sábado, maio 20, 2017

A reforma que mais falta faz

Passos Coelho já não tem discurso, já não sabe se deve anunciar a vinda do diabo, se o melhor é tirar férias porque o governo vai cair, se deve dizer que tudo falhar ou assegurar que tudo o que de bom venha a suceder a ele se deve. Se fosse um pouco mais inteligente poderia aproveitar as autárquicas para ignorar esta fase má em que tudo corre bem ao país e dedicar-se às temáticas locais, parasitando um ou outro dos seus autarcas mais exemplares. Fazia como Assunção Cristas, propunha muitas estações de metropolitano, sugeria rotundas e outras obras e esperava que o tempo fosse passando, mais tarde ou mais cedo poderia acontecer algo de mau que o ajudasse.

Mas a lucidez política de Passos não é muita, compreende-se, tudo lhe corre mal desde aquela malfadada hora em que chamou cata-vento a Marcelo, desde então falhou em tudo, pensava que uma vitória de Marcelo dependia do seu apoio e enganou-se, imaginava que a esquerda nunca se uniria e lhe bastaria uma vitória pequenina e está na oposição, esperava que o país precisasse de um segundo resgate e é ele que está à beira de ter de ser resgatado.

Prometeu que não tiraria consequências das autárquicas no plano nacional isto é, que não se demitiria por maior que fosse uma derrota nestas eleições e agora usa os jantares de lombo assado da campanha autárquica para ter antena ao nível nacional. Parasita as iniciativas dos seus autarcas para ganhar a notoriedade nacional que não consegue nos debates parlamentares. Opta por discursos sem contraditório para criticar o governo à sexta à noite.

Sem argumentos a sua lenga, lenga é sempre a mesma, as reformas, as reformas que ele fez e o governo não faz. Mas de que reformas fala Passos? Só pode ser da reforma dos cortes de vencimentos e das pensões, o aumento do IVA na restauração e os feriados transformados em dias nacionais de trabalho escravo.

Nos últimos anos foram feitas algumas reformas, uma reforma laboral iniciada e feita em grande medida durante o governo de Sócrates, uma reforma do regime da Função Pública feita igualmente por Sócrates, uma reforma da legislação do arrendamento iniciada antes de Passos e uma reforma do imposto sobre o património feita pró Manuela Ferreira leite. De que reformas que fala o senhor das reformas, provavelmente refere-se à sua própria reforma, aquela que para muitos, principalmente os do seu próprio partido, é a reforma mais urgente de que o país carece.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Marisa Matias

Ainda passou pouco mais de um ano e Marisa Matias já anda a avaliar quem ganha mais com a geringonça. Enfim, uma visão de merceeiro.

«Quem tem capitalizado mais a geringonça tem sido o PS, mas ele sabe que o fez com muitas medidas exigidas pelos partidos da esquerda”, diz Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda, em entrevista ao “i” esta sexta-feira.

Para a bloquista, o Governo de António Costa não deve ultrapassar os seus parceiros pela esquerda e correr para uma maioria absoluta, pois os portugueses sabem que o BE e PCP têm contribuído para sucesso da governação. “O PS governar sozinho, até agora, significou a obediência total à UE e com políticas liberais. E levaria a um grande afastamento das pessoas, como sucedeu com os sociais-democratas noutros países da Europa. Não interessa a lógica do quanto melhor pior. Nem podemos estar na política numa lógica calculista ou eleitoralista”, explicou.

A União Europeia é uma questão que não pode ser adiada indefinidamente entre o PS, o BE e o PCP, lembrou ainda Marisa Matias. “Acho que a destruição económica e social do país foi tão grande [nos últimos ]anos que, mesmo havendo uma divergência política grande entre os partidos que compõem a geringonça em relação à UE, há margem de manobra suficiente para se poder melhorar a vida das pessoas. No entanto, acho que não se consegue evitar a questão europeia muito mais tempo”, alertou.» [Expresso]
      
 Passos pode continuar a ter esperança
   
«A agência Moody’s defende que, para que o rating de Portugal, que continua em nível de alto risco (lixo), seja reclassificado é preciso que “a consolidação orçamental acelere de forma significativa, em comparação com as expetativas“. “Um crescimento económico muito mais robusto do que o previsto também seria benéfico”, acrescenta a agência de rating que, para já, prevê que o défice de 2018 seja o dobro do que o Governo prevê e que o crescimento económico, em vez de acelerar, abrande. “Apesar da recuperação do crescimento no curto prazo, as perspetivas económicas a mais longo prazo continuam a ser moderadas”, lamenta a agência.

As declarações constam de um relatório publicado esta sexta-feira, precisamente duas semanas depois da data que a Moody’s reservara para mexer no rating de Portugal. Como já aconteceu no passado, a Moody’s ignorou essa data mas, poucos dias depois, publicou um relatório onde não altera a notação de risco, que continua um nível abaixo de investimento de qualidade, e no qual faz uma atualização das suas principais ideias sobre o país.» [Observador]
   
Parecer:

Isto dá muito alento a Passos e Maria Luís.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Somos uns sortudos, temos todos mais 20 cm!
   
«O Presidente da República considerou esta sexta-feira que a vitória de Portugal na Eurovisão reforçou de tal forma a autoestima dos portugueses que todos ficaram com “mais 20 centímetros” e agora “acham que vão ganhar tudo na vida”.

Num encontro com estudantes de português, num anfiteatro da Universidade de Zagreb, Marcelo Rebelo de Sousa contou que, na noite da vitória de Portugal, o primeiro-ministro, António Costa, lhe enviou uma mensagem telefónica a perguntar: “Senhor Presidente, está a ver a votação da canção?”.

«Eu estava. Ele próprio estava estupefacto, admirado por tantos votos de numa canção portuguesa – porque nós normalmente tínhamos, ou os votos da Espanha, que percebia um pouco de português, ou trocávamos os votos com a Espanha, ou tínhamos os votos de quatro, cinco países, poucos votos”, explicou, provocando risos.»

O Presidente da República, que respondia a uma pergunta de um estudante croata sobre o significado da vitória no festival da Eurovisão, descreveu: “De repente, começámos a ver aquilo, começou todo o português a telefonar a todo o português: Estás a ver? Vamos ganhar a Eurovisão?”.» [Observador]
   
Parecer:

Gostei da ideia dos 20 cm, como diria o Mota Amaral é um belo número!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Cristas fez as contas
   

«O projeto de Assunção Cristas para a expansão do Metro de Lisboa custaria 1.876 milhões de euros, cerca de 144 milhões de euros por ano até 2030. Os detalhes do plano de construção das 20 novas estações do metropolitano fora apresentados esta sexta-feira pela líder do CDS, que aproveitou para deixar uma resposta aos que tem ridicularizado a estratégia do partido: “Não é uma megalomania, como alguns querem fazer crer. É um projeto com os pés bem assentes na terra e com princípio, meio e fim”, afirmou a líder democrata-cristã e candidata à câmara de Lisboa.

