segunda-feira, dezembro 11, 2017

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Paula Brito Costa, vedeta da economia social

Em Portugal a chamada "economia social" onde se mistura poder, dinheiro e caridade. beneficia de uma total impunidade, como é tudo gente boa quase é uma ofensa auditar ou investigar. Com a institucionalização da caridade durante o período da troika, fenómeno que Marcelo parece pretender continuar, a economia social cresceu de forma exponencial.

Agora parece ter caído uma senhora da economia social, talvez seja o abrir de uma porta para que os portugueses percebam que neste país não há vacinas contra a corrupção e que os únicos que não t~em direito a elas são os que servem o Estado como funcionários ou como políticos.

lamentavelmente, os políticos também parecem ter-se especializado nesta economia social, sendo muitas as organizações criadas por políticos ambiciosos que as usam como tropa de choque eleitioral. No caso da raríssimas é óbvio que algo está mal quando alguém ganha três mil euros mensais como consultor de uma organização cheia de amor.

Aposto que desta vez Marcelo Rebelo de Sousa evitará o comentário na hora, vai ser lerdo o suficiente para ver se o assunto é esquecido e nenhum jornalista lhe faz a pergunta difícil. Cheios de sorte estão os outros políticos envolvidos, desta vez o Presidente da República não lhes vai exigir explicações.

«A TVI emitiu uma reportagem onde é demonstrado como a presidente da Raríssimas, uma associação sem fins lucrativos que recebeu mais de 1,5 milhões de euros, dos quais metade são subsídios estatais, pode ter recorrido aos fundos daquela associação para pagar mensalmente milhares de euros em despesas pessoais. Surgem também envolvidos o secretário de Estado da Saúde, que foi consultor da associação recebendo 3 mil euros por mês, e a deputada do PS Sónia Fertuzinhos, que viajou até à Noruega paga pela Associação. Marcelo Rebelo de Sousa também é visado, Paula Brito da Costa é filmada a dizer mal do Presidente da República.

As acusações contra Paula Brito da Costa são corroboradas pelo testemunho de vários ex-funcionários da Raríssimas, entre os quais estão dois ex-tesoureiros, uma antiga dirigente e outra pessoa que trabalhou como secretária naquela associação sem fins lucrativos, munidos de vários documentos que dão conta de transações alegadamente ilícitas que terão beneficiado a presidente desta associação sem fins lucrativos dedicada aos cuidados de portadores de doenças pouco comuns. Ao longo dos anos, a Raríssimas recebeu a visita de ministros, do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e também da rainha Letícia, de Espanha.

Segundo a TVI, Paula Brito da Costa recebia um salário base de 3 mil euros mensais, ao qual acresciam 1300 em ajudas de custo, 816,67 euros de um plano poupança-reforma e ainda 1500 euros em deslocações. A esta quantia, que já ultrapassa os 6500 euros, deve ainda ser acrescentado o aluguer de um carro de luxo com o valor mensal de 921,59 euros e compras pessoais que a presidente da Raríssimas faria com o cartão de crédito da associação. Na reportagem, é publicada uma fatura de um vestido de 228 euros; outra que dá conta de 821,92 em compras; e ainda uma terceira que demonstra uma despesa de 364 euros no supermercado, entre os quais 230 dizem respeito a gambas.

Paula Brito da Costa também cobraria à Associação as deslocações diárias de casa para o trabalho, declarando que estas eram feitas em carro próprio. Porém, o carro que usava para fazer esse trajeto pertencia à Federação de Doenças Raras, associação da qual também foi presidente e onde, segundo a TVI, auferia 1315 euros acrescidos de 540 euros de despesas, também elas de deslocação.» [Observador]

      
 Há 22 anos que o SCP não começava assim
   
«Esse dado acaba por empurrar o Sporting para uma estatística que mostra bem a consistência da equipa até ao momento: há 22 anos que os leões não chegavam ao final da 14.ª jornada sem derrotas, melhorando até o registo dessa equipa liderada por Carlos Queiroz que tinha Figo, Balakov, Amunike e companhia (11 vitórias e três empates agora, contra dez triunfos e quatro igualdades na temporada de 1994/95). Pormenor curioso: Gelson Martins e Daniel Podence, titulares na partida desta noite, não eram sequer nascidos…» [Observador]
   
