sábado, novembro 12, 2016

O voto egoísta

Os eleitores do reino Unido votaram pelo Brexit e dias depois manifestações de jovens questionavam a decisão eleitora na qual não participaram mas que condicionaria o seu futuro, muito para além da morte dos que condicionaram esse futuro com o seu voto. Uma maioria de idosos decidiu o futuro de um país pensando unicamente no seu conforto imediato. Voltamos a ver esta indignação em relação a um resultado eleitoral por parte dos mais jovens, em muitas cidades dos EUA manifestações questionam uma decisão eleitoral em que a maioria não se revê.

Já aqui chamei a atenção, no decurso de algumas campanhas eleitorais, para o facto de os candidatos visitarem muitos lares de idosos, nunca passando por uma escola primária. É óbvio que os nossos políticos sabem que vivemos numa sociedade de idosos e que os jovens não votam. Fora das eleições usam e abusam das escolas, nas campanhas eleitorais ignoram-nas, ou se não o fazem é para-a conseguirem votos com oportunismo, como sucedeu com as promessas de Passos de financiar os colégios privados.

Longe vão os tempos da nossa ingenuidade democrática, quando os eleitores discutiam o que seria melhor para o país e votavam em função disso, quando os políticos pensavam de igual forma e nem lhes passava apresentar programas se uma única verdade. Veja-Se o que aconteceu com Passos Coelho, ganhou eleições recorrendo apenas a mentiras, selecionou os alvos das suas medidas de austeridade mais duras tendo em consideração as orientações eleitorais, governou em função de interesses, como foi o caso da banca.

O que Trump fez nos EUA foi o mesmo que fez Passos enquanto governante, são políticos que orientam a sua ação em função dos resultados eleitorais e não têm quaisquer escrúpulos em destruir a vida daqueles que não votam neles. Esta forma de estar na política está conduzindo as eleições segundo a lógica do voto egoísta, cada um avalia as consequências dos seus votos na sua declaração de rendimentos ou nas mordomias que o Estado lhe proporciona.

O voto deixou de ter uma abordagem coletiva, ninguém está pensando nos mais desprotegidos, no que é melhor para o coletivo ou mesmo no futuro dos filhos ou netos. É o voto decidido em função do interesse imediato, segundo a lógica de quem vota e não fica com a melhor parte ou é estúpido ou não tem arte, é um voto egoísta. É cada vez mais o voto de idosos egoístas, que não votam em função de um futuro que já não será seu, é o egoísmo levado a extremos.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Carlos Carreiras, político sem currículo

Ver Carlos carreiras, o mais carreirista dos autarcas do PSD dizer de Rui Rio que este só tem currículo para ser candidato autárquico é esquecer que o seu Passos Coelho antes de chegar a primeiro-ministro só tinha currículo para ser merceeiro. A luta ainda não começou e já cheira mal.

Com este género de gente nem o país, nem o PSD vão longe. É gente que em vez de discutir ideias e projetos prefere usar o jogo sujo, puro e duro, são as máfias da política, não matam, mas fazem-no em sentido figurado, eliminam tudo o que seja adversário político.

«Carlos Carreiras considera que as condições reveladas por Rui Rio para avançar para a liderança do PSD “revelam alguma fragilidade e confusão”. Em declarações ao Diário de Notícias, o coordenador autárquico do partido diz mesmo que Rio “tem capacidade e currículo”, mas para ser “um candidato a uma câmara municipal”.

Se quer tanto ser candidato, que seja às autárquicas, que são já para o ano, e é essa, neste momento, a preocupação em que estamos focados no partido”, diz o coordenador autárquico do PSD.

Sobre as críticas que Rio fez ao partido, por ainda não ter encontrado um bom candidato para a Câmara do Porto, Carreiras dispara: “Nesse caso porque não se candidata ele próprio? Nada o impede. Tem currículo, capacidade e experiência para ser um bom candidato a qualquer câmara e à do Porto ainda melhor”.» [Observador]

 Leonard Cohen é como a madeira, nunca morre





 A minha homenagem ao governo do FAP


As saudades que eu tenho do governo de Passos Coelho que Cavaco e toda a direita tentou manter no poder.

 Paulo Macedo na CGD?

Deixem-se de tretas, Paulo Macedo não está à altura da gestão da CGD, os problemas do banco não se resolve com penhoras e com marketing na imprensa. A gestão de Paulo Macedo na DGCI foi um vazio, nada mudou, nada mexeu, limitou-se a aproveitar bem o trabalho alheio e a usá-lo na comunicação.

Mais vale um António Domingos sem declaração de património do que mil Macedos com declaração afixada na Rua Augusta.


      
 PSD está entregue à Maçonaria
   
«José Pacheco Pereira mostra-se pouco convencido sobre as hipóteses que o seu amigo Rui Rio tem contra o poder que está instalado no PSD nos últimos anos. No programa da SIC-Notícias “Quadratura do Círculo”, o comentador político e ex-dirigente social-democrata descreveu o partido como tendo “as direções distritais todas na maçonaria” e com uma “direção política” que precisa “desesperadamente de Passos Coelho para se conservar”.

Confrontado com a entrevista que Rui Rio (de quem é amigo) deu ao Diário de Notícias a mostrar disponibilidade para avançar se não aparecer uma “alternativa credível” até 2018, Pacheco Pereira diz que uma “situação de crise” no PSD “não existe hoje nem vai existir tão cedo” e que “Passos Coelho está de pedra e cal”. “A direção política do PSD, a maioria das distritais e o grupo à volta de Passos Coelho é completamente diferente da direção política do passado e não é sensível a esse tipo de lógica efervescente por uma razão: precisam desesperadamente de Passos Coelho. Detestam o Rio e precisam de Passos Coelho para se conservar“, argumentou .

As “estruturas de poder” no partido estão “muito burocratizadas, em Lisboa e Porto e também noutras“, detalhou Pacheco Pereira logo depois de ter atirado: “Alguém imagina um partido que desde a sua génese é anti-comunista e anti-maçónico, estar como está hoje, com direções distritais todas na maçonaria?”. O comentador disse que isto não é “irrelevante” e que se trata de “uma realidade distinta da do passado, que não tem relação com o eleitorado histórico nem com as relações históricas que são anti-comunistas e anti-maçónicas”.» [Observador]
   
Parecer:

Pobre Maçonaria...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Direita continua em queda nas sondagens
   
«No Estudo feito pela Eurosondagem para o Expresso e SIC, o Partido Socialista apanha pela primeira vez no último ano PSD e CDS, se somarmos as intenções de voto dos partidos da direita que nas legislativas do ano passado concorreram coligados. A sondagem foi realizada entre 2 e 9 de novembro, já depois de o Governo ter apresentado o Orçamento do Estado para 2017 e em plena polémica sobre as declarações de património dos gestores da Caixa Geral de Depósitos.

