quinta-feira, outubro 19, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Hugo Soares, líder parlamentar do PSD

O país ficou a saber que o líder parlamentar do PSD esteve de mangueira na mão, à porta da sua casa, porque o Estado falhou. Enfim, temos um herói nacional no parlamento e ninguém sabia.




      
  Férias merecidas
   
«Na primeira quinzena de agosto de 2016, Constança Urbano de Sousa rumou a Tavira, como é seu hábito, para aproveitar para descansar com família e amigos. O verão estava quente — segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, foi um dos mais quentes de sempre — e um fogo em Gondomar chegou a ameaçar habitações por esses dias. E se este ano não faltaram políticos a apressar-se a chegar às localidades afetadas pelos fogos, naquela altura muitos estranhavam a ausência de reações da ministra da Administração Interna. Foi preciso passar sábado, domingo, segunda e terça-feira para Constança falar, já estava o país de olhos postos na violência das chamas do grande fogo da Madeira. A ministra aparecia finalmente nas televisões, à saída de uma reunião na Proteção Civil. Mas também nas bancas, nas páginas da revista “Flash” com fotos numa festa de Verão a dizer que “uma ministra nunca tira férias”. Esta semana, em plena crise no combate aos fogos no norte e no centro do país, queixou-se de não as ter tido.

A atitude de 2016 não passou despercebida aos olhos da oposição. Foi o caso do social-democrata José Eduardo Martins, que se apressou a criticar a presença da ministra em festas algarvias em plena época de incêndios. “Os reis do spin… Até ontem, a Ministra só aparecia na ‘Flash’ nas reportagens do social no Algarve. Hoje, como todos repararam, já arranjou um ‘inimigo’ e uma ‘narrativa’… Sobra em lata o que falta no resto”, criticava na altura, na sua página de Facebook, referindo-se ao facto de a primeira reação da ministra ter sido sobre a alegada falta de ajuda dos países europeus no combate aos fogos. Mas também ao facto de a “Flash” dessa semana ter ido para as bancas com várias fotografias da ministra a marcar presença na festa de aniversário da revista.

Havia ainda um outro pormenor que agora se tornou relevante. Naquela altura, a ministra dizia à “Flash” que, apesar de marcar presença na festa algarvia, “uma ministra nunca está de férias”. “Todos os dias há qualquer coisa por resolver, nem que seja pelo telemóvel. Uma ministra nunca está de férias”. Constança Urbano de Sousa estava longe de imaginar que o verão seguinte seria bem mais violento em matéria de incêndios e com a perda de muitas vidas (105 pessoas até agora, em apenas quatro meses) e, aí sim, não teria mesmo tempo para descanso. Como a própria sublinhou, aliás, quando esta segunda-feira, na sequência da segunda tragédia dos incêndios com 41 vítimas mortais. Para contornar a pergunta sobre a sua demissão, a ministrou tentou ironizar com esse dado pessoal: “Para mim seria mais fácil, pessoalmente, ir-me embora e ter as férias que não tive, mas agora não é altura de demissões”. Uma frase polémica e politicamente terrível. A habilidade política não foi, de resto, propriamente o que a levou aos gabinetes governamentais. A demissão de Constança Urbano de Sousa acabou por se concretizar esta quarta-feira, 18 de outubro, um dia depois de a ministra entregar a carta de demissão ao primeiro-ministro. Uma carta onde justificava a saída para preservar a sua “dignidade pessoal” e explicava que já tinha pedido para sair logo a seguir aos fogos de Pedrógão Grande.» [Observador]
   
Parecer:

Até enfim que a senhora pode gozar as férias e ir a todas festas e festarolas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Deseje-se boa viagem à senhora ex-ministra.»
  
 A PJ foi a última a saber das armas encontradas
   
«As armas desaparecidas em Tancos há quatro meses foram agora encontradas na Chamusca, a cerca de 20 quilómetros das instalações militares. De acordo com a Polícia Judiciária Militar (PJM), o armamento foi recuperado na madrugada desta quarta-feira.

Segundo apurou o Expresso, a Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT), da Polícia Judiciária (PJ), que lidera a investigação, só foi informada sobre o aparecimento das armas “a meio da manhã”. Ou seja, algumas horas depois da operação da PJM.

Ainda de acordo com a mesma fonte, quando os inspetores da PJ do contraterrorismo chegaram ao local, as armas já tinham sido levadas, teriam sido retiradas pelos investigadores militares da PJM.» [Expresso]
   
Parecer:

Enfim...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quarta-feira, outubro 18, 2017

TODOS SÃO CULPADOS

Os que a troco de benesses fecharam os olhos durante várias décadas ao que estava sucedendo nas florestas têm a sua quota parte de culpas.

Os que governaram a pensar nos favores à indústria do papel usando a pasta da Agricultura para fechar os olhos à desordem florestal, para nomear altos dirigentes do Estado amigos dos interesses privados ou a adotar leis feitas por encomenda são culpados por estas mortes.

Todos os proprietários de terrenos que por ignorância ou por mera ambição promoveram processos de florestação sem cuidar da segurança dos seus vizinhos são culpados.

Os cidadãos que andam a atear fogos, que fazem queimadas irresponsáveis, que atiram lixo para as florestas, que fazem piqueniques nas matas sem o mais pequeno cuidado, todos são culpados.

As entidades que deveriam aplicar as leis que obrigam a respeitar distâncias de segurança entre as florestas e as estradas, as linhas elétricas ou as habitações e que ao longo de anos fizeram vista grossa, num país onde por dá cá aquela palha se multa invocando o código da estrada, são culpados.

As entidades que perante tantos incendiários à solta e tantos agricultores irresponsáveis que fazem queimadas nos dias de maior risco de incêndio, ignoraram os sinais de perigo e não adotaram as necessárias medidas de policiamento das zonas florestais são culpados.

Todos os que no desempenho de cargos públicos estiveram mais preocupados em nomear amigos do que em escolher os melhores e mais competentes para servirem o país em serviços de grande responsabilidade e risco, são culpados.

Não vale a pena mitigar as culpas ou concentrá-las numa ministra, foram muitos os responsáveis pelo que sucedeu. Quantas vezes nas centenas de vezes que fez comentários televisivos o agora Presidente da República chamou a atenção para a necessidade das medidas que agora exige? Co o que é que esteve mais preocupado Marcelo Rebelo de Sousa quando foi líder do PSD, com o aborto ou com os incêndios e outros grandes problemas nacionais, com o que dava votos a curto prazo ou com os problemas do país? O que fez Assunção Cristas para adaptar o modelo florestal à nova realidade climática?

Todos os presidentes foram culpados, todos os primeiros-ministros foram culpados, todos os ministros da agricultura foram culpados, alguns dos cidadãos das nossas aldeias e que agora são vítimas também foram corresponsáveis na tragédia, os jornalistas que, como Miguel Sousa Tavares, sabem falar muito bem mas só depois das tragédias sucederem, fazendo-o mais por vaidade do que por outra coisa, são igualmente culpados.

São culpados os que não agiram para resolver os problemas, os que se calaram porque só falam quando lhes pagam para falar, os que governaram a pensar em interesses, os que sendo incompetentes aceitaram os lugares, todos são culpados.

A PERCEÇÃO DA (IN)COMPETÊNCIA

Há ministros competentes de quem dizemos serem incompetentes, do mesmo modo que ministros incompetentes conseguem passar uma imagem de competência. A competência dos governantes é como a temperatura ambiente, há a temperatura medida num termómetro e outra coisa é a sensação de frio ou de calor, que depende de vários fatores, há quem tenha frio na praia e num dia quente, da mesma forma que podemos estar numa estância de neve apanhando sol em tronco nu sem sentir frio.