Parecer:

Os portistas responderão que esperam que desta vez acabe como nesse época brilhante de há 22 anos, o SCP ficou a sete pontos do FCP.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Mais um negócio tradicional que morre
   
«Proprietário da Livraria Saturno, em Oliveira do Bairro, José Augusto diz ter "a sorte" de trabalhar com um agrupamento de escolas compreensivo, que optou por dar às famílias a opção de escolherem onde compram os manuais escolares do 1.º ciclo oferecidos pelo Estado. Mas também não se sente livre de perigo: "Com o nosso agrupamento não temos problemas mas, como as coisas estão, não sabemos se amanhã as coisas mudam e ficamos na mesma situação dos que já perderam tudo", diz.

Penalizadas por um mercado editorial que tem vindo a perder leitores a um ritmo acelerado, as pequenas livrarias e papelarias tinham na área escolar - não só nos manuais e fichas de exercícios como nos restantes materiais que as famílias acabavam por comprar - a última boia de salvação dos seus negócios. Mas estão a tornar-se num indesejável efeito colateral da distribuição gratuita dos livros escolares. Não pela medida em si mas devido à forma como esta tem sido implementada, com muitos agrupamentos de escolas a optarem por grandes fornecedores, que lhes garantem as quantidades necessárias com elevados descontos.» [DN]
   
Parecer:

Desta vez ninguém fica preocupado com o interior?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Presidente.»

domingo, dezembro 10, 2017

SEMANADA

Portugal parece ter um Presidente da República que analisa os anos como se pertencesse à Confraria do Vinho do Porto e estivesse a avaliar a qualidade do vinho, para decidir se o vinho da colheita é ou não um vintage. Agora parece que há anos bons para o país tomar decisões e anos maus porque nesses ou é impossível tomar decisões ou essas serão más, porque são anos eleitorais. Primeiro veio dar palpites sobre o OE para 2019, dando a entender que há orçamentos eleitoralistas, agora foi junto dos autarcas teorizar sobe as qualidades de 2018, por não ser ano eleitoral. Não seria má ideia se o Presidente da República evidenciasse mais confiança na democracia e nas virtudes das eleições, a não ser que considere que as eleições devam ser tratadas como meras passagens de modelos, que nada têm para dizer.

A direita portuguesa está viciada no jogo, só que as apostas não são em corridas de cavalos, na raspadinha ou no jogo do bicho, o que está a dar são os palpites sobre o fim da geringonça. Desde que Passos decidiu esperar um ano para o governo caísse que toda a direita condiciona a sua agenda política no pressuposto de que António Costa vai cair. Agora foi a vez de Santana Lopes animar as suas hostes, para o fazer nada melhor do que se armar em Santinha da Ladeira e prometer um milagre, a Geringonça vai cair.

Marcelo Rebelo de Sousa fez a sua melhor aquisição para a casa Civil, foi buscar o Zeca Mendonça, o homem que durante décadas serviu os líderes do PSD e ficou conhecido pela tendência para pontapear jornalistas. Marcelo tem dado tanta importância ao futebol, uma das suas mais generosas fontes de likes, a seguir aos incêndios e ao jantar dos sem-abrigo, que para tratar com a comunicação social foi buscar alguém com jeito para dar chutos.

Catarina Martins decidiu chamar s si todo o protagonismo político, quase apagando um Jerónimo de Sousa, os ses ataques ao governo e a linguagem que usa é bem mais violenta do que os artigozinhos da Assunção Cristas que tanto irritam António Costa. Mas os ataques de Catarina ao governo também fazem lembrar o estilo de governação do PSD, normalmente este partido desempenha o papel de governo e de líder da oposição. A verdade é que as críticas do BE ao governo apagaram a direita.