Na apresentação das linhas orientadoras do projeto de expansão do Metro, na sede do partido, Assunção Cristas garantiu que, apesar de “ambicioso e com rasgo”, o plano é perfeitamente “realista” e exequível. Acompanhado por Carmona Rodrigues, ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e por Miguel Moreira da Silva, coordenador do projeto, a líder do CDS fez questão de lembrar que o projeto foi analisado durante “os últimos oito meses”, tentando assim rebater a tese, alimentada pelos opositores, de usou a expansão do Metro como trunfo eleitoral artificial e demagógico.» [Observador]
   
Parecer:

parece que a senhora sabe fazer contas, agora aguardamos que diga que obras devem deixar de ser feitas para que a sua proposta seja aprovada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»

 Estes portugueses são uns tontinhos
   
«O Presidente da República, que respondia a uma pergunta de um estudante croata sobre o significado da vitória no festival da Eurovisão, descreveu: "De repente, começámos a ver aquilo, começou todo o português a telefonar a todo o português: Estás a ver? Vamos ganhar a Eurovisão?".

"Eu nessa noite fiquei muito feliz, mas fiquei preocupado, porque pensei: agora os portugueses acham que vão ganhar tudo na vida", prosseguiu.

Marcelo Rebelo de Sousa provocou mais risos na assistência quando relatou que no dia seguinte, quando fazia compras num hipermercado, foi abordado por uma portuguesa que lhe disse: "Presidente, logo à noite vamos ganhar o campeonato de ginástica rítmica".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O que nos vale é termos o senhor professor para nos explicar as coisas como a criancinhas de quatro anos e a dizer-nos no que devemos ou não acreditar.  O problema é que os estudantes croatas que ouviram as últimas baboiseiras de Marcelo poderão ter ficado a pensar que somos mesmo os idiotas a que Marcelo se referiu.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Agradeça-se ao senhor professor por ajudar os palerminhas dos portugueses a saberem no que podem acreditar.»

sexta-feira, maio 19, 2017

The Centeno Effect



Marques Mendes foi o primeiro a dar a boa nova, que a economia tinha crescido 2,4%, o INE não só confirmou como aumentou a parada para 2,8%, Sem que os a coroa de louros já estivesse pronta já a Maria Luís e o Passos tinha vindo defender que a glória era deles, Marcelo apressou-se a dizer que não disputassem a coroa de folhas de oliveira, para logo a seguir emprenhar ainda mais a boa nova, que no fim do ano nasceria uma bela criança com 3,2%.

Imaginem agora que o Soares era primeiro-ministro, que o PS era apoiado no parlamento pelo Álvaro Cunhal e pelo Major Tomé, que o presidente era o Soares Carneiro. Imaginem também que nessa altura era o primeiro a dar a boa nova era o Pinto Balsemão, que o Cavaco e o Miguel Cadilhe vinha a público defender que o sucesso económico resultava da sua obra, enquanto o Soares Carneiro os mandava ter calma e ia à Croácia anunciar que a economia iria crescer ainda mais.

Qualquer coincidência com a realidade é pura coincidência e não me refiro ao facto de Miguel Cadilhe já ter vindo a público defender que o recorde nacional dos défices era dele, tirando ele os restantes intervenientes ou já partiram ou andam por aí fazendo de mortos-vivos da política. Mas esta hipótese digna de alguém que mora ali para os lados da Av. Do Brasil, onde fica o Júlio de Matos, corresponde ao que está a acontecer.

Há pouco tempo Cavaco quase se recusava a dar posse ao atual governo, fez uma lista de exigências, lançou a dúvida no país e no estrangeiro. Passos Coelho estava tão convencido do desastre que nem se deu ao trabalho de fazer oposição, até engodou com tanto jantar de lombo assado. Paulo Portas prometia regressar logo que estivesse descansado, a TVI já tinha anunciado a sua nova vedeta, até já tinha desenhado um estúdio apropriado a tão bela personagem. A Cristas achou a situação tão engraçada que tem feito uma oposição com piadas, piadolas e idas à bomba da gasolina.

Alguém imaginava que o Passos Coelho iria esquecer o diabo e fazer suas as consequências da política sem reformas, das desastrosas reversões? Alguém teria uma imaginação tão criativa ao ponto de dizer que um ia destes dois ex-presidentes do PSD andariam a divulgar a prever os sucessos económicos do governo daquilo a que direita designou por geringonça? Alguém conseguiria prognosticar um silêncio tão prolongado por parte do Paulo Portas? Alguém poderia dizer que o país não sentiria saudades do Sôr Álvaro que inventou a multinacional dos pastéis de nata, que prometeu que Portugal seria uma potência na extração mineral e que iria ser feita a terceira revolução industrial?

Se fosse crente diria que tanta coisa junta, mais o SLB campeão e o festival da Eurovisão só poderia ser um novo milagre do sol, obra da Santa de Vila Nova de Ourém. Algo de estranho afetou a cabeça de tanta gente, entre eles três presidentes do PSD, só pode ter sido alguma nova fragrância que anda aí no ar provocando efeitos muito estranhos. Mas não, aquilo a que o país assiste é ao famoso “Centeno effect”!

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Rui Moreira, deputado populista de direita de boas famílias do Porto

A rapidez com que a CMP disparou com processos judiciais como se uma mera acusação em tribunal fosse uma água benta capaz de purificar a imagem de um político só revela nervosismo, tanto quanto se leu no Público não há nenhuma acusação direta ao autarca, simplesmente sugere-se que a cidade foi vítima de uma tentativa de pilhagem por parte da sua família.

Se o autarca quer fazer prova da sua honestidade deve fazê-lo e é isso que se exige de um político populista que sobrevive à custa da falta de confiança nos políticos que ele próprio promove com a sua partidofobia. Rui Moreira deve provar que está tudo bem com as suas decisões e com o comportamento ético da sua família.

«A deputada comunista Rita Rato defendeu esta quinta-feira que "é preciso mais salário e menos horário" em resposta a uma deputada do PSD, numa declaração política no parlamento, após acusar o anterior Governo de fragilizar os trabalhadores.

"É preciso mais salário e menos horário", afirmou, depois de reiterar a necessidade de garantir as 35 horas [de trabalho semanal] a todos os trabalhadores, seja da administração pública, seja na redução de horários de trabalho para as 35 horas, sem perda de remuneração nem de outros direitos, no setor privado como contributo para criar postos de trabalho e combater o desemprego".

A social-democrata Mercês Borges e o democrata-cristão Filipe Anacoreta Correia tinham criticado a postura de PCP e dos outros partidos com acordos bilaterais com o PS (BE, PEV) por não levarem as suas iniciativas à prática, dada a sua proximidade do poder.» [Expresso]

 Sindicalista sui generis

Faço minhas a palavras escritas pela Joana Lencastre na caixa dos comentários, com sindicalistas destes proponho que o Estado passe a integrar uma associação patronal, talvez assim os trabalhadores tenham alguém que os defendam e não quem atribua os males a erros humanos:

«Este pobre diabo foi ontem à AR acusar os trabalhadores da AT. Se, como ele disse, se tratou de erro humano e não erro do sistema informático, então o erro é dos trabalhadores que com ele operam. Mas esses trabalhadores deveriam ser quem ele representa e aqueles que devia defender. Que grande sindicalista este! E o pior é que todas as pessoas ouvidas na AR disseram que se tratou de um problema do sistema informático. Só o representante dos trabalhadores é que vem acusar os trabalhadores que devia representar e defender.»

Imaginem o Mário Nogueira a dizer que o insucesso escolar ou os problemas no arranque escolar são culpa dos professores e uma consequência dos seus erros humanos. E porque não dizer que para a falência do BES também, concorreram erros humanos dos seus administradores e altos responsáveis, senão mesmo de empregados de balcão que andaram a vender gato por lebre?

