sábado, junho 03, 2017

Um bom sinal

Parece que os magistrados vão decidir hoje se boicotam ou não as eleições autárquicas, os tribunais e os defensores da legalidade decidem se boicotam a democracia e o seu funcionamento. Um desastre? À primeira vista dir-se-á que sim, mas na verdade e por mais incrível que pareça é um bom sinal, um sinal de evolução do país.

Durante meio século de ditadura os nossos magistrados foram homens felizes, não há memória de um pequeno contributo desta classe profissional ter mexido um dedo contra os ditadores, nenhum se recusou a fazer o que a PIDE lhes mandava fazer nos tribunais plenários, foram dos mais disciplinados funcionários públicos do salazarismo. Se hoje já têm opinião e questionam o poder é um bom sinal, é uma pena que só o tenham aprendido a fazer em democracia, mas ainda assim é um bom sinal.

Também é um bom sinal que o líder do sindicato dos magistrados em vez de ir fazer queixas a Belém reúna com os seus e decida lutas sindicais. Os sindicatos servem para fazerem sindicalismo e se os sindicalistas em vez de manobras políticas conduzem lutas sindicais não fazem mais do que a sua obrigação. Se os magistrados sentem razões de queixa é também um bom sinal, muito mau seria se todos os funcionários públicos tivessem sido maltratados e os magistrados tivessem razões de felicidade. Ainda assim ganham muito mais do que outros profissionais altamente qualificados do Estado.

Se estão zangados com o poder e fazem greve é um bom sinal, ainda que seja ridículo ver juízes em greve, mas se os nossos juízes querem ser parecidos aos do Burundi o problema é deles, nada está na Constituição que nos impeça de fazermos as figuras tristes que bem entendermos. Mas é preferível fazerem greve do que recolherem as despesas que os ministros fizeram com os cartões VISA na esperança de meterem algum na cadeia. É um sinal positivo que as lutas entre os magistrados se fazem com greves e não com detenções.

Também é um bom sinal que os magistrados em vez de fazerem congressos de luxo com passeios para os acompanhantes, tudo com o alto patrocínio do Ricardo Salgado e do BES, se reúnam numa sala modesta para decidirem se fazem greve às eleições. Assim é tudo mais bonito e a justiça só fica dignificada que os seus executores sirvam de exemplo.  E um sinal de que os nossos magistrados estão mais democratas e de que não tiveram por onde pegar o Costa.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Marcelo rebelo de Sousa

O que será que Marcelo Rebelo de Sousa considera "bom senso" no processo do abandono da base das Lages por parte dos americanos? Seria muito interessante se o explicasse.

«"Tenho esperança que o bom senso prevaleça", disse o Presidente da República na Base das Lajes, ameaçada pela continuação de um processo de redução da presença militar americana.

Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu, no entanto, que Portugal não domina todas as variantes desta equação: "quando há acordo, depende das duas partes cumpri-lo".» [DN]

      
 As secretas querem estar em auto-gestão
   
«A escolha de José Júlio Pereira Gomes para o cargo de secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SG-SIRP) está a provocar “apreensão” dentro do organismo. Ao Observador, fontes conhecedoras da realidade interna dos serviços antecipam um “futuro negro” ao embaixador, pelo perfil “incompatível” com o tipo de liderança que as “secretas” desejam.

Os episódios que têm vindo a ser divulgados nos últimos dias deixaram vários elementos dos Serviços de Informações apreensivos quanto à escolha do gabinete do primeiro-ministro para o cargo de responsável máximo das secretas. O primeiro testemunho foi dado por Ana Gomes, em declarações ao Diário de Notícias. A eurodeputada socialista, que se cruzou com Pereira Gomes em 1999, aquando do referendo à independência de Timor-leste, disse que ao até agora embaixador de Portugal em Estocolmo “falta o perfil psicológico” adequado para as funções. A eurodeputada socialista pôs ainda em causa a “capacidade” de Pereira Gomes “para aguentar situações de grande pressão”, com as consequências internas que isso poderá ter: uma falta de “confiança” dos “espiões” portugueses em relação ao futuro líder do SIRP.» [Observador]
   
Parecer:

No dia em que forem as secretas a escolher quem manda nelas o melhor é fugirmos para Espanha. Depois do que aconteceu com o super-espião era melhor que as secretas fossem menos secretas e não comunicassem através dos jornais. Tanto quanto se sabe ninguém  lhes deu o direito de dizerem aos governos como devem governar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se quem nas secretas quer estar em auto-gestão e convidem-nos a mudar de ramo.»
  
 Presidente, mas pouco
   
«Mal o Presidente norte-americano disse, nos jardins da Casa Branca, que os EUA vão sair do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas, assinado em Dezembro de 2015, os estados da Califórnia, Nova Iorque e Washington anunciaram uma “aliança climática” para continuar a respeitar os limites previstos no acordo.

A decisão foi anunciada num comunicado assinado pelo governador californiano, Edmund D. Brown, onde se chama a esta coligação de “Aliança Climática dos Estados Unidos” e se explica que os estados se comprometem a “concretizar acções agressivas em relação às alterações climáticas”, independentemente da decisão do Presidente.

Estes três estados representam cerca de um quinto da população e do PIB total dos EUA, e produziram 11% das emissões poluentes totais norte-americanas em 2014, segundo dados da Agência de Informação Energética americana, citados pelo Politico.» [Público]
   
Parecer:

Há uns EUA com mau ambiente do Trump e outros EUA com bom ambiente.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

sexta-feira, junho 02, 2017

O preço do dumping ambiental

É um dado adquirido que a mecanização da agricultura americana ocorreu várias décadas antes de ter ocorrido na Europa. Enquanto a presença de máquinas agrícolas é evidente em imagens do mundo rural americano anterior à Grande Guerra, enquanto as imagens de mecanização da agricultura europeia são frequentes já nos pós guerra. A causa desta diferença também é evidente, mesmo com os trabalhadores negros, antigos escravos, a agricultura americana não dispunha dos necessários recursos humanos. Mesmo com mecanização intensiva a agricultura americana dependeu de vagas sucessivas de mão-de-obra emigrante.

