sábado, março 11, 2017

Coincidências urbanas

Já aqui tinha previsto a possibilidade de algumas das empresas responsáveis pelas transferências para offshores serem clientes do advogado Paulo Núncio. Tal como há os mitos urbanos, nestas coisas existem também as coincidências urbanas e estava-se mesmo a ver que sendo Paulo Núncio um muito bem-sucedido advogado de negócios, tão bem sucedido que mesmo sem exercer durante o seu mandato governamental foi promovido para a Morais Leitão, haveria de ter algum cliente cheio de massa com grandes negócios internacionais, que como diria a Cecília Meireles, obrigam a pagamentos para offshores.

Se formos maldosos e puxarmos pela meada das possíveis coincidências urbanas vamos lembrar-nos de que Paulo Núncio era um dos mais importantes discípulos de Paulo Portas, quase uma espécie de Sõa Pedro na seita do agora influenciador de negócios internacionais. Um discípulo tão próximo que quando Maria Luís foi promovida a ministra sobreviveu no lugar. Aliás, nessa mesma ocasião Paulo Portas, o tal facilitador internacional, passou a primeiro-ministro em exercício paras as pastas económicas. 

No meio destas coincidências urbanas dá-se o caso de Portas se ter tornado num grande apostador nos nossos laços com a Venezuela. Tendo passado a responsável pelas pastas económicas e com Núncio na secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais o irrevogável Paulo Portas, homem  que agora anda tão escondido que ninguém sabe dele, Portas tornou-se o arauto da diplomacia económica, função que continua a desempenhas, ainda que pro bono.

Durante algum tempo ainda se falou muito das relações entre Sócrates com a Venezuela, mas  a partir do momento em que Portas aterrou naquele país que tudo ficou esquecido e perdoado, aquilo que em Sócrates era suspeita de crime, com Portas passaria a ser sinal de sucesso. Basta procuar no Google por “Portas+Venezuela” e o motor de busca dispara "Mais Sobre paulo-portas;-venezuela - Correio da Manhã", "Paulo Portas encontrou-se com presidente venezuelano em Lisboa", "Expresso | Portas anuncia contratos de 1,6 mil milhões na Venezuela", "Paulo Portas salienta importância da Venezuela para projecção de ...", "Paulo Portas de visita à Venezuela > TVI24", "Paulo Portas e secretários de Estado na Venezuela para ampliar ..", "Paulo Portas prepara nova visita à Venezuela no final de junho", "Magalhães “somam e seguem” na Venezuela", são centenas de ligações.

Mas é óbvio que estamos perante coincidências urbanas, enquanto governante Núncio não exercia diplomacia e nem se recordava dos nomes dos seus antigos clientes, Portas fez tudo e continua a dar o seu melhor pelo interesse nacional, pró causa da Diáspora a Venezuela é uma prioridade diplomática de Portugal. Tudo coincidências, coincidências urbanos, oportunas e estranhas. 

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Nuno Melo

Parece que o homem conhece a regra de três simples, só não explica porque motivo o CDS tem de mais democrático do que o BE.

«Nuno Melo, em escala em Lisboa, oriundo do Porto a caminho de Bruxelas, onde desempenha o quarto ano do seu segundo mandato como eurodeputado, conversou com o Expresso na terça-feira. O pretexto era o primeiro aniversário da eleição de Assunção Cristas para a presidência do CDS (que se assinala este domingo).

Mas a entrevista acabou por ser, sobretudo, sobre os temas do momento: offshores e Banco de Portugal. E como, nessa mesma manhã, já começava a ser viral a notícia do cancelamento da conferência de Jaime Nogueira Pinto pela Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o tema acabou, naturalmente, por vir à baila também.

O dirigente centrista não compreende, nem aceita, a nomeação de Francisco Louçã para o Conselho Consultivo do Banco de Portugal.» [Expresso]

      
 Deu-lhes a pressa
   
«O PSD vai chamar ao parlamento o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, para prestarem esclarecimentos sobre o "agravamento drástico" dos prejuízos registados pelo banco público.

Em declarações aos jornalistas, no parlamento, o deputado do PSD Duarte Pacheco disse que a bancada vai requerer a presença de Mário Centeno e de Paulo Macedo na comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública "com caráter de urgência".

"Que fique claro, há aqui um agravamento drástico dos resultados e esse agravamento deve ser explicado a todos os portugueses", justificou o deputado.» [Expresso]
   
Parecer:

Compreende-se, depois de terem estado no governo esperavam lucros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Mais um falhanço
   
«É cada vez maior a distância das intenções de voto no PS e no PSD. Em Março, o partido do Governo voltou a subir e situou-se nos 38,3%, enquanto o maior partido da oposição mantém a trajectória descendente e ficou nos 28,8%. São números da Eurosondagem para o Expresso e a SIC no barómetro mensal onde se mostra que o Presidente da República e todos os líderes partidários viram subir a sua popularidade neste mês.

As tendências deste barómetro em relação aos dois principais partidos confirmam toda a evolução verificada no último ano por esta empresa. Em Março de 2016, o PS tinha 35% das intenções de voto e o PSD 32%, tendências que se mantiveram grosso modo até Outubro, altura em que o PSD caiu para a casa dos 30% e o partido de Governo iniciou uma trajectória acentuada de subida.

Embora ainda esteja longe de uma fasquia que lhe permita uma maioria absoluta, o PS vê alargar a maioria de esquerda. O BE não verificou qualquer alteração da posição, mantendo os 9,2% do mês anterior, mas garante a sua posição de terceiro partido a uma distância de dois pontos percentuais do CDS (mais 0,2) e de 1,2% da CDU, que caiu três décimas. O PAN também reforçou a liderança do campeonato dos pequenos partidos, subindo as mesmas sete décimas que perdem todos os outros sentidos de voto (outros partidos, votos brancos ou nulos).» [Público]
   
Parecer:

A estratégia seguida no caso das mensagens SMS parece ter sido mais um falhanço de Passos Coelho. Se as eleições fossem hoje e as sondagens fossem confirmadas a soma dos votos do PSD e do CDS igualaria o pior resultado, 36% em 1976.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho quando é que acerta uma.»

 Amigos inconvenientes
   
«“Se o Dr. Figueira for esta pessoa que estão a retratar nos jornais, não posso ser amigo desta pessoa”, disse. O juiz terá acrescentado ainda que o ex-procurador era conhecido entre os amigos como “inocente”, uma vez que acreditava nas mentiras que lhe contavam de histórias de tribunais.

