sábado, maio 13, 2017

Se os pastorinhos estivessem na escola seriam santinhos

Visto de fora as aparições de Fátima, que aos poucos a própria Igreja Católica vai transformando em visões foi uma grandiosa obra de marketing conduzida ao longo de décadas pelos governos e clero portugueses. De aparições não reconhecidas, uma entre muitas aparições comuns na época, as aparições de Fátima transformaram-se num fenómeno mundial.

Aos poucos o catolicismo vai promovendo uma espécie de revisionismo, as aparições já não o são para passarem a ser visões, em vez de se pedir que se acredite no fenómeno sugere-se que se acredite na espiritualidade do local, o próprio papa desvaloriza a dimensão milagreira da Nossa Senhora, algo que teve o seu expoente máximo quando Cavaco sugeriu que o bom resultado da 7.ª avaliação da Troika se devia ás rezinhas da esposa à Nossa Senhora de Fátima.

Mas quem eram os “pastorinhos”, que cultura tinham, em que meio viviam? Os agora santinhos não tiveram uma grande sorte, deixaram de ser crianças de um dia para o outro, dois morreram ainda em crianças vítimas da doença e da miséria, a sobrevivente viveu enclausurada pelas paredes dos conventos e pelas paredes de convicções adquiridas em criança.

Se as três crianças em vez de andarem a guardar gado andassem na escola a Nossa Senhora teria aparecido? As crianças teriam visto a Nossa Senhora e ouvido os seus segredos?

Poder-se-á colocar a questão de outra forma, porque será que  a Nossa Senhora que poderia ter aparecido em qualquer dado, a adultos com formação ou a crianças na escola, preferiu aparecer junto de crianças sem qualquer cultura, que viviam num ambiente fechado cheio de santos e de diabos? A resposta é porque a Nossa Senhora prefere os mais pobres. Os mais pobres ou os mais ignorantes?

Hoje é treze de maio uma data importante para quem nasceu numa terra fundada pelo Marquês de Pombal e que sempre se manteve fiel ao ministro de D. José, o Marquês nasceu precisamente nesta data. Por isso celebro o nascimento do Marquês, respeitando os valores religiosos de cada um e, em especial dos que em vez de optar pela estátua do marquês de Pombal, em Lisboa, preferem a Santa Iria.

Mas espero que da próxima vez a Nossa Senhora apareça a crianças que andem na escola.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas, peregrina oportunista

Compreende-se que a líder de um partido religioso conservador esteja entre os mais devotos de Fátima, mas mandariam os bons valores religiosos que a devoção não tivesse motivações oportunistas, assim como os valores políticos mandariam separar política de religião, mesmo tratando-se de um partido fundamentalista cristão.

Coincidência das coincidências, no meio dos muitos milhares de peregrinos que estavam de manhã no Santuário de Fátima, a líder do partido religioso foi logo dar com as câmaras da SIC através das quais nos proporcionou uma longa homilia matinal.

      
 Órgão de soberania da treta
   
«“Não queremos ir para a greve, mas não descartamos essa possibilidade”, declara a presidente da associação sindical, Manuela Paupério, recordando que não se trata de um protesto inédito entre estes magistrados: já sucedeu em 1988, 1993 e em 2005. A dirigente sindical explica que, apesar de serem titulares de órgãos de soberania, os juízes são uma classe profissional, razão pela qual têm direito à greve, embora exista quem ponha em causa essa prerrogativa.

O descontentamento dos magistrados judiciais radica no facto de estarem há seis anos à espera de verem ser revisto o estatuto, após sucessivas promessas nesse sentido. Mas a anterior ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, não o deixou pronto, apesar de ter nomeado um grupo de trabalho para o fazer.

Quando a substituiu, Francisca van Dunem formou um novo grupo de trabalho, liderado pelo ex-presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento, que entregou à governante em Janeiro uma proposta que levava em linha de conta várias das reivindicações da classe. Que passam não apenas por um aumento do suplemento salarial — que vale actualmente cerca de 620 euros e se destina a compensar o facto de não poderem exercer funções remuneradas em mais lado nenhum senão nos tribunais —, como também pelo reforço dos mecanismos que garantem a independência destes magistrados. A adaptação do estatuto profissional ao mapa judiciário em vigor desde 2014 é outra questão que a proposta do Governo terá de resolver (a associação quer, por exemplo, que as inspecções aos juízes sejam feitas por magistrados especializados na área de trabalho que estão a avaliar).» [Público]
   
Parecer:

Será que fazem greve para exigir o fim do subsídio de residência limpo de impostos?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Um bom motivo para ir a Fátima
   
«Rua Jacinta Marto, número 3. Num restaurante com toldos vermelhos e águias estampadas à porta, a seis minutos a pé do Santuário de Fátima, há uma promessa: se o Benfica se sagrar campeão nacional este sábado, 13 de maio, há bifanas e cervejas à borla para toda a gente oferecidas pelo O Benfiquista, diminutiva de Benfiquista Fanático. “Não há limites: põe-se a mangueira da cerveja cá fora e quem quer tira, quem não quiser não tira”, explica Rui La Féria ao Observador. É assim há vinte e quatro anos, quando o restaurante abriu portas e assumiu um contrato com a Estrella Damme, que assume os gastos. Este ano, no entanto, a vitória pode ser abençoada. E isso até está a complicar a festa.