Na verdade os cidadãos não conhecem uma boa parte dos ministros e muito menos os secretários de Estado, em relação à maioria das pastas o cidadão comum nem sequer sabe ou está interessado em saber o que se faz. Não é porque o titular da pasta da pesca ser incompetente que os barcos deixam de pescar ou porque o ministro da agricultura é competente que as vacas dão mais leite. Para o cidadão comum alguns ministros são mais competentes do que outros, não admira que nas sondagens os ministros com melhor imagem sejam aqueles que ninguém conhece, sobre esses a opinião não pode ser má. Para os velhos anarquistas nem o Estado nem os governos faziam falta, fico-me pelo meio anarquista, com dirigentes competentes da Administração pública muitos governantes incompetentes não fazem falta, são nomeados apenas para empatar.

Mas em relação a alguns ministros os cidadãos estão atentos, é o caso dos responsáveis pelas finanças, pela economia e pela saúde. As pessoas sabem que podem ficar mais pobres se o ministro das Finanças for incompetente, que podem não ter cuidados de saúde com qualidade se o ministro da saúde não estiver à altura ou sentem-se inseguras se o responsável pela pasta da segurança for incompetente. Estes ministros mexem com a tranquilidade do cidadão comum, com o descanso com que dormem.

No caso destes ministros não basta serem competentes, é preciso que a perceção por parte dos cidadãos seja a de que são mesmo competentes, o cidadão quer sentir-se seguro, se considera o ministro das Finanças incompetente receia pelas suas poupanças, se não confiar no ministro da saúde também não confia nos serviços médicos e se a imagem do titular da pasta da segurança for de incompetência o medo alastra.

No caso de um titular da pasta da segurança a perceção da competência é importante também porque desse ministro dependem muitas hierarquias do tipo militar, para as quais a confiança no líder é de importância crucial para o desempenho de toda a organização. Um ministro da Administração Interna é alguém em quem temos de confiar, quer o cidadão comum, quer as polícias, os bombeiros e muitos outros profissionais que contribuem para que se possa dormir tranquilo.

Se um ministro da Administração interna não transmite uma imagem de competência é muito provável que o país não acredite na sua confiança e perca a confiança em instituições fundamentais como as forças de segurança e da proteção civil. Independentemente da avaliação que o primeiro-ministro faz da ministra da Administração Interna a verdade e que é cada vez mais óbvio que a ministra não tem condições para ser mantida no governo e cada dia que passa a insegurança dos cidadãos aumenta.

É costume perguntar se emprestava o  carro a determinada pessoa, neste caso deve perguntar-se ao cidadão comum se a atual ministra da Administração interna é a desejada para o cargo pelo cidadão comum no caso de ocorrer mais uma catástrofe natural ou uma qualquer situação de emergência. A resposta mais provável é não, pelo menos é a minha, se o país enfrentar mais uma situação de segurança de grande complexidade espero que esteja no cargo alguém capaz de transmitir confiança ao país e esse não é o caso da ainda ministra.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Constança Urbano de Sousa

A ministra da Administração Interna dificilmente conseguirá sobreviver à crise que se instalou na sequência dos incêndios do passado domingo e as declarações desastrosas sobre a resiliência das comunidade ou da sua dedicação pessoal que a levou a adiar as férias não a ajudaram nada. Se o conseguir graças à teimosia de António Costa em segura-la no governo há um sério risco de ser o primeiro-ministro a sobreviver á ministra.

É lamentável que tudo o que a Geringonça conquistou seja deitado a perder para que a Dra. Constança possa continuar a ser ministra. Mesmo que o primeiro-ministro insista em que se mantenha no cargo manda o bom senso que se demita.

 Desafio a Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares tem vindo a ofender sistematicamente todos os funcionários públicos, não perdendo uma oportunidade para dizer mentiras promovendo imagens falsas. Por isso aqui fica um desafio a Sousa Tavares, que torne públicas as suas declarações de rendimentos relativas aos anos que passaram desde 2007, ano anterior à crise financeira internacional, até 2016. Se o fizer também o farei e veremos quem pagou a crise, quem teve cortes de rendimentos ou mesmo em crise aumentou os rendimentos.

Não sei que autoridade tem este senhor para ofender tudo e todos, para falar do que sabe e não sabe. Não sei que exemplos deu ao país, que sacrifícios fez pelo país ou o que o torna num exemplo para o país para falar da forma como fala de outros portugueses.

 PREVISÃO

A prevenção não é importante para situações normais, para tais situações os recursos são suficientes para ocorrer aquilo que são necessidade normais. A prevenção ganha importância quando poderão estar em causa situações anormais, porque são essas as que poderão exigir recursos que se não forem mobilizados com tempo não estarão disponíveis.

Os americanos sabem que nesta época do ano há furacões e os seus meios estão vigilantes, mas quando se forma um furacão no meio do oceano reforçam os recursos disponíveis para poderem prever o nível de perigosidade desse furacão. Para isso enviam aviões com meteorologistas para o olho do furacão, prevêem a sua evolução e percurso, dão instruções às autoridades. Poderão concluir que o furação está acima do normal, mas os meios disponíveis estavam mobilizados, mesmo que se venham a revelar insuficiente.

Neste momento Portugal enfrenta o seu “furacão Irma” com as florestas do norte e centro depois de ateadas por assassinos à solta. Mas no meio do oceano já se está formando outro furacão, se a seca se prolongar é certo que o sul do país enfrentará uma grave crise e muitos agricultores e empresas agrícolas enfrentarão um provável cenário de fome e de falência.

A seca destrói colheitas, destrói sementeiras e aumenta exponencialmente os custos em explorações de regadio que recorrem a energia para obter água nos furos. Muitas explorações que dependiam do abastecimento de água por barragens e represas começam a ficar por sua conta.

Sem chuva o gado criado em pastagem tem de ser alimentado a ração, os criadores são forçados a suportar custos muito superiores ao economicamente viável. Ainda por cima, com muitos criadores a quererem desfazer de parte das suas manadas os preços baixam nos mercados, agravando a sua situação. Os criadores de gado em estábulo, principalmente as explorações leiteiras, dependem normalmente da produção de forragens. Sem chuvas estas ficam pedidas ou são mantidas com rega alimentada por furos, onde a extração de água obriga ao consumo de energia.

Nos finais dos anos 80 registou-se em Portugal uma seca extrema com consequências dramáticas para regiões como o Alentejo, onde nem a tradição da presença do PCP impediu que em muitos concelhos a Igreja tivesse organizado procissões para rezar por chuva. Foram lançadas operações de ajuda alimentar e foram importadas mais de duas centenas de milhares de toneladas de trigo forrageiro e de fardos de palha, para alimentar e manter o gado a custos reduzidos.

É impossível prever as tragédias provocadas pelo clima, mas espero que o governo esteja atento ao que se passa na agricultura pois as secas não apanham ninguém de surpresa e esta dura há tempo suficiente para que todos soubéssemos que este anos seria e continuará a ser um ano terrível.


Não sou nada crente e muito menos dado a rezas e procissões, no creo en brujas pero que las ay, las ay. Assim, espero que o ministro da Agricultura esteja a preparar os meios necessários para enfrentar uma tragédia eminente. Se a falta de chuva se prolongar, as sementeiras de outono ficarão inviáveis e a produção de cereais e de forragem, bem como a criação de gado no centro e sul do país entrarão em colapso.

 Dúvidas que me atormentam

Será que ainda vamos apanhar com outro governo com uma agenda de austeridade brutal em nome da defesa do lugar da ministra da Administração Interna?

 Minifúndio e fim de semana

Coincidência ou não os incêndios do passado domingo ocorreram num domingo e nas regiões onde predomina o minifúndio. Poder-se-á dizer que  nos latifúndios há menos pinheiros ou eucaliptos ou que no domingo as condições atmosféricas foram mais extremas. A verdade é que durante toda a semana as condições atmosféricas foram favoráveis ao aparecimento de incêndios e que nos latifúndios também existem florestas e matos suficientes para a eclosão de incêndios.