De acordo com os dados divulgados esta sexta-feira no site do Expresso, no último mês registou-se uma subida do PS em 0,7 pontos percentuais, conquistando hoje 37% das intenções de voto dos inquiridos para este estudo. Já o PSD e o CDS descem ambos, respetivamente 0,3 e 0,4 pontos, e só juntos conseguem igualar os socialistas. Os sociais-democratas têm 30,4% nas intenções de votos e o CDS 6,6%.» [Observador]
   
Parecer:

A queda do PSD é imparável.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

sexta-feira, novembro 11, 2016

Obrigado Trump!

Nem Obama era tão bom como prometia, nem Trump conseguirá ser mau enquanto presidente como o é enquanto candidato, o mundo acordou com um capitalista à moda antiga a mandar no centro do capitalismo. Não admira que Trump tenha conseguido tantos votos, não vale a pena dizer que foi porque uns não votaram, porque otros não gostavam da Hillary ou por ser um voto de protesto. Trump ganhou porque uma boa parte dos americanos votou nele e isso foi possível porque contra todas as opiniões publicadas muitos americanos se mobilizaram para que ele ganhasse.


Não vale a pena dizer que foram os defensores das armas, os Ku Klux Klan ou outros rufias, foram muitos e nem todos ignorantes e é por isso que vamos ter de o aturar, a ele, mais à sua beldade e àquele jovem com olhar de parvo que detestaria que fosse meu filho. Trump é presidente dos americanos graças aos votos dos americanos, eles quiseram um capitalista daqueles que usa o dinheiro para agarrar mulheres por onde bem entende, que pode impedir a contratação de negros e que confunde colombianas com mulheres-a-dias.

A América não é só Harvard, São Francisco ou Hoolywood, é também Trump. E não é só na América que temos gente desta, por cá também não nos faltam capitalistas como o Trump, com os mesmos valores, com as mesmas práticas, com os mesmos abusos. Poderão não se candidatar a nada, serão bem mais pobres do que o Trump, poderão ter umas esposas bem mais anafadas e mais pelos no bigode do que a Melanie, mas o que não nos falta por cá são Trumps e Trumpetes. Basta ler os jornais e quanto a políticos do seu calibre, é só puxar um pouco pela memória.

Mas é bom que Trump tenha ganho, é bom que a Europa se confronte com a realidade e medite sobre as anormalidades que a política está parindo. Não merece a pena dizer que Trump é um mentiroso e ignorar que Passos fez da mentira pura e dura uma forma de estar na política. Não vale a pena vomitar com os golpes baixos de Trump, há alguns anos atrás haviam cartazes sugerindo que um adversário era gay. É Trump é muito daquilo que já temos por cá semeado e não vale a pena dizer que só na América sucedem trampas destas.

Tramp não é uma invenção americana porque o que não falta na Europa são pequenos Trumps. Não foi a Europa que pariu Hitler? Não vale a pena ignorarmos a verdade, depois de invadir a França Hitler teria ganho quaisquer eleições com muitos mais votos do que Trump e na Europa, assim como nos EUA, o que mais havia eram admiradores de Hitler, desde o Lindberg até ao príncipe Eduardo, sucessor ao trono inglês.

A escolha de Trump é pedagógica e não vale a pena os jornalistas bem pensantes andarem a condenar as redes sociais, na sua maioria vão estar a tecer elogios a Trump, não teremos de esperar muito tempo, já vimos isso com Ronald Reagan e com George Bush. Resta saber se a escolha de Trump tem o efeito de pandemia ou de vacina, se for uma vacina para escolhas futuras teremos de lhe agradecer.


Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, o Trump de Massamá

Seria melhor se Passos assumisse as suas posições em vez de andar armado em trump, a mentir dezoito vezes por dia. O teórico da  austeridade pura e dura, o mais fiel apoiante do ministro alemão, oa maior opositor a qualquer ajuda vinda do BCE, o defensor do sacrifício puro e duro, vem agora dizer o contrário do que defendeu.

«Pedro Passos Coelho não concorda com o rumo que António Costa deu ao país, com o Orçamento de Estado para 2017, mas também não quer regressar ao poder a qualquer custo. “Ninguém pode acreditar com sinceridade que eu, que lutei tanto para que o país saísse do atoleiro em que estava, agora esteja interessado em que o país fique no atoleiro... para que eu seja necessário. A última coisa que quero fazer é ir para o Governo gerir resgates do país, isso seria um absurdo. Eu próprio desejo para mim um futuro melhor do que estar a fazer a política, que já tivemos de fazer no passado, em circunstâncias muito difíceis”, disse o ex-primeiro-ministro social-democrata, em entrevista à “Renascença” esta quinta-feira.

O ex-governante confessa que ambiciona vir a ser primeiro-ministro novamente, mas não num registo económico do país ligado à austeridade. “Não tenho nenhuma fixação pelo lugar, devo dizer. Não é por uma questão de currículo, como deve calcular, porque já fui primeiro-ministro e, portanto, não estou à procura do meu currículo”, disse.

Mais: quando abandonou o poder, Passos Coelho diz que “já não era primeiro-ministro da austeridade, era o da recuperação económica do país” e foi por isso que as pessoas lhe “deram a vitória eleitoral”.» [Expresso]

 Sejamos otimistas

O George Bush era bem mais imbecil do que o Trump.

O pior é que Le Pen é bem pior do que Trump e na Europa os poderes de uma primeira-ministra francesa da extrema-direita serão bem maiores do que os de Trump, que será mais condicionado pelos poderes da máquina de Washington e pela finança de Wall Street.

Os prejuízos que a extrema-direita poderão infligir à Europa poderão ser bem mais graves do que aqueles que Trump vai infligir aos EUA. Uma líder de extrema direita inteligente e com poderes efetivo é bem mais perigosa para a Europa do que um presidente americano meio destrambelhado.

O pior pode estar para vir.

      
 Comprou metade da TAP e já parece dono do aeroporto
   
«Acionista da TAP David Neeleman afirmou esta quinta-feira que a falta de espaço no aeroporto de Lisboa condiciona o crescimento da transportadora e apelou ao Governo para resolver rapidamente o problema, sugerindo transferir as 'low cost' para o Montijo.

"Temos de fortalecer o nosso 'hub' [base de operações] de Lisboa. Estou um pouco frustrado com o aeroporto que não está a abrir mais espaço. Nós estamos a crescer mais rápido do que o aeroporto e isso é muito importante para o país", disse o empresário aos jornalistas, após uma intervenção na Web Summit, em Lisboa.