Natural do Bairro Alto, Rui La Féria deixou Lisboa para trabalhar num restaurante da Nazaré. Às terças-feiras, quando tinha folgas, comprava um novo objeto para engrossar a coleção de peças do ‘Glorioso’. Mas não contava fazer do seu confesso fanatismo pelo Benfica um negócio quando saiu da terra das sete saias para se fixar em Fátima. Nem sequer consegue explicar como é que, de um momento para o outro, O Benfiquista se encheu de cachecóis vermelhos, loiça com águias e retratos de Eusébio a beijar botas. Lembra-se de por uma peça do Benfica algures na bancada do restaurante. Isso tornou-se assunto naquele espaço na vizinhança do Santuário: “Aqui as pessoas falavam de futebol, em vez de falarem da vida dos outros. A nossa vida já é tão grande, porque é que havemos de nos preocupar com a vida alheia? Eu gosto disso”, admite Rui ao Observador. Começou então a transformar o restaurante num santuário benfiquista: mandou fazer mesas e cadeiras com águias de madeira, pendurou quadros e fotografias antigas, colocou troféus em armários e colou um poema de memória a Fehér na janela. Estava oficializado: ali seria o restaurante Benfiquista Fanático.» [Observador]
   
Parecer:

É mais inteligente do que seria dar cereja até o SLB ser campeão.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 A rasteira da Chica Esperta
   
«Nas vésperas das eleições legislativas de 2009 (que acabaria por vencer, mas só conseguindo formar um Governo minoritário), José Sócrates apresentou um plano para expansão a rede de metropolitano de Lisboa e a construção de 28 novas estações. Mas esta ideia nunca andou para a frente e caiu no esquecimento, devido à situação económica do país, e ao próprio Governo ter caído passado dois anos.

Já esta semana, Assunção Cristas, líder do CDS e candidata à presidência da capital, surpreendeu todos: apresentou um plano de expansão da rede de Metro de Lisboa, apontando a necessidade de serem construídas 20 novas estações. Os planos de Sócrates e o de Assunção Cristas são muito semelhantes, sendo que as principais diferenças estão nas estações que a líder do CDS decidiu deixar de fora da sua proposta, conta o “Diário de Notícias” esta sexta-feira.

De acordo com a comparação do matutino, Cristas “usou” a ideia das estações no prolongamento da Reboleira (Atalaia, Amadora Centro e Hospital), outras três saindo de Odivelas para oeste (Odivelas Centro, Ramada e Bons Dias), outras duas também no prolongamento para norte da Linha Amarela (Codivel e Infantado) e ainda duas a sul, já perto do Tejo (Infante Santo e São Bento).» [Expresso]
   
Parecer:

Com a proposta Cristas esperava uma resposta negativa de Costa, estava preparada a rasteira onde Cristas esperava que o primeiro-ministro caísse. Saiu-lhe o tiro pela culatra.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «mandem-se os parabéns à peregrina.»

sexta-feira, maio 12, 2017

Aceito convites por mensagens SMS anónimas


Ficou para a história o telefonema de Dias Loureiro ao pai, dizendo-lhe que era ministro. Um jornalista mais indiscreto gravou a famosa exclamação “Pai, já sou ministro?”. Dias Loureiro não era um qualquer político, era um braço direito de Cavaco desde a primeira horas e na qualidade de secretário-geral do PSD é um homem poderoso, o que mais tarde se percebeu quando o país assistiu à metamorfose de um advogado que chegou a Lisboa com uma mão à frente e outra atrás num rico banqueiro.

Nos dias que antecediam a formação de um novo governo de Cavaco Silva havia quem proibisse a família de estar ao telefone, não fosse o senhor professor a telefonar para fazer o tão ambicionado convite. Estávamos em 1991, Cavaco tinha ganho as eleições e o jornal “Tal & Qual” decidiu convidar dezassete personalidades para o governo. Foi João Canto e Castro que imitou a voz de Cavaco Silva, das dezassete personalidades só duas não caíram na partida. Para a história ficou a felicidade e total disponibilidade com que muitas figuras públicas de então aceitaram o convite do falso primeiro-ministro

Os tempos são outros e hoje ninguém cairia na paródia, agora tudo se faz por via eletrónica e as decisões mais importantes ou os convites mais sérios parecem ser feitos por mensagens de SMS, onde cabem apenas meia dúzia de caracteres. Já ninguém pergunta o que explicou o presidente ou o que disse o ministro, agora tudo se faz por SMS e é fácil reproduzir uma mensagem, basta reenviá-las. Foi o que sucedeu com as mensagens de SMS trocadas entre Mário Centeno e Domingues, alguém as reenviou para o Lobo Xavier, que por sua vez as reenviou para os amigos do PSD e CDS e para os jornalistas.

Mas desenganem-se o que julgam que foi o Domingues que as reenviou, o “banqueiro” garantiu ao parlamento que não tinha sido ele, isto é, deverá ter sido uma das muitas centenas de pessoas que as receberam! Provavelmente terá sido um anónimo, depois das cartas anónimas a moda agora são os SMS anónimos. Imagine que Cavaco Silva estava agora a formar um governo, Dias Loureito teria recebido um sms anónimo a convidá-lo. Por sua vez mandava um SMS anónimo ao pai para lhe dar conta da sua felicidade.

É por isso que estou disponível para que a Dra. Teodora Cardoso me mande uma mensagem SMS a convidar-me para o Conselho de Finanças Públicas, no caso de Passos Coelho decidir desistir de insistir com o nome de Teresa Morais para o Conselho das secretas pode muito bem mandar-me uma mensagem para o telemóvel. Aliás, se qualquer dirigente secreto do governo, da presidência ou do parlamento optar por me fazer um convite já sabe, basta mandar-me uma mensagem de SMS e nem precisa de se identificar.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

Júlio Magalhães, jornalista descuidado

Dizer que se foi convidado para candidato a uma câmara do Porto através de uma mensagem SMS a que se respondeu negativamente, sem se saber quem era o remetente e transformrar isso em notícia a propagar por Marques Mendes, desvalorizando uma candidatura entretanto formalizada é quase hilariante. A partir de agora todos podemos ser candidatos a qualquer cargo, basta que alguém que não conhecemos e não se identifica nos mande um convite por SMS.

É pena que um jornalista experiente não ache tudo isto ridículo e se assuma publicamente como primeira escolha. Há poucos dias dizia-se que tinha sido sondado, agora já foi convidado, mas respondeu ao convite sem saber quem o convidava. Se calhar foi o conhecido "emplastro" do porto.

«O director do Porto Canal, Júlio Magalhães confirmou esta quarta-feira que o contactaram para ser candidato do PS à Câmara do Porto, por mensagem de telemóvel. Em declarações à SIC, disse que a mensagem não estava assinada, mas ainda assim considerou o convite “normalíssimo”, uma vez que, nessa altura, ainda não se sabia se Manuel Pizarro aceitaria integrar a lista independente de Rui Moreira – que veio a recusar.