Se Centeno pertencesse a um governo de direita a esta hora já teriam descoberto as suas origens rurais, com um avô num dos concelhos mais isolados do país. O meio agreste e a rudeza da vida do campo seriam um sinal das qualidades superiores de um ministro das Finanças que se quer rigoroso, com qualidades da aldeia, a lembrar Salazar. Mas como Centeno é da esquerda já foi esquecido, uma semana depois já não se fala da sua escolha para presidir ao Eurogrupo, Marcelo, por exemplo, prefere falar de receios de que o OE de 2019 seja eleitoralista ou de que o ministro não se possa dedicar ao país.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Pedro Santana Lopes

Santana Lopes anima as suas hostes, ele vai ganhar as eleições, a maioria parlamenrtar vai desfazer-se e o PPD chega ao governo, melhor seria impossível

«O candidato à presidência do PSD Pedro Santana Lopes disse “acreditar cada vez menos” que a legislatura se cumpra, acusando os partidos que sustentam o Governo de estarem preocupados com a “sobrevivência no poder seja a que custo for”.

Na Trofa, para uma sessão de esclarecimento, o antigo primeiro-ministro e candidato a líder do PSD salientou que “nunca” viu uma coligação como aquela que possibilitou uma solução de Governo à esquerda “onde se ofendem tanto uns aos outros”.

Confrontado com a exigência da líder do BE, Catarina Martins, feita na quinta-feira em Braga, para que o Governo “ponha na mesa” a renegociação da dívida, Pedro Santana Lopes afirmou que esse caminho seria “contraproducente” e que Portugal tem é que provar que cumpre os seus compromissos.

“Devo dizer-lhe que eu nunca vi uma coligação assim, onde se ofendem tanto uns aos outros. Dizer o que diz a líder do BE sobre o Partido Socialista é grave, que é por em causa a honra e integridade dos membros do Governo e isso, com toda a franqueza, ninguém gosta de ouvir”, afirmou Santana Lopes, referindo-se à acusação de Catarina Martins que afirmou que o PS é “permeável” aos interesses económicos.

“Há ali um conceito de relacionamento entre estes dois partidos que me faz confusão e que me leva a convencer-me cada vez mais de que a preocupação é a sobrevivência no poder seja a que custo for mas isso não dura muito tempo”, disse.

Segundo o candidato à liderança do PSD, “normalmente a desagregação, quando é assim, é mais rápida do que as pessoas pensam, apesar de o PPD/PSD não ter interesse rigorosamente nenhum em que a legislatura não cumpra o prazo previsto”.» [Jornal Económico]

      
 O ÚLTIMO URSO PARDO DE PORTUGAL
   
«Foi no segundo dia do mês de Dezembro de 1843, com o espírito de Natal já instalado na comunidade serrana e o frio entorpecedor a prometer a chegada de neve e fome, que uma multidão subiu à serra da Mourela, no Gerês, e até ao sítio do Sapateiro. Aí dispersaram e percorreram todo o vale do ribeiro do rio Mau até encontrarem num bosque denso o corpulento urso-pardo que procuravam. Mataram-no e transportaram o seu cadáver para a vila de Montalegre. A notícia da sua morte não ficou por Trás-os-Montes e percorreu todo o país graças à pena de um escriba, que redigiu uma breve nota publicada na Revista Universal Lisbonense a 21 de Dezembro desse mesmo ano. E agora Miguel Brandão Pimenta e Paulo Caetano evocam esse acontecimento como a “última matança”, no livro Urso-pardo em Portugal – Crónica de uma Extinção, publicado em Novembro em versão bilingue (português e inglês) pela editora Bizâncio.

