terça-feira, junho 27, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, oportunista

Nunca o oportunismo político foi tão longe, forçado pela máquina partidária ou por um mau instinto Passos Coelho tenta salvar a sua carreira política à custa das vítimas dos incêndios e como acha que morreram poucas pessoas ou porque receia que não possa atribuir estas mortes ao governo, inventa suicídios causados por falta de apoio governamental.

Passos é um cobarde que ficou em Lisboa, que muitas horas depois fez uma visita de circunstância à sede da Proteção Civil e agora, que os incêndios estão apagados, mandou o aparelho do seu partido fazer uma montagem para dar o seu espetáculo. Ansiosos por ajudar o grande líder os militantes locais decidiram inventar uns mortos por suicídio, não só inventaram os suicidas como encontraram a causa para essa opção, o abandono por parte do governo.

Um político responsável teria o bom senso de confirmar antes de comentar, mas a fome de votos não é boa conselheira e Passos optou pelo oportunismo puro. Mas um político responsável nunca iria anunciar mortes por suicídio que ninguém tinha noticiado, Passos não só achou que devia ser ele a dar a informação em primeira mão, julgando que estava a ser escondida, como revela uma grande irresponsabilidade pois num quadro destes a forma como anunciou os suicídios é um estímulo a outras pessoas com vulnerabilidades no foro psiquiátricos. Passos parece que quer mais mortos, talvez assim os portugueses o voltem a escolher para primeiro-ministro.

O mentiroso foi o provedor da Santa Casa de Pedrógão, mas o oportunista irresponsável foi Passos Coelho. Se o provedor optou por dar a informação a Passos ignorando os serviços oficiais é um problema dele e do partido dele. Passos não deixou de ser o abutre oportunista que optou ser.

O aparecimento do provedor irresponsável não chega para limpar a imagem do seu chefe. É bom lembrar que este pobre senhor foi presidente da autarquia de Pedrogão Grande pelo PSD e é cabeça de lista pelo mesmo partido pelo PSD. Estar a usar o estatuto de provedor para fazer política suja não passa de um truque deste político sem escrúpulos, que usa o sofrimento dos seus concidadãos para conseguir votos de forma muito suja.

Note-se que mesmo depois de esclarecido de que não tinham ocorrido suicídios Passos insistiu na mentira de que haviam pessoas internadas na sequência de tentativas de suicídio. Passos é um mentiroso compulsivo.

«Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, visitou esta segunda-feira algumas das áreas afetadas pelo fogo de Pedrógão Grande, onde referiu, quando estava no quartel de bombeiros de Castanheira de Pêra, ter conhecimento de pessoas que se suicidaram por falta de apoio psicológico após a tragédia que vitimou 64 pessoas.

“Naquilo que é mais fundamental no Estado, que é garantir a segurança das pessoas, o Estado falhou e estão aqui as evidências. Depois, saber se foi inevitável ou se era evitável, se há culpa a atribuir pelo falhanço e responsabilidade, isso é outra conversa. Dez dias depois, ainda está a falhar”, começou por referir Pedro Passos Coelho. “Tenho conhecimento de vítimas indiretas deste processo, pessoas que puseram termo à vida, que em desespero se suicidaram e que não receberam o apoio psicológico que deviam. Devia haver um mecanismo para isso. Tem havido dificuldades. Ninguém me convence que não há responsabilidades. O Estado falhou e continua a falhar”, completou.

Ao que o Observador apurou, Passos Coelho terá abordado a existência de suicídios depois de, durante a manhã, ter ouvido relatos na zona de casos que chegaram a essa situação extrema, após o desespero provocado pelos incêndios e respetivas consequências. O presidente do PSD fez visitas a Avelar, a Vila Facaia e esteve em três instituições de Pedrógão Grande: a Câmara Municipal, a Santa Casa da Misericórdia e os Bombeiros Voluntários.» [Observador]

«Foi o provedor da Santa Casa da Misericórdia quem disse ao líder do PSD que teria havido suicídios em Pedrógão Grande. "Julguei que a informação era fidedigna e, afinal, não era", disse ao Expresso João Marques. "Felizmente não se confirma nenhum suicídio, ao contrário do que eu disse ao dr. Passos Coelho. Peço-lhe desculpas públicas por isso".

