeiro ciclo, constatamos que este é um Orçamento que faz o oposto do que nos garante a oposição: recuperação generalizada do rendimento e melhoria da justiça social. E não, não é um Orçamento que tira a muitos para dar a poucos, porque faz o oposto. É, portanto, um orçamento sem quaisquer dos radicalismos anunciados pela oposição e que cumpre o programa de Governo, os acordos à esquerda e os compromissos europeus. E é um problema sério para a oposição.» [Público]
   
Autor:

João Galamba.

      
 Passos Coelho não deve ter gostado de ouvir
   
«A encerrar a visita de Estado à Suíça, Marcelo Rebelo de Sousa criticou o anterior o governo de Passos Coelho por ter apresentado uma proposta para o sistema de ensino dual "discriminatório" que obrigava a escolhas "precoces". O Presidente considerou que o atual governo "não pode desperdiçar" a oferta do Presidente suíço, para a transmissão de know-how, sobre o sistema que permite combinar educação com saídas profissionais.

"Aquilo a que assistimos aqui hoje não é o que estava previsto em Portugal", na proposta apresentada pelo anterior executivo "a escolha [de uma profissão] era muito mais cedo, era precoce", criticou, salientando que na Suíça são "jovens mais velhos que, numa fase ulterior, fazem essa escolha".» [DN]
   
Parecer:

A passagem do Crato pela Educação foi como a filoxera da vinha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se e dê-se conhecimento ao por enquanto lídr do PSD.»
  
 Que fale menos e cobre mais
   
«ab-sur-do. Como adjetivo, segundo o dicionário, qualifica o que é “contrário ou repugnante à razão”. Como substantivo, define o que é “contrário à razão, à sensatez e ao bom senso”, sendo por isso sinónimo de “despropósito, insensatez ou disparate”. Como conceito político foi a forma encontrada por Rocha Andrade para definir a nova polémica em que se viu envolvido. Novamente por sua própria ação.

“Quase absurdo” foi como o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais rotulou o facto de ter sido suscitada uma nova celeuma em seu torno, outra vez por causa de conflitos de interesse com empresas. Agora em forma de entrevista, publicada esta quarta-feira no “DN” e no “JN”.» [Expresso]
   
Parecer:

Começa a ser tempo do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais saber para o que foi nomeado. É difícil a um governo gerir a comunicação em momentos de grande complexidade se cada secretário de Estado desatar a dizer baboseiras para a comunicação social, chamando a si o protagonismo, se assim for há mais barulho na comunicação governamental do que dentro de um aviário.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 Vítima do seu próprio veneno
   
«O pior pesadelo do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) aconteceu hoje em Brasília. Sérgio Moro, o juiz responsável pela operação Lava Jato ordenou a prisão preventiva do antigo presidente do Parlamento e aliado político do presidente Michel Temer. A prisão de Cunha era esperada desde que o antigo líder parlamentar perdeu o chamado foro privilegiado ao ser destituído do cargo no início de setembro.

De nada valeram os expedientes que Cunha usou para adiar sucessivamente a sua destituição e evitar deixar de contar com a proteção do Supremo Tribunal Federal e passar para a alçada da justiça comum. Neste caso, para a Justiça do Estado de Paraná, sede das investigações dos desvios de fundos da Petrobras.» [Expresso]
   
Parecer:

Um dia destes muitos do que destituíram Delma vão estar presos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»

quinta-feira, outubro 20, 2016

Quanto custa um gestor?

Fala-se muito dos elevados salários dos gestores e comparam-se esses salários com os mais baixos nas empresas onde são praticados. É um verdadeiro petisco para a comunicação social que faz páginas de jornais, uma oportunidade de afirmação ideológica para a esquerda mais conservadora, uma oportunidade para partidos encalhados ganharem vida como grandes opositores e até este pobre Jumento se dedica ao tema.

É natural que num país que está longe de ser rico os jornais populistas transformem a divulgação de pensões altas em primeiras páginas, que ganhem clientes divulgando as remunerações de gestores de empresas. A miséria cultural pegou e todos os que de alguma forma possam ganhar com o espetáculo não perdem uma oportunidade, este tipo de discurso cai que nem ginjas num país onde se ganha mal. Não importa se o que  recebe uma pensão baixa nunca tenha feito descontos, não raras vezes porque ganhava mais vivendo na clandestinidade laboral, e que o "pensionista rico" tenha feito descontos compatíveis com a pensão que recebe, o que importa é perseguir o rico.

O debate que por aí vai em torno dos salários dos gestores está fortemente inquinado por populismo, por inveja, por oportunismo jornalístico, por afirmações ideológicas e por tentativa de desenrascanço por parte de deputados encalhados. O custo para os contribuintes de um gestor de um banco, seja público ou privado, pode ser muito maior do que o que consta na folha salarial, veja-se, por exemplo quanto é que o país teve de pagar a gestores brilhantes como Ricardo Salgado, Oliveira e Costa e muitos outros.