Júlio Magalhães achou natural que o PS quisesse ter um “plano B” para a Câmara do Porto. De qualquer forma, o director do Porto Canal contou que respondeu imediatamente ao SMS, rejeitando o convite.

O anúncio de que Júlio Magalhães fora convidado para protagonizar uma candidatura à Câmara do Porto pelo PS feito por Marques Mendes no último domingo, no seu habitual comentário na SIC. O ex-líder do PSD deu a entender que alguém, ao mais alto nível do PS, pensou em deixar cair Manuel Pizarro da corrida à Câmara do Porto.» [Público]

 As previsões de Bruxelas
Depois de anos de divergências acentuadas entre as previsões de Bruxelas e as dos governos portugueses, assistimos ao raro fenómeno de uma aproximação desses dados, com os números de Bruxelas a convergirem para as previsões de Mário Centeno. Isto aconteceu depois de todos terem falhado nas previsões para 2016, tendo tudo acontecido como o governo português.

A isto chama-se competência e rigor, os agentes económicos e as instituições nacionais e internacionais podem confiar nas projeções do governo português, que deixaram de ser desejos ou premonições para se tornarem em enquadramentos económicos confiáveis, de grande importância para quem quer investir com um mínimo de segurança.

Acabaram-se os desvios colossais, os sucessivos orçamentos retificativos, a total imprevisibilidade resultante da incompetência técnica de Vítor Gaspar e de Maria Luís Albuquerque.

 No sábado "vamos ganhar os dois"


 Quem não agrada ao João leva

Este João é uma espécie de polícia de costumes. e quem não apoia o PSD arrisca-se a levar uma surra do João, desta vez foi a coitada da Ferreira Leite.

«Não sei o que é mais absurdo neste súbito surto nacionalista da senhora. Se a inconsciência perante práticas habituais em países civilizados – o actual governador do Banco de Inglaterra é canadiano e ganhou um concurso internacional para o cargo, imagine-se. Se a falta de sensibilidade para a probabilidade e estatística – o mundo é certamente um local de recrutamento mais vasto do que um país. Se a ignorância do nosso passado recente – nós, fantásticos portugueses, com extraordinários dons económicos e políticos e a transbordar de “profissionais competentes”, fomos tocar três vezes à campainha do FMI em menos de 40 anos. Eu propunha a Manuela Ferreira Leite que guardasse a bandeirinha verde e rubra para apoiar Cristiano Ronaldo ou Salvador Sobral. Em matérias de finanças públicas, o seu patriotismo é pura e simplesmente patético.» [João Miguel Tavares]

 Ele vai fazer milagres



      
 Mais uma guerra entre corporações
   
«Está declarada a guerra entre um grupo de enfermeiros e a Ordem dos Médicos. A causa é o projecto de diploma do Governo que define o que cada profissão no sector da saúde pode fazer. O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos (OM) não quer que os enfermeiros possam fazer “avaliação diagnóstica” e pretende que fique claro na proposta de lei que serão sempre os clínicos a coordenar as equipas de saúde.

É uma “visão retrógrada” e de um “corporativismo inaceitável”, reage um grupo de enfermeiros liderado pela ex-bastonária Maria Augusta Sousa, numa posição ontem enviada para a Comissão Parlamentar da Saúde, onde a matéria está a ser analisada desde 2016. “Considerar que os enfermeiros não podem realizar diagnósticos de enfermagem é no mínimo acintoso e desrespeitador do trabalho que milhares de enfermeiros diariamente desenvolvem”, criticam num texto cujo primeiro signatário (a título individual) é o presidente da Associação Portuguesa de Enfermeiros, João Fernandes.

A proposta de lei nº 34/XIII apresentada pelo Governo em 2016 visa enquadrar legalmente os actos em saúde, definindo as funções e competências das profissões do sector que são auto-reguladas (médicos, enfermeiros, biólogos, médicos dentistas, farmacêuticos, nutricionistas e psicólogos). Portugal prepara-se, assim, para ter um diploma que descreve o que cada profissão no sector da saúde pode fazer, depois de várias tentativas de definição do acto médico terem soçobrado, ao longo das últimas duas décadas.» [Público]
   
Parecer:

É óbvio que os enfermeiros podem fazer um pouco mais do que dar pastilhas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Falta de sentido de Estado
   
«O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, desafiou esta quinta-feira o Governo a levar o relatório sobre a dívida, subscrito por PS e BE, ao próximo Conselho Europeu, sob pena de se estar apenas perante “uma fantochada” sem consequências.

No final da reunião da bancada parlamentar social-democrata, Luís Montenegro salientou que o relatório teve a participação de destacados dirigentes dos dois partidos, incluindo do porta-voz do PS, João Galamba.

“Era bom que o primeiro-ministro pudesse suscitar as questões desse relatório no próximo Conselho Europeu, como era bom que o ministro das Finanças levasse essa discussão ao Eurogrupo”, desafiou.» [Observador]
   
Parecer:

A proposta de Montenegro de propor que um relatório produzido por dois partidos seja apresentado ao Conselho Europeu como uma posição do Estado português só revela a falta de dimensão política, a falta de sentido de responsabilidade e uma total ausência de sentido de estado do líder parlamentar do PSD.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 Ferida profunda no relacionamento interparditário
   
«O líder parlamentar do PSD acusou, esta quinta-feira, o PS de ter aberto “uma ferida profunda” no relacionamento interpartidário com a recusa de Teresa Morais para liderar a fiscalização das ‘secretas’ e apelou à intervenção do secretário-geral dos socialistas.

Em conferência de imprensa depois de ser conhecida a decisão do PS de ‘chumbar’ a candidatura da vice-presidente do PSD para substituir o antigo dirigente social-democrata Paulo Mota Pinto na presidência do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa (CFSIRP), Luís Montenegro declarou-se “chocado” e acusou os socialistas de terem “uma visão sectária e totalitária” do regime democrático.

Esta situação abre uma ferida muito delicada e profunda no relacionamento entre partidos políticos e no relacionamento institucional que gravita à volta da representação política neste parlamento”, declarou.
Por essa razão, o líder parlamentar do PSD instou “de forma muito séria e solene o secretário-geral do PS e primeiro-ministro a ponderar bem a gravidade desta situação” e a poder contribuir para “uma saída para esta ferida que agora é aberta”.» [Observador]
   
Parecer:

Montenegro só pode estar a gozar, depois de um ano a ver o seu líder a queixar-se de que lhe roubaram o brinquedo do poder só agora é que surgiu uma ferida?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Milagre!
   