Tudo no mundo resulta ou de um acidente natural ou de um erro humano. Abram-se processos disciplinares a todos os funcionários do fisco que cometem erros humanos!

 Coisa estranha

Ainda não estão a investigar eventuais ligações de Sócrates com Temer.

 Deus te pague Passos Coelho



Um investimento que devemos agradecer ao anterior governo. Só resta saber se temos de o agradecer a Gaspar ou à Maria Luís, ao Sôr Álvaro ou ao Pires de Lima, se ao Portas ministro ou ao Portas vice-ministro e coordenador das pastas económicas, ao Passos Coelho que de antes da Troika ou ao Passos Coelho de depois da Troika. Uma coisa é certa, tudo o que de bom aconteça a Portugal temos de o agradecer ao anterior governo e às suas reformas.

      
 Qual é o partido de Rui Moreira?
   
«Diferendo entre empresa familiar do autarca e câmara do Porto. Inevitavelmente, Rui Moreira terá de fazer uma opção e escolher um partido: o seu ou o da cidade.

A investigação que o PÚBLICO hoje revela acrescenta um pormenor nada despiciendo ao diferendo que opõe a empresa familiar de Rui Moreira e a câmara do Porto, presidida pelo mesmo: uma parcela de 1621 dos 2400 metros quadrados do terreno em causa não pertence, afinal, à Selminho, mas sim ao domínio público.

A Selminho e autarquia mantêm um diferendo sobre a possibilidade de construção de um terreno na escarpa da Arrábida, no Porto, que a câmara começou por reconhecer e que depois optou por invalidar. A primeira não quis ser indemnizada por os direitos de construção lhe terem sido negados, a segunda concordou com a criação de um tribunal arbitral. Só que, como Rui Moreira está hoje duplicado neste imbróglio, as duas fazem parte da mesma moeda. A incompatibilidade entre Dr. Jekyll & Mr. Hyde não é confortável para ninguém. E muito menos para quem rejeita o discurso político da “mercearia”.

Desde Dezembro passado que o autarca sabe (ou deveria saber) que uma informação técnica interna concluiu que a câmara não deve reconhecer direitos de construção à empresa pela simples razão de que os terrenos em causa são do domínio público e deveriam ser desafectados para esse fim. O que fará o presidente de câmara? Vai assumir a luta pela propriedade em nome da cidade. E o que fará o accionista da Selminho? Vai bater-se pela propriedade que adquiriu e pela recuperação dos direitos de construção ou uma indemnização?

Com a sua surpreendente eleição em 2013, Rui Moreira foi criando, paulatinamente, um modelo de “autarca independente” — suprapartidário —, para quem a cidade é o seu, o “nosso partido”. Um partido que nem é de direita, nem é de esquerda, que tanto pode ser apoiado pelo PS como pelo CDS-PP, e que serve de exemplo a outros movimentos independentes. Antes da separação formal (do apoio informal) do PS, ninguém diria que a reeleição do actual presidente não fosse um plebiscito no próximo dia 1 de Outubro. Há factores que contribuem sobremaneira para que não seja assim: Moreira hipotecou 23 por cento de possíveis votos, o resultado socialista de há quatro anos, e os contornos do caso Selminho ameaçam ser mais do que uma simples disputa judicial. Ou uma arma de arremesso tóxica para uma campanha menos escrupulosa. Inevitavelmente, Rui Moreira terá de fazer uma opção e escolher um partido: o seu ou o da cidade.» [Público Editorial]
   
Autor:

Amílcar Correia.



 Marcelo releu os cenários macroeconómicos do PS
   
«O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou, esta quinta feira, que “é uma hipótese que não está afastada” Portugal conseguir este ano um crescimento económico à volta de 3,2% e um défice de 1,4%.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu estes números à conversa com deputados croatas, em Zagreb, a propósito da evolução da situação económica e financeira em Portugal, num momento de recolha de imagens, captado pela RTP.

Mais tarde, questionado pela RTP sobre onde foi buscar aqueles dois dados, o Presidente da República respondeu: “Eu disse que é uma hipótese que não está afastada o poder haver uma evolução positiva da economia, se ela vier de trás, que aponte para a confirmação destes números”.» [Observador]
   
Parecer:

Acontece que os cenários macroeconómicos do grupo de economistas liderados por Mário Centeno previa um crescimento económico de 3,1%. Na altura todos se riram do Mário Centeno.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se onde andam os economistas do PSD que na ocasião apoiaram Passos Coelho.»


      
 Mestre Madureira
   
«A Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) vai analisar o projeto de mestrado de Fernando Madureira, líder da claque Super Dragões, avança a “Visão”.

Em causa está um pedido feito esta quinta-feira pelo reitor do Instituto Universitário da Maia (ISMAI), Domingos Oliveira Silva, na sequência de um artigo da revista que dava conta do percurso académico exemplar de Fernando Madureira, que concluiu o mestrado em Gestão de Desporto com 17 valores.

O reitor solicitou “um procedimento inspetivo” à IGEC, alegando que a exigência e o rigor foram sempre o primeiro objetivo da instituição” e que não quer que subsistam quaisquer dúvidas neste processo.

Domingos Oliveira Silva quer que sejam esclarecidos os procedimentos utilizados no projeto e aferidos os erros de português apontados no artigo da “Visão”.» [Expresso]
   
Parecer:

Teremos uma nova escola de Drs Relvas?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»
  
 Uma deputada muito generosa
   
«A deputada comunista Rita Rato defendeu esta quinta-feira que "é preciso mais salário e menos horário" em resposta a uma deputada do PSD, numa declaração política no parlamento, após acusar o anterior Governo de fragilizar os trabalhadores.

"É preciso mais salário e menos horário", afirmou, depois de reiterar a necessidade de garantir as 35 horas [de trabalho semanal] a todos os trabalhadores, seja da administração pública, seja na redução de horários de trabalho para as 35 horas, sem perda de remuneração nem de outros direitos, no setor privado como contributo para criar postos de trabalho e combater o desemprego".

A social-democrata Mercês Borges e o democrata-cristão Filipe Anacoreta Correia tinham criticado a postura de PCP e dos outros partidos com acordos bilaterais com o PS (BE, PEV) por não levarem as suas iniciativas à prática, dada a sua proximidade do poder.» [Expresso]
   
Parecer:

Quem lê a exigência da deputada do PCP só pode pensar que apareceu mesmo petróleo no Beato, com um país enterrado numa crise financeira, a precisar de criar emprego como de pão para a boca e com problemas de competitividade e de confiança dos investidores a generosa deputada propõe que se atire gasolina para apagar a fogueira.

De um dia para o outro o país vive em fartura, o Mário Nogueira pede a reforma aos 36 anos para os do seu sindicato, a deputada Rita sugere reduções do horário de trabalho complementada com com um aumento salarial. Será mesmo verdade, ou terei imaginado a notícia?

A generosidade é tanta que qualquer trabalhador minimamente esclarecido manda a senhora ter juízo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se a senhora ter juízo.»

 Tiro no porta-aviões Bruno de Carvalho
   
«José Vicente Moura apresentou a demissão “irrevogável” da direcção do Sporting, onde ocupava o cargo de vice-presidente responsável pelas modalidades. O antigo presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) confirmou ao PÚBLICO esta decisão, tendo entregue na última quarta-feira uma carta a Jaime Marta Soares, presidente da mesa da Assembleia Geral, a comunicar a decisão e a justificá-la por aquilo que entendeu serem “críticas implícitas” de Bruno de Carvalho à sua gestão das modalidades “leoninas”.