O problema de Portugal não está nos salários dos gestores, é antes a sua falta de qualidade pois é isso que explica a falta de competitividade de muitas empresas, não apenas no sector da banca, mas na generalidade dos sectores da economia. Não são os salários dos gestores competentes que deveriam estar a ser discutidos, ainda bem que há gestores competentes que tornam as suas empresas competitivas, promovem empregos bem remunerados, têm boas práticas no domínio do cumprimento de obrigações laborais, fiscais ou ambientais e que entregam ao Estado mais de 50% do que ganham sob a forma de impostos e contribuições, mesmo sabendo que um dia um qualquer Passos Coelho lhes aplica uma contribuição extraordinárias e os reduz a pensionistas pobres.

O problema do país está na incompetência e má formação cívica dos gestores e é o custo destes, muitas vezes recebendo salário que não incomodam a consciência de Marcelo Rebelo de Sousa. O que me preocupa são os gestores que levam as empresas à falência destruindo empregos, que gerem na base de salários baixos, que montam esquemas para as empresas ganham competitividade graças à evasão fiscal, que só recorrem a trabalho mal remunerado. Os custos dos salários destes gestores, muitas vezes disfarçados com o que ganham por fora é que são o verdadeiro problema do país.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   Marques Guedes, deputado do PSD

O deputado Marques Guedes é um rapazola novo nestas coisas, nunca reparou que havia advogados no parlamento ou nos governos, está convencido de que todos os membros do governo são umas virgens profissionais, nunca trabalharam para ninguém, não têm familiares com interesses económicos. Certamente nunca sou que Passos Coelho trabalhou para as empresas de Ângelo Correia, não sabe que a Maria Luís trabalha para a Arrow.

Se o deputado Marques Guedes, que até já foi ministro da presidência, não sabe qe há membros dos governos impedidos de tomar decisões sobre assuntos que envolvem interesses em que estiveram envolvidos, é por que nos seus governos esse princípio ético nunca foi respeitado. passos decidia sobre dossiers do interesse de Ângelo Correia, Moedas decidia em questões de interesse para a Goldman e por aí adiante.

Marques Guedes é um rapazola ingénuo e não percebeu o alcance das palavras do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e deverá estar convencido que António Costa trabalhou para o BES como o Durão Barroso ou para alguma empresa de Ângelo Correia como Passos Coelho.

Em vez de andar a fazer estas figuras tristes o deputado Marques Guedes deveria dedicar-se a coisas mais sérias, poderia, por exemplo, ocupar o seu tempo a encontrar uma solução para a liderança do PSD pois já tempo de o país ter uma oposição séria, credível e competente, o que por este tipo de declarações é óbvio que não existe.


«O PSD exige uma "clarificação" do Governo sobre as declarações do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, numa entrevista ao DN/JN/TSF, em que o governante afirmou que "todos os membros do governo carregam consigo uma lista grande de entidades em relação às quais não devem tomar decisões".

Para o PSD, o Governo deve esclarecer "de quem fala" o secretário de Estado. "Está a falar do primeiro-ministro?", questionou o deputado, exigindo saber se António Costa está inibido de tomar decisões sobre alguma matéria. Se assim fosse, acusou, "seria um governo quase em part-time".» [DN]

 Os socialistas segundo Fernando Lima

Um dos aspectos mais preocupantes do livro de Fernando Lima e que diz muito sobre a cabeça do então Presidente da República é a forma como ele se refere aos "socialistas". Fá-lo sistematicamente de forma pejorativo, com frases impregnadas de ódio, como se desde sempre os perigosos socialistas fossem o grande inimigo da nação. Cavaco nunca teve uma relação fácil com o PS desde os tempos de Mário Soares, se a sua relação com o CDS era de desprezo, no PS Cavaco vi a causa de todos os seus males, Soares era o líder que ele gostaria de ter sido e a inveja dos Silvas em relação aos Soares foi uma marca permanente das relações entre Cavaco e o PS.

Mas todo esta aversão, todo este ressentimento, todo este ódio está presente no livro de Fernando Lima, está entranhado desde a primeira à última páginas, sempre que Fernando Lima se refere "aos socialistas" é para lhes atribuir as piores maldades. Para melhor percebermos a obsessão anti socialista do cavaquista Fernando Lima podemos contar as palavras no seu livro: palavra "socialista" surge no livro 299 vezes, a palavra "comunista" tem 4 referências, a palavra "centrista" tem 3 resultados, a palavra "social-democrata" aparece escrita 33 vezes, Sócrates tem direito a 196 referências, Passos Coelho é quase ignorado com apenas 34 referências, "crise financeira" é referida 4 vezes, mas se for "internacional" é ignorada. Outra obsessão de Lima são as escutas, nõ sendo de admirar que a palavra "escuta" seja escrita "129" vezes,

      
 Um bom orçamento
   
«Quando o Orçamento de 2016 foi aprovado, a oposição disse que era impossível de executar, porque devolver rendimentos à generalidade dos portugueses era incompatível com o cumprimento das metas orçamentais. O ano de 2016 mostrou que não era assim: o rendimento aumentou, os impostos baixaram e o défice deverá ficar nos 2.4%, o que garante a saída do procedimento por défices excessivos. Perante o fracasso das suas previsões, a oposição não adoptou um plano b e, em 2017, não só repete o discurso falhado de 2016, como até o radicaliza.