David Neeleman sublinhou que quer abrir mais rotas, "voltar para Toronto e para Montreal (Canadá)", chegar a mais cidades secundárias nos Estados Unidos, no nordeste do Brasil e em África, mas o aeroporto tem de crescer também.» [Expresso]
   
Parecer:

Anda, anda e ainda qer um novo aeroporto em Lisboa para utilização exclusiva da TAP.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Aos poucos vai lá
   
«Se o PSD não subir nas sondagens e ganhar mais voz no Parlamento até 2018, é expectável que apareça uma alternativa à liderança de Pedro Passos Coelho, assume Rui Rio, ex-autarca social-democrata do Porto, em entrevista ao “Diário de Notícias” esta quinta-feira. “Poderá” inclusive ser ele próprio, admite.

Rui Rio diz que na hora de tomar a decisão vão estar muitos fatores em cima da mesa. “Perceber se os apoios que eu possa ter são convictos e se acreditam mesmo em mim. Se as outras alternativas são suficientemente credíveis e robustas para servirem o PSD e o país. Se há espaço para implementar o fundamental das minhas ideias e da minha maneira de ser, que como sabe tendem a ser um pouco disruptivas relativamente à política na sua forma mais tradicional. Se sinto condições para gerar uma dinâmica de mudança e de desenvolvimento em Portugal. E, até, se tenho os inimigos políticos corretos”, explica.» [Expresso]
   
Parecer:

Este Rui Rio anda, anda e é candidato a correr com Passos Coelho, o problema são as sondagens, nem todos têm vocação para camelos e se o PSD não recupera pela frente vai haver muito deserto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Bufalo Trump
   
«O museu Madame Tussauds está fazer uma estátua de Donald Trump para juntar a sua coleção de figuras de cera.

O trabalho estará pronto em janeiro, com os escultores a tentarem apressar o trabalho agora que o magnata foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América, escreve o Mirror.

E para representar o cabelo tão característico do magnata está a usar… pelo de búfalo. Isto porque, explicam os escultores, é mais fácil encontrar pelo branco destes animais do que cabelo humano dessa cor.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Como gosta muito de muros podiam usar arame farpado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se uma lata de tinta cor de laranja.»

 14 anos?
   
«Quase quinze anos depois, o antigo deputado e dirigente do PSD António Preto foi ilibado em tribunal dos crimes de fraude fiscal qualificada e falsificação de documentos. A decisão judicial foi conhecida esta terça-feira, depois de, em 2002, o social-democrata que ficou conhecido por “homem da mala” ter sido acusado de receber 150 mil euros, em dinheiro, de empresários da construção civil para pagar as quotas em atraso que lhe permitiram a eleição como presidente da distrital de Lisboa do PSD. Ao Observador, o advogado e ex-dirigente social democrata fala de “mágoa” mas diz que não ficou surpreendido com a decisão do tribunal porque “sempre soube que quando houvesse julgamento seria absolvido”.

Em 2005, António Preto já tinha sido ilibado das suspeitas de corrupção e tráfico de influências, mas o processo relacionado com a acusação de fraude fiscal e falsificação de documentos arrastou-se durante cerca de 14 anos. O ex-dirigente partidário defende que teve “sempre uma atitude ativa para que o processo fosse mais rápido”, tendo inclusive pedido a separação dos processos. António Preto tentou durante o processo invalidar as escutas e separar o processo de fraude fiscal (por supostamente ter ajudado os empresários em questão a fugir ao pagamento de milhares de euros de IRC) do processo da mala (isto é, do dinheiro que os empresários lhe terão dado em troca).» [Observador]
   
Parecer:

Se isto é justiça vou ali e já volto, toda a gente envolvida nos tribunais devia ter vergonha de ir à rua. São umas das principais causas do nosso subdesenvolvimento, mas quem os ouve julga serem uma espécie de sacerdotes da nação.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»

quinta-feira, novembro 10, 2016

Malditas redes sociais

Há poucos dias o Presidente da República, a propósito da questão das declarações de rendimentos dos administradores da CGD, declarou que tinham acabado as fontes de Belém. Durante os dois mandatos presidenciais "as fontes de Belém" era um truque usado pela Presidência para manipular a informação, sem ter de dar a cara. Fernando Lima assumiu no seu livro ser a famosa "fonte de Belém", acusando O Jumento de ser escrito por um adjunto de Sócrates que tinha por função vigiá-lo e persegui-lo. Isto é, foi um blogue que denunciou durante anos esta manipulação velhaca da opinião pública e Marcelo acaba por lhe dar razão, anunciando o fim desta forma manhosa de fazer política.

Este é um bom exemplo de como a comunicação social promove o jogo sujo, cabendo às redes sociais, assumindo riscos pessoais que os jornalistas pessoais não assumem, a denúncia de práticas que desvirtuam as regras da democracia. A verdade é que Fernando Lima e muitos dos jornalistas que publicaram a se mando nunca foram perseguidos pelas polícias, nunca foram vítimas de bufaria jornalística e desvalorizados, nem deles o Fernando Lima sugeriu que recebessem luvas para escrever.

O bom exemplo da relação dos bem pensantes com as redes sociais foi dado, ontem à noite, por José Miguel Júdice na TVI24. Deu um exemplo do Daily Mail, que exibiu a fotografia dos juízes que votaram a favor da aprovação parlamentar do Brexit e depois concluiu, dantes estes juízes seriam executados, hoje são difamados pelas redes sociais. Isto é, deu-lhe jeito confundir o Dayly Mail com as redes sociais. Aposto que se fosse o CM não teria tido tal coragem!

Na opinião de alguns jornalistas e opinion makers bem pensantes o mal das democracias e, acreditem se quiserem, o aparecimento de Trump, deve-se às redes sociais. Não foram as redes sociais que reduziram o papel dos jornais e televisões ditos "de referência", não foram os bloggers que substituíram os jornalistas. Foram jornais como o CM ou o Sol e televisões como a CMTV que reduziram a quase zero a influência de jornais como o Público ou o Expresso. Foram jornalistas como a Felícia Cabrita que fizeram esquecer os ilustres jornalistas da SIC ou da RTP.

Não foram os bloggers que apelidaram Guterres de picareta falante ou que convenceram muito boa gente de que Sócrates era gay e não foi através das redes sociais que a direita lançou a difamnção, foi o bem pensante PSD, dito social-democrata e do centro, que gastou muitos milhares de euros em outdoors para sugerir que o seu adversário nas eleições era gay.

Não foram as redes sociais que ajudaram Trump ou que conduziram ao Brexit, foram declarações a jornais bem pensantes feitas pelo ministro das Finanças alemão ou o comportamento de Durão Barroso. É esta nova geração de dirigentes partidários sem escrúpulos, que têm por objetivo servir os países durante meia dúzia de anos para enriquecerem depois, que usam o Estado para empregar os seus filhos (como sucedeu com a ida do filho de Barroso para o BdP) que lançaram a descrença na democracia.