Mais recentemente ocorreu um fenómeno em sentido inverso. Enquanto o choque petrolífero forçou a indústria japonesa e europeia do setor automóvel a adaptar a sua oferta a uma situação de escassez de combustível e aos seus altos preços, a indústria automóvel americana permaneceu sem grandes evoluções, beneficiando de um mercado onde os preços dos combustíveis permaneceram baixos. Os carros europeus ou japoneses eram considerados viaturas citadinas para senhoras. O resultado foi o que se viu, cidades como Detroit são hoje verdadeiros museus de arqueologia industrial mal frequentadas.

Num mundo onde a regra parece ser o oportunismo, o Reino Unido vê no Brexit a forma de ganhar beneficiando da concorrência desigual em consequência de não ter de respeitar as regras do mercado comum e de não ter de suportar os seus custos. Do outro lado do Atlântico a América de Trump acha que o desrespeito de normas ambientais favorecerão as empresas americanas.

A curto prazo os oportunistas poderão dar a ilusão de que trazem progresso, a anão ser que como a imbecil conservadora do Reino Unido se lembre de espantar o seu eleitorado com o já famoso imposto sobre a demência. A longo prazo tanto britânicos como americanos poderão pagar caras as suas opções oportunistas. Começa a ser óbvio que as vantagens dos ingleses serão escassas pois a indústria europeia não aceitará uma situação de concorrência desleal, com os ingleses a obter proveitos em simultâneo no mercado comum e na negociação internacional sem partilha de proveitos com a Europa.

A desvalorização da importância das normas ambientais poderá ter consequências trágicas num país que em setores como o das energias renováveis já revela um grande atraso. Mais tarde ou mais cedo os americanos vão soçobrar á nova realidade e não tardará a que além de direitos aplicáveis para compensar o dumping sejam também adotadas normas para combater as vantagens desleais resultantes do dumping ambiental.

Mas se a questão vai ter de ser abordada nas negociações comerciais, penalizando os que são mais competitivos por não terem de suportar custos ambientais, também vai ter consequências no plano do desenvolvimento. O mundo está iniciando uma nova revolução industrial, estimulada pela necessidade de desenvolver tecnologias compatíveis com a defesa do ambiente. A mesma América que ganhou a batalha da mecanização da agricultura e do fabrico em série do taylorismo, vai perder a revolução industrial das tecnologias ambientais, da mesma forma que perdeu a revolução industrial no setor automóvel. O mesmo Trump que se queixa das importações americanas de carros alemães está a conduzir a indústria americana para o atraso tecnológico, e dentro de poucas décadas teremos várias cidades de Detroit.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Joaquim Judas, relojoeiro de Almada

Faz sentido que as instituições adoptem estratégias que promovam a auto-estima dos seus trabalhadores. Mas quando estão em causa funcionários públicos pode-se questionar porque motivo nem todos beneficiam das mesmas medidas simpática. Como se explica que um funcionário com 25 anos receba como prenda um relógio de luxo se trabalhar em Almada, enquanto o de Sesimbra se reforma ao fim de quarenta anos e nunca foi premiado.

Poder-se-á dizer que ´+e uma medida de gestão, que nas empresas privadas tais benesses também existem, e vindo o exemplo de alguém do PCP até era lovável esta abordagem moderna ou modernaça da gestão da coisa pública. Acontece que no Estado já existem regras de avaliação, de promoção e de prémio, pelo que a criatividade do autarca feita com dinheiro alheio é um abuso.

Ainda por cima, nada explica que em outros anos eleitorais a autarquia tenha evitado esta benesse e este anos optou por desrespeitar as eleições. Será que a CDU está em dificuldades no seu bastião de Almada?

Já agora, mais uma perguntinha, porque motivo os relógios são comprados por ajuste direto?

«A Câmara Municipal de Almada adquiriu a 24 de maio 43 relógios de pulso por 34,8 mil euros para oferecer aos trabalhadores que atingiram 25 anos de casa. Trata-se de um ajuste direto feito à Ouriversaria Coimbra para a compra de 19 “relógios de homem” que custaram 880 euros por unidade e 24 “relógios de senhora” que ficaram pors 756 euros. A autarquia — liderada pela CDU — tem a tradição de oferecer relógios de ouro aos funcionários que atingem este tempo antiguidade, mas nos últimos anos nunca o tinha feito em ano de eleições. Desde 2011, a câmara de Almada já gastou mais de 152,6 mil euros nestes artigos de luxo.

Já durante o atual mandato, Joaquim Judas tinha gasto 78 464,16 euros para adquirir 98 relógios de pulso para trabalhadores da autarquia (55 para homem, 43 para mulher), em valores que também rondaram, em média, os 800 euros por unidade. Em junho de 2011, os gastos com relógios ficaram-se pelos 39.256 euros. Os três ajustes diretos foram feitos à mesma entidade, a Ouriversaria Coimbra, embora em 2011 e 2014 tenham sido convidadas outras duas lojas especializadas.» [Observador]

      
 Rapariga inteligente
   
«A líder do Bloco de Esquerda não tem ilusões relativamente à perda de influência do seu partido caso o PS venha a conquistar uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas. “A política é uma questão de escolhas e há escolhas diferentes. Um partido que tem maioria absoluta, se aprova orçamentos sozinho, qual é o papel dos outros partidos? Nós não servimos para jarras”.

