quinta-feira, fevereiro 22, 2018

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
José Manuel Fernandes, deputado rico

Usar a presença do Presidente do Eurogrupo, neste caso Mário Centeno, para fazer questões a pensar na política portuguesa apenas serve para percebermos a tacanhez intelectual deste eurodeputado.

«Mário Centeno lembrou esta manhã que, pela primeira vez, o crescimento português convergiu com o da zona euro, depois de ser questionado pelo eurodeputado José Manuel Fernandes sobre a possibilidade de Portugal ficar abaixo da média europeia este ano.

No primeiro "diálogo económico" de Centeno com a comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu desde que assumiu a presidência do fórum de ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo), o eurodeputado social-democrata confrontou o ministro das Finanças com as previsões da Comissão Europeia, que estimam que Portugal vá crescer menos do que a média europeia este ano.

"O que é que o presidente do Eurogrupo recomenda ao Governo e ao ministro das Finanças de Portugal para inverter a situação?", inquiriu José Manuel Fernandes, que é o coordenador do Partido Popular Europeu (PPE) na Comissão de Orçamentos do PE.

"Eu, enquanto presidente do Eurogrupo, recomendaria a todos os países da área do euro manterem o excelente trabalho que tem sido feito em cada um desses países no sentido de promover a estabilidade das contas públicas, a estabilidade do sistema financeiro e a melhoria da competitividade da área do euro", começou por responder Centeno.» [Expresso]

 Oportunidade única

Pela primeira-vez um primeiro-ministro e o líder da oposição abordam a questão da justiça sem haver uma tentativa de aproveitamento partidário de casos judiciais, um comportamento que no passado tem permitido a algumas personalidades do setor dividir para reinar. É uma oportunidade única para pensar na justiça com independência em relação às corporações do setor e em especial dos justiceiros que desde há mais de uma década se têm entretido a substituir os velhos generais dos golpes de Estado.

      
 Bom dia médio Silva
   
«O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) prepara-se para avançar com uma proposta revolucionária. Miguel Guimarães adianta que está a pensar propor no Conselho Nacional Executivo da OM que “os médicos deixem de ser chamados doutores”.

Porquê? “Há tantos licenciados. Toda a gente é doutor. Gostava de uma designação nova. Doutor é um título que corresponde a uma licenciatura ou a um mestrado. Estas nomenclaturas já estarão ultrapassadas. O que o doente tem que saber é o nome e a profissão [de quem o está a tratar]”, explica o bastonário. "É uma matéria que vou colocar à consideração dos meus colegas [no conselho executivo]", diz Miguel Guimarães que ainda não pensou numa designação alternativa.

A ideia surge numa altura em que o ministro da Saúde está debaixo de fogo depois de, na semana passada, ter sido aprovada uma licenciatura em medicina tradicional chinesa. Foi, diz Miguel Guimarães, “a cereja no topo do bolo da nossa indignação”. "A maior parte destas práticas [da medicina tradicional chinesa] não passaram no crivo da fundamentação científica", critica Miguel Guimarães, que garante que "os médicos estão todos contra o ministro da Saúde”.» [Público]
   
Parecer:

O bastonário tem alguma razão, ainda que o problema seja comum a muitas profissões, um dia destes teremos mesmo de tratar a educadora de infância por Professora Doutora. Aliás, profissionais como os fisioterapeutas e enfermeiros já são tratados pela profissão e não pelo grau académico. O problema é que depois o pessoal das agulhas também vão querer ser designados por médicos de agulhas.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 Um sapo chamado Elina
   
«Luís Montenegro afirmou ontem à TSF que “a questão política mais relevante” com a escolha de Elina Fraga para vice-presidente de Rui Rio é saber qual é o projecto da direcção política do PSD na área da justiça, e qual o papel de Elina Fraga nesse projecto.

