sábado, dezembro 17, 2016

Cobardia política



A candidatura da direita cristã ultra conservadora à autarquia de Lisboa não é a candidatura de alguém com especial vocação para a gestão, com currículo e com consenso à direita, antes pelo contrário, é a candidatura de alguém vazia, que lidera um partido confessional e que se comporta como uma freirinha militantes e que se candidata a pensar apenas na sua projecção político, com o objectivo de se afirmar face ao seu antecessor na liderança do CDS e de rasteirar o seu antigo parceiro de coligação governamental.

Pela personalidade da candidata, pelos seus objectivos políticos e pela forma como lançou a sua candidatura, Assunção Cristas era a última personalidade do CDS a ser apoiada pelo PSD. Seja qual for o resultado das próximas eleições, Assunção Cristas vencerá e Passos Coelho será o único e grande derrotado, mas, pior do que isso, esta candidatura destrói a imagem do PSD como partido mais à esquerda e com dimensão autárquica. Na capital aquele que historicamente é o maior partido autárquico desiste de um projecto nacional em favor de uma candidatura de um partido quase marginal. É como se o PS apoiasse uma candidatura do Arnaldo Matos.

Passos Coelho não apoiará a candidatura de Cristas pensando na vitória, porque acredita num projecto autárquico que pouco mais é do que umas missas na Sé ou pelas qualidades da candidata. Se apoiar Cristas é porque o líder do PSD não tem qualquer projecto para Lisboa, como não tem para muitas grandes cidades do país, porque quer desvalorizar as eleições autárquicas e, mais do que tudo, por pura cobardia política.

O grande vencedor das legislativas, o político audacioso que vergou Portas e Cavaco, o homem resiliente, o salvador da pátria, o líder sem alternativa na liderança do seu partido tem medo de se candidatar a Lisboa. Sabe que há uma grande probabilidade de perder as autárquicas e opta por desvalorizar estas eleições e não ir a jogo. Qual é a imagem de referência das candidaturas autárquicas do PSD, não é Lisboa nem o Porto, não é Sintra nem Oeiras, não é Loures nem Aveiro. O PSD de Passos não concorre nestas eleições, passa.

Com esta opção Passos revela-se um político sem a coragem de pedir aos portugueses que o apoiem, que demonstrem confiança nele votando num projecto autárquico por si liderado. Em vez disso esconde-se, não apresenta qualquer projecto autárquico, da mesma forma que não tem ideias para o país, fica emboscado à espera que o diabo o ajude, que os reis magos seja a segunda versão da troika ou que algum raio caia em cima de António Costa e de Marcelo rebelo de Sousa.


Passos está perdido na sua estratégia, o partido só acredita nele em público e se engodado com um prato de lombo assado, em privado todos lhe rogam pragas, os independentes fogem dele como da sarna e até os mais liberais do Observador já o dão por acabado. Passos Coelho tem medo das autárquicas e esse medo é tanto que prefere esconder-se atrás da Assunção Cristas, é a cobardia política em todo o seu esplendor.
  

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Maria Luís Albuquerque

Como vão longe os tempos em que o ministro das Finanças arregimentava funcionários para ensaiar seminários em que a a oradora era a Maria Luís. Agora que passou a modesta funcionária da Arrows até Marcelo lhe bate.

«O PSD critica, o Presidente defende. Maria Luís Albuquerque critica, Marcelo Rebelo de Sousa defende. Esta tem sido uma dinâmica recorrente na política nacional desde que António Costa chegou ao poder, gerando várias quezílias momentâneas entre a direita e o Presidente da República.

Na quinta-feira, a ex-ministra das Finanças, em entrevista ao “Jornal de Negócios”, acusou o Governo de não estar “de todo” a resolver os problemas do sistema financeiro. “Aquilo a que estamos a assistir no sistema financeiro é um enorme ruído, uma enorme instabilidade”, disse.

Ainda no mesmo dia, Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações à “TSF” durante uma visita às novas instalações do Grupo Global Media, veio deitar água por cima da poeira levantada por Maria Luís Albuquerque. “Há que reconhecer o mérito do Governo e dos agentes, em particular o Banco de Portugal, que tiveram de equacionar tudo ao mesmo tempo”, reiterou.» [Expresso]

 Dúvidas que me atormentam

Será mesmo verdade que até ao momento José Sócrates, cujo nome é o mais ouvido nas notícias da operação O- , ainda não foi constituído arguido? Por este andar ainda vamos ter na Operação Marquês uma secção para os condes laranjas pois este Lalanda está em todos os negócios de gente ligada ao PSD, ainda que ninguém repare nisso.

Não deixa de ser divertido ter visto do Dr. Macedo mandando postas de pescada sobre corrupção num seminário organizado na Gulbenkian, e agora sabermos das acusações que são feitas a um dos homens fortes da saúde durante o seu mandato.

Compreende-se que o Lobo Xavier, na Quadratura do Círculo tenha esquecido os envolvimentos políticos, optando por tratar o Dr. Cunha Ribeiro por mero funcionário público. Enfim, os funcionários públicos têm as costas largas e o Lobo Xavier até está dispensado de lhes fazer elogios para compensar a difamação subtil e oportunista. Lamentavelmente os sues colegas na Quadratura do Círculo concordaram tacitamente com esta manobra manhosa de separar a equipa de Paulo Macedo de um dos seus mais destacados membros.

 Passos não olha às sondagens

Isto é, Passos tinha conhecimento das sondagens que iam ser publicadas hoje e antecipou-se para preparar os seus para más notícias. O problema é que o Rui Rio olha às sondagens que Passos faz de conta que não vê.

 Coisas estranhas

O PSD preocupou-se muito em montar concursos para as chefias do Estado, onde os seus simpatizantes ganharam quase todos os cargos, ao mesmo tempo que mantinha o monopólio do plasma, nada fazendo para acabar com ele. Boa Macedo! Aliás, o Paulo macedo não só manteve o monopólio como ainda lhe mandou pagar uns bónus.



      
 RAP e os mariconços
   
«Urge criar um movimento para a recuperação de termos tão lindos como "escarumba", "judiaria" e "ciganagem". Sobretudo num país em que quem ande na rua - experiência que recomendo a RAP - sabe que expressões discriminatórias continuam a ser descomplexadamente utilizadas para "gozar" com pessoas concretas.
PUB

Pára tudo. Ricardo Araújo Pereira disse, em entrevista ao i, que um seu antigo sketch em que referia pessoas como "o coxo, o marreco e o mariconço" hoje "seria impossível". Saiu uma lei a proibir estas palavras? Há pessoas espancadas por proferi-las? Ameaças de morte? Não. Há, explica RAP, "um ambiente cultural".

Espera aí, mas o sketch em causa não é uma crítica a esses termos, contribuindo para a censura social e cultural do seu uso? É o seu autor, aliás justamente conhecido pelo ativismo na luta contra as discriminações, que agora se queixa de que referir assim pessoas pode ser malvisto?