Ao mesmo tempo, Catarina Martins procura relativizar a questão colocada pela jornalista Maria Flor Pedroso, frisando que esse cenário não se apresenta sequer como provável neste momento: “Não há nada que o indique (que o PS vá ter maioria absoluta). Eu julgo que as maiorias absolutas não têm feito bem nenhum ao país. Nem isso é algo que está neste momento em cima da mesa para ninguém”.» [Expresso]
   
Parecer:

Se calhar queria mandar ...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 As mentes patriotas russas ajudaram o idiota do Trump
   
«O Presidente russo Vladimir Putin reafirmou nesta quinta-feira que o Kremlin não está envolvido no ataque aos servidores do Partido Democrata, de Hillary Clinton, mas já admite que por detrás desses ataques informáticos possam estar "mentes patriotas" russas. O inuito desses hackers, segundo crêem os serviços de informação dos EUA, seria o de influenciar a campanha presidencial e ajudar a garantir a vitória do candidato Donald Trump (Partido Republicano, consverador), que acabou mesmo por ganhar 

Putin abordou o caso – e as muitas suspeitas que recaem sobre o Kremlin, pelo menos na praça pública – numa conferência por si convocada, com jornalistas internacionais, em São Petersburgo, na Rússia. Até agora, Putin negou sempre qualquer ligação da Rússia ao ciberataque que afectou os servidores do Partido Democrata. Ainda que reafirme a inocência do Kremlin, já admite agora que tudo tenha partido da Rússia.

Para Putin, piratas informáticos são como “artistas” que actuam segundo os sentimentos com que acordam. “Se tiverem uma mente patriota começam a contribuir – de forma correcta, segundo o ponto de vista deles – na luta contra aqueles que falam mal da Rússia”, acrescentou. » [Público]
   
Parecer:

Que grande novidade...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «D~e-se a merecida gargalhada.»

quinta-feira, junho 01, 2017

Covfefe

Passos Coelho covfefeu-se de que a esquerda nunca se uniria e enganou-se, covfefeu-se de que a solução não funcionaria e enganou-se, covfefeu que  diabo viria em Setembro e o mafarrico decidiu vir só em Maio, mas em vez de chatear o Costa optou por covfefer o PSD. Passos Coelho errou em todas as previsões e agora está covfefido de um todo. 

Aliás, não é só o Passos que está covfefido, a pobre da Maria Luís não foi para Bruxelas porque era boa demais para dossiers menores e agora anda a covfefear o traseiro nos bancos duros do parlamento e nem sabe onde há-de empregar o seu marido, que sem ter jornalistas para ameaçar já nem sabe o que fazer, deverá andar todo covfefido.

A esperança era que os desempregados se covfefessem mas estão arranjando emprego, que a economia não covfefesse mas covfefe com que há muito não eram vistas, que os juros da dívida covfefissem mas em vez disso estão a covfefar, que os investidores fugissem da esquerda como o diabo da crus mas, grandes traidores, estão a cocfefear em Portugal.

Pobre Passos, já não sabe o que dizer para que os militantes do PSD continuem a covfefear nele, já não consegue covfefear duas para a caixa. Agora resta-lhe agarrar-se aos colégios privados dizendo que os governo os está a covfefer ou a defender uma reforma da segurança social, que todos sabemos que consiste em cvfefer o pessoal grisalho.

O Passos andada covfefido de um todo!

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Ana Gomes, deputada rica

Quem é eurodeputada Ana Gomes para avaliar o secretário-geral do Sistema de Informações da República?

Não é deputada da AR, mas sim do Parlamento Europeu onde se tem um simpático conforto financeiro. Não tem responsabilidades políticas nacionais ou europeias no domínio da segurança e tanto quanto se sabe nem no MRPP, nem no PS nem em qualquer outro lado recebeu formação neste domínio.

Mas a deputada vai mais longe, não chumba por uma questão de competência, prefere o argumento velhaco do "perfil psicológico", um argumento com base no qual qualquer iletrado chumba quem quer que seja, independentemente no cargo. Resta perguntar à deputada onde andou a estudar psicologia? Se estudou fez muito bem e aqui fica uma sugestão, que faça uma introspeção.

«A indigitação pelo primeiro-ministro de José Júlio Pereira Gomes para novo secretário-geral do Sistema de Informações da República (SG-SIRP) apanhou a eurodeputada do PS Ana Gomes de surpresa - e deixou-a escandalizada.

Os dois são diplomatas de carreira e, enquanto tal, trabalharam com grande proximidade em 1999, "unidos" pelo referendo que deu a Timor-Leste a independência: Ana Gomes como embaixadora de Portugal em Jacarta; Pereira Gomes no próprio território, como chefe de uma missão portuguesa de observação. Ana Gomes não esqueceu o que se passou. E não perdoa. Ainda para mais porque foi ela quem sugeriu ao então ministro dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama, o nome de Pereira Gomes para chefiar aquela missão, dada a experiência que este tinha com militares (foi secretário de Estado da Defesa do ministro António Vitorino).

A eurodeputada assume ao DN, perante a notícia da indigitação de Pereira Gomes para chefe máximo das "secretas", que ficou "muito surpreendida e apreensiva". Isto porque, "não estando em causa o percurso profissional, falta a Pereira Gomes o perfil psicológico". Acrescenta: "Tenho dúvidas de que o embaixador Pereira Gomes tenha capacidade para aguentar situações de grande pressão. Não inspira confiança e autoridade junto dos seus subordinados nos serviços de informações." Ana Gomes diz já ter informado "quem de direito" do porquê da sua "apreensão". Em causa estão factos que em 1999 foram notícia em Portugal, enviados de Timor-Leste por jornalistas portugueses que aí ficaram depois de iniciada a onda de violência com que os anti-independência responderam à vitória do "sim" à independência na consulta popular de 30 de agosto.» [DN]

 Captain SKA - Liar Liar GE2017



      
 O que quer dizer "covfefe"?
   
«Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, tem mais de 31 milhões de seguidores na sua conta na rede social Twitter e foram todos estes, e o resto do mundo, que ficaram sem perceber o que este quis dizer num dos seus últimos tweets.

Na madrugada desta quarta-feira, Donald Trump escreveu então: "Despite the constant negative press covfefe". E é esta última palavra que deixou meio mundo desorientado, sendo o tweet já motivo de gozo nas redes sociais, mesmo por parte de figuras públicas.» [DN]
   
Parecer:

Este Trump está mesmo apanhado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Interne-se o homem quanto antes.»
  
 A Paula voltou
   
«"O PSD tem sobre essa matéria uma posição claríssima: é a favor da delação premiada inequivocamente, mas naturalmente acompanhada da necessária investigação", afirmou Paula Teixeira da Cruz, deputada e ex-ministra da Justiça, em declarações aos jornalistas à margem das jornadas parlamentares do PSD, que hoje terminam em Albufeira (Faro).

"Todos compreenderão que, se uma acusação se bastasse com uma delação premiada, o que ia acontecer era que um cúmplice ou um coautor diria que foi A, B ou C para fugir à pena ou para a diminuir", afirmou, escusando-se a avançar se o PSD irá avançar com alguma iniciativa legislativa nessa matéria.

"Somos tão a favor da delação premiada como somos do enriquecimento ilícito", frisou, referindo-se a uma área em que várias vezes o PSD tentou legislar, mas ‘esbarrou' na inconstitucionalidade do diploma.» [Expresso]
   
Parecer:

Ó Ilda mete os putos na barraca porque vai haver pedrada....
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à senhora porque motivo não alterou o Código Penal enquanto foi ministra e teve uma maioria absoluta.»

quarta-feira, maio 31, 2017

A lição

O último ano e meio merece uma reflexão profunda, quer no plano político quer no da política económica. Pela primeira vez um governo formado e apoiado exclusivamente à esquerda adota uma política de austeridade conseguindo reduzir o défice a níveis históricos, conseguindo níveis surpreendentes de criação de emprego e de crescimento. Foi um ano e meio em que se derrubaram tabus e preconceitos e com sérios motivos para reavaliar algumas certezas no domínio da política económica.

É possível o Estado ser gerido com rigor e austeridade com diálogo e consenso, é possível conciliar austeridade com equidade, é possível adotar uma política de reequilíbrio das contas públicas sem comprometer o crescimento económico. Comparando o que este governo fez em ano e meio com o que se viu anteriormente é evidente que estamos perante uma política económica conduzida com competência, por oposição a uma política económica velhaca que em vez do progresso coletivo estava orientada para que uns enriquecessem à custa de outros.

Ainda há poucos meses Passos dizia que os investidores só confiavam na direita, um tabu defendido por uma direita imbecil, convencida de que os investidores só apostam em Portugal quando personagens como Cavaco, Passos, Marques Mendes, Durão Barroso e outras estão no governo. Um segundo tabu que foi derrubado é o de que a direita é mais competente e rigorosa do que a direita. 

Quando Passos ganhou a eleições o seu “progenitor” Miguel Relvas chegou a declarar que com a direita portuguesa no governo as agências de rating não tardariam a tirar a dívida portuguesa do “lixo”. Foi o que se viu, é com um governo de esquerda que a Comissão Europeia, de uma Europa maioritariamente governada pela direita, retirou Portugal do procedimento dos défices excessivos e apela às agências de rating para uma revisão urgente da notação atribuída à dívida portuguesa. O economista tantas vezes gozado pela direita portuguesa é hoje reconhecido como um candidato à presidência do Eurogrupo.

A economia cresceu, o país está confiante, os investidores internacionais voltam a olhar para o país, as exportações cresceram apesar das dificuldades em mercados como o de Angola, Venezuela e Brasil. Tanto a direita como a esquerda terão muito para aprender, terão muitos preconceitos e tabus para abandonar. A direita e os seus economistas terão de perceber que em economia não há verdades absolutas e que as suas escolas não são melhores do que as dos outros. A esquerda tem de aprender que os trabalhadores têm muito m ais a ganhar com crescimento económico e uma gestão rigorosa e competente do estado, do que com défices descontrolados e gloriosas lutas laborais.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho

O povo ensina que quando não se sabe o que fazer fazem-se colheres de pau, mas Passos Coelho não é especialmente ditado e em vez de fazer colheres de pau, algoi que andou a fazer durante mais de um ano, decidiu armar-se no grande opositor, a sua nova pantomina, depois de o pantomineiro se ter espetado com o espetáculo do exilado.

Mas cada cavadela uma minhoca, sem ideias e sem saber como combater um governo com sucesso, Passos volta aos seus truques de discoteca e tira do bolso a estratégia do populismo, quer diminuir o número de deputados, proposta que fica bem a qualquer político sem escrúpulos e sem ideias novas. Como ele tem um grupo parlamentar que se recusa a fazer oposição, a naõ ser para tentar derrubar Mário Centeno, optando por uma presença parlamentar caracterizada pela gargalhada, esta proposta deve servir para proporcionar uns momentos de riso aos seus deputados.

Compreende-se, o líder de um partido cujo grupo parlamentar não serviu para o manter no poder e que vai para as reuniões só para rir só pode propor a redução de deputados.