Há uma relação evidente entre a presença humana e os incêndios. Há quem associe os incêndios à desertificação mas a verdade é que nas regiões do latifúndio, muito mais desertificadas, não ocorreram incêndios. Diz-se que o abandono dos campos leva a incêndios mas foi nas regiões com mais atividade agrícola que os incêndios ocorreram.

Vale a pena refletir sobre a relação entre a presença humana, as suas atividades económicas e agrícolas e a sua educação com os incêndios. 

      
 Uma entrevista que vale a pena ler
   
«Especialista em Planeamento, Prospectiva e Desenvolvimento Sustentável, Fernando Teigão dos Santos foi assessor do Governo anterior durante três anos e ficou com os cabelos em pé quanto ao funcionamento dos executivos em geral. Acaba de lançar Governar Melhor, livro em que apresenta propostas para “trazer os governos para o século XXI”. A sua máxima é que a reforma do Estado deve começar pela reforma do Governo. E há muito a fazer.» [Público]
   
Parecer:

O entrevista  faz propostas que merecem ser lidas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a leitura.»
  
 Oportunismo
   
«O presidente da bancada do PSD, Hugo Soares, anunciou nesta terça-feira a apresentação de uma iniciativa no parlamento para criar um mecanismo rápido de indemnizações às vítimas dos incêndios do fim de semana. “O grupo parlamentar do PSD dará entrada a um novo diploma para que as vítimas e familiares, aqueles que perderam os seus bens e modo de viver na tragédia deste fim de semana, possam ser imediata e rapidamente ressarcidos pelos seus prejuízos”, afirmou o deputado social-democrata, em declarações aos jornalistas no final da conferência de líderes parlamentares.

Segundo o deputado social-democrata, tratar-se-á de “um mecanismo indemnizatório expedito em que o Estado assume de forma imediata a sua responsabilidade e as pessoas não tenham de esperar meses, anos a fio, pelas decisões dos tribunais”.


“[Será] exatamente igual àquele que tivemos oportunidade de apresentar aquando da tragédia de Pedrógão [Grande], que foi, sem apelo nem agravo, chumbado pela maioria de esquerda parlamentar” na especialidade, disse, referindo-se ao mecanismo extrajudicial para pagamento das indemnizações em cerca de seis meses às vítimas dos fogos de junho, no centro do pais.» [Observador]
   
Parecer:

O PSD acena com dinheiro para promover a revolta, ou o governo cede ou acende-se mais um incêndio, agora em terreno do cavaquistão onde o PSD controla algumas autarquias.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 Umas boa notícia que veio da Síria
   
«As milícias curdas e árabes apoiadas pelos Estados Unidos hastearam hoje a sua bandeira no estádio de Raqqa, pondo um fim simbólico a quatro meses de combates para expulsar os jihadistas daquela que consideravam a “capital” do seu autoproclamado califado, relatam testemunhas.

Os combates no local já terminaram, mas as Forças Democráticas Sírias (SDF) estão ainda a tentar desactivar minas existentes no local e a procurar combatentes que possam continuar na zona, contou à Reuters Rojda Felat, comandante daquela coligação. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que conta com uma rede de activistas no país, diz que o Daesh foi já completamente expulso da cidade.

 “Sabemos que há explosivos artesanais e armadilhas nas zonas que o Daesh controlava, por isso as SDF continuam a tentar limpar essas zonas”, afirmou o coronel Ryan Dillon, porta-voz da organização. Na zona terão sido também encontradas armas e documentos destruídos pelos jihadistas em fuga.» [Público]
   
Parecer:

o Isis perdeu o seu ultimo reduto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Esperemos para ver o que sucede na Líbia, no Afeganistão, no Iémen ou em países africanos para onde poderão fugir os sobreviventes.»

terça-feira, outubro 17, 2017

AS COMUNIDADES TÊM DE SE MOSTRAR MAIS RESILIENTES

Já não bastava sermos demasiado piegas, gente com a tendência para procurar zonas de conforto e, a crer no lanzudo do Tavares, somos governados por ministros que em vez de andarem a combater incêndios estão entretidos com as benesses dos funcionários públicos.  

A crer nessa sumidade nacional que é Sousa Tavares o mês de Outubro devia ser declarado como o mês de campo do governo, o equivalente à semana de campo da tropa, um mês durante o qual em vez de andarem preocupado com benesses orçamentais para esses filhos da mãe dos funcionários públicos os ministros andariam ocupados com problemas nacionais. Que saudades que todos já temos do nosso belo orçamento, com vista para austeridade, nesses tempos as coisas eram como deviam de ser, em vez de servirem para dar benesses a funcionários e reformados, eram anunciados cortes de vencimentos, aumentos do IVA sobre bens alimentares e eletricidade ou cortes nas pensões desses inúteis de cabelo branco. Estou preocupado, se um dia arranjar uma namorada do CDS também ficarei a pensar desta forma?

Quem tem razão é a ministra porque confirma o que já tinha dito Passos Coelho, o mafarrico que está de partida, para ser substituído por um diabrete, já tinha dito que somos todos uma data de piegas, gente amaricada que não é capaz de viver com menos de 500 euro ou comer e calar depois de cortes de 30% dos rendimentos. Agora a linguagem é mais fina, já não somos piegas, em vez do adjetivo dos betinhos, a nossa condição é melhor caracterizada, as nossas comunidades são pouco resilientes.

As nossas aldeias estão cheias de gente amaricada que já não consegue apanhar um aguaceiro no lombo sem ter que ir para o centro de saúde com uma constipação. Somos um povo de medricas e fracos, mal vemos as primeiras labaredas desatamos a fugir, mijando pelas calças abaixo. Já não aguentamos o frio, não suportamos o calor, somos comunidades de fracos.

Não são só os ministros a precisarem de fazer semanas de campo em vez de andarem entretidos com orçamentos, são necessárias novas campanhas de dinamização cultural, com as meninas licenciadas na UAL a explicarem ao povo como se trabalha de sol a sol comendo pão com azeitonas, como é que se apanham azeitonas com os dedos enregelados pela geada, como é que se sobrevive com caldo-verde feito com as folhas da couve-galega, como se combatem incêndios apenas com as mãos. Estamos todos à espera que a nata nacional dos betinhos venham ensinar o país, os betinhos de boas famílias ensinam os ministros a preocuparem-se com coisas importantes e as betinhas dos corredores luxuosos do Estado vão ensinar as comunidades a serem mais resilientes.

O país está cheio de gente inteligente disponível para nos ajudar, explicam ao povo que tem de deixar de ser meio amaricado, sugerem destinos de emigração, ensinam os governos a preocuparem-se com o que é importante, dizem que não devemos ser piegas. Estas elites julgam que Portugal é um país de imbecis.

UMAS NO CRAVO E OUTRSS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Constança Urbano de Sousa, ainda ministra da Administração Interna

è lamentável que enquanto portugueses morrem alguém considere que a sua demissão é assunto, perante as perguntas insistentes dos jornalistas o bom senso aconselharia a declarar que aquele era o momento para liderar e preocupar-nos com as vidas alheias. Mas a ministra parece muito preocupada com a sua situação e até refere que não tem férias, sugerindo que está fazendo um grande sacrifício.

Talvez a ministra não saiba que há muita gente que não tem férias, que milhares de bombeiros não tiveram férias para combater os fogos e alguns deles morreram ou ficaram gravemente feridos. Falar do grande sacrifício de não ter tido férias neste momento não passa de argumento de menina bem. O que é isso ao lado dos que morreram, ficaram feridos, viram uma vida de trabalho destruída, ou combater incêndios durante dias a fio alimentados por refeições miseráveis, como se viu opelas fotografias?

«Acho que este não é o momento para a demissão, é o momento para a ação. Ir-me embora seria o caminho mais fácil, ia ter as férias que não tive". Foi assim a resposta de Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna, quando questionada sobre se, à luz dos incêndios que começaram este domingo e que já fizeram 27 mortos, ponderava demitir-se.