Se estão confusos vão ficar mais. Porque os ambientes culturais não impedem de fazer coisas; podem é levar a pensar duas vezes. Ora RAP não acha que um sketch assim já não faz sentido; teme as consequências de más interpretações - ou seja, tem medo. De quê? Das redes sociais que, diz, "ladram". E então? Não é ele a declarar que "o mundo em que gostava de viver é aquele em que se as pessoas se sentem ofendidas por uma declaração podem ofender o autor desta"? É, mas: "Grupos de pessoas, umas organizadas e outras fruto da dinâmica das redes sociais, conseguem resultados inadmissíveis. Tenho assistido a coisas, felizmente mais no estrangeiro, que levam gente a perder o emprego." OK: RAP teme que deixem de lhe dar trabalho. É compreensível. Mas este é o homem que repete "as palavras não são atos". Dizer que alguém devia ser despedido não é despedi-lo, certo? "São só palavras." Ou afinal as palavras são ações e têm consequências, e RAP só vê isso se a palavra for usada para tentar que alguém perca o trabalho?

Por contraditória e tola que seja, porém, esta campanha de RAP está a resultar. As redes "latem" que os humoristas estão a ser perseguidos e que há quem queira "proibir" - já li "criminalizar"- certas palavras. Eh pá, urge criar um movimento para a recuperação de termos tão lindos como "escarumba", "judiaria" e "ciganagem". Sobretudo num país em que quem ande na rua - experiência que recomendo a RAP - sabe que expressões discriminatórias continuam, incluindo nas escolas onde é ídolo, a ser descomplexadamente utilizadas para "gozar" com pessoas concretas. Um país onde aquilo que tanto o apavora - o PC (politicamente correto) - nunca foi sequer entendido, quanto mais praticado.

Se há, nos países anglo-saxónicos, episódios estúpidos e preocupantes associados ao PC? Há. E devem ser denunciados e combatidos. Mas fazer de conta que se passam cá e acusar de ameaça à liberdade de expressão quem aqui pugna por um tratamento digno e igualitário, lutando contra vitimizações seculares simbolizadas em expressões criadas para ofender e humilhar, como "mariconço", serve exatamente para quê? Qualquer que seja a intenção, resulta no reforço das marcas da dominação e do bullying, em fazer "giro" e "livre" perseguir os perseguidos, massacrar os massacrados. Obrigadinha, RAP, mas para isso já tínhamos a direita trumpista.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.

      
 E Passos afunda-se, afunda-se...
   
«PS e PSD estão separado por oito pontos nas intenções de voto, de acordo com um estudo de opinião da Eurosondagem feito para o Expresso e a SIC. Os socialistas reforçaram a liderança que traziam do último estudo e recolhem agora 38% das intenções de voto. Entre os partidos que apoiam o Governo na Assembleia da República, o caso é ligeiramente diferente: tanto o BE como a CDU perdem pontos.

Num mês, as contas fazem-se assim:

  • O PS subiu 1% em relação ao resultado de novembro (e está com os tais 38%);
  • O PSD cai 0,4 pontos (para os 30%);
  • O BE perde 0,6% ( surge com 9,1% das intenções);
  • E a CDU perde um pouco mais, com uma descida de 0,5% (para os 7,7%);
  • Ainda que no fundo da tabela, CDS e PAN acompanhar a onda positiva do Governo e recolhem respetivamente, mais 0,2 e 0,5% das intenções de voto — fossem agora as eleições e os partidos obteriam 6,8 e 1,6%.

Isto significa que PSD e CDS — que, em 2015, concorreram juntos, sob a sigla da coligação Portugal à Frente, obtendo 36,86% dos votos — estão sensivelmente ao mesmo nível do resultado que obtiveram nas últimas legislativas. Têm 36,8% das intenções, nesta sondagem para o Expresso e para a SIC.

Isto significa que PSD e CDS — que, em 2015, concorreram juntos, sob a sigla da coligação Portugal à Frente, obtendo 36,86% dos votos — estão sensivelmente ao mesmo nível do resultado que obtiveram nas últimas legislativas. Têm 36,8% das intenções, nesta sondagem para o Expresso e para a SIC.

Também significa que o PS subiu (bastante) em pouco mais de um ano. Os atuais 38% de intenções contrastam com os 32,31% conseguidos nas urnas.

Mais uma vez, a história dos dias que correm é menos favorável aos partidos que garantem a viabilidade parlamentar do Governo de António Costa. O BE desceu dos 10,1% de votos para uma intenção de 9,1%. Já a CDU (PCP e PEV juntos), que conseguiu 8,25% de cruzes à frente da coligação não vai além dos 7,7% das intenções.

Apesar da subida constante do PS, só unindo forças com pelo menos um dos dois partidos à sua esquerda os socialistas garantiriam a maioria de lugares favoráveis na Assembleia da República. Tudo somado, PS, BE e CDU obtêm 54,8% das intenções de votos dos eleitores inquiridos neste estudo de opinião.

Passos é cada vez menos popular

O mesmo estudo analisa a popularidade dos líderes partidários e do Presidente da República. E, aí, Pedro Passos Coelho mantém a sua tendência de descida (ainda que se mantenha longe de perder o terceiro lugar do ranking).

Claramente positivo, Marcelo Rebelo de Sousa cai, no entanto, 0,2% para os 56,8% de votos favoráveis.

O primeiro-ministro António Costa sobe mais de um ponto e consegue a validação de 31,9% dos portugueses. Tem mais do dobro do líder da oposição. Passos perde 2,2% das aprovações e fica-se pelos 14,6%.

Assunção Cristas não destoa entre o panorama dos líderes partidários fora do Governo: perde 0,9% dos pontos mas mantém-se em terreno positivo, com 10,4% dos pontos. Mais uma décima que Jerónimo de Sousa. O líder comunista desce para 10,3% e perde o quarto lugar do ranking para a líder centrista.

Catarina Martins fecha a contagem. A coordenadora do BE perde tantos pontos quanto Jerónimo de Sousa (1,9%), mas também consegue ser positivamente avaliada pelos inquiridos, com uma votação de 8,8%.» [Observador]
   
Parecer:

Ainda bem que o homem não faz oposição a olhar p+ara as sondagens, a olhar dessa forma para baixo até poderiam dizer que faz oposição a olhar para a graxa dos sapatos. A coisa está tão mal que o PSD parece perder votos até para o partido da canzoada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O Bruxo de Massamá volta ao ataque
   
«O presidente do PSD disse esta sexta-feira, num debate sobre o Futuro da Europa e o Plano Juncker, ter “quase a certeza de que haverá uma nova crise” por existirem “muitas vulnerabilidades financeiras e económicas na Europa e na zona Euro”.