Um cidadão que é forçado a emigrar e vê os filhos dos poderosos a subir à custa de cunhas, um cidadão a quem se pedem sacrifícios e a quem se diz que o desemprego é uma oportunidade de procurar uma vida melhor e vê os governantes a lambuzarem-se em luxos, um cidadão que ganha o ordenado mínimo e vê a família presidencial a ganhar centenas de milhares com ações do BPN, um cidadão que perde a sua casa porque o fisco a vendeu por causa de uma dívida de meia dúzia de euros e vê o banqueiro comprar um palácio novo através de uma off shore e sem pagar impostos só pode sentir ódio pelos políticos e estes simbolizam a democracia.

Não são as redes sociais que estão destruindo e inventando os Trump, são os políticos, os empresários, os jornalistas os assessores, os opinion makers corruptos.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
António Domingues, presidente da CGD

A partir do momento em que se tornou óbvio que não se ia escapar à entrega da declaração de rendimentos o presidente da CGD tinha apenas duas soluções, ou entregava a solução ou se demitia. Preferiu ser confrontado com a decisão do TC, arrastando a crise por tempo indeterminado. Não é assim que os bons gestores gerem bancos.

«Doze dias depois do prazo, o Tribunal Constitucional notificou finalmente os administradores da Caixa Geral de Depósitos para que entreguem as declarações de rendimentos, confirmou ao Observador fonte oficial do TC. As notificações seguiram esta quarta-feira de manhã para os 19 administradores, incluindo o presidente António Domingues, após uma decisão tomada na terça-feira numa reunião que se prolongou até ao final do dia. Os administradores da CGD têm, a partir de agora, 30 dias para responder ou renunciar. Caso não façam uma coisa nem outra, o caso segue para o Supremo Tribunal Administrativo e os gestores incorrem na perda de mandato.

O tribunal acabou por decidir em menos de 24 horas o que tinha protelado nos últimos doze dias: a 28 de outubro tinham passado os 60 dias permitidos por lei para os gestores enviarem a declaração. Na terça-feira, os serviços ainda nem tinham, a título oficial, a composição da administração da CGD e os respetivos contactos para fazerem a notificação pessoal — como impõe a lei. Mas tudo se precipitou no final do dia de ontem e foi dada esta manhã luz verde aos serviços para fazerem as notificações. A pressão sobre o Tribunal Constitucional estava a chegar de todos os lados — incluindo o Presidente da República — e, após uma reunião que terminou no final do dia de terça-feira, os juízes conselheiros decidiram avançar para a notificação. Esta manhã, mesmo sem o ofício que a CGD costuma enviar (e não enviou desta vez, com as moradas dos novos gestores), o TC fez o contacto direto com os administradores da CGD, um procedimento diferente do que foi seguido nos últimos anos. Circunstâncias especiais, mereceram um procedimento especial. Contactada pelo Observador, a administração da CGD continua em silêncio.» [Observador]

 Quem votou naquela trampa

Não tenhamos ilusões, se fossem apenas os homens brancos sem formação e mesmo que todos estes eleitores tivesse votado em Trump o candidato republicano não teria chegado a presidente. Votaram muitos mais e nesses muitos mais estão eleitores improváveis. Muito provavelmente Trump terá ganho onde era suposto não ganhar, mas onde era evidente que Hillary iria perder.

Trump ganho nos brancos iletrados, Hillary perdeu nos latinos, nos afro-americanos, nas mulheres, nos brancos esclarecidos e nos jovens, por outras palavras, Hillary ganhou nos europeus e perdeu nos americanos.

Enfim, nada de novo, tal como o Brexit perdeu na Europa e ganhou no Reino Unido, o Cintonxit perdeu na Europa mas ganhou nos Estados Unidos.

 Onde estavam apoiantes do Trump

Até ontem ninguém apoiava Trump, hoje ligo as televisões e vejo sorrisos, os comentadores da SIC notícias que acompanhavam a comunicação de Clinton quase festejavam, José Milhazes quase não escondiam o sorriso de orelha a orelha, um outro dizia que Hillary era da mesma cavalariça que Obama. Enfim, quanto a cavalos estamos conversados.

 Pobre Trump

Vai deixar o seu luxuoso apartamento na Trump Tower, em Nova Iorque, para passar a viver numa modesta residência em Washington, ainda por cima vai ver a esposa sempre acompanhada e presa por uns rapazes espadaúdos.

quarta-feira, novembro 09, 2016

Clintonxit

Perguntaram aos ingleses bem pensantes o que devia fazer o Reino Unido e eles responderam que devia ficar na EU. Perguntaram os políticos sérios o que devia fazer o Reino Unido e eles responderam que devia ficar na EU. Perguntaram à “economia” o que devia fazer o Reino Unido e esta respondeu que devia ficar no Reino Unido. Perguntaram aos cidadãos onde devia ficar o Reino Unido e estes responderam que o queriam fora da EU.

Perguntaram aos políticos sérios do EUA onde se devia votar e estes disseram que o seguro era votar Hillary. Perguntaram aos grandes banqueiros onde se devia votar e estes asseguraram que o melhor seria a estabilidade de Hillary. Perguntaram às grandes multinacionais o que seria melhor para os EUA e estas responderam que seria Hillary. Perguntaram aos americanos quem deveria ser o próximo presidente dos EUA e estes escolheram Trump. Depois do Brexit, veio o Clintonxit.

Se ouvirmos os opinion makers enciclopédicos da nossa modesta praça a culpa é sempre dos mesmos, da horda de ignorantes que são uma praga para a democracia, deles e das redes sociais. Bom era no tempo do restaurador Olex, quando as coisas eram como devia ser, o branco era louro, o preto usava carapinha e os eleitores ignorantes e idiotas ficavam a saber pelos telejornais em quem deviam votar. A classe mais esclarecida informava-se avidamente no Expresso, os pobretanas votavam influenciados pelas televisões que decidiam quem ganharia gerindo o tempo dado a cada um u a forma como exibiam os candidatos.

Eram campanhas certinhas, quem não sabia pensar pensava como aqueles que sabem pensar, o Sousa Tavares, o António Vitorino e muitos outros. Os que sabiam pensar discutiam o futuro como se tudo se resolvesse entre eles. Depois vieram essas malditas redes sociais e fica tudo de pernas para o ar. Em pouco tempo o mundo foi varrido por um Brexit e por um Clintonix, arrisca-se a ter um Merkelix e um Françoisix. Só não aconteceu nada em Portugal porque nem o Arnaldo de Matos, nem o José Manuel Coelho estiveram à altura das circunstâncias.