Os dados arqueológicos indicam que o urso-pardo é uma espécie originária da Ásia, onde é conhecida há 450 mil anos. Há 300 mil terá coexistido com outra espécie de urso, o urso-das-cavernas, um habitante mais antigo das montanhas europeias que, menos apto a enfrentar um período glaciar, acabou por sucumbir. Agora, o urso-pardo (Ursus arctus), que num passado distante vagueou por quase toda a Europa, é aquele que tem maior distribuição geográfica entre todos os membros vivos da família dos ursídeos (que, para além de ursos, também inclui pandas). Reconhece-se pelo seu aspecto pesado, cauda e patas curtas, uma cabeça grande com olhos pequenos e frontais e pequenas orelhas arredondadas. A pelagem tanto pode ser de um dourado-claro como de um castanho-escuro. E o seu peso e dimensões variam conforme a região, identificando-se diferenças notáveis de urso para urso até entre a mesma população.A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo trará “consequências inevitáveis” para a condução do Ministério das Finanças em Lisboa. Esta é a leitura feita pelo Presidente da República que, segundo o Jornal Expresso, está preocupado com o impacto que a dupla missão terá na equipa das Finanças, sobretudo na preparação do próximo Orçamento do Estado. Este processo será marcado pelo ambiente pré-eleitoral e por um crescendo nas reivindicações por parte dos sindicatos, funcionários públicos e parceiros à esquerda.» [Público]
   
Parecer:

Temos uma tradição muito pobre no capítulo do respeito pela natureza.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

sábado, dezembro 09, 2017

ELEITORALISMO

Não há memória de um Presidente da República ter dito tantas vezes que ia analisar um OE com o maior cuidado como o fez Marcelo rebelo de Sousa, dava a impressão de estarmos perante um professor da primária avisando que desta vez ia corrigir a aritmética dos TPC. Quem lhe ouvia este aviso repetido com ar de ameaça que seria cumprida até poderia ficar com a impressão que nunca um presidente o tinha feito.

Agora que Marcelo devia estar cumprindo a sua ameaça, reunindo todos os sesu assessores e conselheiros, juntando inclusive os especialistas na divulgação de segredos e dos SMS dos amigos, Marcelo surpreende e fala já sobre o OE para 2019, um bom sial, significa que já esgotou os temas e que não ocorreu nenhuma desgraça ao país.

Ainda que o resultado de tanto comentário seja o fato de muito do que Marcelo diz já entrar por um ouvido e sair pelo outro, o receio de que o OE para 2019 seja “eleitoralista” é mais do que uma mera declaração de quem não tem mais nada para dizer. É sabido que Portugal tem cumprido escrupulosamente as regras orçamentais decorrentes da participação no Euro, só isso explica a escolha de Centeno para presidir ao Eurogrupo. Então o que incomoda Marcelo.

É grave que num regime democrático um residente da República sugira a mais de um ano de distância que um OE que cumpre todas as regras seja eleitoralista, como se governar a pensar nos votos dos eleitores seja algo de irregular e pecaminoso em democracia. Em democracia governa quem tem mais votos e disputar a concordância dos cidadãos, esperando que eles a manifestem nas eleições nada tem de grave ou de pecaminoso.


Se um partido concorreu com um programa, se o programa de governo corresponde à promessas eleitorais e que so OE traduz a concretização do que foi proposto onde está o eleitoralismo que tanto incomoda Marcelo Rebelo de Sousa. Alguém tem de explicar que os únicos orçamentos que não eram eleitoralistas eram os de Salazar.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Marcelo Rebelo de Sousa

Este Presidente (ainda com letra grande) é o mesmo que há um par de meses parece ter feito um julgamento privativo de Mário Centeno, tendo mesmo chamado a Belém o seu conselheiro Lobo Xavier, a crer na comunicação social para lhe mostrar as mensagens SMS privadas de Mário Centeno? Isto é, Marcelo está muito preocupado porque o tal ministro que poderia ser achincalhado pelo seu conselheiro poderá agora ter menos tempo para o país.

Nãio etsará Marcelo rebelo de Sousa mais preocupado com o protagonismo internacional de Mário Centeno, o que condicionará a linguagem de um Presidente da República, que não se cansou de dizer que iria analisar o OE com muito cuidado, isso umas semanas depois de falar em eleitoralismo.