"O ponto não é a dra. Elina Fraga como bastonária e aquilo que está a seguir o seu percurso normal de averiguação. A questão política mais relevante é saber qual é o projecto da direcção política do PSD na área da justiça, qual o papel da dra. Elina Fraga nesse projecto, o que é que vai mudar ou não na linha política do PSD", defendeu Montenegro no programa da TSF Almoços Grátis.

O antigo líder da bancada parlamentar diz ainda que "há um problema" que Rui Rio e a direcção do partido "terão de clarificar nos próximos tempos": o facto de Elina Fraga "ter sido uma feroz opositora da política da área da justiça do último Governo, pródigo em decisões e em reformas relevantes na área da justiça".

Luís Montenegro diz mesmo temer que Rui Rio esteja a planear defender uma reforma na justiça ou "mudar de opinião relativamente a alguns dossiers que são importantes", uma vez que Elina Fraga se manifestou contra, por exemplo, a reforma do mapa judiciário.» [Público]
   
Parecer:

A Elina Fraga está a transformar-se num grande sapo para uma boa parte do PSD.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 O culpado é o Mário Centeno
   
«O ministro da Saúde disse esta quarta-feira que o processo para abrir concurso para 700 médicos recém-especialistas nos hospitais que aguardam colocação há dez meses está no Ministério das Finanças. O concurso para contratar os 110 médicos de família que concluiram o internato em 2017 foi aberto esta quarta-feira, mas faltam ainda fazer um procedimento similar para os médicos da área hospitalar.

"São precisas duas assinaturas e um despacho conjunto (...). Este ano há um atraso maior porque o processo está no Ministério das Finanças à espera de ser concluído", afirmou à Lusa Adalberto Campos Fernandes à margem da assinatura da apresentação de um projecto conjunto com a fundação bancária La Caixa sobre cuidados paliativos.

Nesta quinta-feira, dirigentes da Ordem dos Médicos (OM) vão acompanhar um grupo de recém-especialistas da área hospitalar ao Parlamento na entrega de uma carta a contestar o facto de mais de 700 profissionais estarem há muitos meses à espera da abertura de concurso.» [Público]
   
Parecer:

Desde há algum tempo que sempre que há algum problema no setor da saúde que se passa a mensagem de que a culpa é do Centeno, aliás, o Mário Centeno parece ter as costas largas e tornou-se um inimigo público, sendo um saco de boxe. Desta vez foi um ministro a "promover" o Mário Centeno a culpado dos males do seu ministério.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

ELINA FRAGA SENTE REPUGNÂNCIA POR SI PRÓPRIA?



«Repugnância: Que provoca repulsa; que ocasiona repugnância. Que causa asco; nojento ou asqueroso.»

Questionada sobre a polémica da auditoria à sua atuação enquanto bastonária da Ordem dos Advogados, um processo resultante de uma iniciativa do seu sucessor cujos resultados estão em análise no Ministério Público, advogada que ganhou notoriedade quando sucedeu a Marinho Pinto, o seu antecessor e fundador do Partido Democrático Republicano, um fiasco populista que serviu apenas para que o advogado ainda seja deputado europeu.

É óbvio que Elena Fraga tem toda a razão no que se refere aos comentários e sugestões que faz sobre a forma como de um dia para o outro uma qualquer voz amiga fez chegar a informação aos jornalistas. Não só teve razão como demonstrou coragem, é tempo de denunciar a utilização de informação interna da justiça para queimar políticos recorrendo a esquemas difamatórios. Enquanto bastonária, advogada e agora também agente político, a vice-presidente do PSD sabe do que fala e é bom que a denúncia desta velhacaria política não seja associada a uma qualquer estratégia defensiva da esquerda.

Mas Helena Fraga foi um pouco mais longe e sentiu necessidade de fazer uma declaração de fé em relação á sua relação com este Governo, disse que sentia repugnância pelo Governo por ser de esquerda. As sensações físicas sentidas pela Elina não são questionáveis, não falta neste país gente da extrema-direita que sente repugnância por governos com maioria parlamentar formada por deputados eleitos por cidadãos que escolheram a esquerda.

