sábado, fevereiro 11, 2017

O país de Marcelo mudou muito e muito de repente

Desde que Marcelo Rebelo de Sousa chegou à presidência que o país mudou, não o país de todos nós pois esse não mudou, a não ser, um pouco para melhor, porque qualquer país onde Passos Coelho deixe de governar fica logo melhor. O país que mudou, muito e para pior, é o país do Marcelo.

Dantes o país do Marcelo era o dos almoços em ambiente chique, não como o famoso falso almoço com Vichyssoise, mas sim os almoços nas residências dos banqueiros, no Pabe, no Gigi, em ambiente requintados de administrações bancárias. Agora o país de Marcelo é outro, come-se empadão de atum com o sem-abrigo que voltou a ter casa e, coincidência das coincidência, mergulhou com ele no Yangtze de Lisboa, no meio de todos aqueles cagalhotos.

Cavaco chegou à Presidência da República fez o roteiro da exclusão. Curiosamente o seu roteiro começou por alguém que ele tinha excluído de uma pensão, que preferiu dar a um Pide, mas, enfim, essa é uma medalha de caca que o senhor da Coelha vai levar consigo para a cova. Mas não parece ser com Cavaco que Marcelo concorre, para destronar Cavaco do pódio dos mais preocupados com a pobreza bastaria ir à feira do relógio comer uma sandes de courato e emborcar uma lambreta, desde que no meio da copofonia não se enganasse e bebesse o Lambretas do CDS.

Os seguidores do Padre Vítor Melícias têm esta tendência para o franciscanismo público e Marcelo parece querer apeara Rainha Santa Isabel no seu amor aos pobres. É por isso que Marcelo não para desde que chegou á presidência. Quando muitos esperavam ver Marcelo usufruir dos prazeres palacianos, desta vez oficiais, surpreende-nos. De manhã toma o pequeno almoço com uns velhotes que têm de usar chapéu de chuva dentro de casa, mais logo almoça com o sem-abrigo que voltou a ter abrigo, à note vai à sopa dos pobres e a ceia é com os sem-abrigo de Santa Apolónio. O capitão de mar e Guerra que o segue, já quase sem fôlego, está tramado, vai passar o mandato presidencial, sem usar os talheres de prata da Messe dos Oficiais.

Mas não seria má ideia alguém lembrar a Marcelo que há mais país, que há mais portugueses, nem todos são sem-abrigo ou vivem em casas degradadas, uns são remediados, outros vivem um pouco melhor, alguns são gente com sucesso e até sorte, outros, poucos, até são ricos. E são todos portugueses, todos fazem parte de Portugal. Compreendo essa vocação cristã de Marcelo e até prefiro esta versão à das missas e procissões dos Passos, mas convinha que o presidente não transformasse o país numa imensa Santa Casa.


Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Rui Moreira, o maior

Viba o Porto, tudo graças ao Rui Moreira, chegou a presidente e já está!

«O Porto volta a ser, em 2017, o destino europeu do ano, com uma votação recorde e que chegou de sítios absolutamente inesperados. Vá-se lá explicar porque é que os votos solitários de sítios como as ilhas Caimão, Feroé e Fiji, ou o Congo foram todos para o Porto. O presidente da câmara da cidade, 

Foi assim que o autarca terminou a conferência de imprensa em que admitiu estar “contente” com a terceira distinção para a cidade, na competição promovida pela European Consumers Choice. E razões não lhe faltam. O Porto não só obteve 32% dos votos totais, como conseguiu a maior votação de sempre, com 138.116 votos, tendo sido a escolha de países tão improváveis como o Afeganistão ou a Antígua, locais que enviaram dois votos cada e todos para o Porto.» [Público]

 A trampalhada

O problema do Trump não está no Obamacare, se os americanos querem ou não que os pobres sejam tratados ou se preferem que morra à porta dos hospitais é um problema interno deles. Seria um problema internacional se morressem por falta de recursos para tratar todos os cidadãos, como sucede em países pobres.

Se os EUA fecham à porta aos que colaboraram com  as suas tropas e agora sentem necessidade de se refugiar e são mortos porque o país em quem confiavam deixou de ter palavra isso é um problema de quem confiou nos americanos e deste, no futuro serão menos os que confiarão neles. Para nós é um problema global de luta contra o terrorismo e os ex-colaboradores valem tanto como qualquer outro cidadão perseguido por terroristas.

Podemos perceber o receio dos que temem a possibilidade de terem acesso a cuidados de saúde mas esse será um problema interno. Podemos entender e ser solidários com os antigos colaboradores dos EUA no Iraque ou no Afeganistão mas esse é um problema para a credibilidade dos EUA. Mas são comportamentos que nos leva a pensar que esta não é a América a que o mundo estava habituado.

É a mesma América que depois de mais de meio século de uma aliança com a Europa não hesita em mudar de aliados de um dia para o outro, não escondendo o desejo de ver ser destruído o trabalho de várias gerações de europeus em prol da paz e do progresso económico. Primeiro foram os americanos pobres, a seguir foram os mexicanos, depois foi a vez dos muçulmanos dos países que a diplomacia e as armas americanas destruirão, segue-se a China e depois chegará a vez da Europa.

A América pode fazer o que bem entender com os seus recursos, pode condenar os seus pobres à morte por assistência médica, pode permitir que cada saudosista dos confederados adquira a metralhadora que preferir, pode construir paredes onde bem entender, pode ignorar todos os acordos comerciais e de paz, pode desvalorizar as velhas alianças, pode tentar usar o seu poder para reformatar o mundo que ajudou a construir.

O que a nova América de Tump não pode esperar é que depois de tanta trampalhada a América seja confiável internacionalmente, a não ser para a primeira-ministra do Reino Unido, ainda que a senhora já se sinta incomodada por ter apoiado e corrido para os braços do autor de tanta parvoíce. A América deixou de ser o que era, agora é um país isolado em busca do seu enriquecimento a qualquer custo, sem respeito por valores e por compromissos. Desta nova América só se esperam maus ventos e maus casamentos.

 Dúvidas que me atormentam

O que será mais grave, mentir para chegar ao parlamento ou mentir a um parlamento onde muitos dos seus deputados mentem à sua consciência e votam como se os seus eleitores tivessem sido os líderes dos seus partidos? Quando se escandalizam acusando alguém de ter mentido ao parlamento não seria melhor que antes se dessem ao respeito e credibilizassem os deputados e o parlamento? São estes deputados que estão tão ofendidos acusando alguém de ter mentido ao parlamento os mesmos que queriam um governo apoiado por menos de metade do parlamento?

Depois de terem arranjado forma de um gestor competente se ter demitido da CGD querem que seja demitido o ministro que apresentou os melhores resultados em mais de 40 anos. um dia destes o CDS e o PSD junto vão valer menos de 20% das intenções de voto. Imbecis!

 Um salário médio quase mínimo

Desde o 25 de Abril que a grande preocupação dos sindicatos e políticos são os salários mínimos. Mas ao longo dos últimos 30 anos o salário mínimo não subiu muito e são os salários médios que desceram, um sinal de que devido a políticas criminosas a classe média quase desapareceu. A isto não é alheio o que sucedeu nos últimos anos, Passos Coelho decidiu destruir a classe média e, entretanto, esta foi deixada para mais tarde na reposição dos rendimentos.

A verdade é que os quadros do Estado estão sujeitos a uma austeridade brutal desde 2009, isto é, médicos, enfermeiros, economistas, militares, e outros quadros qualificados estão sujeitos a cortes brutais de vencimentos e a um regime sem promoções há quase uma década.