Não foi só Trump que ganhou, foi também a Hillary que perdeu. Hillary tentou falar para os pobres mas os pobres democratas marginalizados pela globalização desconfiaram de quem recebia 250.000 dólares para dizer meia hora de baboseiras a reuniões de banqueiros. Hillary falou para as mulheres mas estas não se reviram na ambição de uma candidata que se sujeitou ao que muitas americanas não se sujeitariam. Hillary falou para os emigrantes e para os negros mas estes desconfiaram desta paixão recente.

A América não se limitou a escolher Trump, também rejeitou a Hillary, os eleitores de Sanders nõ a aceitaram, os mais prejudicados pela globalização não lhe ouviram medidas, os emigrantes não sentiram segurança. Trump ganhou onde seria normal e onde ninguém acreditava que poderia ganhar, fazendo lembrar as eleições que a AD ganhou com Sá Carneiro, quando Freitas do Amaral, hoje um convertido, se gabou de que a direita tinha ganho nos bairros da lata. Foi aí que Trump também ganhou.




 Jumento do Dia

   
Mariana Mortágua, deputada do BE

Imagine-se que a Itália, um país cuja dívida soberana está ao nível da portuguesa se comparada com o PIB, pedisse a renegociação da sua dívida, pedido um perdão parcial da mesma. Nesse dia o mercado financeiro entrava em rotura.

Portugal não é propriamente um dos países mais pobres do mundo e uma boa parte da sua dívida resultou em grandes investimentos na sua modernização. Deve agora rentabilizar o que investiu e gerir as contas públicas de forma a não agravar a sua situação.

Todavia, faz sentido questionar como é que no quadro de soluções europeias seria possível reduzir o custo do serviço da dívida. Mas é uma ilusão pensar que um corte da dívida serviria para aumentar o défice, gerando nova dívida.

«O orçamento de Estado para 2017 “não é inimigo do investimento público”, mas também não é um OE de retoma do investimento público. É um Orçamento “progressista” e “insatisfatório”. “Não é possível ter um Orçamento que tenha níveis satisfatórios de investimento público ao mesmo tempo que se cumpre as regras do défice impostas do Bruxelas e que se gasta oito milhões de euros a pagar só juros da dívida pública”, defende Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, em entrevista ao “Jornal de Notícias” esta terça-feira.

Segundo a deputada, para inverter a tendência de crescimento da dívida publica seria preciso um OE que não estivesse espartilhado pelo tratado orçamental. “É preciso reconhecer que o pagamento desses juros [da dívida pública] é um constrangimento ao crescimento do país”, diz.» [Expresso]


 Entreguem a declaração porra!

Todo este debate em torno das declarações de rendimento é inútil, ninguém de bom senso se deixaria corromper deixando transparecer o enriquecimento no seu património. Além disso, se um gestor público for acusado de corrupção os investigadores depressa conseguem saber quanto foi a acréscimo de património registado.

Portanto, as declarações não servem para mais nada a não ser o CM e o Sol escreverem artigos para matar a curiosidade de algumas pessoas sobre o património alheio.

Mas mesmo perante uma lei idiota os administradores da CGD já deviam ter percebido que ou entregam a tal declaração ou se demitem. Porque se  a lei é inútil o braço de ferro entre gestores que acham que são tão competentes que o país devem aceitar todas as suas condições é uma manifestação de imbecilidade.

 Deus nos livre deles


      
 O Jumento já o disse aqui
   
«Era escusado". Vital Moreira não gostou de ver o Presidente da República pronunciar-se, em comunicado oficial, sobre aquela que considera dever ser a interpretação do Tribunal Constitucional no que respeita aos gestores da Caixa Geral de Depósito estarem ou não obrigados a apresentar a sua declaração de rendimentos.

Num post colocado no sábado no seu blogue "Causa Nossa", significativamente intitulado "Ultra vires" (uma expressão do latim que quer dizer "para lá dos seus poderes"), o constitucionalista afirma que "nas funções do Presidente não cabe intervir publicamente e emitir parecer, feito jurisconsulto oficioso (por melhores que sejam os argumentos) sobre a interpretação da questão legal, cuja decisão cabe ao Tribunal Constitucional". E conclui mesmo: "Há o princípio da separação dos poderes".» [Expresso]
   
Parecer:

É evidente que neste caso Marcelo ultrapassou tudo, fez a festa, deitou os foguetes e apanhou as canas, mas pior do que isso, armou-se em juiz dos juízes, dizendo-lhes como devem interpretar e aplicar uma lei, em suma, violou de forma grosseira e inaceitável um princípio que lhe cabe defender, a separação de poderes.

O Jumento já tinha feito essa crítica AQUI:

 O professor de direito, o comentador e o Presidente

O professor ensina direito, fala de leis sem o receio de condicionar cidadãos ou magistrados. O comentador opina, podendo fazê-lo em função de valores éticos, políticos ou morais, pode condicionar, criticar ou apoiar as decisões de terceiros, sejam políticos ou magistrados. O Presidente tece considerações políticas, mas não chama a si o papel de interpretação de leis cuja aplicação não lhe cabe velar, ao opinar sobre a aplicação de uma lei cuja aplicabilidade deve ser avaliada por um tribunal o Presidente está excedendo as suas competências, pode dizer-se que está violando o princípio da separação de poderes.

Cabe ao Presidente velar pela aplicação da Constituição e pode opinar sobre a constitucionalidade das leis que lhe são submetidas. Já no caso dos administradores da CGD terão de responder perante o Tribunal Constitucional, é a este que cabe interpretar a lei e não ao Presidente. Todas as leis, desde aquelas que agora se questionam até ao Código da Estrada envolvem princípios contsitucionais e se Marcelo se vai dedicar a dizer sobe tudo e mais alguma coisa o que é ou não legal, o melhor será fechar os tribunais e passar a levar os réus ao Presidente, como ele tem poderes e sabe muito de direito, resolve-se tudo em Belém.

   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 Comam castanhas
   
«Por estes dias é difícil resistir ao cheiro das “quentinhas e boas” que se vai espalhando pelas ruas, um pouco por todo o país. Há quem as prefira assadas, outros gostam delas cozidas com erva doce e há ainda quem as coma como acompanhamento de pratos, em sopas ou sobremesas. Se é um destes apaixonados por castanhas, não se acanhe. Em vésperas de São Martinho, a Direção-Geral de Saúde (DGS) assegura que são um “verdadeiro tesouro do ponto de vista nutricional”, destacando os benefícios do consumo deste fruto.

Composta maioritariamente por hidratos de carbono, as castanhas contêm polissacarídeos que permitem o desenvolvimento da flora intestinal, e também fibras que estimulam a presença de bactérias probióticas benéficas no intestino, contribuindo para a regulação dos níveis de colesterol e da resposta de insulina.