Temos quase a certeza de que haverá uma nova crise, não sabemos quando, mas sabemos que haverá. Nós gostaríamos de estar bem preparados quando ela acontecer e ainda não estamos, não se tem sentido devidamente a acuidade que este problema tem”, disse Pedro Passos Coelho, que falava no Porto.

“Em Portugal estamos a perder tempo, neste momento. Durante alguns anos aproveitamos, às vezes em circunstâncias muito difíceis, o tempo que nos deram para fazer reformas e agora aquilo que vemos é reversão atrás de reversão de reformas”, considerou o ex-primeiro-ministro.» [Observador]
   
Parecer:

Que vai haver uma crise é uma certeza que qualquer aluno do primeiro ano de um curso de economia sabe, nem é necessário ter aprendido economia com a funcionária da Arrows.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Até o DAESH quer a paz...
   
«O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, acusou o regime de Bashar Al-Assad, a Rússia e o Irão de estarem a fazer um “massacre” na cidade sitiada de Aleppo. “O que nós temos visto é uma matança indiscriminada, não são acidentes de guerra, não são danos colaterais, é uma política propositada e cínica de aterrorizar civis”, disse na tarde desta quinta-feira, pouco tempo depois de Bashar Al-Assad se ter congratulado pela “libertação” daquela que antes da guerra era a maior cidade da Síria.

Nesta conferência de imprensa, o chefe da diplomacia norte-americana acusou o Governo sírio e os “seus aliados” russos e iranianos de serem os únicos que não querem chegar a um acordo de paz naquele país assolado por uma guerra que começou em 2011. “Todas as partes envolvidas com quem falei nos últimos dias disseram-me que estão prontas para voltarem a Genebra [para conversações de paz] e isso inclui a oposição legítima na Síria, inclui a Turquia, inclui o Catar e os estados árabes”, disse .”A única pergunta que resta é se o regime sírio, com o apoio da Rússia, está disposto a ir para Genebra preparado para negociar de forma construtiva e se querem ou não terminar esta matança do seu próprio povo.”» [Observador]
   
Parecer:

Este Kerry é um imbecil, não admira que Trump tenha ganho as presidenciais americanas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 Terá coragem?
   
«Líder com líder se paga. Numa altura em que a cúpula social-democrata ainda não afastou categoricamente um eventual apoio à candidatura de Assunção Cristas na corrida à Câmara Municipal de Lisboa, os dirigentes do PSD/Lisboa querem ver Pedro Passos Coelho a disputar a autarquia lisboeta.

Na quinta-feira, ao mesmo tempo que decorria o jantar da bancada parlamentar do PSD, na Assembleia da República, cerca de 1200 pessoas juntaram-se num jantar organizado pelo movimento Lisboa Sempre para ouvirem Rodrigo Gonçalves, conselheiro nacional do PSD, vice-presidente do partido no cencelho Lisboa e fundador deste movimento, a desafiar Pedro Passos Coelho a avançar para Lisboa.» [Observador]
   
Parecer:

O problema do PSD em Lisboa começa a ser uma questão de coragem ou cobardia, ainda que sendo de Vila Real e residente em Sintra, o mais adequado seria candidatar-se ao Porto, a Vila Real ou a Sintra.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Como é que se diz otchentcha e otcho em mandarim?
   
«Depois de ter tentado falar espanhol a seguir ao jogo contra o Real Madrid para a Liga dos Campeões (o famoso momento do otchentcha e otcho), Jorge Jesus tornou a aventurar-se nas línguas estrangeiras. Desta vez, foi o mandarim, durante uma iniciativa de Natal do Sporting.

Num vídeo partilhado nas redes sociais do clube, aparecem vários jogadores e membros das equipas técnicas do Sporting, de diferentes nacionalidades, a ensinarem uns aos outros como se diz “Feliz Natal”. Gelson Martins ensina crioulo a Ricardo Esgaio e Beto ensina português a Petrovic. Mas o grande momento do vídeo é quando José Chen, do ténis de mesa, tenta ensinar mandarim a Jorge Jesus.» [Observador]
   
Parecer:

Este homem é um poliglota, um dia destes vai falar mais línguas do que os títulos de campeão do Sporting, mesmo contando com as três taças da merdaleja.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Assim lutam os democratas sírios
   
«"Uma menina de sete anos entrou na esquadra da polícia com um cinto que foi detonado à distância", noticiou o jornal Al-Watan na sua página no Facebook.

Fonte policial citada pelo jornal disse que a menina parecia perdida e pediu para usar a casa de banho da esquadra, no bairro de Midan, quando se deu a explosão.» [Notícias ao minuto]

sexta-feira, dezembro 16, 2016

Não há crianças cristãs na Síria

Sabemos que no Iraque há cristãos perseguidos pelo DAESH, todos ouvimos as notícias sobre o que os extremistas fizeram a esta minoria iraquiana e, em particular, o que fizeram às mulheres. Nos últimos dias a minoria Yazidi voltou a ser notícia, primeiro em consequência da batalha de Mossul, mais recentemente porque duas jovens desta comunidade, Nadia Murad Basee e Lamiya Aji Bashar, foram agraciadas com o prémio Sakharov.

Mas na Síria não há cristãos?

Não, na Síria não há cristãos, não há locais sagrados do cristianismo, não há templos religiosos de cristãos, não há mulheres cristãs. Aquelas mulheres que não andam de cara tapada e vestem à ocidental são todas perigosas chiitas, alauitas e outras minorias apoiantes do ditador. Aliás, na Síria não há terroristas, só há soldados do regime apoiados pelos perigosos russos, libaneses e iranianos de um lado e forças da resistência apoiadas por países amigos como a Turquia, a Arábia Saudita, Emiratos e outros grandes defensores da liberdade, da igualdade das mulheres e da democracia, como costumam ser todos os aliados do Ocidente.

Na Síria não morrem crianças cristãs, em anos de guerra ainda não se viu uma única imagem de uma criança cristã, xiita ou alauita morta. Mesmo quando o mundo ficou chocado com  fotografia de Aylan Kurdi morto na praia foram poucos os órgãos de comunicação social que explicaram que era uma criança que tinha fugido de Kobani, uma cidade mártir que só foi notícia quando estava quase totalmente destruída. Par a maior parte dos europeus Aylan Kurdi foi mais uma vítima de Assad e dos russos.

A manipulação da comunicação social é de tal forma que os europeus assistem a enxurradas de refugiados programadas pelo fascista Edogan, que usa os refugiados para conseguir subjuga a Europa, e protestam conta Assad. Estamos todos muito distraídos e esquecemos que o tal califado do DAESH ocupava uma boa parte da Síria e que tirando os curdos a resistência contra o regime de Assad é pouco credível, sendo em grande parte braços armados da Turquia ou da Arábia Saudita. Quando o DAESH dominava quase toda a Síria e até se dava bem nas fronteiras dos Montes Golan ninguém se preocupou com a Síria!