“Há pouco mais de um ano, tive um grave acidente de saúde. Mas entendi que devia continuar com as modalidades, o que é muito exigente e eu não podia ter muitas emoções. São 52 modalidades e ia mais ou menos tomando conta delas. Perante uma crítica implícita a mim próprio do presidente, tomei esta decisão e os sócios e adeptos pensarão o que entenderem”, disse ao PÚBLICO Vicente Moura.

Esta decisão surge na sequência de um comunicado de Bruno de Carvalho na rede social Facebook em que o presidente “leonino” deixou algumas críticas às modalidades do clube. “A cada mau resultado lá vem a onda de apoio aos ‘meninos’. Nas modalidades é confrangedor. Perdemos jogos e lá estão as bancadas a aplaudir os ‘seus meninos’ e a acarinhá-los. Neste Clube, treinadores e atletas têm como missão dar-nos bons momentos e evitar os maus”, escreveu Bruno de Carvalho.

“Tenho um entendimento diferente. Depois de uma derrota, devemos reunir forças, não atacar e penalizar as pessoas que perdem”, reforçou Vicente Moura, que integrava a direcção de Bruno de Carvalho desde 2013, e com quem, acrescenta o comandante, sempre teve uma boa relação.» [Público]
   
Parecer:

A coisa está a ficar feia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reserve-se lugar na primeira fila.»

 A vingança serve-se fria
   
«Temer pediu ao Supremo Tribunal Federal brasileiro que lhe fossem entregues as escutas que alegadamente o compromete. Segundo o Estadão, o conteúdo dessas gravações será determinante para a decisão que o Presidente vai tomar. Com a pressão a aumentar, Temer está agora em contrarrelógio.

Recorde-se que o jornal brasileiro O Globo noticiou na quarta-feira que o empresário Joesley Batista, acionista da empresa JBS, gravou uma conversa na qual o Presidente brasileiro, Michel Temer, o autoriza a pagar um suborno pelo silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, condenado por participação no esquema de corrupção na Petrobras.» [Observador]
   
Parecer:

É o que merece este traste do Temer. Se quer ouvir as escutas é porque não está certo do que disse.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo trambolhão.»

quinta-feira, maio 18, 2017

Os inspetores do fisco e a democracia

Um sindicalista dos impostos fez passar a mensagem de que os inspetores do fisco se sentem intimidados por terem de justificar a motivação de uma consulta aos dados fiscais de um contribuinte. Fê-lo no parlamento, onde sugeriu que isto era uma forma de autocensura e insinuando que em Portugal se fazia o mesmo que em “certos países”, dando a entender que estava em causa a qualidade da democracia.

O sindicalista defende que um inspetor do fisco perante a constatação dos sinais de riqueza de um qualquer cidadão com que se cruze, pode aceder aos dados fiscais desse mesmo cidadão e analisar se com base nos dados disponíveis no sistema esse cidadão tem recursos que lhe permitem adquirir os bens que ostenta. Deu mesmo o exemplo de se cruzar com alguém a conduzir um “Rolls”, sinal de que o sindicalista deve frequentar muito locais luxuosos pois se o sucesso do combate à evasão fiscal dependesse do número de “Rolls” com que me cruzei na vida estaríamos todos bem tramados.

Sugere mesmo que se perdeu eficácia no combate à evasão fiscal, mandando os deputados analisar os resultados dos relatórios da AT. Acrescentou mesmo que quando entrou para os fisco, os formadores incentivaram-no a proceder dessa forma, o que é estranho por duas razões, porque a sua carreira não é da área da inspeção tributária e porque quando entrou para o fisco a informação disponível nas bases de dados era escassa.

Segundo esta lógica qualquer funcionário do fisco que visse alguém com um carro um pouco melhor ou passando férias na Manta Rota poderia ir ao sistema informático e desencadear por sua livre iniciativa uma inspeção e vasculhar a vida do cidadão. Não havendo limites para este combate à evasão fiscal o mesmo funcionário poderia verificar se a vizinha de que não gosta estaria a cumprir todas as obrigações fiscais ou eleger como alvo a ex-esposa que lhe meteu os palitos ou mesmo o vizinho que estaciona o carro no lugar privativo do serviço de finanças.

Diz o sindicalista que o fato de ter de explicar as suas iniciativas privadas em matéria de combate à evasão fiscal o funcionário sente-se intimidado e faz autocensura. Isto é, um funcionário só se sente à vontade se não tiver de justificar as suas iniciativas a ninguém, podendo inspecionar em regime de autogestão e sem que o contribuinte tenha quais quer direito, podendo a sua vida ser vasculhada por iniciativa de um poderoso inspetor sem que este tenha de deixar qualquer rasto das suas ações. 

É um conceito de democracia muito estranho onde um cidadão não tem quaisquer direitos e um inspetor não tem quaisquer deveres. O sindicalista tem um conceito um pouco enviesado do que é a democracia. Em democracia os processos são transparentes, não dependem de “observações” do comportamento dos cidadãos feitas por alguém a quem cabe vigiar o comportamento dos outros cidadãos. Quem investiga explica porque investiga, regista o que faz durante a investigação e pede a quem tem o direito de o fazer a autorização para investigar alguém. Em democracia investigar alguém é algo muito sério e não faz sentido que os inspetores do fisco não possam ser investigados quando investigam um cidadão por sua livre iniciativa, sem dar conhecimento a ninguém, sem deixar registo do que faz durante a investigação. Investigar alguém, com possibilidade de investigar toda a sua informação fiscal, que vai do “Rools” à loja onde compra papel higiénico não é bem a mesma coisa que colocar o impresso da multa no para-brisas de um carro mal-estacionado. Ainda bem que a nossa democracia não dá liberdade ilimitada a todos os nossos bondosos inspetores, seja do que for.

A deputada Mariana Mortágua, camarada do sindicalista estava embevecida enquanto este fazia considerações sobre a democracia, eu fiquei muito preocupado com o que ouvi. Se calhar estamos perante diferentes conceitos de democracia.



Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Rovisco Duarte, chefe do Estado-Maior do Exército (CEME)

O mínimo que se pode dizer da constatação do general é que revela alguma ingenuidade. Se os recrutas abandonam o curso de comandos depois de passarem o fim de semana com a família é um sinal de que durante a semana não têm ninguém com quem falar, talvez por recearem que algum instrutor lhes encha a boca com terra., para ficarem calados e não se queixarem. Óh senhor general, pense lá um bocadinho, porque a cabeça n´~ao serve só para meter a boina!

«Os fins de semana estão a revelar-se fatais para o curso 128 de Comandos, do qual já desistiram 40 dos 57 instruendos que iniciaram há cerca de seis semanas esta exigente formação militar. A revelação partiu do próprio chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) no final de mais uma visita, esta terça-feira, da comissão parlamentar de Defesa Nacional à Serra da Carregueira.

“O curso é exigente. É rigoroso. São muito anos de cursos de Comandos com provas dadas em teatro [de operações] e isto significa que não baixamos o nível de exigência e, possivelmente, por pressão das famílias, normalmente às segundas-feiras, temos uma ou duas desistências”, disse aos jornalistas o general Rovisco Duarte sublinhando que se trata de uma “análise muito simplista” deste fenómeno recorrente nos cursos de Comandos.