Mas o eleitoralismo oportunista tem levado a que haja imbecis que consideram ricos os que ganham 2000 euros e as medidas dos governos apenas são aliviadas para os que ganham menos de 1000 euros. Quando não existir classe média, porque empobreceu ou emigrou, talvez estes especialistas em ganhar votos percebam que o país é inviável sem classe média.

 Ainda que mal pergunte

Porque razão os blogues que apoiaram Passos não são suspeitos em nenhum processo de corrupção envolvendo personagens da direita e muito menos do cavaquismo? Se passos chegou ao poder com o apoio de blogues de direita que se inspiravam no Câmara Corporativa, porque motivo estarão acima de qualquer suspeita? Não faria sentido os investigadores de processos como o dos Vistos Giold que como se sabe, é o único processo que em muitos anos atinge uma personalidade da direita no capítulo da corrupção. O que nos conduz a outra dúvida, porque será que este MP gosta tanto de investigar a esquerda?

«Afirma, na tese que os bloggeres que apoiavam Passos tinham como referência o blogue Corporações, próximo do Governo Sócrates... Porquê?

O Corporações, que só peca pelo anonimato, era o braço armado de Sócrates, na blogosfera.» [Visão - Ascensão e queda de Passos, versão 2.0]

Há coisa do Diabo neste país...

      
 Passos com cada vez mais sucesso
   


«Janeiro dera tréguas ao PSD, que susteve a queda dos últimos meses, mas fevereiro volta a trazer más notícias para o partido liderado por Pedro Passos Coelho: de acordo com o estudo mensal da Eurosondagem para o Expresso e SIC, o PSD tem agora 29,2% de intenções de voto, menos 0,8% que há um mês e oito décimas abaixo da fasquia psicológica dos 30%.

É o pior resultado para os sociais-democratas desde as legislativas de 2015 e a confirmação de que a estratégia de Passos para se afirmar na oposição, recusando-se a votar favoravelmente a descida da TSU negociada pelo Governo com os parceiros sociais, não resultou. Pelo menos para os inquiridos deste barómetro.

Em contrapartida, e apesar do embaraço que o episódio da TSU causou no Governo (a ter de encontrar uma solução alternativa que simultaneamente agradasse a patrões e parceiros parlamentares), o Partido Socialista recupera boa parte (0,5%) dos 0,7% perdidos há um mês. Contas feitas, a vantagem dos socialistas sobre os sociais-democratas alarga-se para uns confortabilíssimos 8,6 pontos percentuais.» [Expresso]
   
Parecer:

Pobre Passos, já não sabe que estratégia deve adoptar para melhorar nas sondagens, sempre que muda piora as coisas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Pete Zousa, fotógrafo de Onama, diverte-se com Trump
   
«Trump bloqueia a entrada de cidadãos de maioria muçulmana, Pete Souza publica uma foto de Obama à conversa com uma refugiada muçulmana. Trump entra em choque diplomático com o presidente mexicano, Pete Souza recupera uma foto de Obama a beber tequilla com Enrique Peña Nieto. Até as luzes servem de mote: as notícias de que as reuniões da Administração Trump se fizeram às escuras (os ajudantes da Casa Branca não davam com os interruptores) são seguidas por uma imagem de Obama e Biden rodeados de pontos de luz. O fotógrafo oficial do ex-Presidente Barack Obama parece andar dedicado a um jogo provocações a Donald Trump.

A conta de Instagram de Pete Souza foi criada a 20 de janeiro — dia em Obama deixou a Casa Branca para passar a pasta de gestão dos Estados Unidos a Trump. A partir desse momento foi game on.

Uma das primeiras “provocações” ameaçava com um regresso de Obama à 1600 Pennsylvania Avenue. “Não é o que vocês pensam”, diz a legenda da imagem que mostra Obama a caminhar pela estrada que dá acesso à Casa Branca. A foto era, afinal, de 2011. Trump pode descansar.» [Observador]
   
Parecer:

Estes luso descendentes são uns malandrecos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Mais um a dar dois passos atrás
   
«O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu esta sexta-feira um passo atrás na decisão de deslocar a embaixada norte-americana de Telavive para Jerusalém, reconhecendo que a decisão “não é fácil”, ainda que esteja a estudá-la “muito seriamente”.

“Estou a estudar o assunto, veremos o que vai acontecer”, disse, em entrevista ao diário israelita gratuito Israel Hayom, citada pela agência France-Presse. A decisão “não é fácil”, disse Donald Trump, acrescentando que está a “pensar muito seriamente” na decisão, por si assumida durante a campanha para a presidência norte-americana e largamente reproduzida pelas autoridades israelitas desde então.» [Observador]
   
Parecer:

Até nas palhaçadas deste Trump is great!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Enfim, somo o país dos tesos
   
«Portugal é o país da União Europeia (UE) com um salário mínimo mais próximo do salário médio, embora esteja a meio da tabela em termos brutos, de acordo com dados hoje divulgados pelo Eurostat.

Segundo o gabinete oficial de estatísticas da UE, que divulgou hoje um levantamento dos salários mínimos em vigor desde 01 de janeiro de 2017 em 22 Estados-membros da União - Dinamarca, Itália, Chipre, Áustria, Finlândia e Suécia não o aplicam -, Portugal encontra-se no 12.º lugar, com um salário de 650 euros (valor estimado pelo Eurostat tendo em conta a existência dos 13.º e 14.º meses, os subsídios de férias e de natal, já que o salário mínimo é atualmente de 557 euros).» [DN]
   
Parecer:

Isto significa que somo o país onde há o maior fosso na distribuição de rendimentos e por vontade de Passos todos os que não fossem ricos deviam ganhar o salário mínimo, foi isso o que esse mafarrico da treta tentou implementar no Estado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

O novo programa do PAF

Ao longo de um ano CDS e PSD têm estado unidos na oposição e mostrado qual é o seu programa, têm feito as suas propostas, têm-se manifestado solidários com o que desejam para o país. Ser oposição é isto e não apenas dar porrada, é dizer ao que se vem, apoiar o que deve ser apoiado e propor o que se entende que deve ser decido.

Nos últimos tempos o PAF tem-nos mostrado como acha que se devia resolver o problema da banca e, em particular, da CGD. Tudo começou quando o próprio Passos Coelho fez uma figura triste ao duvidar de que o plano de recapitalização tivesse sido aprovado por Bruxelas. Desde então a direita tem-se comportado de forma fanática com o propósito de impedir a normalização da situação da CGD.

Aqueles que agora dão ares de ter grandes influências em Bruxelas, influências tão grandes que a pobre da especialista da Arrows ficou a amargar na última fila do parlamento enquanto o Moedas brilha na Comissão, são os que quando o governo arrancou, tudo fizeram para que os seus amigos de direita na Comissão chumbassem o OE

Falhada a tentativa de deixar o país numa crise financeira por falta de um OE aprovado em Bruxelas, o que lançaria o país num buraco nos mercados financeiros, o líder do PAF andou por aí armado em primeiro-ministro no exílio, chegando ao ridículo de convocar as Cortes de Albergaria-a-Velha para apresentar m falso OE, enquanto o governo da República apresentava o OE no parlamento.

Como as cortes de Albergaria tiveram tanto sucesso como a tentativa de chumbar o OE anterior em Bruxelas, Passos mudou de estratégia em poucas horas, agora tanto ele como a Cristas iam ouvir os parceiros sociais para ouvir as suas propostas e depois apresentariam um OE alternativo com base nessas propostas. Depressa se esqueceram das propostas dos parceiros sociais, mais uma vez ignoraram o país durante o debate do OE e quanto ao respeito pelos parceiros sociais foi o que se viu depois, na concertação social.