Foi, aliás, a terceira vez a que respondeu à mesma pergunta, com formulações diferentes, de "tem condições para se manter no cargo?" a "sente-se confortável a manter as suas funções?". Impaciente, a governante respondeu pelas três vezes que a demissão "não iria resolver o problema", lembrando que as suas funções são "naturalmente, extremamente difíceis" e que por isso o caminho "mais fácil" a seguir seria a demissão.

Falando à saída de uma reunião da Comissão Nacional de Proteção Civil na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide, Constança Urbano de Sousa tentou dar as respostas sobre o que falhou naquele que já é considerado o pior dia de incêndios do ano e uma situação só comparável ao verão de 2006, apesar de estarmos já a meio de outubro. "O que está a falhar já falha há muito tempo, que é a prevenção estrutural. Não se faz nem de um dia para o outro nem de um ano para o outro. Vai demorar muito até termos uma floresta ordenada", frisou.» [Expresso]

 Constança 2 - 0 Centeno

Quando o país devia estar a discutir o bom momento económico vieram os incêndios e não se falou de outra coisa. Agora que Centeno devia estar a defender o OE vem novamente a Constança e centra as atenções em si. Costa anda com azar.

      
  Prevenção estrutural?
   
«A ministra Constança Urbano de Sousa culpa o “número de ocorrências”, só igualado depois de muito se recuar na memória, “para 2006”, para justificar a dimensão dos incêndios que nos últimos dias têm consumido o país e que transformaram este domingo no "pior dia do ano". São já 31 as vítimas mortais.

“Houve imensas ignições – ignições que não surgem do nada. Não são auto-ignições”, assevera. Questionada sobre a sua origem, a ministra da Administração Interna responde que não se trata “necessariamente de mão criminosa, mas mão negligente, pessoas que fazem queimadas quando é absolutamente proibido fazer, e que fogem do controlo”.

“O país está numa situação de seca extrema, ontem [domingo] tivemos ventos fortíssimos por influência do furacão Ophelia. Tudo isso leva a que os incêndios tenham uma propagação absolutamente extraordinária”, considera Constança Urbano de Sousa, apelando aos cidadãos para que se comportem “em conformidade”.

“Temos de fazer uma reflexão séria sobre a adequação do sistema de protecção civil às novas condições. As novas condições dizem-nos que vamos ter cada vez mais incêndios de enorme proporção. Não só neste país”, continua a ministra, referindo os incêndios na Galiza e na Califórnia para sublinhar que esta não é uma situação exclusivamente portuguesa.» [Público]
   
Parecer:

A questão está em saber se antes do início do verão haviam circunstâncias que permitissem ou não prever o risco de ocorrerem situações como as que aconteceram.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à ministra.»

segunda-feira, outubro 16, 2017

O conto do vigário

Ainda que a expressão sugira que vigário seja um sinónimo de vigarista ou burlão, a verdade é que o vigário da estória que segundo a tradição deu lugar à expressão era mesmo um vigário, um sacerdote designado para coadjuvar um pároco, em suma, um padre. Conta-se que “ainda no século XVIII, uma disputa entre os vigários das paróquias de Pilar e da Conceição em Ouro Preto, pela mesma imagem de Nossa Senhora. Um dos vigários teria proposto que amarrassem a santa ao burro que estava solto na rua. Pelo plano, o animal seria solto entre as duas igrejas. A paróquia para a qual o burro se encaminhasse ficaria com a imagem. O animal foi para a igreja de Pilar, que assim ganhou a disputa. Mais tarde teria sido descoberto que o burro era do vigário dessa igreja” (Wikipedia).

Não é do burro que vamos falar, ainda que nesta história pouco dignificante que estão sendo as eleições para a escolha do líder do PSD não faltem burros, lerdos e espertalhões de duas patas, não sendo de por de parte a possibilidade de algum procurador mandar o Sol contar se eles andam em casa nas quatro patas, depois dos sinais nas pilinhas, das compras de cocaína pelo Sócrates e da frutaria nas Antas nada nos surpreende neste país. Vamos falar dos candidatos do PSD, mais precisamente de Santana Lopes e Rui Rio.

Neste caso o burro são os militantes do PSD, e o vigário dono do burro é o da paróquia de Belém, porque depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter exibido os fardos de palha ao lado de Santana Lopes todos sabemos para onde vai correr um burro esquelético e cheio de fome de poder. 

O que mais impressiona nalguns protagonistas nesta disputa, como Marcelo, Miguel Relvas e outros é a falta de respeito pelas regras mais elementares e o despudor como se comportam no pressuposto de que os militantes do PSD não têm autonomia intelectual e dependem de truques para decidir em quem vão votar. Se Marcelo Rebelo de Sousa parece ter-se inspirado no velho conto do vigário, já Miguel Relvas, mesmo culto e mais arredados de paróquias e profissões parece ter-se inspirado nas nossas feiras.

Ainda que tendo sido um político inspirado no “caga milhões” Relvas e outras personalidades do PSD parece inspirar-se noutro tipo de vendedor de feira. Era muito comum nas nossas feiras haverem vendedores que montavam uma banquinha e anunciava as vantagens do seu produto, em regra algo com aparência de cura inovadora de uma qualquer maleita. O povo aproximava-se, rodeava o vendedor, mas ficava hesitante, até que um ou dois capangas do vendedor se decidiam a comprar o produto, levando os hesitantes a fazer o mesmo.

Esta luta pela liderança do PSD mostra até que ponto aquele partido se deixou degradar e as personagens que se estão envolvendo nesta disputa estão proporcionando um espetáculo que não passa de uma pantomina.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Fernando Nobre, ex-deputado do PSD

Para os que estão mais esquecidos Fernando Nobre foi deputado do PSD na anterior legislatura e só o deixou de ser porque o parlamento rejeitou-o na escolha do presidente. Isto é, o mesmo Fernando Nobre que agora diz que o crescimento da economia não chegou aos mais pobres, é o mesmo que se preparava para estar à frente de um parlamento que adoptou medidas para que os pobres ficassem mais pobres depois de escolhidos para ajudar a superar a crise, ao mesmo tempo que se poupavam os mais ricos.

Fernando Nobre não parece ter o bom senso que recomendaria que evitasse mexer em questões relacionadas com pobreza.

«Organizações do setor social reconhecem que há uma melhoria da situação económica do país, mas que esta ainda não chegou à franja mais pobre da população, superior a dois milhões de portugueses.

"O panorama económico do país atualmente é melhor (...), mas o que temos constatado é que ao nível da franja mais pobre da população ainda não estamos a ver o retorno dessa melhoria", disse o presidente da Fundação AMI, que falava à Lusa a propósito do Dia Internacional para Erradicação da Pobreza, que se assinala na terça-feira.

Para isso acontecer, seria preciso que o crescimento previsto de 2,5% da economia portuguesa se "mantivesse durante alguns anos", adiantou Fernando Nobre.» [DN]

 AT acusou Sócrates?

Quando o MP tornou pública a acusação deduzida no Caso Marquês muitos órgãos de comunicação social dissseram que o "MP e a AT" acusou os arguidos do processo. Ainda que ninguém tenha vindo a público contrariar este tipo de notícias é saudável esclarecer que a AT não acusou ninguém de nada.

O fato de nas investigações um serviço da AT ter funcionado como órgão de polícia criminal e ainda que seja mais ou menos claro, a crer no que se foi lendo na comunicação social, que quase todo o trabalho foi feito por um grupo de funcionários da AT, isso não significa que esta autoridade esteja vinculada à acusação.

Tanto quanto se sabe nada do foi escrito pelos funcionários da AT foi sancionado pela sua hierarquia, ali´s, no respeito pelo segredo de justiça a hierarquia da AT nem poderia ter conhecimento do que se apurava ou se julgava estar a ser apurado no âmbito do processo. Quem sancionou o trabalho dos funcionários da AT foi a hierarquia do MP. A AT enquanto instituição esteve e continuará a estar à margem da instituição, pelo que todos os "louros" do processo devem ser entregues aos procuradores envolvidos no processo.