“Não estou a afirmar que estas desistência resultam da pressão das famílias mas é um facto que às segundas-feiras há sempre uma ou duas desistências”, insistiu o chefe do Estado-Maior do Exército.

De acordo com os números avançados esta segunda-feira pelo Exército à agência Lusa, o curso 128 tem atualmente 17 instruendos, dos quais três oficiais, dois sargentos e 12 praças. Esta tarde, o general Rovisco Duarte reconheceu perante os jornalistas que as desistências no curso 128 são “ligeiramente superiores à média” mas que “já existiram cursos com taxas de desistências superiores”.» [Expresso]

 O presidente do STI e os inspetores do fisco

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos defendeu no parlamento a possibilidade de um inspetor do fisco poder investigar por sua iniciativa um qualquer cidadão a partir dos sinais exteriores de riqueza, denunciando que isso não estava sucedendo ao contrário do que sucedia no passado, acrescentando que aquando entrou para a DGCI foi incentivado a fazê-lo nas ações de informação. Sugeriu mesmo que a situação atual, em que o acesso a dados fiscais do contribuinte por parte de funcionários do fisco obrigava à auto-censura, algo comum em “certos países”. Isto é, questionou a democracia portuguesa, sugerindo que sem essa aparente falta de liberdade por parte dos inspetores do fisco fazia perigar os valores democráticos.

Há aqui algo de estranho pois tanto quanto pensava o presidente do STI não é das carreiras da inspeção e não faria sentido a declaração de que na sua formação fosse incentivado a inspecionar quem quer que fosse.

      
 Divórcio definitivo no Porto
   
«O candidato do PS à câmara municipal do Porto, Manuel Pizarro, é crítico da escolha de palavras da secretária-geral-adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, mas defende que foram apenas um “pretexto” e a “cereja em cima do topo do bolo para quem já queria romper o acordo [entre PS e Rui Moreira]”. No programa “10 minutos”, da SIC Notícias, Manuel Pizarro avisa ainda que não está disponível para coligações pós-eleitorais: “Os acontecimentos gravíssimos das últimas semanas têm consequências para o futuro”.

Manuel Pizarro acusou Rui Moreira de ficar “aprisionado” às decisões da sua comissão política que é “um grupo de pessoas que não é muito conhecido”. O socialista tinha dito na sequência da entrevista de Ana Catarina Mendes ao Observador — num momento em que ainda queria segurar o acordo — que percebia que “que quem lidera um movimento genuinamente independente não queira aceitar que um partido se aproprie do seu resultado“.» [Observador]
   
Parecer:

O casamento com os populistas de direita do Porto nunca se deveria ter realizado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 Putin oferece-se para ajudar Trump
   
«O Presidente russo, Vladimir Putin, disse esta quarta-feira que está "preparado para entregar a gravação" da conversa entre o seu ministro Serguei Lavrov e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusado de divulgar informações secretas.

"Se a administração norte-americana autorizar, estamos preparados para entregar a gravação da conversa entre Lavrov e Trump ao Congresso e ao Senado dos Estados Unidos", disse Putin numa conferência de imprensa em Sotchi com o primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni.

A imprensa norte-americana noticiou esta semana que nessa reunião, realizada há sete dias na Sala Oval, na Casa Branca, Trump revelou informação classificada ao ministro dos Negócios Estrangeiros e o embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak.» [Expresso]
   
Parecer:

A coisa está a ficar feia, por este andar ainda vamos ver Putin a oferecer-se para comprar um apartamento na Trump Tower.
    
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão a Putin.»

quarta-feira, maio 17, 2017

Por obra e graça da NS de Fátima

Se Cavaco ainda fosse Presidente da República é muito provável que tivesse explicado o crescimento económico de 2,8% ocorrido no primeiro trimestre como resultado das rezas e promessas da sua esposa à santinha da sua devoção. No ambiente de fervor religioso criado com a vinda do Papa Francisco não faltasse quem se esquecesse da opinião do papa sobre os milagres baratos e concordasse com Cavaco.

Marcelo, que vai a mais procissões, missas e peregrinações do que ia Cavaco, parece optar por uma posição mais agnóstica e explica o crescimento económico como um mero acaso, talvez resultado de uma combinação de estrelas mais favorável ou de uma qualquer outra causa desconhecida. Se em vez de adepto de Braga, talvez Marcelo defendesse, como se discutia há alguns anos atrás, que o crescimento inesperado se devia ao título do Benfica.

Em tempo houve que sugerisse que se todos os portugueses fossem para a beira-mar talvez o país se inclinasse. Não me admiraria se alguém viesse defender que o crescimento tenha sido estimulado pelo aumento da procura de telemóveis para tirara selfies com Marcelo ou, quem sabe, em consequência do bom ambiente em que se vive desde que Cavaco regressou a Boliqueime.

A ideia com que se fica das últimas declarações de Marcelo pedido para não se querer saber quem teve mérito, é a de que o crescimento económico resulta de um qualquer bom austral, ou foi o resultado inesperado de políticas económicas que não podiam ser mais contraditórias. A crer em Marcelo quando os médicos salvarem um doente que está à beira da morte e ao qual foram ministrados vários tratamentos, devem abster-se de querer saber qual o tratamento resultou e atribuir a cura ao acaso.

Esta opinião é do mais ridículo que já se ouviu, um país à beira do colapso consegue crescer e devemos abster-nos de tentar perceber o que nos trouxe tranquilidade, sugerindo de forma hipócrita que a evolução económica positiva é resultado de todas as políticas. Só não explicou se os efeitos retroativos do bom austral começaram com Passos ou ainda antes, já que pelo menos o crescimento das exportações começou antes do governo da direita.

M as a hipocrisia de Marcelo Rebelo de Sousa vai um pouco mais longe, não só diz que nos devemos abster de reconhecer o mérito de uma política económica, optando por considerar que todos contribuirão por igual, como diz que o sucesso é conjuntural e devemos transformá-lo em estrutural. Ora, se Marcelo acha que o crescimento resulta em simultâneo do congelamento e do aumento do salário mínimo, do corte brutal de vencimentos e da sua reposição, do corte abusivo das pensões e do regresso da ilegalidade, isso significa que para que o crescimento estrutural temos de adotar as duas políticas económicas.

Assim, sugiro a Marcelo que proponha que daqui para a frente haja alternância entre a Maria Luís e o Centeno, nos meses pares governa a Maria Luís para cortar vencimentos e pensos aterrorizando o país com mais medidas brutais se não comerem e calarem. Nos meses pares seria empossado o Centeno para eliminar as políticas da Maria Luís, nestes meses o Marcelo sairia à rua para servir muitos jantares aos sem-abrigo e tirar muitas selfies com o povo.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Maria Luís Albuquerque, funcionária bancária

Ao mau cagador até as calças empatam. quem previa o pior e demonstrava que as previsões orçamentais eram aritmeticamente erradas, encontra agora inconvenientes quando o país cresceu 2,8%, um número com o qual nunca sonhou.

«s números do crescimento – 2,8% – da economia portuguesa para o primeiro trimestre de 2017 são ao mesmo tempo “positivos” e “preocupantes”, diz Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças social-democrata, em declarações ao “Público” esta terça-feira.