O que o provedor diz ao Expresso é que foi "induzido em erro". "E induzi em erro o dr. Passos Coelho. Houve efectivamente duas ou três tentativas de suicício e manifestações suicidárias de mais algumas pessoas, que dizem que têm essa intenção. Mas suicídios mesmo, isso é boato", acrescenta agora.

(...) Mas as certezas de Passos começaram a ser postas em causa mesmo enquanto ele falava com os jornalistas, na sede dos bombeiros do concelho. Quando os jornalistas pediram para que fosse mais específico quanto à informação dos suicídios, um deputado do PSD diz a Passos que a informação "não se confirma". E Passos vira-se para trás, perguntando: "Não se confirma?". A seguir, virado para os jornalistas, o líder social-democrata explicou que essa informação lhe tinha sido transmitida "por um familiar", pelo que não tinha duvidado dela.» [Público]

 Foi visto um abutre cor de laranja em Pedrogão Grande



 Luto em memória de Passos Coelho

Lamento informar, mas mal vi Pedro Passos Coelho anunciar que vários cidadãos de Pedrógão Grande se suicidaram ou tentaram suicidar-se devido ao abandono a que os votou o governo, não deixei de sentir solidariedade com o sofrimento e indignação do líder do PSD e decidi ir para o velório e funeral da mais recente vítima de Pedrógão.

O suicídio de Passos Coelho foi um verdadeiro ato de coragem, depois de ter proposto uma comissão técnica, para logo de seguida ceder à populaça do seu grupo parlamentar, exigindo um debate parlamentar para soltar nos abutres no hemiciclo, só restava o suicídio a Passos Coelho. Era certo que o homem ia suicidar-se, só não se sabia quando e onde.

Passos Coelho suicidou-se em direto, começou com uma tentativa falhada de suicídio no quartel dos bombeiros de Pedrógão, mas como falhou optou por completar o serviço em Odivelas. Chamou os jornalistas, para um direto à entrada para o local onde o desgraçado do Seara ia apresentar a sua candidatura a Odivelas, com a intenção de fazer um pedido de desculpas, pelo pecado do suicídio matinal na forma tentada. Mas fez a pior intervenção de toda a sua carreira política, chegando ao ridículo de dizer que se ocorrer um atentado bombista a culpa é sempre do governo.

O homem já desejou a vinda do diabo há precisamente um ano, agora achou que o diabo estava em Pedrógão para o ajudar, mas como ninguém se matou para o ajudar a sobreviver, chega ao ridículo de sugerir que o diabo ainda pode regressar sob a forma de bombista suicida.


      
 "Dijsselbloem Nights"
   
«Uma dezena de eurodeputados do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde, que inclui o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda, está a organizar dois dias de festa em Bruxelas intitulados "Dijsselbloem Nights - Combater os Estereótipos".

Uma referência ao presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças holandês, Jeroen Dijsselbloem, que numa entrevista ao jornal alemão 'Frankfurter Allgemeine Zeitung' disse que os países do sul da Europa gastam o dinheiro "em copos e mulheres".» [DN]
   
Parecer:

Boa ideia!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»


      
 Passos e o suicídio político
   
«Este texto é sobre o bom senso. O bom senso que faltou a Passos Coelho quando, esta manhã, depois de uma visita pelas áreas ardidas de Pedrógão Grande, decidiu falar em suicídios. Passos não se referiu a tentativas, mas sim a atos consumados. Deu certezas. Disse que tinha conhecimento de “pessoas que puseram termo à vida” porque “que não receberam o apoio psicológico que deviam.”