É por isso que na Síria os cristãos devem estar vivendo em ressorts de luxo pois não há uma única imagem de sofrimento e o mesmo sucede com todos os que não são sunitas. Ninguém reparou que antes da contra-ofensiva do regime uma boa parte da Síria já estava destruída e muitos das centenas de milhares de mortos já tinham morrido. Só os refugiados é que ainda não se tinham refugiado, porque a Turquia estava a ganhar mais com a espoliação das riquezas da Síria, deixando o tráfico de refugiados para quando fosse mais conveniente a Erdogan.

Um dia saberemos tudo sobre o que se passou na Síria, sobre quem inventou o DAESH, sobre o envolvimento dos aliados do Ocidente na destruição de um país que era o único que poderia fazer frente a países como a Arábia Saudita. Um dia os europeus saberão a quem andaram a dar o dinheiro dos seus impostos.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Passos Coelho

Passos Coelho está com sentido de humor, mas esqueceu-se de dizer para que cargo o governo devia convidar uma das vedetas do PSD no sector da saúde, um tal Cunha Ribeiro.

«“Muita conversa, muita propaganda, que afinal iria haver recursos, que iam contratar tudo o que era preciso, que não ia faltar nada, nós é que andávamos a desmantelar o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Já chamaram o ex-ministro que estava a desmantelar o SNS para tratar da Caixa Geral de Depósitos, ainda não nomearam o Nuno Crato para coisa nenhuma, ainda não chegaram lá”, ironizou Pedro Passos Coelho.

O líder do PSD, que falava em Fronteira, no distrito de Portalegre, durante o jantar de Natal da Comissão Política Distrital de Portalegre do PSD, criticou o Governo pelas dívidas existentes no setor da saúde, defendendo que os pagamentos devem ser feitos “a tempo e horas”.» [Expresso]

      
 O destino tem destas coisas...
   
«O veterinário Luciano Ponzetto, que no ano passado provocou a fúria dos defensores dos animais nas redes sociais, morreu durante uma caçada nos arredores de Turim. O italiano ficou conhecido por publicar uma fotografia sua ao lado de um leão morto, que ele próprio tinha caçado.

Segundo a imprensa italiana, Luciano Ponzetto morreu enquanto andava à caça de pássaros selvagens, no sábado, ao escorregar numa camada fina de gelo. O veterinário caiu de um penhasco a mais de 30 metros de altura.» [Público]
   
Parecer:

Salvaram-se os pássaros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Passos candidato a Lisboa
   
«O nome do líder do PSD, Pedro Passos Coelho, começa a ser cada vez mais falado à boca pequena entre militantes do concelho de Lisboa como “o mais bem colocado para enfrentar o desafio de uma candidatura à câmara da capital”.

Uma fonte do PSD de Lisboa, que pediu para não ser identificada, assegurou ao i que esse sentimento “está a crescer entre os militantes sociais-democratas do concelho”, depois da recusa de Pedro Santana Lopes em avançar para uma candidatura a Lisboa.

“Desde a saída de cena de Pedro Santana Lopes – sem dúvida, o nome mais forte para roubar a câmara aos socialistas –, o PSD ficou assim como que órfão daquela que seria a solução mais desejada para a capital. Entre os militantes começou então a surgir, dentro de uma lógica de que só a vitória interessa, o nome do líder do partido. Só ele tem condições para chegar, ver e vencer”, adiantou.» [i]
   
Parecer:

Terá coragem?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

quinta-feira, dezembro 15, 2016

O homem mais detestado pela direita portuguesa

Antes que comece a chuva de lágrimas de crocodilo, com todos a realçarem as qualidade de Mário Soares, é bom lembrar que o fundador do PS foi e é, muito provavelmente, o político português mais odiado pela direita portuguesa, Mais odiado e mais difamado pois dele a direita portuguesa disse de tudo um pouco, que tinha pisado a bandeira portuguesa, que tinha enriquecido com diamantes de Angola, que tinha conseguido muito dinheiro para a sua Fundação, não raras vezes apontada como o diabo do mundo das fundações.

Antes que algumas personagens apareçam a elogiar Soares é bom recordar que ainda há bem pouco tempo havia nas magistraturas algumas virgens ofendidas que defendiam que Mário Soares devia ser perseguido judicialmente por declarações que punham em causa a justiça. Estes marmanjos queriam levar a tribunal um homem com 90 anos a quem a democracia deve tanto. O presidente do sindicato patrocinado em tempos pelo Ricardo Salgado até afirmava que "As declarações do Dr. Mário Soares são absolutamente lamentáveis, são indignas de um Presidente da República, são uma vergonha para o país de que foi o mais alto magistrado".

Não vale a pena falar dos ódios da praga cavaquista a Mário Soares, esses ódios eram quase do domínio psiquiátrico, eram uma mistura de inveja com ódio e dor de corno. Cavaco até chegou a promover a arranjar um secretário de Estado cuja função foi mobilizar o pessoal das telenovelas para fazerem de brigada cultural de apoio ao Cavaquismo.

Durante muitos anos Mário Soares foi o bombo da festa da direita portuguesa, que tudo fez para lhe destruir  prestígio, aproveitaram-se da sua idade para o desvalorizarem, para se vingarem do que ele representou em toda a sua vida. A direita nunca lhe perdoará a altivez, o ter olhado para eles de cima para baixo. 




Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Carlos Carreiras, coordenador autárquico do PSD

Aos poucos o PSD vai sendo transformado num partido pequeno liderado por gente igualmente pequena. É o mínimo que se pode dizer de um coordenador autárquico qu admite o apoio a uma candidatura da líder do CDS, um pequeno partido confessional da direita conservadora. Tudo isto até poderia ser normal, mas ouvir o coordenador autárquico do PSD reservar Passos Coelho para candidato a primeiro-ministro aceitando implicitamente que à falta de melhor apoia Cristas mete dó.

O PSD está, para já, quase fora da corrida autárquica às duas maiores cidades do país, Lisboa e Porto.

«Nem Pedro Passos Coelho, nem Assunção Cristas. PSD e CDS assinaram esta terça-feira à tarde o acordo de princípios que vai servir de base às coligações autárquicas para 2017, mas fizeram-no, como já tinha sido anunciado, apenas na presença dos coordenadores autárquicos e dos secretários-gerais dos dois partidos. Ou seja, sem o carimbo dos líderes nacionais. A menos de um ano das eleições, Lisboa ainda é uma incógnita para o PSD, que garante não fazer distinção entre os 308 municípios e lembra ter até março para decidir. Uma coisa é certa: Pedro Passos Coelho não vai ser candidato a Lisboa.