«O PSD vai retomar nas jornadas parlamentares que arrancam esta terça-feira as suas propostas para a reforma do sistema político, que passam pela redução de deputados, consagração do voto preferencial e facilitação do voto em mobilidade.» [Público]

      
 Só um caminho na gestão da dívida
   
«O recente documento elaborado por vários apoiantes do Governo sobre a “sustentabilidade das dívidas externa e pública” não surpreende na medida em que corresponde ao habitual pragmatismo dos proponentes de soluções extremas quando passam a representar o poder. Dos discursos inflamados sobre a necessidade de dar lições aos especuladores ou sobre imposição (?) de haircuts aos credores privados passou-se a uma proposta bem mais contida onde a reestruturação, muito mais suave e não unilateral, se faz junto dos credores que já estiveram disponíveis para reestruturar a dívida no tempo do ministro Vítor Gaspar: os nossos parceiros europeus. É, ainda que expectável nas actuais circunstâncias, um progresso importante no sentido da razoabilidade e da possibilidade.

A questão de fundo, que preocupou os autores da proposta e que é, na verdade, uma questão essencial, é a do alívio do peso que a enorme dívida pública que acumulámos terá sobre o futuro das contas públicas e a economia em geral. Nesse sentido, a discussão tem-se centrado em aspectos laterais, ainda que, mais uma vez, pragmáticos, de alívio da pressão do serviço da dívida no curto prazo. É aqui que a discussão se tem centrado, mas este é, na minha perspectiva, um ângulo subsidiário do problema mais vasto e estrutural, que é o da sustentabilidade a prazo das contas públicas. Em última análise, é a percepção dos credores não oficiais sobre este tema que determinará a evolução das yields que exigirão para investir na dívida pública portuguesa e, consequentemente, o correspondente peso em cada orçamento de Estado. Note-se, porém, que cada sinal é importante: se se usar uma hipotética reestruturação para um alívio não sustentado no curto prazo que acomode mais despesa, estar-se-á, inevitavelmente a afectar o custo futuro da dívida para a República agravando o problema estrutural em vez de o aliviar ou resolver.

Será, neste contexto, finalmente consensual, que todo o esforço deverá ser colocado na redução dos juros que o mercado exige para investir na dívida pública nacional. Os últimos desenvolvimentos parecem favoráveis: bons dados quanto à dinâmica do produto e sinais positivos da Comissão Europeia quanto ao caminho das finanças públicas. Porém, muito mais importante, nos próximos tempos, será convencer as agências de rating - cujas notações são essenciais para a percepção de risco por parte dos investidores institucionais e, consequentemente, para o rendimento esperado que exigem - de que o risco inerente à detenção de títulos de dívida portuguesa diminuiu de forma “permanente”, melhorando a respectiva notação de risco.

Até agora tal não aconteceu e, pior ainda, os investidores internacionais têm vindo a diminuir o seu stock dívida pública portuguesa. Neste contexto, é crucial voltar a atrair um maior interesse dos investidores internacionais criando a percepção de potencial valorização (correspondendo a menores juros pagos pelo devedor). Este resultado implica que se generalize no mercado a expectativa de que a dívida pública Portuguesa apresenta uma dinâmica positiva. Quanto mais rapidamente se alcançar este consenso na comunidade de investidores, melhor, pelo que será altamente contraproducente que se tomem medidas que aqueles percepcionem como mera criação de condições para gastar mais hoje em detrimento da redução da dívida líquida hoje e no futuro.

Convém, finalmente, referir que uma melhor notação, estando em causa a passagem de notação especulativa para notação de investimento, aumentará por si só a procura pelos títulos portugueses, na medida em que alarga o universo de potenciais investidores. É por isso que todos os sinais que se derem daqui para a frente são tão importantes. A continuada redução do programa de compra de títulos portugueses pelo BCE e a perspectiva de uma melhoria de notação - que implica um caminho que supere, para melhor, as actuais expectativas das agências de rating, convém não esquecer - têm de condicionar também as opções que Portugal tome no curto prazo se queremos reduzir o peso dos juros: os investidores não são burros e percebem quando o fito é gastar mais mesmo que se diga o contrário e só nos concederão um alívio (por redução da rendibilidade exigida) se se convencerem de que estamos mesmo num caminho de sustentabilidade e progressiva redução do peso da dívida. Uma economia como a nossa, não beneficiará de nenhum alívio sustentado nos juros se não for claro que o peso da dívida no PIB vai, efectivamente, reduzir-se a cada ano. Aqui o esforço terá de ser prolongado e consistente, assegurando que Portugal seja visto como um relapso ocasional e não como um relapso recorrente, por via da criação continuada dos superavits primários adequados à redução permanente do peso da dívida. Os bons ventos de hoje não existirão para sempre e, parafraseando o primeiro-ministro, Portugal não pode voltar a falhar. » [Público]
   
Autor:

António Nogueira Leite.

      
 Até tu Moscovici
   
«O comissário europeu dos Assuntos Económicos considerou esta terça-feira que o desempenho económico de Portugal, que já resultou na saída do Procedimento por Défice Excessivo (PDE), merece também uma avaliação mais positiva por parte das agências de notação financeira.

“Quando o desempenho macroeconómico melhora, e é esse o caso, e quando as finanças públicas estão mais em ordem, mesmo que subsistam problemas de dívida que não podem ser subestimados, então não será ilógico que aqueles que avaliam a economia portuguesa se deem conta de que os riscos não podem ser olhados hoje com os óculos de ontem, e que há boas razões de confiar mais em Portugal hoje, o que não era o caso no passado”, declarou Pierre Moscovici, perante a comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

Ressalvando que “não cabe à Comissão Europeia falar diretamente com as agências de notação”, Moscovici, que respondia a uma questão do eurodeputado socialista Pedro Silva Pereira, sobre se Portugal poderia esperar uma subida do ‘rating’ após ter saído do PDE, disse que aproveitava a questão para passar a sua mensagem de que “o que se passa em Portugal merece ser olhado de forma positiva e os desenvolvimentos devem reforçar a confiança em Portugal”.» [Observador]
   
Parecer:

Quem não deverá gostar destas declarações é a iletrada Maria Luís, ainda recentemente concordou com a manutenção do rating em lixo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento à iletrada.»
  