As castanhas são ainda uma boa fonte de nutrientes, tais como vitaminas (C, B6 e ácido fólico), minerais (cálcio, ferro, magnésio, potássio, fósforo, zinco, cobre, manganésio e selénio) e diferentes fitoquímicos, nomeadamente, luteína e zeaxantina, e diversos compostos fenólicos que são importantes antioxidantes e protetores celulares.

Quando comparada com frutos secos, a castanha apresenta menor teor calórico, uma vez que é pobre em gordura (e a gordura que contém é essencialmente polinsaturada) e não contém colesterol.”
Dez castanhas assadas, com aproximadamente 84 gramas, têm 206 calorias e apenas dois gramas de gordura e 8,9 gramas de açúcares, “mas 17% da quantidade de fibra necessária diariamente” e “ainda 36% das quantidades necessárias de vitamina C, 21% de vitamina B6 e 15% de ácido fólico”, detalha a DGS, rematando que, por não terem glúten, são também uma “fonte de energia de qualidade para os doentes celíacos”, refere a DGS.» [Observador]

 Os Toblerone encolheram por causa do Brexit
   
«Não foi uma grande mudança, mas foi o suficiente para irritar os consumidores britânicos. O chocolate Toblerone vendido no Reino Unido tem agora um espaço maior entre os triângulos e pesa menos, uma mudança que está a ser duramente criticada pelos clientes.

Na prática, os pacotes de chocolate suíço estão mais leves. O pacote de 400 gramas passou para 360 gramas e o de 170 gramas pesa agora 150 gramas. No entanto, nem o preço nem o tamanho da embalagem diminuíram, o que quer dizer que há mais espaço entre os triângulos de chocolate, que são a imagem de marca do Toblerone.

A alteração feita pela empresa Mondelez International, que produz as marcas Toblerone e Cadbury, deveu-se a uma necessidade de reduzir os custos.» [DN]
   
Parecer:

O mundo está doido e já chove como na rua.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

terça-feira, novembro 08, 2016

A extrema-direita envergonhada

Em Portugal toda a gente pode apelidar o BE ou o PCP de extrema-esquerda como se estivesse dizendo a coisa mais natural do mundo, pior, acham mesmo que os portugueses podem votar nestes partidos mas, de preferência em número reduzido. Mesmo assim, se por quaisquer circunstâncias esses partidos puderem apoiar um governo mesmo que não participem nele, a direita acha legítimo que um presidente coloque condições que não coloca a outros governos, até pedem ajuda internacional para que o país seja boicotado.

Mas quando chega a hora de apelidar a direita de extrema-direita é o "ai Jesus", ficam todos indignados, uns, como o Morgado ou o Leitão, são social-democratas desde e para sempre, o Paulo portas e a Ascenção são democratas-cristãos, não, não são nem nazis, nem fascistas nem nada parecido. Podem achar legítimo um governo perseguir os idosos apelidando-os de peste grisalha, considerar que os funcionários públicos são um mal para a sociedade por serem despesa, podem fazer tudo por uma linha, mas não são da extrema-direita.

Imagine-se que a deputada Mortágua em resposta ao aumento do IVA nos produtos alimentares ou na electricidade, decidido pelo último governo tivesse ameaçado a direita com um imposto especial sobre as associações patronais ou sobre os dividendos, como vingança contra uma decisão parlamentar. Ninguém se preocuparia muito, seria mais uma loucura bloquista, mais um gesto habitual na extrema-esquerda. Mas quando a líder do CDS fez a mesma coisa em relação ao imposto sobre o património ninguém parece ter reparado que estávamos perante uma política da extrema-direita.

Começa a ser tempo de chamar os nomes pelos bois, a política seguida por Passos Coelho nem foi a que estava no memorando, nem aqueilo a que ele designou por ir além da troika resultou de algum impulso social-democrata. Enganar os portugueses com um desvio colossal, impor um corte de vencimentos dizendo que era por um ano e, passados quatro anos,  dizer que era uma reforma para ficar é ser da extrema-direita, os democratas, de direita ou de esquerda, respeitam a democracia e os cidadãos, não usam truques para os enganar.

Esta direita de Passos Coelho e de Assunção Cristas nada tem que ver com a direita de Sá Carneiro, de Magalhães Mota, de Manuela Ferreira Leite, de Pires de Lima, de Mota Pinto. Olhar para a primeira fila do grupo parlamentar dos dias de hoje, com Passos ao centro, o Leitão Amaro de um lado e o Morgado ou o Abreu Amorim do outro, faz sentir saudades de um PPD com Sá Carneiro, Sousa Franco e Magalhães Mota. e se fizermos a mesma comparação no CDS a diferença ainda é mais brutal.

Esta nova direita é uma extrema-direita chique, uma extrema direita que forjou projetos entre shots em discotecas muito in, afirmando-se valores democráticos em público, ao mesmo tempo que se elogiavam as virtudes de Salazar em privado. Hoje não há qualquer diferença entre o CDS e o PSD, ambos fazem parte de uma extrema-direita chique, que se disfarça atrás de valores ideológicos que não são seus.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Paulo Vaz, DG da Associação Têxtil e Vestuário de Potugal

Este desconhecido líder de uma associação empresarial tem uma forma orignala de fzer contas. Sem ter dado qualquer contrapartida aos trabalhadores, o governo eliminou vários feriados, isto é, obrigou os trabalhadores a dar trabalho escravo à empresas, trabalho sem qualquer remuneração. Este líder empresarial devia estar grato e de forma humilde agradecer aos trabalhadores, ests deram muito dinheiro aos patrões.

Mas não, o senhor deu a escravatura como valor adquirido e agora em vez de dizer o que ganhou garças ao trabalho alheiro, fala em perdas porque deixou de beneficiar de trabalho escravo. Enfim, até parece o dono de um navio negreiro a queixar-se do fim do negócio.

«Nos têxteis, outro dos grandes exportadores, também se medem custos. Paulo Vaz, diretor-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), calcula em 200 milhões de euros as perdas com o regresso dos feriados do Corpo de Deus, do 5 de Outubro, de 1 de novembro e 1 de dezembro.» [DN]

 Passos Sumite

Depois do Web Summit, do Surf Summite, do Night Summit, resta o Passos Sumite.

 Porque não sou doutor...



Os currículos servem, em princípio, par dar conta das nossas habilitações e aptidões. Pelo menos era assim, parece que agora também servem para explicar porque não somos aquilo que não somos. É o que se conclui da leitura da Nota Curricular de um adjunto da ministra do Mar. O homem  explica que não é sotôr porque, tendo-se inscrito na Universidade Lusófona de Lisboa, acabou por não a frequentar devido à sua intensa atividade profissional.