Ou seja, o PSD não vai seguir o exemplo do CDS e apostar no seu líder para disputar a capital. Questionado sobre se o PSD estaria a equacionar a hipótese de Passos Coelho ser candidato, Carlos Carreiras afirmou que o percurso autárquico ainda “decorre” mas que tal cenário “não está na expectativa” dos sociais-democratas. “O dr. Pedro Passos Coelho é candidato a primeiro-ministro não é candidato a presidente de câmara”, disse o coordenador autárquico.

Antes, Carlos Carreiras já tinha sido questionado sobre o caso concreto de Lisboa e a hipótese de vir a apoiar a candidatura de Assunção Cristas, e não rejeitou nenhum cenário. O prazo é 31 de março, tal como ficou definido em Conselho Nacional. Até lá, é tempo de “aprofundar projetos e verificar se há ou não convergência de projetos”, disse Carlos Carreiras durante a sessão de assinatura do acordo, esta tarde num hotel de Lisboa. Se essa convergência se verificar, então é preciso ver se “há vontade das estruturas locais, concelhias e distritais, para haver acordos”.» [Observador]

 Esquecimento 

Há muita gente tentando relacionar Luís Cunha Ribeiro, mas ninguém repara que era um dos homens do PSD na área da Saúde, um príncipe.

      
 Mais uma batalha
   
«Conta já com mais de cinco mil assinaturas a petição Aborto como "Educação Sexual" em Portugal? Diga não! através da qual um movimento de cidadãos contesta a implementação nas escolas portuguesas de um referencial para a Saúde que inclui o tema da interrupção voluntária da gravidez na educação sexual para alunos do 5.º e 6.º anos.

Promovido pelos ministérios da Educação e da Saúde, este referencial de educação para a saúde sugere às escolas a abordagem de diferentes temas ao longo da escolaridade obrigatória, como sejam a nutrição, a prática de exercício físico, a saúde mental, o relacionamento interpessoal ou dependências. No capítulo sobre afectos e educação para a sexualidade, o documento, que está em consulta pública, propõe que, ainda na educação pré-escolar, se promova o “desenvolvimento de uma atitude positiva em relação ao prazer e à sexualidade”. E, a partir do 2.º ciclo do Ensino Básico, sugere que os alunos identifiquem os diferentes métodos contraceptivos e a sua importância na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e de uma gravidez indesejada, bem como que aprendam a distinguir uma interrupção voluntária da gravidez de uma interrupção involuntária da gravidez.» [Público]
   
Parecer:

O ideal era retirar dos programas de ensino tudo o que fosse pecado. Até se poderia equacionar a hipótese de os programas terem uma avaliação prévia da conferência episcopal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Uma passagem de ano muito interessante
   
«Um fim de ano diferente e alternativo centrado na "Luz e no Tempo" da mensagem de Fátima é a proposta do Santuário de Fátima para os dias de festa da passagem de ano para todos os jovens do país.

Em nota de imprensa enviada à agência Lusa, o Santuário de Fátima refere que a iniciativa, "inédita e integrada nas celebrações do Ano Jubilar de Fátima", pretende oferecer aos jovens "uma proposta centrada na espiritualidade e no núcleo teológico do acontecimento de Fátima, através de reflexões, caminhadas, dinâmicas de grupo e partilhas centradas na Mensagem e tendo em conta a realidade da vida dos jovens do século XXI".

Esta proposta insere-se no âmbito celebrativo do Centenário das Aparições e pretende "envolver os jovens, transformando-os em protagonistas das iniciativas do Centenário". O programa da passagem de Ano começa com o acolhimento no dia 30 de manhã na Casa dos Jovens, junto à Capelinha das Aparições, e termina no dia 1 ao princípio da manhã, de forma que os participantes ainda possam passar o dia de Ano Novo com as respectivas famílias.» [Público]
   
Parecer:

É uma hipótese.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

quarta-feira, dezembro 14, 2016

A má genética das nossas empresas e dos nossos empresários



O condicionalismo industrial, combinado com um ambiente laboral gerido com recurso a uma poderosa polícia política, estimulou a criação de uma classe empresarial que ainda hoje denota algumas dificuldades em se adaptar a um quadro económico, social e político diferente. Ao porque ao longo de décadas o proteccionismo assumiu várias formas, não tendo havido uma rotura com esse passado.

Se na natureza a evolução das espécies é um processo lento, que pode levar muitos milhares de anos e se os processos de aprendizagem das espécies animais são lentos, no caso das empresas, a que se podem aplicar alguns conceitos da teoria da evolução das espécies, tudo pode mudar em poucas gerações. 

O grande motor da competitividade reside na capacidade e vontade dos empresários e dos gestores, são eles que se adaptam a novas circunstancias, que buscam novos mercados, que promovem a inovação para ganhar novos clientes, que estimulam os seus trabalhadores a serem mais produtivos, que promovem a inovação tecnológica, que buscam os investidores que apostam em soluções mais sofisticadas.

Se criamos um ambiente social, laboral, fiscal, económico, político e cultural em vez de termos empresários e empresas competitivas teremos empresários e empresas geneticamente fracas. Em vez de procurem soluções competitivas exigem que os Estado lhes garanta a competitividade, em vez de competirem em conformidade com as regras do mercado preferem o jogo sujo da evasão fiscal e da corrupção, em vez de trabalhadores qualificados e motivados preferem trabalhadores submissos e baratos.

Uma empresa que recorre facilmente a esquemas de evasão fiscal não valoriza os estímulos fiscais, uma empresa que não declara os seus trabalhadores pouca importância dá às reformas laborais, uma empresa que recorre à corrupção para ganhar contratos com o Estado ou com outras empresas pouco aposta na qualidade ou na eficiência dos seus processos produtivas, uma empresa que vive de expedientes judiciais e de créditos concedidos de forma pouco clara não precisa de ter rigor na forma como aplica o dinheiro.

Nas últimas décadas o país criou uma geração de empresas e de empresários sem qualidade genética e de pouco servem as políticas governamentais. Depois de décadas de subsídios a tudo e mais alguma coisa, dos mais variados programas de incentivos fiscais e de tudo o mais, uma boa parte das nossas empresas está insolvente, não são competitivas. Não estão doentes, são deficientes.

É hora de os governos fazerem uma abordagem diferente das políticas económicas, preocupando-se não apenas com os resultados das empresas, mas principalmente com a qualidade genética das empresas e empresários que são criados.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Luís Cunha Ribeiro

Durante os últimos anos foi uma presença constante no mundo da saúde, onde parecia ser uma das imagens do poder. Agora aparece envolvido num caso duvidoso envolvendo milhões.

«O ex-presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) Luís Cunha Ribeiro — que também esteve à frente da Administração Regional de Saúde de Lisboa — foi detido esta terça-feira por indícios de corrupção no caso conhecido como “máfia do sangue”. A informação foi confirmada pela Procuradoria-Geral da República, em comunicado enviado às redações, que também confirmou que estão a ser efetuadas buscas em Lisboa, no Porto e na Suíça.