«O pai da criança brasileira que terá sido curada por intervenção dos beatos Francisco e Jacinta Marto, pastorinhos de Fátima, afirmou esta quinta-feira que o filho “está completamente bem, sem nenhum sintoma ou sequela”. “O que o Lucas era antes do acidente ele o é agora, sua inteligência, seu caráter, é tudo igual”, afirmou João Batista, numa declaração sem direito a perguntas na sala de imprensa do Santuário de Fátima.

Os pais contam que Lucas, a criança na altura com cinco anos, estava em casa da avó, a 3 de março de 2013, a brincar com a irmã, Eduarda, e, acidentalmente, caiu da varanda de uma altura de cerca de 6,5 metros. João Batista e Lucilia Yuri, os pais, contaram ainda que Lucas “bateu com a cabeça no chão e ficou com um traumatismo craniano grave, com perda de massa encefálica do lóbulo esquerdo”. O pai ainda adiantou que após ser assistido na de Juranda, dada a gravidade do seu quadro clínico, Lucas foi transferido para o hospital de Campo Mourão, no Paraná.

O percurso até à unidade hospitalar demorou cerca de “uma hora”, tendo a criança chegado “em coma muito grave”.» [Observador]
   
Parecer:

Pois, não agradeçam antes aos médicos e à ciência que não salvou os pastorinhos da fome e da doença.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quinta-feira, maio 11, 2017

Jesus e os três pastorinhos

Jesus está de saída, Francisco está a chegar, Jesus ficou sem almoçar, Francisco está a jejuar, Francisco anda de papamobil, Jesus sai de Alcochete de Mercedes, Francisco só vem a Fátima, Jesus só sai se for para o Porto, Francisco faz votos de pobreza, Jesus tem direito a mais de dez milhões, a nossa senhora apareceu aos pastorinhos, o Bruno não apareceu a Jesus no almoço combinado.

Diretos exibindo um muçulmano que faz a passadeira ajoelhado pedindo a paz entre as religiões, a mesma paz que os adeptos esperam que haja entre presidente e treinador do Sporting. A televisão muda do muçulmano para os peregrinos que acabam de chegar, cada um conta a sua promessa, o direto muda para Alvalade para dar conta das promessa de Jesus, um diz que já pode sair porque com a morte do pai não está vinculado a promessa, outro canal assegura que fica porque prometeu um título de campeão ao pai Virgolino.

Manhãs, tardes e noites televisivas inteiramente dedicadas a Jesus e a Francisco, que um chega, que do outro não se sabe se parte, um vem para celebrar milagres, o outro pode estar de partida porque não fez milagres. Até Assunção cristas, uma devota militante que lidera o partido religioso, decidiu entrar na corrida dos milagres e prometeu 22 estações de metropolitano, nem uma nossa senhora muito generosa se lembraria de tal milagre dos panitos na versão ferroviária.

O general assegura que os drones serão derrubados e que ninguém fará o xixi debaixo da azinheira sem ser fotografado pelo P2, o autarca dá as boas vindas, o cardeal fala em delírio, o Bruno diz que para o ano tudo será diferente, o bispo de Leiria junta criancinhas para rezarem na capela das aparições, Jesus oferece pastelinhos de Belém às mamãs reunidas em peregrinação a Alvalade.

A intoxicação é tanta que damos connosco quase convertidos aos três pastorinhos que viram uma nossa senhora ou ao milagre Jesus que viu três candidatos ao título e agora reúne-se com o banqueiro falido, talvez para dizer que o milagre do título vai ficar mais caro que o milagre da supertaça. No meio desta campanha levada à náusea ainda damos com nos respeitando rigorosamente o dress code decidido por Bruno de Carvalho, a caminha de Fátima em para agradecer os dois títulos a que correspondem os dois anos de contrato com Jesus.

Esperemos que passe depressa esta semana onde Jesus e pastorinhos nos transformaram num imenso rebanho de borregos.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas, candidata autárquica ridícula

É cada vez mais difícil levar Assunção cristas a sério, ora se dedica aos combustíveis, o negócio da família, ora diz disparates. Agora, a senhoras que poupou electricidade dispensando os funcionários de usar gravata, já acha que há dinheiro para construir nada menos do que 20 estações de metropolitano. Esta senhora fez parte de um governo que mandou parar todas as obras e que no caso do Metro desinvestiu ao ponto de a qualidade do serviço público ter caído de forma abrupta.

Cara Dra. Cristas, não seja ridícula!

«A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, apresentou hoje ao primeiro-ministro, no debate quinzenal, a proposta do partido para a expansão da rede do metropolitano de Lisboa, que prevê 20 novas estações.

"Ou há rasgo, horizonte e ambição para o metro de Lisboa ou os problemas da área metropolitana não se vão resolver (... ) A nossa proposta são 20 novas estações para o metro de Lisboa e espero que possam ser estudadas, planeadas, financiadas e tratadas", declarou Assunção Cristas.

Perante o burburinho que surgiu no plenário, incluindo alguns risos nas bancadas, Assunção Cristas disse não perceber qual é o problema, dando como exemplo do avanço de grandes projetos realizados a construção da barragem de Alqueva.

Mostrando à bancada do Governo um quadro com o desenho da rede do metro que defende, Assunção Cristassustentou que o plano de financiamento não tem de incluir apenas verbas comunitárias, devendo ser estudadas outras formas de financiamento.» [DN]

      
 O que será feito da Maria Luís
   
«O Estado português obteve esta quarta-feira 1.250 milhões de euros numa emissão dupla de dívida a 10 e a cinco anos. No prazo de referência, mais longo, a taxa foi de 3,386%, que se pode comparar com os 4,2% que o Estado pagou a 10 anos numa emissão sindicada em janeiro. No mês passado, o Estado leiloou dívida com um prazo a 8 anos e pagou 3,3%, de onde se infere uma descida dos juros porque o prazo foi mais longo esta manhã. No prazo mais curto os custos também baixaram, de forma acentuada.