Mas pertencendo a um partido que se diz social-democrata e tendo acabado de assumir as funções de vice-presidente desse partido a declaração da senhora pode provocar vómitos em terceiros, não só por questões que se prendem com a visão, o olfato ou o cheiro, mas principalmente pela falta de cultura política da senhora. 

Uma das pessoas que se deve sentir incomodada pela estupidez da sua vice-presidente ée o próprio Rui Rio. Na sua moção de estratégia global, apresentada em Leiria quando se apresentou como candidato à liderança do PSD, Rui Rio declara que "O PSD precisa de se reencontrar consigo próprio para se reposicionar no lugar que é seu: num centro político alargado que vai do centro-direita ao centro-esquerda, de orientação reformista e com inspiração na social-democracia e no pragmatismo social". Isto é, esta senhora corre um sério risco de sentir repugnância pelo seu próprio partido, isto para não referir a falta de estofo democrático de quem deu os primeiros passos na escola do populismo.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Dr. Ventinhas, candidato a ministro das Finanças

Por algumas intervenções públicas parece que o grupo corporativo dos magistrados do MP para além de livre investigação com meras consequências difamatórias, como sucedeu com a falsa investigação a Centeno, querem ter também livre acesso ao dinheiro dos contribuintes com o argumento da independência. Não seria melhor estabelecer uma espécie de Estado soviético e designar o presidente do sindicato dos magistrados do MP como diretor-geral por inerência do Orçamento? Assim passavam a ter dinheiro com fartura e quando o último político fosse preso ou difamado poder-se-ia designar a Procuradora-Geral ou a Procuradora distrital de Lisboa como primeira-ministra.

Resta saber a que título o sindicato emite pareceres sobre questões financeiras, um sindicato não serve para defender direitos laborais?

«O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) considera que a proposta de Estatuto apresentada pelo Ministério da Justiça obrigará o MP a mendigar meios para o exercício das suas funções, menorizando os magistrados. Considera ainda que algumas soluções propostas são "opostas" às acordadas no processo negocial, sendo que algumas delas "são inconstitucionais e afetam direitos adquiridos dos magistrados".

No parecer emitido, o sindicato refere que não está consagrada "uma verdadeira autonomia financeira para o Ministério Público, o que implica que continuará a ser uma magistratura de mão estendida, em que permanentemente terá de mendigar meios para a prossecução das suas funções constitucionais".

Para o sindicato, o modelo de carreira previsto acarretará no futuro "problemas para a investigação criminal e funcionamento dos tribunais".» [Expresso]

 Elina Fraga deve demitir-se?

No dia em que alguém que exerce um cargo público tiver que se demitir só porque corre uma qualquer investigação no MP, o melhor será passar a pedir ao Dr. Ventinhas que passe a ser ele a nomear todos os titulares de cargos e instituições públicas bem como a autorizar os portugueses que se queiram candidatar a deputados ou a titulares de outros órgãos de soberania. Com esta coisa das demissões só porque a Procuradora Distrital de Lisboa decide investigar alguém Portugal começa a parecer um Estado de sovietes à moda do MRPP.

Até trânsito em julgado ninguém se deve demitir do que quer que seja, a não ser em casos de flagrante delito e talcvez n~so seja má ideia passar a exigir ao MP que indemnize as pessoas que foram difamadas na comunicação social por violações do segredo de justiça em investigações que não tiveram qualquer fundamento, como no caso da investigação da treta ao ministro das Finanças.

Começa a ser tempo de todos pagarem pelos seus erros, pela sua incompetência ou pelos crimes de difamação implícita, para que todos sejamos mais cuidadosos e não podermos ser sacanas ou irresponsáveis escondidos atrás de escudos jurídicos.