Orlando Figueira e Carlos Alexandre conheceram-se há 25 anos, quando ambos trabalhavam no tribunal de Vila Franca de Xira. Tornaram-se amigos. Em 2015, Orlando Figueira transferiu dez mil euros para Carlos Alexandre. Por essa altura, já Orlando Figueira tinha arquivado os processos do vice-presidente angolano, deixado o Ministério Público e passado a trabalhar no BCP.» [Público]
   
Parecer:

Parece que o código da amizade de Carlos Alexandre é o Código Penal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Esperemos que não tenhamos amigos como este juiz.»

 Invasão de abelhas
   
«O calor que se tem feito sentir nos últimos dias levou a uma "invasão" da cidade de Lisboa por abelhas. A situação não é inédita, mas o dia de hoje está a ser especialmente trabalhoso para os bombeiros e para os apicultores.

Até às 16:00 tinham-se registado hoje quatro ocorrências relacionadas com abelhas que exigiram a presença dos Bombeiros Sapadores de Lisboa. Uma na zona de Alvalade, outra na 24 de Julho, outra perto do castelo de São Jorge (Rua das Flores de Santa Cruz) e, finalmente, uma outra junto à Assembleia da República (Rua Almeida Brandão). "É uma invasão de abelhas", brinca Jorge Trindade, chefe de turno dos sapadores de Lisboa.» [DN]

sexta-feira, março 10, 2017

Afinal, a única geringonça é o líder da oposição

Ao fim de mais de um ano de oposição a estratégia de Passos Coelho nunca passou por se constituir em alternativa, em vez disso anda por aí na esperança de um novo colapso financeiro lhe devolver o poder sem restrições constitucionais, ainda que sem um Cavaco dócil na presidência. 

A Geringonça já propôs dois orçamentos, em 2016 Passos Coelho confundiu o parlamento com uma mesa de lerpa e disse “passo”. No OE para 2017 o líder do PSD prometeu que iria a jogo, disse que iria ouvir os parceiros sociais e que apresentaria as suas propostas, mas no dia do da apresentarão do OE montou uma fantochada em Albergaria-a-Velha, organizou uma espécie de Cortes de Albergaria e apresentou o seu OE de governo no exílio. Acabou por estar ausente no debate orçamental.

O PSD não participa nos debates parlamentares apresentando-se como alternativa e afirmando as suas propostas. Limita-se a fazer discursos provocatórios, na esperança de o BE ou o PCP se sentirem envergonhados por apoiarem um governo do PS, em vez de o derrubar para termos um governo com uma política económica de extrema-direita. 

Ocasionalmente a estratégia deu resultado no caso da TSU, com o PSD a ignorar os mesmos parceiros sociais que meses antes disse ouvir ara apresentar as suas propostas no debate orçamental. Desde então o PSD ficou viciado em jogo sujo parlamentar, cada debate, cada lei, cada discussão serve para testar o apoio parlamentar ao governo. O próprio Montenegro admitiu ontem que o PSD poderia ser governo sem eleições, isto é, com o apoio tácito do PCP e do BE. 

Ao fim mais de um ano de governo do PS o líder do PSD não desistiu da sua estratégia inicial, anda armado em primeiro-ministro e nas últimas semanas assumiu o papel de primeiro-ministro no exílio e ofendido por um mal-educado António Costa. Para Passos Coelho o parlamento é uma taberna onde vai de vez em quando discutir a bola, ali não se debate nada sério, não se fazem propostas.

Os mesmos que tentam passar a ideia de que há um clima de asfixia democrática demonstram um total desprezo pelo parlamento, estão um ano sem fazer propostas ao país. No fundo Passos Coelho considera que o parlamento é uma inutilidade, nunca lhe deu importância enquanto primeiro-ministro e volta a fazê-lo quando era suposto ser líder da oposição. Passos Coelho tem grandes dificuldades em viver em democracia, enquanto primeiro-ministro não soube o que eram princípios constitucionais, enquanto líder da oposição acha que o parlamento é uma taberna. Passos Coelho lida mal com a democracia, é por isso que só sabe ser governo, não sabe ser oposição.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Luís Montenegro

Terá batido com a cabeça nalgum lado? Quem ouve Montenegro dizer disparates é bem capaz de se esquecer de que num momento de perda da lucidez Passos Coelho chegou a propor uma revisão na hora da Constituição para viabilizar eleições antecipadas. Aliás, até parecia que o PSD queria ir a eleições as vezes necessárias para ter uma maioria absoluta.

Agora a estratégia é nova, perdida a esperança de ganhar eleições prefeririam governar sem maioria até poderem provocar uma crise e tudo voltar ao ponto de partida. Ridículo.

«Caso o Governo de António Costa caía, ou seja, deixe ter o apoio do Bloco de Esquerda, PCP e Verdes, Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, diz que é possível encontrar outra solução governativa sem que seja necessário convocar eleições antecipadas. Na prática, isto seria uma novidade na democracia portuguesa.

“O quadro parlamentar permite outros ajustamentos, desde que haja vontade política dos partidos. Não lhe estou a dizer que vai haver, nem lhe estou a dizer que estou a contar com isso. Estou a dizer que o quadro deve esgotar-se, para haver eleições antecipadas devem-se esgotar os quadros todos”, defende o líder parlamentar do PSD em entrevista à Antena 1 esta quinta-feira.» [Expresso]

 A estratégia do insulto

JMF não perdeu tempo a dar corpo à nova estratégia de Passos

Falhadas as estratégias do primeiro-ministro no exílio, da vinda do diabo, das prendas dos reis magos, do plano B, da subida dos juros, do segundo resgate, do OE para 2017, da asfixia democrática e do malandro do Centeno, Passos Coelho foi ao seu argenal de armamento dos tempos da J buscar a estratégia do insulto.

Pela segunda vez Passos arma-se em virgem ofendida e já se percebeu que todos os debates parlamentares irão servir para intervenções em defesa da honra ou para insultos em off. O mau feitio de Costa é conhecido e Passos tenta levar o primeiro-ministro à asneira.

Esperemos que António Costa perceba que está perante uma estratégia manhosa que visa descredibilizar o parlamento e o governo, passando para segundo plano os problemas do país. António Costa deve dirigir-se a Passos Coelho com todas as delicadeza que ele merece e com um sorriso nos lábios, esta é a melhor forma e a mais inteligente de como faria o tio avô do outro, mandá-lo para a outra barda.

      
 Quem mandava era o Gaspar!
   
«O antigo vice-presidente da CGD António Nogueira Leite revelou esta quarta-feira que Pedro Passos Coelho (primeiro-ministro do Governo PSD/CDS) o convidou para liderar o banco público, só percebendo que ia ser vice-presidente quando recebeu o convite formal de Vítor Gaspar.