Confesso que não percebo o que passou pela cabeça do líder da oposição. Não faz qualquer sentido e revela irresponsabilidade. Primeiro, porque falou de algo que não existe: não houve nenhum suicídio. Mas, mais importante, mesmo que tivessem existido, Passos não podia, nem devia, de maneira nenhuma, usá-los para combate político.

Se há conclusão que já todos tirámos dos graves incêndios de Pedrógão é que o Estado falhou. Voltou a falhar. Os 64 mortos são a maior prova dessa perturbadora recorrência. Passos não precisava de procurar mais mortos nos suicídios para dar força à sua argumentação. O PSD que não quis, e bem, politizar esta tragédia acaba por fazê-lo da pior forma. Se os acontecimentos em Pedrógão e as respostas no terreno estavam a deixar António Costa desconfortável e com muitas explicações para dar, agora foi Passos a causar-nos esse desconforto.

Passos sabe bem o que é dor e tragédia. E mesmo tendo sido o Provedor local a induzi-lo em erro, o líder do PSD e ex-primeiro-ministro devia ser o primeiro a exigir contenção – já para não falar em confirmação. Um líder não se afirma assim. Um líder, por mais que a sua claque lhe exija sangue, deve ter cabeça fria e perceber quando o adversário não está em bons lençóis. Passos avaliou mal as consequências do filme de Pedrógão. Descentrou a discussão do que é essencial: os falhanços no terreno e as responsabilidades das autoridades.

Não se especula sobre suicídios. Muito menos depois daquela mortandade.

E sabem? Nós, jornalistas, também fomos alertados para a existência de suicídios. Mas, por regra, não os noticiamos. Muito menos quando não existem.» [Expresso]
   
Autor:

Bernardo Ferrão.
  

segunda-feira, junho 26, 2017

Proteger a estrada ou a floresta?

Durante anos sempre que se discutia a relação das estradas com as florestas o que estava em causa era proteger estas dos carros e dos condutores, quando se defendia uma zona de segurança, falava-se da limpeza do mato por causa do risco de os carros ou dos seus condutores provocarem incêndios. O receito não era que os incêndios queimassem os condutores, mas sim que os condutores queimassem as florestas.

Falava-se da necessidade de limpar o mato mas pouco de evitar a plantação de árvores junto das bermas das estradas, ninguém questionava se as boas sombras eram de carvalhos, pinheiros ou eucaliptos. Nunca ninguém questionou os abusos dos proprietários dos terrenos, que plantaram eucaliptos quase até ao alcatrão e em todo o país há milhares de quilómetros de troços em que as copas das árvores quase se unem por cima das estradas.

Nas autoestradas e itinerários principais cumpre-se a lei, mas nas estradas nacionais e municipais vale de tudo. Durante muitos anos as árvores na beira das estradas portuguesas foram uma boa receita da Junta Autónoma das Estradas, não admirando que nessas estradas ninguém respeite a lei. Há multas e autoridades para as aplicar, mas ninguém aplica a lei, é a corrida coletiva ao El Dorado do eucalipto como o foi do pinheiro ou de qualquer outra espécie florestal que dê dinheiro fácil, uma verdadeira febre do ouro nacional.

Agora o país percebeu da pior forma que as estradas não matam apenas com acidentes de automóvel ou que são perigosas apenas quando o seu mau desenho ou conservação povoam esses acidentes. O país viu que as estradas também podiam transformar-se em infernos e que em vez de serem os condutores a matar a floresta, ser a florestas a matar quem está na estrada.

Mas estabelecer uma zona de segurança dos dois lados das bermas de todas as estradas municipais ou nacionais significa cortar muitas dezenas de hectares de eucaliptos, sobreiros, pinheiros ou de outras árvores. Num país onde com frequência se mata por causa de um caminho, de um poço ou de uma oliveira, onde a posse da terra que é propriedade ancestral da família justifica a morte do vizinho, este é um problema quase sem solução. 