      
 Outra vez o Barroso
   
«Em 2016, Durão Barroso garantiu que não faria lóbi em nome do Goldman Sachs, nem que tinha sido contratado para ser lobista. Mas o vice-presidente da Comissão Europeia para o Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade, Jyrki Katainen, confirmou a uma ONG que Barroso pediu um encontro em nome do banco de investimento norte-americano e que chegaram mesmo a encontrar-se num hotel de Bruxelas.

“Na verdade, encontrei-me com o Sr. Barroso da Goldman Sachs no Hotel Silken Berlaymont, em Bruxelas, a 25 de outubro de 2017”, escreveu Jyrki Katainen numa carta citada esta terça-feira pelo EuObserver, datada de 31 de janeiro.

O vice-presidente da CE para o Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade adiantou que durante o encontro foram discutidas sobretudo questões relacionadas com comércio e política de defesa. Na reunião, que foi combinada por telefone, não tirou quaisquer notas, disse Jyrki Katainen.» [Expresso]

«Durão Barroso sente-se “injustiçado” com as acusações de que terá feito lóbi pelo Goldman Sachs junto de Jyrki Katainen, vice-presidente da Comissão Europeia. O ex-presidente da Comissão não deverá reagir oficialmente à polémica, mas fonte próxima do antigo primeiro-ministro garante ao Observador que tudo não passa de uma “invenção“.

Durão Barroso está obviamente chateado. Isto é uma sacanice que lhe fizeram“, conta a mesma fonte. “Ele não fez lóbi nenhum. Encontrou-se com Katainen como se encontra com vários ex-colegas da Comissão Europeia para discutir questões políticas e económicas globais, não para procurar qualquer benefício para o Goldman Sachs International”.

O vice-presidente da Comissão Europeia assumiu que se encontrou com Barroso num hotel em Bruxelas para falar sobre “assuntos de comércio e defesa”. Apesar de Durão não estar a planear falar, o banco norte-americano está a preparar um comunicado em defesa do seu presidente não-executivo.

Ainda assim, ao Observador, fonte próxima de Durão Barroso aponta o dedo: “Estas notícias têm origem nos mesmos que ficaram furiosos com o facto de ele ter ido para o Goldman Sachs, por se tratar de um banco norte-americano. António Vitorino faz lóbi pelo Santander junto de comissários europeus e nunca ninguém disse nada. Porquê? Porque é um banco europeu”, nota a mesma fonte.» [Observador]
   
Parecer:

Este senhor não tem uma longa história e agora até se arma em virgem abusada.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Hugo Soares continua em forma
   
«Hugo Soares, o líder cessante da bancada do PSD defendeu hoje que seria "um desrespeito institucional grave para com o grupo parlamentar", se não fosse convocado para uma reunião da Comissão Política do partido na qual tem lugar por inerência.

"A acontecer, creio que não será verdade, mas a acontecer, creio que se trata de um desrespeito institucional grave para com o grupo parlamentar, mas creio que não deve haver nenhuma reunião porque eu não fui convocado", afirmou Hugo Soares depois de questionado pelos jornalistas.

Hugo Soares começou por afirmar: "Não sabia que havia reunião da comissão política".

Acerca da presença do presidente da bancada nestas reuniões, respondeu: "Sim, estava previsto nos estatutos, mas não sabia que havia nenhuma reunião".» [DN]
   
Parecer:

parece que o Rui Rio vai ter uma "carraça".
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Santana Lopes anda baralhado
   
«Fechado o congresso, a eleição de Fernando Negrão para a bancada parlamentar do PSD na quinta-feira é mais um momento decisivo para a afirmação da liderança de Rui Rio. Com os deputados divididos e com o risco de haver muitos votos em branco, Pedro Santana Lopes — que tinha o apoio da maior parte da bancada — diz ao Observador que a unidade do grupo é fundamental para o partido: “Espero que o grupo parlamentar dê força suficiente a Fernando Negrão. Acho que vai ser candidato único e espero que o resultado corresponda ao espírito de unidade que julgo ter havido no congresso, mesmo pela parte de quem o disputou”.