Passos Coelho tem uma única proposta para o país, precisamente aquela que o ajudou uma vez a ser governo, a desgraça do país. Pela forma como actua na CGD já não esconde a sua estratégia. Não discute um único problema, não apresenta uma única solução, ignora os seus próprios valores, despreza os parceiros sociais, o seu único objectivo é lançar o descrédito, empurrar o país para uma crise financeira. Passos Coelho parece inspirar-se em Trump e faz na oposição o que Trump prometeu fazer se perdesse as eleições.


Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Fernando Ulrich, funcionário

O homem que izia que o povo aguentava acabou por não aguentar.


«O presidente executivo do Banco BPI, Fernando Ulrich, que vai deixar o cargo para passar a presidente do Conselho de Administração ('chairman'), garante que vai manter o mesmo empenho nas novas tarefas, mas sem tanta pressão como tem tido.

"Eu não vou ter saudades do BPI porque eu continuarei completamente comprometido com o BPI. Espero talvez com um pouco menos de 'stress', até porque vou fazer 65 anos no dia da assembleia-geral (AG)", que servirá, entre outras matérias, para passar a pasta executiva ao espanhol Pablo Forero, afirmou Ulrich.

"Saudades não vou ter nenhumas porque continuo cá. Já trabalho há 45 anos e já não tenho a energia que já tive", reforçou, para justificar o pedido que apresentou para deixar a comissão executiva do Banco BPI, na sequência da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo CaixaBank.» [Expresso]

      
 Lamento ver gente à direita achar que tudo isto é normal
   
«Dizem os anti-anti-Trump que não se pode comparar Trump a Hitler, como têm feito os seus críticos mais insensatos. Claro que não pode. Não se pode comparar ninguém a Hitler, ninguém que não tenha praticado genocídios. Trump é demagogo, desonesto, autoritário, xenófobo, e vive bem com apoiantes violentos, mas isso não faz dele um Hitler. Não se pode comparar, têm-nos dito. E têm razão. O problema é esse: não se pode comparar Trump com ninguém, ou pelo menos com nenhum Presidente de que nos lembremos, porque nenhum era tão inexperiente, tão incompetente, tão descabido para a função. Trump é incomparável. Demasiado mau para ser verdade, é a verdade a que temos direito desde uma aziaga madrugada de Novembro.

Quase tão mau como comparar Trump a Hitler é defender que Trump é um Presidente normal, igual a outros, bons ou maus. Ou que não é normal mas deve ser “normalizado”. Trump não é normal nem deve ser normalizado porque não se trata de uma figura com um ideário político definido, que usou uma linguagem extremada durante a campanha eleitoral como homem do espectáculo que é, mas que depois se encheu de “gravitas”e bom senso. Não foi isso que aconteceu. Trump-presidente é tão estapafúrdio como Trump-candidato, e muito mais perigoso. É aliás isso, a ameaça que advém do poder, que o distingue dos seus críticos mais insuportáveis, os quais, sendo insuportáveis, são articulistas ou cantores ou celebridades, não são o Presidente da única potência mundial.

De resto, que ideias tem o homem? Já foi Democrata e Republicano, faz questão de dizer que não é conservador, mudou de discurso várias vezes em várias matérias, da guerra aos costumes, tem noções infantis sobre a política internacional (como “acabar com o terrorismo” ou “resolver a questão israelo-árabe”). Sabemos que é um populista que fala para os descamisados da globalização, mas isso tanto define um Trump como uma Le Pen, que é de direita, um Iglesias, que é de esquerda, ou um Grillo, que não é de esquerda nem de direita.

Sabemos que tem um fraquinho por déspotas, e que acha a tortura aceitável. Sabemos que acredita em teorias da conspiração, que incentiva paranóias e inventonas. Sabemos que é a encarnação mais recente dos demónios da direita americana: o isolacionismo, o autarcismo, o racismo, embora tenha sido até agora o único porta-voz dessas ideias que triunfou numa eleição nacional, depois de uma década na qual o Grand Old Party se viu desfigurado com o basismo do Tea Party e o facciosismo da Fox News, que são o Occupy e o “Monde Diplomatique” dos cábulas.

As ideias de Trump, aquelas que conhecemos, são más ou assustadoras. Mas o que é verdadeiramente tóxico é o seu discurso, a sua personalidade, o seu destempero, os tweets de madrugada, lamentáveis como os de um adolescente frustrado. Como candidato e depois como Presidente, Trump insultou um herói de guerra, a família de um soldado morto no cumprimento do dever, um juiz por ser hispânico, outro juiz a quem chamou “suposto juiz”, os serviços secretos, um jornalista por ser deficiente, a imprensa em geral, os mexicanos, metade do eleitorado inglês, os muçulmanos, diversos actores. E o elenco não é exaustivo.

Algumas destas frases surgiram como tiradas ocasionais, em comícios, em 140 caracteres, em momentos de maus fígados. Outras são recorrentes, formam um padrão, e já se concretizaram em acções executivas, por exemplo a decisão de suspender os vistos de cidadãos de países suspeitos de promover o terrorismo.

Excepto, é claro, a insuspeita Arábia Saudita, ou os países árabes nos quais Trump tem negócios. Acrescente-se aliás que só os negócios de Trump, dos quais não vai abdicar, ou não vai abdicar de verdade, são uma incompatibilidade clamorosa com o cargo que ocupa, um conflito de interesses que faz corar de vergonha um Berlusconi, o homem que, à direita, inaugurou a moda dos líderes inacreditáveis, sem projecto e sem maneiras.

Não culpo o eleitorado. O eleitorado não queria mais dinastias Bush e Clinton. O eleitorado, ou uma boa parte dele, sente o chão a fugir debaixo dos pés. Compreendo isso, e sou adepto de que se “normalizem” os eleitores, que têm as suas razões, algumas das quais atendíveis. O que não aceito é a pusilanimidade dos eleitos. E parece-me que há qualquer coisa de errado num partido que candidata um homem como John McCain e, oito anos depois, nomeia Trump. Foram as bases, bem sabemos, contra as elites. Foram os cidadãos da América profunda, os descontentes com o politicamente correcto, os do colarinho azul, as maiorias que se sentem minoritárias, foram esses e outros, mas esses de certeza.

O povo Republicano decidiu assim, está decidido, mas que princípios têm os dirigentes Republicanos que depois do que disseram contra Trump o aceitaram como se nada fosse? Não me refiro às tristíssimas figuras dos Christies ou Giulianis, mas a pessoas como o candidato republicano em 2012, Mitt Romney, que chegou a escrever: “Hoje, há um combate entre o Trumpismo e o Republicanismo. Através das declarações premeditadas do seu líder, Trump ficou associado ao racismo, à misoginia, à intolerância, à xenofobia, à vulgaridade e, mais recentemente, a ameaças e violências.” Hoje sabemos que o Presidente-Trump não se distingue do candidato-Trump, e que aquilo que era desgostante é agora perigoso.

Lamento ver gente à direita achar que tudo isto é normal, ou a mostrar alguma simpatia por Trump, esse direitista sem super-ego, quanto mais não seja porque “chateia a esquerda”, argumento de uma notável elevação intelectual. Mas fiquei satisfeito com o facto de os intelectuais conservadores terem sido uma das únicas forças organizadas à direita a fazer campanha contra Trump: William Kristol, David Brooks, George Will, Charles Krauthammer, Robert Kagan, Ross Douthat, e outros, denunciaram Trump meses a fio. Talvez porque não têm nada a perder, porque não estão dependentes dos eleitores zangados, porque podem defender sem coacção as ideias em que acreditam, ideias que Trump despreza, incluindo algumas das que estão inscritas na Constituição Americana.