"O primeiro convite foi do senhor primeiro-ministro [Passos Coelho] e depois recebi o convite formal do ministro das Finanças [Vítor Gaspar]", afirmou Nogueira Leite durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Questionado pelos deputados, Nogueira Leite confirmou que o convite que lhe foi endereçado por Passos Coelho era para ser presidente da comissão executiva e que só se apercebeu que ia ser vice-presidente com o convite formal de Vítor Gaspar.» [Expresso]
   
Parecer:

Grande Gaspar!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Nogueira Leite porque razão aceitou o lugar.»
  
 A concorrência desleal entre Estados da UE
   
«O Reino Unido, cuja primeira-ministra vai esta quinta-feira a Bruxelas participar no Conselho Europeu apesar de estar prestes a dar início às negociações formais de saída da União Europeia, pode vir a ser obrigado a pagar uma multa de quase dois mil milhões de euros como aconselhado pela autoridade antifraude do bloco.

Em causa estão acusações feitas pelo gabinete europeu de luta antifraude (Olaf, na sigla francesa), que determinou que o Estado britânico tem responsabilidade no facto de gangues criminosos terem inundado os mercados negros do continente europeu com bens chineses ilegais. Na terça-feira, o Olaf sublinhou que o Reino Unido deve desembolsar 1,98 mil milhões de euros para o orçamento comunitário para compensar os direitos aduaneiros perdidos nesses esquemas ilegais contra os quais as autoridades do Reino Unido nada terão feito.

A recomendação deverá ser um dos temas centrais da cimeira de hoje; acima disso, arrisca-se a tornar-se mais um foco de tensão e conflito entre o Reino Unido, de saída, e as autoridades europeias. A exigência da agência antifraude deixa a descoberto os difíceis desafios que May vai enfrentar agora que se prepara para começar a negociar a saída da UE, após a vitória do Brexit no referendo de junho. Se a Comissão Europeia considerar que o Reino Unido deve pagar a multa antes de abandonar o bloco, o Governo britânico vai provavelmente ser pressionado pelos membros do Parlamento a não acatar a ordem.

“Isto não se trata do falhanço do Reino Unido em combater [o esquema ilegal], trata-se de uma fraude conduzida por operadores de trocas no estrangeiro”, defende ao “Guardian” Charlie Elphicke, deputado do Partido Conservador de May. “Muitas pessoas, incluindo eu, estão preocupadas, razão pela qual peço ao Gabinete Nacional de Auditorias que investigue o caso.” De qualquer forma, acrescenta o deputado britânico, “seria fundamentalmente errado e um anúncio falhado dizer que isto é da responsabilidade do Governo britânico. Seria errado o Olaf apontar-nos o dedo. Seria ainda mais errado a Comissão [Europeia] tentar dar início a procedimentos formais” contra o Reino Unido.» [Expresso]
   
Parecer:

O caso não é novo, há países que para atrair negócios fazem vista grossa à aplicação da lei tornando os seus portos mais competitivos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se o problema à escala comunitária.»

 Ao BdP o que é do BdP
   
«Num discurso hoje, no parlamento, no âmbito de uma interpelação do CDS sobre supervisão bancária, Mário Centeno disse que é necessário uma entidade que torne mais eficaz a coordenação e troca de informações entre as autoridades de supervisão financeira, ou seja, Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).

"Impõe-se uma coordenação reforçada (...) com uma entidade vocacionada para uma visão global do sistema financeiro", afirmou o ministro.

O governante disse, então, que o Governo irá propor a "criação de uma entidade com a missão de assegurar a troca vinculativa de informações e a coordenação da atuação das autoridades de supervisão", que irá substituir quer o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros quer o Conselho Nacional de Estabilidade Financeira.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Veremos se o BdP aceita ser apenas aquilo que é, um banco central.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Discuta-se a solução.»

quinta-feira, março 09, 2017

Eu paguei o bilhete

Há nove anos que vivo em regime de austeridade, desde o primeiro corte de 10% do vencimento decidido ainda pelo governo de Sócrates que perdi o direito a pensar no futuro. Fui vítima das experiências idiotas de um iletrado que a coberto de uma experiência de política económica me cortou mais de 25% do rendimento, como o corte de 10% do vencimento era pouco, aumentaram o horário de trabalho em mais de 14% sem qualquer contrapartida, aumentaram os descontos para tudo e mais alguma coisa, recorreram a todos os truques para ser vítima de uma desvalorização fiscal na ordem dos 30%.

Dez anos são quase uma quarta parte da nossa vida profissional, um quarto da nossa vida em que deixámos de ter direitos, em que a Constituição só servia para defender os direitos pessoais ou comerciais de alguns, já que os meus foram ignorados por Cavaco Silva, um homem que percebia mais de negócios de acções do BPN dos que dos direitos constitucionais dos cidadãos que em má hora o elegeram.

Hoje todos sabemos que tudo isto apenas serviu para tentar salvar banqueiros corruptos e corruptores, para promover economistas ambiciosos, para testar novas políticas económicas. Falhada a experiência o país vai recuperando do trauma. Feitas as contas ao que perdi e ao que me foi extorquido estamos falando de muitas dezenas de milhares de euros.

Isto significa que já paguei um bilhete bem caro para o espectáculo, refiro-me ao espectáculo da verdade. Tenho direito a saber tudo o que se passou no BES, não apenas em nome da cidadania mas também do que me foi tirado, dos muitos que foram forçados a emigrar, dos que morreram abandonados nas portas das urgências.

EM nome da salvação do sistema financeiro fui roubado, tiraram-me direitos, sujeitaram-me a experiências económicas. Agora que tudo falhou querem que fique na ignorância em nome da estabilidade do mesmo sistema financeiro. Não é aceitável, os cidadãos não servem apenas para serem sacrificados sem saberem em nome de que beneficiados. Paguei bilhete para saber tudo sobre os causadores de todo este sacrifício, seja o Carlos Costa, o Paulo Núncio ou o Ricardo Salgado.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Marques Mendes

Marques Mendes faz bem em querer testemunhar no julgamento do caso dos vistos gold, ainda que esta disponibilidade possa ser considerada tardia, á na fase da investigação o seu nome foi badalado e teria sido muito útil se o ex-presidente do PSD e agora comentador televisivo e advogado, tivesse ajudado o MP a apurar a verdade.

Mas mais vale tarde do que nuca, ainda que nesta coisa da justiça a disponibilidade cheire a "agarrem-me senão bato-lhe", se ele for indicado como testemunha não terá outro remédio senão comparecer no tribunal. O que não se compreende é que um homem  que durante anos fez do discurso oral uma forma de vida, venha agora dizer que está disponível para depor por escrito.

Até parece que alguém tão experiente a falar tem receio de dizer alguma asneira e o argumento do Conselho de Estado parece esfarrapado. Nada no seu estatuto de Conselheiro de Estado o proíbe de testemunhar oralmente, ser membro do Conselho de Estado não faz mal à garganta.