A partir de agora vamos saber que uns adjuntos não são pilotos aviadores porque ficaram almariados nos testes físicos ou que não médicos porque se matricularam em engenharia. Enfim, esta mania nacional do sotôr leva a anedotas destas. Agora temos os que são, os que nõ são mas dizem que são o que não são e os que dizem que não são porque, por qualquer motivo não chegaram a ser apesar de o poderem ter sido. Enfim, anda tudo parvo!

      
  Ridículo
   
«Pedro Passos Coelho questionou esta segunda-feira se o primeiro-ministro terá assumido compromissos perante os administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que o impedem agora de lhes impor a entrega das respetivas declarações de rendimentos.

"Não foi o Governo e o primeiro-ministro que escolheu esta administração? Não é o Governo e o primeiro-ministro que estão a dizer que é preciso cumprir a lei? Então, do que estão à espera senão dar indicações aos administradores de que têm de apresentar a respetiva declaração de rendimentos. Não percebo porque é que não dizem isso", declarou o líder do PSD.

Passos falava aos jornalistas à margem de uma reunião com a direção da Confederação do Turismo Português (CTP), em Lisboa, após questionado sobre a posição assumida pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares Pedro Nuno Santos, em entrevista publicada esta segunda-feira no "DN", no sentido de que os administradores da CGD estão sujeitos à obrigação legal de entregar as declarações de rendimentos junto do Tribunal Constitucional.» [Expresso]
   
Parecer:

Ver um líder da direita, grande defensor da gestão privada, agarrar-se de forma desesperada a uma caca de um declaração de rendimentos par tentar subir desesperadamente nas sondagens é de ir às lágrimas e ao vómito.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Adquiram-se sacos de plástico.»
  
 Pobre Albuquerque
   
«O processo que apontava a prática de crimes de injúria e difamação por parte de António Albuquerque, marido da ex-ministra das Finanças do Governo de Pedro Passos Coelho, no caso das ameaças, por SMS, a Filipe Alves em 2014, na altura jornalista do Diário Económico, vai ficar concluído com um pedido de desculpas e o pagamento de uma indemnização de três mil euros.

A notícia é avançada pelo Observador, que apurou que o acordo entre ambos foi fechado esta segunda-feira. O PÚBLICO tentou contactar Filipe Alves, actual director adjunto do Jornal Económico, mas ainda não teve sucesso.

De acordo com o Observador, metade do valor da indemnização será para o jornalista alvo das ameaças e a outra metade será entregue à Casa da Praia, uma instituição de solidariedade social.

O caso remonta a 2014, altura em que o então jornalista do Diário Económico assina um texto de opinião, com o título O que acontece se o Novo Banco for vendido com prejuízo?, em que expressava dúvidas sobre a forma escolhida pelo Governo e pelo Banco de Portugal para resgatar o Banco Espírito Santo. António Albuquerque, que havia trabalhado na direcção do Diário Económico até ao ano anterior, tendo, por isso, sido colega de Filipe Alves, enviou-lhe várias mensagens por telemóvel. Algumas com ameaças: "Tira a minha mulher da equação ou vou-te aos cornos", ou "Tu não sabes quem eu sou. Metes a minha mulher ao barulho e podes ir parar ao hospital”.» [Público]
   
Parecer:

Há muito tempo que não se fala deste artista, ainda será marido?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pague-se.»

 O indicador de sucesso da política do exilado
   
«A Comissão Europeia considera que a competitividade de Portugal está em risco caso a “fuga de cérebros” para o exterior, que se registou nos últimos anos, não seja compensada “por fluxos de pessoas com qualificações equivalentes”.

No Monitor da Educação e Formação 2016, divulgado nesta segunda-feira, a Comissão Europeia refere que entre 2001 e 2011 houve um aumento de 87,5% na percentagem de portugueses com um diploma universitário que abandonaram o país. O pico desta debandada registou-se entre 2012 e 2014, em plena crise económica. Nesses dois anos, saíram do país 40 mil portugueses altamente qualificados, diz o relatório.

Portugal tornou-se assim num dos países europeus com a taxa mais elevada de pessoas altamente qualificadas que emigraram: entre 2011 e 2014, foi de 63,1% a percentagem de cidadãos portugueses nesta condição registados como residentes noutros países europeus.» [Público]
   
Parecer:

A política de Passos foi um crime contra o país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Denuncie-se.»

 Acabara-se as famosas "fontes de Belém"
   
«O Presidente da República afirmou esta segunda-feira, a propósito da polémica sobre as declarações de rendimentos da administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que “ninguém fala” em seu nome e defendeu que foi “claro” sobre o assunto.

Eu desde o início do mandato tenho adotado uma posição que é: não há porta-vozes meus, não há fontes de Belém, a única fonte de Belém sou eu, é o Presidente. E o Presidente, quando entende que deve falar, fala claro, não fala mais ou menos, não fala assim-assim. Podem as pessoas gostar ou não gostar, mas diz exatamente o que entende que deve dizer”, declarou.

Marcelo Rebelo de Sousa, que falava durante uma visita ao bairro da Cova da Moura, na Amadora, remeteu todas as questões sobre esta polémica para a nota que divulgou na sexta-feira: “Eu disse tudo o que queria dizer, ponto por ponto, bem explicadinho, para se perceber, e não tenho mais nada a acrescentar”.» [Observador]
   
Parecer:

As fontes de Belém, que mais não eram do que um tal Fernando Lima, foram uma constante na comunicação social durante os mandatos de Cavaco. Mais do que informação a notícia que tinha por base as "fontes de Belém" era jogadas de manipulação. Desde que Marcelo chegou a Belém que cheira melhor no Palácio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

segunda-feira, novembro 07, 2016

Desorientação

A direita portuguesa, tão conservador nos seus princípios, não esconde a saudade que tem da postura passada do PCP e do BE. O primeiro momento de total estupefação foi a formação da Geringonça, na altura puseram o seu homem de mão em Belém a fazer exigências ridículas, questionaram a solidez do acordo, como se o voto dos deputados não contasse, exigiram um acordo estável para mais do que um ano, enfim, tentaram pressionar a esquerda ao máximo, na esperança de criar roturas.

Formado o governo da geringonça a direita lá fez o frete de deixar passar meio ano, até que chegasse a discussão do OE para 2017. A tese dos seus intelectuais era a de que o acordo não garantia a aprovação do OE e daí resultar o fim de uma coligação presa por arames. Uma divisão na esquerda devolveria o país à normalidade.