Em Fevereiro de 2016, a “National Review”, a mais importante revista conservadora americana, deu à estampa um número temático que logo na capa anunciava: “Against Trump.” Um ano depois, não há razão para mudar de manchete.» [Expresso]

      
 Nova vaga de informação do Caso Marquês
   
«A resposta a uma carta rogatória enviada recentemente pelas autoridades suíças permitiu ao Ministério Público detectar duas transferências de 100 mil euros para offshores na Suíça, uma controlada por Rui Horta e Costa, administrador do empreendimento turístico de Vale do Lobo e até ontem administrador não-executivo dos CTT e outra para o presidente do grupo que gere o resort, Diogo Gaspar Ferreira, também suspeito no caso.

Rui Horta e Costa foi constituído anteontem arguido no âmbito da designada Operação Marquês por ser suspeito da prática de “crimes de corrupção activa, fraude fiscal, branqueamento e abuso de confiança”, confirmou ontem a Procuradoria-Geral da República. Diogo Gaspar Ferreira já é arguido desde Junho de 2015. Os dois são suspeitos de corromperem o ex-primeiro-ministro, José Sócrates, e o ex-ministro socialista, Armando Vara, para obterem um financiamento com condições especiais na Caixa Geral de Depósitos, banco onde Vara foi administrador. O empréstimo foi usado para adquirir com mais três investidores o empreendimento de Vale do Lobo por 230 milhões de euros no final de 2006.» [Público]
   
Parecer:

Eis que surge mais uma vaga de informações do Caso Marquês que inunda as redacções dos jornais, até parece mais uma sessão do julgamento na praça pública.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à PGR que passe a nomear um adido de im prensa em cada caso judicial, para que o país ande bem informado dos indícios, suspeitas, acusações e supostas provas encontradas ou procuradas.»
  
 Este Schäuble quase nos faz gostar do Trump
   
«O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, avisou a Grécia que terá de cumprir o seu compromisso de reformas ou, caso contrário, terá de sair a zona euro.

“A pressão sobre a Grécia tem de ser mantida, para que faça reformas e para ser competitiva”, afirmou Schauble na televisão germânica ARD. “De outra forma não podem continuar na união monetária”, concluiu, acrescentando que se Atenas cumprir com o que se comprometeu, o actual programa de assistência será implementado com sucesso até 2018, cita o portal alemão Finanzen.

Sobre outros dos assuntos do momento, o ministro germânico diz que “não gosta muito” da forma como Administração Trump “trabalha” e isso, considera, “é matéria de grande preocupação”. No entanto, defende que os europeus devem lidar com Donald Trump de forma “razoável”. “Nós estamos relaxados, mas ao mesmo tempo firmes na nossa atitude”, garantiu.» [Público]
   
Parecer:

É difícil dizer o que seria pior, se Trump presidente ou se este traste em chanceler.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao senhor que fale o menos possível porque cada vez que abre a boca a extrema-direita ganha votos.»

 política alternativa, patriota e de esquerda
   
«O secretário-geral do PCP reafirmou esta quinta-feira a “política alternativa, patriótica e de esquerda” sem transigência para com “manobras ou pressões” internacionais, europeias ou internas, incluindo do Governo PS, que “não rompe com a política de direita”.

“O PCP prosseguirá a sua intervenção determinada pelo seu compromisso com os trabalhadores, o povo e o país. Tendo presente as possibilidades e a necessidade de dar resposta às suas aspirações e direitos, não iludindo limitações, constrangimentos e contradições resultantes das opções e orientações do Governo PS”, afirmou Jerónimo de Sousa.

Em conferência de imprensa na sede nacional dos comunistas, em Lisboa, o líder comunista disse que o PCP vai dar especial atenção a temas como: produção nacional, submissão ao euro, renegociação da dívida, controlo público da banca, valorização de salários, legislação laboral e combate à militarização da União Europeia e predomínio da NATO.» [Expresso]
   
Parecer:

Parece que Jerónimo de Sousa organizou uma tentativa de transformar a geringonça num PEC, primeiro começou a sugerir um novo acordo a meio da legislatura, de seguida mandou o Aménio dizer que o acordo estava esgotado na área liberal, agora é ele próprio que assume a liderança do processo.

A tese é a de que sem o PCP o PS resvalaria para a direita por iniciativa própria ou por insistência dos estrangeiros e tenta liderar o processo propondo aquilo que designa por "política alternativa, patriota e de esquerda".

Pode ser que seja desta vez que Jerónimo de Sousa explique aos portugueses o que é isso da "política alternativa, patriota e de esquerda".
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se a Jerónimo o que é essa política milagrosa.»

 Este excitadinho aparece de vez em quando
   
«O eurodeputado do PSD Paulo Rangel diz que depois de ser conhecida a correspondência entre António Domingues e o ministro das Finanças “só já há uma solução: a demissão de Mário Centeno.” O social-democrata afirma, em declarações ao Observador, que “os últimos acontecimentos demonstram que o ministro mentiu descarada e despudoradamente ao país, à opinião pública e ao Parlamento”, logo “a demissão é a única forma de assegurar a dignidade a credibilidade externa do Governo.”

Paulo Rangel não vê outro caminho senão o afastamento de Centeno, depois de se saber que “o Governo, através do ministro das Finanças e do Secretário de Estado Mourinho Félix andaram a fazer uma lei especial com escritórios privados.” O eurodeputado acrescenta ainda que esta “já não é a primeira vez, depois de levarem um administrador privado a negociar com a Comissão Europeia e o BCE a recapitalização do banco público. Isto demonstra a promiscuidade desta equipa das Finanças.”» [Observador]
   
Parecer:

Há que demitir quem tem desmentido a aritmética do PSD.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

O lado negro do crédito malparado

Há anos que a construtora Teixeira Duarte agoniza em crise, a sua falência tem sido notícia e por várias vezes vimos imagens de trabalhadores parados e sem receber ordenados. Um lógico seria que uma empresa inviável seja declarada falida, evitando o aumento do passivo até níveis irrealistas. Uma empresa falida pode ser vendida e recuperada, de uma empresa que se arrasta anos sem renovar equipamentos e sobrevivendo com maus negócios não sobra nada.

A Caixa Geral de Depósitos fez bem em reprovar o PER, mas ao que parece a empresa vai sobreviver durante mais algum tempo com a ajuda dos trabalhadores. Isto é, os trabalhadores que estiveram meses sem receber ordenados insistem num modelo de empresa muito provavelmente inviável, porque neste país é difícil de perceber que uma empresa falida não significa postos de trabalho, antes pelo contrário, significa a destruição dos seus postos de trabalho mais alguns das empresas com que concorre de forma desesperada e desleal.

Quando se ala de crédito malparado ficamos muito preocupados com a situação da banca e esquecemos o rasto de destruição da economia deixado atrás por esse crédito, uma boa parte dele concedido de forma irresponsável ou corrupta. m Portugal não ocorreu nenhuma bolha imobiliária, como sucedeu em Espanha, para justificar a dimensão do fenómeno do crédito malparado. O problema português resulta de má gestão e de corrupção.

Muito desse crédito malparado alimentou projectos inviáveis cuja promoção impediu a realização de outros mais viáveis, financiou empresas mal geridas que com dinheiro fácil destruíram empresas bem geridas fazendo-lhes concorrência desleal. Uma boa parte deste crédito malparado alimentou a corrupção, começou por ser autorizado com recurso a esquemas corruptos e financiou a actividade empresariam de gente sem escrúpulos.