«O antigo líder do PSD Marques Mendes, que surge mencionado em várias passagens do processo judicial dos vistos gold, está disponível para depor em tribunal na qualidade de testemunha, como lhe foi solicitado pelo Ministério Público. Mas só por escrito. O comentador televisivo vai usar uma prerrogativa que assiste aos membros do Conselho de Estado, como é o seu caso, para não responder presencialmente às perguntas dos juízes, dos advogados e do procurador do processo.

Questionado pelo PÚBLICO sobre as razões para não querer depor presencialmente, Marques Mendes alegou que existe “uma orientação muito antiga” deste órgão a que pertence no sentido de os seus membros deporem apenas por escrito. E fala mesmo na situação de um conselheiro que o tribunal “pediu para ouvir presencialmente”, mas que “não foi autorizado pelo Conselho de Estado”.» [Público]

 Estatísticas da honra dos deputados

Por uma intervenção do líder parlamentar do PSD fiquei a saber que há uma relação estatística entre o peso eleitoral dos partidos e a honra dos seus deputados, foi por isso que Montenegro invocou a percentagem eleitoral do PSD para aferir a dignidade de Passos Coelho. Enfim, o líder parlamentar do PSD deve estar esquecido que Passos Coelho tem tanta honra como a de qualquer deputado e , em particular, dos deputados do seu círculo eleitoral. 

 Debate parlamentar

Há muitos anos que o parlamento não contava com um líder da oposição tão bem educado e tão sensível, é rara a vez que debate com António Costa que não fique ofendido. Está esquecido dos seus tempos de J, quando os estudantes mostravam o traseiro à Manuela Ferreira Leite.

 P

z

      
 O Fisco, esse grande "offshore"
   
«Uma das definições clássicas de um "offshore" – um território que se alimenta da opacidade – assenta que nem uma luva na Autoridade Tributária. O problema maior no Fisco não é o "bug" nas estatísticas sobre "offshores", é o facto de ele próprio ser um grande "bug" informativo.
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A Autoridade Tributária é um dos maiores e mais poderosos organismos da Administração Pública. É o principal braço cobrador do Estado, a sua capacidade coerciva aliada à crescente automatização transformou-se numa arma de intimidação e o manancial de informações que concentra sobre os cidadãos e empresas deve despertar cobiça até aos serviços secretos. Os impostos são também um importante instrumento de poder (basta ver que nenhum Governo resiste a mexer-lhes) e, mais importante do que tudo, são uma área propensa a influências políticas e económicas, já que uma interpretação técnica ou um processo mais descuidado pode decidir se um contribuinte paga ou se se livra de uma factura de milhões de euros.

De um organismo público com tantos e tão relevantes poderes esperaríamos especiais deveres de transparência na prestação de contas, mas o Fisco tem feito o caminho inverso, umas vezes por determinação política, é certo - como aparentemente terá acontecido com a subtracção das estatísticas sobre os "offshores" -, mas outras vezes por falta de diligência própria. Exemplos não faltam.

As estatísticas sobre os esquemas de planeamento fiscal agressivo eclipsaram-se em 2011 dos relatórios de combate à fraude, tendo sido substituídas por um enunciado genérico de operações. As informações vinculativas que a lei manda publicar no espaço de 30 dias continuam no segredo dos gabinetes e a alimentar um valioso tráfico entre consultores. As instruções dos serviços, de interesse geral, são consideradas sigilosas. As estatísticas publicadas por iniciativa própria são escassas e a más horas, e pedidos adicionais são respondidos a contragosto (na melhor das hipóteses) inviabilizando o escrutínio público e independente das decisões políticas. O relatório de combate à fraude, que o Fisco é obrigado a publicar todos os anos, é um enunciado burocrático, feito como se de um relatório de actividades se tratasse (usando agora palavras do Tribunal de Contas).

O problema maior no Fisco não é o "bug" nas estatísticas sobre "offshores", é o grande "bug" informativo que o próprio alimenta. » [Jornal de Negócios]
   
Autor:

Elisabete Miranda.

      
 Domingues na NOS
   
«António Domingues vai regressar a um lugar que já conhece, como administrador não-executivo da operadora NOS, onde já tinha estado em representação do BPI. O banco – em que o gestor foi vice-presidente até assumir a presidência da Caixa – era acionista da operadora de telecomunicações e foi a casa de Domingues durante grande parte da sua carreira.

Depois do cargo como vice-presidente da Comissão Executiva do Conselho de Administração do BPI, António Domingues assumiu a presidência da Caixa Geral de Depósitos (CGD), no fim de Agosto de 2016, mas acabou por se demitir do cargo pouco mais de três meses depois, envolvido numa polémica em torno da entrega das declarações de rendimento e de património – suas e da sua equipa – , junto do Tribunal Constitucional.» [Observador]
   
Parecer:

Depois do que se viu com as suas mensagens de SMS é uma escolha que faz sentido. Fica mais perto junto do seu amigo Xavier.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se a família Azevedo que devem optar por falar porque é perigoso mandar mensagens de SMS.»
  
 O Lalanda não fugiu
   
«Os dois principais suspeitos da Operação O Negativo, o ex-presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Cunha Ribeiro, e o ex-administrador da farmacêntica Octapharma, Paulo Lalanda e Castro, estão em liberdade, na sequência de um pedido de alteração das medidas de coacção feito pelo próprio Ministério Público. A informação foi confirmada ao PÚBLICO pela juíza-presidente da Comarca de Lisboa, Amélia Almeida, após a SIC ter adiantado que as medidas de coacção tinham sido alteradas pelo Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa a 1 de Março.

A magistrada precisou que tanto Cunha Ribeiro como Lalanda e Castro ficaram proibidos de se ausentar do país e de contactar determinadas pessoas. O ex-administrador da Octapharma ficou ainda obrigado a prestar uma caução de um milhão de euros. » [Público]
   
Parecer:

Se o homem não fugiu prova-se que todo o espalhafato feito com o mandato de captura, que apenas serviu como instrumento de difamação, do agora arguido e do próprio país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se tanto espalhafato.»

quarta-feira, março 08, 2017

A estabilidade do sistema financeiro

Já vi muitas manifestações públicas nas ruas de Lisboa, junto ao BES, junto ao BdP e até junto à residência particular de Carlos Costa e não me recordo de se ter falado de estabilidade do sistema financeiro. Nem mesmo quando o BES ruiu ou quando BPI tremeu ninguém falou em estabilidade do sistema financeiro, nesse tempo a teses era qe “ai aguentam, aguentam” e enquanto os portugueses suportassem a austeridade parecia estar assegurado esse valor que é a estabilidade do sistema financeiro.