Par a direita o normal é que as contas parlamentares sejam feitas apenas com 80% dos deputados, no pressuposto de que o ódio do BE e do PCP ao PS é superior a tudo, uma direita sociologicamente minoritária só tem de ultrapassar o PS em deputados. De certa forma tinham razão, a divisão ideológica da esquerda tem um século e o cisma criados com a criação da corrente social-democrata do movimento marxista e mais tarde com o leninismo, levou a que para os movimentos comunistas o grande inimigo nem sempre fosse a direita.

O primeiro partido a dar um passo num sentido diferente foi o PCP, que o comentar os resultados eleitorais das eleições de 2015 acabaram com um dogma que perdurava há mais de um século. A direita não percebeu essa mudança e começa agora a dar sinais de desorientação, começou com apelos ridículos ao regresso de Mário Nogueira ou aos movimentos grevistas da CGTP, agora tenta questionar as opções do BE, como se o que fosse natural seria o apoio deste partido à direita.

A verdade é que durante os governos do PS a maior parte da despesa da oposição foi assumida pelo BE e pelo PCP, foram estes partidos que conduziram os professores contra o governo, que promoveram a maior parte das manifestações, que organizaram muitos dos protestos, que estiveram nas famosas esperas a governantes e mesmo no parlamento os momentos mais altos da oposição nos debates do parlamento foram protagonizados por deputados destes partidos.


A direita nunca teve de se esforçar muito e até inventou a tese de que são os governos que caem. Não admira que não tenha programa, que não apresente um projeto. Em vez de o fazerem, apelam ao PCP e ao BE, à tal extrema-esquerda execrável, que os ajude a regressar ao poder. Pobre direita, pobre Passos, pobre Assunção, reconhecem a sua incompetência da forma menos digna para uma direita cada vez mais pobre de valores e de dignidade.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Jorge Machado, deputado do PCP

Parece que o deputado do PCP tem saudades dos tempos do SUV e escolheu a GNR, uma força militar, para testar um modelo de democracia popular, criando um delegado do pessoal que mais não será do que um poder paralelo à hierarquia. Parecido com isto na história das forças militares e militarizadas só mesmo os delegados do PCUS nos tempos do Exército vermelho.

Parece que o PCP quer andar um bocadinho depressa demais e para que não tenhamos de aturar Passos Coelho no poder exige uma mini revolução com os seus menos de 10% dos votos.

«O PCP continua a aproveitar o "novo quadro político e com uma distinta correlação de forças" para avançar nova proposta no sentido de civilizar as forças de segurança, agora centrada na criação da figura do "delegado associativo" na GNR.

O deputado Jorge Machado explicou ao DN que os comunistas pretendem "alargar e aprofundar a democracia interna da GNR", ao permitir que os "militares associados" possam eleger os respetivos delegados nas unidades e subunidades daquela força de segurança.

Esta proposta de projeto-lei, que foi entregue esta sexta-feira na Assembleia da República "após vários anos de luta", estabelece que a eleição desses delegados associativos se faça "em função da dimensão das unidades" e para "reforçar os direitos democráticos dentro da GNR", insistiu o primeiro dos 11 subscritores do documento.» [DN]

 O Bloco já não é o que era
   
«"Nós queremos mais mas não faremos alianças pontuais com a direita, que só servem o interesse da direita de chegar mais depressa ao governo e a esperar que o Diabo chegue. O Diabo são eles próprios, enfim, não fazemos alianças com o Diabo, nunca o fizemos aliás", explicou Catarina Martins, em Braga, numa sessão com cerca de 70 pessoas sobre o Orçamento do Estado (OE),aprovado sexta-feira na generalidade como voto favorável do Bloco de Esquerda, PS, PCP e PEV.

Sobre a discussão na especialidade do OE, a porta-voz do Bloco explicou que o partido irá dar contributos para melhorar o documento: "O Bloco de Esquerda vai fazer propostas de alteração na especialidade, sim, mas não fará propostas que deitam abaixo o Orçamento do Estado", assegurou.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Compreende-se a desilusão da direita com o BE a as sucessivas críticas ao seu apoio ao governo, como se o normal fosse o BE ajudar a direita a chegar ao poder.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Montenegro mexe-se



Passos Coelho pediu à oposição interna do PSD que se mexesse, mas o mais curioso é que quem mais se começou a mexer com esse desafio de Passos e com a queda do partido nas sondagens foram as personalidades próxima do exilado. Uns foram-se embora, Montenegro mexe-se para dar nas vistas na comunicação social.

Depois de Marques Mendes e de Maria Luís Albuquerque teremos mais um putativo candidato ao lugar do pobre Passos Coelho?

      
 Má comunicação nos serviços de saúde?
   
«O que é que não se deve dizer a um doente zangado? “Acalme-se”, exemplifica Irene Carvalho, a presidente da recém-criada Sociedade Portuguesa de Comunicação Clínica em Cuidados de Saúde (SP3CS), que destaca a importância da empatia e da humanização na medicina e em todas as profissões que implicam contacto com doentes.

Socorrendo-se da experiência e de estudos feitos nos Estados Unidos — onde estas questões merecem grande atenção —, Irene Carvalho sustenta que as queixas por falhas na comunicação médico-paciente são muito mais frequentes do que as reclamações devidas a incompetência técnica. “A maior parte das queixas têm que ver com problemas de comunicação”, corrobora o enfermeiro Carlos Sequeira, que acaba de lançar o livro Comunicação clínica e relação de ajuda.

Saber interagir com doentes em situações complicadas e saber como dar más notícias não implica apenas ter  intuição e bom senso.  Há “competências básicas” que devem  ser ensinadas aos profissionais de saúde, actualmente muito pressionados pela falta de tempo, defende Irene Carvalho que criou a nova sociedade científica em conjunto com outros profissionais (médicos, enfermeiros, farmacêuticos, terapeutas, entre outros).» [Público]
   
Parecer:

A minha experiência é que a tendência é para não haver qualquer comunicação, é-se internado e tr~es meses depois ninguém lhe diz o que teve, não apareceu nenhum médico por perto e os enfermeiros dizem que nada podem dizer. os doentes só falam com os auxiliares.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Estude-se bem o que se passa nos serviços de saúde.»
  
 A Passos de saias pode ser candidata a Lisboa
   
«Nesta entrevista à TSF e Diário de Notícias, Luís Montenegro admite que o PSD espera que Santana Lopes seja o candidato a Lisboa, mas Maria Luís Albuquerque seria também uma boa candidata. Já sobre uma candidatura de Rui Rio à liderança no PSD, Luís Montenegro encara a hipótese com naturalidade.» [Expresso]
   
Parecer:

Seria interessante testar a sua popularidade e saber se sabe dizer alguma coisa além de banalidades sobre economia. Também seria interessante ver uma putativa candidata a líder do PSD defrontar a líder do CDS.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se a candidatura.»