O candidato derrotado nas diretas, mas que fundiu as suas listas com as de Rui Rio em sinal de unidade no congresso, não quer “estabelecer fasquias”, mas sublinha que será Negrão ” a bater-se contra António Costa e a frente de esquerda no Parlamento”:

Quero sublinhar esse apelo: espero que Fernando Negrão tenha uma votação expressiva”.» [Observador]
   
Parecer:

parece que pensa que os votos que teve na corrida á liderança do PSD é de santanistas e que os deputados apoiantes de Passos também se converteram ao santanismo.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Chame-se o pobre homem à realidade.»

 O DIAP investiga a Elina Fraga
   
«A gestão da ex-bastonária Elina Fraga à frente da Ordem dos Advogados está a ser investigadada pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, confirmou fonte oficial da Procuradoria-Geral da República ao Observador.

“Confirma-se a receção, em novembro, na Procuradoria-Geral da República (PGR), do relatório de auditoria realizado às contas e procedimentos da Ordem dos Advogados (nos triénios 2011/2013 e 2014/2016). Essa documentação foi remetida ao DIAP de Lisboa, onde deu origem a um inquérito que se encontra em investigação. Não tem arguidos constituídos”, lê-se na resposta escrita enviada para o nosso jornal.

O Observador questionou ainda a PGR sobre os crimes que deram origem à abertura da investigação criminal no DIAP de Lisboa mas não obteve qualquer resposta.

Elina Fraga foi eleita este fim-de-semana vice-presidente do PSD durante no 37.º Congresso dos social-democratas que confirmou Rui Rio como o sucessor de Pedro Passos Coelho.» [Observador]
   
Parecer:

Depois da investigação ao Mário Centeno não me admiraria se um dia destes se lembrassem de investigar o cavalo de D. José ou o leão do Marquês de Pombal, para não referir a ninfa do Eça de Queiroz.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Que investiguem.»

terça-feira, fevereiro 20, 2018

A CULPA É DO PS

A crer no debate interno do PSD parece que todos os males do país são do Bloco Central, fazendo lembrar a expressão muito usada no futebol de que “a culpa é do Benfica”. Aliás, as semelhanças entre as lutas entre os grandes clubes não difere muito daquilo que vemos no mundo da política, o que não é de estranhar, não só alguns líderes desportivos gostam de se dirigir às massas imitando os políticos como a troco de um VISA endinheirado os mais sérios jornalistas se transformam rapidamente em aprendizes de Goebbels no mundo da bola. A confusão é tanta que há um deputado do CDS que na CMTV refere-se ao presidente do seu clube como “o meu presidente”.

Como a Geringonça tirou o campeonato ao pafiosos quando estes já tinham comprado as faixas de campeão, ainda hoje a direita não recuperou e não se cansa de acusar o PS de todos os males. A paranoia chega ao ponto de a questão mais debatida do congresso e a crer numa entrevista dada por Santana Lopes, já depois do encerramento do conclave, o debate continua, um qualquer apoio a um governo do PS será uma traição.

Isto é, o PSD não perdeu apenas o poder nas últimas legislativas, perdeu também a capacidade de pensar o país de forma racional. O ridículo é tanto que um partido que tenta livrar-se da peçonha da imagem de direita, aproximando-se e afirmando-se mesmo com um partido de centro esquerda, na hora das alianças e dos acordos define a direita mais conservadora como parceiro natural. Lá fora o PSD é da direita conservadora do Partido Popular Europeu, cá dentro já nem é de direita ou de sequer, o que identifica o PSD é o ódio do PS e líder que ouse aproximar-se daquele partido quase é excomungado.