Ouvindo a oposição, ficamos a pensar que é o segundo ano seguido com brutais aumentos de impostos. Quando olhamos para a realidade, vemos que, depois dos aumentos da carga fiscal dos últimos anos, 2016 e 2017 serão anos de desagravamento fiscal. Enorme aumento de impostos ocorreu em 2012 e 2013, anos em que as medidas fiscais totalizaram cerca de 3350 milhões e 3700 milhões, respectivamente. Em 2017, esse valor é negativo: - 140 milhões. Mais importante do que a carga fiscal baixar, é o facto de esta ser mais justa. A criação de um novo imposto sobre património imobiliário de elevado valor, que não é propriamente pago pela classe média ou por quem vive dos rendimentos do seu  trabalho, é exemplo disso mesmo. O “assalto” à Coca-Cola e às balas também não é o mesmo que aumentar o IRS ou o IVA. No cômputo geral, a carga fiscal desce e é mais justa, desagravando os impostos de quem trabalha.

Para além de baixar impostos, o Orçamento para 2017 garante a actualização de todas as pensões de acordo com a fórmula que PSD e CDS mantiveram congelada durante quatro anos e que previam manter congelada até 2019, garante um aumento extraordinário de 10 euros a pensões abaixo de 628. Estamos a falar de pensões baixas de 1.5 milhões de pensionistas que não tiveram qualquer aumento nos últimos anos e que correspondem a carreiras contributivas mais longas do que aquelas que PSD e CDS escolheram aumentar e que financiaram com cortes no CSI, a prestação que apoia os pensionistas comprovadamente pobres. Para além das pensões, há um alargamento até três anos do Abono que era pago nos primeiros 12 meses de vida. É o segundo ano seguido em que há aumentos no Abono de Família e reforço de rendimento (adicional) do rendimento das famílias com filhos. A isto acresce a actualização do Indexante de Apoios Sociais (IAS) e a prestação única para pessoas com deficiência.

Se olharmos para os impostos e para o reforço das prestações sociais, e se acrescentarmos medidas como a gratuitidade dos manuais escolares em todo o primeiro ciclo, constatamos que este é um Orçamento que faz o oposto do que nos garante a oposição: recuperação generalizada do rendimento e melhoria da justiça social. E não, não é um Orçamento que tira a muitos para dar a poucos, porque faz o oposto. É, portanto, um orçamento sem quaisquer dos radicalismos anunciados pela oposição e que cumpre o programa de Governo, os acordos à esquerda e os compromissos europeus. E é um problema sério para a oposição.» [Público]
   
Autor:

João Galamba.

      
 Passos Coelho não deve ter gostado de ouvir
   
«A encerrar a visita de Estado à Suíça, Marcelo Rebelo de Sousa criticou o anterior o governo de Passos Coelho por ter apresentado uma proposta para o sistema de ensino dual "discriminatório" que obrigava a escolhas "precoces". O Presidente considerou que o atual governo "não pode desperdiçar" a oferta do Presidente suíço, para a transmissão de know-how, sobre o sistema que permite combinar educação com saídas profissionais.

"Aquilo a que assistimos aqui hoje não é o que estava previsto em Portugal", na proposta apresentada pelo anterior executivo "a escolha [de uma profissão] era muito mais cedo, era precoce", criticou, salientando que na Suíça são "jovens mais velhos que, numa fase ulterior, fazem essa escolha".» [DN]
   
Parecer:

A passagem do Crato pela Educação foi como a filoxera da vinha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se e dê-se conhecimento ao por enquanto lídr do PSD.»
  
 Que fale menos e cobre mais
   
«ab-sur-do. Como adjetivo, segundo o dicionário, qualifica o que é “contrário ou repugnante à razão”. Como substantivo, define o que é “contrário à razão, à sensatez e ao bom senso”, sendo por isso sinónimo de “despropósito, insensatez ou disparate”. Como conceito político foi a forma encontrada por Rocha Andrade para definir a nova polémica em que se viu envolvido. Novamente por sua própria ação.