Os portugueses têm uma relação difícil com a propriedade fundiária, que é muito mais do que um bem económico, há uma relação psicológica que leva a que ninguém abdique de um metro quadrado de terrenos, impossibilitando qualquer reforma das florestas ou grandes progressos na agricultura. O emparcelamento é impossível e há centenas de milhares de hectares de floresta cujo cadastro está desatualizado há várias gerações. 

A nossa propriedade fundiária e a mentalidade de uma boa parte do nosso mundo rural é quase medieval e muitos dos que são vítimas dos incêndios, os proprietários de milhares de pequenas courelas, são também os grandes responsáveis por esses incêndios. 

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna

A ministra da Administração Interna espera por conclusões técnicas para tirar as ilações pessoais que deve tirar. A ministra está a incorrer num erro inaceitável ao fazer depender uma decisão pol´+itica pessoal de um relatório técnico. Esta posição da ministra não é mais um erro de comunicação como é inaceitável.

É inaceitável, antes de mais, porque a comissão de técnicos não vai avaliar o processo de decisão ministerial no dossier do combate aos incêndios, vai sim avaliar o que foi feito no terreno e nesse capítulo a ministra não conta. Constança Urbano de Sousa não é bombeia ou guarda da GNR pelo que não faz sentido que venha a tirar conclusões pessoais em função do que se passou naqueles incêndios.

As responsabilidades de Constança Urbano de Sousa são de natureza política e as perguntas a que tem de responder a si própria para tirar as suas ilações pessoais são outras. Estava em condições de minimizar os erros e falhanços no combate ao incêndio? Teve conhecimento de insuficiências no sistema de comunicações da Proteção Civil e fez o que estava ao seu alcance para as superar? Foi-lhe informado do risco de incêndios muito graves e fez o que lhe cabia nessas circunstâncias.

São estas as perguntas que a ministra deve fazer a si própria e em função da resposta tirará as ilações que deve tirar. Se não fosse assim nas próximas eleições os portugueses só votariam depois de uma comissão técnica independente avaliar o desempenho governamental ou, então, as propostas dos partidos teria de ser previamente avaliadas por técnicos.

Constança Urbano de Sousa não foi para técnica mas sim para ministra e isso significa que a avaliação do seu desempenho enquanto ministra  é de natureza política. Esconder-se atrás de uma comissão técnica é mais um erro que a ministra comete.

«Se a comissão independente atribuir responsabilidades à tutela, Constança Urbano de Sousa garante que tirará "as devidas ilações"

A entrevista a Constança Urbano de Sousa foi gravada na sexta-feira às três da tarde. Na noite de sexta-feira foram conhecidas as respostas da Autoridade Nacional de Proteção Civil, reconhecendo falhas no SIRESP, assunto que é tema nesta entrevista. A atualização da entrevista não foi possível porque a ministra "não pretende fazer novas declarações sobre a matéria até receber o relatório circunstanciado que já tinha pedido ao SIRESP".» [DN]

domingo, junho 25, 2017

Semanada

Esta foi a semana em que o diabo veio (finalmente), estava combinado aparecer em Setembro ali para os lados do ministério das Finanças, mas acabou por aparecer em Pedrógão Grande, uma localidade que em poucas horas se transformou numa imagem do inferno. O pessoal do PSD que estava instalado a tempo inteiro no terreiro do Paço, esperando pela queda de Centeno percebeu rapidamente a nova oportunidade, mudou-se de armas e bagagem para a Administração interno.

Passos Coelho bem começou a encenação do político que não se aproveita da desgraça alheia, algo que já tinha feito com a crise financeira e com o Caso marquês. Mas a ansiedade dos seus deputados é tanta que desta vez o próprio Passos foi ultrapassado, propôs uma comissão técnica para avaliar os acontecimentos, mas o seu grupo parlamentar forçou um debate parlamentar sem quaisquer relatórios técnicos, só para aproveitar os acontecimentos.