Sejamos honestos, com todo este protagonismo do ministro das Finanças ninguém vai sugerir que o crescimento da economia é motivado pelos likes, afetos, beijinhos, jantares dos pobres e abracinhops do Presidente. O Marcelo da Linha de Cascais ganha imagem no meio rural português, enquanto o provinciano Mário Centeno ganha destaque internacional, reduzindo o primeiro à sua verdadeira dimensão.

Um bom exemplo das dificuldades de Marcelo lidar com esta situação está no afto de ainda hoje ter feito comentários em relação ao OE para ... 2019. Isto é, ainda não promulgou o de 2018, ainda nada se disse sobre 2019 e depois de tantas ameaças de análise pormenorizada e atenta do OE acabado de aprovar, já lança a sugestão de que o OE de 2019 pode ser eleitoralista.

Parece que sem incêndios e sem jantares de sem-abrigos o Presidente da República tem de inventar temas e o melhor que encontrou foi um em que pode dizer umas patacoadas que aprece serem dirigidas a Centeno.

«A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo trará “consequências inevitáveis” para a condução do Ministério das Finanças em Lisboa. Esta é a leitura feita pelo Presidente da República que, segundo o Jornal Expresso, está preocupado com o impacto que a dupla missão terá na equipa das Finanças, sobretudo na preparação do próximo Orçamento do Estado. Este processo será marcado pelo ambiente pré-eleitoral e por um crescendo nas reivindicações por parte dos sindicatos, funcionários públicos e parceiros à esquerda.» [Observador]

sexta-feira, dezembro 08, 2017

GERIR RECURSOS ESCASSOS

Fará sentido gastar dinheiro e energia política para levar por diante decisões como a de transferir o INFARMED para o Porto? Com tantos problemas que o país enfrenta pode-se dar ao luxo de gastar dinheiro e perigar a qualidade de um importante organismo público em nome de uma suposta regionalização, passando organismos de um grande centro urbano para outro grande centro urbano?

O grande problema do país é criar riqueza e redistribuir essa riqueza social e regionalmente de forma mais justa e equilibrada. Os problemas do subdesenvolvimento, quer se manifestem na qualidade dos serviços de saúde, na má gestão das florestas ou na fuga da população do interior para a emigração não se resolvem transferindo muitos INFARJMED. O desenvolvimento mede-se pela criação da riqueza e pela forma como esta se distribui e não pela distribuição equitativa e regionalista da pobreza.

O país tem granes problemas, sempre os teve e apesar do salto brutal de modernização, persistem em ter muito por fazer. Atribuir o problema do interior ao litoral ou sugerir que o interior é prejudicado sistematicamente é ignorar a nossa história. Não foram as cidades do litoral que destruirão o meio rural, muito antes de estes fenómenos merecerem debates públicos já as nossas aldeias tinham sido envelhecidas. Primeiro com a partida de muitos jovens para a guerra colonial e mesmo para a colonização, mais tarde e apesar de se ter de fugir ao salto, pela emigração em massa para o estrangeiro.

É verdade que muitas vilas e cidades do interior não conseguem fixar os jovens que são qualificados pelo sistema de ensino. Mas também é verdade que numa boa parte das nossas vilas e cidades os nossos autarcas exemplares instituíram modelos de “democracia” de  fazer inveja à Coreia do Norte. Os nossos autarcas querem poder e as eleições são mais facilmente ganhas com ignorância, pobreza e dependência de subsídios. Pensar que o regionalismo é um modelo de virtudes que tudo resolverá é mais um complexo dos políticos nascidos nas cidades e promovidos a dirigentes partidários com os votos arregimentados pelos caciques das nossas autarquias.

Nem é preciso sair de Lisboa para se conhecer uma realidade muito duvidosa, as juntas de freguesia da capital são poderosas máquinas especializa-as na subsidio dependência e na manipulação de votos a troco de jantares e excursões. 

Os recursos são escassos, a agenda política demasiado preenchida para que em vez de discutirmos como desenvolver, perdermos o tempo a decidir como se distribui o pouco que temos.