Na anterior emissão de longo prazo, a 8 anos, feita a 12 de abril, o Estado tinha-se comprometido com o pagamento de uma rendibilidade de 3,303%. No início do ano, o Estado chegou a pagar uma taxa de 4,2% para se financiar a 10 anos.» [Observador]
   
Parecer:

Esqueceu-se de comentar os juros mais baixos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Um bom  emprego
   
«Pagador de promessas há 15 anos, Carlos Gil publicita na internet o negócio que o leva a Fátima para pagar promessas alheias a troco de 2.500 euros por peregrinação.

A ideia “surgiu de repente”, sem que ele próprio saiba explicar porquê, e resume-se em poucas palavras numa página na internet: “Se tem uma promessa para cumprir e não o pode fazer, ou simplesmente quer a agradecer a Nossa Senhora de Fátima as boas graças recebidas ao longo da vida, Carlos Gil caminha por si até Fátima”.

Assim começava, há 15 anos, um negócio como “Pagador de Promessas”, que leva Carlos Gil “duas a três vezes por ano” ao Santuário de Fátima para pagar promessas alheias, em troca de um pagamento devidamente tabelado.» [Observador]
   
Parecer:

Só é pena que não hajam mais peregrinações, uma por mês.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao peregrino profissional se paga impostos.»

 Será anedota?
   
«A seleção indiana de tiro foi esta quarta-feira retida no aeroporto internacional de Nova DelI por porte de arma. Sim, é verdade, as autoridades alfandegárias proibiram os atletas de reentrar no país com as suas armas.» [DN]
   
Parecer:

Serviços aduaneiros rigorosos!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Mais uma estátua ridícula
   
«Rui Patrício vai ter uma estátua na Rotunda do Estádio em Leiria. O monumento será inaugurado no dia 22, às 15.30, e contará com a presença do guarda-redes do Sporting e da seleção nacional.

A iniciativa de Câmara Municipal de Leiria pretende homenagear o titular da baliza nacional, eleito o melhor guarda-redes do Euro2016, após ser campeão europeu de seleções.» [DN]
   
Parecer:

Parece que os autarcas querem ganhar eleições com estátuas de jogadores de futebol.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mais uma gargalhada.»

quarta-feira, maio 10, 2017

A proletarização os médicos

No passado ser médico significava ascender a um elevado estatuto social e a uma carreira remunerada muito acima da média. Ia para médico quem tinha posses, ficava rico quem ia para médico. Até ao 25 de Abril a realidade foi esta, a partir daquela data, com o mais fácil acesso ao ensino universitário aumentou o número de estudantes de medicina e o número de médicos.

Enquanto estudante vivi Numa residência universitária dos serviços sociais da então Universidade de Lisboa, a Residência Ribeiro Santos. A maioria dos residentes eram estudantes de medicina, muitos dentes vindos de famílias que dez anos antes nunca imaginariam ter um filho naquele curso. Entretanto, foi criado o Sistema Nacional de Saúde e muitos dos médicos formados desde então são funcionários públicos.

Acontece que ser funcionário público significa viver na ex-URSS, em tudo o país é capitalista, mas os funcionários públicos são tratados como se ainda vivêssemos na URSS, são todos iguais, ganham todos mal, têm o dever de servir o país sem olhar a rendimentos ou horários, são os primeiros a perder rendimentos nas horas das dificuldades e estão obrigados a ter os deveres de todos mais os que são específicos da sua condição.

No Estado o primeiro tenente, o piloto da Força Aérea, o magistrado, o cirurgião, o subcomissário, o economista, o engenheiro ou o professor de religião e moral são todos iguais, nalguns casos há pequenas diferenças de estatuto, mas ganham todos mais ou menos segundo a mesma bitola. Passos Coelho imaginou que poderia fazer com os funcionários o mesmo que fez o inglês com o burro, foi-lhes cortando na ração na esperança de sobreviverem quase sem salário.

Hoje qualquer taberneiro ganha mais do que um jovem médico especialista e estas ainda têm de sujeitar a uma colocação onde há viga, se não tiver de emigrar. Com a crise assistiu-se à proletarização dos médicos e se no passado um médico era alguém com um estatuto remuneratório elevado, hoje está um pouco cima das empregadas domésticas e muito abaixo do merceeiro da esquina.

É bom que se faça uma reflexão sobre a carreira médica e a forma como o SNS trata estes profissionais pois sem médicos competentes o sistema acabará por ruir. O sucesso dos ministros da Saúde não pode depender da sua capacidade para conseguirem manter este processo de proletarização dos médicos.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
António Marto, bispo de Leiria-Fátima

Sempre por cá apareceu um papa que os governos concederam tolerância de ponto, mas é a primeira vez que o tema é tão debatido e que o bispo de Leiria vem divulgar as conversas que teve com o governo. Vale tudo na política e os bispos são cada vez mais militantes da direita.

«O bispo de Leiria-Fátima considera que “era desnecessário” dar tolerância de ponto aos funcionários públicos esta sexta-feira, no âmbito da visita do Papa Francisco a Fátima, e expressou essa mesma opinião quando foi consultado pelo Governo.

“Eu não pedi nenhuma tolerância de Ponto”, disse D. António Marto, em entrevista à TSF esclarecendo que lhe foi perguntado se achava bem que o Governo desse tolerância de ponto no dia 12 de Maio aos funcionários, no âmbito da visita do Papa.

À pergunta, o bispo respondeu que “esse problema nem sequer se punha, uma vez que o dia 12 era uma sexta-feira e muita gente vai à noite participar na procissão das velas, e que o dia 13 é sábado e a maioria da gente não trabalha”. E conclui: “Por conseguinte, entendi que não era necessário pedir a tolerância de ponto”.» [Público]


      
 Azar
   
«A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recebeu uma queixa de uma mulher que alega ter sido prejudicada pelas revistas TV Mais, Flash e TV Guia, que a identificaram erradamente como mãe de Anselmo Ralph. Tida pelos jornalistas como familiar do cantor angolano, Sandra Marisa do Céu foi fotografada durante um concerto, em Lisboa, e as imagens acabaram por chegar às páginas das três publicações. O erro, no entanto, fez com que esta mulher fosse apanhada na mentira que tinha contado no emprego para poder faltar ao trabalho e ir assistir ao espectáculo. Como consequência, foi despedida.