Parece que em Portugal a estabilidade do sistema financeiro não é medido nos rácios, não se avalia nos méritos de gestão, não se afere na idoneidade dos banqueiros ou no desempenho competente do regulador. No nosso país a estabilidade do sistema financeiro mede-se em decibéis, porque o negócio da banca requer silêncio e silêncios, processa-se de forma discreta. Provavelmente foi a pensar na estabilidade do sistema financeiro que o Núncio mandou silenciar os dados incómodos.

Durante décadas o tal sector bancário, de que Cavaco dizia ser um exemplo de virtudes, vivei em paz e estabilidade, todos os anos os bancos exibiam lucros, os dividendos eram pagos, os administradores enriqueciam com prémios. Raramente alguém ouvia falar um governador do BdP, que tinha menos exposição mediática do que o presidente do RioAve ou do Leiria. O país acabou por saber as consequências dessa estabilidade que escondia o oportunismo, a má gestão, a corrupção, tudo mantido em silêncio graças a essa Omertà que protegia o bom nome de todos os que participavam no negócio da banca.

Se o silêncio significa encobrimento, manter negócios duvidosos ou escolha de incompetentes longe do debate e escrutínio públicos não se está garantindo a estabilidade do sistema financeiro, antes pelo contrário, estão sendo criadas condições para que daqui a uns anos um qualquer ideólogo encomendado nos venha impingir a austeridade com o argumento de que andámos a consumir acima das possibilidades.

A estabilidade do sistema financeiro não se mede em decibéis, mede-se em competência dos gestores dos bancos, no rigor e transparência do BdP, na competência, honestidade e sentido do dever do seu governador, na separação entre banca e política, na avaliação rigorosa das suas contas e gestão por parte dos reguladores, BdP e Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

No passado tivemos estabilidade e foi o que se viu, O BES tinha gente na política e faliu, o BPN rendia centenas de milhares de euros em negócios de acções de Cavaco e ruiu, o Fernando Ulrich dizia que o povo aguentava e estava enterrado na dívida grega, o Carlos Costa assegurou que a resolução do BES era uma pílula indolor e foi o que se viu. A estabilidade consegue-se com transparência e não com silêncios e opacidades.


Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas, "produtora" de Marias

Esta senhora vai longe...

«Aos 17 anos começou a namorar com um colega do secundário, uma sorte ter encontrado o amor tão cedo, não acontece assim a todos, sabe Assunção Cristas. A líder do CDS-PP deu uma entrevista à revista Maria. 

Na edição desta semana, Assunção Cristas falou sobre a sua vida pessoal, os seus quatro filhos – por que se chamam todos "Maria", rapazes e raparigas? Porque é cristã, responde, explicando de seguida o nome de cada um deles – e como concilia a família com a vida política. Numa entrevista de três páginas, a democrata-cristã assegura que, em casa, divide tarefas com o marido, Tiago Machado da Graça, e que “às vezes” até acaba por fazer mais. É essa aliás a razão que apresenta para não ter o quinto filho: “Eu gostava, mas sei que sobra muito para o meu marido. Não lhe posso exigir mais.”» [Público]

       
 Sucesso intelectual da Geringonça
   
«O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que apesar do sucesso intelectual internacional e do interesse académico e político pela solução governativa encontrada em Portugal, a chamada 'geringonça', esta "não tem funcionado bem para Portugal".

Durante a visita ao Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas (SISAB), em Lisboa, Pedro Passos Coelho estava a provar um pastel de nata e a falar sobre as exportações da marca com o responsável, quando este, em tom de brincadeira, disse que não se tratava de "nenhuma geringonça".» [DN]
   
Parecer:

Pobre Passos, já não sabe como criticar a Geringonça e nem sequer esconder frustração de ver a solução política do governo português a ser elogiada no estrangeiro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Estupidez ou campanha suja
   
«A campanha de António Costa terá tentado comprar posts favoráveis ao futuro primeiro-ministro em blogues de lifestyle durante as primárias do PS, no verão de 2014. Ana Garcia Martins, autora do blogue A Pipoca Mais Doce, foi uma das bloggers contactadas pelo Sapo (a plataforma onde está alojada a página), para fazer publicações elogiosas ao então candidato, que disputava com António José Seguro a nomeação como candidato dos militantes e simpatizantes socialistas para primeiro-ministro. A Portugal Telecom — empresa à qual pertence o Sapo — e bloggers contactados pelo Observador confirmam as tentativas de publicação de posts pagos. Já os responsáveis pela comunicação na campanha de Costa negam que o tenham feito.

O gabinete de comunicação da Portugal Telecom (PT) confirma ao Observador, por escrito, que o departamento comercial do Sapo fez essa proposta a vários bloggers, mas destaca que teve apenas o papel de intermediário. Fonte oficial da PT começa por explicar que “o Sapo faz a gestão comercial de alguns blogues nacionais, sendo apenas responsável pelo encaminhamento dos pedidos que chegam via anunciantes e agências de meios”, confirmando a existência de contactos nesse sentido: “O pedido em questão chegou-nos via agência de meios“, refere fonte oficial ao Observador. Destacando que uma empresa como a PT não se imiscui em questões partidárias, o gabinete de comunicação acrescenta ainda que o “Sapo não tem qualquer responsabilidade na tomada de decisão do que é solicitado, nem na aceitação ou não desses pedidos.”» [Observador]
   
Parecer:

Só um idiota procuraria promover-se numa eleição política com um post simpático das Pipoca M;ais Doce. Mas um espertalhão poderia ter lançado uma tentativa, sabendo que não teria despesa e assim difamar Costa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»
  
 A vez da UTAO
   
«A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) estima que o défice orçamental de 2016 em contabilidade nacional, a que conta para Bruxelas, se tenha situado em 2,3% do PIB, acima da última estimativa do Governo, que aponta para 2,1%.

"No que se refere a 2016, estima-se que o défice em contabilidade nacional se tenha situado em 2,3% do PIB (2,6% do PIB excluindo operações de natureza temporária), o que a confirmar-se deverá permitir o encerramento do Procedimento dos Défices Excessivos", afirmam os técnicos da UTAO numa nota enviada aos deputados a que a Lusa teve acesso.» [Público]
   
Parecer:

Parece que até a UTAO se converteu a Centeno.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se a UTAO sobre as causas dos seus erros de previsão.»

 Os meandros do tráfico de influências
   
«Por que razão uma empresa que se dedicava à jardinagem e ao desmatamento havia de precisar de contratar uma firma que tinha Marques Mendes, Miguel Macedo e um amigo deste último, Jaime Gomes, entre os seus sócios? À pergunta feita esta segunda-feira pelos magistrados do tribunal onde está a ser julgado o caso dos vistos gold, o gerente da firma de jardinagem Fitonovo, uma das muitas organizações investigadas neste processo, respondeu de forma singela: “Ajudava-me a marcar reuniões. Punha-me em frente do cliente”. No caso em apreço, graças aos bons ofícios da JMF - Projects e Business, a empresa que Jaime Gomes tinha juntamente com o então deputado social-democrata e com o ex-líder do PSD, o gerente da Fitonovo conseguiu ser recebido pelo presidente das Estradas de Portugal, Almerindo Marques.