Ninguém reparou, mas há uma figura grada do mundo autárquico do PSD que está a viver o seu próprio inferno, acompanhado de mais alguns companheiros. Hermínio Loureiro, homem forte de Oliveira de Azeméis e uma ponte entre o PSD e o mundo da bola está passando o fim de semana nas instalações hoteleiras da PJ

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Luís Valente de Oliveira, mandatário do candidato populista

O que não faltou a Valente de Oliveira foram boas oportunidades de se ter demitido do PSD, podia tê-lo feito, por exemplo, quando Passos o ignorou na hora de preencher a vaga de membro da Comissão europeia. Chegar ao fim da carreira política e demitir do seu partido para apoiar um político que sofre de homofobia democrática talvez não tenha sido a melhor das ideias.

Podia ter-se demitido em oposição a políticas, opta-se por se demitir para não ser expulso.

«luís Valente de Oliveira enviou, esta semana, uma carta ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, a pedir a sua desvinculação de militante do seu partido de sempre. Na origem da decisão está o convite de Rui Moreira ao histórico social-democrata para ser mandatário da recandidatura independente “Porto, o Nosso Partido”. O presidente da Câmara do Porto confirmou ao Expresso que, tal como nas autárquicas de 2013, o seu mandatário será Valente de Oliveira, que já confirmou o convite e “autorizou que o mesmo fosse divulgado”, tendo ainda revelado que se desfiliaria do PSD para evitar embaraços políticos e eventuais processos disciplinares. Embora ainda não haja data do anúncio formal da candidatura, Rui Moreira fez questão de manter para as eleições de 1 de outubro o seu primeiro mandatário. 
Ao contrário do que sucedeu nas últimas autárquicas, em que manteve o cartão apesar do apoio a Moreira em detrimento do candidato do partido, Luís Filipe Menezes, Valente de Oliveira optou agora por abandonar o partido, esquivando-se a ser repetente num quadro de possíveis ameaças de represálias disciplinares.» [Expresso]

 Proteger as estradas ou proteger as florestas

Durante décadas o país plantou árvores nas bermas da estrada para sombra e para fins decorativos, as árvores pertenciam ao estrado que exploravam a sua madeira e mesmo a fruta ou frutos secos, como as amêndoas, era trabalho da JAE. Os tempos mudaram e os enormes eucaliptos e pinheiros nas bermas das nossas estradas transformaram-se em armadilhas mortais. Ainda hoje há muitas estradas onde um descontrolo na direção do carro pode ser pago com a morte.

Quando os incêndios se começara a multiplicar as estradas foram apontadas como inimigas da florestas, ninguém questionava se nas bermas haviam pinheiros, eucaliptos ou carvalhos, os ambientalistas ainda não dominavam a comunicação social, os estudos de impacto ambiental ainda não eram um excelente negócio para empresários e consultores que se iniciaram nas associações ambientais.

Os carros e os seus ocupantes eram inimigos da floresta porque com fagulhas ou beatas de cigarros provocavam incêndios. Era necessário proteger as florestas dos carros limpando as suas bermas. Só que faixas de terreno com quilómetros e quilómetros de terreno é muita terra mal aproveitada, a consequência é que estradas como a EN236 apresentam troços em que as árvores estãio tão junto às duas bermas que em caso de incêndio foram um túnel de fogo com centenas de graus.

Foi preciso uma combinação de fatores para que se concluam que afinal o importante não é proteger a floresta dos carros e das pessoas, mas sim proteger as pessoas das florestas e dos seus incêndios cada vez maiores, porque há mais floresta, e cada vez mais violentos porque há mais combustível.

 António Costa deve um pedido de desculpas

António Costa parece ter acreditado no sindicalistas dos impostos e ainda na oposição lançou uma cruzada contra aquilo a que se designou por "Lista VIP", chegou mesmo a dizer que o caso merecia um processo crime, o que vindo de alguém que tinha sido ministro da Justiça merecia alguma atenção.