 MP deixou cair a suspeita de consumo de cocaína?

Agora que há uma acusação no caso Marquês vale a pena perguntar porque razão deixaram cair tantas suspeitas, será porque não tiveram provas ou porque no momento em que as usaram para difamar não tinham quaisquer provas. Uma das suspeitas mais hilariantes que "deixaram" escapar para os jornais foi a de que Sócrates comprava ou mandava comprar cocaína.

«As suspeitas à volta da compra de droga começaram começou durante a fase mais sigilosa da Operação Marquês. Poucos meses antes de os investigadores avançarem para a detenção de José Sócrates - 21 de Novembro de 2014 - o procurador Rosário Teixeira, o inspector tributário Paulo Silva e o juiz de instrução Carlos Alexandre ouviram várias escutas telefónicas e ficaram com a suspeita de que o antigo primeiro ministro usava o dinheiro na posse do seu amigo, Carlos Santos Silva, para comprar ou mandar comprar cocaína e/ou outros estupefacientes.

(...)

Na publicação, refira-se, José Sócrates, suspeito, entre outros crimes, de corrupção fraude fiscal e branqueamento de capitais, não faz qualquer referência às escutas telefónicas com que as testemunhas foram confrontadas, as quais indiciariam, segundo a investigação, uma eventual compra de cocaína ou de "outras substâncias", como referiu, por exemplo, o inspector tributário Paulo Silva.» [Sábado]

A suspeita pariu do fiscal da AT mas o Sábado assegura que o procurador Rosário e super juiz de Mação alinharam nessa suspeita. Para termos a certeza de que não estamos perante uma manobra de difamação e porque ninguém se demarcou da notícia difamatória seria bom que o fiscal de Braga e os magistrados tornassem públicas as escutas que acharam ter fundamento para esta manobra difamatória.

 Condecorado com a Ordem da Liberdade



Agora que António Barreto foi condecorado com a Ordem da Liberdade, que no seu caso e pelo seu historial de luta pela democracia equivale a uma prenda na Farinha Amparo, vale a pena ler o seu primeiro artigo desde que Marcelo o agraciou:

«É uma história sem fim feliz. Qualquer que seja o desenlace, ficaremos a perder. Portugal e o seu povo ficarão sempre a perder. Evidentemente, se justiça for feita, poderemos sempre dizer que ressuscitámos, que a Justiça é a nossa Fénix. Se os culpados forem expostos e condenados e se as vítimas e os contribuintes forem pelo menos moralmente ressarcidos (nunca o serão financeiramente...), será possível dizer que, bem lá no fim, a Justiça prevaleceu. Se assim for, poderá também afirmar--e que será possível, depois do desastre, aprender com os erros. É uma consolação.» [DN]

Isto é, com uma condecoração novinha em folha atribuída a um suposto defensor da liberdade, António Barreto começa o seu artigo partindo do princípio de que na justiça deve prevalecer a presunção da culpa e só se o arguido for condenado é que foi feita justiça. Para quem tem uma coluna com o título genérico de "sem emenda" é caso para dizer que nunca um título foi tão ajustado.

Todo o artigo é uma lista de acusações sem direito á defesa, com António Barreto chamando a si o papel de juiz de um tribunal plenário, onde condena sem ouvir, sem defesa e sem qualquer pejo em condenar apenas com base na sua má opinião acerca do arguido:

«As instituições, por responsabilidades objectivas ou subjectivas, não agiram quando deviam, não perceberam o que estava a acontecer.»

«Os governantes não falharam, porque eram cúmplices ou protagonistas.»

«Convém não esquecer que não se sabe onde pairam cinco a dez mil milhões "desaparecidos", mas que se encontram depositados a recato em contas de famílias, seus mandatários, cães e gatos.»

«Ou perde a democracia e o seu sistema político que conviveu com parasitas da política ou das finanças, deixou pulhas roubar o Estado e permitiu que velhacos roubassem depositantes, credores e accionistas de boa-fé.»

António Barreto está tão certo de que Sócrates vai ser condenado ou de que quando o julgamento chegar ao fim já ninguém se lembrará das alarvidades

Como português sinto vergonha que um cidadão acabado de receber uma condecoração nacional das mãos do presidente da República escreva assim, como um mero leitor de pasquins. E sinto ainda mais vergonha pelo país e pela democracia e por todos os que por ela se bateram e morreram ao ver que quem escreve desta forma e com estes princípios tenha recebido precisamente da Ordem da Liberdade.

Os últimos portugueses a receber a Ordem da Liberdade foram António Guterres e Mário Soares. Não sei o que Marcelo o critério para alguém merecer receber esta condecoração, mas é evidente que nesta coisas das condecorações é como no vinho, há anos de vintage e outros que são de zurrapa.

 Dúvidas que me atormentam

O Público, jornal da SONAE, parece estar muito interessado no negócio da PT, o que se entende, O Azevedo Jr parece ter tido um papel muito importante na acusação a Sócrates, fazendo sentido que o jornal use agora as suas páginas para convencer a opinião pública sobre essa acusação. Faz, sentido, para alguma coisa de investe em jornais.

O que não entendo é porque tendo o representante do Estado na assembleia da PT ter assegurado que recebia instruções de dois colegas do escritório, estes não terão sido chamados a depor para explicarem de quem recebiam as instruções que davam a Sérvulo Correia:

«O PÚBLICO consultou o depoimento de Sérvulo Correia durante o inquérito (o professor faz parte do rol de testemunhas de acusação deste caso) e o reputado advogado apenas admite ter recebido instruções verbais para se abster.

O antigo professor universitário garante que nunca reuniu com nenhum membro do Governo antes da assembleia de 2 de Março e reconhece que o convite e as instruções sobre o sentido de voto que deveria seguir lhe foram transmitidos por dois colegas de escritório, Rui Medeiros e Lino Torgal. Questionado pelo Ministério Público sobre se "não estranhou" ter recebido um convite por "via indirecta" e instruções pela mesma via, o advogado respondeu que não. E justificou essa posição com o facto de "confiar" nos seus colegas.   

Adiantou, no entanto, que na altura lhe foi disponibilizado o contacto telefónico directo do então ministro dos Transportes e Comunicações, Mário Lino, e de um secretário de Estado que admite ser Costa Pina, para que, se fosse necessário, obtivesse orientações durante a assembleia.» [Público]

Certamente o tempo escasseava e considerou-se que tais testemunhos não trariam nada de novo à acusação.

 António Ventinhas

António Ventinhas, líder do sindicato que em tempos organizou um congresso luxuoso com o patrocínio dos dinheiros duvidosos do BES, apressou-se a declarar a propósito do Caso Marquês, que a provarem-se as acusações era preocupante porque isso significaria que o poder está corrompido.

Agora ficamos à espera que apareça a acusação ao ser colega que está preso preventivamente no âmbito do processo do vice-presidente de Angola. Veremos que se for deduzida acusação o sindicalista vem logo no dia seguinte dizer que a comprovar-.se a acusação isso significa que o MP está corrompido.

 Quem falou em OE eleitoralista?



 Empresas portuguesas deram-se mal na Irlanda

Marques Mendes socorreu-se de uma entrevista de Daniel Bessa em apoio das suas críticas ao OE. Mas o mais hilariante foi a forma como Marques Mendes apresentou o homem do Norte para assegurar que era uma opinião inquestionável. A definição de Daniel Bessa segundo Marques Mendes: é um grande economista, não é político e é da oposição porque (durante um par de dias) foi ministro do PS.