O concerto aconteceu no Campo Pequeno, a 9 de Dezembro de 2016. Nos dias que se seguiram, Sandra Marisa do Céu foi surpreendida com fotografias suas nas três revistas, tiradas durante o espectáculo, acompanhadas por legendas que a davam como a mãe do cantor. Um erro que, segundo disse a queixosa à ERC, tem feito com que Sandra Marisa do Céu seja abordada agora por “desconhecidos na rua” e que o seu filho tenha sido também interpelado na escola sobre o assunto, refere o documento de deliberação da ERC agora divulgado. A queixa foi apresentada em Janeiro deste ano.» [Público]
   
Parecer:

O azar de ficar na fotografia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A líder gasolineira
   
«Na manhã desta terça-feira, a política fiscal do executivo em relação aos combustíveis estava em cima da mesa numa audição parlamentar onde eram ouvidos dois governantes – o ministro-adjunto de Costa, Eduardo Cabrita, e o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade. E o que se discutia tinha como tema mais quente o aumento do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) decidido no Orçamento do Estado do ano passado e a promessa do Governo de rever as taxas do imposto de três em três meses para garantir neutralidade fiscal, para compensar as variações no IVA.

O deputado do CDS Pedro Mota Soares já tinha acusado o Governo de não ter garantido essa neutralidade nas revisões trimestrais realizadas. E é quando chega a vez de a bancada do PSD intervir que o deputado António Costa Silva aponta o dedo ao Governo pelo que diz ser “o maior saque fiscal de que há história”.» [Público]
   
Parecer:

O pai da Assunção cristas é gasolineiro, a filha é especialista em impostos sobre combustíveis.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se e sugira-se á líder do CDS que seja um pouco mais criativa nos temas que escolhe pois de quinze em quinze dias volta ao mesmo tema, ate parece que só sabe falar de gasolina, talvez por ter o pai e o marido a darem-lhe explicações.»

terça-feira, maio 09, 2017

Os “mais desfavorecidos” são de esquerda?

Se para o cristianismo é mais difícil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus, para as ideologias da esquerda ser pobre é um símbolo de pobreza ideológica ao ponto de para o leninismo o proletariado ser a classe social líder da classe operária. Se o cristianismo faz o elogio da pobreza, com muitos dos seus crentes a fazerem votos de pobreza e o clero a dedicar as suas homilias aos pobres como os eleitos de Deus, uma boa parte da esquerda vê nos pobres o símbolo da pureza. Para os cristãos os pobres vão para o céu, para a esquerda os pobres votam nela.

A atual situação política portuguesa reflete claramente esta abordagem, Marcelo fez do seu mandato um magistério de dedicação aos sem-abrigo, passando as suas noites da distribuir jantares, enquanto o governo se desdobra em iniciativas orçamentais para irar aos ricos e dar aos pobres. Marcelo atua por devoção cristã, o governo fá-lo por militância política.

A ideia de que os pobres são de esquerda está no centro da ideologia e dos programas políticos da esquerda e é uma herança dos tempos da Revolução Industrial e das obras de Karl Marx. O problema é que os pobres de hoje são bem diferentes dos pobres do século XX, são diferentes nas causas da sua pobreza e são-no também nos seus posicionamentos políticos. Se existissem algumas dúvidas bastaria ver o que se está passando em termos eleitorais em países como o Reino Unido ou a França.

A grande base de apoio da extrema-direita são os grupos sociais com menos recursos, que muitas vezes são designados por “mais desfavorecidos”, isto é, aqueles que supostamente eram a base social da esquerda são agora o exército da extrema-direita. A confusão é tanta que se traduzirmos o discurso político da senhora Le Pen para português e perguntarmos a alguém quem o escreveu a resposta mais provável é que foi Jerónimo de Sousa ou Catarina Martins.

Isto não é nada de novo, recordo-me de que quando a AD de Sá Carneiro ganhou as eleições legislativas Freitas do Amaral ter declarado com grande euforia que a AD tinha ganhos nos bairros da lata. Bem mais recentemente Santana Lopes ganhou as autárquicas de Lisboa com os votos conquistados nos bairros sociais que João Soares tinha construído.

A pobreza de hoje é bem diferente da do século passado, é bem mais cultural do que era no passado e nem sempre ser mais pobre resulta de uma situação de desfavorecimento. A classe média qualificada é bem menos sensível ao discurso da extrema-direita do que sucede com os “mais desfavorecidos” que nos dias de hoje também são os mais ignorante e mais dados a verem a política através das revistas cor de rosa, dos pasquins ou dos programas de televisão dedicados ao crime.

Mais tarde ou mais cedo a esquerda terá de repensar o seu enquadramento social sob pena de lhe suceder o mesmo que sucedeu ao PSF, ao PCF ou aos nostálgicos do maio de 68.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Rui Moreira, partidofóbico

Rui Moreira parece ter pouca consideração pela inteligência das pessoas e agora vem dizer que não dispensou o apoio de ninguém. Toda a agente ouviu o que disse, todos perceberam que estava convencido de que ia dividir o PS, mas agora que percebeu que a sua estratégia de destruição do PS no porto falhou vem fazer-se de vítima.

«Depois de quebrada a aliança entre o PS e Rui Moreira, no que toca à sua candidatura a um novo mandato à frente da Câmara do Porto, o autarca, em declarações à TSF, fez questão de dizer que não renunciou ao apoio de ninguém.

Afirmando que o "PS queria uma coligação informal", explicou que não quer um "apoio condicionado". "Não renunciei ao apoio de ninguém", frisou.» [DN]

      
 O Jeroen Dijsselbloem do Porto não dividiu o PS
   
«Os socialistas Manuel Pizarro e Manuel Correia Fernandes devolveram hoje ao independente Rui Moreira os pelouros que detinham na Câmara do Porto -- Habitação e Ação Social e Urbanismo, respetivamente, anunciou o PS.