“Quase absurdo” foi como o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais rotulou o facto de ter sido suscitada uma nova celeuma em seu torno, outra vez por causa de conflitos de interesse com empresas. Agora em forma de entrevista, publicada esta quarta-feira no “DN” e no “JN”.» [Expresso]
   
Parecer:

Começa a ser tempo do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais saber para o que foi nomeado. É difícil a um governo gerir a comunicação em momentos de grande complexidade se cada secretário de Estado desatar a dizer baboseiras para a comunicação social, chamando a si o protagonismo, se assim for há mais barulho na comunicação governamental do que dentro de um aviário.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 Vítima do seu próprio veneno
   
«O pior pesadelo do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) aconteceu hoje em Brasília. Sérgio Moro, o juiz responsável pela operação Lava Jato ordenou a prisão preventiva do antigo presidente do Parlamento e aliado político do presidente Michel Temer. A prisão de Cunha era esperada desde que o antigo líder parlamentar perdeu o chamado foro privilegiado ao ser destituído do cargo no início de setembro.

De nada valeram os expedientes que Cunha usou para adiar sucessivamente a sua destituição e evitar deixar de contar com a proteção do Supremo Tribunal Federal e passar para a alçada da justiça comum. Neste caso, para a Justiça do Estado de Paraná, sede das investigações dos desvios de fundos da Petrobras.» [Expresso]
   
Parecer:

Um dia destes muitos do que destituíram Delma vão estar presos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»

quarta-feira, outubro 19, 2016

Um OE tranquilo

Conseguir acomodar as artimanhas fiscais montadas pelo CDS de Paulo Núncio par falsear os resultados das execuções orçamentais de 2015, levar a fundamentalista Teodora Cardoso a admitir que a execução orçamental de 2016 está a correr bem, conseguir levar o ano até ao fim sem orçamentos rectificativos era algo em que ninguém acreditava. 

Conseguir tudo isto sem dramas, sem medidas de austeridade sob a ameaça dos papões internacionais e os conselhos do avô Boca Doce do Banco de Portugal, repondo a legalidade constitucional que determinava a reposição de direitos abusiva e ilegalmente retirados era par muitos difícil. 

Mas conseguir tudo isso e propor um OE para 2017 com o mais pequeno défice da história da democracia era impossível, tanto mais que os acordos que viabilizaram a geringonça nada assumiam em relação aos anos posteriores a 2016. Mas não só isso foi possível, como sucedeu sem dramatismos e com negociações aparentemente tranquilas. 

Conseguiu-se um défice de 1,7% sem “desvios colossais”, sem medidas “robustas”, ou sem colossais aumentos de impostos. Sucedeu de forma tranquila, gerindo os recursos escassos para distribuir sacrifícios de forma mais justa e promovendo alguma justiça social. Um OE com um défice de 1,7%, que obriga a cortes substanciais na despesa pública nunca seria um orçamento de fartura, de grandes aumentos de vencimentos ou de pensões.

Mas a justiça não se faz apenas distribuindo muito, faz-se também distribuindo de forma justa o pouco que há para distribuir e o muito que há para cobrar. Distribuiu-se o pouco que havia por aqueles que foram injustamente sacrificados e repartiram-se os sacrifícios de forma equitativa, não esquecendo os mais ricos, como sucedeu no passado. 

Há quem diga que o OE não promove o crescimento, mas esse argumento é cínico quando tem como pressuposto que o crescimento depende da injustiça social. Os que dizem isso consideram que cobrar impostos aos ricos é impedir o investimento, enquanto cortar no rendimento dos mais pobres é ser austero e rigoroso porque com consumo dos que trabalham é um custo para a sociedade. Mais lucros significam crescimento, mais bem-estar social é a desgraça nacional.

Bem tentam encontrar argumentos, os que promoveram muitas dezenas de mexidas nos impostos estão agora preocupados com a instabilidade fiscal, os que revelaram um total desprezo pelos pobres estão muito incomodados com as pensões mais baixas, os que ridicularizaram o ministro da Economia da direita Álvaro Santos Pereira quando este pediu medidas para o crescimento estão agora muito empenhados em promover o crescimento, os que transformaram os pilares das pontes em construção em bases de ninhos de cegonhas defendem agora o investimento.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Maria Luís Albuquerque

Seri bom para o debate político sério que houvesse honestidade intelectual nos debates. Não é sério comparar a política com pensões para quem não fez descontos com a eliminação de cortes às pensões de quem fez descontos, da mesma forma que também não será muito honesto dizer que se compensa o fim de medidas extraordinárias com impostos, quando o défice orçamental desce de 3% para 1,7%.

Se o reaparecimento de Maria Luís Albuquerque serve para promover  sua imagem com vista a uma substituição de Passos Coelho, dando continuidade a uma lideranç do PSD de quem ninguém parece sentir saudades, seria mais inteligente fazê-lo sem populismos e com mais seriedade.

«Apontando o aumento de impostos e a injustiça social como "marcas" do documento que foi apresentado na sexta-feira, a vice-presidente social-democrata deixou duras críticas à "opção política de não fazer um aumento extraordinário para as pensões mais baixas", classificando a decisão como "vergonhosa e absolutamente incompreensível".