O grande prejuízo do crédito malparado não foi o que resultou para os bancos, os gestores destes, desde o administrador ao mais modesto chefe de agência, sabiam o que estavam fazendo. O maior prejuízo provocado por estes muitos milhares de milhões está na destruição de muito tecido saudável da economia, destruindo gente honesta e cumpridora, favorecendo corruptos e incompetentes.

Quando vejo alguns PER serem aprovados interrogo-me porque razão no nosso país a incompetência e a má gestão merecem tanto apoio e tanto carinho, quando as empresas que mais contribuem para o progresso do país poço ou nada recebem. Não seria mais lógico destruir de uma vez por todas os acessos da nossa economia, reservando os recursos para empresas competitivas ou para promover jovens empresários?

A economia portuguesa teria muito a ganhar acabando com esquemas que servem para que empresas inviáveis, mal geridas e conduzidas opor gente sem competência e com poucos escrúpulos continuem no mercado, enquanto os prejuízos que provocam em terceiros e à banca são dissimulados nas suas contabilidade. Seria preferível que a imensidão de recursos usados para manter estas empresas, financiados pelo fisco, pela Segurança Social, pela banca, pelos trabalhadores e pelos restantes credores, fossem investidos em empresas saudáveis.


Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Procuradora-Geral da República

A corresponder à verdade a notícia do Observador, segundo a qual os investigadores do Caso Marquês procuram indícios de que bloggers ditos "socráticos" tenham recebido pagamentos por parte de José Sócrates, é preocupante, até porque esta perseguição não resulta de suspeitas de corrupção por parte dos mesmos ou do seu envolvimento em quaisquer negócios públicos, o ponto de partida da investigação é um exercício da liberdade de expressão a que os investigadores associarão corrupção. Há aqui qualquer coisa de doentio, que apoiasse Cavaco ou passos era gente honesta, quem apoiava Sócrates era suspeito de corrupção e a investigação destina-se a comprovar esse pressuposto.

Daquilo que se percebe é que identificado um blogger que tenha de alguma forma recebido dinheiro passa a ser suspeito dos "crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais", crimes dos quais podem ser suspeitos todos e quaisquer cidadãos que tenham recebido dinheiro seja de quem for e a qualquer título. Isto é, qualquer cidadão que tenha manifestado uma opinião publica favorável a Sócrates que tenha prestado serviços a uma das muitas entidades já investigadas no âmbito do Caso marquês pode, em limite, ser suspeito de corrupção.

Quando o acento tónico não está no desempenho de funções mas sim no mero estatuto de apoiante é evidente que estamos perante uma perseguição política, quase metade dos portugueses  votaram Sócrates e muitos foram seus apoiantes públicos, enquanto lhe trouxe benefícios políticos até Cavaco Silva parecia "socrático". Todos eles estão no radar do procurador e do fiscal de Braga? Que instrumentos de investigação poderão ser usados para rastrear tanta informação?

A questão agora é saber como é feita esta investigação, serão feitas escutas telefónicas, são consultados os seus dados bancários ou é feito um rastreio fiscal?  O facto é que os bloggers que tenham apoiado Sócrates não são suspeitos pelos seus valores, pelas suas opções partidárias ou porque concordavam com as políticas do governo de Sócrates, o facto de o terem feito por um qualquer desses motivos tornam-nos em potenciais suspeitos dos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Já agora, gostaria que a senhora Procuradora-geral, mais o magistrado do Caso Marquês e o fiscal de Braga, me esclarecessem se haverá algum inconveniente em manifestar simpatia por Marcelo ou por  António Costa, ou se não será melhor calar as minhas ideias e os meus sentimentos não vá um dia destes ser aberto um Caso Mete Nojo ou um Caso Cabo da Guarda. Imaginem que daqui a uns anos este modesto Palheiro é devassado por estar agora a elogiar Marcelo Rebelo de Sousa.

      
 Não há economia que aguente
   
«O sistema judicial português tem um "nível de congestão muito elevado" e "seriam necessários dois anos e três meses" (820 dias) para resolver os processos de cobrança de dívidas, sem que nesse período dessem entrada novas ações. O balanço - divulgado em janeiro na Revista de Estudos Económicos do Banco de Portugal (BdP) com o título "Produtividade da justiça cível em Portugal: uma questão incontornável num sistema congestionado" - faz a análise de duas décadas (de 1993 a 2013) e aponta baterias especificamente às ações executivas, que se destinam a exigir o pagamento de uma dívida confirmada em tribunal.

Em média, os juízes levam cerca de 30 meses (menos de três anos) a concluir um processo (40 meses se for de cobrança de dívidas e 18 se for apenas de confirmação dessa mesma dívida). "No contexto dos processos cíveis destaca-se o aumento do peso das execuções face às ações declarativas", pode ler-se no estudo divulgado pelo Bdp, da autoria de Manuel Coutinho Pereira e Lara Wemans.» [DN]
   
Parecer:

Esta longa espera mais os custos inerentes ao processo judicial são suficientes para destruir muitas empresas e para que muitos investidores estrangeiros optem por países com sistemas de justiça competentes e menos medievais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Deixem-se de tretas e resolvam o problema da justiça portuguesa.»
  
 Para tratar o quê?
   
«O Bloco de Esquerda (BE) promete avançar ainda durante este ano com um novo projecto-lei de legalização da cannabis, em duas frentes: para fins recreativos, por um lado, e para fins terapêuticos, por outro. O PCP – que viu chumbado o projecto em que recomendava ao Governo o estudo da utilização da cannabis para fins terapêuticos – também pondera repetir a iniciativa. Antes mesmo de tomar posse, o novo bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, deu indicações para que o Conselho Nacional para a Política do Medicamento comece a estudar o potencial efeito terapêutico desta substância. 

Em Abril de 2015, as propostas dos dois partidos foram rejeitadas no Parlamento com os votos contra do PSD e CDS/PP. Agora, com a esquerda em maioria na Assembleia da República, é expectável que o desfecho das votações venha a ser positivo. Aliás, na altura, o PS posicionou-se a favor da utilização daquela substância para fins terapêuticos. E mesmo a proposta bloquista que previa a legalização do cultivo daquela substância para consumo pessoal e dava enquadramento legal aos clubes sociais de cannabis granjeou votos favoráveis de dez deputados socialistas, entre os quais Vieira da Silva, Elza Pais, Isabel Moreira da Silva, João Paulo Pedrosa e Gabriela Canavilhas.» [Público]
   
Parecer:

Deixem-se de tretas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Quem apoiou Sócrates é criminoso?
   
«Para já, os Peixoto são apenas testemunhas nos autos mas esse estatuto processual pode alterar-se. Isto porque as buscas domiciliárias também foram autorizadas com o argumento de que os pagamentos feitos a António Costa Peixoto e a António Mega Peixoto podem configurar uma alegada prática dos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais por parte de Sócrates e de Santos Silva.

Até ao momento, não foram encontrados indícios de pagamentos a outros bloggers.» [Observador]
   
Parecer:

É uma notícia preocupante, a justiça portuguesa considera que ter apoiado medidas de um governo eleito democraticamente é motivo para se ser suspeito de crime. Isto é, o procurador e o fiscal de Braga andarão a investigar se os bloggers que terão apoiado Sócrates receberam dinheiro. Não se parte de um recebimento suspeito para o crime, parte-se das ideias políticas.