Dois anos depois de ter abandonado o poder o PSD continua em crise, dividido praticamente ao meio e, pior do que tudo, sem qualquer projeto para governar o país. A irracionalidade, se não mesmo a estupidez, é tanta que os dirigentes do PSD centram o seu debate num tema que só faz sentido no pressuposto de uma derrota nas próximas legislativas, Aliás, durante o congresso o próprio Rui Rio assumiu que iria preparar o seu partido para uma vitória … nas próximas eleições autárquicas.

Se o PSD não estivesse conformado com a derrota o centro do debate não seria se o PSD deve apoiar ou não um governo do PS, mas sim discutir como é que um PSD que um PSD que ganhando eleições sem que a direita tenha maioria absoluta poderá governar. Passos Coelho recusou qualquer alteração do programa do governo, berrou que “era o que faltava governar com o programa do PS” e achou que podia comprar António Costa com um lugar de vice do governo.

O que Rui Rio e Pedro Santana Lopes terão que explica é se nesse cenário insistirão em formar um governo de aliança com o CDS sem maioria parlamentar, se tentam formar uma grande coligação incluindo o PS e o CDS ou se abandonam a Cristas e negoceiam um governo maioritário com o PS.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente

Depois da almoçarada com Pedro Santana Lopes compreende-se que o presidente comentador aproveite a ocasião para desmanchar a imagem que deixou, dando um grande protagonismo ao seu antigo secretário-geral quando era líder do PSD. Mas talvez não fosse má ideia se Marcelo reparasse que há mais partidos e que o PSD não nasceu no congresso do fim de semana.

Se Marcelo quer pactos talvez seja boa ideia considerar todos os partidos que merecem votos dos portugueses e não apenas o seu próprio partido ou os partidos da direita.

«Marcelo Rebelo de Sousa recebe esta segunda-feira de tarde o novo líder do PSD mas, ao que o Expresso apurou, já projeta um segundo encontro para aprofundar com Rui Rio as propostas, o calendário e os interlocutores com que o social-democrata tenciona pôr em marcha a sua agenda de entendimentos interpartidários.

"O diálogo inicia-se hoje mas vai prosseguir nos próximos dias. Não acaba hoje", afirmou o Presidente da República, esta segunda-feira de manhã, à saída do doutamento honoris causa de António Guterres, em Lisboa.

O encontro que o Presidente terá esta tarde em Belém com a nova direção do PSD é, oficialmente, para "apresentação de cumprimentos". A expectativa de Marcelo é que, depois do encontro que Rui Rio também terá com o primeiro-ministro, ambos possam ter uma conversa mais profunda.» [Expresso]

 A mentira do dia



Bruno de Carvalho acaba de contratar Ri Chun-hee que ira ser adjunta de Nuno Saraiva, o pequeno líder da comunicação do SCP.

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

APONTAMENTOS DO CONGRESSO DO PSD

O PSD deixou de ser o partido preferido pela extrema-direita chique para ser o mais social-democrata possível, ainda que ninguém perceba muito bem o que é a social-democracia de Sá Carneiro, Cavaco Silva, Durão Barroso, Pinto Balsemão, Santana Lopes, Passos Coelho ou Rui Rio. Depois de destruir a classe média acusando-a dos males do consumo e de ganhar acima do devido afirma-se amante dessa mesma classe média, depois de defender o “ajustamento”, isto é, uma redução linear de todos os salários, defende agora melhores rendimentos. O partido que liberalizou as regras da lei laboral está agora preocupado com a precariedade, os que fizeram baixar de forma brutal a taxa de natalidade são agora campeões na preocupação com a população. 

Os opositores de Rui Rio transformaram-se agora numa espécie de ala dos namorados, Passos Coelho afirmou-se um soldado e todos os seus assumiram o mesmo estatuto, uns imitaram o líder e Montenegro assumiu mesmo que passaria à reserva, para esperar o melhor momento para disputar a liderança de Rui Rio.