“E com alguma rapidez. Era um cliente estratégico com quem nunca nos tínhamos conseguido reunir nem arranjado um contrato importante” de desmatamento das bermas das estradas, recordou o gerente da Fitonovo, João Navarro, ouvido em tribunal como testemunha. Para que as portas da administração pública se lhe abrissem bastou-lhe contratar, primeiro à percentagem e depois à razão de seis mil euros por mês, a JMF. Pelo menos é essa a tese do Ministério Público, segundo o qual a única actividade comercial desta empresa consistia na facilitação de contactos privilegiados no âmbito da contratação pública. E João Navarro, que chegava a enviar a Jaime Gomes por correio electrónico o nome de membros de júris de concursos públicos em que tencionava participar, mensagens essas que depois eram reencaminhadas para outros sócios da JMF, não a desmentiu – embora alegue não se recordar de ter ganho nenhum concurso graças a esta assessoria comercial. “Mas qual era o interesse de enviar para Jaime Gomes o nome do presidente do júri de um concurso” aberto pela Câmara de Lisboa ou do Porto? – quis saber, a dado ponto, o presidente do colectivo de juízes do Campus da Justiça de Lisboa, Francisco Henriques. “O meu interesse era reunir-me com ele, apresentar a Fitonovo”, repetia o gerente da firma de jardinagem. O que lhe valeu um comentário ácido do magistrado: “Sabe que um concurso público não funciona com apresentações, não sabe?”.

Em 29 de Junho de 2011, após tomar posse como ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, que também é arguido neste processo, tal como Jaime Gomes, desvinculou-se da JMF, que cessou actividade em 2013. E nunca terá tido grande ligação a esta firma, assegurou uma sócia sua na advocacia também ouvida esta segunda-feira em tribunal: "Depois de ter assumido a liderança da bancada parlamentar do PSD, em 2010, a sua vida resumia-se a isso."» [Público]
   
Parecer:

Quem cabritos tem e cabras não tem...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 O MP é muito curioso
   
«A Autoridade Tributária e Aduaneira tem recusado partilhar com o Ministério Público (MP) informação fiscal ligada a transferências de dinheiro para offshores no âmbito de processos de prevenção de branqueamento de capitais. A situação foi confirmada ao DN por um procurador do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), considerando "insólita" a posição do fisco, que tem alegado "sigilo fiscal" para não partilhar informação com os procuradores que acompanham as transferências de dinheiro. "Estamos num ponto em que, por incrível que possa parecer, os bancos colaboram mais do que as Finanças", sintetizou o magistrado ouvido pelo DN.

Os processos de prevenção do branqueamento de capitais, tecnicamente chamados de averiguações preventivas, começam, na maioria dos casos, com comunicações bancárias, dando conta de movimentos financeiros suspeitos. Se o Ministério Público "pudesse confirmar qual o status fiscal dos autores da transferência, tudo estaria bem, pois em caso de crime abria-se inquérito e, se necessário, bloqueava-se o dinheiro", continua a mesma fonte, acrescentado que se estivesse em causa "apenas" uma contraordenação em função do valor do imposto em dívida, o MP ou a Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária comunicavam à AT para tramitar o processo contraordenacional.

O problema, refere o mesmo procurador, é que sem indícios de um crime precedente ao branqueamento, o Ministério Público não pode atuar rapidamente.» [DN]
   
Parecer:

Com o argumento do combate ao branqueamento de capitais o MP ainda vai querer ter conhecimento das mesadas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Taxas moderadoras
   
«São cada vez mais utentes que acham que estão a pagar um valor justo pelos cuidados de saúde que recebem, mas também pelo preço dos medicamentos. Apesar desta tendência ainda há muitas pessoas que não conseguem aceder aos cuidados de saúde e medicação por causa dos seus custos. No ano passado, segundo o estudo Índice de Saúde Sustentável 2016, houve um potencial de 2,7 milhões de cuidados de saúde não prestados e perto de 12% de pessoas que não compraram medicamentos por causa do seu valor. Ainda assim números inferiores aos registados no ano anterior.

De acordo com o estudo da Nova Information Management School, apresentado hoje na conferência Abbvie/TSF/DN, que tem por base um índice de zero a 100, a adequação do preço está nos 59 pontos, um aumento em relação aos anos anteriores. "Significa que a perceção dos utilizadores relativamente ao preço do sistema, quer no que diz respeito às taxas moderadoras, ao preço dos medicamentos e comparticipação do Estado, está a evoluir positivamente e de forma significativa. Quase 40% dos utilizadores consideram o valor das taxas moderadoras como adequados ou muito adequados e praticamente 50% dos utilizadores consideram que o preço dos medicamentos e a comparticipação do Estado é adequado ou muito adequado", explica Pedro Simões Coelho, autor do estudo.» [DN]
   
Parecer:

Parece que estas taxas moderam mesmo o acesso aos serviços de saúde.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

terça-feira, março 07, 2017

O cidadão bom e o cidadão mau

Em Portugal hás um problema de bipolaridade em relação aquele ente a que todos se referem como “cidadão”, umas vezes o cidadão é bom, outras é perseguido porque é mau. Para alguns a escolha é de ocasião, nas eleições o cidadão é sempre bom, na hora de cobrar impostos é sempre um malandro que se quer escapar. 

Numa perspectiva ideológica há sempre uma escolha, para uns o rico é o cidadão bom cujo dinheiro tem o estatuto de independente, o pobre é um cidadão menos bom porque o dinheiro só serve para gastar e por vezes da pior forma. Para outro o pobre é sempre bom porque por maior que seja a bossa passa sempre pelo buraco da agulha, os ricos são sempre pecaminosos.

Nuns dias recebemos e-mails do fisco elogiando-nos porque provavelmente seremos premiados com o reembolso da sobretaxa do IRS, no outro somos inundados com notícias dos grandes sucessos conseguidos com penhoras. Num dia o país derrete-se em amabilidades com os investidores, no dia seguinte os investidores são a causa de todos os nossos males.

O nosso Estado, seja a Administração Pública, sejam os governantes, é bipolar na forma como trata os cidadãos, ora recorre à bajulação, ora persegue-os. Como eleitores somos exemplares, mas como contribuintes, como condutores, como trabalhadores, como empresários somos potenciais delinquentes. Os eleitores são bajulados, para os contribuintes, trabalhadores, empresários e demais malandragem social são montadas armadilhas para os esmifrar até a medula.