“Genuinamente é a nossa convicção: ficamos satisfeitos com os números positivos e com os motores do crescimento, mas o receio é que eles possam levar a uma falsa sensação de que não é preciso fazer mais nada”, explica a ex-governante.

Apesar deste comentário, Maria Luís Albuquerque não se afasta da narrativa oficial do PSD: estes resultados são consequência da “boa conjuntura internacional” e da “boa herança” do Governo de Passos Coelho. Ou seja, o mérito não está nas políticas de António Costa e de Mário Centeno.

“O que nos preocupa é que estes números resultam de uma boa conjuntura e de uma boa herança”, diz.» [Expresso]

 O sucesso das políticas de Passos Coelho e Paulo Portas

Se bem me lembro a política económica de Passos Coelho assentava numa desvalorização fiscal e muitas das medidas adoptadas com o argumento de se ir além da troika e justificada por Passos dizendo que estávamos fazendo s sacrifícios pro nós e não porque nos obrigassem. Nos primeiros tempos do governo de Passos não faltaram economistas em busca de notoriedade que opinaram em artigos de jornais ou em declarações televisivas a favor da desvalorização.

A tese era simples, como com a moeda única se tinha perdido a possibilidade de recorrer à desvalorização cambial, a única forma de conseguir um aumento da competitividade externa das empresas era promovendo uma redução dos custos do trabalho através de uma desvalorização fiscal. Curiosamente, por oposição a esta solução o PCP defendeu sempre a saída do euro para repor a soberania nacional, isto é podendo recorrer à desvalorização cambial.

A esta desvalorização cambial Passos Coelho chamou "ajustamento", tendo separado na sua linguagem o ajustamento no Estado e o ajustamento no sector privado. A determinada altura Passos dizia mesmo que o ajustamnto no Estado estava concluído, faltava fazer o ajustamento nas empresas privadas. Com o argumento do desvio colossal, explicado de forma ridícula por Gaspar, Passos cortou os rendimentos dos trabalhadores do Estado em mais de 25%. Depois tentou fazer o mesmo no sector privado com o golpe da TSU, tendo falhado devido à oposição dos portugueses.

Acabou por tentar a desvalorização fiscal do sector privado através dos impostos sobre o rendimento, a ideia era baixar o IRC compensando a perda de receitas com o aumento do IRS que decidiu com a aplicação da sobretaxa. Fez de tudo para baixar os salários, desde os cortes nos rendimentos aos feriados de trabalho escravo, tudo servia para que se desvalorizasse o factor trabalho.

Só que o modelo falhou, o ambiente de terror com ameaças sistemáticas de mais austeridade, a fuga de trabalhadores para o estrangeiro, em especial de quadros, a perda de confiança dos consumidores e investidores, conduziu a uma recessão e o próprio Cavaco Silva receou o risco de uma espiral de recessão. No fim o processo parou em ano de eleições e porque o Tribunal Constitucional declarou a inconstitucionalidade dos cortes de vencimentos e pensões.

Corrido do poder Passos ainda teve a esperança de regressar, daí a sua histeria com as chamadas reversões, esta significavam o desmontar de uma desvalorização que tinha ficado a meio e que com a vinha do diabo tinha a esperança de poder continuar. A devolução de rendimentos significou muito mais do que uma política expansionista, foi acima disso o demonstrar de uma política tenebrosa de desvalorização fiscal que tinha falhado, apesar do seu autor iletrado não estar convencido. Portugal não se transformou na economia mais competitiva do mundo como prometeu Passos, transformou-se num país triste de onde os jovens fugiam e onde ninguém investia.

Vir agora dizer que o sucesso económico é o resultado de uma política nefasta que contra a sua vontade foi desmontada só revela a falta de honestidade intelectual de um Passos Coelho que nunca teve a coragem de assumir as suas políticas e intenções, convencido de que além de piegas os portugueses são uns imbecis que ele engana com facilidade.

 Onde anda Paulo Portas?

Seria de esperar que Paulo Portas, o vice-primeiro-ministro do governo de Passos e coordenador das pastas económicas, viesse reivindicar o crescimento económico como resultado do seu trabalho, da mesma forma que ele mais o Pires de Lima fizeram em relação `ss exportações. Se Paulo Porta anda muito ocupado com a gestão de influências em negócios com países onde o único mercado concorrencial que existe é o da corrupção, então que seja a sua sucessora na liderança do CDS e colega no governo que o venha fazer.

      
 Portugal fez batota na Eurovisão
   
«"Desde o início que o plano de Portugal era jogar sujo. Saltar as regras." Começa assim um artigo do jornal castelhano El Español sobre o Festival da Eurovisão, a vitória portuguesa, e a prestação espanhola.

O que Salvador Sobral apresentou "não valeu", porque é "uma canção bem escrita, de harmonias sedosas, uma melodia delicada e versos inspirados". Em suma, não é um "vulgar e antiquado karaoke".

Portugal não participou "como manda a tradição", mas sim com uma "canção de verdade". E isso "não vale", diz o artigo, que faz uso da ironia para elogiar Portugal e criticar Espanha.

"Se participas na Eurovisão, participas com todas as consequências. Levar o festival a sério e ganhar é uma infâmia", acrescenta, dizendo ainda que ao "resto dos países só restava perder".» [DN]
   
Parecer:

Foi a primeira vez que fez batota.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A nova guerra do populista de direita Rui Moreira
   
«O presidente da Câmara Municipal do Porto não mostrou interesse numa potencial corrida à organização do festival da Eurovisão, que o país vai receber em 2018. O motivo são os custos avultados que o evento pode acarretar.

O assunto foi trazido à reunião de Câmara desta terça-feira pelo vereador do PSD, Ricardo Almeida, que considera que a RTP deveria fazer um “concurso transparente”, em vez de entregar o evento diretamente à capital, como foi feito em outros países organizadores.

“Esse valor é absolutamente…”, comentou Rui Moreira, referindo-se ao valor médio de 30 milhões de euros que pode custar a organização do festival. Isto porque, defende, os custos devem ser suportados pela cidade que vai receber a Eurovisão. “Se não vai haver concurso, deve ser essa cidade a pagá-lo”, disse. “E não me venham dizer que não temos sítio [para ser palco do festival]. Nós com esse valor construímos um”, brincou.» [Observador]
   
Parecer:

O ideal era ser no porto mas pago por Lisboa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a proposta que ele aceita.»

 Passos, o estalinista
   
«O presidente interino da concelhia do PSD/Lisboa, Rodrigo Gonçalves, acusou Pedro Passos Coelho de estar “a perseguir os seus opositores ou aqueles que têm ideias diferentes” e “também os seus familiares”. A reação do social-democrata surge depois de a distrital do PSD/Lisboa ter decidido vetar a recandidatura de Daniel Gonçalves, pai do dirigente do PSD/Lisboa, à junta de freguesia das Avenidas Novas nas autárquicas de 1 de outubro.

Em declarações à Sábado, Rodrigo Gonçalves não esconde o seu descontentamento. “Vejo toda esta situação com alguma mágoa. Mágoa pela linha estalinista com que Pedro Passos Coelho está a decidir todo este processo autárquico. Quer anular todos aqueles que pensam de maneira diferente, mas pior do que isso é que podia opor-se a mim, mas preferiu perseguir o meu pai”, afirmou o homem que sucedeu a Mauro Xavier na concelhia do PSD/Lisboa.» [Observador]
   
Parecer:

A coisa está a ficar feia em Lisboa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reserve-se lugar para assistir ao espectáculo.»

terça-feira, maio 16, 2017

Passos sempre disse: Eu acredito!