Quando se noticia que "Até ao momento, não foram encontrados indícios de pagamentos a outros bloggers" isso significa que o fiscal de Braga terá uma lista de quem apoiou políticas de Sócrates e agora investigam se esses apoiantes terão recebido dinheiro de alguém.

Isto é justiça, intimidação ou perseguição política? A senhora Procuradora-Geral que responda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»


quarta-feira, fevereiro 08, 2017

Ao mau cagador até as calças empatam

Para conseguir défices bem acima dos 3% a direita inventava desvios colossais para justificar cortes de vencimentos e de pensões, acusava o povo de consumir acima das possibilidades, difamava o país sugerindo que por cá erramos mais gandulos dos que os outros, cortavam-se férias e feriados, fazia-se de tudo.

As escolas tinham salas empanturradas de alunos para poupar nos professores, morria-se à porta das urgências, os pilares de uma futura ponte perto de Ferreira do Alentejo foram convertidos em postes para ninhos de cegonhas, o Metro deixou de renovar a sua frota, todas as obras pararam. Não havia dinheiro para nada, criou-se um ambiente de terror, não se sabia quanto se iria receber de ordenado no mês seguinte. Não gastar m tostão era símbolo de rigor, competência e amor à nação.

A direita que sempre se afirmou com o dom da competência e do rigor orçamental apostou no falhanço de António Costa, deixou armadilhas montadas nas receitas fiscais, recusou-se a dar contributos para o OE e os seus deputados receiam ordenado para roçar o cu no veludo das cadeiras parlamentares, apelaram à direita reunida em Madrid para que condenassem o governo português, exigiram que Bruxelas impusesse um plano B.

A tese era a de que o défice proposta era aritmeticamente impossível de alcançar, já não seria um problema de rigor, a funcionária da Arrows dizia que Centeno nem sabia fazer as contas mais elementares. Ainda esperaram pelo Diabo em Setembro, cada vez que uma agência de rating se ia pronunciar toda a direita se excitava, o momento mais alto foi quando chegou a vez da canadiana DBRS, se esta desse a notação de lixo viria aí o desejado segundo resgate.

Mas o país sobreviveu à DBRS e às diatribes fiscais da Maria Luís, a esperança passou a ser uma armadilha deixada por Passos Coelho, a situação da CGD e do BANIF. As agências rating deixaram de falar no défice, o problema era a anca. A cada subida nas taxas de juro da dívida sentia-se a excitação colectiva a direita. Mas o tal governo que não respeitaria os compromissos internacionais cumpriu com tudo, o défice foi reduzido a mínimos e a CGD vai ser recapitalizada.

Agora o problema já é o crescimento, todos exigem crescimento. Esquecem-se de que era uma palavra proibida por Passos Coelho e os mesmos jornalistas e comentadores que hoje exigem crescimento no passado elogiavam o Gaspar, o tal ministro que transportava os valores da avó Prazeres, mulher da Serra da Estrela. Quando o Sôr Pereira exigia medidas para promover o crescimento o Gaspar respondia “não há dinheiro”, perante a insistência perguntou ao colega “qual das três palavras não percebeu”. Os que hoje exigem crescimento numa economia que deixaram descapitalizada elogiavam na altura o traste que era ministro das Finanças.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Campos e Cunha

Campos e Cunha, pensionista do Banco de Portugal, decidiu dar mais uma em José Sócrates, agora que o ex-ministro que se livrou dele em três tempos, está na mó de baixo. O problema é que foi desmentido, não apenas por Sócrates e Vara, mas também, ainda que de forma indirecta, por Teixeira do Santos, o ex-ministro das Finanças que tanto quanto se sabe nem sequer é um "pau mandado do ex-primeiro-ministro. Depois deste desmentido Campos e Cunha pode muito bem escrever muitas cartas a reafirmar o que disse, não será por isso que as declarações serão mais ou menos verdadeiras.

«“Reafirmo todas as minhas declarações proferidas no dia 5 de janeiro”. Foi nestes termos que Luís Campos e Cunha — ministro das Finanças no Governo formado por José Sócrates em março de 2005 –, escreveu uma carta ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Caixa Geral de Depósitos, a reiterar tudo o que disse aos deputados, apesar dos desmentidos do ex-primeiro-ministro socialista e do seu amigo Armando Vara (ex-administrador da CGD).

O ex-ministro e professor de Economia tinha revelado aos deputados alegadas pressões para demitir a administração da Caixa Geral de Depósitos e substituí-la por outros elementos mais próximos dos socialistas: “A relação com a CGD não teve um período de maturidade suficiente, porque estive apenas quatro meses no Governo”, disse Campos e Cunha no Parlamento. “Desde o início, como ministro das Finanças, fui pressionado pelo primeiro-ministro [José Sócrates] para demitir o presidente da CGD e a administração da CGD”, afirmou o ex-governante, garantindo que não acatou essas orientações.» [Observador]

      
 O homem da melena amarela
   
«Não tenho nenhuma dúvida que começando com muçulmanos, cristãos, negros, mexicanos ou chineses, eu também acabarei por ser atingida individual ou colectivamente.

No princípio não acreditámos que se candidatasse, mas aconteceu. Depois não acreditámos que seria o candidato dos Republicanos, mas também aconteceu. Em seguida, estávamos certos de que perderia as eleições, mas ganhou-as. No fim, pensámos que toda a verborreia destilada durante a campanha não passaria de gabarolice populista, mas a verdade é que nos enganámos em toda a linha. Sem perder tempo, Donald Trump, o homem da melena amarela à frente e um ego do tamanho da América, parece disposto a cumprir as suas promessas à risca, não como politico que nunca foi mas como patrão que nunca deixou de ser: despedindo quem não aceita as suas ordens, calando quem dele ousa discordar, abrindo ou fechando as portas do país como se fosse a sua própria casa particular.

“A América primeiro… A América para os americanos…” Onde é que já ouvimos isto? Os povos têm a memória curta, mas há pelo menos um povo que não pode nem deve esquecer. Esse povo, o povo judeu onde me incluo, não se pode dar a esse luxo porque a factura foi incomensurável. Devíamos lembrar-nos de que os pretensos salvadores só trazem desgraças, que a procura de bodes expiatórios só fomenta a violência, que alimentar os sentimentos de superioridade nacional, religiosa ou de pele favorece o ódio e o ressentimento. E sobretudo, não devíamos esquecer que tratar cada individuo não como tal, mas como parte de um colectivo indistinto, no qual todos são à partida suspeitos ou culpados, para além de iníquo, é perigoso porque leva a que a resposta seja também colectiva, juntando pessoas que à partida nem se identificam com o grupo onde as encerram.

A retórica do “Nunca mais”, mais do que desacreditada, deveria ser substituída pela “Nós lembramo-nos”. Como judeus não podemos esquecer ao que levou a expressão Deutschland über alles – a Alemanha acima de tudo. Não podemos esquecer que fomos colectivamente o bode expiatório e colectivamente designados como o inimigo e causador de todos os males não só da Alemanha, mas do mundo; tudo isso estava já escrito e claro, em 1924, na obra-prima de Hitler – o Mein Kampf, mas ninguém ligou. Não podemos esquecer que quando precisávamos desesperadamente de uma porta aberta, quase todas se fecharam levando ao desfecho que se sabe. Não podemos esquecer que a estrada que pavimentou a tragédia foi a indiferença – hoje tanto mais gritante quando todos vemos, ouvimos e sabemos tudo o que se passa, em directo e no momento.