 Mais um azar para Passos Coelho
   
«A taxa de desemprego no mês de março atingiu o valor mais baixo dos últimos oito anos. O Presidente da República refere que os números confirmam o bom momento da economia portuguesa. Marcelo Rebelo de Sousa admite até que a descida da taxa de desemprego superou as expetativas. » [SIC]
   
Parecer:
O líder do PSD está mesmo com azar, tudo corre bem ao país, tudo lhe corre mal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 A brexita deu um tiro no pé
   
«A campanha para as legislativas britânicas de 8 de Junho não está a ser o passeio triunfal que Theresa May previa quando decidiu antecipar as eleições em busca da grande maioria que as sondagens antecipavam. Com a vantagem para os trabalhistas a emagrecer, a líder conservadora lançou na terça-feira um duríssimo ataque contra Jeremy Corbyn, acusando o rival de não estar minimamente preparado para negociar a saída do Reino Unido da União Europeia, a questão “fundamental e determinante” que o país enfrenta.

Desde Abril, quando surpreendeu todos com a decisão de avançar para eleições, que a primeira-ministra britânica e a sua equipa – entre eles o australiano Lynton Crosby, guru da estratégia eleitoral – tentam concentrar a campanha nos dois temas que lhe são mais favoráveis: o “Brexit” (que May promete concretizar sem reservas) e as dúvidas que pairam sobre as capacidades de liderança de Corbyn, deputado da ala socialista do Labour catapultado por um movimento de bases para a liderança do maior partido da oposição.» [Público]
   
Parecer:

Pobre senhora.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelas eleições.»

terça-feira, maio 30, 2017

Passos Coelho, o reformador (da treta)

Quando não sabe o que dizer e quer armar-se em líder da oposição, Passos Coelho recorre à lenga, lenga das reformas, passando a imagem de um político reformador contra a de uma geringonça e de um PS incapaz de promover. A imagem não poderia ser mais falsa e recorro a um artigo no Público para analisar o “ímpeto reformador” de Passos Coelho:

Dívida

A única proposta referida é a de pagar antecipadamente ao FMI algo de que este governo está tratando, ainda que com uma pequena diferença em relação ao passado. Quando antecipou esse pagamento o PSD enganou os mais descuidados dizendo que já estava pagando a dívida. O discurso deste governo é o de substituição da dívida evitando os juros elevados praticados pelo FMI.

Segurança Social

O anterior governo promoveu um corte linear das pensões a que chamou de reforma e teve de ser o Tribunal Constitucional a explicar a Passos Coelho que um corte de pensões não era uma reforma. Uma reforma da Segurança Social, a única de que há memória, foi a que foi feita no governo que antecedeu o de Passos Coelho.

Educação

A grande proposta de Passos é financiar o ensino privado com dinheiros públicos, algo que fez em agradecimento ao apoio que lhe foi dado na campanha eleitoral de 2011 pela associação dos colégios privados. Ao mesmo tempo que financiava turmas do setor privado com menos de 20 alunos obrigava as da escola pública a abarrotar as salas. A reforma de Passos era financiar a escola privada à custa da qualidade da pública. Quanto a universidades, investigação e requalificação profissional Passos nada reforma.

Recorde-se que antes de Passos houve um governo que avaliou profissionais, que modernizou instalações, que introduziu o ensino do inglês no ensino básico, que apostou na requalificação profissional, que investiu na universidade e na investigação.

Estado

Passos quase nada fez na reorganização do Estado, ao contrário do que prometeu deixou os institutos como estavam e não mexeu nas fundações, falando agora na centralização da gestão dos recursos privados. É bom recordar a Passos que o governo que o antecedeu reformou o sistema de avaliação dos funcionários, adotou medidas de reestruturação da gestão dos recursos humanos, centralizou as compras, para não referir as muitas medidas adotadas no âmbito do SIMPLEX.

Concorrência nos serviços

Passos parece defender reguladores fortes para assegurar a concorrência entre serviços. Viu-se o que os reguladores fortes fizeram na concorrência entre bancos ou nos preços da EDP, onde o amigo Catroga abichou um tacho e onde chegou a meter o marido ameaçador da Maria Luís Albuquerque. Quanto a reguladores estamos conversados.

Políticas de combate às desigualdades

Este item das reformas de Passos Coelho apenas serve para confirmar que ele está a gozar com os portugueses.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Rui Moreira

É cada evz mais evidente que o negócio imobiliário da Selminho é tudo menos claro, razão para que a imagem de Rui Moreira se esteja a degradar. Mas o autarca limitou-se a processar o jornal Público, talvez por considerar que a mera abertura de um processo judicial funciona como água benta para a usa imagem.

Rui Moreira parece estar enganado e o Público volta ao tema, cercado cada vez mais o populista de direita que dirige a CM do Porto. Ainda por cima Rui Moreira está com azar, se o jornal fosse de Lisboa poderia dizer que alguns interesses estranhos teriam levado os jornalistas a um bordel, ou que há uma conspiração de mouros, mas o Público pertence à SONAE, um dos símbolos empresariais da cidade do Porto.

«O acordo firmado em 2014 entre a Câmara do Porto e a Selminho, imobiliária da família de Rui Moreira, teve por base um compromisso camarário de rever duas normas do Plano Director Municipal (PDM), alegadamente assumido pelo município em 2012, no mandato de Rui Rio, mas que nunca existiu. Este facto reforça as teses dos que afirmam ter havido, após a posse do presidente da câmara, uma alteração favorável à Selminho na posição do município sobre o litígio que mantinha com aquela empresa. Mas há quem aponte em sentido diverso.