Passos Coelho nunca duvidou do sucesso a longo prazo da sua política, nunca receou que as políticas do governo de Costa invertessem o rumo de sucesso, sempre previu que o país seria prendado no primeiro trimestre com uma prenda dos Reis Magos. Esteve sempre tão certo disso que nunca fez outra coisa senão previr o crescimento económico e a criação de emprego que agora se regista.

Para que ninguém duvide de Passos Coelho aqui ficam algumas das suas muitas declarações que lhe dão o direito de agora reivindicar para si o sucesso da política económica que dizem ser de Centeno e Costa:

(Pedro Passos Coelho lança fortes críticas à atuação do governo, por querer )“devolver tudo num ano” (ao invés de o fazer com calma durante os próximos quatro anos. O ex-primeiro-ministro diz que) “os riscos são grandes” (mas garante que, caso a estratégia dê certo, passará) “a defender o voto no PS, no PCP e no BE”. (1/03/2016)

“Movido pelo lema de virar a página da austeridade, o novo Governo o que virou foi a página da credibilidade e atirou a confiança pela janela fora”, analisa o líder do PSD. As consequências foram a descida a pique do investimento e a queda das exportações, continua o antigo governante, antecipando “uma deterioração da balança externa”. Passos Coelho deixa avisos: “o adiamento de despesa, corrente e de investimento, tornarão o segundo semestre uma bomba ao retardador”. (4/07/2016)

"Mas quem é que põe dinheiro num país dirigido por comunistas e bloquistas? Quem é o investidor que acredita que o futuro estará seguro naqueles que têm senha, que não gostam, pelo contrário, que atacam aquilo que eles designam o capital, os capitalistas, os homens que no fundo investem o seu dinheiro, as suas poupanças, nas empresas, que criam emprego e rendimento para futuro" (28/08/2016)

"Tudo aponta para que o que temos à nossa frente seja, portanto, um caminho que já não é de voltar ao défice do ano anterior, é de poder até ficar além desse défice" (28/08/2016)

"Quando soubermos os números de agosto, vamos ver a que velocidade é que este Governo está a convergir para o défice do ano passado e vamos ver se não o ultrapassa, porque, o que temos daqui para a frente, por decisão do Governo, é um crescimento mais lento, que vai gerar menos receitas fiscais, e vamos ter mais despesa, que o Governo também já decidiu" (28/08/2016)

"Não podemos confundir a estabilidade -- que é uma coisa instrumental -, com a confiança, sem a qual o país não cresce. A verdade é que, apesar do foguetório que para aí vai, o país está a crescer menos do que o ano passado, há menos emprego a ser criado em 2015, o desemprego desce menos do que nos anos em que geri o Governo" (23/11/2016)

"O que precisamos agora é de enterrar as políticas de reversão, esperando que as que foram realizadas não nos venham a sair demasiado caro, e de colocar em cima da mesa uma agenda reformista que relance a ambição para ter um crescimento significativamente maior" (2/01/2017)

"Não é preciso que tudo caia no chão para que as pessoas percebam as diferenças [entre a governação do PSD e do PS]", (disse ainda, em jeito de apelo ao executivo de António Costa para parar com a reversão das medidas tomadas pelo governo anterior.) 87/01/2017)

“Na verdade continua a ser medíocre quando comparado com o passado, com aquele” (que o Governo de coligação PSD/CDS-PP deixou, e) “particularmente medíocre quando comparado com aquele que se vê em Espanha ou com o que se vê na Irlanda”. “Porque é que a Espanha cresce mais do dobro do que cresce Portugal, apesar de ter estado quase um ano sem governo? Porque é que a Irlanda cresce significativamente mais do que Portugal e mais até do que a Espanha?” (22/01/2017)

“Quando a economia cresce por via do consumo, isso significa que é a poupança que é sacrificada e, quando a poupança é sacrificada, como foi em 2016, o próprio investimento interno é penalizado”. “Para que o país possa crescer sustentadamente, tem de crescer com investimento, e foi justamente o que não funcionou durante o ano de 2016, em que o investimento afundou, a economia terá tido um desempenho pior do que o de 2015 e foi suportada pelo aumento do consumo” (14/02/2017)

Uma desvalorização fiscal bem sucedida?

Se bem me lembro a política económica de Passos Coelho assentava numa desvalorização fiscal e muitas das medidas adoptadas com o argumento de se ir além da troika e justificada por Passos dizendo que estávamos fazendo s sacrifícios pro nós e não porque nos obrigassem. Nos primeiros tempos do governo de Passos não faltaram economistas em busca de notoriedade que opinaram em artigos de jornais ou em declarações televisivas a favor da desvalorização.

A tese era simples, como com a moeda única se tinha perdido a possibilidade de recorrer à desvalorização cambial, a única forma de conseguir um aumento da competitividade externa das empresas era promovendo uma redução dos custos do trabalho através de uma desvalorização cambial. Curiosamente, por oposição a esta solução o PCP defendeu sempre a saída do euro para repor a soberania nacional, isto é podendo recorrer à desvalorização cambial.

A esta desvalorização cambial Passos Coelho chamou "ajustamento", tendo separado na sua linguagem o ajustamento no Estado e o ajustamento no sector privado. A determinada altura Passos dizia mesmo que o ajustamnto no Estado estava concluído, faltava fazer o ajustamento nas empresas privadas. Com o argumento do desvio colossal, explicado de forma ridícula por Gaspar, Passos cortou os rendimentos dos trabalhadores do Estado em mais de 25%. Depois tentou fazer o mesmo no sector privado com o golpe da TSU, tendo falhado devido à oposição dos portugueses.

Acabou por tentar a desvalorização fiscal do sector privado através dos impostos sobre o rendimento, a ideia era baixar o IRC compensando a perda de receitas com o aumento do IRS que decidiu com a aplicação da sobretaxa. Fez de tudo para baixar os salários, desde os cortes nos rendimentos aos feriados de trabalho escravo, tudo servia para que se desvalorizasse o factor trabalho.

Só que o modelo falhou, o ambiente de terror com ameaças sistemáticas de mais austeridade, a fuga de trabalhadores para o estrangeiro, em especial de quadros, a perda de confiança dos consumidores e investidores, conduziu a uma recessão e o próprio Cavaco Silva receou o risco de uma espiral de recessão. No fim o processo parou em ano de eleições e porque o Tribunal Constitucional declarou a inconstitucionalidade dos cortes de vencimentos e pensões.

Corrido do poder Passos ainda teve a esperança de regressar, daí a sua histeria com as chamadas reversões, esta significavam o desmontar de uma desvalorização que tinha ficado a meio e que com a vinha do diabo tinha a esperança de poder continuar. A devolução de rendimentos significou muito mais do que uma política expansionista, foi acima disso o demonstrar de uma política tenebrosa de desvalorização fiscal que tinha falhado, apesar do seu autor iletrado não estar convencido. Portugal não se transformou na economia mais competitiva do mundo como prometeu Passos, transformou-se num país triste de onde os jovens fugiam e onde ninguém investia.