      
 Empresas portuguesas deram-se mal na Irlanda
   
«O caso de três empresas portuguesas condenadas na Irlanda por pagarem salários abaixo do contratado e descontarem por alojamento e lavandaria é um precedente que desencoraja situações semelhantes, afirma a presidente da Associação Portuguesa da Irlanda. 

"Depois de este julgamento estar confirmado e registado, vai ter implicações para outras empresas porque não será preciso ir a julgamento, estabelece um precedente judicial", disse Maria Manuela Silva à agência Lusa. 

O Tribunal de Recurso confirmou em 4 de outubro a sentença do Tribunal Superior [High Court] de março de 2016, quando as empresas Amândio Carvalho SA, Rosas Construtores SA e Gabriel Couto SA, que formavam o consórcio Rac Eire Partnership para uma autoestrada na Irlanda entre 2007 e 2009, condenadas a pagar cerca de 1,2 milhões de euros a um grupo de 27 de trabalhadores portugueses. » [Expresso]
   
Parecer:

Estão mal habituadas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

domingo, outubro 15, 2017

Semanada

O país festejou a acusação a Sócrates, uns porque tiveram matéria para o pendurar mais uma vez, outros porque começavam a ter dúvidas da competência do MP. Mas há os que deverão estar tristes, acabaram-se os segredos da vida pessoal de um ex-primeiro-ministro, resta-nos a esperança de que sejam abertos mais processos. Há uns anos atrás soube-se de pintinhas em pirilaus, agora das férias, namoradas e ex-esposas de Sócrates, mas há muito por saber. Pagava para que o Marques Mendes tivesse um processo para que o CM; nos contasse como é que ele dá uma em pé. Delirava ver o Sol, até mesmo o seu diretor a escrever um livro sobre as se Assunção Cristas compra na Intimissimi ou se ainda recorre ao enxoval do casamento e usa lingerie com rendas de bilros.

A propósito do OE para 2017 Marcelo Rebelo de Sousa manifestou-se preocupado com o eleitoralismo em 2019, o que nos leva a questionar se na próxima comunicação na noite de Natal vai falar das prendas no sapatinho deste ano ou das desgraças de 2019. Talvez Marcelo Rebelo de Sousa não tenha reparado, mas todos os orçamentos são eleitoralistas, se os governos forem honestos e a realidade o permitir, cumprem o que previram nos programas eleitorais adotando medidas orçamentais ao longo da legislatura. Se a Geringonça concluir em 2019 as medidas previstas no acordo e no programa eleitoral do PS faz o que prometeu aos eleitores. Aliás, a Geringonça não estará apenas a cumprir as suas promessas, muito do que Marcelo designa por eleitoralismo estava previsto no programa do PAF para 2019!

A propósito do incêndio de Pedrógão Grande Marcelo falou de “responsabilidade funcional”. Embora não tenha explicado o que é essa coisa de responsabilidade funcional, isto é, o que significa ter responsabilidade porque quem tem funções está vários degraus abaixo na hierarquia, parece que sugere que a ministra seja responsabilizada. Abaixo da ministra há tantos degraus hierárquicos como os que existem entre o comandante supremo das forças armadas e o comandante da base de Tancos. Será que no caso de Tancos também serão assumidas as responsabilidades funcionais?

O país teve dois momentos de grande felicidade nesta semana, dignos de se cantar o hino com grande exaltação nacionaliza, desta vez a seleção conseguiu ganhar à Suíça e como se isso não bastasse, até o país tremeu com esse enorme orgasmo nacional que foi o anúncio pelo próprio da candidatura de Pedro Santana Lopes, um homem que todos conhecemos e podemos certificar que não é gay ou coisa parecida. Consta que as fábricas de incubadoras estão a adotar controlos de qualidade mais exigentes enquanto as fábricas de talheres estão a aumentar o stock de facas pois prevê-se um aumento significativo da procura.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Daniel Bessa, "ex-ministro do PS"

Só mesmo esta luminária conseguiria o milagre garantindo que "com este crescimento eu teria, no mínimo, um défice zero", só não explica como é que com défice zero teria este crescimento.

Este senhor, que ganhou mais notoriedade nacional por ter sido ministro do PS durante um par de dias do que pelos muitos anos de gestor ou de universitário, foi um dos defensores mais firmes da pinochetada económica de Passos Coelho, é o homem a quem os jornais recorrem quando querem falar mal da esquerda e ajudar a direita.

Nesta fase o problema é outro e vão desfilando os apoios a Rio ou a Santana e todos estes apoios fazem a sua declaração de saudosismo em relação a Passos Coelho. Alguns, como este, metem dó, até porque não é Rio que precisa de Bessa, em termos de votos dentro do PSD o "ex-ministro do PS" não vale o caracol, assim, é Bessa que quer sair da penumbra colando-se a Passos. As suas alarvidades económicas é um recado, está dizendo a Rio "ó Rio, se ganhares não te esqueças de mim".

«Na sala de entrada da Porto Business School onde dá aulas, Daniel Bessa sente-se em terra firme. A sua intervenção política é um “diletantismo”, que não o inibe de assumir posições críticas contra a política financeira do Governo, a elogiar Rui Rio ou Emmanuel Macron ou a agradecer a Passos Coelho. Mas é como académico com forte ligação às empresas que mais gosta de se projectar. Nessa condição, congratula-se que a economia cresça não pelo consumo como previa o Governo, mas pelo lado da exportação. E lamenta que não se olhe mais “para amanhã” e se faça um esforço maior para travar “o barril de pólvora” da dívida.» [Público]

 Orçamento eleitoralista

Orçamento eleitoralista é um OE com um défice de 1%!

 É o orçamento minha querida!

Assunção Cristas fez a declaração mais acertada sobre o OE 2018, que o governo dá com uma mão e tira com a outra. São assim os orçamentos de um lado têm as despesas e do outro as receitas.

      
 O que é a culpa funcional?
   
«Num texto escrito, "para ser mais breve e mais compreensível", Marcelo Rebelo de Sousa deixou um convite "a uma avaliação dos contornos jurídicos do sucedido quanto ao enquadramento de acções e omissões no conceito de culpa funcional ou de funcionamento anómalo ainda que não personalizado, como sabemos pressuposto de efectivação da responsabilidade civil da Administração Pública".

O Presidente acrescentou que "Portugal tem o dever de proceder a tal avaliação e de forma rápida, atendendo à dimensão expecional dos danos pessoais, a começar no maior e mais pungente que é a perda de tantas vidas".

Marcelo deixou ainda um apelo "à coragem de aproveitarmos por uma vez uma tragédia para mudarmos de vida e rompermos com aquilo que estrutural esteve mal, não minimizando o que correu mal, não tentando fazer de conta que ela foi o que foi, antes mobilizando tudo e todos, mas mesmo todos".» [Público]
   
Parecer:

Marcelo tem aqui matéria para uma aula a dar a todo o país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A Maria Luís voltou
   
«O Orçamento do Estado (OE) para 2018 segue "uma estratégia errada, revela falta de visão e falta de ambição para o futuro do país" e representa mais uma "oportunidade perdida" por o Governo não aproveitar  a conjuntura económica favorável para fazer reformas para preparar o futuro. Quem retrata assim a proposta entregue ontem pelo Governo na Assembleia da República é a ex-ministra das Finanças e vice-presidente do PSD, Maria Luís Albuquerque, mas mesma a ideia foi igualmente sublinhada, com boa parte destes termos, pela líder do CDS-PP, Assunção Cristas, este sábado ao fim da manhã.

"Em três orçamentos deste Governo, dois são de desaceleração da economia" destacou a deputada, apontando "o aumento do peso do Estado" no OE2018 como um sinal que preocupa o PSD. E criticou também o facto de haver muitas medidas “faseadas”, que são o reflexo de uma forma “pouco séria de conduzir as políticas económicas e orçamentais”, procurando criar “ilusões” nos eleitores em vésperas de legislativas, como é o caso do pagamento da progressão nas carreiras.» [Público]
   
Parecer:

Alguém tinha de fazer o frete de falar sobre o OE e são cada vez menos os que se aproximam de Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente.-se o sacrifício a que tem sido sujeita a pobre rapariga.»