Diz-se que a história não se repete e de facto o contexto histórico que a produz é irrepetível. Mas a história dá-nos sinais que deveriam funcionar como alertas nas nossas consciências. As medidas tomadas por Donald Trump – nomeadamente a proibição de entrada nos EUA das pessoas originárias de países maioritariamente muçulmanos, colectivamente consideradas como potenciais terroristas, deveriam funcionar como um alerta. Do ponto de vista ético é uma medida iníqua e, politicamente, tem apenas como consequência o avolumar do ódio e da violência. Precisamente o inverso do que Trump alega pretender.

Sabemos que é assim que começa, mas não sabemos como acaba. Para mim é claro que a minha liberdade e a minha segurança nunca se realizarão à custa da liberdade ou da segurança de outros, sejam eles quem forem. Não tenho nenhuma dúvida que começando com muçulmanos, cristãos, negros, mexicanos ou chineses, eu também acabarei por ser atingida individual ou colectivamente. Basta ver que enquanto se processam as juras de amizade de Trump a Israel e aos judeus, sucedem-se ameaças de bomba por todos os Estados Unidos a centros comunitários judaicos, escolas e outras instituições judaicas – 18 ameaças apenas num mês, segundo a Jewish Telegraph Agency.

Não basta combater Trump, é preciso entendê-lo e ao novo mundo que ele de algum modo representa, escreve João Miguel Tavares, cujas crónicas leio regulamente com apreço. Acho que é verdade, só assim se pode entender como e porquê foi eleito, assim como as razões do reforço drástico dos extremos, da direita à esquerda em particular na Europa. Mas se é verdade que não devemos cair em falsas analogias, também não devemos ignorar os sinais da história. Estes têm pelo menos um condão: o de levar mais a sério as ameaças.» [Público]
   
Autor:

Esther Mucznik.

      
 Originalidade brasileira
   
«O exército brasileiro assumiu na noite desta segunda-feira a segurança no estado do Espírito Santo, na sequência de uma onda de violência que fez mais de 60 mortos desde sábado. Os transportes públicos já voltaram a circular, depois de terem estado paralisados no dia de ontem.

A Polícia Militar (PM), responsável pela segurança nas ruas no Estado, está paralisada desde sexta-feira, quando um movimento de mães e mulheres de agentes começou a organizar piquetes em frente aos quartéis, impedindo a entrada e saída de viaturas, para pedir melhores condições salariais e de trabalho para os seus familiares.» [Público]
   
Parecer:

Se o Brasil já é o que é com polícias era óbvio que uma greve destes iria resultar no que se viu.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

terça-feira, fevereiro 07, 2017

Uma branca na história de Portugal

Quando o governo de Sócrates assinou o memorando com a Troika o PSD exigiu a sua publicação, como o documento foi divulgado em inglês, a língua em que foi redigido e assinado o PSD exigiu a sua tradução.  Seguiram-se eleições em que a direita conseguiu a maioria parlamentar que apoiou o governo de Passos Coelho e Paulo Portas ao longo de uma legislatura.

Deu-se, então, o início a uma longa branca na história de Portugal, sabemos o que se decidia na corte de D. João II, os investigadores do caso Watergate tiveram acesso a todas as conversas telefónicas de Nixon, mas os portugueses estão impedidos de conhecer a sua própria história, como se isso fosse um exclusivo de Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva.

Durante quatro anos os portugueses sofreram um plano de austeridade brutal, alguns morreram nas portas das urgências, dezenas de milhares ficaram desempregados, outros tantos foram forçados à emigração, quase todos viram reduzidos os seus rendimentos de forma arbitrária. Todos os dias ouviam ameaças de mais austeridade, nunca se sabia o que ia suceder no mês seguinte, sempre que eram impostas novas medidas eram justificadas com a renegociação do memorando ou como imposições da Troika.

Tem-se a percepção  de que os portugueses foram sujeitos a uma experiência destinada a validar teses académicas, percebe-se que os senhores da troika mais algumas personagens locais se dedicaram ao experimentalismo, sabe-se que muito do que se fez não estava previsto no memorando inicial, comprova-se agora que o problema da banca  foi ignorado, apesar de se perceber agora que era o maior problema da economia portuguesa.

Sabe-se tudo isto mas nada se sabe do que se passou nos gabinetes governamentais, nas negociações com a troika. Sabemos que foram ditas mentiras, que os senhores da Troika se deixaram usar para sujeitar todo um país a experiências duvidosas e desumanas, o país está impedido de saber, é um direito reservado a meia dúzia de personalidades, os rapazolas da Troika, Durão Barroso, o presidente do BCE, o foragido Vítor Gaspar, Passos Coelho, Paulo Portas e, talvez, Cavaco Silva.

É inaceitável que tal tenha acontecido em democracia e que se continue a esconder o que se passou. A Troika sabia ou não da situação da banca, qual foi o envolvimento de Passos Coelho nas lutas dentro da família Espírito Santo e no desfecho do grupo, as medidas resultaram de alterações do memorando ou visaram fazer experiências económicas de natureza mengeliana? 

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Marcelo Rebelo de Sousa, economista de circunstância

O país já teve um senhor que cujo grande e quase único argumento de candidatura presiddencial eram os seus conhecimentos de economia, depois foi o que se viu, andou por lá dez anos e dos famosos conhecimentos o proveito do país foi zero. A lição a tirar é  a que de em matéria de economia os presidentes devem ter algum cuidado, não só a imprevisibilidade é grande, como é um domínio da competência dos governo.

Quando um presidente diz que é possível fazer melhor e mais depressa é suposto que sabe do quee fala, ée para isso que tem a experiência necessária para saber do que pode e deve falar, bem como tem assessores pagos para o ajudar na matéria. Assim sendo, as declarações presidenciais não devem limitar-se a estabelecer metas ambiciosas, devem fundamentar a sua viabilidade.

Curiosamente até concordo com Marcelo e tenho defendido que é possível fazer melhor. Ora se Marcelo é presidente e diz o mesmo, proque motivo não diz o "como"? Só lhe ficava bem.

«Em declarações aos jornalistas no final de uma visita às instalações do Colégio Pina Manique da Casa Pia de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa foi por diversas vezes questionado sobre o relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) hoje divulgado, considerando que "aquilo que as instituições internacionais desejam para Portugal é aquilo" que o próprio país deseja em termos de défice, saldo primário, balança de pagamentos e crescimento económico.

"O problema é fazer o que se tem feito mais e melhor. A trajetória está correta. É preciso fazer isso ainda com maior rapidez e de forma mais clara", pediu.

Marcelo Rebelo de Sousa recordou que, nos contactos internacionais que manteve, muita gente dizia há um ano que não iria ser possível ter um défice abaixo dos 3%, nem um crescimento económico, mesmo que lento, ou até aumentar as exportações.» [Notícias ao Minuto]

 A culpa foi do Palhina


Claro que foi, basta olhar para as botas para se perceber que é um infiltrado do SLB no clube da margem norte da 2.ª Circular. Não se percebe de que serve o Bruno no banco da equipa, apela a que o país resolva os problemas tirando o encarnado da bandeira, o porteiro de Alcochete proíbe  Ruiz de entrar com o seu Ferrari encarnado enquanto não lhe mudar a cor e deixa que o palhinha use botas que aprecem ter sido emprestadas pelo Benfica? Estava-se mesmo a ver no que ia dar, foi como se tivessem metido uma palhina no rabo dos adversários, só pararam dentro da baliza do SCP.

 Marques Mendes candidato a líder do PSD?

Mais do que um comentário político a sua última intervenção no tempo de antena da SIC Notícias foi a apresentação da sua candidatura à liderança do PSD.