Em comunicado, o PS, que no sábado anunciou que Manuel Pizarro vai ser o candidato socialista à Câmara do Porto, justifica a entrega dos pelouros com a "decisão tomada pelo presidente da Câmara do Porto, que rejeitou o apoio do PS para o próximo ciclo autárquico".» [DN]
   
Parecer:

Falhou a manobra de dividir o PS.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 Metro até Loures?
   
«O presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares (CDU), afirmou hoje que o município não vai desistir de reivindicar, junto do Governo, pelo prolongamento até à cidade da rede do Metropolitano.

As declarações de Bernardino Soares surgem na sequência do anúncio feito esta manhã pelo Governo de que vão ser criadas até 2022 mais duas estações de metro na cidade de Lisboa (Estrela e Santos).» [DN]
   
Parecer:

E porque não Almada ou mesmo Setúbal?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 A propósito de populismo...
   
«A ideia não é nova, mas é um caminho que o PCP considera que se torna cada vez mais urgente seguir: criar uma nova contribuição das empresas para a Segurança Social aplicada sobre a riqueza criada com menos trabalhadores. É uma espécie de imposto sobre os lucros gerados pela robotização da economia, que serviria para diversificar as fontes de financiamento do sistema previdencial.

Sem especificar quando e como o PCP poderá propor a criação desta nova contribuição, Fernanda Mateus, da Comissão Política do Comité Central, defendeu esta segunda-feira que esta contribuição funciona também como um elemento de “justiça entre empresas”, já que estas fazem contribuições consoante o número de trabalhadores e não pelo que estes produzem. “É um caminho que tem que ser seguido com muita rapidez”, vincou a dirigente.

A par de novas contribuições, os comunistas defendem ser também necessário “travar o volume de evasão e dívida” à Segurança Social, através de mecanismos eficazes que “recuperem as dívidas e evitem que prescrevam”.» [Público]
   
Parecer:

A solução proposta pelo PCP para resolver todos os males da Segurança Social é tão evidente e fácil de aceitar por quem não vai ter de pagar, que esquece que são necessárias empresas para produzir riqueza. Esta ideia de que as empresas são uma vaca para tugir e que dão leite para tudo não passa de um populismo que há muito que passou de moda, mas que um PCP ainda n os anos 40 continua a defender.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se a falta de criatividade do PCP.»

 Macron ou Le Pen
   
«O conflito entre Rui Moreira e o PS, que culminou horas antes da convenção nacional autárquica do partido com a escolha de Manuel Pizarro para ser o candidato socialista à câmara do Porto, foi este domingo apelidado por Marques Mendes, na SIC, de "casamento por conveniência, em que o noivo não queria casar com a noiva e uma parte da família da noiva também não queria o casamento". 

O comentador reconheceu que Rui Moreira esteve bem em recusar o apoio do PS e que é o PS que sai mais queimado deste "divórcio". Mendes justificou a ruptura com um suposto acordo, denunciado pelo eurodeputado Manuel dos Santos, que previa a entrada de Pizarro para número dois da lista de Moreira, num primeiro momento, e, numa segunda fase, a saída de Moreira do executivo camarário para um lugar no Parlamento Europeu (o que permitiria ao PS ficar dono da câmara)." Se ele não fizesse nada era visto como uma marionete nas mãos do PS", justificou Mendes. Assim, "Rui Moreira vai ser uma espécie de Macron português no plano autárquico".» [Público]
   
Parecer:

Com o ódio que Rui Moreira tem aos partidos, daí que o seu agrupamento vai buscar uma designação de "movimento" utilizada entre outros, por Franco. Rui Moreira está bem mais próximo do pensamento da extrema-direita do que de Macron.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 O papa agradece
   
«Os inspetores do SEF decidiram suspender a greve às horas extraordinárias durante o período em que as fronteiras voltam a ter controlo, entre 9 a 14 de maio, no âmbito da operação de segurança para a visita do Papa Francisco. "Numa altura em que o Governo entendeu alargar o âmbito da segurança interna durante a visita do Papa Francisco ao território nacional, implementando, temporariamente, o controlo da circulação de pessoas e bens em todas as fronteiras nacionais, torna-se evidente que apenas um esforço suplementar das mulheres e dos homens que constituem a Carreira de Investigação e Fiscalização do SEF poderá colmatar a endémica falta de efetivos que afeta este serviço", diz um comunicado que o DN teve acesso e que será difundido ainda esta tarde.» [DN]
   
Parecer:

Era uma excelente ideia, fazer greve durante a visita do papa. Um destes o Pi Natal ainda se lembra de fazer greve no dia 25 de Dezembro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Agradeça-se a generosidade do pessoal do SEF.»

segunda-feira, maio 08, 2017

Eleições francesas

A esquerda francesa tal como a conhecíamos desde o final da II Guerra Mundial desapareceu, dos velho militantes do PCF parece só ter sobrado a preferência pelo autoritarismo e terão votado Le Pen, a extrema-esquerda de Mélenchon, o tal senhor de que Catarina Martins disse que o homem até tinha cantado a Grândola Vila Morena é ridículo, longe vão os tempos do Maio de 68 e agora muitos dos seus militantes ficam em casa, porque é-lhes indiferente que seja uma fascistas ou um democrata a ganhar as eleições.

O PCF teme a sua missa do 7.º dia, a extrema-esquerda vai debater eternamente o que será melhor para a França, se uma fascista ou um democrata, o PSF envelheceu e não se renovou. Mas a verdade é que o presidente eleito da França veio da esquerda, talvez uma esquerda que não passa pelo crivo dos velhos sacerdotes, mas alguém que nunca se juntou à direita. Macron não só veio da esquerda como é o primeiro líder europeu com menos de 40 anos, se fosse em Portugal diríamos que nasceu depois do 25 de Abril.

A direita desmoronou-se, sem projeto, sem uma afirmação jovem, ficou reduzida à extrema-direita e acabou por soçobrar, apelando ao voto de um independente vindo da esquerda. Dir-se-á que a direita teve os votos de Le Pen e pouco mais. Pressionada pela extrema-direita e pela renovação da esquerda que Macron representa, a direita francesa está em crise.