O próprio Estado e a classe política divide o rebanho em dois, o rebanho das ovelhas brancas e o rebanho das ovelhas negras. Cada cidadão tem de se habituar a viver neste mundo como se visse num país em guerra civil, tendo s disfarçar sempre que passa num check point, sob pena de ser separado e metido no rebanho das ovelhas negras. Se for empresário e lidar com a esquerda é conveniente que diga que é um micro-empresário, se for reunir com o Marques Mendes dá jeito ser chinês, se for atendido pela Cristas o melhor é pertencer à associação das famílias numerosas, para ser bem tratado pelo PSD dá jeito ter muito dinheiro.

Enfim, o Estado e os nossos governante e classe política têm algumas dificuldades em lidar com a cidadania.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Carlos Costa, governador do BdP

Era óbvio que depois das reportagens da SIC o governador tinha de vuir prestar esclarecimentos. Mas vir dizer que vem prestar esclarecimentos para se defender de acusações distorcidas" não faz muito sentido. Foi ele que decidiu o que se podia saber e o que ficaria escondido, é cada vez mais evidente que foi muito mais o que escondeu do que o que esclareceu. Ora, se criou uma cortina de opacidade é natural que quando se sabe algo mais se pense o pior de quem escondeu a informação.

Carlos Costa não tem responder a acusações distorcidas, vem muito provavelmente restaurar a sua parede de opacidade para estancar a saída de informações que ele julgava escondidas para a posterioridade.

«rlos Costa enviou esta segunda-feira uma carta à presidente da Comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFAP), Teresa Leal Coelho, pedindo para ser ouvido para prestar esclarecimentos sobre o seu papel e o do Banco de Portugal no caso BES, depois de na reportagem da SIC, "Assalto ao Castelo", ter-se admitido que o governador ignorou informações que lhe teriam permitido afastar mais cedo Ricardo Salgado da liderança do banco da família Espírito Santo.

O governador quer defender-se no Parlamento das questões que se levantam em torno da sua atuação e o acompanhamento feito pelo Banco de Portugal nos meses que antecederam a resolução do BES, em agosto de 2014, confirmou o Expresso junto da presidente da COFAP. "Há um conjunto de acusações à supervisão que distorcem aquilo que é a realidade do que se passou", afirma Carlos Costa na carta que enviou a Teresa Leal Coelho. A missiva segue-se a um telefonema que fez a Leal Coelho no final da semana passada a disponibilizar-se para ir prestar esclarecimentos aos deputados.» [Expresso]

 Terá levado algum porradão na cabeça?


O que mais me impressiona nesta nova versão da camarada Zita Seabra, agora candidata a Santa Zita, não é a sua conversão, até porque há muitos militantes do PCP com convicções religiosas. O que me impressiona é o facto de Zita Seabra ter sido um verdadeiro exemplo exibido pelo PCP de jovem trabalhador. Recorde-se que nos anos 70 a Zita Seabra era dirigente do MJT, uma organização juvenil muito dada à cacetada.

O que leva ao vómito neste vídeo é que no ano em que se comemora o centenário da revolução russa, que esta senhor nos tentou impingir, venha agora relacionar Fátima com a conversão da Rússia. Se as aparições de Fátima são mais do que duvidosas, a sua génese anti-comunista é ainda pior. Zita não é apenas um caso de conversão religiosa, Zita passou do pior que havia à esquerda para o pior que há à direita.

      
 favas depois de almoço
   
«O Tribunal da Relação de Lisboa ordenou à editora Gradiva que recolha dos distribuidores, no prazo de 20 dias, os exemplares do último livro do ex-director do semanário Sol, José António Saraiva, intitulado Eu e os Políticos, lançado em Setembro passado. A decisão foi proferida no âmbito de um recurso de uma providência cautelar apresentada pela jornalista Fernanda Câncio, que pedia a apreensão de todos os exemplares do livro e a proibição da sua venda, por considerar que o mesmo invadia a sua intimidade, já que violava o seu direito à reserva da vida privada e ao bom nome.

Um colectivo de três juízes deu-lhe razão, tendo determinado ainda que os dois parágrafos relativos à vida privada da repórter do Diário de Notícias terão de ser eliminados em eventuais novas edições do livro. Esta decisão, datada de final de Fevereiro, revoga uma anterior em que uma juíza da primeira instância recusou as pretensões da jornalista. Essa sentença considerava que o era dito no livro não merecia tutela cautelar e que a liberdade de expressão do autor devia prevalecer. "Na verdade, pese embora se compreenda a indignação da requerente, no caso em apreço uma concepção menos ampla de liberdade de expressão faz surgir o risco de que os tribunais possam funcionar como órgão de censura, inibindo assim a liberdade de expressão, o que não é legalmente admissível aos tribunais", lia-se na decisão agora substituída.» [Público]
   
Parecer:

São muitos mais os PDf que circularam na web do que as edições em papel que serão recolhidas. O destemido jornalista devia indemnizar as vítimas do seu voyeurismo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «lamente que o canalha não pague uns milhares por cada livro vendido e por cada PDF aberto.»
  
 Outra vez o PREC?
   
«Os sindicatos da função pública foram apanhados de surpresa com a intenção do Governo de limitar as progressões na carreira, como noticia o PÚBLICO nesta segunda-feira. A Federação dos Sindicatos para a Administração Pública (Fesap) e a Frente Comum vão pedir uma reunião com o ministro das Finanças para lhe pedir explicações. O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), por seu lado, alerta que quaisquer limites não serão compreendidos pelos trabalhadores que têm as carreiras congeladas há anos.

Helena Rodrigues, presidente do STE, começa por lembrar que as progressões na carreira não são automáticas. “São em função da avaliação de desempenho, que por acaso tem quotas.” E lembra que há muito estão congeladas.» [Público]
   
Parecer:

Pela forma como os sindicatos reagiram à notícia das progressões nas carreiras da Função Pública fica a impressão de que o governo não pode ter qualquer iniciativa legislativa sem consultar primeiro os sindicatos, os da UGT por via da Geringonça e os da UGT por via do PS. Por este andar o melhor é que os sindicatos indiquem um ministro sem pasta para vigiar de perto a acção do Governo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

segunda-feira, março 06, 2017

Perdoai-lhes Senhor

É óbvio que Passos Coelho considera Carlos Costa um dos seus, considera e é muito provável que tenha toda a razão, a independência que agora se defende em relação ao BdP não se registou enquanto Passos Coelho foi primeiro-ministro, talvez por isso uma figura de segundo nível que veio para o governo ajudar ao despedimento e empobrecimento forçado dos funcionários públicos foi premiado com um cargo de administração no banco. Para não referir a contratação do filho de Durão Barroso e outros factos menos elogiosos na gestão de Carlos Costa.