Com uma origem semelhante a muitos outros que se arrastam nas câmaras e nos tribunais, o conflito que opõe, desde 2005, aquela imobiliária ao município do Porto prende-se com divergências sobre o que pode ou não ser construído num terreno da primeira. Em causa estão interpretações distintas do PDM. Neste caso, o diferendo nasceu do facto de a Selminho considerar que tem direito a construir o que era permitido quando comprou o terreno, em Julho de 2001. A autarquia, por seu lado, sempre entendeu que à data em que a empresa formalizou a intenção de construir, Novembro de 2005, o local já estava vedado à construção.

Adquirida por 30 mil contos (cerca de 150 mil euros) a um casal que lá residia há dezenas de anos e a registara por usucapião um mês antes, a propriedade, com 2260 m2, situa-se num terreno fortemente inclinado, sobranceiro ao Douro, mesmo ao lado da ponte da Arrábida e junto à Via Panorâmica Edgar Cardoso. Por baixo, em plena escarpa, encontra-se o condomínio Douro Foz, um empreendimento habitacional erguido em socalcos pela empresa Contacto [então pertencente ao grupo Sonae, proprietário do PUBLICO] numa altura em que PDM de 1993 não proibia a construção nas escarpas do Douro.» [Público]

segunda-feira, maio 29, 2017

Tadinho do Marques Mendes

Se recuarmos uns anos, não muitos, veremos a comunicação social da direita elogiando Vítor Gaspar porque tinha escrito um artigo para publicar no site do ministério das Finanças alemão. O ministro achou que devia premiar o seu pau mandado em Portugal e escolheu essa forma. Mais tarde, Wolfgang Schäuble achou que Maria Luís Albuquerque merecia idêntica distinção e montou uma encenação a que chamou seminário, juntou uns quantos funcionários do seu ministério e a Maria Luís lá falou para as máquinas fotográficas.

Gaspar que até era doutorado, herdeiro das virtudes da avó Prazeres, mulher com a sabedoria ruralista da Serra da Estrela, era o novo Salazarzinho das nossas finanças públicas, dele se dizia ter um grande futuro e até já havia quem garantisse que o papel de Passos Coelho era transitório. Mas as coisas correram mal, num momento de lucidez Gaspar percebeu que tinha falhado e fugiu.

Maria Luís Albuquerque era a mulher cheia de virtudes próprias de quem era filha do cabo da guarda de Cabora Bassa, falando com voz grossa passava a mensagem da grande economista. Passos, um grande admirador desta licenciada na Lusíada com alguns conhecimentos de swaps e outros produtos financeiros, chegou a vê-la com uma grande pasta na Comissão Europeia. Passos até mandou o Moedas para Bruxelas porque achou que um mero cargo de comissária europeia era pouca coisa para tão grande sumidade.

Agora temos o pobre Mário Centeno, foi gozado pelos cenários macroeconómicos, desde então que a direita adotou como estratégia a ridicularização do ministro das Finanças, na primeira vez que foi ao parlamento a notícia foi a de que Passos riu até às lágrimas. Durante um ano todas as medidas económicas do governo foram chumbadas por Passos, com a preciosa ajuda da Dra. Teodora.

Desde o salazarismo que a direita está convencida da sua superioridade técnica em matéria de economia, os seus economistas até olham de soslaio para todo o economista que seja de esquerda, consideram-nos gente mal habilitada e nem reconhecem qualquer valor às escolas onde andaram. E se frequentaram  Harvard, como sucede com Centeno, lá descobrem que a sua especialidade era um qualquer tema menos importante.

Ver um político como marques Mendes, que é um caso raro de equilíbrio entre dimensão física e dimensão intelectual, desvalorizar Centeno e insinuar que o ministro das Finanças se está a oferecer para presidente dói Eurogrupo só pode merecer uma gargalhada.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Álvaro Amaro, um político muito corajoso

Este agitado autarca do PSD, que se destacou nos últimos meses por chamar a si a denúncia de favores governamentais com objetivos eleitorais, disse agora que ainda não há lei quadro, Até aui tudo bem, mas como Álvaro Amaro diz que é preciso ser muito corajoso para fazer esta denúncia, ficamos seriamente preocupados com a sua segurança. Talvez esse perigo seja a razão para nunca o ter dito no passado, quando o seu partido estava no poder.

«A Lei-Quadro da Descentralização "não existe, nem existirá com os decretos. Por isso eu exorto os meus colegas nos órgãos, exorto o meu partido, para que comunicando todos nós bem, possamos dizer alto e bom som, que esta é uma reforma que o país precisa - os números atestam isto -, é uma bandeira muito importante do partido, mas não podemos deixarmo-nos ir em cantos de sereia", alertou Álvaro Amaro, na Maia, durante a sua intervenção na Convenção Autárquicas Nacional.

Álvaro Amaro considera que o Governo não vai fazer esta reforma e avisou que até já leu que a reforma é para depois das eleições.

"Então se é para depois das eleições, minhas amigas e meus amigos, sejamos nós capazes de dizer que estamos naturalmente disponíveis para isto, mas exigimos a seriedade para tratar um assunto que é tão sério, que tem que ver com as crianças, com os mais vulneráveis, com o desenvolvimento dos concelhos, por um poder que é maior e responsável que é dado aos municípios, mas também às freguesias", defendeu.» [Notícias ao Minuto]

 "Amazing", escreveu o gringo labrego


      
 Movimento libertador ou movimento de gatunos
   
«Respondendo a perguntas da audiência durante um debate na conferência Horasis Global Meeting, que decorre até terça-feira em Cascais, perto de Lisboa, Rogério Zandamela acrescentou que "parte dessa dívida é da dívida não divulgada, que é um montante enorme".