Entretanto, a IGF investigou, o MP investigou e a AT investigou. A IGF fez o que lhe cabia fazer, fez o relatório da conveniência, aquilo a que designa por frete. Mais não era de esperar de uma instituição que pouco tempo antes tinha andado a vasculhar as mensagens de email de todos os funcionários do fisco, num processo que foi devidamente abafado, isto é, ninguém ficou a saber o que se passou.

Mas o MP concluiu que os funcionários que foram sacrificados por causa da lista VIP, a mesma conclusão chegou o processo disciplinar da AT. Isto é, é cada vez mais óbvio que vários funcionários foram vítimas de um processo sujo conduzido com o objetivo de prejudicar pessoas, aquilo que na Sicília se designa por vendetta. Alguns funcionários demitiram-se ( uma forma cínica de ser demitido) e António Costa chegou a primeiro-ministro,

António Costa caiu na esparrela e agora devia pedir desculpa aos funcionários cuja carreira ajudou a destruir e à própria AT, é o preço de ter alinhado no debate político de casos e casinhos.
      
 Um fim de semana mal passado
   
«O interrogatório a Hermínio Loureiro, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol e um dos detidos na operação Ajuste Secreto da Polícia Judiciária (PJ), terminou na sexta-feira à noite, disse à Lusa fonte judicial.

Hermínio Loureiro começou a ser ouvido pela juíza de instrução criminal, Ana Cláudia Nogueira, cerca das 15h30 e saiu do Tribunal da Feira por volta das 23h00, regressando à cela da PJ do Porto, a fim de ai pernoitar pela quinta noite consecutiva, juntamente com os outros cinco arguidos detidos.

No sábado de manhã, a juíza de instrução criminal irá interrogar o ex-presidente do conselho de administração da Assembleia da República e ex-deputado social-democrata João Moura de Sá, que resolveu prestar declarações, apesar de inicialmente ter dito que não queria falar.

Para as 15h30, estão agendadas as alegações, devendo a decisão sobre as medidas de coação ser proferida apenas na segunda-feira, Antes de Hermínio Loureiro, a juíza esteve a ouvir José Oliveira, presidente da Concelhia do PSD de Oliveira de Azeméis.» [Expresso]
   
Parecer:

Com tanto incêndio no Porto  e nas autarquias e ninguém fala deste príncipe dessa combinação entre PSD, bola e autarquias, uma combinação que em tempos se uniu com o patrocínio de Santana Lopes, para ajudar Durão Barroso a chegar ao poder.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se por segunda-feira.»
  
 Um sindicalista estranho
   
«O arquivamento, noticiado nesta sexta-feira pelo Diário de Notícias, é para o presidente do sindicato, Paulo Ralha, um “verdadeiro milagre” por "branquear" os nomes apontados pela própria IGF como responsáveis, por acção ou omissão, pela “lista VIP”. Em causa estão quatro pessoas: o ex-subdirector-geral José Maria Pires, que autorizou o funcionamento do sistema num dia em que o director-geral estava ausente, o próprio ex-director-geral António Brigas Afonso e dois outros funcionários, a coordenadora da área dos sistemas de informação, Graciosa Martins Delgado, e o chefe de equipa da área da segurança informática que lhe respondia, José Morujão Oliveira. “Nem o Omo lava mais branco do que isto…”, reage Paulo Ralha, pegando numa célebre campanha publicitária de uma conhecida marca de detergente para a roupa para descrever a actuação da AT.

Se há dois anos a IGF recomendou que fossem ponderados processos disciplinares aos quatro funcionários por causa de condutas “susceptíveis” de violar, em diferentes graus, deveres profissionais previstos na Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, o entendimento que a AT faz do caso é o oposto: os visados agiram no cumprimento dos seus deveres de protecção de dados.