Segundo a nota da PGR, “encontram-se em curso mais de três dezenas de buscas domiciliárias e não domiciliárias”, que decorrem em instituições e estabelecimentos oficiais relacionados com a área da saúde, incluindo no Ministério da Saúde, INEM e no Hospital de São João no Porto onde Luís Cunha Ribeiro assumiu vários cargos de chefia. Decorrem ainda buscas nos escritórios de advogados da PMLJ, de José Miguel Júdice.

Segundo avança a agência Lusa inspetores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ deslocaram-se, na manhã desta terça-feira, à sociedade de advogados acompanhados por um representante da Ordem dos Advogados, tendo-se reunido com um dos responsáveis daquele escritório.» [Observador]

      
 Ideia peregrina
   
«O ex-presidente da câmara do Porto, Rui Rio, sugeriu, esta segunda-feira, uma redução do IVA, do IRS e do IRC para, em contrapartida, ser criado um imposto consignado ao pagamento dos juros da dívida pública.

“A minha pergunta é: não seria salutar que nós reduzíssemos o IVA, o IRS, o IRC, os três” e “por contrapartida, criássemos um imposto (…) consignado ao pagamento dos juros da dívida pública”, questionou Rio, enquanto moderador da mesa redonda “Economia e Fiscalidade no Orçamento de Estado para 2017”, realizada no Porto.

O ex-autarca acrescentou ainda um meta de receita para esse novo imposto: “8,3 mil milhões de euros”.

Rui Rio sustentou a sua proposta com uma maior transparência na relações com os contribuintes, já que os portugueses saberiam que esse novo imposto não serviria para financiar a saúde, educação ou obras públicas, mas sim para pagar os juros decorrentes do serviço da dívida pública.» [Observador]
   
Parecer:

Quem não sabe o que fazer faz colheres de pau.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Madrid no fuso horário de Lisboa
   
«Depois de já ter feito parte do programa eleitoral do Partido Popular para as eleições de 26 de junho, o recém-formado Governo de Mariano Rajoy está neste momento a estudar a hipótese de a jornada laboral passar a terminar “com caráter geral” às 18h00. Isto além de estar também a analisar “as possibilidades que teria a alteração do fuso horário”, que poderá passar a coincidir com o de Lisboa e do Reino Unido.

Neste momento, a maior parte dos espanhóis sai do trabalho às 19h00. Tipicamente, o dia de trabalho divide-se em dois períodos: o primeiro vai das 9h00 às 14h00 e o segundo começa às 16h00 e prolonga-se até às 19h00.

As intenções foram avançadas pela ministra do Emprego, Fátima Báñez, conforme anunciou na segunda-feira numa conferência de imprensa. Para a ministra do Emprego, trata-se de encontrar um sistema “flexível, seguro e equilibrado” para conseguir “melhores maneiras de adaptar o mercado de trabalho à quarta revolução industrial”.» [Observador]
   
Parecer:

Parece que esta mania de agradar a Berlim não é um exclusivo da Espanha do tempo de Hitler, o governo de Passos andou dois anos a fazê-lo e em matéria de fusos horários é bom recordar que um tal Dias Loureiro também chegou a adoptar o fuso horário de Berlim.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Gente com bons valores
   
«Marcelo Boeck foi anunciado como jogador do Fortaleza. O guarda-redes de 32 anos deixa assim a Chapecoense, dias depois de anunciar que queria participar na reconstrução da equipa catarinense, após o acidente de aviação, na Colômbia (dia 28 de novembro), que deixou o clube sem equipa.

"O clube necessita daqueles que ficaram, para lembrarmos dos que partiram e honramos a torcida e as famílias. E eu hoje, com 32 anos, vejo que não faz mais sentido certas coisas que antes eu dava mais valor. O que vale mesmo é ter princípios, caráter e não abandonar o clube neste momento terrível. Se a Chapecoense quiser, eu estou aqui para continuar essa história. Quando a gente perde um número grande de pessoas, deixar o clube na mão não seria legal. Eu quero ajudar na reconstrução. Eu quero fazer parte disso e não deixar o clube morrer", disse o ex.-Sporting, numa entrevista, na semana passada.» [DN]

terça-feira, dezembro 13, 2016

A hora das ratazanas



Há uns meses atrás Passos Coelho era apresentado como um resistente, alguém que não desiste, para usar uma palavra na moda, era alguém muito resiliente. Cheguei mesmo a ouvir uma senhora dizer, num conhecido programa da SIC Notícias, que não tinha a certeza de que não voltaria.

Não admira que tenha ganho o último congresso do PSD por margens estalinistas, tinha perdido o poder mas a esperança de um segundo resgate levava o partido a mobilizar à sua volta. Passos era a alternativa no caso de ocorrer uma crise considerada provável e num tempo em que os conflitos entre o líder do PSD e o novo Presidente da República estavam em banho-maria.

Hoje a situação é em diferente, Passos deixou de ser alternativa, anda mal aconselhado a ainda pior informado, anuncia sucessivamente a ressurreição do Diabo, vê os negócios menos claros dos últimos meses do seu governo serem tornados públicos. Mas, pior do que tudo isso, Passos decidiu fazer frente a Marcelo Rebelo de Sousa, provocando-o com piadas cuja resposta não se tem feito esperar.

Em poucos dias Passos passou de bestial a besta, ninguém acredita que ganhe uma guerra com Marcelo Rebelo de Sousa. Passos é um homem só, açoitado na direita por Assunção Cristas e por Marcelo Rebelo de Sousa e sem qualquer simpatia à esquerda, Passos Coelho é um homem só que sabe que vai ter em 2017 o seu annus horribilis

2017 vai começar da pior forma possível, com a sua má gestão do dossier CGD quer como governo, quer como oposição, com o governo a chegar ao fim do ano cumprindo meãs do défice sem ter de tirar o escalpe aos contribuintes e devolvendo parte do que foi retirado aos trabalhadores e pensionistas e sem que nenhuma desgraça tenha ocorrido. Começa a ser evidente que também vai terminar da pior forma, com uma mais do que provável derrota do PSD nas autárquicas.

Os que elogiavam Passos agora criticam-no abertamente, os que foram seus porta-vozes oficiosos na SIC anunciam agora o seu fim, os que o bajulavam em busca de mordomias fogem agora dele. Passos está a conhecer o sabor da traição, a conhecer os oportunistas que apoiou, a ver os militantes mais extremistas a criticarem-nos. Em suma, Passos está vendo as ratazanas fugirem do seu navio, prenúncio de um naufrágio anunciado.