O banqueiro central mostrou-se, no entanto, confiante na capacidade do país em ultrapassar a crise económica, orçamental e financeira em que está mergulhado, mas não escondeu que há muitos desafios pela frente.

"Somos um dos países mais abençoados do mundo [em termos de recursos naturais], mas precisamos de um modelo de desenvolvimento que melhore a vida das pessoas e também os indicadores económicos", argumentou o governador, considerando que as altas taxas de crescimento, na ordem dos 8% anuais, distorcem a realidade do país.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Ainda há quem leve a FRELIMO a sério? Estamos perante gente que pede dinheiro emprestado as escondidas e para ficarem com milhares de milhões de empréstimos internacionais.O mais engraçado é que o pau mandado do governador do banco central discursa como se nada disto sucedesse e o aumento da dívida tivesse resultado de grandes investimentos públicos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Denuncie-se a corrupção criminosa.»
  
 Agora prometem-se medalhas
   
«Marcelo Rebelo de Sousa, num jantar de gala da LPN, numa das dependências do Museu da Água da EPAL afirmou que a organização nascida no mesmo ano que o Chefe de Estado (1948) "está viva, atual e continua virada para o futuro".

O Presidente da República garantiu igualmente "uma digressão noturna, porventura, pela parte subterrânea do museu" para breve, antes de assegurar que via "galardoar com outra ordem" aquela organização de defesa do ambiente pela sua "natureza formativa e caráter educativo essencial", junto da "opinião pública, jovens e setores influentes".

"Algumas campanhas pedagógicas que percorreram, apaixonaram e entusiasmaram o país, foram um sucesso, foram adotadas por todos os portugueses", recordou Marcelo Rebelo de Sousa, exemplificando com o caso da proteção do lince ibérico, numa "visão humanista democrática", além do património ajudado a erguer pela LPN, designadamente os vários parques naturais de Portugal, "fruto de um conjunto de lutas da LPN e seus militantes".» [Notícias ao minuto]
   
Parecer:

É a primeira vez que um presidente além de distribuir medalhas, também distribuir promessas de entregas de medalhas, tem a sua graça, mas também tem o seu quê de ridículo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

domingo, maio 28, 2017

Semanada

Passos Coelho não foi tão desastrado quanto pareceu quando se armou em profeta do diabo, anunciando a sua visita ao país em setembro do ano passado. O diabo trocou-lhe as voltas e decidiu aparecer uns meses mais tarde, talvez influenciado pela visita papal. O problema é que o profeta não se enganou apenas no mês, mas também no destinatário de tão ilustre visita, em vez de vir trocar as voltas a António Costa, o mafarrico veio infernizar a vida de Passos Coelho, que já não sabe o que dizer aos portugueses para os convencer de que sem ele o país não tem salvação.

Enquanto Passos Coelho encarregou Aguiar- Branco de arranjar forma de ler os as mensagens de SMS de Mário Centeno, na esperança de se livrar dele, o seu amigo alemão terá dito que Mário Centeno é o Ronaldo do Ecofin. Quando se falou da hipótese de Centeno presidir ao Eurogrupo Passos tentou gozar, sugerindo que tinha sido uma notícia plantada nos jornais pelo governo. Agora engole mais esta humilhação.

Parece que Marcelo encontrou uma nova competência presidencial, divulgar as previsões económicas, pelo menos enquanto são boas notícias já que quando forem más ninguém vai ver Marcelo antecipá-las. E se agora tenta dizer que o sucesso da política económica é obra da Senhora de Fátima, recusando o mérito aos seus responsáveis, veremos se quando as coisas correrem mal o Presidente será tão generoso a distribuir o mérito pelas aldeias.

Marcelo respondeu com ironia à alcunha posta pelo ministro das Finanças alemão a Mário Centeno,. Pelos vistos já se esqueceu de quando achou que uma das funções presidenciais era ler as mensagens de SMS dos ministrios e sabe Deus de quem mais.

Umas no cravo e outras na ferrradura



 Jumento do Dia

   
Carlos Carreiras, um coelhista sem grande classe

Passos Coelho parece que quer que o seu enterro seja celebrado no dia das eleições autárquicas, entre muitas asneiras que já cometeu desde que deu início à pantominice ridícula do profeta do diabo, uma das maiores foi escolher o autarca de Cascais para coordenar a campanha autárquica.

O homem revela poucas qualidades inteletuais e quando fala parece mais um taberneiro do que um dirigente político.

«O coordenador autárquico nacional do PSD, Carlos Carreiras, disse este sábado, na Maia, que este partido está a fazer para as próximas eleições um processo “sério” e que a prova disso é que não foi “escorraçado por ninguém”, ao contrário do que aconteceu com o PS no Porto.

Carlos Carreiras, que falava na Maia, distrito do Porto, onde decorre esta tarde a Convenção Autárquica Nacional do PSD, começou por referir que os sociais-democratas têm a seu favor nas próximas eleições o facto de nesta disputa “quem ganha, governa”, para depois dizer que o partido “não foi escorraçado por ninguém”. Não referiu, contudo, qualquer outro partido ou caso particular que esteja a marcar a pré-campanha, como o caso da rutura entre Rui Moreira e o PS no Porto.

“Temos algo a nosso favor que é nas eleições autárquicas quem ganha, governa. Isto podia parecer uma coisa estranha mas como já tivemos oportunidade de ver não é assim tão estranho ou pelo menos não foi tão estranho há um ano atrás. Quem tem mais votos de facto governa e governa”, disse coordenador autárquico nacional do PSD.» [Observador]