 Só faz falta quem está
   
«Convidados para a cerimónia, que se realiza todos os anos, os generais decidiram não comparecer, sendo que alguns deles nem mesmo alegaram compromissos de agenda, ao que apurou o Expresso. Outros pretextaram razões de saúde ou afazeres profissionais. O grosso dos oficiais-generais terá comparecido.

Entre os “faltosos“, encontravam-se os ex-chefes Valença Pinto, Garcia dos Santos e Rocha Vieira, o ex-vice-CEME Campos Gil e ainda os generais Carlos Reis (chefe da Casa Militar de Cavaco), Maia Mascarenhas, Ferreira e Costa e Fragoso Mateus.

Segundo as informações recolhidas pelo Expresso, os generais terão trocado pontos de vista, mas a falta de comparência não resultou de de uma decisão coletiva. A atitude terá tido como objetivo marcar posição face à gestão do “processo de Tancos” pelo atual chefe de Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, da qual discordam. Os generais consideram que o facto do assalto em si é gravíssimo, mas o que se seguiu foi ainda pior, ouviu o Expresso.» [Expresso]
   
Parecer:

Até parece que a culpa foi dos civis vizinhos da base.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Da próxima não se convide quem esteve ausente.»

sábado, outubro 14, 2017

Conclusões de um ignorante em direito



Confesso-me ignorante em direito, mas num país em que altos magistrados e administradores bancários tiraram os cursos de direito e de economia saneando professores catedráticos a mando do grande educador do proletariado Arnaldo Matos, mais o seu ajudante Saldanha Sanches, para depois concluírem as cadeiras com passagens administrativas, para não falar dos cursos à Miguel Relvas, sinto-me no direito a falar de tudo, do que sei e do que tenho a mania de que sei,, pelo menos enquanto a geração MRPP que atormenta o país não mudar na sua totalidade de residência para o Alto de São João. Aliás, depois de, a propósito, de Tancos ter ouvido uma alta magistrada dizer que o MP nada tinha que ver com a prevenção criminal, até me sinto um especialista no MP.

A primeira grande dúvida que tinha em relação ao processo de Sócrates era se no momento da prisão preventiva já havia matéria suficientemente par deter preventivamente um cidadão deste país, beneficiário dessa Constituição que em matéria de direitos individuais dizem ser uma das mais avançadas do mundo. Além disso, o juiz de instrução a quem cabe defender os direitos dos cidadãos arguidos dos abusos dos investigadores, era esse cidadão exemplar de nome Carlos Alexandre, de quem dizem ser um supre juiz. Não podia e posso estar mais tranquilo.

A acusação fez-me confiar na justiça, há uma acusação de corrupção que certamente explica a prisão preventiva de um ano, Sócrates influenciou o governo venezuelano para contratar uma empresa portuguesa. Mas agora vivo em grande ansiedade, quem me garante que amanhã não acordamos com Cavaco preso por ter dado benefícios fiscais para atrair a Autoeuropa, o Durão Barroso mais o seu compadre que tanto promoveram a diplomacia económica. Quem em garante que amanhã não estarão na ala prisional da PJ todos os que foram presidente do AICEP ou dos ministros que promoveram a internacionalização das empresas portuguesas?

Mas podemos estar descansados, até que porque muitos meses depois de Sócrates preso, quando o Vale de Lobos apareceu no processo, já havia mais do que motivos para que Carlos Alexandre despisse as suas vestes de defesa dos valores constitucionais, depois das casas da Venezuela a prisão preventiva de Sócrates era pouca coisa,  em comparação do que ele merecia. Já se sabia o suficiente para aaplicar sem julgamento uma qualquer pena imaginada pelo André Ventura.

Do caso de Vale de Lisboa já muito se disse sobre o negócio, mas se esquecermos a Venezuela, que fornece jurisprudência criminal suficiente para transformar a famosa Praia dos Tomates num Tarrafal Algarvio, promovendo o famoso Gigi a cantina prisional, só  muitos meses depois da libertação de Sócrates o MP encontrou matéria para uma primeira acusação. O caso da PT, fundamento da terceira acusação, só apareceu há poucos meses. 

De qualquer das formas fico grato por o Ministério Público me ter dado a conhecer a vida íntima de Sócrates. Agora estou ansioso opor saber como faz o Marque Mendes quando tem namoradas altas, quais os palavrões que Cavaco Silva diz à esposa nos seus momentos de intimidade, quem paga os fatos e os Jaguares ao Paulo Portas, se a Assunção Cristas usa fio dental ou cuecas de gola alta, se o Pacheco Pereira declama poesia enquanto dá as suas berlaitadas ou se o Pedro Mota Soares já consegue dar uma em cima de uma Lambreta. Confesso que depois de saber dos segredos de Sócrates fiquei viciado em voyeurismo e estou mesmo a pensar em exigir que o MP me trate um tratamento contra esta adição, depois de andar anos a saber da vindima íntima de um político já não aguento o sofrimento desde que sofro do síndroma de abstinência. Ou o MP volta a descrever a vida íntima de outros políticos ou continuarei em sofrimento psicológico.

Umas no cravo e outra na ferradura



 Jumento do Dia

   
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente com um ano de avanço

Quando li que Marcelo estava preocupado com o OE eleitoralista de 2019 voltei a ler para ter a certeza de que a minha cabeça não tinha batido na parede, mas não, o Presidente está mesmo preocupado com 2019.

Mas é um bom sinal, em 2016 falava-se no diabo, muitos esperavam que a geringonça ficasse desconjuntada em 017, poucos esperavam um acordo orçamental para 2018, mas Marcelo assume o seu estatuto de adiantado mental, como não tem nada a dizer de 2018 já está preocupado com 2019.

Mas depois de quatro anos de caminho para equilíbrio orçamental sem perseguições a pensionistas e funcionários públicos e sem depenar os pobres Marcelo terá mesmo de se preocupar com 2019 ou mesmo com 2020, ano das próximas presidenciais, já que aos poucos o país regressa à normalidade. Digamos que o Presidente tem tão pouco para fazer que já trabalha para 2019. Veremos se a sua mensagem de Natal vai ser feita a pensar no Natal deste ano ou se Marcelo vaio já falar do Natal de 2019.

Enfim, força Santana, fica atento às dicas do Marcelo.

«O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu nesta sexta-feira, ao Governo e aos partidos que o apoiam, "bom senso e realismo" na gestão orçamental, deixando desde já alertas contra um eventual "Orçamento eleitoralista" para 2019.

"É preciso olhar para o ano que vem e, sobretudo, quando se conceber o orçamento para 2019, resistir à tentação de ele ser um orçamento eleitoralista", declarou o chefe de Estado, no encerramento do 7.º Congresso Nacional dos Economistas, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Numa intervenção de cerca de cinco minutos, o Presidente começou por se referir ao Orçamento do Estado para 2018, considerando que terá de se conseguir "um equilíbrio complexo" entre incentivos ao investimento, protecção social e controlo do défice.» [Público]

 Uma cantina escolar no Japão


Imaginem só se alguém sugerisse isto parra Portugal, a indignação dos país, as entrevistas dos diretores escolares, a revolta dos professores, a indignação dos autarcas, o programa Prós e Contras, o discurso do Santana Lopes, a gritaria esganiçada do Rangel, o pedido de esclarecimentos do Marcelo, as dezenas de artigos de opinião.

Não propomos a solução, sugerimos apenas o que por cá se diria. Até esqueciam os incêndios, os assaltos, as acusações e as candidaturas.