Mas é bom que Carlos Costa se mantenha como governador do BdP e na posse de plenos poderes, pior do que já fez à economia portuguesa dificilmente poderá fazer e até o BCP deve estar contente por já não o ter no banco para gerir os negócios offshore, matéria que passava pelo seu pelouro quando trabalhava naquele banco, tempo em que o mesmo ia indo à falência com operações ruinosas e duvidosas em praças financeiras em locais duvidosos.

Afinal, desde que mudou o governo que Carlos Costa deixou de assumir o estatuto de Avô Boca Doce, aparecendo quase todos os dias nas televisões, dizendo-nos para abrir a boca para que o Passos nos metesse a colherada de austeridade pela boca dentro. O senhor está exercendo o seu mandato, para o qual foi escolhido por Teixeira dos Santos e reconduzido por Passos Coelho. Culpabiliza-lo por tudo o que se passou no país significa desresponsabilizar a Troika, Passos Coelho, Vítor Gaspar (Maria Luís não tem autonomia intelectual para assumir culpas) e o próprio BCE. Mas, pelos vistos, os critérios do BCE são mais exigentes e rigorosos com a escolha de administradores dos bancos privados, do que a dos governadores dos bancos centrais.

Quem também deve permanecer no cargo, ainda que pareça mais com uma pregadora evangélica do que com uma economista responsável é a Dra. Teodora Cardoso. A senhora decidiu chamar a si um papel que não consta das suas competências e chegou ao ridículo de se se oferecer enquanto Presidente do Conselho Superior de Finanças Públicas para fazer uma avaliação pré-eleitoral do programa económico do PS. A seguir era bem capaz que querer reescrever a Constituição da República e decidir que ela era a “presidente da junta”, isto é, enquanto presidente do CSFP passaria a ser, por inerência, presidente do Tribunal Constitucional.

O maior perigo por parte de Teodora Cardoso é a tentativa sistemática de descredibilizar o governo português e Portugal junto dos mercados. Cada vez que fala é para lançar a desconfiança dos investidores estrangeiros e de todos os operadores económicos, talvez porque ache, tal como sucede com Passos Coelho, que as suas teses são mais viáveis com um segundo resgate, para dessa forma serem ignorados aos mais elementares valores constitucionais.

A presidente do CSFP não tem tido grande sucesso, sinal de que a sua credibilidade não é grande coisa, o que vai de encontro ao que se esperaria da sua dimensão política e técnica. São tantas as asneiras que tem dito, as previsões que falho e as aberrações políticas que defendeu que já perdeu credibilidade. Nestas condições, defender a demissão da senhora, transformando-a em vítima é uma asneira, que fique no cargo e que diga baboseiras até que a voz lhe falhe.

A defesa da demissão do governador do BdP e da presidente do CSFP é uma asneira, são personalidades cuja credibilidade está em queda e a sua transformação em vítimas da asfixia democrática é uma parvoíce, até porque os cargos que desempenham não são assim tão importantes. Já não há bancos para destruir e só por falta de notícias é que alguém liga ao que diz Teodora Cardoso.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Bruno Carvalho

Bruno de Carvalho deve ter pensado que as eleições no SCP eram disputadas contra listas do FCP e do SLB, talvez por isso se tenha lembrado de conspurcar o nome do tio avô atribuindo-lhe a frase "bardamerda para todos os que não são do Sporting". Da parte que me toca aqui fica a resposta, bardamerda para o Bruno de Carvalho.

Parece que as instituições desportivas do país começam a ser lideradas como se fossem gangues de marginais, o que é lamentável e vai acabar por dar maus resultados. Para a história fica a escolha de um Trump para a liderança do segundo maior clube português.

 Dúvidas que me atormentam

zSe vejo distintas personalidades a apoiar Bruno de Carvalho, os seus métodos e o seu discurso, o que impede um qualquer Trump de Odivelas de chegar ao poder? Será que o mundo da bola é um mundo à parte ou os critérios dos eleitores são tão exigentes na política como o são na bola?

      
 O Trump de Alvalade ganhou as eleições
   
«“Ouvi hoje em muitos programas comentadores dizerem que era um populista. Não, gosto é de estar ao vosso lado, ao lado dos sócios. Por isso, e como dizia o meu tio-avô Pinheiro de Azevedo, que foi primeiro-ministro, bardamerda para todos aqueles que não são do Sporting Clube de Portugal. O Sporting está aqui para liderar e podem vir com o que quiserem que o Sporting está para ficar. Ao contrário de outros, nunca vi sportinguistas rasgarem cartões mesmo quando não ganham”, atirou.

“Que os rivais parem de falar de um Sporting dividido e com problemas. Entrámos numa nova era onde o Sporting deixou de ter medo. Ao Sporting não podem fazer mal porque quem o fizer será meu inimigo e dou a vida pelo Sporting”, rematou.» [Observador]
   
Parecer:

Vamos continuar a ter espectáculo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «d~e-se a merecida gargalhada.»
  
 MP não pode aceder a dados fiscais
   
«Na sua edição de hoje, o Diário de Notícias dá conta de que as Finanças estão a recusar partilhar dados com o Ministério Público sobre as transferências para 'offshore', alegando a obrigação de sigilo fiscal e impedimentos legais para o fazer.

Numa nota enviada à agência Lusa, fonte oficial do Ministério das Finanças confirma que "a falta de acesso decorre da lei vigente, razão pela qual o Governo pretendeu alterar a legislação através da proposta de lei n.º51/XII".

Esta lei, que "altera o regime de congelamento e de perda dos instrumentos e produtos do crime na União Europeia", transpondo uma diretiva europeia de 2014, foi aprovada no início de fevereiro na generalidade (com os votos a favor de todos os grupos parlamentares, à exceção do CDS-PP e do PAN, que se abstiveram, inclui, entre outras alterações), estando agora em discussão na especialidade.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Estava convencido de que podia...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Ministro do RU faz ameaças
   
«O ministro das Finanças britânico, Philip Hammond, disse hoje que o Reino Unido "vai contra-atacar" e "fará o que tiver de fazer" se não alcançar o acordo que pretende para a saída da União Europeia ('Brexit').

"Se alguém na União Europeia pensar que o Reino Unido se vai comportar como um animal ferido se não chegar a acordo com a União Europeia, isso não vai acontecer. Os britânicos têm um grande espírito de luta e vão contra-atacar. Vamos fazer novos acordos comerciais em todo o mundo e definiremos o nosso negócio a nível mundial", disse Philip Hammond, numa entrevista à BBC.» [DN]
   
Parecer:

É mero bluff.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»