É um espectáculo triste e degradante, mas daqui a alguns meses muitas destas ratazanas não aparecer de novo, umas estarão convertidas ao António Costa e farão fila para receberem os seus trinta dinheiros, outras afirmarão que são apoiantes de Rui Rio desde que o conhecem. Voltarão aos cargos e às televisões e serão reconvertidos pelo sistema. Conseguem fazer-se milagres com a reciclagem do lixo, ou, como alguém escreveu num grafitti, "a merda de hoje fertilizará o amanhã".

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças

É cada vez mais óbvio que o último ano de mandato de Maria Luís Albuquerque à frente das Finanças nada teve que ver com o que se esperava do desempenho do cargo, foi antes uma central de mentiras, dissimulações e golpes eleitorais. Tudo começa com uma saída limpa tão limpa como o limpinho, limpinho do Jorge Jesus, depois foi o famoso pagamento ao FMI graças aos cofres cheios, a seguir o país assistiu ao golpe eleitoral do reembolso da sobretaxa, agora sabe-se que a ministra abafou a situação da CGD com a ajuda do seu secretário de Estado do Tesouro.

O comportamento da ex-ministra e agora deputada e empregada da Arrows é mais do que suficiente para questionar qual a legitimidade desta senhora para continuar como deputada. Foram mentiras a mais para que seja aceitável que esta senhora continue com uma actividade política como se nada tivesse feito.

«Entre março e setembro de 2015, o Ministério das Finanças, na época liderado por Maria Luís Albuquerque, teve pelo menos dois pareceres da Inspeção-Geral das Finanças relativos a relatórios trimestrais da Comissão de Auditoria da Caixa Geral de Depósitos de 2014, que mostravam um agravamento das imparidades do banco público, avança o “Público” esta segunda-feira.

Segundo os documentos a que o matutino teve acesso, estes pareceres só foram despachados pelo secretário de Estado das Finanças Manuel Rodrigues quinze dias antes das eleições legislativas de 2015.

Os documentos em causa não constituem “uma opinião de auditoria”, diz a informação de despacho, e chegaram ao gabinete de Manuel Rodrigues em março de 2015 – o relatório do terceiro trimestre a 12 de março e o do quarto trimestre a 20 de março. Ambos os relatórios da Comissão de Auditoria já mostravam um acréscimo das imparidades registadas pelo banco.

Esta informação vem confirmar, pelo menos em parte, algumas das queixas que o Tribunal de Contas apresentou na semana passada, em que revelou a existência de um insuficiente "controlo [da CGD] pelo Estado” entre 2013 e 2015.» [Expresso]

      
 Fazer render a CGD
   
O PSD requereu esta manhã a audição do ministro das Finanças, Mário Centeno, e do presidente demissionário da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues, na comissão parlamentar de inquérito sobre a gestão do banco público.

“Nos últimos meses, os portugueses têm assistido a uma degradação do quadro reputacional da Caixa Geral de Depósitos (CGD), sem precedentes, e que culminou com a demissão de uma administração que tinha pouco mais de quatro meses de mandato exercido. Por outro lado, a confiança no banco público não pode deixar de ser abalada com a falta de transparência e com a nebulosidade com que todo o processo da demissão de António Domingues foi tratado”, refere o requerimento do Grupo Parlamentar do PSD enviado à agência Lusa.«» [Expresso]
   
Parecer:

No mesmo dia em qie se soube que os problemas da CGD foram escondidos o PSD multiplica-se em manobras que visam obter ganhos partidários com a situação difícil do banco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 A Teodora não para
   
«A presidente do Conselho de Finanças Públicas avisa que os juros da dívida portuguesa, actualmente baixos, vão aumentar. Em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, Teodora Cardoso que essa subida, aliada à elevada dívida de Portugal, pode originar um cenário económico prejudicial ao país.

“Portugal deve programar e levar por diante uma política económica que dê estabilidade financeira ao país e produza crescimento”, aconselha Teodora Cardoso. “O problema que a dívida põe é que temos uma dívida muito elevada e por enquanto os juros estão muito baixos porque as políticas monetárias têm ido nessa direcção. Mas isto vai mudar. E vai mudar porque a política americana vai mudar. Por isso, sem fazermos nada, sem ser nossa responsabilidade, as taxas de juro a que nos financiamos subirão”.

Ou seja, numa altura em que Portugal procura financiamento, esta possibilidade pode ser potencialmente prejudicial, diz a presidente do Conselho de Finanças Públicas.» [Público]
   
Parecer:

Teodora Cardoso descredibilizou o CSFP e descredibilizou-se a si própria pela forma como tentou condicionar o governo com as sua previsões castastrofistas, insistindo numa política de austeridade brutal que sempre apoiou. Agora, desdobra-se em intervenções que vão muito para além das competências que tem, intervindo quase todos os dias como se tivesse um papel de polícia do governo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à dona Teodora que tenha calma.»

 Os excessos da Amazon
   
«A Amazon, o gigante das vendas online, está novamente nas bocas do mundo pelos piores motivos. Desta vez, a empresa é acusada de fornecer condições laborais precárias aos seus funcionários, no armazém de Dunfermline, na Escócia.

As acusações partiram do líder dos Liberais Democratas escoceses, Willie Rennie, que diz ter tido conhecimento de que alguns funcionários da tecnológica pernoitavam junto das instalações do armazém, em Dunfermline, para evitar custos nas deslocações para o trabalho.

O caso começou nas página do jornal escocês The Courrier, que publicou fotografias das tendas montadas junto ao armazém da Amazon, dando conta das condições em que viviam alguns funcionários.

Por sua vez, uma investigação do Sunday Times revelou neste fim-de-semana que os trabalhadores temporários da Amazon são penalizados por tirarem dias devido a doença e pressionados a atingirem objectivos de encomendas. O jornal britânico escreve também que, dadas as dimensões do armazém, os trabalhadores percorrem quilómetros dentro do edifício, sem que os dispensadores de água sejam regularmente recarregados.» [Público]
   
Parecer:

Está-se a perder a vergonha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Boicotes-e. a Amazon.»

 Um assunto para o MP
   
«O Estado terá perdido perto de 30 milhões de euros quando o governo de Passos Coelho negociou a venda da participação pública numa empresa que estava ligada à exploração de três minas de diamantes em Angola, em novembro de 2015, escreve esta segunda-feira o Correio da Manhã. Segundo o jornal, a venda foi feita no dia 6 de novembro de 2015, apenas quatro dias antes de o executivo de Passos Coelho ter sido chumbado no parlamento.