“Foi criado um mecanismo desta natureza e não há responsáveis”, insurge-se Paulo Ralha, considerando que quem fica em xeque é a própria AT. “A situação é absolutamente Kafkiana, põe em causa o princípio da igualdade, os princípios da democracia, e no final não há responsáveis”, acusa, lembrando que a mesma instituição que agora arquivou os processos dos dirigentes aplicou sanções a alguns funcionários (repreensões escritas suspensas por seis meses ou um ano) por terem consultado informações fiscais de figuras públicas, mesmo não se verificando violação da protecção de dados.» [Público]
   
Parecer:

Persegue os sócios do seu próprio sindicato.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Palhaçada moçambicana
   
«A auditoria às dívidas ocultas de Moçambique deixou por esclarecer o destino dos dois mil milhões de dólares contraídos por três empresas estatais entre 2013 e 2014, anunciou a Procuradoria-Geral da República (PGR).

"Lacunas permanecem no entendimento sobre como exactamente os dois mil milhões de dólares foram gastos, apesar dos esforços consideráveis" para esclarecer o assunto, refere a PGR em comunicado sobre a investigação feita pela consultora internacional Kroll.

Por outro lado, "a auditoria constatou que o processo para a emissão de garantias pelo Estado parece ser inadequado, sobretudo no que respeita aos estudos de avaliação que devem ser conduzidos, antes da sua emissão", acrescenta-se.» [Público]
   
Parecer:

Um procurador-geral tão nabo que não consegue dizer o que fizeram a dois mil milhões de dólares.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao pobre diabo que beba água.»

 A vez dos barrosistas
   
«Mas o apoio do barrosismo à lista anti-Passos não fica por aqui. Outros três membros do Executivo de Barroso destacam-se na lista de subscritores da candidatura de Sarmento. Com relevo para José Luís Arnaud, que foi o braço-direito de Durão, depois de ter sido secretário-geral do PSD durante a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa.

Maria da Graça Carvalho, ex-ministra da Educação, e Pedro Roseta, ex-ministro da Cultura (e dirigente da distrital de Lisboa nos anos 80) estão igualmente entre os subscritores da lista de Morais Sarmento.

O antigo ministro da Presidência, que nos últimos anos foi várias vezes apontado como putativo candidato à chefia do PSD, apresentou na sexta-feira a sua candidatura e assumiu a oposição a Passos, defendendo o surgimento de um "novo PSD".» [DN]
   
Parecer:

O Morais Sarmento ainda vai passar a perna ao indeciso Rui Rio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

sábado, junho 24, 2017

Impaciência

Passos fez com os incêndios o que no passado já tinha feito com processos judiciais, numa primeira fase evidencia o politico que não é oportunista para ganhar simpatias e credibilidade, numa segunda fase esquece o que disse e torna-se no político oportunista, nocivamente para conseguir votos. Com os incêndios repetiu a primeira fase da encenação, mas nunca saberemos se iria ou não repetir a segunda fase, respeitando as vítimas dos incêndios.

Nunca o saberemos porque a sua bancada parlamentar, devido a muita impaciência, não permitiu. Passos visitou a Proteção Civil,  propôs uma comissão técnica e pediu uma audiência a Belém, mas não teve tempo para mais, o grupo parlamentar do PSD forçou-o a agendar um debate que, como se sabe, servirá apenas para um espetáculo de peixerada da mais miserável.

Compreende-se a impaciência dos deputados, com o tempo as emoções dão lugar à racionalidade, as imagens fortes dos jornalismo cedem o passo a um debate sério, os bombeiros cedem o passo aos que terão de ajudar as populações a reconstruir o que foi destruído. É agora que poderão ganhar alguns votos.

Estes deputados representam os caciques locais, uma imensa tei de interesses distritais e locais e com a queda das intenções de voto no PSD em forte queda, há um sério receio de se perderem muitos lugares, muitos deixarão de ser autarcas, de ser administradores de empresas municipais ou assessores. São dezenas de milhares de militantes que perdem os seus lugares e que verão a sua forma de vida arder com uma derrota eleitoral.

Isto significa que não é com os que sofreram com os incêndios de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Góis que essa gente está preocupada. Os que querem salvar à custas dos que morreram são os que vão ficar queimados com uma derrota nas eleições autárquicas.