"Estamos a dizer que um Governo não dá um aumento extraordinário de 10 euros a pensões de 200 euros, mas retira a Contribuição Extraordinária de Solidariedade a pensões de 5 e 6 mil euros por mês", salientou Maria Luís Albuquerque.

Sobre o aumento de impostos, a vice-presidente do PSD sublinhou a subida dos impostos indiretos, não só através do agravamento de alguns já existentes, como pela criação de novos.

E, continuou, isto representa "a substituição de medidas que tinham sido criadas com natureza extraordinária para fazer face a um período de emergência" por "impostos de caráter permanente".» [DN]

 O anticomunista primário

Uma pérola do Luta Popular:

«O anticomunista primário, provocador e mais recente bufo das polícias Garcia Pereira já foi aqui muito justamente denunciado pela operária Sandra, da fábrica de calçado Jóia, de Felgueiras, como um político corrupto e vendido aos capitalistas, porquanto, numa visita que fez àquela fábrica no dia 20 de Maio de 2011, aceitou receber do dono da empresa um par de sapatos, com o correspondente número de pata, dos mais caros que aí se produziam.

Esta inclinação de Garcia Pereira por sapatos dos capitalistas não se fica apenas pela corrupção, aceitando ofertas trinta vezes mais caras (5 000 euros) do que o limite agora imposto pelo governo aos ministros, e que se fica, como sabem, pelos 150 euros de cada vez.

De facto, sem sair do reino dos sapatos, Garcia transformou-se agora em lambe-botas de Marcelo, andando atrás das iniciativas do actual presidente da república para ver se ganha uns segundos de exposição televisiva…»

 Paulo Baldaia, defensor do papel da FENPROF

«A educação dos nossos filhos é coisa séria de mais para estar sujeita a estes caprichos. Já não era suposto haver problemas um mês depois da abertura do ano escolar, mas há. E há, por parte dos sindicatos, um silêncio que os devia envergonhar. Não quero esquecer este tema, porque tenho vergonha alheia. Ainda me lembro de que o verdadeiro emplastro televisivo era Mário Nogueira, que aparecia a protestar onde quer que fosse o primeiro-ministro. Alguém sabe onde ele para?» [DN]

Paulo Baldaia está de parabéns e Mário Nogueira deve estar-lhe infinitamente grato, por quilo que se escreve no DN percebe-.se que ele é um grande defensor do papel da CGTP e da FENPROF na divulgação e, em consequência, na resolução dos prolemas no ensino.

Ao que parece o ano letivo está sendo uma desgraça e em nome da seriedade da "educação dos nossos filhos" o jornalista apela aos sindicalistas que o ajudem a lutar par melhorar a qualidade do ensino das suas crianças.

 Fernando Lima, Cavaco e a Nossa Senhora de Fátima

Um dos comentários maior interessantes de Fernando Lima é a explicação das consequências para a imagem de Cavaco da perda da sua influência sobre o Presidente, até aí muito bem sucedido:

«Por tudo o que me aconteceu, foi-me dado a concluir que o meu afastamento da primeira linha de intervenção abriu espaço de influência, que antes me era reconhecido, à família de Cavaco Silva, nomeadamente porque, durante largo tempo, mantive uma relação de proximidade com o Presidente. Durante duas décadas, os meus contributos tiveram sempre como principal preocupação ajudá-lo com informação privilegiada que me chegava e, ainda, no que julgava serem as exigências da sua expressão pública.»

Isto é, durante duas décadas Cavaco contou com um grande apoio, que não se limitou a prepará-lo de forma conveniente, mas a ajuda de Fernando Lima não se ficou por aqui, também foi importante para os livros de Cavaco:

«Fi-lo de diferentes formas, incluindo a publicação a posteriori, de obras sobre o que fora a sua ação em questões de grande responsabilidade do Estado português, como as negociações para o regresso de Macau à China ou o processo de Timor.»

Fernando Lima não se limitou a dar, fê-lo de forma generosa, deixando os louros para Cavaco:

"Além disso, como pessoa disciplinada e respeitosa que sou, tive o cuidado de não me sobrepor a ninguém.»

E aqui entra a brilhante intervenção da mulher de Cavaco Silva:

«Desde logo sabia da influência da mulher, que, de resto, podia ser medida pelo número de vezes que o Presidente a citava nas intervenções públicas. Por exemplo, como disse em comentário público, ficou a dever-olhe a inspiração da referência à Nossa Senhora de Fátima para justificar o desfecho bem -sucedido, em 13 de Maio de 2013, de uma negociação complexa entre o Governo e a troika..."