O acordo — que foi finalmente assinado no mês passado — entre a Endiama (empresa estatal angolana que gere o setor dos diamantes) e a Sociedade Portuguesa de Empreendimentos (SPE) pôs fim a um conflito judicial que se arrastava há vários anos. A solução passou por vender à empresa pública angolana as participações da SPE nas concessionárias de três minas angolanas: 49% na Sociedade Mineira do Lucapa, 24% na mina de Calonga e 4,9% na mina do Camutué. A Parpública, que detém a SPE, garantiu ao jornal que este acordo foi “firmado a 6 de novembro de 2015 entre estas empresas, na sequência de negociações desenvolvidas sob orientação do governo”. Do lado de Portugal, um dos principais negociadores foi Hélder de Oliveira, o presidente da SPE.» [Observador]
   
Parecer:

Esperemos que o MP se interesse por este negócio. Aliás, em tempos a PGR informou que ia acompanhar as privatizações, esperemos que o tenha feito.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

segunda-feira, dezembro 12, 2016

Fim de semana inglês

Um dos aspectos curiosos da nossa ida política actual reside na mudança de ritmos semanais. Dantes a semana política tinha sete dias e era encerrada no domingo à noite com o comentário do então “professor Marcelo”. Governantes e políticos da oposição praticavam a semana de sete dias e a comunicação social tinha os seus dias de “descanso” nas segundas e terças-feiras.

Com António Costa no governo e Marcelo na Presidência da República este ritmo foi alterado, Costa e Marcelo praticam o fim de semana inglês, Assunção Cristas dedica o sábado e domingo às suas obrigações religiosas e familiares e é Passos Coelho que reaparece quando os outros se retiram, para chamar a si os holofotes da comunicação social.

Houve um tempo em que Passos alinhava com Costa, este fazia de primeiro-ministro em exercício e o líder do PSD ou fazia de morto ou assumia uma agenda paralela à de António Costa para promover a sua pantomina do primeiro-ministro no exílio. Com  o falhanço desta estratégia e depois de vários ensaios o líder do PSD voltou a querer aparecer como líder da oposição.

Mas tinha perdido espaço e depois de um ano sem propostas perdeu também credibilidade, o que se tornou evidente nas sondagens. Resta-lhe agora voltar aos truques típicos de um jota, conseguir espaço na comunicação social e recorrer a estratégias de guerrilha. Como o governo entra em regime de descanso a partir do almoço de sábado Passos tem agora uma agenda que se concentra no sábado à tarde e no domingo, ganhando tempo de antena e promovendo o debate centrado nas suas posições nos primeiros dias da semana, quando os jornalistas andam nos caixões em busca de matéria para encher os jornais.

Resta agora perceber se os portugueses estão interessados em saber que carta tira Passos da manga em cada sábado ou se preferem sem especialistas em avaliação de grandes penalidades. A verdade é que poucos sabem que Passos esteve algures passando a mensagem do político construtivo, o seu último "widget", o que importa é saber se a grande penalidade ocorreu quando a bola bateu na mão esquerda ou se quando resvalou para a mão direita de Pizi.

Longe vão os tempos do Passos dedicado à família, quando andava de xanatas na Manta Rota enquanto o BdP desmontava o BES, ou quando acompanhava a esposa à feira dos canitos de Cascais. 

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Manuel Machado, autarca de Coimbra

Em 2016 os funcionários públicos que mais sofreram com a austeridade vão continuar a sofrer, terão cortes e suportarão ainda a quase totalidade da sobretaxa. O país continua a reduzir o défice esperando-se que em 2017 este fique abaixo dos 2017.

Mas a palavra de ordem do autarca dos autarcas do PS não é poupar nem gerir os recursos disponíveis, é contratar mais funcionários, talvez para que numa próxima crise sejam despedidos ou vejam o vencimento reduzido a metade.

«Mas como é que vai ser possível fazer isso se Portugal tem um compromisso de reduzir o número de pessoas que trabalham na administração pública?

Esse constrangimento existe, de facto, mas ele tem de ser ultrapassado. Aliás, como foi feito noutros países da União Europeia. E, portanto, é uma questão de princípio. Não podemos resolver os problemas, não conseguiremos, se não nos capacitarmos com os recursos humanos adequados para esse desempenho. Como estão envelhecidos, há que renová-los. E, portanto, assumo claramente que é necessário que estado autárquico e o Estado nacional, a administração pública, se capacitem com novos recursos humanos. A despesa pública não será tão alterada quanto isso. Fizemos já a demonstração contabilística - a Direção-Geral do Orçamento, a entidade pública que controla as contas, já identificou, em anos sucessivos, a capacidade de gerar um superavit, uma diferença positiva, de mais de meio milhão de euros entre as receitas efetivas e as despesas efetivas. Portanto...» [DN]

domingo, dezembro 11, 2016

Semanada

Enquanto José Eduardo Martins elabora um programa para uma candidatura a Lisboa que ninguém sabe quem vai assumir, podendo muito bem via a ser o bruxo de Massamá, Mauro Xavier o arrolas que lidera a concelhia do PSD de Lisboa anda testando a sua criatividade política. Depois de ter abandonado a corrida entre um jumento e um Ferrari, talvez porque não arranjou um carro com as cores do Benfica e do Sporting, decidiu embirrar com as ciclovias. Foi contar as bicicletas que passavam numa ciclovia e só chegou à quinta. Agora espera-se que faça a mesma contagem numa sexta-feira à noite para concluir que não passou nenhuma.

Há quem sugira que Marques Mendes está usando o seu tempo de antena na SIC para crescer ao ponto de vir a dar uma segunda de mão na liderança do PSD. Talvez por isso Passos Coelho tenha enveredado pela arte da adivinhação, para concorrer com o seu antigo garganta funda. Passos prescindiu de programa, propostas e debates políticos, agora anda junto das suas antenas dentro da CGD e do Estado, recolhendo informação para poder anunciada a vinda do Diabo. Se marques Mendes lhe tirar a liderança do partido, passos tem boas hipóteses de substitui o Ganda Nóia na televisão.

Teodora Cardoso passou o ano de 2016 a anunciar a vinda do diabo, dando uma preciosa ajuda àquele que a retirou da penumbra do quase anonimato para o alto cargo de presidente do conselho da defesa da austeridade extrema. Mas desiludam-se os que esperam que a Dona Teodora mostre arrependimento por nos ter andado a ameaçar com as suas diatribes durante quase um ano. EM vez de assumir os seus erros a Dona Teodora já veio informar que o Diabo sempre vai aparecer, mas agora ela tem a certeza de que vai ser em 2016. Enfim, o diabo que carregue com esta dona Teodora.

Rui Rio continua a dar um ar da sua graça. Ao pequeno-almoço assegura que vai ser candidato a líder do PSD. Ao almoço convida Passos Coelho para lhe dar garantias de que os jornalistas são uns malandros e quem ele não disse nada disso. Ao jantar vai para os arraiais de carne assada do PSD lançar a uma imagem de ex-autarca do Porto. Rui Rio ainda não sabe se é uma estrela cadente, uma estrela decadente ou um cometa que aparece de vez em quando para anunciar a desgraça de Passos Coelho.

Parece que a National Geographic vai fazer um programa em Portugal, depois de ter filmado o diabo das Tasmânia é a vez de dedicar um episódio ao diabo de Massamá.