Vir agora dizer que o sucesso económico é o resultado de uma política nefasta que contra a sua vontade foi desmontada só revela a falta de honestidade intelectual de um Passos Coelho que nunca teve a coragem de assumir as suas políticas e intenções, convencido de que além de piegas os portugueses são uns imbecis que ele engana com facilidade.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Inês Domingos, deputada do PSD

Pobre deputada, ignorada durante a legislatura coube-lhe a triste tarefa de fazer estas declarações que só podem merecer uma gargalhada. Onde estaria a pobre deputada quando Passos andou um ano descansado, convencido de que tudo iria correr mal e o diabo acabaria por aparecer? Pobre rapariga, onde estava quando as reversões foram condenadas pelo seu partido, onde estaria quando exigiram um plano B, por onde andava quando o seu partido foi a Madrid pedir ao PP europeu que chumbasse o governo português?

Pobre senhora, dizer que o crescimento resulta das políticas do seu governo é a mesma coisa que o Jesus vir defender que é a ele que se deve o tetra do Benfica!

«O PSD saudou hoje o crescimento de 2,8 por cento da economia portuguesa no primeiro trimestre de 2017 e considerou que se trata de uma recuperação que se deve às reformas realizadas pelo Governo anterior (PSD/CDS).

"Estamos contentes com a recuperação do PIB [Produto Interno Bruto] neste trimestre que se deve às reformas realizadas pelo anterior Governo, à conjuntura internacional e na União Europeia mais favoráveis", declarou à Lusa a deputada social-democrata Inês Domingos.

A deputada do PSD falava após a divulgação dos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) segundo os quais a economia portuguesa cresceu 2,8% no primeiro trimestre de 2017 face ao mesmo período do ano passado e, comparando com o trimestre anterior, cresceu 1%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).» []

      
 Boas notícias
   
«PSD saudou o crescimento de 2,8 por cento da economia portuguesa no primeiro trimestre de 2017 e considerou que se trata de uma recuperação que se deve às reformas realizadas pelo Governo anterior (PSD/CDS).

“Estamos contentes com a recuperação do PIB [Produto Interno Bruto] neste trimestre que se deve às reformas realizadas pelo anterior Governo, à conjuntura internacional e na União Europeia mais favoráveis”, declarou à Lusa a deputada social-democrata Inês Domingos.

A deputada do PSD falava após a divulgação dos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) segundo os quais a economia portuguesa cresceu 2,8% no primeiro trimestre de 2017 face ao mesmo período do ano passado e, comparando com o trimestre anterior, cresceu 1%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).» [DN]
   
Parecer:

Passos vai aparecer a dizer que este crescimento resulta das suas política, das políticas atuais resultava apenas uma eventual vinda do diabo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aposte-se.»
  
 Treinador educado
   
«“Apesar de já estar tudo decidido [sobre o título], havia muito em jogo. Era importante para nós, apesar de não termos conseguido os objetivos. Demos uma demonstração de união e orgulho, e demos passos para criar uma equipa que possa ser campeã no futuro. Fomos o que fomos durante a época: uma equipa solidária, fizemos um bom jogo e uma boa vitória”.

Questionado sobre se o título de tetracampeão alcançado pelo Benfica é ou não “justo”, Nuno Espírito Santo respondeu que essa "é a realidade dos resultados", não sem dar, porém, os "parabéns ao campeão". Quanto a si, irá continuar o seu caminho de “formar uma equipa que possa conseguir títulos”.» [Expresso]
   
Parecer:

Esperemos que a educação seja um valor respeitado e que o treinador do FCP não venha a sder desvalorizado por ter feito o que a educação manda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se o gesto.»

 Pobre Seara
   
«Está encontrado o candidato do PSD à Câmara Municipal de Odivelas. Fernando Seara foi o homem escolhido pelos sociais-democratas e o seu nome deverá ser confirmado ao final da tarde desta segunda-feira na reunião da Comissão Política Distrital do PSD-Lisboa.

O ex-presidente da Câmara Municipal de Sintra e actual vereador em Lisboa, apurou a SÁBADO junto de fontes do PSD, já deu o "sim" ao partido liderado por Pedro Passos Coelho, regressando assim ao combate político nas eleições autárquicas marcadas para 1 de Outubro. Contactado pela SÁBADO, o autarca não desmentiu a informação mas preferiu não fazer, para já, qualquer comentário - remetendo-o para terça-feira.» [Sábado]
   
Parecer:

Foi despachado para a periferia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

segunda-feira, maio 15, 2017

O MendesLeaks

Compreende-se a elegância com que António Costa ignora o papel que tem vindo a desempenhar desde que Marques Mendes assumiu as funções de “Garganta Funda” de Pedro Passos Coelho. No governo de Passos marques Mendes assumiu as funções de informador não oficial do governo, divulgando aquilo que convinha a Passos que fosse Marques Mendes a comunicar.

Com o fim do governo de Passos Coelho seria de esperar que Marques Mendes sobrevivesse enquanto comentador. Seria de esperar que que tivesse menos acesso á informação, passando a ter que se esforçar para opinar com qualidade os acontecimentos do dia a dia. Mas Marques Mendes estava tão habituado ao papel de bisbilhoteira nacional que lhe dava tanto destaque, que não desistiu do papel.

Perdendo as funções de bisbilhoteira oficial do regime parece que marques Mendes se transformou numa espécie de MendesLeaks, o TugaLeakes ao serviço da direita. Não faltam no poder ilhas do PSD com acesso a informação confidencial que Marques Mendes usa em proveito da sua imagem e em benefício da direita. O esquema das nomeações por concurso permitiu ao PSD ter antenas em grande parte dos serviços do Estado, desde a REPER em Bruxelas até à mais modesta direção-geral. Não se sabe muito bem o que ganham os que confidenciam a Marques Mendes o que é suposto ser confidencial, mas sabemos que o tráfico da informação confidencial do estado proporciona grandes lucros a Marques Mendes, desde logo os honorários que a SIC lhe paga, bem como os benefícios indiretos proporcionados pelo poder que o estatuto lhe confere.

Quando o MendesLeaks torna pública a proposta feita pelo BdP em relação à venda do Novo Banco, ou quando antecipa dados estatísticos do INE Marques Mendes viola todos os princípios. Mas o governo é obrigado a ignorar o trabalho sujo do Conselheiro de Estado, se mexer um dedo cai o Carmo e a Trindade, surgirão as queixas de asfixia democrática e não seria de admirar se Marques Mendes pedisse para ser recebido pelo residente da República, para se queixar da perseguição do governo das perigosas esquerdas.

Já o que pensa Marcelo Rebelo de Sousa sobre o papel estranho que o seu conselheiro desempenha em prol do apodrecimento do sistema político deverá ser só da sua conta. Isso não deixa de ser estranho, já que parece que a Presidência da República é a única instituição nacional que se escapa à rede de informadores do MendesLeaks. Só Deus sabe se é Marques Mendes que se abstém de bufar as informações confidenciais da Presidência da República ou se o faz por pensar que dessa forma não prejudica o Presidente.

Imagino que este país é um Estado de direito e que a divulgação de matérias que deveriam ser mantidas em segredo, até que fossem divulgadas pelas entidades competentes, constitui matéria que pode violar alguma lei. A questão está em saber se marques Mendes pode manter a sua MendesLeaks em total impunidade e perante a passividade de todos os órgãos de soberania, como se qualquer badameco pudesse transformar o Estado num passador de informação.