Isto é, quando Cavaco passou a ser influenciado pela mulher o Cavaco brilhante deu lugar ao Cavaco ridículo. Melhor explicado era impossível! Imagino as caras de Cavaco e da mulher quando leram esta bela página do livro do alcoviteiro de Belém.

terça-feira, outubro 18, 2016

O OE do e para as empresas

Leio no público uma consultora da Price teorizar sobre a “fat tax”, conclui que o novo imposto é um incómodo para as empresas, demasiado incómodo para umas quantas empresas face à dimensão da receita. Compreendo o argumento, para quê dar tanto trabalho a meia dúzia de empresas se há impostos, como o IRS, que não dão qualquer trabalho ao Estado.

Ouço muitos colunistas da direita criticar o OE porque ignora o crescimento e têm razão, em vez de repor vencimentos o governo devia ignorar a situação de ilegalidade inconstitucional de orçamentos que se alimentavam da escravatura parcial dos funcionários públicos e aproveitar as poupanças assim conseguidas para compensar a eliminação da sobretaxa. Passos é claro, a sua intenção era eliminar a sobretaxa sem aumentar impostos sobe o consumo, algo que só seria possível com cortes definitivos dos vencimentos e pensões.

Também o presidente da CIP critica a falta de medidas de estímulo às empresas que, como se pode imaginar, significa reduções de impostos sobre lucros e muitos subsídios.

Ninguém está preocupado com o Serviço Nacional de Saúde, ninguém verifica se o orçamento da defesa aumenta ou diminui, não se questiona o investimento na educação ou nas universidades, ninguém se preocupa com o que vai ser gasto na investigação científica, nem uma voz se manifesta sobre o que se vai gastar na formação profissional.

Quem ouve os nossos prestigiados opinadores e representantes da sociedade civil fica com a impressão de que o objectivo do OE deixou de ser o financiamento das políticas públicas, para passar um alimentador da subsidio-dependência. É evidente que ninguém fala em subsídios a empresas, preferem falar em redução de impostos ou em apoios e estímulos ao crescimento.

Enquanto os pilares das pontes das obras que foram interrompidas serviram durante quase meia década para as cegonhas fazerem ninhos não repararam na quebra do investimento. Com défices orçamentais muito acima dos previstos nunca vimos a direita ficar com os cabelos em pé com a falta de investimento público. Onde estavam estes opinadores quando se morria nas urgências, quando se emigrava em massa com a paragem da economia, quando as obras ficaram em caboucos?

O OE não só deve ser elaborado a pensar nas empresas mas para comodidade destas não se devem mexer nos impostos, até a Teodora veio manifestar a sua preocupação. Referem-se certamente aos impostos sobre os ricos. Quando aumentaram o IVA sobre a electricidade e sobre os produtos alimentares, quando foi aplicada a sobretaxa do IRS, quando se aumentou o IMI ou quando se reduziram os rendimentos do trabalho de todas as formas possíveis ninguém se preocupou com a instabilidade fiscal. Nessa altura a Teodora não apareceu a criticar o poder.

Aqueles que defendiam da democracia económica, que criticam o peso do Estado na economia, que tanto atacam a subsidio-dependência, que são contra uma presença forte do Estado na economia, são agora verdadeiros bloquistas. Querem transformar o Estado numa sala de ordenha do trabalho para amamentar empresários que sem o leitinho estatal e mesmo com salários mínimos miseráveis são incapazes de ser competitivos ou, pior ainda, para encher os cofres de banqueiros incompetentes e corruptos que durante mais de duas décadas roubaram o país com esquemas oportunistas e corruptos.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho

Apesar de um défice substancialmente inferior ao previsto para 2015 o OE para 2017 põe fim aos cortes salariais e das pensões e da sobretaxa do IRS. É verdade que os recursos para o investimento são escassos mas isso também sucedia em 2015. Não se entende portanto a acusação de embuste, até porque o maior embuste orçamental dos últimos anos, para além das mentiras eleitorais e eleitoralistas de Passos Coelho foi o embuste do reembolso da sobretaxa com que pretendia manter-se no puder.

«Em declarações aos jornalistas sobre a proposta de OE para 2017 numa conferência sobre "Descentralização - O Caminho do Desenvolvimento" dos Autarcas Social Democratas, no Porto, Passos Coelho frisou que a sobretaxa do IRS foi criada como uma medida extraordinária e "sem contrapartidas de subidas de outros impostos", algo que diz estar a acontecer agora.

"Então o que estamos é a transformar em impostos permanentes aquilo que tinha sido apresentado como uma solução de emergência, num quadro muito especial e foi isso que se chamou austeridade. Se agora estamos a transferir a austeridade dos impostos diretos (...) [para] impostos permanentes que são lançados sobre as pessoas e as mais variadas atividades económicas (...), então estamos a institucionalizar e a tornar permanente essa austeridade que era de emergência e isso evidentemente é um embuste, um engano", afirmouPassos Coelho.» [DN]

 Dúvidas que me atormentam a alma

Se o OE 2017 é assim tão mau e negativo porque será que desta vez não há apelos a Bruxelas para que o chumbe ou para que seja exigido um plano B para o crescimento ou porque motivo o Observador ainda não entrevistou alguém da DBRS para saber se deste orçamento iria resultar uma descida do rating da dívida soberana de Portugal? Se o OE é assim tão mau para as empresas porque será que não se registou uma queda na bolsa na sequência da sua divulgação?