 Der Spiegel



      
 A Fitch e o rating
   
«Vale a pena consultar o que a Fitch foi dizendo ao longo dos últimos dois anos sobre Portugal e os bancos portugueses para perceber a razão pela qual o rating da dívida pública portuguesa não seguiu a trajectória que, durante o ano de 2015, se esperava que viesse a ocorrer em 2016 e 2017. Não é porque este Governo existe, como Maria Luís Albuquerque afirmou num evento da JSD, é porque a verdadeira dimensão dos problemas e desafios no sector financeiro só se tornou conhecida após as eleições. A 25 de Setembro de 2015, a poucos dias das eleições, a Fitch dava um rating BB+ com outlook positivo à dívida pública portuguesa. Portugal, dizia a Fitch em comunicado, tinha a economia a crescer em linha com a média da zona euro, ia ter um défice abaixo dos 3%, o que permitiria sair do procedimento por défices excessivos, e apresentava um sector financeiro estável. O único risco era o adiamento da operação de venda do Novo Banco que criava “um risco elevado do Novo Banco ser vendido por menos do que o valor da sua capitalização (4,9 mil milhões de euros)”. Até na Caixa Geral de Depósitos o discurso do então Primeiro-Ministro era sobre o reembolso do dinheiro injectado pelo Estado, e não de qualquer necessidade adicional de capital. Ou seja, até às eleições, o que se discutia era quanto é que o Estado ia reaver do dinheiro injectado no sector financeiro, não quão mais é que teria de injectar no futuro. Desde então, tudo mudou.

O Banif, que a Fitch considerava estável, foi resolvido a 20 de Dezembro, menos de um mês após a tomada de posse do actual Governo.
Também em Dezembro, no dia 29, por determinação do Fundo de Resolução, o Novo Banco foi recapitalizado em mais 2 mil milhões de euros. Em menos de uma semana um banco tido como estável desapareceu e um banco tido como sólido e uma resolução tida como irrepreensível resultaram em algo que a Fitch classifica de “restricted default”. 6900 milhões de euros de capital depois, a melhor oferta pelo Novo Banco implica que o Estado tenha de pagar para vender. A estabilidade de Setembro de 2015 revelava-se, assim, uma ilusão. Isto teve impacto na credibilidade do país, levou a um ajustamento (em alta) da trajectória da dívida pública e, em março, a uma degradação do outlook do rating, que passou de positivo a estável. Desde então, e até ao presente, a Fitch diz que a situação melhorou. Sim, melhorou. É certo que a realidade é pior do que se esperava, mas, depois de desfeita a ilusão da saída limpa alimentada até às eleicões, os problemas têm sido enfrentados e estão resolvidos ou em via de resolução: o problema da recapitalização da Caixa foi resolvido, o BCP foi recapitalizado e as dúvidas em torno da estrutura accionista do BPI desapareceram. O maior problema, que vem de trás, e que a oposição não parece considerar ser um problema, muito menos uma prioridade, é a questão do crédito mal-parado, que a Fitch reconhece ser uma prioridade política do actual Governo. Uma solução sistémica para este problema parece ser, para a Fitch, um evento que melhoraria as perspectivas para a evolução do rating Português. Se tal vier a acontecer, será seguramente por causa de medidas do actual Governo, medidas que deviam ter sido tomadas no passado e cujo adiamento prejudicou o financiamento da economia portuguesa.

Ao contrário do que afirmou Maria Luís Albuquerque, a situação não se deteriorou face a 2015, deteriorou-se face previsto (e anunciado) até às eleições, mas está agora melhor face ao que a Fitch previa quando, em Março, já sem a ilusão da saída limpa, baixou o outlook da dívida portuguesa de positivo para estável. O sector financeiro está estabilizado ou em vias de estabilização. O défice, com ou sem medidas extraordinárias, vai ficar bastante abaixo do que a Fitch previa em Março, permitindo – finalmente - a saída do procedimento por défices excessivos. O emprego e as contribuições sociais crescem acima do que cresceram em 2015 e bastante acima do que a Fitch achava possível. A economia está melhor do que estava quando o actual Governo assumiu
funções: estava a desacelerar, baixando para 1.4% no segundo semestre de 2015, e agora está (em termos homólogos) a crescer acima do que cresceu em 2015 e a acelerar, terminando o ano a crescer mais do que os 1,6% do terceiro trimestre. A Fitch prevê que a economia cresça 1,5% em 2017, exactamente o mesmo que previa para este ano, em 2015, quando o outlook era positivo.» [Expresso]
   
Autor:

João Galamba.

      
 Estratégia manhosa de Arménio Carlos
   
«A CGTP defende que os acordos entre o Governo, o PCP e o Bloco de Esquerda (BE) estão "praticamente esgotados" e que são necessários novos compromissos na área laboral, sem os quais "a coisa pode complicar-se".

Em entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, diz que os compromissos assinados eram mínimos "porque não consideravam uma série de matérias fundamentais".

"Neste momento, em que os compromissos estão praticamente esgotados relativamente aos documentos que foram subscritos, entramos numa nova fase", afirmou Arménio Carlos, defendendo que o processo "tem de ser evolutivo e procurar ir mais longe".» [Público]
   
Parecer:

Ficou de fora do aumento do salário mínimo, tornando evidente que a sua agenda é mais ideológica e política do que laboral. Agora Arménio Carlos tenta conseguir por via dos acordos partidários o que recusa através da concertação social. Acontece que os acordos que diz estarem esgotados são para a legislatura e tanto quanto se sabe Arménio Carlos não foi uma das partes desses acordos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se a postura da CGTP.»
  
 Tadinha...
   
«A líder do CDS considera necessário perceber como está a ser feita a consolidação orçamental, alegando que se assiste a "uma grande degradação dos serviços públicos com constrangimentos na Saúde e na Educação".

Falando após ter visitado esta manhã o Hospital de Aveiro, "que não tem investimento relevante deste o Euro", Assunção Cristas afirmou a preocupação do seu partido com "uma dívida pública muito elevada, a um juro de 4,2%, muito distante da Espanha, quando no Governo anterior as melhores emissões foram de 2,6%".

"Estamos preocupados. Certamente que a consolidação orçamental é relevante mas é preciso ver como é que essa consolidação é feita, e o que vemos é uma grande degradação de serviços públicos, como por exemplo os constrangimentos na saúde e na área da educação", disse.» [Expresso]
   
Parecer:

Deve estar esquecida de ter estado no governo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Assunção cristas se chegou a ler o famoso guião da reforma do Estado do seu amigo Paulo Portas.»

 Orgia pedófila na Igrejan Católica australiana
   
«Uma investigação formal aberta em 2013 a casos de pedofilia na Austrália recolheu testemunhos de que 7% dos padres católicos da nação cometeram abuso sexual de menores entre 1950 e 2010, um número que sobe para 40% dos membros da hierarquia da Igreja numa das congregações, a dos Irmãos de São João de Deus. Só entre 1980 e 2015, quase 4500 pessoas terão sido vítimas de abusos, aponta a Comissão Real para Repostas Institucionais ao Abuso Sexual de Menores.

A comissão, que está encarregada de investigar casos de pedofilia na Igreja Católica e em organizações não-religiosas, já tinha ouvido dezenas de testemunhas a relatarem os abusos sexuais sofridos enquanto crianças às mãos do clero, mas a verdadeira extensão do problema ainda não era conhecida até esta segunda-feira, quando a comissão divulgou pela primeira vez as estatísticas que já foram recolhidas ao longo da investigação formal.» [Expresso]
   
Parecer:

A Igreja Católica está-se destruindo com a pedofilia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»