 A enterevista a Relvas na SIC Notícias

Esperava mais de Relvas, tinha esperança de que tivesse melhorado, que tivesse um discurso com qualidade. Afinal, não melhorou nada com os negócios e o enriqueciemnto, continua banal, sem ideias, sem análises com qualidade, uma des

 Ainda que mal pergunte

Foi notícia que o MP estava a investigar bloggers, isto é, pessoas, que dizem o que pensam exercendo o seu direito á liberdade de expressão em blogues. Seria interessante se o MP esclarecesse publicamente que bloggers investigou e com que meios (escutas, vigilâncias, consulta de dados bancários ou rastreio de informações fiscais) usou na investigação desses cidadãos deste país.

 O Processo Marquês

Até agora tudo aquilo que fui obrigado a conhecer foram coisas de que não queria saber, não tenho o direito de saber o que quer que seja sobre qualquer pessoa, seja o primeiro-ministro ou a vizinha. As escutas e os poderes de investigar não servem para difamar os cidadãos e quase tudo aquilo que chegou aos jornais durante mais de três anos não passou de coscuvilhice.

Durante mais de três anos os portugueses pagaram de forma principesca a procuradores para que os jornais oficiosos da justiça publicassem milhares de páginas sobre matéria da via privada de cidadãos que estão no pleno uso dos seus direitos. A senhora Procuradora-Geral deveria ser chamada ao parlamento para explicar porque motivo o país foi forçado a saber tantos dados sobre a vida privada de um cidadão.

Há quem diga que é uma vergonha para o país que um ex-primeiro-ministro seja acusado, isso é verdade, ainda que seja o julgamento a dizer qual é o responsável por essa vergonha, se o primeiro-ministro que cometeu os crimes ou a Procuradora-Geral que promoveu acusações que depois não conseguiu provar em tribunal.

Todos os portugueses sabiam que ia haver uma acusação, quem prendeu um ex-primeiro-ministro e depois da forma como Sócrates reagiu só podia fazer uma coisa, fugir em frente e acusar. Agora sim que chegou a hora da justiça, agora os juízes não são super juízes justiceiros e a defesa tem os mesmo direitos e está no tribunal em igualdade com a defesa.

Acabou o tempo da difamação, começou o tempo da justiça. Faça-se justiça.

      
 A Quadratura de Sócrates
   
«A novidade da Quadratura do Círculo de hoje, foi a forma sibilina como se pretendeu – para já muito ao de leve -, colar António Costa e membros do actual Governo, e até o PCP, ao caso Marquês: não há como não soubessem o que Sócrates andava a fazer, havia tantos indícios anteriores do “mau carácter” de Sócrates – diz o Pacheco -, que a presunção de inocência não deve impedir que se discuta o caso, como se tudo de que é acusado fosse verdade e não tenha que ser provado. A falta de lisura de Pacheco é gravíssima em alguém que se quer fazer passar por impoluto justiceiro e paladino da ética e da justiça.

Ele que tanto privou com Oliveira e Costa, Cavaco, Duarte Lima, com Miguel Macedo, com o irrevogável Portas, o homem dos submarinos que nunca foi devidamente investigado pela Justiça,  nunca deu por nada que indiciasse o “mau carácter” destes personagens? Só com Sócrates é que ele conseguiu antever indícios de mau comportamento moral e cívico? Onde andavas Pacheco, quando a escritura da Casa da coelha de Cavaco desapareceu? Não achaste estranho? Onde andavas Pacheco quando o caso dos submarinos foi arquivado tendo sido provada a existência de corruptores na Alemanha e de corrompidos em Portugal? Onde andavas Pacheco quando o Oliveira e Costa, do alto do BPN, distribuía milhões pelos amigos do PSD e pela máfia laranja que o cercava?

E depois vem o Xavier falar dos milhões que circularam entre um determinado grupo dos arguidos acusados. Ó Xavier serias capaz de explicar todos os milhões que durante uma década circularam pelas tuas contas, e da tua família, se fossem passadas a pente fino? Garantes que tudo é limpo, legal e transparente? E as contas do teu patrono e amigo Belmiro de Azevedo? É um empresário “impoluto”, nunca pagou comissões a ninguém, nunca ganhou nenhum negócio “por baixo da mesa”? Talvez os herdeiros do banqueiro Pinto de Magalhães, que se viram espoliados de grande parte da sua fortuna, tenham alguma coisa a dizer sobre os métodos e o carácter desse tão aclamado empresário nortenho.

Como se só o Dr. Ricardo Salgado e Sócrates, a ser verdade aquilo de que os acusam, fossem a demonstração exemplar e única das más práticas do capitalismo, Ó Xavier, ó cínico e vendido comentador: em capitalismo, é raro haver grandes negócios que não sejam atribuídos e adjudicados sem que se mande um obséquio qualquer a  quem politicamente os decide e adjudica. As multinacionais e os seus gestores de topo, quando aterram num determinado país, têm já o perfil completo de quem vai decidir nas suas áreas de negócio, e até de quanto isso lhes vai custar. As escolas de gestão de topo discutem isto, ainda que de uma forma informal, e escrevem sebentas onde eufemisticamente falam em “práticas de estratégia negocial”.

Jorge Coelho, o mais equilibrado dos três, e que, honra lhe seja feita, assumiu ser amigo de Sócrates há mais de 35 anos, tentou colocar o problema da acusação a Sócrates na esfera do politicamente correcto: “à justiça o que é da justiça”, e “deixemos a justiça funcionar”, ainda que tenha avançado que as acusações em apreço “não se enquadram bem com o Sócrates que ele conheceu”. Contudo, Coelho, alinhou com os restantes tentando passar a ideia de que, a serem verdade os factos da acusação, eles são uma excepção, um caso isolado do capitalismo português. Ó amigo Coelhones, também tu és um sonso. Tu que foste director-geral da Mota-Engil, juras mesmo que nunca pagaste “luvas” e comissões a ninguém para ganhares um negócio? Juras que a Mota-Engil nunca foi beneficiada num concurso por um “amigo conveniente” bem colocado no processo decisório? Pois olha, não acredito, porque se tal fosse verdade, a Mota-Engil já tinha falido e, pelo contrário, está mais próspera que nunca. Até contratou o Portas, para fazer aquilo de que é acusado Sócrates nas suas relações com o Grupo Lena.

Em suma, para estes três, o capitalismo funciona conduzido por virgens puras e púdicas, sendo a meretriz o camarada Sócrates e o proxeneta o Dr. Salgado. Pois muito bem. Se algum dia o Dr. Salgado abrir a boca – por necessidade de se defender -, garanto-vos que nesse dia não restará nada mais que areia suja a embrulhar a honorabilidade de muitos daqueles que hoje mais atiram pedras aos arguidos. Empresários, juízes, jornalistas, comentadores e deputados, todos sem excepção.

Como diz o texto bíblico: somos todos feitos do mesmo barro, e devia haver decoro – que não há -, em atirar a primeira pedra. É que, por vezes, a pedra faz ricochete. Aguardemos, pois, os próximos capítulos desta ópera bufa em que se transformou o país.» [Estátua de Sal]
   
Autor:

Estátua de Sal.

      
 Uma grande conquista
   
«A Assembleia da República aprovou nesta sexta-feira projectos do PAN, do BE e do PEV que possibilitam a permissão de animais de companhia em estabelecimentos fechados de restauração, para além dos cães de assistência já autorizados por lei.

Os projectos, apesar de todos aprovados, mereceram votações distintas e tiveram, em várias bancadas, votos de deputados desalinhados da posição oficial do seu partido.

O projeto do PAN nasceu de uma petição remetida ao Parlamento pelo deputado único André Silva e visa alterar legislação de 2015, que não permite a entrada de animais em espaços fechados de restauração e bebidas, mesmo que o proprietário do estabelecimento o autorize.» [Público]
   
Parecer:

Se estiver num restaurante e sentir o cãozinho do cliente da mesa ao lado a mijar na sua perna fça um sorriso, trata-se de uma grande conquista democrática do PAN.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê.-se a merecida gargalhada.»