Enfim, por este andar ainda vão dizer que o PCP e o BE já deixaram de comer criancinhas.

 Hillary e Trump


 O dia em que o perigoso Jumento defendeu Fernando Lima

Uma das personagens centrais do livro de Fernando Lima, o malogrado assessor de imprensa de Cavaco Silva, foi precisamente este modesto blogue, promovido a uma espécie de braço direito de Sócrates nos ataques a Belém e, em especial, na vigilância a Fernando Lima.

Este estatuto de inimigo perigoso de Belém tem uma única excepção no livro, é quando um posto deste blogue é usado a título de lamuria por parte de Fernando Lima a propósito da forma como foi tratado por Cavaco Silva na sequência do caso do e-mail das escutas a Belém. No fundo Fernando Lima diz mais ou menos isto, "vejam lá a forma como fui tratado que até O Jumento diz estas coisas".

Fernando Lima dá conta do grande calor humano que sentiu com "algumas centenas de mensagens no telemóvel e um número incontável de chamadas telefónicas. Muitos destes gestos partiram de pessoas com quem mantínhamos uma relação circunstancial, mas as palavras que nos transmitiram foram de imenso carinho. Responder individualmente a todos os que se nos dirigiram foi a melhor forma de recuperar o ânimo nos dias que se seguiram á decisão de Cavaco Silva de me afastar." 

Mas a grande surpresa de Fernando Lima foi ... O Jumento, Escreve Fernando Lima que "nas surpresas que tive, haveria de surgir um texto no blogue que me visava permanentemente e que parecia, naquele momento, ser meu amigo. Alguém do blogue socialista Simplex fez um paralelo entre o meu caso e a demissão dos assessores de Richard Nixon, envolvidos no Watergate. O blogue O Jumento contestou "Não há paralelo porque Nixon tratou os seus com a dignidade com que Cavaco Silva não tratou um companheiro e amigo de décadas. Nixon foi solidário com os seus assessores, cavaco Silva não só não teve a coragem de ter uma palavra com o seu amigo, como o demitiu de forma pouco digna, nem se deu ao trabalho de emitir um comunicado e, quando a comunicação social foi informada, mais uma vez por um assessor anónimo, já o nome de Fernando Lima tinha desaparecido do site da Presidência". Rematava o blogue: "É assim que se faz uma carreira de político impoluto, deixando atrás de si um cemitério de bodes expiatórios".» 

Por coincidência foi a única vez que Fernando Lima se refere ao Jumento sem adjectivos ou apreciações negativas, é também a passagem do livro onde se pode ler o maior ataque a Cavaco Silva, precisamente na questão central que percorre todo o livro, a injustiça de que o autor terá sido alvo e a forma como aquele a quem dedicou quase uma vida o tratou.

É evidente que Fernando Lima não faz suas as palavras do Jumento, limita-se a usá-las como uma forma subliminar de caracterizar o comportamento de Cavaco Silva diz mais ou menos "vejam lá, até O Jumento que é insuspeito de meu simpatizante veio em minha defesa e disse isto de Cavaco Silva!"

Ao contrário dos amigos que mereceram um agradecimento, Fernando Lima nunca agradeceu ao Jumento este gesto de solidariedade.

PS: nos próximos dias iremos continuar a abordar o livro de Fernando Lima, incluindo um comentário do Paulo Pinto Mascarenhas, ex-Grande Repórter do jornal "i", mais tarde grande repórter do Correio da Manhã e actual  consultor da JLM&A, feito sobre esta questão na sua página do Facebook.


      
 Valónia diz não ao CETA
   
«Os deputados da pequena região francófona da Valónia, na Bélgica, recusaram um acordo comercial entre a União Europeia e o Canadá e estão a criar uma crise embaraçosa e, potencialmente, perigosa para a Europa. Além de colocar, também, um enorme ponto de interrogação sobre como irão decorrer as negociações entre o Reino Unido e a União Europeia, com vista à saída do país da UE.

Foi na sexta-feira, a poucos quilómetros de Bruxelas, o coração do poder na União Europeia, que o parlamento regional colocou em risco um acordo importante que há vários anos estava em preparação. O acordo chama-se Comprehensive Economic and Trade Agreement e é conhecido pela sigla CETA — o acordo tem de ser ratificado pela UE e pelo Canadá até ao final do mês, mas o veto no Parlamento regional belga ameaça deitar por terra um acordo de partilha de tarifas que demorou sete anos a ser escrito.» [Observador]
   
Parecer:

A verdade é que o CETA foi negociado e assinado quase em segredo pela Comissão Europeia sem que a esmagadora maioria dos europeus tivessem sido tidos ou achados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A anedota do dia
   
«A  Academia Sueca revelou esta segunda-feira que desistiu de tentar contactar diretamente o músico norte-americano Bob Dylan, a quem atribuiu há quatro dias o Prémio Nobel da Literatura.