Estas eleições representam o fim dos dogmas do modelo político que dominou a Europa. Os desfavorecidos, que durante décadas, alimentaram eleitoralmente a esquerda, vota agora na extrema-direita, a esquerda mais conservadora mudou-se para a Le Pen e uma boa parte do discurso de Le Pen podemos ler em muitos discursos e documentos do PCP ou do BE, as suas grandes batalhas, como a saída da EU ou do euro, as críticas ao capitalismo e à banca, estão no discurso da nossa esquerda conservadora.

Não foram os votos das “classes trabalhadoras”, a velha classe operária que no leninismo é a “líder do proletariado”, ou os agora muito adorados micro-empresários, que livraram a França de uma presidente fascista, foi a classe média. É a classe média que nos EUA mais se bateu contra Trump, que no Reino Unido lutou e luta contra o Brexit e que na França travou a extrema-direita. Do lado do Brexit, da extrema-direita e de Trump estiveram os “desprotegidos”, os pequenos empresários e até os emigrantes “de primeira”.

Os resultados das eleições francesas são um bom motivo de reflexão não só para a a França, mas também para a Europa e para Portugal.


PS: Hoje é o Dia Internacional do Burro



Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Maria Luís Albuquerque
Porque será que os portugueses não acreditam nas boas intenções de Maria Luís Albuquerqueque? Não é por se duvidar da sua infinita bondade e honestidade intelectual, é mais por aquilo que já se ouviu sair da boca do seu chefe. Sugere-se a Maria Luís que procure no Google, talvez fique a saber que Passos Coelho disse coisas como "No dia em que o Governo tiver de anunciar alguma coisa relevante sobre a CGD, não o fará de forma sorrateira", quando foi confrontado com a intenção de privatizar a CGD.

Nessas declarações Passos não foi muito claro, mas foi quando disse ao CM que «na área financeira acho que nós devemos gradualmente criar condições para que o Estado se retire da área financeira. E por isso defendo a privatização da Caixa Geral de Depósitos.» [CM]

«"Acusam-nos de querermos a privatização da Caixa, mas lembro que tivemos quatro anos e meio no governo e não tomámos uma única iniciativa para o fazer. Dizerem que queremos quando tivemos oportunidade e não o fizemos parece um bocadinho abusivo", afirmou.

A antiga ministra das Finanças, acompanhada pelo deputado do PSD eleito por Évora, António Costa da Silva, falava à agência Lusa durante uma visita à Feira das Flores e Sabores, que termina hoje na Aldeia da Luz, no concelho de Mourão, distrito de Évora.

Questionada pela Lusa sobre as suas declarações ao Dinheiro Vivo e TSF, em que afirmou que não ficaria chocada se a CGD fosse privatizada, Maria Luís Albuquerque manteve o que disse, mas notou que "uma coisa é uma posição pessoal, outra coisa é o que tem sido a atuação do PSD".

"Não tenho objeções e não entendo que seja necessário e indispensável, numa circunstância normal, ter um banco público, mas é uma posição pessoal", realçou, assinalando, contudo, que, no atual contexto, "não faz sentido estar a falar-se na privatização da Caixa Geral de Depósitos".» [Notícias ao Minuto]

domingo, maio 07, 2017

A Marselhesa

Semanda

Passos Coelho diz que com os independentes que escolhe não corre o risco de ser rejeitado. Veremos se vai ser assim, já que com os do seu partido não teve a mesma sorte, ainda ninguém se esqueceu de como foi rejeitado e enjeitado por Marcelo rebelo de Sousa, que o dispensou de participar na sua campanha presidencial como se fosse peste.

Outra senhora com vocação para ser enjeitada é a nossa grande economista de renome internacional Maria Luís Albuquerque. A pobre senhora foi para a rádio sugerir que as previsões de Marcelo não são independentes, para não dizer que são feitas por alguém sem competência para as fazer, afirmando que preferia as previsões da Dra. Teodora, do fim e da EU. Pois, foi por estar tão confiante nas verdades científicas da Dra. Teodora que acabou de repetir a aritmética da primeira classe, depois de se ter enganado na tabuada.

Passos Coelho declarou que não tiraria conclusões de uma derrota nas autárquicas, mas agora anda de município em município lançando a sua candidatura à autarquia de São Bento. Há pouco tempo o ainda líder do PSD andava de jantar de mulheres em jantar de mulheres fazendo discursos rigorosamente idênticos aos que faz na apresentação das candidaturas autárquicas.

Rui Moreira, um populista que mistura bola com ódio aos partidos, não gostou que Ana Catarina Mendes dissesse que festejaria a sua vitória como se fosse uma vitória do PS. O populista, que se esqueceu do discurso de vitória de Paulo portas nas últimas autárquicas, teve uma crise de indignação e tentou dividir o PS, rejeitando o apoio deste partido mas abrindo a porta ao seu potencial candidato. Enganou-se e o seu “movimento” (termo que recorda o franquismo, tem agora várias candidaturas partidárias fortes.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas

Mais de um ano depois da queda de Passos Coelho fica-se a saber que não só Assunçãon Cristas sempre foi defensora de uma CGD pública, como isso foi sempre um tema de discussão na constituição da coligação. Quem diria?

«"Sempre fomos a favor de uma Caixa Geral de Depósitos (CGD) 100% pública e, quando fomos para o governo com o PSD, em 2011, esse foi um dos aspetos que foi tratado aquando da feitura da coligação", disse Assunção Cristas aos jornalistas, à margem da 71.ª Conferência do Distrito 1960 do Rotary, que decorre em Albufeira até domingo.

Estas declarações foram feitas depois de Maria Luís Albuquerque ter afirmado, em entrevista ao Dinheiro Vivo/TSF, que não ficaria chocada se a CGD fosse privatizada.

"Para nós, é importante manter uma CGD pública a funcionar, precisamente de forma talvez um pouco diferente, garantindo que também funcionaria ela própria como um regulador do mercado", explicou a líder do CDS-PP.» [Notícias ao Minuto]



 O Enxotado

Passos Coelho já se esqueceu de como foi enxotado da campanha eleitoral de Marcelo rebelo de Sousa, isso depois de ele próprio ter tentado enxotar, sem sucesso, a candidatura presidencial daquele que para ele era um "cata-vento".