Pedro Santana Lopes concorreu à liderança do PSD e percebeu que “quem vai ao mar perde o lugar”, de um dia para o outro perdeu um bom tacho para ficar no desemprego. Teve de ir ao congresso resolver o seu problema, deu uma cambalhota e quase parecia um caniche do novo senhor. Esqueceu muito depressa os seus recentes apoiantes, armou-se em seu representante e ganhou estatuto no partido. Já pode ambicionar um lugar no Parlamento Europeu e com a nova posição no PSD tem direito a uma quota de avenças para juristas decididas por gente do PSD.

De um momento para o outro assistimos á conversão de muitos liberais em social-democratas de primeira água, tendo à sua cabeça o cristão novo que agora é secretário-geral, passou de ideólogo do liberalismo extremista de Passos a ideólogo de Rui Rio. Outro caso de cambalhota foi o de Elina Fraga, eram poucos os que sabia que a tinham como companheira de militância no PSD, agora têm-na como vice-presidente sem nunca ter colado um cartaz durante uma campanha eleitoral.

Cavaco Silva preferiu ver o congresso do alto do seu pedestal, não se misturando com a arraia miúda, mas não deixou de tentar algum protagonismo à custa dos outros do seu partido. Fê-lo de forma tão miserável que ninguém se deu ao trabalho de dar pela sua existência, ver um ex-presidente ameaçar contar o que ouviu durante as audiências presidenciais dos líderes partidários foi um dos momentos mais degradantes da política portuguesa, algo de tão baixo nível que ninguém se deu ao trabalho de comentar. A intervenção de Cavaco Silva através da entrevista ao Expresso serviu para mostrar que senhor de Boliqueime não é como o Vinho do Porto, não melhorando com a idade, é uma zurrapa que com o tempo se transforma num vinho cada vez mais azedo.

Passos saiu e se não fosse a incapacidade de esconder a sua raiva por a esquerda o ter impedido de prosseguir com a sua agenda política mesmo sem maioria parlamentar mereceria o elogio, ainda assim fez o melhor discurso do congresso. Em contraposição, os discursos de Rui Rio foram pobres e até Santana Lopes já não é o que era, parece que a idade lhe está a pesar em todos os aspectos.


Rui Rio lê bem os discursos, o problema é quando não os leu e julgando tratar-se de uma contradição engasga-se e volta a engasgar-se. Depois de acabar de afirmar que a causa da crise financeira tinha sido um crescimento assente no consumo, Rui Rio engasga-se quando lê que a grande prioridade é um aumento do consumo, leu e releu, aquele que o vídeo oficial tinha acabado de apresentar como um grande economista levou uns longos segundos para perceber o que supostamente ele próprio tinha escrito. Lá se lembrou de dizer que aquela era uma frase importante.

Ficamos agora a aguardar que Rio explique melhor a sua tese das culpas do consumo, depois de anos a sermos castigados pela austeridade como se fosse uma penitência pelo excesso do consumo eis que vem Rui Rio, ignora as responsabilidades várias numa crise que começou ainda em 2008 e bem longe de Portugal e que apanhou o sistema financeiro atolado no pote de mel do crédito ao consumo. A tese da culpa de Passos Coelho, que aparece aqui sustentada pro Rui Rio de forma quase ingénua, ou talvez não, serviu para implementar uma brutal transferência de riqueza dos pobres e da classe média baixa para os ricos e, em particular, para a banca. Mas o grande economista andou tão escondido que nem deve ter dado por isto.

Rui Rio apoiou todas as políticas e ainda muito recentemente declarou que teria ido mais longe  na brutalidade do que Maria Luís Albuquerque, por várias vezes se manifestou contra aquilo a que designaram por "reversões", mas agora usa todas as consequências sociais funestas resultantes das política que apoiou como bandeira pessoa. Foi contra as reversões da austeridade brutal, mas é o paladino defensor da reversão das consequências sociais da austeridade que apoiou e cujo aprofundamento ainda hoje defende, com a proposta de aceleração da redução do défice.