"Liguei e enviei emails para os colaboradores mais próximos e recebi respostas muito simpáticas. Por agora, julgo que é o suficiente", disse a secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, em entrevista à rádio pública da Suécia.

Apesar dos contactos insistentes, Bob Dylan tem respondido apenas com silêncio. Na quinta-feira do anúncio, o músico deu um concerto em Las Vegas, Estados Unidos, e não fez qualquer comentário ou declaração oficial de reacção ao prémio literário.» [Público]
   
Parecer:

Assim se fazem as lendas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

segunda-feira, outubro 17, 2016

Qual é a palavra que não perceberam?

O incidente ficou famoso, estava-se em 2011 e preparava-se o OE, numa reunião do Conselho de Ministros o então ministro da Economia Álvaro Santo Pereira propunha que o OE para 2012 contemplasse medidas para estimular crescimento, Gaspar tentou “calar” o ministro da Economia dizendo-lhe "não há dinheiro", mas perante a insistência deste pôs fim ao assunto perguntando-lhe "qual das três palavras é que não percebeu?".  O incidente poderia ter ficado no segredo dos deuses mas nesse tempo Gaspar era o Deus e a política económica visava a eugenia económica, pretendia depurar-se a economia de sectores que a extrema-direita chique consideravam tóxicos, como a construção civil ou a restauração. 

A revelação do segredo visava dizer ao país que quem mandava era Gaspar, a nova ordem estabelecida seguia a palavra de ordem “Gaspar! Gaspar! Gaspar!”, informando que se excluía qualquer preocupação com o crescimento. Defender a promoção do crescimento era quase um pecado, assim foi até ao ano de 2015, o próprio Álvaro Santos Pereira, que tanto tinha ajudado Passos a chegar ao poder, aprendeu-o com uma humilhação pública.

Não me recordo de ver um único alto dirigente do PSD ou do CDS, um dos conhecidos comentadores da TV começando pelos Ferreiras, tanto o Paulo como o Jorge, e acabando no senhor da CIP defenderem medidas para o crescimento. Dantes o objectivo era o equilíbrio das contas públicas e o crescimento resultaria da confiança dos investidores em finanças públicas saudáveis. Defendia-se que o crescimento era obra da iniciativa das empresas e não e políticas expansionistas.

Mudaram muito depressa de opinião, agora querem o melhor de dois mundos, querem que se equilibrem as contas públicas reduzindo o défice e, ao mesmo tempo, exigem um orçamento que estimule o crescimento. As a mudança é ainda mais profunda, é uma mudança nos alicerces ideológicos e mesmo na concepção do Estado. Agora o multiplicador de Keynes deu lugar ao multiplicador da riqueza, o estímulo da economia já não se promove através do consumo, mas sim do financiamento do capital.

Orçamento já não serve apenas para financiar funções tradicionais do Estado, deixando a economia ao sabor da iniciativa privada, com o sempre defendeu a direita. A direita defende agora que os orçamentos devem servir as empresas e serem concebidos em função destas e que o papel redistributivo dos impostos deve ser invertido, isto é, devem cobrar-se impostos a quem trabalha para que as receitas fiscais possam estimular as empresas com compras do Estado ou reduções de impostos sobre as empresas. Deve cobrar-se mais IRS para aumentar os consumos intermédios e reduzir o IRC.

Agora já não se limitam a defender a desvalorização fiscal, são mais descarados, devem ser os trabalhadores a financiar o crescimento económico suportando mais impostos, isto é, o investimento que cria novos empregos deixa de ser financiado pelo capital dos donos das empresas, para ser estimulado pela transferência de rendimentos dos que trabalham para os que os empregam, feita através da manipulação dos impostos. Vai-se ainda mais longe do que alguma vez se imaginou, os baixos salários estimulam a competitividade e os impostos sobre esses baixos salários financiam o capital.


O que a direita exige já não é apenas o respeito pelo Pacto de Estabilidade, quer que mesmo com o rigor financeiro a que isso obriga a política fiscal sirva para prosseguir na promoção das assimetrias do rendimento, servindo de Sheriff de Nottingham, diminuindo os rendimentos de quem trabalham mantendo o IRS a níveis elevados para estimular o crescimento, o que na linguagem desta direita liberal que gosta de mamar significa dar dinheiro às empresas. A sua imbecilidade e descaramento vão ao ponto de que seja um governo de esquerda a adoptar esta política económica da extrema-direita chique mais idiota da Europa. Apetece dizer-lhes "vão à bardamerda" e depois perguntar-lhes como faria o Gaspar "qual a palavra qe não perceberam?".